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Líquido quebra jejum?

LIQUIDUM NON FRANGIT JEJUNUM

Ou ainda…

LÍQUIDO NÃO QUEBRA JEJUM

Essa sentença dita em latim pelo cardeal Francisco Maria Brancaccio acabou determinando que alimentos líquidos NÃO quebram jejum.

A Nutrição convencional, que tem apenas décadas, diz que jejum é modinha e faz mal. Bom, a frase foi dita ainda no século 17 sobre um hábito de bilhões de pessoas feito com segurança por milhares de anos.

Açaí quebra jejum. Fruta quebra jejum. Mas…

Café (sem nada!) NÃO quebra. Chá natural, não o de latinha, que é apenas um refrigerante sem gás, NÃO quebra jejum.

Água com Gás NÃO quebra jejum.

Refrigerante DIET/Zero/Light quebra? NÃO!

Jejum é sobre NÃO comer, não consumir calorias. Mas UM dos intuitos do jejum é a questão de purificação (no sentido de limpeza, autofagia). Consumir adoçantes (mesmo Stevia) não é assim a melhor opção.

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O AÇÚCAR nos faz agir como crackeiros.

Tempo atrás escrevi sobre um povo que vive na região do deserto de Kalahari, ao sul da África. Nele falei sobre como a escassez e a abundância moldaram e moldam nossa saúde ao longo de toda a evolução.

Sigo estudando esse povo e assim cheguei ao modo interessante como eles buscavam por mel. Até hoje eles não dominam o refino do açúcar. O ser humano tem uma atração e um prazer tão grande pelo sabor doce que isso nos faz capaz de ficarmos viciados pelo açúcar.

Sempre que vejo nutricionista dizendo para optarmos pelo açúcar mascavo eu enxergo um pneumologista dizendo para que a população opte pelo Marlboro Light, um cigarro mais saudável. Ou então que fume charuto cubano, um cigarro mais “natural”.

Não existe tal coisa!

Tempo atrás, quando escrevi sobre o vício que o açúcar proporciona, um nutricionista disse em tom bravo que açúcar não vicia. Ele mesmo, que estava com enorme sobrepeso, consumia apenas porque “ele queria”, que ele “poderia parar quando bem entendesse”, num típico argumento de viciado que não reconheceu ainda a doença.

E assim voltamos à tribo de Kalahari…

Não havendo docerias, ao avistarem uma abelha, o indivíduo esperava o trabalho da operária e SEGUIA o inseto o quanto fosse preciso até encontrar a colmeia! É ou não coisa de crackeiro?! E se ele a perdesse de vista ele voltava ao lugar, não importasse onde, para buscar mais pistas.

Essa tribo, que desconhece a obesidade e o câncer, não pratica a agricultura, ou seja, vive de caça e coleta. Ao contrário do que pregam alguns profissionais low-carbers mais radicais, eles consomem inclusive tubérculos, alimentos de alto amido (glicose) e baixos nutrientes. Porém, eles vivem muito é do resultado de sua caça.

E assim voltamos ao texto original: é sobre escassez e sobre não-linearidade!
Não há linearidade na dieta daquele povo, seja de calorias (aqui entra o jejum forçado), seja de alimentos vegetais (dependendo do acaso de encontrar ou não raízes), seja de alimentos de origem animal (ter sucesso ou não de caça).

E diferentemente de um brasileiro típico, por exemplo, uma tribo economicamente miserável varia mais seu cardápio do que nós que comemos apenas partes “nobres” (e nutricionalmente mais pobres) de 3 animais, enquanto eles os comem por inteiro, inclusive miúdos (as partes mais ricas), dos quais numa inversão ilógica e irracional fugimos.

SIM, o açúcar vicia. Mas mais do que isso: ele PRECISA ser muito restrito.

Dieta é sobre DESEQUILÍBRIO! Almejar por “equilíbrio”, seja de nutrientes (“recomendações nutricionais”, as DRIs) ou de qualquer alimento (ex: uma fruta ao dia) vai CONTRA o mais essencialnão foi assim que nos desenvolvemos como espécie.

