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Obesidade e aposentadoria no esporte – parte 3

Semana passada trouxe aqui o caso do ultramaratonista Michael McKnight que correu 160km à base de água e eletrólitos, o que vai na contramão das diretrizes nutricionais esportivas, que são fundamentadas em muita fé, pouca prática e nenhuma observação. Hoje lhes trago Marshal Yanda, um dos melhores guards da NFL.

Yanda se aposentou de um esporte que exige uma montanha de músculos. Muito acima do peso de um não-profissional, do que é saudável, ele decidiu perder o excesso de gordura. Em 3 meses o ex-jogador perdeu 30,5kg. Bom, né? Vamos ver como?

Na imagem 2 desse post eu coloco sua dieta típica de jogador e a adotada pra derreter o excesso de gordura. A base da Nutrição estabelece que nosso peso é fruto do balanço calórico. Gaste mais do que consome e você emagrece, coma mais, engorde. Ou seja, trata as calorias como IGUAIS, seria QUANTO comemos e não O QUE comemos.

O problema: associação não é necessariamente causa. Se você perguntar ao meu professor na USP que ainda fala essas bobagens por que sua sala tem gente, ele dirá que é porque entrou mais gente na sala do que saiu e não necessariamente a CAUSA de termos que estar lá (assinar a lista porque ninguém merecia ver aquilo). Entrar mais gente que sair foi uma CONSEQUÊNCIA da real CAUSA (termos que estar presentes lá pra ter presença).

Você pode argumentar: “Balu, a dieta pós-NFL tem menos calorias”. SIM, tem! Até meu ex-professor acertaria essa. A Física e a Matemática estão certas! Energia não vira esperança (apenas quem pede pra comermos carboidrato complexo acha isso!). Mas repare no que vai em amarelo. São alimentos ricos em carboidrato. Yanda decidiu por cortá-los da dieta e é a retirada deles (e NÃO das calorias!) que dá condições ao corpo para que se queime gordura! O motivo: é com baixos níveis de insulina que ocorre a lipólise. Isto está em qualquer livro vagabundo de fisiologia, mas as faculdades fingem não estar.

Repare o que vai ainda em lilás. Yanda cortou um shake/smooth (“calorias líquidas” dão baixa saciedade) e antecipou sua última refeição, aumentando o jejum, que é o MELHOR jeito não-medicamentoso de se diminuir os índices de insulina possibilitando assim: (sim!) acesso às reservas de gordura (que ele quer queimar)!

Se ele cortasse igualmente as calorias e não os carboidratos, ele ainda teria níveis elevados de insulina, não tendo acesso à gordura corporal e assim teria fome! É o que acontece quando você segue a dieta padrão do Nutri-Nesfit. POR ISSO ninguém a segue por mais que poucas semanas e POR ISSO que a profissão é um fracasso, já que o histórico da dieta hipocalórica é de redundante fracasso.

p.s: Yanda cortou ainda parte do consumo de gordura porque um corpo high-fat como ele era não precisa de gordura exógena… ele assim precisa é ser low-carb para ter acesso, para poder queimar o high fat corporal.

p.s.2: já escrevi duas vezes sobre NFL, obesidade e aposentadoria… a primeira aqui e outra vez também usando um exemplo prático aqui.

 

Jejum e Imunidade (COVID19)

Não faça jejum na quarentena, pois diminui sua imunidade!”

É o que os Nutricionistas e Médicos IPI mais têm dito em tempos de Coronavírus. Eu tenho feito jejum diário desde o dia 1 por dois motivos:

1. É mais fácil manter uma dieta limitando o número de refeições. Então acordo, tomo meu café preto com creme de leite e janto (antes vendo o Babu da Massa e agora vendo Designated Survivor s01).

2. Porque se Nutricionistas e Médicos dizem que jejum é ruim em quarentena, é porque deve ser bom. O histórico está do meu lado. Nunca acertaram na norma, não iam acertar na exceção.

Vejamos o que nos mostram as evidências? O jejum faz aumentar a atividade do nosso sistema imune. Surreal, não?!

Quer dizer, então, que se eu jejuar 60 horas como no gráfico posso me alistar na Mansão do professor Xavier? Não, NÃO é esse o ponto! Veja que de 0 a 17 horas há certo equilíbrio na atividade e que depois AUMENTA… O oposto do que nos dizem! O jejum NÃO te transforma no Wolverine, mas você não ficará mais vulnerável como te dizem.

