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COVID, obesidade, patrulha e o Elefante na sala

A pandemia trouxe tragédias irreparáveis, mas crises trazem também lições. Ainda temos mais dúvidas do que certezas sobre a doença que assola o planeta. Compreendemos pouco sua disseminação… Calor, densidade populacional, altitude… para cada exemplo indicando uma coisa chegam exemplos contradizendo.

Uma das primeiras tarefas dos profissionais de saúde é identificar quais grupos correm mais riscos. Olhar só a data no RG é simples. Tínhamos que ir mais fundo se quiséssemos mais. Aí foram aflorando… diabetes, hipertensão…

Há um padrão muito claro: acima dos 60 anos a pessoa tem chances MUITO maiores de morrer. POR ISSO mesmo, quando um jovem falecia vítima da doença a imprensa destacava: “jovem de 20 tantos anos é vítima de COVID”. E você abria a matéria e estava lá que “Fulano não pertencia ao grupo de riscos, era jovem, ativo e saudável”. E pesava 137kg.

No começo eu achava que era ignorância. Depois me dei conta: era patrulha. Vivemos em tempos nos quais dizer o óbvio é errado. Por ANOS os profissionais de saúde por ignorância criaram o mito do “gordinho saudável”. Peso de 3 dígitos, mas colesterol, um marcador HORRÍVEL, estava em dia. Porém, NADA bate mais forte que a realidade, NADA destrói mais nossas crenças do que os fatos.

A obesidade – goste ou não, admita ou não – cria um estado inflamatório crônico, PERMANENTE. Não há glorificação da obesidade que derrube isso. Peter Pan podia anular a lei da gravidade com pensamento. Mas o gordo/obeso não consegue com pensamento mágico, campanhas de valorização e afirmação vencer as leis biológicas. NÃO EXISTE OBESIDADE SAUDÁVEL.

Mas dizer que alguém é obeso nos tempos atuais virou uma ofensa de ordem moral, ainda que seja uma questão meramente física. E aí se resguardando de críticas, a imprensa propositadamente ignorava que a pessoa mal cabia na foto da reportagem enquanto a legenda dizia que ela era… saudável. Os profissionais de saúde falharam tecnicamente, a imprensa moralmente.

Mas nada supera a realidade.

Como mostra a foto do post, está cada vez mais difícil negar um fato: a obesidade DIMINUI a imunidade, DIMINUI a expectativa de vida de uma pessoa (com ou sem COVID) isso porque o conceito de gordinho saudável é um MITO que DEVE ser derrubado.

O Sal não é um vilão… É um marcador!

Dias atrás postei aqui sobre não termos medo do SAL… Você pode salgar sua comida o quanto quiser, isso porque:

1. Você tem o sabor como medidor dizendo a hora de parar;
2. Porque um organismo saudável sabe lidar muito bem com seu excesso.

E sabemos que um corpo NÃO SABE lidar bem com sua restrição. É mais fácil matar alguém NÃO dando chance de ela ter sal do que salgando sua comida.

Em um dos comentários sobre meu post sobre sal apareceu mais um inteligentizinho querendo dar aula. Querendo que eu desse referências. Eu não dou! Não de graça!

O consumo de sal ao longo da história vem CAINDO e a incidência de hipertensão vem SUBINDO. O que você deduz? Que o sal NÃO pode “per se” causar hipertensão. O que dizem as diretrizes? Exatamente o OPOSTO. É ou não caso de internação?

O sal é um estabilizante para comidas processadas e ultraprocessadas. Ele é um MARCADOR de que o que você come NÃO é Comida de Verdade.

A imagem que vai acima é uma piada retirada do Twitter. Mas um comediante que não sabe diferenciar um abacate de um salame sabe o básico, que comida lixo leva um monte de LIXO e Sal.

E o que dizem médicos e nutricionistas? Que o problema não é comer um CD e uma camiseta, mas comer sal.

Não é pra internar?!?

O que nunca te contaram sobre Hipertensão…

Dizem que devemos consumir sal com moderação. Profissionais correm para dizer que ele é nocivo, pois causaria hipertensão e risco cardíaco e renal. Mas… Será mesmo!? Qual a base disso? Ciência ou Fé?

Como tantas coisas nas diretrizes nutricionais, ainda que devessem existir evidências, elas não existem. A meta foi inventada SEM fundamento. A tese do sal como precursor de hipertensão (crônica) é de 1904 (Ambard & Beauchard) e baseada em SEIS pacientes. Depois deles, ALLEN reforçou o coro com apenas QUATRO estudos entre 1920 e 1922 não replicados. Muito mais grave foi KEMPNER em 1944 que criou a sua “Dieta do Arroz” para tratar hipertensos.

Esse médico alemão foi quem convenceu uma geração de médicos que espalharam a tese. Sua dieta restringia fortemente o sal. Funcionou em parte. O que ele fez? Basicamente duas coisas. A primeira foi NÃO revelar que não deu certo em muita gente. Nada mais humano. A outra foi ignorar que a dieta mexia com inúmeros outros nutrientes, entre eles, a dieta continha altas quantidades de Potássio, um sabido nutriente que influencia positivamente na redução da hipertensão.

