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Obesidade e aposentadoria no Esporte – parte 2

Joe Thomas é um ex-jogador da NFL com 10 participações no Pro-Bowl, o All Star do futebol americano, sua modalidade. Ele é lembrado como um dos maiores da história em sua posição. Recém-aposentado, ele queria se livrar do excesso de peso que traz vantagem competitiva na NFL. Para isso ele perdeu 34kg de 148kg!

Recentemente Thomas deu uma entrevista e explicou não como emagreceu, mas como ele fazia para engordar, ficar “grande”. Ele disse que ele era considerado “pequeno” (undersize). Sabe como ele fazia? Nas palavras DELE:

  1. Ele comia a cada 2 horas;
  2. Ele consumia açúcar, carboidrato e massa (pasta);
  3. Ele não podia pular refeições “para não emagrecer”;

O Esporte e a Pecuária sabem como engordar MUITO melhor do que a Nutrição sabe emagrecer. Por quê? Porque esporte e pecuária vivem de resultados, a nutrição vive de intenções. Os primeiros têm skin in the game, pele em jogo, a nutrição não. Isso explica quase tudo.

Thomas é hoje um aposentado, treina BEM menos e pesa BEM menos. Ele é mais magro do que quando era um dos melhores e mais bem pagos atletas do mundo em uma das ligas mais excruciantes do planeta. Como isso é possível?

Semanas atrás eu falava sobre o drama que companheiros de liga dele vivem ao engordarem quando param de jogar. O que recomendam os “especialistas” de sempre? O OPOSTO do que Thomas fez para emagrecer! Recomendam o OPOSTO do que a Pecuária faz para engordar grandes mamíferos.

  1. Pedem para comermos regularmente, a cada 3 horas para acelerar o metabolismo. Um sinal CLARO de que não têm IDEIA do que estão falando.
  2. Pedem para cortar gorduras, aumentando assim o consumo de carboidrato, macronutriente usado para engordar Thomas e os rebanhos.
  3. Condenam o jejum, deixando o corpo em constante estado anabólico.

Faz sentido para você? Lógico que não faz!

Entre a prática eficiente e o sonho de quem nega a realidade, vocês sabem com quem eu fico!

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O AÇÚCAR nos faz agir como crackeiros.

Tempo atrás escrevi sobre um povo que vive na região do deserto de Kalahari, ao sul da África. Nele falei sobre como a escassez e a abundância moldaram e moldam nossa saúde ao longo de toda a evolução.

Sigo estudando esse povo e assim cheguei ao modo interessante como eles buscavam por mel. Até hoje eles não dominam o refino do açúcar. O ser humano tem uma atração e um prazer tão grande pelo sabor doce que isso nos faz capaz de ficarmos viciados pelo açúcar.

Sempre que vejo nutricionista dizendo para optarmos pelo açúcar mascavo eu enxergo um pneumologista dizendo para que a população opte pelo Marlboro Light, um cigarro mais saudável. Ou então que fume charuto cubano, um cigarro mais “natural”.

Não existe tal coisa!

Tempo atrás, quando escrevi sobre o vício que o açúcar proporciona, um nutricionista disse em tom bravo que açúcar não vicia. Ele mesmo, que estava com enorme sobrepeso, consumia apenas porque “ele queria”, que ele “poderia parar quando bem entendesse”, num típico argumento de viciado que não reconheceu ainda a doença.

E assim voltamos à tribo de Kalahari…

Não havendo docerias, ao avistarem uma abelha, o indivíduo esperava o trabalho da operária e SEGUIA o inseto o quanto fosse preciso até encontrar a colmeia! É ou não coisa de crackeiro?! E se ele a perdesse de vista ele voltava ao lugar, não importasse onde, para buscar mais pistas.

Essa tribo, que desconhece a obesidade e o câncer, não pratica a agricultura, ou seja, vive de caça e coleta. Ao contrário do que pregam alguns profissionais low-carbers mais radicais, eles consomem inclusive tubérculos, alimentos de alto amido (glicose) e baixos nutrientes. Porém, eles vivem muito é do resultado de sua caça.