Mais uma vez eles estavam errados. Esses caras são imunes a estar certos…

6a Feira Santa, Carne e não-linearidade.

Não sei o quão religioso são vocês ou em quem creem. Não me importa. Minha fé me importa a mim. Rezaria por você independente da sua. Acho que sabem da tradição de muitos de não comer carne no dia de hoje. Eu sigo e a respeito. É o esforço de se fazer jejum de apenas um alimento simbolizando e relembrando o derramamento de sangue por Aquele que fez muito por todos nós.

Em 2019 falhei com uma intenção que tinha que era a de ser vegetariano por uma ou 2 semanas. Espero em 2020 não vacilar.

O Esporte entende como poucas áreas o conceito da NÃO-linearidade. Qualquer um que já Treinou algo sabe que o melhor treinamento oferece cargas diferentes ao longo do tempo. Exagera às vezes, alivia outras horas. Não existe uma carga de, por exemplo, 17 abdominais e 5,3km de treino por dia. O que existe é você às vezes correr 15km, às vezes 3km. O resultado disso é COMPLETAMENTE distinto de correr 9km 2 dias (15+3… 18/2).

Já a Nutrição, incompetente naquilo que prega por NÃO entender NADA de não-linearidade, INSISTE em dizer que deveríamos comer diariamente 2.000cal por dia, 1 castanha (pra não exagerar no selênio), um palmo de carne, cumprir com as cotas vitamínicas. É como um treinador achar que temos que fazer TODOS os exercícios existentes TODOS os dias, mas em pequena dose.

O Esporte nos fez correr 100m abaixo de 10seg, a Nutrição nos fez obesos e doentes como nunca.

ADORARIA escrever isso comendo salsicha (adoro!) enrolada em barrigada. Mas acho que o jejum sazonal de carne não só cumpre com minha fé como é melhor à minha saúde. Assim como NÃO correr NADA por duas semanas por ano é MUITO BOM ao meu corpo e desempenho.

Os carnívoros modernos são apenas o extremo oposto dos militantes veganos. Sofrem da mesma doença porque fingem não saber que supermercado 24h e porcos de 100kg nunca foram a norma. Comer carne é delicioso, mas NADA, absolutamente NADA na Nutrição pode ser visto que não seja aos olhos da frequência. E isso a Nutrição ainda não entendeu, por isso ela é um FRACASSO. Só sendo acadêmico pra defender…

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O delírio do pré-treino

Duas perguntas recebidas no Instagram me reforçam o delírio coletivo de toda uma sociedade (que os autores das perguntas não se ofendam, os exemplos são apenas sintomas sociais). Ei-las:

1. Quanto tempo após comer se pode correr sem perder rendimento?

2. O que comer antes de treinar?

Na minha experiência – vamos lá – eu NUNCA conheci um Nutricionista que entendesse de esporte. Eu não disse que eles não existem! Só disse que não conheço nenhum. NEM. UM.

Certa vez conversava com um cliente acima do peso e ele me dizia que queria perder peso correndo. Expliquei que ele, nordestino, poderia vir caminhando de sua cidade até SP e AINDA ASSIM lhe sobraria gordura corporal de sobra. Aqui 2 pontos:

– Corrida/caminhada gasta poucas calorias;

– O desafio não é gastar, é conseguir ACESSAR sua reserva energética.

Porém, e esses Nutri-Nesfit que recomendam suplemento e pré-treino JAMAIS entendem – até porque não sabem NADA de esporte – , você NÃO TEM acesso à sua reserva pré-alimentado! Por vários motivos. Um fisiológico é que comer eleva os níveis de insulina que INIBEM a queima de gordura. Isso está na aula 2 de Fisiologia (na primeira o professor se apresenta e fala as datas da prova). O nutricionista que prescreve pré-treino em amador deve ter faltado nessa aula.

O motivo conceitual é mais simples! Não faz sentido NENHUM comer antes de atividade física porque em nosso modelo evolutivo os ancestrais quando jejuavam por não TER comida estavam procurando por ela, eram fisicamente ATIVOS. Sendo assim, o padrão é fazer ATIVIDADE FÍSICA enquanto estiver em jejum! Nenhuma criatura selvagem adulta descansa quando não possui calorias!

