Arquivo da categoria: Emagrecimento

Como ter saúde?!? Fugindo dos “especialistas”!

Albert Einstein certa vez teria dito que “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Vejamos então para onde a insanidade das orientações nutricionais nos levaram. Abaixo listo o que seria uma dieta DIÁRIA recomendada pelos “especialistas” (sempre em aspas) que montaram o Guia Alimentar Australiano, válido entre 2003 e 2013.

– 24 fatias de pão
– 5 porções de vegetais (*eles incluem grãos como sendo vegetais!)
– 2 frutas
– 2 porções de laticínios
– 1 (UM!) pedaço de carne magra (!!).
– 1 pedaço de bolo médio (!!!).
– Uma lata de refrigerante (!!!!)
– 2 bolas de sorvete.

SIM, foram especialistas que montaram essa dieta DIÁRIA! Acredite!

Eu costumo dizer que a Nutrição – digamos – ortodoxa é a arte de negar a realidade e cobrar ($) por isso.

O que aconteceu? Os australianos confiaram no que diziam os “especialistas” oficiais e a obesidade explodiu no país. Mais de 63% estão atualmente acima do peso! Quando você olha as estatísticas ao redor do mundo descobre que a população sempre segue o que lhe é pedido. E o que acontece? Ano após ano ela apenas engorda e adoece!

A foto abaixo que ilustra esse post é daquilo que nos disseram por DÉCADAS ser um café da manhã saudável. Ainda na graduação (acho que já contei isso) uma professora, dessas que montam pirâmides, não gostou que pra um trabalho de sua matéria eu montasse um cardápio diário de uma adolescente feita 100% no Mc Donald’s. Para azar dela a dieta INTEIRA no fast food cumpria 100% com as recomendações nutricionais que ela pedia! Sim! Juro! Ela queria me dar zero, mas teve que me dar 5.0, afinal, eu atingi TODAS as metas.

Quer mudar em 2019? PARE de ouvir o que essa gente recomenda! NÃO funciona! NUNCA funcionou! E eles NUNCA irão confessar que estiveram 100% do tempo equivocados desde o início!

Sabe o que mais Einstein disse?
No meio da dificuldade reside oportunidade.”

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GEL em prova de… 12km?!?

Coisa rápida…. Participei tempinho atrás de uma prova noturna em SP. Ela foi na distância de 6km e 12km. Já no quilômetro DOIS eles ofereciam – que rufem os tambores! – GEL de carboidrato!

E no quilômetro 5!? Isotônico! Daquele famoso, que criou sua fama com estudo malfeito, análise torta e pagando meio dúzia de professores que farejam dinheiro melhor do que qualquer pastor alemão de aeroporto é capaz. Alguns até foram professores meus (os picaretas! Não os cães!)! Quer nomes? Eles sempre assinam diretrizes dessas sociedades “idôneas”.

Água, já disse aqui, eu não bebo em prova nessa distância. Falo o mesmo para quem eu treino e corre mais ou menos na minha velocidade, independente do clima. Agora.. GEL…?!

Costumo dizer a quem oriento que sou portador também das notícias ruins, ainda que quem pague não queira sempre isso. Não sei qual seu ritmo, mas há uma regra praticamente universal: se você precisa de gel durante uma prova de 12km, tenho uma má notícia, você NÃO está pronto pra ela! Deixe-a de lado, treine mais. Você tem mais a ganhar treinando mais para encarar a distância no futuro e menos a perder ($). Talvez você até perca peso!

Se seu treinador pede que você use um gel nos 12km, troque de treinador!

Se seu nutricionista recomenda gel (ou isotônico), troque de nutricionista!

Se seu médico recomenda um dos 2, não precisa trocar! Minha dica é: não dê ouvidos apenas quando ele tocar no assunto esporte ou nutrição, igual os 2 de cima, ele muito provavelmente não sabe do tema!

E se trocar, procure um profissional que se perguntado se você precisa de gel/isotônico pra encarar 12km, ele(a) abra o jogo pra você explicando que você NÃO está pronto! Mesmo que você o faça com o olhar do Gato de Botas da foto…


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A dieta dos (corredores) etíopes

Até pela minha área de atuação, clientes ou não, uma das coisas que mais me perguntam é sobre a DIETA DOS ETÍOPES. Meio que fiquei de dar minhas observações.

