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Low-carb e Corrida. Ou ainda: o corredor low-carb.

*texto originalmente publicado no Blog Recorrido.

Tomei a liberdade de roubar os prints que vão ao final desse texto para falar algo de um tema um tanto quanto atual: O CORREDOR LOW-CARB. No dia que escrevo esse texto descobri que duas meias maratonas deste final de semana tiveram palestrantes na retirada de kit falando sobre “suplementação de carboidrato em corredores (amadores)”.

Para falar sobre um assunto é essencial, fundamental diria, que aquele que fala entenda do fenômeno em questão. O quanto nutricionistas entendem de esporte e corrida? Pouco, bem pouco, quase nada. Não é o assunto de sua formação, por mais que alguns se ofendam com a afirmação.

Na corrida de longa distância temos que nos atentar a duas questões FUNDAMENTAIS, CRUCIAIS no desempenho. A primeira delas é que amadores e profissionais praticam dois esportes completamente diferentes. Enquanto um maratonista profissional corre 42km em pouco mais de 2h00, o atleta médio o faz em bem mais de 4h00. Qualquer livro vagabundo de fisiologia dirá o mesmo: são modalidades diferentes dentro de suas características metabólicas mais intrínsecas e fundamentais, ainda que tenham a mesma distância (*até por isso recomendar que maratona deva ser feita em split negativo carece de lógica, é apenas fé e raciocínio raso). Mesmo atletas amadores mais velozes, o bico da pirâmide, menos de 3%, correm 50% mais lento! Fisiologicamente eu não pratico o mesmo esporte que o Kenenisa Bekele!

MUITO do que envolve ATUALMENTE treinamento em academias de musculação é feito tomando como base o que foi feito em fisiculturistas ultradedicados meio século atrás que em seu protocolo corriqueiro envolvia consumo estratosféricos de substâncias proibidas anabolizantes, Pois bem, nutricionistas geralmente estabelecem protocolos de dieta em corredores amadores seguindo o que fazem alguns dos homens mais rápidos do mundo. Ou seja, aplicamos em pessoas normais que ficam 1h00 na academia duas vezes por semana o que faziam atletas diariamente que suavam recursos ergogênicos. Pedimos que um amador que corre 4h30 consuma de carboidrato o que come um queniano que faz 200km por semana e corre em 2h09. Faz sentido para você? A donos de academia e nutricionistas convencionais acham que faz. Ambos não têm skin in the game.

O QUE DETERMINA O SUCESSO NA CORRIDA?

Basicamente são 3 os fatores que determinam o sucesso de alguém (amador ou profissional) na longa distância. Um deles é bem básico e qualquer um pode imaginar. Há uma muito alta correlação positiva entre quem corre mais quilômetros e desempenho. Os atletas que correm 42km em 2h20 correm mais volume do que os que correm 3h00 que por sua vez correm mais do que os que correm em 3h40. Apenas revistas de corrida e treinadores que ainda não entenderam o jogo acreditam que ciclismo, natação e deep running fazem alguém correr mais do que… corrida!

O segundo fator que determina o sucesso é a capacidade do nosso corpo em dissipar calor. Não é à toa que as melhores marcas são obtidas em ambientes frios e secos (que nos ajudam a dissipar mais calor). Não é por acaso ainda que a elite corre usando regatas minúsculas e shortinhos. Por isso que para fazer uma Paula Radcliffe ou uma Shalane Flanagan usarem meia de compressão ou um Mo Farah usar manguitos você tem que investir muito dinheiro, porque eles sabem que aquilo os faz mais lentos. Amador paga para piorar a si próprio, a elite fatura alto para usar penduricalhos que sabidamente comprometem seu desempenho.

O treinamento e a vestimenta são feitos entre outras coisas para proporcionar que o corpo dissipe calor. Aí chegamos ao terceiro fator que contém relação grande com este segundo: o baixo peso do atleta. *gordura atrapalha a dissipação do calor, além de tornar mais ineficiente pela relação superfície/peso. Até mesmo músculos atrapalham esta relação, por isso você não encontra bons atletas fortes na longa distância.

O peso é tão crucial no desempenho que hoje sabemos que 100g a menos no peso do tênis aumenta em 1% a eficiência do atleta. Sim, apenas amadores lentos acham que tênis pesado pode ser bom. Mas quem quer mesmo correr rápido usa é calçado leve, com pouca entressola que só traz peso e ineficiência.

Esquecendo o equipamento, quando olhamos desempenho temos que: baixo peso é crucial.

Baixo peso é essencial no desempenho da corrida de longa distância

EIS QUE AQUI ENTRA O LOW-CARB

Nenhuma dieta torna mais fácil ou factível a vida de um atleta em se manter em baixo peso. Atualmente mais da metade da população está obesa ou com sobrepeso, acima do peso. E aí voltamos aos prints do começo do texto.

Existe uma crença na Nutrição (não corroborada pela prática) de que corredores amadores precisam de muito carboidrato para correr. A prática nos mostra que esse tipo de pessoa precisa de baixo peso, conseguir dissipar calor e correr muitos quilômetros. Reforçando: não existe uma correlação positiva entre maior consumo crônico de carboidrato e desempenho.

