Arquivo da categoria: Low-Carb vs Lo-Fat

O que a Pecuária ensina à Nutrição?

Quando falamos de abordagens na saúde, deveríamos seguir pessoas que têm “skin in the game” (pele em jogo), que aplicam e seguem aquilo que pregam. A área da Saúde tem um enorme desafio porque os profissionais (seja médicos, treinadores ou nutricionistas) não só não têm “o deles na reta” como têm dissociação de interesses, ou seja, o que eles mais querem é bem diferente daquilo que você mais quer.

A imagem que vai ao final desse texto é um extrato de uma recomendação de 1908 a pecuaristas criadores de porcos. Não vou traduzir por completo o texto original em inglês porque é desnecessário. O que precisamos sempre saber é que o pecuarista só ganha SE e somente se sua criação engorda. Então ele precisa por uma questão de sobrevivência ser eficiente, ou ele morrerá de fome. Quanto mais eficiente ele for, mais ele fatura ($). O criador de porco tem assim “skin in the game”.

O Nutricionista, Médico e Treinador fatura ($) assim que você põe o pé no escritório/consultório dele. O profissional de saúde NÃO tem a pele em jogo. Você não precisa ser efetivo para faturar quando trabalha com saúde. Ao menos quando falamos em “controle de peso”, um pecuarista de unha preta, pé cheio de barro e sem qualquer diploma é muito mais eficiente e competente que toda a história da ortodoxia na Medicina, Nutrição e Educação Física.

O texto de 100 anos atrás fala sobre como melhor engordar uma suinocultura. O texto fala da enorme importância de usarmos leite desnatado para engordar porcos. E o que mais? Grãos. No caso ele fala de milho, mas atualmente eles adicionaram soja. Qualquer pessoa que trabalha com engorda de criações sabe que você deve:

– oferecer várias refeições;
– oferecer grãos;
– oferecer alimentos ricos em carboidratos.

O que dizem as diretrizes nutricionais no emagrecimento em nós humanos? Entre outras coisas:
– oferecer várias refeições;
– oferecer grãos;
– oferecer alimentos ricos em carboidratos.

A pecuária é extremamente eficiente. A Nutrição no emagrecimento é extremamente ineficiente. A lógica nos diz que uma coisa que serve para engordar um mamífero onívoro como o porco não deveria ser muito bom para nos fazer emagrecer.

E se você ainda se pergunta sobre essa aberração que é o consumo de leite desnatado (ou mesmo semidesnatado), temos que nos fundamentar em uma hipótese: qualquer recomendação nutricional que envolva a substituição de um alimento ingerido por milênios (no caso o leite integral) por um produto industrial moderno (aquela água branca e suja chamada de leite desnatado) deve estar necessariamente errada.

Se seu Médico ou Nutricionista recomenda que você substitua o leite integral pelo desnatado, sugiro que você substitua…. substitua o profissional que você consulta.

 

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A Sabedoria das Multidões

Tempo atrás pude ler um livro bem interessante. Em “The Wisdom of Crowds” (traduzido livremente para “A Sabedoria das Multidões”) James Surowiecki explora uma ideia um tanto quanto inesperada: grandes grupos de pessoas são mais inteligentes do que uma elite. Não importa o quão brilhante sejam os especialistas, as multidões chegam muitas vezes a decisões mais sábias nos mais diversos campos como Psicologia, Biologia, Economia, História e…

Bom, essa semana saiu a 13ª edição de uma importante pesquisa americana feita nos EUA. Os resultados da IFIC são sempre interessantes. Um deles me chamou a atenção. Mas antes, aos especialistas…

A obesidade é resultado de um desbalanço energético, ou seja, quando a quantidade de energia (calorias) ingerida através dos alimentos é maior do que aquela gasta pelo organismo”. Você encontrará essa definição nos portais da OMS e das sociedades e associações ~especialistas~. Mas… e se eles estiverem errados!?

Quando analisados os dados populacionais nos EUA, temos que a população de fato fez aquilo que lhe foi pedido. Mas ainda assim nunca estiveram tão obesos e tão doentes. Ou seja, a orientação não funcionou. Pela definição dos especialistas, todas as calorias são iguais. Mais: pela orientação dos mesmos especialistas, gordura engorda, carboidrato salva. Não sou eu que estou dizendo, basta olhar as diretrizes oficiais. E o que encontrou o IFIC?

  1. Que as calorias não são iguais. A população tem “skin in the game” (pele em jogo). Ela já descobriu na prática que as calorias não são iguais.

Se elas não são iguais, algumas devem engordar mais. Os especialistas, cujas recomendações tornaram a população obesa e doente, apostaram que era a gordura. Porém…

  1. Hoje mais da metade dos americanos já atribui ao açúcar e ao carboidrato o peso de nutriente mais engordativo.

Por que isso? Porque as pessoas têm skin in the game, os especialistas acadêmicos não. Ou ainda, como diria Nassim Taleb: “Para as pessoas reais, se algo funciona em teoria, mas não na prática, isso não funciona. Já para os acadêmicos, se algo funciona na prática, mas não na teoria, não existe.”

É por isso que não faltam ~especialistas~ indo à TV, rádio e suas redes sociais dizendo que ou low-carb não funciona ou que você só perde músculo e água. É o jeito deles negarem a realidade que até um leigo já enxerga, mas ele não.

É a sabedoria das multidões.

 

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Low-carb e Corrida. Ou ainda: o corredor low-carb.

*texto originalmente publicado no Blog Recorrido.

Tomei a liberdade de roubar os prints que vão ao final desse texto para falar algo de um tema um tanto quanto atual: O CORREDOR LOW-CARB. No dia que escrevo esse texto descobri que duas meias maratonas deste final de semana tiveram palestrantes na retirada de kit falando sobre “suplementação de carboidrato em corredores (amadores)”.

Para falar sobre um assunto é essencial, fundamental diria, que aquele que fala entenda do fenômeno em questão. O quanto nutricionistas entendem de esporte e corrida? Pouco, bem pouco, quase nada. Não é o assunto de sua formação, por mais que alguns se ofendam com a afirmação.