Tem mais! É JUSTAMENTE quando temos grande fonte de energia endógena (gordura corporal) que nosso cérebro avisa ao corpo de que NÃO precisamos mais ser ativos pra encontrar comida. Já disse aqui: é um ENORME erro interpretativo esperar que alguém com sobrepeso seja MAIS ativo, mais disposto.

Energia endógena –> letargia e sedentarismo.

Energia exógena –> descanso.

A Nutrição como prática VIVE de negar a realidade. Por isso é um fracasso.

Líquido quebra jejum?

LIQUIDUM NON FRANGIT JEJUNUM

Ou ainda…

LÍQUIDO NÃO QUEBRA JEJUM

Essa sentença dita em latim pelo cardeal Francisco Maria Brancaccio acabou determinando que alimentos líquidos NÃO quebram jejum.

A Nutrição convencional, que tem apenas décadas, diz que jejum é modinha e faz mal. Bom, a frase foi dita ainda no século 17 sobre um hábito de bilhões de pessoas feito com segurança por milhares de anos.

Açaí quebra jejum. Fruta quebra jejum. Mas…

Café (sem nada!) NÃO quebra. Chá natural, não o de latinha, que é apenas um refrigerante sem gás, NÃO quebra jejum.

Água com Gás NÃO quebra jejum.

Refrigerante DIET/Zero/Light quebra? NÃO!

Jejum é sobre NÃO comer, não consumir calorias. Mas UM dos intuitos do jejum é a questão de purificação (no sentido de limpeza, autofagia). Consumir adoçantes (mesmo Stevia) não é assim a melhor opção.

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O AÇÚCAR nos faz agir como crackeiros.

Tempo atrás escrevi sobre um povo que vive na região do deserto de Kalahari, ao sul da África. Nele falei sobre como a escassez e a abundância moldaram e moldam nossa saúde ao longo de toda a evolução.

Sigo estudando esse povo e assim cheguei ao modo interessante como eles buscavam por mel. Até hoje eles não dominam o refino do açúcar. O ser humano tem uma atração e um prazer tão grande pelo sabor doce que isso nos faz capaz de ficarmos viciados pelo açúcar.

Sempre que vejo nutricionista dizendo para optarmos pelo açúcar mascavo eu enxergo um pneumologista dizendo para que a população opte pelo Marlboro Light, um cigarro mais saudável. Ou então que fume charuto cubano, um cigarro mais “natural”.

Não existe tal coisa!

Tempo atrás, quando escrevi sobre o vício que o açúcar proporciona, um nutricionista disse em tom bravo que açúcar não vicia. Ele mesmo, que estava com enorme sobrepeso, consumia apenas porque “ele queria”, que ele “poderia parar quando bem entendesse”, num típico argumento de viciado que não reconheceu ainda a doença.

E assim voltamos à tribo de Kalahari…

Não havendo docerias, ao avistarem uma abelha, o indivíduo esperava o trabalho da operária e SEGUIA o inseto o quanto fosse preciso até encontrar a colmeia! É ou não coisa de crackeiro?! E se ele a perdesse de vista ele voltava ao lugar, não importasse onde, para buscar mais pistas.

Essa tribo, que desconhece a obesidade e o câncer, não pratica a agricultura, ou seja, vive de caça e coleta. Ao contrário do que pregam alguns profissionais low-carbers mais radicais, eles consomem inclusive tubérculos, alimentos de alto amido (glicose) e baixos nutrientes. Porém, eles vivem muito é do resultado de sua caça.

E assim voltamos ao texto original: é sobre escassez e sobre não-linearidade!
Não há linearidade na dieta daquele povo, seja de calorias (aqui entra o jejum forçado), seja de alimentos vegetais (dependendo do acaso de encontrar ou não raízes), seja de alimentos de origem animal (ter sucesso ou não de caça).

E diferentemente de um brasileiro típico, por exemplo, uma tribo economicamente miserável varia mais seu cardápio do que nós que comemos apenas partes “nobres” (e nutricionalmente mais pobres) de 3 animais, enquanto eles os comem por inteiro, inclusive miúdos (as partes mais ricas), dos quais numa inversão ilógica e irracional fugimos.

SIM, o açúcar vicia. Mas mais do que isso: ele PRECISA ser muito restrito.

Dieta é sobre DESEQUILÍBRIO! Almejar por “equilíbrio”, seja de nutrientes (“recomendações nutricionais”, as DRIs) ou de qualquer alimento (ex: uma fruta ao dia) vai CONTRA o mais essencialnão foi assim que nos desenvolvemos como espécie.