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O DESASTRADO parecer técnico sobre Jejum

Como já disse alguém: a Nutrição é uma zona livre de evidências! Como já disse outro alguém… “dica de nutrição: fuja do nutricionista”. Mesmo conhecendo MUITO nutricionista bom e MUITO médico bom trabalhando nessa área, sigo afirmando: fuja! O melhor da Nutrição ou está FORA dela ou está em profissionais que têm que NEGAR o que aprenderam (é o caso desses MUITO BONS profissionais que conheço que aplicam o OPOSTO do que é a ortodoxia). Bisonho.
 
Fomos brindados com um parecer técnico de mais uma dessa entidades. Pouca gente dá importância ao que diz a Asbran, a Associação Brasileira de Nutrição. Você não está perdendo nada não sabendo quem são. Mas acaba sendo útil porque se eles pouco agregam, ao menos podemos ver como pensam, como enxergam sua especialidade.
 
Resolveram dessa vez falar com algo do qual, mesmo se intitulando especialistas, demonstram não ter o MENOR conhecimento, no caso, Jejum Intermitente.
 
Há tantas colocações ilógicas que me pergunto como fazer com que todos dessem seu aval para assinar. Deve ter havido tortura! Alô você da diretoria da Asbran, faça um gesto com a cabeça se estiver sob ameaça!
 
Dizer que “os protocolos sugeridos de jejum podem favorecer comportamentos de compulsão alimentar” é mais ou menos como dizer que pedir que um fumante deixe de fumar causa distúrbio. Bom, não vai ter jeito… vamos ter que deixá-lo fumar!
 
O texto é por si só ASSUSTADOR! A entidade associa obesidade ao sedentarismo… imagine quando descobrirem que foi apenas na década de 70 que Jane Fonda fez sucesso com a onda fitness e que a Maratona de NY é da mesma época! Dão a entender ainda que uma abordagem de restrição calórica é a abordagem padrão. SIM! O homem chegará em Marte e AINDA dirão que é o déficit calórico a causa primária do sobrepeso/obesidade!
 
Como disse, o texto é ASSUSTADOR! Há toda uma junta de profissionais INCAPAZES de não só entender, mas como seguidamente NEGAM a realidade! A entidade afirma não haver “subsídios científicos suficientes para que não seja seguido um padrão alimentar baseado em alimentação diária, com refeições fracionadas em 5 ou 6 porções ao longo do dia”. COMO É QUE É?!? Eles AINDA estão nessa ideia de comer de 3 em 3 horas?!?
 
Não é que os defensores do jejum que têm que dizer que ele é melhor. Ele SEMPRE existiu (pela falta de oferta alimentar) e SEMPRE foi praticado. É a ASBRAN que tem que explicar que 5-6 refeições ao dia é que o ideal, que é melhor, que não é inferior! E foi JUSTAMENTE quando essa prática passou a ser adotada, quando os EUA passaram de 3 para 5 refeições ao dia, que a obesidade EXPLODIU naquele país!
 
Quando a entidade fala em “amostra reduzida” e “segurança dessa prática em seres humanos” eu falo duas coisas:
 
1. O jejum é praticado com segurança por BILHÕES de pessoas por MILHARES de anos.
 
2. O tempo é a variável mais robusta de análise de segurança.
 
A Asbran, que tem meio século de história, está dando seu parecer de que algumas das obras e práticas mais longevas da humanidade estão equivocadas e são perigosas. Que certo estão eles. Que precisamos é perguntar (e pagar $$$, lógico) a eles o que fazer.
 
Como eu disse, ninguém liga para o que a Asbran diz, mas muitos de lá são professores universitários e irão replicar essas sandices aos alunos. O talento da Nutrição em fazer TUDO errado tem passado glorioso, e futuro promissor.
 
FUJA!
 
p.s.: Se a turma da Asbran tivesse lido os textos de Jason Fung (público e em português), Nassim Taleb (Antifrágil) e o paper ESPETACULAR de Mark Baker (fasting) não estariam na internet passando essa vergonha!

Sobre oferta, Saúde, Cronicidade & Obesidade

OU AINDA: o que a Nutrição aprende com o Esporte

No mundo do Esporte a coisa é bem simples: você observa o que fazem/fizeram os melhores e copia. Dando certo, você replica (*seu treinador de corrida dirá a você que o seu treino é individual). Dando “não tão certo” você ajusta. Dando errado você esquece.