Na corrida de longa distância temos que nos atentar a duas questões FUNDAMENTAIS, CRUCIAIS no desempenho. A primeira delas é que amadores e profissionais praticam dois esportes completamente diferentes. Enquanto um maratonista profissional corre 42km em pouco mais de 2h00, o atleta médio o faz em bem mais de 4h00. Qualquer livro vagabundo de fisiologia dirá o mesmo: são modalidades diferentes dentro de suas características metabólicas mais intrínsecas e fundamentais, ainda que tenham a mesma distância (*até por isso recomendar que maratona deva ser feita em split negativo carece de lógica, é apenas fé e raciocínio raso). Mesmo atletas amadores mais velozes, o bico da pirâmide, menos de 3%, correm 50% mais lento! Fisiologicamente eu não pratico o mesmo esporte que o Kenenisa Bekele!

MUITO do que envolve ATUALMENTE treinamento em academias de musculação é feito tomando como base o que foi feito em fisiculturistas ultradedicados meio século atrás que em seu protocolo corriqueiro envolvia consumo estratosféricos de substâncias proibidas anabolizantes, Pois bem, nutricionistas geralmente estabelecem protocolos de dieta em corredores amadores seguindo o que fazem alguns dos homens mais rápidos do mundo. Ou seja, aplicamos em pessoas normais que ficam 1h00 na academia duas vezes por semana o que faziam atletas diariamente que suavam recursos ergogênicos. Pedimos que um amador que corre 4h30 consuma de carboidrato o que come um queniano que faz 200km por semana e corre em 2h09. Faz sentido para você? A donos de academia e nutricionistas convencionais acham que faz. Ambos não têm skin in the game.

O QUE DETERMINA O SUCESSO NA CORRIDA?

Basicamente são 3 os fatores que determinam o sucesso de alguém (amador ou profissional) na longa distância. Um deles é bem básico e qualquer um pode imaginar. Há uma muito alta correlação positiva entre quem corre mais quilômetros e desempenho. Os atletas que correm 42km em 2h20 correm mais volume do que os que correm 3h00 que por sua vez correm mais do que os que correm em 3h40. Apenas revistas de corrida e treinadores que ainda não entenderam o jogo acreditam que ciclismo, natação e deep running fazem alguém correr mais do que… corrida!

O segundo fator que determina o sucesso é a capacidade do nosso corpo em dissipar calor. Não é à toa que as melhores marcas são obtidas em ambientes frios e secos (que nos ajudam a dissipar mais calor). Não é por acaso ainda que a elite corre usando regatas minúsculas e shortinhos. Por isso que para fazer uma Paula Radcliffe ou uma Shalane Flanagan usarem meia de compressão ou um Mo Farah usar manguitos você tem que investir muito dinheiro, porque eles sabem que aquilo os faz mais lentos. Amador paga para piorar a si próprio, a elite fatura alto para usar penduricalhos que sabidamente comprometem seu desempenho.

O treinamento e a vestimenta são feitos entre outras coisas para proporcionar que o corpo dissipe calor. Aí chegamos ao terceiro fator que contém relação grande com este segundo: o baixo peso do atleta. *gordura atrapalha a dissipação do calor, além de tornar mais ineficiente pela relação superfície/peso. Até mesmo músculos atrapalham esta relação, por isso você não encontra bons atletas fortes na longa distância.

O peso é tão crucial no desempenho que hoje sabemos que 100g a menos no peso do tênis aumenta em 1% a eficiência do atleta. Sim, apenas amadores lentos acham que tênis pesado pode ser bom. Mas quem quer mesmo correr rápido usa é calçado leve, com pouca entressola que só traz peso e ineficiência.

Esquecendo o equipamento, quando olhamos desempenho temos que: baixo peso é crucial.

Baixo peso é essencial no desempenho da corrida de longa distância

EIS QUE AQUI ENTRA O LOW-CARB

Nenhuma dieta torna mais fácil ou factível a vida de um atleta em se manter em baixo peso. Atualmente mais da metade da população está obesa ou com sobrepeso, acima do peso. E aí voltamos aos prints do começo do texto.

Existe uma crença na Nutrição (não corroborada pela prática) de que corredores amadores precisam de muito carboidrato para correr. A prática nos mostra que esse tipo de pessoa precisa de baixo peso, conseguir dissipar calor e correr muitos quilômetros. Reforçando: não existe uma correlação positiva entre maior consumo crônico de carboidrato e desempenho.

O ser humano retira energia na atividade física pela gordura E pelo carboidrato. Não importa quão radical seja sua dieta (low-fat ou low-carb), o corpo faz as duas coisas como dito em uma ótima analogia em um texto incrível de Mark Cuccuzella. Ele diz que nosso corpo correndo funciona como um veículo híbrido (com 2 tipos de combustível). E é mesmo, trata-se de uma mistura de carboidrato e gordura, não é algo binário entre um OU outro. É com o treinamento em longa distância, menor intensidade e/ou em baixa reserva de carboidrato que você aprimora esta via lipídica (de queima de gordura como combustível).

Por mais treinado que você esteja, não há como “aumentar” nosso tanque de glicogênio (carboidrato) para que ele tenha autonomia de 42km. Por outro lado, este tanque pode ser muito pequeno que ainda assim você tem combustível para correr 10km (por isso apenas desavisados usam gel em provas menores que uma São Silvestre). E ainda usando outro extremo, mesmo atletas magérrimos como os africanos da elite têm gordura corporal para correr 42km sem esgotar essas reservas.

Voltando ao ponto central, low-carb e corrida, temos que:

  1. Na corrida o baixo peso é essencial;
  2. É a dieta low-carb a maneira mais factível de mantermos baixo o nosso peso, algo fundamental à corrida;
  3. Não existe uma correlação positiva entre consumo crônico de carboidrato e desempenho.

Neste momento você deve estar se perguntando duas coisas:

Como vou correr sem carboidrato?

Como estará minha reserva de glicogênio ao final da prova? Não vou quebrar assim?