O ser humano retira energia na atividade física pela gordura E pelo carboidrato. Não importa quão radical seja sua dieta (low-fat ou low-carb), o corpo faz as duas coisas como dito em uma ótima analogia em um texto incrível de Mark Cuccuzella. Ele diz que nosso corpo correndo funciona como um veículo híbrido (com 2 tipos de combustível). E é mesmo, trata-se de uma mistura de carboidrato e gordura, não é algo binário entre um OU outro. É com o treinamento em longa distância, menor intensidade e/ou em baixa reserva de carboidrato que você aprimora esta via lipídica (de queima de gordura como combustível).

Por mais treinado que você esteja, não há como “aumentar” nosso tanque de glicogênio (carboidrato) para que ele tenha autonomia de 42km. Por outro lado, este tanque pode ser muito pequeno que ainda assim você tem combustível para correr 10km (por isso apenas desavisados usam gel em provas menores que uma São Silvestre). E ainda usando outro extremo, mesmo atletas magérrimos como os africanos da elite têm gordura corporal para correr 42km sem esgotar essas reservas.

Voltando ao ponto central, low-carb e corrida, temos que:

  1. Na corrida o baixo peso é essencial;
  2. É a dieta low-carb a maneira mais factível de mantermos baixo o nosso peso, algo fundamental à corrida;
  3. Não existe uma correlação positiva entre consumo crônico de carboidrato e desempenho.

Neste momento você deve estar se perguntando duas coisas:

Como vou correr sem carboidrato?

Como estará minha reserva de glicogênio ao final da prova? Não vou quebrar assim?

Primeiro, o corpo consegue correr, como dito, extraindo energia de ambos combustíveis, mas ele só “aprende” a ser eficiente queimando gordura na ausência/restrição do consumo de carboidrato, por isso se treina aquilo que pretendemos replicar em um evento esportivo. O estoque de glicogênio é bem limitado, o de gordura não. Um corredor muito bem adaptado é quase à prova de quebras. E isso exige treinar nessas condições de baixo carboidrato.

Por fim, nossas reservas de combustível.

Algo que surpreendeu até os maiores defensores de dietas low-carb ou cetogênica (very low-carb) é que as reservas de glicogênio desses atletas, ao contrário do que eles queriam muito acreditar, NÃO estavam maiores ao final da prova. Basicamente os atletas chegam na hora do sprint com o tanque igualmente vazio, mas apenas os low-carb têm a via metabólica treinada para continuar tirando energia de gorduras. Porém, aqui um aspecto sempre relegado, a reserva de glicogênio gera um peso extra. Para cada grama de glicogênio vão outros 4g de pura água.

Enfim, estou acabando (prometo!)… o esporte pauta muito de seus protocolos baseado naquilo que fazem os vencedores. E não há na corrida um grupo que tenha conseguido resultados expressivos, consistentes e duradouros com uma dieta low-carb ou cetogênica. Por que um amador deveria então ir nessa contramão? São 2 os motivos:

O primeiro é que os amadores não seguem NADA dos protocolos da elite, nem mesmo seu equipamento, mas insistem em usar suas estratégias alimentares. Não seguir sua dieta é apenas ser coerente.

E segundo porque uma dieta low-carb não é necessariamente ir na contramão do que fazem os melhores, mas é buscar um fator que é sabidamente decisivo para um melhor desempenho: baixo peso (que impacta positivamente ainda outro dos 3 fatores).

Para finalizar, repare nos valores da imagem inicial que reposto abaixo. A glicemia desta corredora amadora SUBIU após um treino LONGO em jejum. O temor teórico de que correr em low-carb ou jejum compromete nossa glicemia não sobrevive ao mais preguiçoso escrutínio. Entre o que diz o sonho do nutricionista tradicional e a prática da corrida, espero ter esclarecido alguns pontos. Entre a prática e a teoria, fico sempre com a prática.

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Qual o melhor Jejum? O de 16, 24 ou 48h?

Não se passam dias sem perguntarem: qual o melhor protocolo? Jejum de 16 ou de 24 horas? Escolher UM protocolo de jejum é como querer saber qual o melhor treino (10km em corrida contínua ou 6 tiros de 1km?). São coisas distintas, que não se anulam, que não se comparam. Peras não são melhores que laranjas, são diferentes em todas as suas nuances.

Confesso – é errado eu sei – que nutro certa pena de profissional de saúde (Educação Física ou Nutrição) que advogue contra o jejum. É sinal de que ainda não entenderam absolutamente nada. Nem de Risco, nem de Fisiologia, nem de História, nem do mais básico: nosso corpo responde de forma diferente, não-linearmente, a estímulos distintos. Se essa pessoa for orientar um maratonista, ela cometerá um erro que um corredor iletrado JAMAIS cometerá, ela dirá que correr 10km na 6ª feira, sábado e domingo é o mesmo que alguém fazer um longo de 30km no sábado descansando um dia antes e um depois.

Cargas iguais, efeitos diferentes. Nadar um dia com a água a 10C e outro a 46C é diferente de nadar 2 dias água a 28C. O mundo é não-linear. Por isso que restringir um pouco de alguns alimentos sempre é completamente diferente de restringir todo tipo de alimento algumas vezes. A oferta contínua de alimento vai contra tudo o que foi feito até agora quando falamos de evolução bem-sucedida (do contrário não estaríamos aqui).

Ainda não compreendemos direito as adaptações positivas que os diferentes jejuns (16, 24, 72h, uma semana) causam no corpo humano. Mas elas são inegáveis E seguras (só quem não entende nem estuda nada de risco afirma o contrário). O que sabemos é que são adaptações distintas, ainda que algumas se sobreponham. Querer saber exatamente quais elas são exatamente é inútil, desnecessário até, porque as explicações e teorias mudam, os seus efeitos não. Dormir faz bem. A explicação dos motivos pouco importa, seus benefícios seguem.