Ano passado escrevi um texto rápido sobre minha primeira percepção ainda no aeroporto. Basicamente se você quiser comer “porcaria” no maior hub (centro de conexões) da África você tem apenas UMA opção. A primeira resposta mal educada (para não dizer burra) foi a de que etíopes são miseráveis que passam fome, por isso são magros. Basta uma visita a bolsões de miséria brasileiros para ver mães e crianças obesas e desnutridas (sim, isso pode acontecer). O peso para menos não é resultado apenas de baixa oferta calórica (voluntária ou não).

O prato da foto desse texto é o ENJERA, um prato típico etíope que você vendo sendo consumido em TODOS os lugares. Se come com as mãos de forma compartilhada com amigos e colegas. A enjera é uma massa e, como todas elas, feita de grãos e fermentação.

O etíope come porcentualmente muito carboidrato em sua dieta. Vale lembrar que é um país muito muito pobre e que carboidrato é DE LONGE a fonte energética mais barata (tenha isso sempre em mente quando vir uma barra de “proteína” por R$4… Isso não existe! Barra de proteína vai custar SEMPRE o preço de uma refeição PF, “prato feito”). Sendo assim é esperado que após os treinos, no almoço ou no jantar prevaleçam grãos e legumes. Carne e ovos, alimentos caros, são luxo.

Então o corredor amador deveria imitar a dieta etíope (ou queniana, também centrada em carboidrato)? 

Essa é uma pergunta engraçada… o amador não copia nada, absolutamente NADA do que fazem quenianos e etíopes no que diz respeito a calçados, equipamento, volume de treinamento, local de treinamento, mas acha que por algum motivo deveria copiar o que eles comem de porcentagem de macronutriente, nunca a fonte.

Um dia escrevo por que acredito que essa abordagem de uma maior restrição ao consumo de carne seja a melhor abordagem nutricional visando a saúde, mas o que mais tiro observando a dieta etíope mais uma vez não é o que eles FAZEM (na dieta) que os faz superiores, mas o que eles NÃO fazem (SEMPRE a via Negativa).

Os etíopes são magros NÃO porque correm (*a maioria dos etíopes NÃO corre e a absoluta maioria é magra!). Eles são magros NÃO porque necessariamente passam fome. Ao andar pela cidade você vê inúmeras vendas de frutas, pães e legumes, não vê pedintes esquálidos. Os etíopes são magros pelo que eles NÃO comem. Há sorvete? Há. Chocolate? Também. Mas são caros a um país pobre. São mais difíceis de encontrar. O consumo de alimentos processados e industrializados não são uma constante na vida deles como é na do britânico, americano, ou brasileiro, povos gordos, de maioria com sobrepeso.

A “vantagem” da dieta deles, novamente, não está no que comem (ninguém consegue afirmar que a enjera é melhor que a tapioca brasileira ou que o scone britânico), mas fazer regime para perder peso ou ter que tomar suplementos é algo necessário apenas para quem tem uma dieta ruim, sem relação com sedentarismo.

O segredo ou a diferença (seja na corrida seja na não-obesidade) não passa pelo que eles comem, mas pelo que eles NÃO comem.

**sim, gostei do enjera! Comi acho que TODOS os dias!

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Danilo Balu
autor

Nutrição não diz respeito somente ao que você come

Dieta é tudo aquilo que você come. Ela pode ser low-carb, vegana, paleo, low-fat… não importa! O problema é que o resultado disso na sua saúde importa talvez mais não do que você come, mas daquilo que você NÃO come.

Parece lógico que deveríamos observar o que fazemos. Mas a via NEGATIVA parece sempre funcionar melhor. Em saúde, retirar funciona sempre melhor que adicionar. Deixar de fumar funciona melhor que qualquer remédio. Deixar de comer açúcar funciona melhor do que injetar insulina. NÃO HÁ remédio sem efeitos colaterais. Não entre os mais de 120.000 existentes!

Você come brócolis? Legal. Mas isso não compensa o cereal matinal. Você come ovos? Muito bom! Porém, isso NÃO compensa a ingestão de alimentos não-naturais como óleo de Canola, ou Soja, ou Margarina, ou Leite Desnatado (ou mesmo leite integral, uma versão “melhor”, se é que dá para chamar assim).