Primeiro, o corpo consegue correr, como dito, extraindo energia de ambos combustíveis, mas ele só “aprende” a ser eficiente queimando gordura na ausência/restrição do consumo de carboidrato, por isso se treina aquilo que pretendemos replicar em um evento esportivo. O estoque de glicogênio é bem limitado, o de gordura não. Um corredor muito bem adaptado é quase à prova de quebras. E isso exige treinar nessas condições de baixo carboidrato.

Por fim, nossas reservas de combustível.

Algo que surpreendeu até os maiores defensores de dietas low-carb ou cetogênica (very low-carb) é que as reservas de glicogênio desses atletas, ao contrário do que eles queriam muito acreditar, NÃO estavam maiores ao final da prova. Basicamente os atletas chegam na hora do sprint com o tanque igualmente vazio, mas apenas os low-carb têm a via metabólica treinada para continuar tirando energia de gorduras. Porém, aqui um aspecto sempre relegado, a reserva de glicogênio gera um peso extra. Para cada grama de glicogênio vão outros 4g de pura água.

Enfim, estou acabando (prometo!)… o esporte pauta muito de seus protocolos baseado naquilo que fazem os vencedores. E não há na corrida um grupo que tenha conseguido resultados expressivos, consistentes e duradouros com uma dieta low-carb ou cetogênica. Por que um amador deveria então ir nessa contramão? São 2 os motivos:

O primeiro é que os amadores não seguem NADA dos protocolos da elite, nem mesmo seu equipamento, mas insistem em usar suas estratégias alimentares. Não seguir sua dieta é apenas ser coerente.

E segundo porque uma dieta low-carb não é necessariamente ir na contramão do que fazem os melhores, mas é buscar um fator que é sabidamente decisivo para um melhor desempenho: baixo peso (que impacta positivamente ainda outro dos 3 fatores).

Para finalizar, repare nos valores da imagem inicial que reposto abaixo. A glicemia desta corredora amadora SUBIU após um treino LONGO em jejum. O temor teórico de que correr em low-carb ou jejum compromete nossa glicemia não sobrevive ao mais preguiçoso escrutínio. Entre o que diz o sonho do nutricionista tradicional e a prática da corrida, espero ter esclarecido alguns pontos. Entre a prática e a teoria, fico sempre com a prática.

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Entrevista ao Senhor Tanquinho!

Recebi um agradável convite de ser entrevistado pelo pessoal do Senhor Tanquinho. O Guilherme e o Roney, “donos” do site, fazem aquilo que todos deveríamos fazer quando o assunto é Nutrição: eles não acreditam em nada do que dizem nutricionistas e diretrizes de saúde. Por quê? Porque não existe ciência na nutrição convencional, ortodoxa, apenas boa-fé. E isso não basta! Então conversamos por pouco mais de meia hora falando sobre Nutrição simples e descomplicada. Acompanhe lá! Ouça aqui! *a quem não gosta de podcast, há transcrição de toda a conversa!

Nutrição não é sobre equilíbrio.

Ou ainda:
NUM MUNDO DE EXTREMOS, FUJA DO NUTRICIONISTA QUE SUGERE “DIETA BALANCEADA”

Poucas coisas dizem mais da ignorância (ou inutilidade) de um nutricionista que seu discurso de “equilíbrio na dieta” ou ainda o “uma dieta deve ser balanceada”. Primeiro porque isso não existe, não sabemos ainda exatamente o que o ser humano necessita em termos de nutrientes. Não há como balancear aquilo que não se sabe. O que dizer então de calcular isso individualmente? E segundo porque nada é pior ao organismo do que o equilíbrio.

Para entendermos vamos ter que antes atropelar um pouco a ignorância técnica ou conceitual dos profissionais que alegam que o jejum seria nocivo e/ou perigoso. Temos assim que partir da premissa de que o ser humano é onívoro. Esta nossa particularidade, esta capacidade intrínseca de nos alimentarmos de tudo, tanto de vegetais como de animais, é resultado primeiramente e necessariamente de uma resposta às características dos mais variados ambientes. Esses ambientes, antes da invenção dos supermercados 24 horas, nos ofereciam, nos disponibilizavam alimentos de forma não planejada, casual. Ou seja, em série, porém, NÃO-linear.

Aqui vale saber ainda que a especialização é uma resposta a um ambiente, a um habitat muito estável, com poucas mudanças bruscas. Veja animais como os ursos pandas, com um tipo de alimento bem mais definido, por exemplo. Já a diversificação da alimentação nos onívoros decorre, tem que vir, como resposta à variedade.

Isto por si só mostraria ser ainda mais fundamental, quando falamos de melhor saúde, de remover aleatoriamente (voluntariamente) algumas refeições, replicando o que ocorria antes do advento do delivery 24h, quebrando a estabilidade da oferta e consumo de alimentos. E aqui um contrassenso na ortodoxia da Nutrição: eles condenam o jejum, pregam o nonsense das 6 refeições por dia (ou a cada 3 horas), mas sua ignorância é incapaz de enxergar que até nisso há uma espécie de irregularidade, mas que nem de longe mimetiza a irregularidade e a aleatoriedade da natureza.

E vamos entender o porquê agora.

Herbívoros são submetidos a muito menos aleatoriedade do que os animais estritamente carnívoros que devem caçar seu alimento (que vive a fugir, diferente dos arbustos que não fogem das girafas). Enquanto o herbívoro passa o dia comendo de forma uniforme, o carnívoro tem picos de acesso ao alimento (por sorte, acaso ou por competência). O cavalo tem acesso baixo e constante de carboidratos, o leopardo tem picos grandes de proteína e gordura.

Aqui temos a primeira diferença do que prega a Nutrição tradicional: pratos balanceados em macronutrientes não existem em outro lugar que não seja no delírio da cabeça desse nutricionista. Esse nutricionista acha que o mundo real é como sua teoria sem embasamento. Nós, pessoas normais, sabemos que a realidade é completamente diferente do que ele sonha. Um lobo (ou caso você prefira um chimpanzé, o animal biologicamente mais próximo a nós, proximidade maior que a dele com o gorila) não sai a caçar e depois recolher folhas, alguns legumes, um pouco de água e frutas de baixo açúcar de sobremesa. Não! Na natureza a alimentação é sempre de extremos.