E assim voltamos ao texto original: é sobre escassez e sobre não-linearidade!
Não há linearidade na dieta daquele povo, seja de calorias (aqui entra o jejum forçado), seja de alimentos vegetais (dependendo do acaso de encontrar ou não raízes), seja de alimentos de origem animal (ter sucesso ou não de caça).

E diferentemente de um brasileiro típico, por exemplo, uma tribo economicamente miserável varia mais seu cardápio do que nós que comemos apenas partes “nobres” (e nutricionalmente mais pobres) de 3 animais, enquanto eles os comem por inteiro, inclusive miúdos (as partes mais ricas), dos quais numa inversão ilógica e irracional fugimos.

SIM, o açúcar vicia. Mas mais do que isso: ele PRECISA ser muito restrito.

Dieta é sobre DESEQUILÍBRIO! Almejar por “equilíbrio”, seja de nutrientes (“recomendações nutricionais”, as DRIs) ou de qualquer alimento (ex: uma fruta ao dia) vai CONTRA o mais essencialnão foi assim que nos desenvolvemos como espécie.

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O bom zoológico é aquele que mantem obesos apenas fora das jaulas

Vocês sabem da importância que dou ao aspecto evolutivo. Para mim, basta olhar ao mundo a sua volta, sem tentar negar a realidade, como faz Nutrição, ou para trás no tempo, como manda a lógica mais elementar. Fazendo assim a maioria das respostas aparece sem muito esforço.

Foi basicamente assim que escrevi meu livro mais recente (“O Veterinário Clandestino”). Por que animais similares aos domésticos NÃO engordam na Natureza? Não existe obesidade entre Lobos. Mais da metade dos cães o são. Entre os felinos igual: zero obesidade na natureza, porém, mais da metade dos gatos sofrem por serem gordos quando possuem donos.

O ser humano é o mais inteligente animal na natureza, mas é também o ÚNICO que produz o alimento para SE ADOECER. E ele é tão eficiente nisso que ele adoece QUALQUER animal que se alimente disso.

Por exemplo, babuínos quando expostos a sobras de alimentos humanos ficam marcadamente obesos. Não é somente isso. Seus marcadores sanguíneos como insulina e glicemia ficam piores. Este achado não é isolado.

 

Outro estudo, também com babuínos, encontrou que os selvagens sem acesso a sobras de alimentos dos humanos tinham 2% de gordura corporal, já os que tinham uma dieta similar à nossa alcançavam em média 23%. E uma meta-análise com uma amostragem de 20.000 mamíferos de diferentes espécies, como primatas e roedores, encontrou que o peso médio desses animais vivendo próximos a humanos e se alimentando em parte de nossas sobras fez subir sua gordura corporal média.

O que faz humanos engordar (açúcar, carboidratos refinados e processados, grãos, fast food…), parece TAMBÉM fazer engordar a outros animais selvagens. Por que não engordariam você? Por que não engordariam seu animal?

Talvez seja por isso que até hoje a indústria de ração se negue na justiça a fornecer essas informações de carboidrato e açúcar ao consumidor. Quer dizer, ao dono, que oferece isso ao seu animal tão querido.

E aqui há ainda um paradoxo. O zoológico de San Diego, por exemplo, famoso e premiado mundialmente, cultiva 67 tipos de bambus para alimentar diferentes animais. As diversas aves recebem dietas bem específicas e diferentes. Há lá uma ideia de RECRIAR um ambiente natural. É a questão evolutiva da qual falava, é olhar ao mundo à nossa volta.

E se olharmos em quem VISITA o zoológico? MUITO mais da metade estará acima do peso. Ou seja, quando a direção do zoológico dá aquilo que os animais comem eles mantêm a forma, os visitantes, comendo comida feita por humanos engordam e adoecem.

É por isso que é proibido alimentar os animais lá porque se você for aos quiosques comprar comida e der aos animais, eles ficarão como nossos cães e gatos domésticos: morbidamente obesos. Isso porque a melhor coisa que sabemos fazer é comida para engordar, para matar precocemente.