E aqui reside a falha dos que advogam pelo Veganismo ou o seu extremo oposto, a Dieta Carnívora, que ganha adeptos. As duas podem ser “benfeitas” ainda que podemos com segurança afirmar que as duas não serão nunca ótimas, uma vez que o homem é por natureza onívoro.

O Veganismo dá certo não por comermos vegetais, mas porque quando bem feito, abre-se mão de alimentos processados/industrializados. Quem não faz isso, invariavelmente engorda e adoece. Quem não conhece veganos/vegetarianos que só “cresceram”? O mesmo na Carnívora, quem só come carne e ovos não come alimentos processados e industrializados, a maior fonte de doenças existentes!

Resumindo: NÃO HÁ COMO adoecer comendo bicho, planta (folhas e legumes) e bebendo água. Um não come planta, por isso dá certo (ainda que não 100%, já que planta é medicina). O outro não come bicho, e se limitar-se a comer planta e beber água, também dará certo (ainda que também não 100% porque terá uma oferta energética mais linear, o oposto do que deve acontecer em onívoros)! Mas ainda assim eles podem retirar a MAIOR fonte de doenças: os alimentos processados/industrializados e ainda os não-naturais.

NÃO É SÓ O QUE NÃO SE COME

Não comer errado é a lição #1, mas está LONGE de ser a única. O ser humano foi feito para comer de dia (“no claro”). Ou seja, ele foi feito para comer em uma janela restrita alimentar. O que isso quer dizer? Que deveríamos comer com o sol posto e parar de comer quando ele se põe. E aí a Nutrição tradicional assim advoga CONTRA a nossa saúde em 2 pontos:

1. Fazer várias refeições ao dia DIMINUI nossa janela alimentar, lembrando que quanto menor, melhor (o cálculo é simples, tempo entre sua primeira e a última refeição. Ex: seu café foi às 9h00 e o jantar/ceia às 21h00, sua janela é de 12h. o ideal, suspeitamos, deveria estar abaixo de 10-12h, provavelmente por volta de 8h);

2. E fazer várias refeições implica linearidade e equilíbrio na oferta energética, algo NÃO-natural em onívoros, uma vez que este tipo de animal “flutua” entre a linearidade (fonte vegetal) e a intermitente (fonte animal). *e aqui reside a importância de se fazer jejum periodicamente.

Quando falamos de Nutrição ou Dieta, mais do que saber o que você COME, precisamos saber o que você NÃO come. E mais ainda: QUANDO (horário) e QUANTAS VEZES você come.

Fique de olho!

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O que é mais saudável?

Uma noite no MasterChef ao oferecer um prato a uma chef, ela exclamou: “Nossa! Que prato saudável”! Era uma berinjela. Eu te pergunto: o que é mais saudável? Um grande pedaço de PORCO ou BERINJELA?

Talvez minha amostra seja viciada, mas arrisco a dizer que mesmo entre“especialistas” (sempre entre aspas) a berinjela (ou qualquer legume à sua escolha) ganharia.

Faço um exercício inverso. Aos que acham que a berinjela é mais saudável que carne proponho EU ficar sem comer berinjela daqui pro resto da vida. Experimente você ficar sem carne. O que mais faz falta? O que impacta mais sua dieta?

Um dia, não faz muito, na fila do açougue uma senhora bem obesa me viu com dois pacotes. Curiosa, ela me perguntou se eu gostava e como comia aqueles pés de galinha (R$3,99/kg). Eu expliquei que não era muito fã, mas aquilo era para a Eva e a Pepper, nossas cachorras. Ela continuou perguntado como eu preparava. Bom… alguns segundos no microondas, está morno e dou para elas.

Que nojento, moço”. Palavras dela.

Depois ela perguntou da fressura (que é um misto de pulmão, fígado, vísceras, coração… a R$2,99/kg para quem acha que ração é alternativa barata). Eu expliquei que também era para as cadelas. E que também apenas esquentava (compro tudo congelado) no microondas até ficar morno. E ela: “se eu fosse cachorro eu não ia querer você como meu dono, moço”.

Na hora de pagar a atendente fez a mesma pergunta sobre os pés. E completou dizendo que ela tinha um cachorro muito doente, mas seguiu as orientações de dar pés de galinha e ele melhorou muito. Sem saber da patologia eu expliquei que poderia ser o cálcio e fósforo dos ossos, ou o colágeno, ou a gordura animal, ou o hábito essencial de mastigar algo duro. Ou ainda que comer carne é NATURAL aos cães.