*aqui talvez valha dizer que a medicina chinesa, que bem pouco conheço, prega que deve haver foco maior em um grupo de alimentos (macronutrientes) por refeição, o que faz todo sentido.

Pois agora, então, temos que nossas proteínas (e gordura) devem ser consumidas aleatoriamente no tempo. Por sua vez, o nutricionista prega que deve haver equilíbrio (nada mais errado), horários marcados, porcionados, porque não consegue compreender que este equilíbrio NÃO é preciso que seja em todas as refeições ou mesmo todos os dias, mas alcançado de forma gradual, em prazos muito maiores. Isso porque alcançar equilíbrio desta forma frequente, em todos os dias e todas refeições, é muito diferente do que alcançá-la em prazos mais longos (na verdade, veremos, é pior).

E para explicar isso, é necessário introduzir um matemático amador que nunca sequer ocupou qualquer posição acadêmica. O dinamarquês Johan Ludwig Jensen em 1906 provou um teorema que ganhou nome em sua homenagem. Na “Desigualdade de Jensen”, quando ela for aplicável, a irregularidade pode tornar-se a melhor solução. Isso porque ela se fundamenta no fato das consequências de a média serem muito diferentes da irregularidade.

Vale citar um exemplo prático: quando atravessamos a pé um rio não basta sabermos apenas a profundidade média deste rio. Há muita coisa mais importante que a média, que oferece resultados bem diferentes. A Desigualdade de Jensen estabelece que há uma relação NÃO-linear entre uma causa e efeito. É mais ou menos assim: se uma causa X gera efeito Y e uma causa A gera efeito B. Essa propriedade estabelece que o efeito resultante da causa de magnitude (X+A)/2 é diferente dos efeitos já observados, isto é, (Y+B)/2. É bem diferente você nadar em uma piscina a 28 graus, a nadar um dia a 0C, em outro a 56C. São efeitos diferentes, ainda que 56/2 seja 28!

Temos certa facilidade para aceitar essa ideia de não-linearidade quando falamos em Química, ou mesmo treinamento físico, mas a Nutrição simplesmente ignora sua validade em suas diretrizes. Ou seja, com ela temos que há uma enorme e considerável diferença entre consumir uma dieta (argh!) balanceada de uma em série, de forma aleatória. Somos onívoros, adaptados à variação, mas ela NÃO significa ser na mesma refeição.

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Em organismos vivos a privação é antes de tudo um agente estressor, e o estresse é fundamental em nossa adaptação quando oferecido depois um tempo de recuperação. Pense nisso colocando a atividade física como estressor. Não deixa de ser surreal que um nutricionista que diga para você comer a cada 3 horas um prato variado, apoie também que você faça exercício. O princípio estressor da fome, da ausência de alimentos (ou de um macronutriente), é o mesmo da atividade física!

O que a Desigualdade de Jensen vai estabelecer na Nutrição é que consumir proteína de modo estável 3 (ou 4 ou 6) vezes ao dia NÃO é o mesmo que consumir pontualmente. Isso porque nossas reações metabólicas não são jamais lineares. Basicamente, podemos dizer que se um organismo é antifrágil a uma determinada substância (o somos à proteína!), é melhor fazer com que ela seja distribuída aleatoriamente, em vez de ser fornecida de modo constante.

**já escrevi um texto falando que somos frágeis, isto é, o oposto a antifrágil, ao carboidrato.

Acredito que todo mundo com um pouco de interesse em nutrição já ouviu falar da Dieta Mediterrânea, que, além de ser um espantalho, um Frankstein, contém mais equívocos de interpretação (uma vez que ela na prática simplesmente NÃO existe e que na região os melhores benefícios foram encontrados entre aqueles que consumiam mais carne vermelha, mas a turma do low-fat vive escondendo e ignorando esse fato) que acertos. Um dos equívocos, um erro seletivo proposital de quem molda seu discurso com a liberdade artística como se fosse um poema, é o de ignorar que os analisados faziam jejum. Para ser mais preciso, a igreja ortodoxa grega defende quase 200 dias de jejum por ano, um período de 40 dias sem quase nenhum produto de origem animal, nem açúcar ou azeite. Quem diz gostar da Dieta Mediterrânea faz qualquer coisa próximo a isso? Improvável. Assim você nega boa parte, senão a maior parte de seu benéfico conteúdo. Como é difícil, ficamos apenas com a parte de besuntar a comida em azeite, um alimento que, ao contrário do estresse, não tem nada de essencial.

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Os profissionais da saúde têm em suas diretrizes uma enorme dificuldade em lidar com a escassez em um mundo de excessos. Negam o jejum, subestimam e negam seus benefícios recomendando um bom café da manhã, algo sem evidência sólida. Não fomos “criados” ganhando alimentos sem gasto de energia. Na natureza não existe caça por prazer, mas por necessidade.

Mas antes que se apele às agruras de miseráveis e prisioneiros de guerra como contraponto ao jejum, talvez surpreenda saber que os prisioneiros dos campos de concentração ficavam menos doentes na primeira fase de restrição calórica para só então adoecerem. Reforçando: jejum é sobre retomar a não-linearidade ainda que de forma limitada, no consumo de alimentos, respeitando nossas propriedades biológicas mais fundamentais.

*****

Somos instruídos pelas diretrizes governamentais a ingerir determinadas quantidades de nutrientes diariamente em determinadas quantidades. Vamos por agora ignorar completamente a enorme falta de rigor empírico nesses valores determinados. A busca por essa regularidade vai de encontro à aleatoriedade de oferta proteica e de gordura animal à que fomos “construídos” (Desigualdade de Jensen) e fere ainda o princípio de extremos nas refeições (ou herbívoro ou carnívoro). As diretrizes em sua ignorância (por acharem que não existe aquilo que elas não veem) não entendem que a constância gera resultados muito diferentes (e piores) que a desigualdade ou a aleatoriedade.

Ao negarmos ausência de algumas refeições ou nutrientes, negamos a hormese. Hormese é sobre quando uma baixa dose de uma substância nociva ser de fato benéfica ao organismo quando em baixa quantidade. É quando o organismo se beneficia dos pequenos danos diretos a si mesmo. Não sendo em quantidade muito elevada, ela age assim para beneficiar o organismo e torná-lo melhor de maneira geral. Ou como diz Nassim Talebas máquinas são prejudicadas por agentes estressores de baixo impacto (fadiga do material), os organismos são prejudicados pela AUSÊNCIA de agentes estressores de baixo impacto (hormese).