A diferença básica entre Esporte e Nutrição é que no primeiro o profissional é avaliado pelos resultados, no segundo pelas intenções.

Nosso corpo ao longo dos milhares de anos de sua evolução foi moldado pela natureza para saber lidar, saber gerenciar picos. Já disse o poeta que “a dose faz o veneno”!

Picos eventuais (de glicemia, de consumo de álcool, de frequência cardíaca, na expressão da força…) não só NÃO fazem mal, como fazem BEM.

O Esporte entendeu isso MUITO bem. Qualquer treinador meia-boca sabe que para ficar forte, é preciso levantar muito peso (picos). E para correr uma Maratona é necessário vez ou outra correr muitos quilômetros. A Nutrição quando fala em “equilíbrio” na dieta dá a entender que entendeu tudo pelo avesso. Ou não entendeu NADA.

Um relatório do NCHS (EUA) revelou que em 24 horas 40% dos americanos terão feito AO MENOS UMA refeição em um fast-food. NÃO É coincidência que um dos países mais obesos e doentes do mundo tenha tamanha presença crônica em um fast-food.

Essa semana conversava com um cliente que se culpa por beber cerveja aos finais de semana.  Final do ano passado alguns “especialistas” que não sabem matemática disseram que não havia dose mínima saudável para o consumo de álcool. Aí quando você olha os números você descobre que aqueles que bebiam UM POUCO de álcool tinham resultados MELHORES que os abstêmios.

O álcool é um agressor ao corpo. Assim como e o jejum e o exercício. Sem jejum, dá ruim. Sem exercício, dá ruim também. Sem álcool… entendeu? O mesmo vale para o café/cafeína, para a sujeira e tantos outros.

O que a modernidade/tecnologia fez foi aumentar a oferta daquilo que antes era raro e caro (ex: açúcar, farináceos, álcool, fast-food, que oferece tudo isso…). Hoje tudo é barato e acessível.

Quando um profissional vem e fala para você REDUZIR o consumo de carboidrato (low-carb), ou o de alimentos industrializados/ultraprocessados (paleo), ou sugerir o jejum, ele está apenas fazendo o MESMO que faz um treinador bom. Ele está pedindo que você REPLIQUE o ambiente em que seu corpo foi criado.

Healthy food

Um “especialista” que fala que low-carb ou jejum fazem mal não entendeu ainda absolutamente NADA. E aquele que fala que paleo não faz sentido, bom… deixa pra lá.

*O que muitos adeptos da dieta carnívora AINDA não entenderam é que deve haver um consumo superior de carne. Assim como os extremistas “low-carbers” TAMBÉM não entenderam é que eventuais picos de glicemia TAMBÉM devem fazer bem. Mas viver em sociedade torna praticamente IMPOSSÍVEL que isto vez ou outra não aconteça. 

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Coma MUITO neste Natal!

As colunas e portais sobre Nutrição são originais como uma revista para adolescentes. Na Páscoa o “brigadeiro de biomassa”. Na Festa Junina a “pamonha de painço”. E no Natal, a Ceia Fit. Que morte horrível e dolorosa! Ninguém merece isso! Coma! E coma muito! Sabe por quê?

Porque Nutrição é sobre extremos

Não existe o menor sentido em pegar leve no Natal! Na natureza os animais comem até não aguentar mais e, havendo disponibilidade, comem daquilo que há: as mesmas frutas, a mesma gramínea, a mesma carne de zebra, os mesmos ovos roubados. A tese de que devemos variar a nossa dieta no curto prazo não encontra nenhum suporte na ciência nem na realidade. A variação pode e deve vir no longo prazo justamente porque é isso que causa o extremo tão bem-vindo, tão necessário.

As sociedades convivem desde sempre com ciclos de abundância e escassez ou jejum (o causado pela falta de alimentos ou o voluntário religioso). O que as diretrizes nutricionais, que têm enorme talento em nos adoecer e nos engordar, sugerem é que não façamos jejum (porque em uma espécie de delírio coletivo dos “especialistas”, dizem que faz mal) e recomendam que não façamos banquetes exagerados (pedem “moderação”, justamente o que NÃO existe na natureza, no mundo real fora das universidades).