Por isso que quando um profissional de saúde vem e diz que grãos não engordam, que açúcar não adoece, que farinhas não são problemas, ele não é só incompetente. Mais do que isso, ele ignora a questão evolutiva, que tem no tempo a variável mais robusta de segurança que existe. Ele faz pior que isso. Ele se recusa a olhar o mundo à sua volta, ele nega a realidade.

Fuja desse tipo!

Para o seu bem!

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“É normal não sentir fome nessa dieta…?”

Eu poderia pagar um mordomo teclando por mim se ganhasse R$5 por cada pessoa orientada que me faz essa pergunta depois de eu sugerir mudanças simples em seus hábitos alimentares.

Uma das maiores armadilhas na história foi quando meio século atrás um renomado profissional estabeleceu uma relação de consumo calórico com obesidade. Veja bem, ele disse que havia relação, mas concluiu equivocadamente que era de CAUSA.

Sim, “equivocadamente”. A ideia de que comer (de)mais é o que engorda está tão arraigada que mesmo sendo SEM EVIDÊNCIAS ou mesmo sem FUNDAMENTO, segue sendo ensinada àqueles que irão cuidar (bem mal) de nossa silhueta: Nutricionistas, Educadores Físicos e até Médicos.

Lembro que no final de um curso fiz um trabalho apenas explicando a falta de embasamento desta afirmação (“obesidade é consequência de um desbalanço calórico”). A professora disse que foi o melhor texto que leu, pena que eu estaria equivocado, afinal, “obesidade é consequência de um desbalanço calórico”.

Ela falou que eu precisava me embasar em estudos (que dei às dezenas) e para me rebater ela não foi capaz de listar um sequer. Se uma professora que só trabalha com isso e já comprou uma ideia sem embasamento apenas porque é bonita e porque sua professora assim ensinou, bobagem eu querer tentar convencê-la. Ela vive errada, mas não pode estar errada frente aos clientes, por isso os profissionais de Nutrição NUNCA admitirão que por décadas orientam de forma completamente equivocada.

Essa frase que ouço sempre (“é normal não sentir fome nessa dieta?”) é só um achado incrível de Gary Taubes em ação. Ele cunhou uma frase que abriu os olhos de MUITOS profissionais mundo afora: não engordamos porque comemos demais, mas comemos demais porque estamos engordando. Isso como consequência de um desbalanço hormonal na maioria das vezes (??) gerado pela insulina.

Quando se muda a dieta da pessoa de forma mais simples do que se imagina, ela passa a emagrecer e – olha que bonito! – sem fome porque o corpo passa a usar sua energia de sobra (gordura corporal) como fonte.

Não é que a pessoa está emagrecendo porque não sente fome, ela não sente fome porque está emagrecendo!

Obrigado, Taubes!

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Sobre oferta, Saúde, Cronicidade & Obesidade

OU AINDA: o que a Nutrição aprende com o Esporte

No mundo do Esporte a coisa é bem simples: você observa o que fazem/fizeram os melhores e copia. Dando certo, você replica (*seu treinador de corrida dirá a você que o seu treino é individual). Dando “não tão certo” você ajusta. Dando errado você esquece.

A diferença básica entre Esporte e Nutrição é que no primeiro o profissional é avaliado pelos resultados, no segundo pelas intenções.

Nosso corpo ao longo dos milhares de anos de sua evolução foi moldado pela natureza para saber lidar, saber gerenciar picos. Já disse o poeta que “a dose faz o veneno”!

Picos eventuais (de glicemia, de consumo de álcool, de frequência cardíaca, na expressão da força…) não só NÃO fazem mal, como fazem BEM.

O Esporte entendeu isso MUITO bem. Qualquer treinador meia-boca sabe que para ficar forte, é preciso levantar muito peso (picos). E para correr uma Maratona é necessário vez ou outra correr muitos quilômetros. A Nutrição quando fala em “equilíbrio” na dieta dá a entender que entendeu tudo pelo avesso. Ou não entendeu NADA.

Um relatório do NCHS (EUA) revelou que em 24 horas 40% dos americanos terão feito AO MENOS UMA refeição em um fast-food. NÃO É coincidência que um dos países mais obesos e doentes do mundo tenha tamanha presença crônica em um fast-food.