Ou seja, podemos resumir dizendo que comer regularmente e de forma (argh!) balanceada é ruim e priva o nosso organismo desse agente estressor, podendo fazer vivermos menos que nosso real potencial completo. Basta lembrarmos que é mais do que provável não ser mera coincidência que a população americana nos últimos 40 anos dobrou seu número de refeições diárias enquanto engordou e adoeceu.

Dieta Balanceada? Equilíbrio? É tudo o que um Nutricionista jamais deveria pregar. A menos que ele faça alguma ideia daquilo que fala.
 
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Por que Low-Carb. Ou ainda: o ser humano é frágil ao Carboidrato

É uma vergonha que a Nutrição não enxergue o que vai abaixo.

*para este texto não ficar ainda mais longo, conto com a compreensão que para lê-lo você de cara assuma uma verdade que hoje é consenso na Nutrição: o Carboidrato é um nutriente NÃO-essencial ao ser humano. Ou seja, você pode viver sem consumir NADA dele. Característica essa que NÃO é compartilhada por proteína ou gordura, ambas essenciais.

Para começar, saiba que o ser humano, o homem, é frágil ao carboidrato. Pergunte isso a qualquer diabético ou a qualquer médico. Alguém é Frágil (a algo) quando “os impactos trazem danos maiores à medida que sua intensidade vai aumentando (até certo nível)”. Isso acontece quando fazemos consumo de cada vez mais carboidrato em duas frentes. Primeiro com o aumento da glicemia (açúcar no sangue) e o organismo tenta controlá-la abrindo mão da insulina e também pela concomitante redução do consumo de 2 nutrientes essenciais na dieta (proteína e gordura).

Duvida? Deixe de tratar um diabético, um indivíduo que não metaboliza bem carboidratos. Ele morre. Deixe de oferecer proteína e/ou gordura a uma pessoa. Ela morre.

Porém, o corpo NÃO é frágil a esses 2 nutrientes. Não existe consumo excessivo de proteína. Não existe. Não existe consumo excessivo de gordura. Simplesmente não existe. Isso porque ad libitum, ou seja, à vontade, esses 2 nutrientes não possuem mecanismos de retroalimentação do tipo supernormal, ou seja, você não fica viciado em carne ou barrigada. Você fica, sim, viciado em alimentos que tenham necessariamente um nutriente que o cause: o açúcar ou carboidrato processado.

Resolvi escrever esse texto porque recebi 2 posts de nutricionistas que até parecem inteligente, mas se fazem de burro para provar seu ponto. Um deles, tempo atrás disse haver uma margem saudável ou ótima de consumo de carboidrato. Isso simplesmente não existe. Precisamos ver o carboidrato (na verdade a frutose e os carboidratos processados, como farinhas e açúcar) como poluentes (o que é diferente de veneno).

Assim como na natureza, você pode ir poluindo um rio (ou uma cidade) e ainda assim utilizá-lo ao lazer ou mesmo fonte de água. Mas há um ponto em que ele morre. Com carboidrato é parecido. Você pode comer pão integral todo dia e ainda assim viver 85 anos. Eu consigo matar alguém dando carboidrato vendido no supermercado, eu NÃO consigo fazer isso com proteína/gordura (que não deve ser coincidência que sejam quase sempre encontradas juntas na natureza). **aqui ignorando fontes podres desses nutrientes como soja ou óleos vegetais, por exemplo.

Há aqui uma questão de não-linearidade na resposta. Ou seja, vou dando cada vez mais gordura/proteína a uma pessoa e não vejo mudanças drásticas. Porém, quando faço isso com carboidrato (frutose ou processado) e após algum momento aumentando seu consumo eu o mato. Isso de certa forma nos reforça: somos frágeis ao carboidrato, não o somos aos demais. PONTO.

Você dar ou oferecer pouco carboidrato a alguém, sem o matar, não tira o prejuízo. E nesta categoria, ainda que em outra magnitude, entra por exemplo, o cigarro. Um nutricionista que diz que “tudo bem” comer um pouco de açúcar equivale ao pneumologista que diz “tudo bem fumar 3 Belmont”. Ambos (nicotina e frutose/glicose) têm seus mecanismos de retroalimentação. Não matam, mas podem criar o ciclo de consumo supernormal que faz seu consumo virar rotina. Se não há consumo mínimo de NADA a que somos frágeis, por que deve haver com carboidrato? ***não pergunte a mim, pergunte ao gênio que pede que você coma grão de bico ou torrada.

A recomendação que já vi algumas vezes de muita gente que se parece inteligente de comer X de carboidrato é, desculpe o termo, tão IDIOTA, tão burra, que não sei como passa despercebido. Não existe consumo seguro de cigarro, assim como NÃO existe consumo seguro de açúcar. Assim como não existe consumo seguro de frutose, a menos que ela venha acompanhada de muita fibra, a ponto de virar um limão ou maracujá.

Mas voltando à recomendação IDIOTA de consumo de X% de carboidrato… ela é tão irracional porque hoje sabemos que podemos viver com ZERO dele. Por outro lado, SABEMOS que PRECISAMOS consumir proteína E gordura e que SABEMOS que quanto mais carboidrato (desacompanhado de muita fibra) pior é o desfecho à saúde, pois como existiria assim um valor médio??

Ele existe?
É óbvio que não! Não, ele não existe. É a ignorância de uma área que se orgulha de não estudar matemática que arrisca dizer que ele existe. É como eu pedir que alguém que não sabe nadar pode atravessar andando um rio de profundidade média de 1,60m. Essa pessoa é frágil a rios fundos! Eu tenho que dizer que ele só pode atravessar rios com a menor profundidade possível! Eu TENHO que dizer que ele deve fugir da frutose como foge da nicotina ou de algum outro agente menos viciante, porque não ser veneno (e não é mesmo) não tira sua característica de ser poluente. Ainda que você consiga viver em uma cidade poluída. Uma média de consumo de carboidrato (um desses falsos-inteligentes arrisca até uma porcentagem) não tem sentido porque somos frágeis ao carboidrato! Ainda que eles neguem. E negam porque em sua ignorância confundem incompreensível com inexistente.