Assim como eu tenho umas metas de curto prazo, semanais, com treinamento (1 dia de tiro, 3 treinos leves, um longo, um de força…), tento fazer o mesmo com jejum (diferentes horas, treinando antes, treinando depois, jejuns mais longos…). Assim como você faz uma maratona por ano, por que não uma maratona de jejum? (*eu pretendo fazer ainda esse ano algo entre 3 e 5 dias, mas por que não um de 24h??)

Jejum não é dieta. É exatamente o oposto disso, é sobre não comer. Mas se você faz isso para emagrecer, é equivocado como correr para emagrecer, pois não é a melhor ferramenta. Jejum é sobre saúde. E os protocolos são tão diferentes que é impossível dizer qual o melhor. Mude, varie, mas faça!

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Hábito e Regras – Escassez em um mundo de abundância.

Costumo dizer que um dos maiores desafios do ser humano moderno no que diz respeito à saúde é, na Nutrição, aprender e conseguir viver em escassez em um mundo de abundância.

Já disse inúmeras vezes: é incompetente e ignorante o profissional que diz que na dieta deveria prevalecer o equilíbrio. Isso porque na natureza prevalecem sempre os extremos. Aqui entenda-se: número de refeições (baixo), jejuns intermitentes (com eventuais bem longos, de 48h ou mais) e consumo extremo de nutrientes (sim, baixo carboidrato e pouca atenção ou preocupação ao consumo diário e regular de alguns micronutrientes).

Nossa sociedade está doente porque encontra açúcar na forma mais barata e abundante como jamais obteve em toda nossa história. Somos programados biologicamente para obter enorme prazer nele. Veja o sorvete, por exemplo. É fonte de algo que você nunca encontra na natureza: uma combinação de açúcar e gordura!

Por isso você não consegue parar de tomar, quebrar esse estímulo supernormal. Por isso também temos que forçar voluntariamente que seu consumo seja apenas ocasionalmente.

Com atividade física é parecido (carros, elevadores, malas de rodinha…). O conforto do mundo moderno nos obriga a regularmente buscarmos desconforto físico fazendo alguma atividade física. Novamente aqui o extremo. Você perde tempo se vai à academia e faz qualquer coisa com mais de 15 repetições seguidas ou corre mais de 1h00 e não quer um recorde pessoal na Maratona. Quando falamos de saúde você tem que fazer força, Bastante. (ou se enganar, lógico, sempre há essa possibilidade)

Tempo atrás escrevi sobre “regras mentais” e o porquê acredito nelas. Existem diversas teorias sobre força de vontade, hábito, etc (sim, também como muitos de vocês, li o best-seller “O Poder do Hábito”). Algumas hipóteses dizem que nossa força de vontade é finita no ciclo de um dia. Não sei, pouco me importa. O que eu sei é que é muito mais fácil quando tiramos uma decisão de discussão, quando você torna algo inegociável. Por exemplo: usar cinto de segurança. Você não se pergunta se deve ou não usá-lo. Particularmente faço isso com correr, escovar os dentes, dirigir sóbrio… Eu nunca me pergunto se devo correr diariamente (eu corro), se devo escovar o dente (escovo) ou não dirigir depois de beber (não dirijo).

Oriento e sugiro alguns dos meus clientes da mesma forma. Eu não tomo Coca-Cola Zero nem sobremesa no almoço (sou viciado em Coca Zero). Está fora de questão. Não como tapioca quando não treino. Sorvete de flocos apenas na rua porque em casa não tenho maturidade para não matar os 2L em uma sentada. Aos finais de semana não faço duas refeições ruins seguidas. Porque sou bobo? (não responda!) Porque esse (não citei todas as regras) é meu jeito de viver em escassez em um mundo de abundância.

Acredito demais que estabelecer algumas regras que me empurrem para um hábito mais saudável ainda que tire parte de um prazer tão barato e alcançável é o jeito factível de não cair na armadilha de achar que vou conseguir dizer “não” a algo a que somos biologicamente programados a querer e buscar mais do que devíamos, já que tempo atrás a norma era viver em escassez em um mundo de… escassez.

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Corrida e Jejum

OU: A CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO NÃO SOBREVIVE À REALIDADE

Se não fossem leitores nem me lembraria mais… fui consultado para falar de Jejum e Corrida em uma matéria pro portal “Sua Corrida“. Resumidamente:

– “É mais eficiente para queimar gordura?
Não, mas em quem tem sobrepeso (maioria dos corredores amadores) ajuda e não é pouco.

– “Qualquer tipo de exercício pode ser feito em jejum?
Praticamente.

– “É perigoso para a saúde?
Não!

– “Vou eliminar massa magra?
NÃO!

– “Qualquer pessoa pode?
Praticamente!

Óbvio que estão na matéria medos, delírios e mitos mesmo de profissionais que apelam ao achismo ignorando evidências (“jejum engorda, queima massa magra…”). Mas o que MAIS me chamou atenção na matéria ficou nos comentários no post original no Facebook. Há dezenas de comentários de pessoas que correm sempre ou muitos quilômetros em jejum.

Sempre que vejo os ~especialistas~ de Nutrição falando acho que vivem em uma bolha, num mundo à parte. Jejum é moda? Faz mal? Profissional de Saúde que diz isso é descolado da realidade. Jejum se faz há milhares de anos e estudos não faltam! Pregam um mundo que eles sonham, não um que acontece na vida real.