No nosso quintal há um pacote de ração há uns 3 anos abandonado. Elas não mexem. Eu não posso deixar carne congelada nem enterrada no canteiro. Por que será?

Em “O Veterinário Clandestino” faço questão de fechar o livro explicando que a humanização dos cães e também de sua dieta é o PIOR que podemos fazer. Sapatinhos, cerveja para cães, carregados em carrinhos de bebê, perfumes, chocolate canino e – talvez o pior de todos – rações (que podem ficar 3 anos largada no quintal ou 25 ANOS na prateleira que ainda são válidas. Você, tenho certeza, não comeria NADA 25 anos depois de produzido).

Afirmar que berinjela é mais saudável que carne mostraria não só como negamos a realidade, mas como sem saber nós escolhermos o NOSSO alimento, por que seríamos, como a senhora no açougue, dizer o que é o melhor a um cão?

Qualquer conselho nutricional que envolva a substituição de um instinto natural ou a substituição de um alimento ingerido por milênios por um produto industrial moderno está errado.” (P. D. Mangan)

Coma eventualmente carne, não coma NADA que sua bisavó não reconheceria como alimento.

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Danilo Balu
autor

A Resistência à Insulina.

Não me importa em quem votou! Se for contra o regime do militar, seja a resistência! Mas não seja RESISTENTE À INSULINA!

O problema de enxergar o controle de peso (ou o emagrecimento) por um viés matemático, de mero controle calórico, erra em uma questão básica, fundamental: nosso peso é regido pela Biologia, não pela Matemática. É uma questão de Fisiologia, não de Física.

A RESISTÊNCIA À INSULINA

Nosso corpo responde a estímulos em função de basicamente duas variáveis: sua intensidade e sua frequência.

Quando os mineiros chilenos saíram da mina após mais de 2 meses soterrados, usavam óculos porque a AUSÊNCIA de luz nos torna sensíveis à luminosidade. O seu colega que mora ao lado do Rio Tietê não sente o cheiro fétido daquilo que já foi um rio ao cruzar SP, pois ele é diariamente exposto ao odor, assim como você não sente mais o perfume forte daquela colega de mesa do escritório.

Isso porque a SUBTRAÇÃO de um agente estressor aumenta nossa SENSIBILIDADE a ele. Já a crônica EXPOSIÇÃO a ele nos torna RESISTENTES.

Isso é muito claro no esporte e na vida real. Por que seria diferente na Nutrição?

Ser SENSÍVEL à insulina, ou seja, o OPOSTO de ser RESISTENTE à insulina é um EXCELENTE marcador de saúde. Quanto mais sensível, melhor o desfecho. Ponto. Mais. Pessoas resistentes à insulina, igual ao PM da foto, são MUITO mais propensas a estarem ou serem acima do peso. Há uma ENORME correlação positiva entre resistência à insulina e obesidade. Pessoas assim têm constantemente maiores níveis de insulina circulante, um hormônio que impede a queima de gordura e empurra glicose para dentro das células.

Isso dito e sabendo que o diabetes (do tipo 2, aquela “adquirida”) é um caso de extrema resistência à insulina, qual a abordagem mais eficaz, sabendo que nosso corpo fica sensível à subtração de agentes?? Sim, com certeza, a REDUÇÃO do consumo de carboidratos.

E se sabemos que uma pessoa com sobrepeso e/ou obesa tem GRANDES chances de ser resistente à insulina, qual seria a melhor abordagem? RETIRAR aquilo que a tornou resistente à insulina em primeiro lugar: a própria insulina. E o que gera aumento de insulina circulante? Consumo de carboidratos (seja em quantidade ou frequência), principalmente os mais refinados (farinhas), os simples (açúcar) e os de alta carga glicêmica (grãos). E na “ausência” do estressor (insulina), seu corpo fica mais sensível (saudável).

E o que pede a tese do balanço calórico?

Que ignoremos o mundo real e foquemos apenas em comer menos calorias.

Pois é… 

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Danilo Balu
autor

Sobre Obesidade, Sedentarismo e Equilíbrio.