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O DESASTRADO parecer técnico sobre Jejum

Como já disse alguém: a Nutrição é uma zona livre de evidências! Como já disse outro alguém… “dica de nutrição: fuja do nutricionista”. Mesmo conhecendo MUITO nutricionista bom e MUITO médico bom trabalhando nessa área, sigo afirmando: fuja! O melhor da Nutrição ou está FORA dela ou está em profissionais que têm que NEGAR o que aprenderam (é o caso desses MUITO BONS profissionais que conheço que aplicam o OPOSTO do que é a ortodoxia). Bisonho.
 
Fomos brindados com um parecer técnico de mais uma dessa entidades. Pouca gente dá importância ao que diz a Asbran, a Associação Brasileira de Nutrição. Você não está perdendo nada não sabendo quem são. Mas acaba sendo útil porque se eles pouco agregam, ao menos podemos ver como pensam, como enxergam sua especialidade.
 
Resolveram dessa vez falar com algo do qual, mesmo se intitulando especialistas, demonstram não ter o MENOR conhecimento, no caso, Jejum Intermitente.
 
Há tantas colocações ilógicas que me pergunto como fazer com que todos dessem seu aval para assinar. Deve ter havido tortura! Alô você da diretoria da Asbran, faça um gesto com a cabeça se estiver sob ameaça!
 
Dizer que “os protocolos sugeridos de jejum podem favorecer comportamentos de compulsão alimentar” é mais ou menos como dizer que pedir que um fumante deixe de fumar causa distúrbio. Bom, não vai ter jeito… vamos ter que deixá-lo fumar!
 
O texto é por si só ASSUSTADOR! A entidade associa obesidade ao sedentarismo… imagine quando descobrirem que foi apenas na década de 70 que Jane Fonda fez sucesso com a onda fitness e que a Maratona de NY é da mesma época! Dão a entender ainda que uma abordagem de restrição calórica é a abordagem padrão. SIM! O homem chegará em Marte e AINDA dirão que é o déficit calórico a causa primária do sobrepeso/obesidade!
 
Como disse, o texto é ASSUSTADOR! Há toda uma junta de profissionais INCAPAZES de não só entender, mas como seguidamente NEGAM a realidade! A entidade afirma não haver “subsídios científicos suficientes para que não seja seguido um padrão alimentar baseado em alimentação diária, com refeições fracionadas em 5 ou 6 porções ao longo do dia”. COMO É QUE É?!? Eles AINDA estão nessa ideia de comer de 3 em 3 horas?!?
 
Não é que os defensores do jejum que têm que dizer que ele é melhor. Ele SEMPRE existiu (pela falta de oferta alimentar) e SEMPRE foi praticado. É a ASBRAN que tem que explicar que 5-6 refeições ao dia é que o ideal, que é melhor, que não é inferior! E foi JUSTAMENTE quando essa prática passou a ser adotada, quando os EUA passaram de 3 para 5 refeições ao dia, que a obesidade EXPLODIU naquele país!
 
Quando a entidade fala em “amostra reduzida” e “segurança dessa prática em seres humanos” eu falo duas coisas:
 
1. O jejum é praticado com segurança por BILHÕES de pessoas por MILHARES de anos.
 
2. O tempo é a variável mais robusta de análise de segurança.
 
A Asbran, que tem meio século de história, está dando seu parecer de que algumas das obras e práticas mais longevas da humanidade estão equivocadas e são perigosas. Que certo estão eles. Que precisamos é perguntar (e pagar $$$, lógico) a eles o que fazer.
 
Como eu disse, ninguém liga para o que a Asbran diz, mas muitos de lá são professores universitários e irão replicar essas sandices aos alunos. O talento da Nutrição em fazer TUDO errado tem passado glorioso, e futuro promissor.
 
FUJA!
 
p.s.: Se a turma da Asbran tivesse lido os textos de Jason Fung (público e em português), Nassim Taleb (Antifrágil) e o paper ESPETACULAR de Mark Baker (fasting) não estariam na internet passando essa vergonha!

Sobre oferta, Saúde, Cronicidade & Obesidade

OU AINDA: o que a Nutrição aprende com o Esporte

No mundo do Esporte a coisa é bem simples: você observa o que fazem/fizeram os melhores e copia. Dando certo, você replica (*seu treinador de corrida dirá a você que o seu treino é individual). Dando “não tão certo” você ajusta. Dando errado você esquece.