Se diretriz nutricional diz que faz mal, é porque deve fazer bem… Se diz que faz bem, certifique-se… a profissão tem enorme talento pra errar sempre!

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Nutrição não é sobre equilíbrio.

Ou ainda:
NUM MUNDO DE EXTREMOS, FUJA DO NUTRICIONISTA QUE SUGERE “DIETA BALANCEADA”

Poucas coisas dizem mais da ignorância (ou inutilidade) de um nutricionista que seu discurso de “equilíbrio na dieta” ou ainda o “uma dieta deve ser balanceada”. Primeiro porque isso não existe, não sabemos ainda exatamente o que o ser humano necessita em termos de nutrientes. Não há como balancear aquilo que não se sabe. O que dizer então de calcular isso individualmente? E segundo porque nada é pior ao organismo do que o equilíbrio.

Para entendermos vamos ter que antes atropelar um pouco a ignorância técnica ou conceitual dos profissionais que alegam que o jejum seria nocivo e/ou perigoso. Temos assim que partir da premissa de que o ser humano é onívoro. Esta nossa particularidade, esta capacidade intrínseca de nos alimentarmos de tudo, tanto de vegetais como de animais, é resultado primeiramente e necessariamente de uma resposta às características dos mais variados ambientes. Esses ambientes, antes da invenção dos supermercados 24 horas, nos ofereciam, nos disponibilizavam alimentos de forma não planejada, casual. Ou seja, em série, porém, NÃO-linear.

Aqui vale saber ainda que a especialização é uma resposta a um ambiente, a um habitat muito estável, com poucas mudanças bruscas. Veja animais como os ursos pandas, com um tipo de alimento bem mais definido, por exemplo. Já a diversificação da alimentação nos onívoros decorre, tem que vir, como resposta à variedade.

Isto por si só mostraria ser ainda mais fundamental, quando falamos de melhor saúde, de remover aleatoriamente (voluntariamente) algumas refeições, replicando o que ocorria antes do advento do delivery 24h, quebrando a estabilidade da oferta e consumo de alimentos. E aqui um contrassenso na ortodoxia da Nutrição: eles condenam o jejum, pregam o nonsense das 6 refeições por dia (ou a cada 3 horas), mas sua ignorância é incapaz de enxergar que até nisso há uma espécie de irregularidade, mas que nem de longe mimetiza a irregularidade e a aleatoriedade da natureza.

E vamos entender o porquê agora.

Herbívoros são submetidos a muito menos aleatoriedade do que os animais estritamente carnívoros que devem caçar seu alimento (que vive a fugir, diferente dos arbustos que não fogem das girafas). Enquanto o herbívoro passa o dia comendo de forma uniforme, o carnívoro tem picos de acesso ao alimento (por sorte, acaso ou por competência). O cavalo tem acesso baixo e constante de carboidratos, o leopardo tem picos grandes de proteína e gordura.

Aqui temos a primeira diferença do que prega a Nutrição tradicional: pratos balanceados em macronutrientes não existem em outro lugar que não seja no delírio da cabeça desse nutricionista. Esse nutricionista acha que o mundo real é como sua teoria sem embasamento. Nós, pessoas normais, sabemos que a realidade é completamente diferente do que ele sonha. Um lobo (ou caso você prefira um chimpanzé, o animal biologicamente mais próximo a nós, proximidade maior que a dele com o gorila) não sai a caçar e depois recolher folhas, alguns legumes, um pouco de água e frutas de baixo açúcar de sobremesa. Não! Na natureza a alimentação é sempre de extremos.

*aqui talvez valha dizer que a medicina chinesa, que bem pouco conheço, prega que deve haver foco maior em um grupo de alimentos (macronutrientes) por refeição, o que faz todo sentido.

Pois agora, então, temos que nossas proteínas (e gordura) devem ser consumidas aleatoriamente no tempo. Por sua vez, o nutricionista prega que deve haver equilíbrio (nada mais errado), horários marcados, porcionados, porque não consegue compreender que este equilíbrio NÃO é preciso que seja em todas as refeições ou mesmo todos os dias, mas alcançado de forma gradual, em prazos muito maiores. Isso porque alcançar equilíbrio desta forma frequente, em todos os dias e todas refeições, é muito diferente do que alcançá-la em prazos mais longos (na verdade, veremos, é pior).

E para explicar isso, é necessário introduzir um matemático amador que nunca sequer ocupou qualquer posição acadêmica. O dinamarquês Johan Ludwig Jensen em 1906 provou um teorema que ganhou nome em sua homenagem. Na “Desigualdade de Jensen”, quando ela for aplicável, a irregularidade pode tornar-se a melhor solução. Isso porque ela se fundamenta no fato das consequências de a média serem muito diferentes da irregularidade.

Vale citar um exemplo prático: quando atravessamos a pé um rio não basta sabermos apenas a profundidade média deste rio. Há muita coisa mais importante que a média, que oferece resultados bem diferentes. A Desigualdade de Jensen estabelece que há uma relação NÃO-linear entre uma causa e efeito. É mais ou menos assim: se uma causa X gera efeito Y e uma causa A gera efeito B. Essa propriedade estabelece que o efeito resultante da causa de magnitude (X+A)/2 é diferente dos efeitos já observados, isto é, (Y+B)/2. É bem diferente você nadar em uma piscina a 28 graus, a nadar um dia a 0C, em outro a 56C. São efeitos diferentes, ainda que 56/2 seja 28!