FAST & FEAST (Jejum e Esbórnia)

Em julho eu devo comer algo como um hectare inteiro de milho. Em abril uns 5kg de Colomba. No Natal uns 7 panetones e 2,7 porcos. Por quê? Porque eu fiz a lição de casa. Eu fiz o Fast, é hora de poder, de ter direito a fazer o Feast! Comer muito no Natal é o poder deitar no domingo sem precisar fazer atividade física nenhuma porque você treinou forte ao longo da semana.

Não é porque eu posso, é porque quando observamos a realidade, algo que a Nutrição NÃO faz, você descobre que é assim que a humanidade caminhou até aqui! Com períodos de escassez (low-carb, jejum, atividade física…) seguidos de abundância e fartura.

Se você fez um, faça o outro sem medo NENHUM! E seja feliz!

Se você ainda está em dúvida, consultoria inbox! Sempre!

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Sobre o Agudo vs Crônico, a Escassez e a Abundância.

Ou ainda, como diz, Mark Baker:
A domesticação em excesso nos adoece.”

Há como a falta de água matar um indivíduo. Mas… e sua disponibilidade? Pode ELA acabar com a saúde de todo um povo?

!Kung faz parte de San, um povo africano que em sua história sempre foi nômade vivendo em meio ao deserto de Kalahari, enfrentando acesso restrito à água e animais de caça. Na metade do século passado (1960) imigrantes resolveram presenteá-los com 5 poços de água subterrâneos. Não havia mais a necessidade de serem nômades. Logo os animais ao redor foram todos caçados, o povo começou a viver de alimentos ricos em amido (de muito baixa densidade nutricional como são por essência os grãos) e outro problema apareceu.

Não foi só a dieta que empobreceu, se antes a natureza fazia o trabalho de reciclar as sobras, agora não mais perambulando o lixo se acumulava e as doenças típicas dizimavam o povo. Era o limiar da sede (ou o pouco e difícil acesso à água) que fazia a população de !Kung San viver com saúde. O fato de não saberem lidar com água abundante os fez doentes, famintos e miseráveis.

O mundo muda em uma velocidade a qual nossos genes não estão aptos. Dividimos com Hipócrates, o pai da Medicina, a mesma programação genética, mas vivemos em uma realidade em que nada se parece com a dele. Por isso tenho calafrios quando vejo profissional da saúde falar em “moderação”. Claramente essa pessoa nunca teve que lidar com viciados. NINGUÉM sugere moderação no uso de drogas. O mundo é sobre extremos, não equilíbrio!

Não, heroína e açúcar NÃO causam o mesmo estrago em uma dose. Mas para AMBOS temos uma programação genética que nos dá um comando do tipo “MAIS E MAIS”, que nos faz ir atrás de consumir cada vez mais dos dois.

Certa vez um grande amigo, usuário de cocaína me disse: ”Balu, NUNCA use porque é bom demais”. Não precisa ser toxicologista ou viciado para saber que a sensação deve ser mesmo. Quem conviveu com dependente químico sabe que não é uma questão de inteligência ou de fraqueza, mas de uma retroalimentação que substâncias como o açúcar causa que supera nossa força de vontade.

Quando falamos em saúde, o desafio de cada um em uma sociedade “domesticada” é reproduzir em parte o ambiente selvagem que moldou nossa genética por centenas de milhares de anos. A área da Educação Física faz isso muitíssimo bem recomendando que reproduzamos gestos físicos que a modernidade e a tecnologia não mais nos exige no dia-a-dia. Eu, Bacharel em Esporte, como ser humano que sou em primeiro lugar, digo que meus dias mais prazerosos são justamente aqueles em que eu NÃO treino (domingo, VIVA!). Em cada passo que dou correndo meu corpo e cérebro gritam para que eu pare, mas eu continuo, tentando para meu próprio bem reproduzir aquele ambiente ancestral e selvagem de movimento.

Nutricionistas que advogam contra o jejum e a restrição de carboidrato (grãos, farinhas e açúcar), mais do que ignorarem por completo o que mostram estudos MUITO bem controlados, ignoram algo essencial nessa estratégia. Que ela NÃO é sobre melhorar o mundo atual, mas tentar REPRODUZIR uma situação que a modernidade nos privou. E para a qual nossos genes não estão preparados. E, mais importante, é essencial a uma saúde plena. 