****na imagem o consumo em azul de carboidrato vai aumentando até “dar ruim”. O consumo de proteína/gordura (lilás ou roxo, sou homem) por não ser frágil não tem um evento inesperado.

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Correndo e comendo com os Etíopes

*texto originalmente postado no Blog Recorrido sobre minha experiência treinando com os corredores etíopes.

Logo que cheguei à Etiópia, ainda no aeroporto, algumas coisas me chamaram a atenção. Uma delas era pessoas em forma, nada de obesos, saudavelmente magros. Além disso, não havia restaurantes fast food no local. Soube ainda depois que o Mc Donald´s não desembarcou no país. Quando fiz uma associação dessa ausência com o baixo índice de obesidade, um desses comentaristas que escrevem em 4 apoios disse:

“Energúmeno, qual a renda média? Os caras não comem, não comem nem calorias nem proteínas. São magros por desnutrição.”

Pois o mais legal de jogar com números, algo que eu adoro, é você poder colocar em teste alguns dos conceitos que temos bem arraigados. Um deles é antigo e não sobrevive nem a uma pesquisa preguiçosa. Por exemplo, quando cruzamos a lista de dados dos países organizados pelo ranking de IMC (um índice comparativo este que é pouco confiável quando olhado individualmente, mas que ajuda demais quando trabalhamos com populações heterogêneas) é que colocado lado a lado com o ranking de ingestão calórica você observa que não há um padrão claro. Ou seja, que consumir mais calorias não tem uma correlação positiva com mais obesidade. Ou ainda nas palavras de Nate Silver em sua obra mais famosa, O Sinal e o Ruído: “parece haver indícios restritos para uma associação entre obesidade e consumo calórico; pelos testes padrões, tal relação não seria qualificada como “estatisticamente significativa“.

O que isto quer dizer? Que a magreza etíope não se explica somente pelo baixo consumo calórico (o que é um fato), uma vez que há países que comem menos calorias e têm IMC maior e países bem obesos que consomem menos calorias que outros países magros.

Seria o baixo consumo proteico etíope, então? Hoje há uma espécie de cruzada entre os que acreditam na nunca testada e provada tese da gordura (ou das calorias) como engordativa quando é o carboidrato quem impacta o metabolismo de gordura. Como muita gente que se diz especialista no assunto não aceita quebra de paradigmas, abrem mão até de um dos nutrientes pouco lembrados na questão, a proteína. E, novamente, está acessível para quem gosta do tema: quando colocamos prevalência de obesidade com consumo proteico, voilà, aparecem paradoxos. Paradoxo nada mais é que um jeito chique de você não aceitar algo que vai contra sua teoria. Apesar do baixo IMC da Etiópia, você encontra vários países que consomem muito menos proteína que esses africanos.

Uma passagem muito bem descrita de uma pesquisa americana relatada em “Por que Engordamos“, livro ignorado por quem finge estudar o assunto, fala do trabalho de um pesquisador que ficava perplexo de como havia crianças desnutridas sendo carregadas por mães brasileiras claramente obesas que TAMBÉM não tinham muito o que comer nas favelas.

Obesidade (ou magreza) não se explica por quantas calorias comemos, que é o que diz esses rankings da ONU, mas QUAIS comemos. As mães faveladas brasileiras da pesquisa comiam pouco, mas consumiam muito açúcar. Suas crianças, comiam poucas calorias, pouca proteína e também pouco açúcar.

Cada um acredita no que quiser, até que controle de peso é sobre calorias, não sobre O QUE se come. Porém, para isso deverá ser feito um malabarismo lógico e argumentativo uma vez que dietas hipocalóricas têm um rico histórico de ineficiência.

Propositadamente, ignorei aqui o argumento da questão da (baixa) renda, até porque dentro da mesma sociedade desde sempre é sabido que os mais ricos são mais… magros! Desconsiderados os bolsões de miséria, renda não deveria ser questão central nesse debate.

Pelo que pude ver em minha experiência em Adis Abeba, os corredores sabem de duas coisas que deveriam ser sempre bem lógicas: comer de modo saudável é o mínimo que você deveria fazer se deseja correr bem. Mais: corrida é sobre coRRer, não sobre comer. Não há debate sobre o que comer ou beber. Não havia suplementos, não há BCAA, não havia gel nem isotônico! Isso é coisa de atleta que corre de menos e de nutricionista que sabe de menos. Após nossas sessões de treino, quem tinha mais fome comia alguma banana, bebia algo e era isso! Os que estavam se sentindo bem, iam embora sem a tarefa de comer na “janela de oportunidade”, falácia essa que deveria já ter morrido na década passada, mas que ainda sobrevive entre alguns “especialistas”.

Enfim, corrida é o esporte mais simples que existe. Para correr bem você precisa rodar muito (volume), estar magro (em forma) e ter paciência. Os etíopes fazem tudo isso. Eles comem de modo saudável que os deixa magros. Quem quer achar algum atalho que não existe cai no golpe da dieta personalizada, equilibrada, BCAA, Glutamina, etc. Não aprendem nunca.

*durante meu período lá, não vi nem comi açúcar branco (refinado), no máximo vi o do tipo cristal. Não vi fast food, não vi sorvete, não lembro de ter visto muito chocolate. Apesar da fama ofensiva a eles de que passam fome, vi mais banana, laranja, tomates, avocados e iogurtes do que já vi no Brasil. É difícil você engordar quando você não consome justamente aquilo que te faz engordar: açúcar e alimentos processados e/ou ricos em amido.

**se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (você encontra a versão impressa aqui)

Sílvio Santos, Jejum e Nutrição.

É sintomático que dois memes de Nutrição tenham sido compartilhados na mesma semana. Já chego a eles.