Essa semana conversava com um cliente que se culpa por beber cerveja aos finais de semana.  Final do ano passado alguns “especialistas” que não sabem matemática disseram que não havia dose mínima saudável para o consumo de álcool. Aí quando você olha os números você descobre que aqueles que bebiam UM POUCO de álcool tinham resultados MELHORES que os abstêmios.

O álcool é um agressor ao corpo. Assim como e o jejum e o exercício. Sem jejum, dá ruim. Sem exercício, dá ruim também. Sem álcool… entendeu? O mesmo vale para o café/cafeína, para a sujeira e tantos outros.

O que a modernidade/tecnologia fez foi aumentar a oferta daquilo que antes era raro e caro (ex: açúcar, farináceos, álcool, fast-food, que oferece tudo isso…). Hoje tudo é barato e acessível.

Quando um profissional vem e fala para você REDUZIR o consumo de carboidrato (low-carb), ou o de alimentos industrializados/ultraprocessados (paleo), ou sugerir o jejum, ele está apenas fazendo o MESMO que faz um treinador bom. Ele está pedindo que você REPLIQUE o ambiente em que seu corpo foi criado.

Healthy food

Um “especialista” que fala que low-carb ou jejum fazem mal não entendeu ainda absolutamente NADA. E aquele que fala que paleo não faz sentido, bom… deixa pra lá.

*O que muitos adeptos da dieta carnívora AINDA não entenderam é que deve haver um consumo superior de carne. Assim como os extremistas “low-carbers” TAMBÉM não entenderam é que eventuais picos de glicemia TAMBÉM devem fazer bem. Mas viver em sociedade torna praticamente IMPOSSÍVEL que isto vez ou outra não aconteça. 

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De Emagrecimento, Apostas e Diretrizes

Veja o gráfico abaixo desse post. Ele representa 4 amigos que fizeram uma aposta ($) de quem conseguiria perder mais peso em 1 ano. Um deles pediu minha orientação. Quem você acha dos 4 que estava sob minha orientação? OK, apelei nas cores, eu sei!

O legal depois de um ano foi ouvir dele que ele segue bebendo vinho, teve zero restrição com carne, conseguiu voltar a correr (sedentarismo é consequência, não causa do sobrepeso), e ainda influenciou – segundo ele – ao menos 20 pessoas falando das ideias.

Outra coisa legal é saber que dos outros, dois também tiveram abordagens “paleo/low-carb” com os profissionais procurados! Por quê? Porque FUNCIONA! Só as faculdades, repletas de professores fora de forma e/ou que não atendem que ignoram!

Apenas acadêmico ou “especialista“ distante da prática e negando a realidade, semskin in the game”, dirá que low-carb é curto prazo ou perigoso ou o que seja!

Depois que escrevi do Guia Alimentar Australiano, feito pelos mesmos “especialistas” de sempre, perguntaram sobre o modelo brasileiro. Não vou entrar no mérito que o acho apenas OK. Mais que isso!

Governos NÃO deveriam se meter em diretriz nutricional. Sabe por quê? Porque eles NUNCA vão voltar atrás e NUNCA vão admitir que há cinquenta anos estão 100% errados!

Vejamos agora o Canadá. Não tão grave quanto os australianos, os canadenses estão cada vez mais gordos. O que fizeram no novo guia? Eles extinguiram os grupos carne e laticínios. Qual a razão alegada?

A maioria dos canadenses não come bastante vegetais, frutas e grãos integrais. O que é necessário é uma mudança em direção a uma alta proporção de alimentos à base de plantas“.

Os “especialistas” retiram a carne, um dos alimentos nutricionalmente mais ricos que existem e recomendam mais soja, grãos e bananas. Eles ainda não entenderam NADA. São os maiores culpados pela crise de globesidade e pedem para que aumentemos a dose de um remédio que NUNCA funcionou.

Em 2019 você vai com quem? Com quem te engorda há meio século??

Como ter saúde?!? Fugindo dos “especialistas”!