A diferença básica entre Esporte e Nutrição é que no primeiro o profissional é avaliado pelos resultados, no segundo pelas intenções.

Nosso corpo ao longo dos milhares de anos de sua evolução foi moldado pela natureza para saber lidar, saber gerenciar picos. Já disse o poeta que “a dose faz o veneno”!

Picos eventuais (de glicemia, de consumo de álcool, de frequência cardíaca, na expressão da força…) não só NÃO fazem mal, como fazem BEM.

O Esporte entendeu isso MUITO bem. Qualquer treinador meia-boca sabe que para ficar forte, é preciso levantar muito peso (picos). E para correr uma Maratona é necessário vez ou outra correr muitos quilômetros. A Nutrição quando fala em “equilíbrio” na dieta dá a entender que entendeu tudo pelo avesso. Ou não entendeu NADA.

Um relatório do NCHS (EUA) revelou que em 24 horas 40% dos americanos terão feito AO MENOS UMA refeição em um fast-food. NÃO É coincidência que um dos países mais obesos e doentes do mundo tenha tamanha presença crônica em um fast-food.

Essa semana conversava com um cliente que se culpa por beber cerveja aos finais de semana.  Final do ano passado alguns “especialistas” que não sabem matemática disseram que não havia dose mínima saudável para o consumo de álcool. Aí quando você olha os números você descobre que aqueles que bebiam UM POUCO de álcool tinham resultados MELHORES que os abstêmios.

O álcool é um agressor ao corpo. Assim como e o jejum e o exercício. Sem jejum, dá ruim. Sem exercício, dá ruim também. Sem álcool… entendeu? O mesmo vale para o café/cafeína, para a sujeira e tantos outros.

O que a modernidade/tecnologia fez foi aumentar a oferta daquilo que antes era raro e caro (ex: açúcar, farináceos, álcool, fast-food, que oferece tudo isso…). Hoje tudo é barato e acessível.

Quando um profissional vem e fala para você REDUZIR o consumo de carboidrato (low-carb), ou o de alimentos industrializados/ultraprocessados (paleo), ou sugerir o jejum, ele está apenas fazendo o MESMO que faz um treinador bom. Ele está pedindo que você REPLIQUE o ambiente em que seu corpo foi criado.

Healthy food

Um “especialista” que fala que low-carb ou jejum fazem mal não entendeu ainda absolutamente NADA. E aquele que fala que paleo não faz sentido, bom… deixa pra lá.

*O que muitos adeptos da dieta carnívora AINDA não entenderam é que deve haver um consumo superior de carne. Assim como os extremistas “low-carbers” TAMBÉM não entenderam é que eventuais picos de glicemia TAMBÉM devem fazer bem. Mas viver em sociedade torna praticamente IMPOSSÍVEL que isto vez ou outra não aconteça. 

**Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (a versão impressa você acha aqui!)

Coma MUITO neste Natal!

As colunas e portais sobre Nutrição são originais como uma revista para adolescentes. Na Páscoa o “brigadeiro de biomassa”. Na Festa Junina a “pamonha de painço”. E no Natal, a Ceia Fit. Que morte horrível e dolorosa! Ninguém merece isso! Coma! E coma muito! Sabe por quê?

Porque Nutrição é sobre extremos

Não existe o menor sentido em pegar leve no Natal! Na natureza os animais comem até não aguentar mais e, havendo disponibilidade, comem daquilo que há: as mesmas frutas, a mesma gramínea, a mesma carne de zebra, os mesmos ovos roubados. A tese de que devemos variar a nossa dieta no curto prazo não encontra nenhum suporte na ciência nem na realidade. A variação pode e deve vir no longo prazo justamente porque é isso que causa o extremo tão bem-vindo, tão necessário.

As sociedades convivem desde sempre com ciclos de abundância e escassez ou jejum (o causado pela falta de alimentos ou o voluntário religioso). O que as diretrizes nutricionais, que têm enorme talento em nos adoecer e nos engordar, sugerem é que não façamos jejum (porque em uma espécie de delírio coletivo dos “especialistas”, dizem que faz mal) e recomendam que não façamos banquetes exagerados (pedem “moderação”, justamente o que NÃO existe na natureza, no mundo real fora das universidades).