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Danilo Balu
autor

Low-carb e Corrida. Ou ainda: o corredor low-carb.

*texto originalmente publicado no Blog Recorrido.

Tomei a liberdade de roubar os prints que vão ao final desse texto para falar algo de um tema um tanto quanto atual: O CORREDOR LOW-CARB. No dia que escrevo esse texto descobri que duas meias maratonas deste final de semana tiveram palestrantes na retirada de kit falando sobre “suplementação de carboidrato em corredores (amadores)”.

Para falar sobre um assunto é essencial, fundamental diria, que aquele que fala entenda do fenômeno em questão. O quanto nutricionistas entendem de esporte e corrida? Pouco, bem pouco, quase nada. Não é o assunto de sua formação, por mais que alguns se ofendam com a afirmação.

Na corrida de longa distância temos que nos atentar a duas questões FUNDAMENTAIS, CRUCIAIS no desempenho. A primeira delas é que amadores e profissionais praticam dois esportes completamente diferentes. Enquanto um maratonista profissional corre 42km em pouco mais de 2h00, o atleta médio o faz em bem mais de 4h00. Qualquer livro vagabundo de fisiologia dirá o mesmo: são modalidades diferentes dentro de suas características metabólicas mais intrínsecas e fundamentais, ainda que tenham a mesma distância (*até por isso recomendar que maratona deva ser feita em split negativo carece de lógica, é apenas fé e raciocínio raso). Mesmo atletas amadores mais velozes, o bico da pirâmide, menos de 3%, correm 50% mais lento! Fisiologicamente eu não pratico o mesmo esporte que o Kenenisa Bekele!

MUITO do que envolve ATUALMENTE treinamento em academias de musculação é feito tomando como base o que foi feito em fisiculturistas ultradedicados meio século atrás que em seu protocolo corriqueiro envolvia consumo estratosféricos de substâncias proibidas anabolizantes, Pois bem, nutricionistas geralmente estabelecem protocolos de dieta em corredores amadores seguindo o que fazem alguns dos homens mais rápidos do mundo. Ou seja, aplicamos em pessoas normais que ficam 1h00 na academia duas vezes por semana o que faziam atletas diariamente que suavam recursos ergogênicos. Pedimos que um amador que corre 4h30 consuma de carboidrato o que come um queniano que faz 200km por semana e corre em 2h09. Faz sentido para você? A donos de academia e nutricionistas convencionais acham que faz. Ambos não têm skin in the game.

O QUE DETERMINA O SUCESSO NA CORRIDA?

Basicamente são 3 os fatores que determinam o sucesso de alguém (amador ou profissional) na longa distância. Um deles é bem básico e qualquer um pode imaginar. Há uma muito alta correlação positiva entre quem corre mais quilômetros e desempenho. Os atletas que correm 42km em 2h20 correm mais volume do que os que correm 3h00 que por sua vez correm mais do que os que correm em 3h40. Apenas revistas de corrida e treinadores que ainda não entenderam o jogo acreditam que ciclismo, natação e deep running fazem alguém correr mais do que… corrida!

O segundo fator que determina o sucesso é a capacidade do nosso corpo em dissipar calor. Não é à toa que as melhores marcas são obtidas em ambientes frios e secos (que nos ajudam a dissipar mais calor). Não é por acaso ainda que a elite corre usando regatas minúsculas e shortinhos. Por isso que para fazer uma Paula Radcliffe ou uma Shalane Flanagan usarem meia de compressão ou um Mo Farah usar manguitos você tem que investir muito dinheiro, porque eles sabem que aquilo os faz mais lentos. Amador paga para piorar a si próprio, a elite fatura alto para usar penduricalhos que sabidamente comprometem seu desempenho.

O treinamento e a vestimenta são feitos entre outras coisas para proporcionar que o corpo dissipe calor. Aí chegamos ao terceiro fator que contém relação grande com este segundo: o baixo peso do atleta. *gordura atrapalha a dissipação do calor, além de tornar mais ineficiente pela relação superfície/peso. Até mesmo músculos atrapalham esta relação, por isso você não encontra bons atletas fortes na longa distância.