Albert Einstein certa vez teria dito que “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Vejamos então para onde a insanidade das orientações nutricionais nos levaram. Abaixo listo o que seria uma dieta DIÁRIA recomendada pelos “especialistas” (sempre em aspas) que montaram o Guia Alimentar Australiano, válido entre 2003 e 2013.

– 24 fatias de pão
– 5 porções de vegetais (*eles incluem grãos como sendo vegetais!)
– 2 frutas
– 2 porções de laticínios
– 1 (UM!) pedaço de carne magra (!!).
– 1 pedaço de bolo médio (!!!).
– Uma lata de refrigerante (!!!!)
– 2 bolas de sorvete.

SIM, foram especialistas que montaram essa dieta DIÁRIA! Acredite!

Eu costumo dizer que a Nutrição – digamos – ortodoxa é a arte de negar a realidade e cobrar ($) por isso.

O que aconteceu? Os australianos confiaram no que diziam os “especialistas” oficiais e a obesidade explodiu no país. Mais de 63% estão atualmente acima do peso! Quando você olha as estatísticas ao redor do mundo descobre que a população sempre segue o que lhe é pedido. E o que acontece? Ano após ano ela apenas engorda e adoece!

A foto abaixo que ilustra esse post é daquilo que nos disseram por DÉCADAS ser um café da manhã saudável. Ainda na graduação (acho que já contei isso) uma professora, dessas que montam pirâmides, não gostou que pra um trabalho de sua matéria eu montasse um cardápio diário de uma adolescente feita 100% no Mc Donald’s. Para azar dela a dieta INTEIRA no fast food cumpria 100% com as recomendações nutricionais que ela pedia! Sim! Juro! Ela queria me dar zero, mas teve que me dar 5.0, afinal, eu atingi TODAS as metas.

Quer mudar em 2019? PARE de ouvir o que essa gente recomenda! NÃO funciona! NUNCA funcionou! E eles NUNCA irão confessar que estiveram 100% do tempo equivocados desde o início!

Sabe o que mais Einstein disse?
No meio da dificuldade reside oportunidade.”

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A Resistência à Insulina.

Não me importa em quem votou! Se for contra o regime do militar, seja a resistência! Mas não seja RESISTENTE À INSULINA!

O problema de enxergar o controle de peso (ou o emagrecimento) por um viés matemático, de mero controle calórico, erra em uma questão básica, fundamental: nosso peso é regido pela Biologia, não pela Matemática. É uma questão de Fisiologia, não de Física.

A RESISTÊNCIA À INSULINA

Nosso corpo responde a estímulos em função de basicamente duas variáveis: sua intensidade e sua frequência.

Quando os mineiros chilenos saíram da mina após mais de 2 meses soterrados, usavam óculos porque a AUSÊNCIA de luz nos torna sensíveis à luminosidade. O seu colega que mora ao lado do Rio Tietê não sente o cheiro fétido daquilo que já foi um rio ao cruzar SP, pois ele é diariamente exposto ao odor, assim como você não sente mais o perfume forte daquela colega de mesa do escritório.

Isso porque a SUBTRAÇÃO de um agente estressor aumenta nossa SENSIBILIDADE a ele. Já a crônica EXPOSIÇÃO a ele nos torna RESISTENTES.

Isso é muito claro no esporte e na vida real. Por que seria diferente na Nutrição?

Ser SENSÍVEL à insulina, ou seja, o OPOSTO de ser RESISTENTE à insulina é um EXCELENTE marcador de saúde. Quanto mais sensível, melhor o desfecho. Ponto. Mais. Pessoas resistentes à insulina, igual ao PM da foto, são MUITO mais propensas a estarem ou serem acima do peso. Há uma ENORME correlação positiva entre resistência à insulina e obesidade. Pessoas assim têm constantemente maiores níveis de insulina circulante, um hormônio que impede a queima de gordura e empurra glicose para dentro das células.

Isso dito e sabendo que o diabetes (do tipo 2, aquela “adquirida”) é um caso de extrema resistência à insulina, qual a abordagem mais eficaz, sabendo que nosso corpo fica sensível à subtração de agentes?? Sim, com certeza, a REDUÇÃO do consumo de carboidratos.