FAST & FEAST (Jejum e Esbórnia)

Em julho eu devo comer algo como um hectare inteiro de milho. Em abril uns 5kg de Colomba. No Natal uns 7 panetones e 2,7 porcos. Por quê? Porque eu fiz a lição de casa. Eu fiz o Fast, é hora de poder, de ter direito a fazer o Feast! Comer muito no Natal é o poder deitar no domingo sem precisar fazer atividade física nenhuma porque você treinou forte ao longo da semana.

Não é porque eu posso, é porque quando observamos a realidade, algo que a Nutrição NÃO faz, você descobre que é assim que a humanidade caminhou até aqui! Com períodos de escassez (low-carb, jejum, atividade física…) seguidos de abundância e fartura.

Se você fez um, faça o outro sem medo NENHUM! E seja feliz!

Se você ainda está em dúvida, consultoria inbox! Sempre!

*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (a versão impressa você acha aqui!)

Sobre o Agudo vs Crônico, a Escassez e a Abundância.

Ou ainda, como diz, Mark Baker:
A domesticação em excesso nos adoece.”

Há como a falta de água matar um indivíduo. Mas… e sua disponibilidade? Pode ELA acabar com a saúde de todo um povo?

!Kung faz parte de San, um povo africano que em sua história sempre foi nômade vivendo em meio ao deserto de Kalahari, enfrentando acesso restrito à água e animais de caça. Na metade do século passado (1960) imigrantes resolveram presenteá-los com 5 poços de água subterrâneos. Não havia mais a necessidade de serem nômades. Logo os animais ao redor foram todos caçados, o povo começou a viver de alimentos ricos em amido (de muito baixa densidade nutricional como são por essência os grãos) e outro problema apareceu.

Não foi só a dieta que empobreceu, se antes a natureza fazia o trabalho de reciclar as sobras, agora não mais perambulando o lixo se acumulava e as doenças típicas dizimavam o povo. Era o limiar da sede (ou o pouco e difícil acesso à água) que fazia a população de !Kung San viver com saúde. O fato de não saberem lidar com água abundante os fez doentes, famintos e miseráveis.

O mundo muda em uma velocidade a qual nossos genes não estão aptos. Dividimos com Hipócrates, o pai da Medicina, a mesma programação genética, mas vivemos em uma realidade em que nada se parece com a dele. Por isso tenho calafrios quando vejo profissional da saúde falar em “moderação”. Claramente essa pessoa nunca teve que lidar com viciados. NINGUÉM sugere moderação no uso de drogas. O mundo é sobre extremos, não equilíbrio!

Não, heroína e açúcar NÃO causam o mesmo estrago em uma dose. Mas para AMBOS temos uma programação genética que nos dá um comando do tipo “MAIS E MAIS”, que nos faz ir atrás de consumir cada vez mais dos dois.

Certa vez um grande amigo, usuário de cocaína me disse: ”Balu, NUNCA use porque é bom demais”. Não precisa ser toxicologista ou viciado para saber que a sensação deve ser mesmo. Quem conviveu com dependente químico sabe que não é uma questão de inteligência ou de fraqueza, mas de uma retroalimentação que substâncias como o açúcar causa que supera nossa força de vontade.

Quando falamos em saúde, o desafio de cada um em uma sociedade “domesticada” é reproduzir em parte o ambiente selvagem que moldou nossa genética por centenas de milhares de anos. A área da Educação Física faz isso muitíssimo bem recomendando que reproduzamos gestos físicos que a modernidade e a tecnologia não mais nos exige no dia-a-dia. Eu, Bacharel em Esporte, como ser humano que sou em primeiro lugar, digo que meus dias mais prazerosos são justamente aqueles em que eu NÃO treino (domingo, VIVA!). Em cada passo que dou correndo meu corpo e cérebro gritam para que eu pare, mas eu continuo, tentando para meu próprio bem reproduzir aquele ambiente ancestral e selvagem de movimento.

Nutricionistas que advogam contra o jejum e a restrição de carboidrato (grãos, farinhas e açúcar), mais do que ignorarem por completo o que mostram estudos MUITO bem controlados, ignoram algo essencial nessa estratégia. Que ela NÃO é sobre melhorar o mundo atual, mas tentar REPRODUZIR uma situação que a modernidade nos privou. E para a qual nossos genes não estão preparados. E, mais importante, é essencial a uma saúde plena. 

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Danilo Balu
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