Temos certa facilidade para aceitar essa ideia de não-linearidade quando falamos em Química, ou mesmo treinamento físico, mas a Nutrição simplesmente ignora sua validade em suas diretrizes. Ou seja, com ela temos que há uma enorme e considerável diferença entre consumir uma dieta (argh!) balanceada de uma em série, de forma aleatória. Somos onívoros, adaptados à variação, mas ela NÃO significa ser na mesma refeição.

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Em organismos vivos a privação é antes de tudo um agente estressor, e o estresse é fundamental em nossa adaptação quando oferecido depois um tempo de recuperação. Pense nisso colocando a atividade física como estressor. Não deixa de ser surreal que um nutricionista que diga para você comer a cada 3 horas um prato variado, apoie também que você faça exercício. O princípio estressor da fome, da ausência de alimentos (ou de um macronutriente), é o mesmo da atividade física!

O que a Desigualdade de Jensen vai estabelecer na Nutrição é que consumir proteína de modo estável 3 (ou 4 ou 6) vezes ao dia NÃO é o mesmo que consumir pontualmente. Isso porque nossas reações metabólicas não são jamais lineares. Basicamente, podemos dizer que se um organismo é antifrágil a uma determinada substância (o somos à proteína!), é melhor fazer com que ela seja distribuída aleatoriamente, em vez de ser fornecida de modo constante.

**já escrevi um texto falando que somos frágeis, isto é, o oposto a antifrágil, ao carboidrato.

Acredito que todo mundo com um pouco de interesse em nutrição já ouviu falar da Dieta Mediterrânea, que, além de ser um espantalho, um Frankstein, contém mais equívocos de interpretação (uma vez que ela na prática simplesmente NÃO existe e que na região os melhores benefícios foram encontrados entre aqueles que consumiam mais carne vermelha, mas a turma do low-fat vive escondendo e ignorando esse fato) que acertos. Um dos equívocos, um erro seletivo proposital de quem molda seu discurso com a liberdade artística como se fosse um poema, é o de ignorar que os analisados faziam jejum. Para ser mais preciso, a igreja ortodoxa grega defende quase 200 dias de jejum por ano, um período de 40 dias sem quase nenhum produto de origem animal, nem açúcar ou azeite. Quem diz gostar da Dieta Mediterrânea faz qualquer coisa próximo a isso? Improvável. Assim você nega boa parte, senão a maior parte de seu benéfico conteúdo. Como é difícil, ficamos apenas com a parte de besuntar a comida em azeite, um alimento que, ao contrário do estresse, não tem nada de essencial.

*****

Os profissionais da saúde têm em suas diretrizes uma enorme dificuldade em lidar com a escassez em um mundo de excessos. Negam o jejum, subestimam e negam seus benefícios recomendando um bom café da manhã, algo sem evidência sólida. Não fomos “criados” ganhando alimentos sem gasto de energia. Na natureza não existe caça por prazer, mas por necessidade.

Mas antes que se apele às agruras de miseráveis e prisioneiros de guerra como contraponto ao jejum, talvez surpreenda saber que os prisioneiros dos campos de concentração ficavam menos doentes na primeira fase de restrição calórica para só então adoecerem. Reforçando: jejum é sobre retomar a não-linearidade ainda que de forma limitada, no consumo de alimentos, respeitando nossas propriedades biológicas mais fundamentais.

*****

Somos instruídos pelas diretrizes governamentais a ingerir determinadas quantidades de nutrientes diariamente em determinadas quantidades. Vamos por agora ignorar completamente a enorme falta de rigor empírico nesses valores determinados. A busca por essa regularidade vai de encontro à aleatoriedade de oferta proteica e de gordura animal à que fomos “construídos” (Desigualdade de Jensen) e fere ainda o princípio de extremos nas refeições (ou herbívoro ou carnívoro). As diretrizes em sua ignorância (por acharem que não existe aquilo que elas não veem) não entendem que a constância gera resultados muito diferentes (e piores) que a desigualdade ou a aleatoriedade.

Ao negarmos ausência de algumas refeições ou nutrientes, negamos a hormese. Hormese é sobre quando uma baixa dose de uma substância nociva ser de fato benéfica ao organismo quando em baixa quantidade. É quando o organismo se beneficia dos pequenos danos diretos a si mesmo. Não sendo em quantidade muito elevada, ela age assim para beneficiar o organismo e torná-lo melhor de maneira geral. Ou como diz Nassim Talebas máquinas são prejudicadas por agentes estressores de baixo impacto (fadiga do material), os organismos são prejudicados pela AUSÊNCIA de agentes estressores de baixo impacto (hormese).

Ou seja, podemos resumir dizendo que comer regularmente e de forma (argh!) balanceada é ruim e priva o nosso organismo desse agente estressor, podendo fazer vivermos menos que nosso real potencial completo. Basta lembrarmos que é mais do que provável não ser mera coincidência que a população americana nos últimos 40 anos dobrou seu número de refeições diárias enquanto engordou e adoeceu.

Dieta Balanceada? Equilíbrio? É tudo o que um Nutricionista jamais deveria pregar. A menos que ele faça alguma ideia daquilo que fala.
 
*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (você encontra a versão impressa aqui)

No meio do caminho havia uma pedra. Mas segundo a especialista era integral, então OK!