No âmbito das relações humanas e profissionais, uma é defendida por quem detém via Estado o monopólio de um setor: o atendimento a quem quer emagrecer. Você nunca tem dificuldades para encontrar Nutricionista e Educador Físico dizendo que você deve ir a um deles caso queira cuidar da sua saúde e da dieta. Porém, há um aspecto crucial na área da saúde. É o que chamamos de Dissociação de Interesses. Um quer dinheiro, o outro quer saúde (*e NÃO há problema ALGUM nisso). Duvida? Eu poderia dar consultoria a alguém por 10 anos (como dou ao mesmo cliente há mais de 10 anos). Ele me paga mensalmente. Gratuitamente eu faria isso por talvez 10 semanas, não mais. Leve essa proposta ao profissional da saúde que lhe diz que a maior preocupação dele é com a sua saúde. Reforço: não há crime aqui!

Porém, no campo das ideias quem decide quem é e quem não é especialista é o TEMPO, não o Estado, não uma carteirinha de uma classe profissional que só serve para sugar o trabalho alheio sem precisar entregar NADA. Isso mesmo: CRN e qualquer outro “C” ganha dinheiro sem precisar fazer NADA. VOCÊ quem trabalha para sustentar vagabundo. *mas é divertido que você não tem nenhum trabalho para encontrar muita gente que ache normal. É até curioso que implicitamente fique aqui um reconhecimento de que essa pessoa não se sinta nem segura sem alguém o atestando que ele seja útil para algo.

Tempo atrás conheci o Efeito Lindy, que é uma das heurísticas mais robustas que existem. O efeito diz que a expectativa de vida de uma ideia é proporcional ao seu tempo de vida.


Aplicado aos tênis de corrida – prometo já chegar na Nutrição/Emagrecimento – os maiores atletas por bem mais da metade do século passado corriam com tênis sem suporte. Desde o final dos anos 70 a indústria tenta nos empurrar um novo conceito de tênis que não só não se mostra eficiente (como evidencia qualquer pesquisa preguiçosa que qualquer um pode fazer), como seus próprios tênis, de tão ruins que são como conceitos de calçados seguros, vão morrendo temporada após temporada.

Você pode enganar a todos, mas apenas não engana a duas entidades: a Lindy e ao Tempo.

Essa semana tem uma imagem rolando chamando Jejum de moda. Ele tem sido registrado como seguro por pelo menos milhares de anos. Outro sempre chamado de moda é o Low-Carb, só que eis que ele sempre foi a regra. Sempre. O Low-Fat é algo inventado SEM estudos apenas por volta dos anos 60 e 70.

Pois se vivemos uma época racional regida pela irracionalidade de falsos especialistas, talvez a ferramenta mais útil e mais segura seja recorrer justamente ao tempo! Jejum e Low-Carb sempre estiveram entre nós. Já a entrada das recomendações defendidas pelas associações de sempre, que só vivem e só querem seu dinheiro, ocorre justamente quando o planeta vive sua pior crise de obesidade e diabetes.

Assim chegamos ao grande Sílvio Santos. Ele não é profissional de Saúde, ele tem algo a perder: sua Saúde. O que ele mais quer é saúde. E ele tem o tempo ao seu lado: não há como uma dieta low-carb engordá-lo. Por mera sabedoria de observação (seja do tempo, seja do que está em volta dele), ele concluiu que a restrição de carboidrato refinado serve para emagrecer duas fãs obesas. Não sei a opinião de quem criou a imagem, mas sei que vc não terá dificuldade de ver gente que se acha inteligente, profissional de saúde, achando que ela está certa. Que há moda em algo de milhares de anos. Eles precisam ter aulas de raciocínio lógico com SS, que não sabe diferenciar mitocôndria de pâncreas, mas sabe que não tem como o delírio do Low-Fat contradizer milhares de anos.

É o tempo, estúpido.”

Danilo Balu
autor

*se você gostou da análise que leu aqui e quer saber coisas que nunca lhe disseram sobre Nutrição e Emagrecimento, o convido a ler meu livro O Nutricionista Clandestino (também na versão impressa aqui).

Quando Esquimós dão bola à Nutrição…

É sempre importante, diria eu fundamental, estudar Nutrição sem NUNCA tirar o pé da questão evolutiva, histórica. No e-bookO Nutricionista Clandestino” (e na versão impressa aqui) listo alguns casos de povos que se alimentavam de extremos, sem NENHUMA consequência negativa à saúde. E por que seria importante estudar ou saber isso? Pois temos na história povos que comiam enormes quantidades de gorda carne vermelha sem sofrer problemas cardíacos.

E todo nosso medo de carne vermelha (na verdade por falta de provas esse medo passou a ser gordura, depois gordura saturada e depois colesterol) vem de associações pobres, frágeis que não encontram nenhum suporte em uma análise bem-feita. Será no futuro reconhecidamente como uma das maiores vergonhas da Nutrição, uma área que se considera ciência, mas que é hoje em grande parte de suas diretrizes, apenas algo livre de evidências, é assim apenas uma crença sem um Deus a louvar.

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Na verdade louvam. A Nutrição tem seu demônio (a gordura saturada) e tem no carboidrato, um nutriente não-essencial à vida humana, o seu improvável herói.

Pois agora pelas mãos de pesquisadores russos nos chega que 2 povos na Sibéria, que por séculos se alimentavam basicamente de carne gorda e de peixe, fizeram involuntariamente mudanças em suas dietas. Qualquer diretriz nutricional diria para os Nenets e Khanty consumirem menos gordura saturada, menos colesterol e mais carboidratos.

Agora eles passaram a comer mais carboidrato. Resultado?

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Eis que aparecem os primeiros problemas de obesidade nesse povo Ártico!

Já expliquei como nossas avós são melhores que os Nutricionistas. O tempo sempre nos mostra o que é melhor: uma dieta de séculos ou teorias de 40 anos JAMAIS provadas, NUNCA antes testadas?

Quer engordar? Quer adoecer? Fácil! Ouça e siga com atenção o que um Nutricionista tradicional (o que segue as diretrizes) tem a dizer!