O peso é tão crucial no desempenho que hoje sabemos que 100g a menos no peso do tênis aumenta em 1% a eficiência do atleta. Sim, apenas amadores lentos acham que tênis pesado pode ser bom. Mas quem quer mesmo correr rápido usa é calçado leve, com pouca entressola que só traz peso e ineficiência.

Esquecendo o equipamento, quando olhamos desempenho temos que: baixo peso é crucial.

Baixo peso é essencial no desempenho da corrida de longa distância

EIS QUE AQUI ENTRA O LOW-CARB

Nenhuma dieta torna mais fácil ou factível a vida de um atleta em se manter em baixo peso. Atualmente mais da metade da população está obesa ou com sobrepeso, acima do peso. E aí voltamos aos prints do começo do texto.

Existe uma crença na Nutrição (não corroborada pela prática) de que corredores amadores precisam de muito carboidrato para correr. A prática nos mostra que esse tipo de pessoa precisa de baixo peso, conseguir dissipar calor e correr muitos quilômetros. Reforçando: não existe uma correlação positiva entre maior consumo crônico de carboidrato e desempenho.

O ser humano retira energia na atividade física pela gordura E pelo carboidrato. Não importa quão radical seja sua dieta (low-fat ou low-carb), o corpo faz as duas coisas como dito em uma ótima analogia em um texto incrível de Mark Cuccuzella. Ele diz que nosso corpo correndo funciona como um veículo híbrido (com 2 tipos de combustível). E é mesmo, trata-se de uma mistura de carboidrato e gordura, não é algo binário entre um OU outro. É com o treinamento em longa distância, menor intensidade e/ou em baixa reserva de carboidrato que você aprimora esta via lipídica (de queima de gordura como combustível).

Por mais treinado que você esteja, não há como “aumentar” nosso tanque de glicogênio (carboidrato) para que ele tenha autonomia de 42km. Por outro lado, este tanque pode ser muito pequeno que ainda assim você tem combustível para correr 10km (por isso apenas desavisados usam gel em provas menores que uma São Silvestre). E ainda usando outro extremo, mesmo atletas magérrimos como os africanos da elite têm gordura corporal para correr 42km sem esgotar essas reservas.

Voltando ao ponto central, low-carb e corrida, temos que:

  1. Na corrida o baixo peso é essencial;
  2. É a dieta low-carb a maneira mais factível de mantermos baixo o nosso peso, algo fundamental à corrida;
  3. Não existe uma correlação positiva entre consumo crônico de carboidrato e desempenho.

Neste momento você deve estar se perguntando duas coisas:

Como vou correr sem carboidrato?

Como estará minha reserva de glicogênio ao final da prova? Não vou quebrar assim?

Primeiro, o corpo consegue correr, como dito, extraindo energia de ambos combustíveis, mas ele só “aprende” a ser eficiente queimando gordura na ausência/restrição do consumo de carboidrato, por isso se treina aquilo que pretendemos replicar em um evento esportivo. O estoque de glicogênio é bem limitado, o de gordura não. Um corredor muito bem adaptado é quase à prova de quebras. E isso exige treinar nessas condições de baixo carboidrato.

Por fim, nossas reservas de combustível.

Algo que surpreendeu até os maiores defensores de dietas low-carb ou cetogênica (very low-carb) é que as reservas de glicogênio desses atletas, ao contrário do que eles queriam muito acreditar, NÃO estavam maiores ao final da prova. Basicamente os atletas chegam na hora do sprint com o tanque igualmente vazio, mas apenas os low-carb têm a via metabólica treinada para continuar tirando energia de gorduras. Porém, aqui um aspecto sempre relegado, a reserva de glicogênio gera um peso extra. Para cada grama de glicogênio vão outros 4g de pura água.

Enfim, estou acabando (prometo!)… o esporte pauta muito de seus protocolos baseado naquilo que fazem os vencedores. E não há na corrida um grupo que tenha conseguido resultados expressivos, consistentes e duradouros com uma dieta low-carb ou cetogênica. Por que um amador deveria então ir nessa contramão? São 2 os motivos:

O primeiro é que os amadores não seguem NADA dos protocolos da elite, nem mesmo seu equipamento, mas insistem em usar suas estratégias alimentares. Não seguir sua dieta é apenas ser coerente.