Tempo atrás eu vinha sentado em um ônibus e à minha frente havia duas mulheres. Uma bem gordinha, mal cabia no assento. Sua amiga era magra. No meio do trajeto a gordinha abre uma lancheira térmica, puxa um entre 3 tupperwares e tira um garfo plástico para comer frutas.

Apesar do enorme sobrepeso, ela tinha uma missão que o inconveniente de ser em um ônibus, ainda que vazio, não podia ser postergada: dar umas garfadas para comer alguns pedaços de frutas. Essa garota não tinha fome. O tamanho dela me faz ter certeza que se tivesse, ela teria que comer mais, comida na lancheira não faltava. Aquilo era uma tarefa, claramente instruída por um especialista.

É irônico que ano passado o Nobel vá para um defensor do jejum e o deste ano a um que estude o ciclo circadiano (relógio biológico). É tudo muito lógico que dentre as duas que vinham à minha frente, a com grande sobrepeso fosse a instruída a comer melhor e menos vezes. Mas na lógica da nutrição essa mulher tem que comer mais vezes! Faz sentido?

NENHUM, eu sei! Você não precisa me responder! Os americanos quando passaram a comer mais vezes viram explodir os índices de obesidade. As diretrizes estão erradas? Dirão que não, dirão que eles não comeram melhor. A culpa é sempre de quem tomaria o remédio de forma errada, não de quem prescreveu um remédio nunca testado.

Saí de lá com a certeza que aquela mulher vai continuar mal cabendo no banco do transporte público ainda que ela faça tudo o que o especialista mande. É bem triste. É desesperador.

*a magra não comeu um pedaço de fruta sequer. Coincidência? 
**Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (você encontra a versão impressa aqui)

Sílvio Santos, Jejum e Nutrição.

É sintomático que dois memes de Nutrição tenham sido compartilhados na mesma semana. Já chego a eles.

No âmbito das relações humanas e profissionais, uma é defendida por quem detém via Estado o monopólio de um setor: o atendimento a quem quer emagrecer. Você nunca tem dificuldades para encontrar Nutricionista e Educador Físico dizendo que você deve ir a um deles caso queira cuidar da sua saúde e da dieta. Porém, há um aspecto crucial na área da saúde. É o que chamamos de Dissociação de Interesses. Um quer dinheiro, o outro quer saúde (*e NÃO há problema ALGUM nisso). Duvida? Eu poderia dar consultoria a alguém por 10 anos (como dou ao mesmo cliente há mais de 10 anos). Ele me paga mensalmente. Gratuitamente eu faria isso por talvez 10 semanas, não mais. Leve essa proposta ao profissional da saúde que lhe diz que a maior preocupação dele é com a sua saúde. Reforço: não há crime aqui!

Porém, no campo das ideias quem decide quem é e quem não é especialista é o TEMPO, não o Estado, não uma carteirinha de uma classe profissional que só serve para sugar o trabalho alheio sem precisar entregar NADA. Isso mesmo: CRN e qualquer outro “C” ganha dinheiro sem precisar fazer NADA. VOCÊ quem trabalha para sustentar vagabundo. *mas é divertido que você não tem nenhum trabalho para encontrar muita gente que ache normal. É até curioso que implicitamente fique aqui um reconhecimento de que essa pessoa não se sinta nem segura sem alguém o atestando que ele seja útil para algo.

Tempo atrás conheci o Efeito Lindy, que é uma das heurísticas mais robustas que existem. O efeito diz que a expectativa de vida de uma ideia é proporcional ao seu tempo de vida.


Aplicado aos tênis de corrida – prometo já chegar na Nutrição/Emagrecimento – os maiores atletas por bem mais da metade do século passado corriam com tênis sem suporte. Desde o final dos anos 70 a indústria tenta nos empurrar um novo conceito de tênis que não só não se mostra eficiente (como evidencia qualquer pesquisa preguiçosa que qualquer um pode fazer), como seus próprios tênis, de tão ruins que são como conceitos de calçados seguros, vão morrendo temporada após temporada.

Você pode enganar a todos, mas apenas não engana a duas entidades: a Lindy e ao Tempo.

Essa semana tem uma imagem rolando chamando Jejum de moda. Ele tem sido registrado como seguro por pelo menos milhares de anos. Outro sempre chamado de moda é o Low-Carb, só que eis que ele sempre foi a regra. Sempre. O Low-Fat é algo inventado SEM estudos apenas por volta dos anos 60 e 70.

Pois se vivemos uma época racional regida pela irracionalidade de falsos especialistas, talvez a ferramenta mais útil e mais segura seja recorrer justamente ao tempo! Jejum e Low-Carb sempre estiveram entre nós. Já a entrada das recomendações defendidas pelas associações de sempre, que só vivem e só querem seu dinheiro, ocorre justamente quando o planeta vive sua pior crise de obesidade e diabetes.

Assim chegamos ao grande Sílvio Santos. Ele não é profissional de Saúde, ele tem algo a perder: sua Saúde. O que ele mais quer é saúde. E ele tem o tempo ao seu lado: não há como uma dieta low-carb engordá-lo. Por mera sabedoria de observação (seja do tempo, seja do que está em volta dele), ele concluiu que a restrição de carboidrato refinado serve para emagrecer duas fãs obesas. Não sei a opinião de quem criou a imagem, mas sei que vc não terá dificuldade de ver gente que se acha inteligente, profissional de saúde, achando que ela está certa. Que há moda em algo de milhares de anos. Eles precisam ter aulas de raciocínio lógico com SS, que não sabe diferenciar mitocôndria de pâncreas, mas sabe que não tem como o delírio do Low-Fat contradizer milhares de anos.