Sobre Dieta Personalizada e Equilíbrio

Uma pesquisa recente no PROTESTE fez um bom barulho. Basicamente sua conclusão era: dietas prescritas por nutricionistas podem não ser confiáveis. Antes de questionar os erros, entidades de classe como o CRN-3 ou o CFN fizeram o que se espera deles: atacaram sem reconhecer qualquer culpa própria. É só para isso mesmo que eles funcionam. Se engana quem pensa que eles têm alguma preocupação que seja com um paciente. *a pesquisa acabou em uma entrevista minha no jornal O Tempo que você pode ler aqui.

O irônico disso tudo é que parte da reclamação está no fato das dietas serem as mesmas a todos ainda que com problemas distintos. Como até relógio quebrado acerta duas vezes ao dia, o problema não é o remédio, mas quem o recebe.

O erro na Nutrição não está no discurso mentiroso e ignorante das entidades dizendo que a vantagem de um nutricionista é que ele irá prescrever um cardápio individualizado. Alguém com problema não quer solução única, que só ele tenha. Um doente quer antes de tudo um remédio, ainda que o mesmo funcione a todos!

Imagine a Medicina tendo que inventar um remédio exclusivo a cada doente! Imagine!

Imagine um treinador tendo que criar do zero treinamento a cada novo corredor. Imagine!

Isso não existe. A Nutrição dá o mesmo remédio que não funciona a (quase) ninguém, e é uma Ciência que está tão nas trevas porque entre outras coisas erra em não saber sequer identificar que seu problema não é o remédio ter que ser único, mas ele não funcionar! A abordagem de emagrecimento com redução calórica, quebrada em várias refeições ao dia (de 3 em 3 horas) e com baixa gordura é algo que estudo após estudo se mostra se basear na fé de quem se diz especialista, mas que se baseia na esperança e na boa vontade.

Não só o foco (individualização e não o remédio em si) está tão errado, como ele mesmo parece ser sobrevalorizado. Se ninguém espera que a Medicina (ou a Farmácia) invente um remédio diferente para cada doente por que a Nutrição e a Educação Física pensam serem capazes de fazer isso a cada novo cliente? Isso parece mais uma valorização de um serviço do que necessariamente buscar uma melhora dele. Novamente é a fé do discurso suplantando a prática.

Duas recomendações da Nutrição me tiram dos nervos: dieta equilibrada e individualizada.

 

DIETA EQUILIBRADA – um erro conceitual

Sobre equilíbrio, ele só existe no delírio do nutricionista, não na natureza, no mundo real. A dieta de todos os animais é baseada em extremos, no absoluto, são radicais. Mas o nutricionista acha que nós devemos comer com equilíbrio. O interessante é que isso equivale comer 33% de carboidrato, mas esse seria um equilíbrio do mal. Esse equilíbrio não pode, então não serve. É o mundo de sonho da categoria que enxerga um animal caçando carne e depois indo buscar folhas e grãos para montar a refeição.

Tem mais. Jantar de vez em quando mousse de chocolate é um equilíbrio, mas uma vez que você defende tamanha carga de açúcar, não precisamos pagar um profissional para orientar a fazer isso. Profissionais assim se tornam inúteis. Qualquer criança pode me orientar desse jeito, a comer um pouco de tudo, ainda que faça mal à minha saúde, sem me cobrar por essa sandice. Esse tipo de Nutricionista é aquele que sequer se posiciona. E quem não se posiciona não tem o que dizer. Se não tem o que dizer é no mínimo desnecessário.

O equilíbrio torna qualquer um nutricionista. O equilíbrio torna qualquer nutricionista totalmente dispensável.

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DIETA INDIVIDUALIZADA – um sonho

Você consegue imaginar você cuidando de 3 animais da mesma raça e para cada um deles dando um cardápio diferenciado que não seja na quantidade ditada pela fome DELES? Pois é. Tem muita gente da categoria que acha que sim. Que dá para ter 3 labradores e um só comer carneiro, outro carne e legumes e um outro ração.

Dieta individualizada é aquela espuma que a gente coloca no café para poder cobrar mais. Se você faz isso, ok. Mas se você acredita nessa espuma, você é de certa forma perigoso. Um porque você acha que tem mais controle do que realmente tem. E esses são justamente os mais perigosos.

 

A VOX veio com um artigo recente falando sobre dietas personalizadas. Fala de iniciativas que prometem (e não entregam) aquilo que nutricionistas dizem fazer. De duas uma: em breve podemos trocar uma consulta por um aplicativo gratuito no Google Play ou Apple Store, e a categoria desanda, ou ninguém desses entrega o que promete. Eu acho que ninguém entrega, mas a categoria não precisa necessariamente desandar.

Se você juntar 1.000 caboclos, homens, caucasianos, fisicamente ativos, entre 20 e 30 anos, com 70kg (+/-15kg) querendo correr uma maratona podendo seguir UM treino único, com certa segurança podemos dizer que mais de 80% irá melhorar suas marcas. Ponto. Nenhum treinador de grupo vai negar isso, que sabemos uma recomendação populacional de atividade física que tenha resultado positivo na média de uma população. Aqui temos que o esporte SABE o que funciona para o TODO (população) e aprende o que NÃO funciona para o indivíduo. É MUITO mais fácil, assim, acertarmos a população que o indivíduo, por uma questão de individualidade biológica, por uma questão de eliminação já tentada ao longo da história!

O mesmo na Medicina. Mil doentes. Aplique UM remédio em dose igual, e você sabe que a a maioria irá se curar.

Já na Nutrição, a população atual vem SEGUINDO as recomendações de menos gordura, menos calorias, mais exercício, menos carne, menos gordura saturada, mais frutas… (*essa afirmação você encontra respaldo nos levantamentos populacionais mais sérios mundo afora). PORÉM, ainda que seguindo, estamos cada vez mais gordos. A Nutrição, que NÃO sabe orientar no TODO, acredita que saberá guiar no individual, que lembremos, é mais difícil.

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A Nutrição ganharia MUITO mais se parasse com a tese sem fundamento de que sabe o que é melhor para um indivíduo quando ela ainda não descobriu nem entendeu o que funciona para a população. Ela só conseguirá chegar mais perto daquela, na hora que tiver dominado esta.

Por isso que prometer dieta personalizada e dieta equilibrada diz muito sobre o que o seu nutricionista sabe sobre como funciona Nutrição.