Talvez a busca pelo “equilíbrio e moderação” seja o maior e mais grave equívoco na Nutrição. Maior até do que a pirâmide alimentar que nunca funcionou, o medo da gordura saturada ou a tese do balanço calórico como controlador do nosso peso.

É até engraçado quando alguém diz que “o nutricionista recomendou 3 castanhas depois do almoço”. O ser humano foi feito para comer ou zero ou 38 castanhas, jamais 3. O profissional que tenta “melhorar” o ser humano é um profissional que não sabe lidar com a realidade.

Sentar-se à mesa e se entupir de comida, como fazemos no Natal, por exemplo, é algo COMPLETAMENTE NATURAL. Não é só normal, é saudável! Sim, acredite! Comer dessa forma é completamente esperado. Não é questão de gula ou baixa força de vontade! O que NÃO é natural é JUSTAMENTE não comer demasiado!

Quando olhamos a natureza, temos que animais herbívoros têm linearidade na oferta de alimento. Mas observe os onívoros (como nós) ou os carnívoros. Na oferta de alimento, eles se acabam de comer. Foi a natureza quem tornou a esbórnia alimentar algo intermitente, irregular. Se o cenário fosse de estabilidade (como é com uma zebra ou com um boi, por exemplo), a natureza nos teria dado o MESMO mecanismo de controle do que seria excessivo. (*e aqui um porém, o pecuarista, que sabe de engorda mais do que um nutricionista sabe de emagrecimento, a oferta de grãos/amido cria uma condição ótima que DESREGULA um mecanismo que a natureza criou. E, ainda assim, a diretrizes nutricionais acham uma boa ideia comer grãos no emagrecimento).

Comer muito SEMPRE foi exceção (essa é a ideia por trás de banquetes das datas especiais). É a modernidade quem permite que eu possa todos os dias comer, pães, um frango inteiro a R$3/kg, tudo isso bebendo 2L de refrigerante, uma dieta que nem os mais ricos do planeta poderiam sonhar algumas décadas atrás. Resultado? Explosão de obesidade.

E por fim, e acho o mais importante, é que a segunda orientação mais dada, a de se movimentar mais, NÃO ENCONTRA SUPORTE na realidade.

Sempre foi a NORMA comer demasiado quando possível. E isso gera letargia. Quem já teve cachorro, já viu uma cobra ou já comeu feijoada sabe do que estou falando. E aqui algo que parece estranho: é JUSTAMENTE quando temos uma grande fonte de energia (exógena) é que ficamos mais lentos (queda endógena)! Isso é o cérebro avisando ao corpo que não precisamos mais ser ativos para encontrar comida.

Por isso é um ENORME erro INTERPRETATIVO querer que uma pessoa com sobrepeso seja MAIS ativa. Esse indivíduo tem tamanho estoque energético (endógeno) que o corpo cronicamente pede, implora por sedentarismo.

Não é que o sedentarismo leve ao sobrepeso. É o sobrepeso quem leva ao sedentarismo! Enquanto não entendermos o BÁSICO, não poderemos seguir adiante.

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Danilo Balu
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Sobre o Agudo vs Crônico, a Escassez e a Abundância.

Ou ainda, como diz, Mark Baker:
A domesticação em excesso nos adoece.”

Há como a falta de água matar um indivíduo. Mas… e sua disponibilidade? Pode ELA acabar com a saúde de todo um povo?

!Kung faz parte de San, um povo africano que em sua história sempre foi nômade vivendo em meio ao deserto de Kalahari, enfrentando acesso restrito à água e animais de caça. Na metade do século passado (1960) imigrantes resolveram presenteá-los com 5 poços de água subterrâneos. Não havia mais a necessidade de serem nômades. Logo os animais ao redor foram todos caçados, o povo começou a viver de alimentos ricos em amido (de muito baixa densidade nutricional como são por essência os grãos) e outro problema apareceu.

Não foi só a dieta que empobreceu, se antes a natureza fazia o trabalho de reciclar as sobras, agora não mais perambulando o lixo se acumulava e as doenças típicas dizimavam o povo. Era o limiar da sede (ou o pouco e difícil acesso à água) que fazia a população de !Kung San viver com saúde. O fato de não saberem lidar com água abundante os fez doentes, famintos e miseráveis.