E se sabemos que uma pessoa com sobrepeso e/ou obesa tem GRANDES chances de ser resistente à insulina, qual seria a melhor abordagem? RETIRAR aquilo que a tornou resistente à insulina em primeiro lugar: a própria insulina. E o que gera aumento de insulina circulante? Consumo de carboidratos (seja em quantidade ou frequência), principalmente os mais refinados (farinhas), os simples (açúcar) e os de alta carga glicêmica (grãos). E na “ausência” do estressor (insulina), seu corpo fica mais sensível (saudável).

E o que pede a tese do balanço calórico?

Que ignoremos o mundo real e foquemos apenas em comer menos calorias.

Pois é… 

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Danilo Balu
autor

Sobre o Agudo vs Crônico, a Escassez e a Abundância.

Ou ainda, como diz, Mark Baker:
A domesticação em excesso nos adoece.”

Há como a falta de água matar um indivíduo. Mas… e sua disponibilidade? Pode ELA acabar com a saúde de todo um povo?

!Kung faz parte de San, um povo africano que em sua história sempre foi nômade vivendo em meio ao deserto de Kalahari, enfrentando acesso restrito à água e animais de caça. Na metade do século passado (1960) imigrantes resolveram presenteá-los com 5 poços de água subterrâneos. Não havia mais a necessidade de serem nômades. Logo os animais ao redor foram todos caçados, o povo começou a viver de alimentos ricos em amido (de muito baixa densidade nutricional como são por essência os grãos) e outro problema apareceu.

Não foi só a dieta que empobreceu, se antes a natureza fazia o trabalho de reciclar as sobras, agora não mais perambulando o lixo se acumulava e as doenças típicas dizimavam o povo. Era o limiar da sede (ou o pouco e difícil acesso à água) que fazia a população de !Kung San viver com saúde. O fato de não saberem lidar com água abundante os fez doentes, famintos e miseráveis.

O mundo muda em uma velocidade a qual nossos genes não estão aptos. Dividimos com Hipócrates, o pai da Medicina, a mesma programação genética, mas vivemos em uma realidade em que nada se parece com a dele. Por isso tenho calafrios quando vejo profissional da saúde falar em “moderação”. Claramente essa pessoa nunca teve que lidar com viciados. NINGUÉM sugere moderação no uso de drogas. O mundo é sobre extremos, não equilíbrio!

Não, heroína e açúcar NÃO causam o mesmo estrago em uma dose. Mas para AMBOS temos uma programação genética que nos dá um comando do tipo “MAIS E MAIS”, que nos faz ir atrás de consumir cada vez mais dos dois.

Certa vez um grande amigo, usuário de cocaína me disse: ”Balu, NUNCA use porque é bom demais”. Não precisa ser toxicologista ou viciado para saber que a sensação deve ser mesmo. Quem conviveu com dependente químico sabe que não é uma questão de inteligência ou de fraqueza, mas de uma retroalimentação que substâncias como o açúcar causa que supera nossa força de vontade.

Quando falamos em saúde, o desafio de cada um em uma sociedade “domesticada” é reproduzir em parte o ambiente selvagem que moldou nossa genética por centenas de milhares de anos. A área da Educação Física faz isso muitíssimo bem recomendando que reproduzamos gestos físicos que a modernidade e a tecnologia não mais nos exige no dia-a-dia. Eu, Bacharel em Esporte, como ser humano que sou em primeiro lugar, digo que meus dias mais prazerosos são justamente aqueles em que eu NÃO treino (domingo, VIVA!). Em cada passo que dou correndo meu corpo e cérebro gritam para que eu pare, mas eu continuo, tentando para meu próprio bem reproduzir aquele ambiente ancestral e selvagem de movimento.

Nutricionistas que advogam contra o jejum e a restrição de carboidrato (grãos, farinhas e açúcar), mais do que ignorarem por completo o que mostram estudos MUITO bem controlados, ignoram algo essencial nessa estratégia. Que ela NÃO é sobre melhorar o mundo atual, mas tentar REPRODUZIR uma situação que a modernidade nos privou. E para a qual nossos genes não estão preparados. E, mais importante, é essencial a uma saúde plena. 