E segundo porque uma dieta low-carb não é necessariamente ir na contramão do que fazem os melhores, mas é buscar um fator que é sabidamente decisivo para um melhor desempenho: baixo peso (que impacta positivamente ainda outro dos 3 fatores).

Para finalizar, repare nos valores da imagem inicial que reposto abaixo. A glicemia desta corredora amadora SUBIU após um treino LONGO em jejum. O temor teórico de que correr em low-carb ou jejum compromete nossa glicemia não sobrevive ao mais preguiçoso escrutínio. Entre o que diz o sonho do nutricionista tradicional e a prática da corrida, espero ter esclarecido alguns pontos. Entre a prática e a teoria, fico sempre com a prática.

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Qual o melhor Jejum? O de 16, 24 ou 48h?

Não se passam dias sem perguntarem: qual o melhor protocolo? Jejum de 16 ou de 24 horas? Escolher UM protocolo de jejum é como querer saber qual o melhor treino (10km em corrida contínua ou 6 tiros de 1km?). São coisas distintas, que não se anulam, que não se comparam. Peras não são melhores que laranjas, são diferentes em todas as suas nuances.

Confesso – é errado eu sei – que nutro certa pena de profissional de saúde (Educação Física ou Nutrição) que advogue contra o jejum. É sinal de que ainda não entenderam absolutamente nada. Nem de Risco, nem de Fisiologia, nem de História, nem do mais básico: nosso corpo responde de forma diferente, não-linearmente, a estímulos distintos. Se essa pessoa for orientar um maratonista, ela cometerá um erro que um corredor iletrado JAMAIS cometerá, ela dirá que correr 10km na 6ª feira, sábado e domingo é o mesmo que alguém fazer um longo de 30km no sábado descansando um dia antes e um depois.

Cargas iguais, efeitos diferentes. Nadar um dia com a água a 10C e outro a 46C é diferente de nadar 2 dias água a 28C. O mundo é não-linear. Por isso que restringir um pouco de alguns alimentos sempre é completamente diferente de restringir todo tipo de alimento algumas vezes. A oferta contínua de alimento vai contra tudo o que foi feito até agora quando falamos de evolução bem-sucedida (do contrário não estaríamos aqui).

Ainda não compreendemos direito as adaptações positivas que os diferentes jejuns (16, 24, 72h, uma semana) causam no corpo humano. Mas elas são inegáveis E seguras (só quem não entende nem estuda nada de risco afirma o contrário). O que sabemos é que são adaptações distintas, ainda que algumas se sobreponham. Querer saber exatamente quais elas são exatamente é inútil, desnecessário até, porque as explicações e teorias mudam, os seus efeitos não. Dormir faz bem. A explicação dos motivos pouco importa, seus benefícios seguem.

Assim como eu tenho umas metas de curto prazo, semanais, com treinamento (1 dia de tiro, 3 treinos leves, um longo, um de força…), tento fazer o mesmo com jejum (diferentes horas, treinando antes, treinando depois, jejuns mais longos…). Assim como você faz uma maratona por ano, por que não uma maratona de jejum? (*eu pretendo fazer ainda esse ano algo entre 3 e 5 dias, mas por que não um de 24h??)

Jejum não é dieta. É exatamente o oposto disso, é sobre não comer. Mas se você faz isso para emagrecer, é equivocado como correr para emagrecer, pois não é a melhor ferramenta. Jejum é sobre saúde. E os protocolos são tão diferentes que é impossível dizer qual o melhor. Mude, varie, mas faça!

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Hábito e Regras – Escassez em um mundo de abundância.

Costumo dizer que um dos maiores desafios do ser humano moderno no que diz respeito à saúde é, na Nutrição, aprender e conseguir viver em escassez em um mundo de abundância.

Já disse inúmeras vezes: é incompetente e ignorante o profissional que diz que na dieta deveria prevalecer o equilíbrio. Isso porque na natureza prevalecem sempre os extremos. Aqui entenda-se: número de refeições (baixo), jejuns intermitentes (com eventuais bem longos, de 48h ou mais) e consumo extremo de nutrientes (sim, baixo carboidrato e pouca atenção ou preocupação ao consumo diário e regular de alguns micronutrientes).