É o tempo, estúpido.”

Danilo Balu
autor

*se você gostou da análise que leu aqui e quer saber coisas que nunca lhe disseram sobre Nutrição e Emagrecimento, o convido a ler meu livro O Nutricionista Clandestino (também na versão impressa aqui).

Sobre Corrida, Jejum, Ramadã e o delírio de não encarar a realidade

Faz questão de uns 4 anos que publicações de corrida voltaram a dar destaque a algo que se faz há décadas: correr (ou fazer qualquer exercício) em jejum. Há um motivo fundamental para isso: é que para se gerar conteúdo, esses canais fazem um loop infinito, tal qual as antigas revistas de adolescente, eles revisitam de tempos em tempos o mesmo tema, afinal, algo precisa ser postado e publicado sempre, não importa sua qualidade.

Impressiona o hábito e tamanha insistência equivocada dos veículos em chamar treinadores para falar de Nutrição. Há um detalhe aí: você não deveria tratar desse assunto com treinadores como consultores, uma categoria que não estudou isso de modo central em sua formação. É como convidar um médico para falar em revista de veterinária, ou ter um engenheiro civil falando de Física no portal. Eles até sabem um pouco, mas seu raciocínio é quase sempre por aproximação, incompleto, falho.

E aí os veículos completam ainda com outro problema: convidam nutricionistas que têm enorme talento para falar bobagens. Não vou citar, vocês sabem quem são eles. Eles têm colunas fixas, uma característica muito comum de quem sabemos não ser muito bom.

Talvez o cerne da questão é que quem deveria entender a teoria criando hipóteses observando o mundo real faz tudo no sentido contrário, ou seja, eles dão mostras de não entender absolutamente nada. Por décadas as pessoas fizeram (e fazem!) atividade física em jejum sem NENHUM grande problema. Alguém estabelecer uma diretriz nutricional diferente não transforma a realidade!

Indo muito mais longe temos que o homem pré-histórico tinha que ter PELO MENOS um desempenho MUITO BOM em jejum. Houvesse hipoglicemia, tontura, desmaio, fraqueza ou perda de massa muscular quando não comesse de 3 em 3 horas, o homem antes do advento da geladeira, do supermercado e do micro-ondas, teria desaparecido, não teria conseguido correr atrás de sua próxima refeição. Quando um predador corre perseguindo sua presa ele não alonga, nem come “uma porção de carboidrato e proteína magra” antes. Sua preparação é a necessidade e a vontade. Seu corpo foi construído para que ele possa fazê-lo, não importando a bobagem que diga o colunista especialista.

Porém, o profissional da Saúde atual parece viver em um mundo de fantasia. Delírio esse sabemos não ser exclusivo da categoria dos nutricionistas, uma visita breve a portais como o da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva prova meu ponto. Aquilo é uma sequência de bobagens feitas por iletrados no assunto Nutrição. *e aqui nem vou perguntar se aquilo é de graça ou entrega de alguma compra, não creditemos ao mau-caratismo o que pode ser apenas explicado pela incompetência mesmo.

Quando fui escrever o capítulo sobre jejum para meu livro O Treinador Clandestino, eu tinha dificuldades em encontrar estudos que explicassem a segurança e mesmo efeitos benéficos talvez exclusivos do jejum na corrida. Eu não precisei ir até a Pré-História nem ficar nesses textos de 2013 para cá. Aliás, usava esses textos apenas para saber o que era errado. Não falham nunca! E minhas buscas meio que por acaso caíram em um termo conhecido que me abriu um mundo. Não era ele fisiológico, era ele religioso. Mais precisamente o Ramadã.

Os muçulmanos fazem jejum religioso um mês por ano, comendo e se hidratando apenas entre o pôr e o nascer do sol. Este ano, como ele sempre muda, foi de 26 de Maio a 24 de Junho. Quando você observa o comportamento de atletas que fazem jejum (seja nos países islâmicos ou entre os religiosos espalhados pelo mundo) você observa que: não há queda de desempenho, não há redução nas sessões de treino, não há aumento do número de lesões nem aumento de ocorrências médicas entre praticantes.

E uma matéria recente da Dyestat me chamou atenção porque trata de algo que deveria já ter ser sido visitado por quem escreve no assunto: como é a rotina de alguns atletas muçulmanos durante o Ramadã. Ou seja, como é a realidade deles (e não o delírio dos especialistas) para lidar com seus treinos e competições sem poder comer nem beber absolutamente nada durante o dia claro?

Impressiona que mesmo entre atletas que precisam competir bem, ou seja, entre pessoas que não são meros participantes recreativos. Esses corredores ou competem em jejum ou quebram o jejum apenas em competições, não em treinos. E vale reforçar que o jejum religioso não possibilita sequer beber água. Já o jejum intermitente não-religioso é mais brando porque permite ao praticante se hidratar com água, chás e café (sem açúcar), e mesmo refrigerantes light/diet.

A alucinação coletiva de nutricionistas, médicos e treinadores que dizem que jejum compromete a massa muscular ou a segurança do atleta não sobrevive a uma pesquisa preguiçosa de estudos ou, reforço, do mundo real de décadas de atletismo ou de milhares de anos que não viram pessoas definhar sua massa muscular. Isso porque o jejum aumenta a liberação de adrenalina (maior atenção e maior queima de gordura) e aumenta ainda a liberação de GH (que promove a preservação de massa muscular, não à toa um hormônio muito utilizado nos anos 80 e 90 entre atletas que queriam se dopar).