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Danilo Balu
autor

O açúcar e o low-carb aos olhos de 1825…

Era esperado que após as duas maiores emissoras do país apresentarem novamente matérias dizendo que “dietas low-carb” não funcionam ou fazem mal, as dúvidas de sempre se repetissem. Eu poderia de cara dizer que pelo “tamanho” da especialista consultada eu NUNCA daria bola para o que ela fala (é minha recomendação, já disse, por não terem “skin in the game” (pele em jogo), não deveríamos ouvir NADA sobre saúde e emagrecimento vindo de nutricionistas fora de forma).
Estou atualmente lendo um clássico de 1825. O “The Physiology of Taste” deveria ser obrigatório nos cursos de Nutrição. Ele, disponível gratuito, NUNCA me foi apresentado em 5 anos quando fiz Nutrição na USP, mas uma chefe de departamento, fã da farsa que é a pirâmide alimentar, à época nos fazia comprar os livros dela. Bom, em determinado momento, o autor Jean Brillat-Savarin cita que um senhor “estava reclamando do elevado preço do açúcar” e que este senhor “não beberia nada além de água com açúcar se o preço do açúcar assim permitisse”. Isto 200 anos atrás, uma outra realidade.

O preço do açúcar caiu de tal maneira que em um dia do século 20 (ou seja, após a passagem do Sr. Delacroix por este mundo) a humanidade era capaz de produzir o açúcar de TODO o século anterior. Jogando para o campo pessoal, minha avó, falecida em 1992, muito pobre que era, só veio a consumir açúcar refinado nos anos finais de sua vida. Ela tinha que conviver consumindo apenas o do tipo cristal.
Se você olhar o gráfico abaixo verá que a participação da gordura e da proteína como fonte energética, em movimento inverso ao da obesidade, CAI ao longo das décadas. E ainda assim NUNCA estivemos tão gordos e doentes. E o que nos sugere que essa e tantas outras nutricionistas que também não sabem como manter a própria forma? Que comamos ainda MENOS gordura e MAIS carboidrato. Resumindo: o remédio dela não vem funcionando, porém ela pede que aumentemos a dose.


É ou não é esquizofrenia!? Bom, pode ser apenas ignorância desses especialistas.
O ser humano foi moldado, evoluiu, com acesso MUITO restrito ao açúcar e farinha refinada. A segunda foto que acompanha o post é a produção de macarrão na Itália em 1897. A mesa à frente da nutricionista na TV (cheia de macarrão, bolachas e pães) seria algo impensável 100 anos atrás MESMO em uma família riquíssima. E hoje a modernidade permite que mesmo famílias MUITO pobres comam o que um nobre italiano não comia. MINHA pobre avó comia um alimento (açúcar) que a elite não comia séculos atrás. Será que é por isso que ela faleceu obesa e diabética (do tipo 2 tardiamente adquirida)?

Entendem onde quero chegar?
Não é nem o fato de que você deveria PARAR de dar ouvidos a profissionais sem skin in the game (nutricionista fora de forma, a menos que seja doente, não têm “skin in the game“). A questão é que TEMOS que aprender a viver em escassez em um mundo de abundância. Açúcar e Farinha devem ser restringidos voluntariamente ao MÁXIMO para reproduzirmos assim uma época em que não adoecíamos.
E por fim, deixe de ser SAFADO. Não pergunte sobre diferentes tipos de açúcar. Veja o que fala Brillat-Savarin 200 anos atrás: “Açúcares obtidos de várias plantas, diz um célebre químico, são na verdade da mesma natureza, e não têm diferença intrínseca quando são igualmente puros.” Ou seja, se seu nutricionista passa pano para açúcar demerara, de coco ou orgânico, você não tem que trocar de açúcar, mas de profissional. Sabemos que açúcar é açúcar desde 1825.

*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (a versão impressa você acha aqui!)

Danilo Balu
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