Nossa sociedade está doente porque encontra açúcar na forma mais barata e abundante como jamais obteve em toda nossa história. Somos programados biologicamente para obter enorme prazer nele. Veja o sorvete, por exemplo. É fonte de algo que você nunca encontra na natureza: uma combinação de açúcar e gordura!

Por isso você não consegue parar de tomar, quebrar esse estímulo supernormal. Por isso também temos que forçar voluntariamente que seu consumo seja apenas ocasionalmente.

Com atividade física é parecido (carros, elevadores, malas de rodinha…). O conforto do mundo moderno nos obriga a regularmente buscarmos desconforto físico fazendo alguma atividade física. Novamente aqui o extremo. Você perde tempo se vai à academia e faz qualquer coisa com mais de 15 repetições seguidas ou corre mais de 1h00 e não quer um recorde pessoal na Maratona. Quando falamos de saúde você tem que fazer força, Bastante. (ou se enganar, lógico, sempre há essa possibilidade)

Tempo atrás escrevi sobre “regras mentais” e o porquê acredito nelas. Existem diversas teorias sobre força de vontade, hábito, etc (sim, também como muitos de vocês, li o best-seller “O Poder do Hábito”). Algumas hipóteses dizem que nossa força de vontade é finita no ciclo de um dia. Não sei, pouco me importa. O que eu sei é que é muito mais fácil quando tiramos uma decisão de discussão, quando você torna algo inegociável. Por exemplo: usar cinto de segurança. Você não se pergunta se deve ou não usá-lo. Particularmente faço isso com correr, escovar os dentes, dirigir sóbrio… Eu nunca me pergunto se devo correr diariamente (eu corro), se devo escovar o dente (escovo) ou não dirigir depois de beber (não dirijo).

Oriento e sugiro alguns dos meus clientes da mesma forma. Eu não tomo Coca-Cola Zero nem sobremesa no almoço (sou viciado em Coca Zero). Está fora de questão. Não como tapioca quando não treino. Sorvete de flocos apenas na rua porque em casa não tenho maturidade para não matar os 2L em uma sentada. Aos finais de semana não faço duas refeições ruins seguidas. Porque sou bobo? (não responda!) Porque esse (não citei todas as regras) é meu jeito de viver em escassez em um mundo de abundância.

Acredito demais que estabelecer algumas regras que me empurrem para um hábito mais saudável ainda que tire parte de um prazer tão barato e alcançável é o jeito factível de não cair na armadilha de achar que vou conseguir dizer “não” a algo a que somos biologicamente programados a querer e buscar mais do que devíamos, já que tempo atrás a norma era viver em escassez em um mundo de… escassez.

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Corrida e Jejum

OU: A CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO NÃO SOBREVIVE À REALIDADE

Se não fossem leitores nem me lembraria mais… fui consultado para falar de Jejum e Corrida em uma matéria pro portal “Sua Corrida“. Resumidamente:

– “É mais eficiente para queimar gordura?
Não, mas em quem tem sobrepeso (maioria dos corredores amadores) ajuda e não é pouco.

– “Qualquer tipo de exercício pode ser feito em jejum?
Praticamente.

– “É perigoso para a saúde?
Não!

– “Vou eliminar massa magra?
NÃO!

– “Qualquer pessoa pode?
Praticamente!

Óbvio que estão na matéria medos, delírios e mitos mesmo de profissionais que apelam ao achismo ignorando evidências (“jejum engorda, queima massa magra…”). Mas o que MAIS me chamou atenção na matéria ficou nos comentários no post original no Facebook. Há dezenas de comentários de pessoas que correm sempre ou muitos quilômetros em jejum.

Sempre que vejo os ~especialistas~ de Nutrição falando acho que vivem em uma bolha, num mundo à parte. Jejum é moda? Faz mal? Profissional de Saúde que diz isso é descolado da realidade. Jejum se faz há milhares de anos e estudos não faltam! Pregam um mundo que eles sonham, não um que acontece na vida real.

Se diretriz nutricional diz que faz mal, é porque deve fazer bem… Se diz que faz bem, certifique-se… a profissão tem enorme talento pra errar sempre!

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