Como acreditavam na tese sal-hipertensão, era preciso bater o martelo. Como fizeram isso? Simples. Como precisavam de um número, a qualquer custo, eis então que chancelaram tudo apoiando-se basicamente em um único estudo. O Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) de 2001 e que durou apenas 30 dias com somente 412 indivíduos. Realmente o DASH observou uma queda da pressão no grupo que reduziu o sal. Porém, ela foi pequena, modesta e em nada descobriu sobre seus efeitos na hipertensão ou nos efeitos crônicos na mortalidade ou no risco cardíaco ao longo prazo. NADA.

É o delírio coletivo mais uma vez aplicado no mundo real na Nutrição. Pois vejamos… Quando dado acesso livre a sal, as pessoas consomem quantidades semelhantes dele, não importa de onde sejam. E nem por isso o mundo é hipertenso. Mais do que isso. 80% das pessoas não são sensíveis ao sal, ou seja, não sofrem aumento momentâneo dela. Mais do que isso. Entre pré-hipertensos 75% também não são sensíveis! Ou seja, consomem sal, não aumentam sua pressão. Ainda mais revelador: 55% dos hipertensos também não o são! Incrível, não? Agora o mais revelador. Veja abaixo como era o consumo de sal nos EUA ao longo da história (*lembrando que hoje a recomendação é algo como 6g/dia). Repare!

1.500: 40g/dia (!)
1.600: primeiro caso de hipertensão!
1.800: ~20g/dia

Não faz sentido, faz? Como comiam 7 VEZES mais da meta atual sem hipertensão? Mais dados… vejamos a incidência da doença na história americana:

1900: 5-10%
1939 (Chicago): 11-13%
1975: 25%
2004: 31%
2014: 33%

Porém, o consumo de sal caiu até ~1.800 e não se alterou muito nos últimos 50 anos! Basicamente Médicos e Nutricionistas estão nos dizendo que a incidência da doença vem subindo ainda que venhamos comendo menos sal do que comíamos quando não sofríamos da doença!

Faz algum sentido pra você? Para mim não.

É verdade que para muitos, comer sal/sódio tem um efeito agudo (imediato, mas nem tanto) no aumento da pressão. Isso porque ao ingerir sal, o corpo retém mais água para compensar o aumento da concentração de sódio no sangue. Por isso que alimentos salgados dão sede, é uma resposta natural, é a homeostase “cuidando” do equilíbrio do corpo. O resultado desta retenção líquida é um aumento da pressão que cairá apenas quando os rins conseguirem eliminar o sal e a água. Ou seja, é uma hipertensão momentânea. Porém, pressão não é necessariamente sempre ruim. Fosse assim, como atividade física também a aumenta, teríamos que sugerir não fazermos exercícios.

Essa fobia por má interpretação das consequências do sal é um equívoco perigoso. Isso porque ao ficarmos focando toda nossa atenção nele como causador de graves problemas como a hipertensão, corremos o enorme risco de deixar passar o verdadeiro “vilão” causador do problema. Mais do que isso, sal (sódio) é essencial à vida. Não sabemos ainda qual o excesso de sal que nos faz mal, mas já sabemos que pouco dele, próximo das metas sugeridas pelos profissionais de Saúde, sim, é bem perigoso.

Se SAL não é vilão, quem pode sê-lo? Há populações que consomem muito pouco sal que praticamente não sofrem de hipertensão. E há ainda populações que comem muito sal e também não sofrem. Há algo em comum entre elas: elas comem pouco açúcar.

Uma das coisas mais agradáveis que tive esse ano orientando 3 pessoas em particular foi que elas eram todas hipertensas, medicadas e ao mudar a dieta deixaram de tomar remédio (liberadas pelos respectivos médicos). Como? Ao reduzir o açúcar, essa redução do seu consumo de açúcar (e de carboidratos) gerou uma perda de água por causa da queda inevitável dos níveis de insulina quando restringimos esses alimentos. Assim, os rins acabam liberando sódio e também água, reduzindo a pressão.

Isso não é uma invenção minha. Você aprende isso na aula 2 de “Fisiologia e Endocrinologia”… de que a insulina faz o rim reabsorver o sódio. Aí voltamos ao começo de tudo. O que as populações que se entupiam de sal em 1.500 até 1.900 tinham em comum? Baixíssimo consumo de açúcar. E qual o nutriente que vem crescendo regularmente em seu consumo década a década desde 1900, tal qual a hipertensão? Bingo – Açúcar!

No non-sense que são as diretrizes, o açúcar até 1980 NÃO tinha limite superior de consumo. Sal, gordura saturada e colesterol todos ainda têm. O limite superior ao açúcar só chegou em 2002: 25% das calorias totais.

Por fim, não só a restrição de sal é inútil do ponto de vista teórico ou prático (a pressão cai pouquíssimo e o que mais assusta: em muitos ela e a FC em repouso sobem como resposta fisiológica à retenção do sal, gerando maior estresse fisiológico pela falta de um nutriente essencial à vida).

Para acabar (prometo!) sugerir consumir menos sal é como sugerir ao diabético anda não medicado que beba menos água. Estúpido, mas há muita gente que sugere o primeiro, mas não concebe recomendar o segundo. Se números ajudam a te convencer, vou te dar de brinde um dado que 99% dos profissionais de saúde desconhecem: a recomendação atual é de cerca de 6g de sal por dia. Nossos rins são capazes de filtrar isso a cada 5 minutos.

Faz sentido pra você?

*não sou médico e jamais orientei alguém a tomar ou largar remédios para pressão alta. Mas se você vem evitando sal e é hipertenso, entendeu o recado… é bem provável que seu foco esteja no pó branco errado… converse com seu médico. 

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