Pois bem, essa questão de jejum é só mais um exemplo de como devemos primeiro olhar o que acontece, para só depois formarmos nossas hipóteses que expliquem a realidade. Gostem ou não, pratiquem ou não, acreditem ou não, o jejum (com ou sem atividade física) existe há milhares de anos. Estabelecer por diretriz que ele faz mal não o fará… nos fazer mal. Isso é apenas pensamento mágico! *para não dizer pensamento burro.

 

Lição de Casa

Você deveria treinar em jejum para correr melhor? Eu acredito que incluir algumas sessões leves em jejum pode ser muito beneficial, sim. Porém, é puro achismo. A minha aposta é porque jejum é uma quebra de homeostase, pivô no treinamento físico. Mas esse texto não é sobre DEVER, mas sobre PODER.

Então podemos treinar em jejum sem maiores prejuízos? A prática diz que não sendo sessões extenuantes em volume e/ou intensidade, que sim. E mesmo entre os habituados, até essas sessões podem ser feitas em jejum. Ou ainda, escrevendo em um modo um pouco mais mundano: não havendo fome, POR QUE DIABOS ter que comer antes de sair pra correr?!?

Mas nunca faltará “especialista” que em seu delírio ou ignorância no tema não vá tentar negar a realidade.

 

*como dito, no meu livro O Treinador Clandestino falo sobre corrida em jejum. Pouco falo disso no livro O Nutricionista Clandestino, mas eles estão sendo vendidos impressos em um combo com valor promocional, basta clicar aqui!

 

 

 

 

 

 

 

Precisamos falar de Jejum.

Venho do futuro, mais precisamente do ano de 2057 e lá você AINDA encontra profissional recomendando comer a cada 3 horas para perder peso. Duvida? Dias atrás foi matéria do jornal “O Globo”. As diretrizes nutricionais têm ineficiência de passado brilhante (sempre ineficazes), e de um futuro promissor, basta ver o caso do óleo de coco de dias atrás, com especialistas das sociedades de cardiologia endossando a barbeiragem. Ou ainda os atuais alunos da minha antiga faculdade (EEFE-USP), coitados, que têm toda uma equipe obstinada a perpetuar seus delírios.

Fosse eu a defender comer a cada 3 horas baseado na fé, como eles, pediria ao jornal para omitir completamente meu nome na matéria. Mas essa turma não tem medo de passar vergonha! Contam com apoio das diretrizes oficiais, ainda que a ciência olhe feio, muito feio para eles, quase com pena.

Na última pesagem de um cliente eu disse para ele que era hora de tentarmos fazer jejum (*aqui um adendo: as pessoas sempre que me encontram pela primeira vez acham que eu já vou de cara recomendar jejum, quando na verdade essa é a última abordagem em um programa). Por que sugeri isso? Como era de se esperar, a velocidade de perda de peso dele vinha reduzindo. Essa redução por si só joga por terra a tola e equivocada ideia do controle do peso como primordialmente uma consequência do balanço calórico.

Ritmo esse que caía, era hora então de uma nova quebra de homeostase. E a ideia era que fosse com jejum. Programamos em nosso último encontro de fazer de 12 e 18 horas de jejum algumas vezes por semana (mentira, tentei que fizesse jejum de 24 horas, sem sucesso). Ele fez e voilá… o ritmo de perda de peso dele voltou a aumentar.

Jejum não é sobre perder peso. É sobre saúde! Qualquer nutricionista ou nutrólogo acha normal e saudável você quebrar a homeostase de alguém estressando de forma controlada indo à academia empurrar um monte de peso por 45 minutos ou correndo 8km no parque. Mas muito desses acham um absurdo você estressar o corpo de modo controlado sem comer por 16 horas. Os mais fracos quando vão à academia ficam mais fortes. Os mais gordos quando fazem jejum – olhe que coisa inesperada – emagrecem. Nem por isso você quando está forte ou magro deveria parar de fazer os 2 (treinar e fazer jejum). A história de dezenas de milhares de anos diz que é seguro. Mas as diretrizes de 1970 para cá dizem que é perigoso.

Em quem você acredita?

Como eu sou teimoso, acho que as diretrizes que coincidem com a explosão de obesidade e de diabetes estão erradas do começo ao fim e que o que sempre foi feito e nunca nos adoeceu é o certo a se fazer.

Infelizmente não são poucas as diretrizes que não fazem nenhum sentido. No livro O Nutricionista Clandestino (você o encontra na versão impressa aqui) falo de como interpretamos completamente errado os estudos que tentavam explicar o controle de peso, como evitar diabetes ou o controle do nosso risco cardíaco. Faço o convite para que conheça alguns dos estudos ignorados na primeira obra sobre o tema escrita originalmente em português.

Jejum Intermitente e Corrida

Jejum Intermitente. O que é? Para o que serve?

Esta semana foi ao ar (abaixo) um vídeo do Corrida no Ar (o maior canal de corrida em português no YouTube) no qual falo sobre o que é o “jejum intermitente”, para o que serve, como funciona e o que traz de benefícios ao corredor e praticante de atividade física.

Em meu novo livro O Treinador Clandestino há um capítulo inteiro sobre o tema! Assim como em O Nutricionista Clandestino explico sobre a queda da resistência à insulina, talvez o maior e melhor benefício dessa prática milenar.

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