O mundo muda em uma velocidade a qual nossos genes não estão aptos. Dividimos com Hipócrates, o pai da Medicina, a mesma programação genética, mas vivemos em uma realidade em que nada se parece com a dele. Por isso tenho calafrios quando vejo profissional da saúde falar em “moderação”. Claramente essa pessoa nunca teve que lidar com viciados. NINGUÉM sugere moderação no uso de drogas. O mundo é sobre extremos, não equilíbrio!

Não, heroína e açúcar NÃO causam o mesmo estrago em uma dose. Mas para AMBOS temos uma programação genética que nos dá um comando do tipo “MAIS E MAIS”, que nos faz ir atrás de consumir cada vez mais dos dois.

Certa vez um grande amigo, usuário de cocaína me disse: ”Balu, NUNCA use porque é bom demais”. Não precisa ser toxicologista ou viciado para saber que a sensação deve ser mesmo. Quem conviveu com dependente químico sabe que não é uma questão de inteligência ou de fraqueza, mas de uma retroalimentação que substâncias como o açúcar causa que supera nossa força de vontade.

Quando falamos em saúde, o desafio de cada um em uma sociedade “domesticada” é reproduzir em parte o ambiente selvagem que moldou nossa genética por centenas de milhares de anos. A área da Educação Física faz isso muitíssimo bem recomendando que reproduzamos gestos físicos que a modernidade e a tecnologia não mais nos exige no dia-a-dia. Eu, Bacharel em Esporte, como ser humano que sou em primeiro lugar, digo que meus dias mais prazerosos são justamente aqueles em que eu NÃO treino (domingo, VIVA!). Em cada passo que dou correndo meu corpo e cérebro gritam para que eu pare, mas eu continuo, tentando para meu próprio bem reproduzir aquele ambiente ancestral e selvagem de movimento.

Nutricionistas que advogam contra o jejum e a restrição de carboidrato (grãos, farinhas e açúcar), mais do que ignorarem por completo o que mostram estudos MUITO bem controlados, ignoram algo essencial nessa estratégia. Que ela NÃO é sobre melhorar o mundo atual, mas tentar REPRODUZIR uma situação que a modernidade nos privou. E para a qual nossos genes não estão preparados. E, mais importante, é essencial a uma saúde plena. 

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Danilo Balu
autor

Sobre Exercício, Disciplina e Obesidade.

Tenho um interesse pela 2ª Guerra Mundial que se aproxima da obsessão. Já perdi a conta de quantos livros, visitas, viagens e documentários. Uma coisa interessante da época foi como os EUA passavam a recrutar seus soldados. Até os cachorros pagaram o preço pelos esforços de guerra. As rações não podiam mais ser enlatadas (tudo virava munição) e a carne (para humanos e animais) era direcionada aos militares em combate.

Assim como nosso Congresso que amamos odiar, os nossos militares também são uma amostra de nossa sociedade. Nossos deputados não são marcianos. Nossos soldados não são de Saturno. Se a população engorda, isso tem consequências…

No esporte há expressões para dizer que um treino é no esquema militar (todo o conceito de “circuit training”, aliás, tem fonte no militarismo, mas aí é tema de outra conversa). Na nutrição se fala em regime espartano (um povo guerreiro, militarizado). Pois bem, uma pesquisa do Departamento de Defesa dos EUA sobre assuntos do comportamento de saúde (HRBS) encontrou que dentre 18.000 militares analisados 69% está obeso ou acima peso.

Até filmes de super-herói mostram como os menos aptos fisicamente (baixos e/ou fracos) eram preteridos. Os EUA mandaram assim à Europa e ao Japão aqueles que eram fisicamente seus melhores jovens. Hoje a realidade é outra, 1/3 dos jovens americano é gordo demais para poder se alistar.

Escrevi tudo isso porque está mais do que arraigada em nossa cabeça a ideia equivocada de que o exercício é um grande emagrecedor por si só. A atividade física bem realizada é um dos melhores hábitos existentes, mas ela está LONGE de ser uma emagrecedora eficiente.

Acabo de me encontrar pela primeira vez com uma cliente que treina em “regime militar” e não emagrece. Você já foi algum dia em uma largada de uma maratona? Já viu quantos ali estão (bem) acima do peso? Pois então, se você tem que 69% dos militares do melhor exército do planeta que treina religiosamente e literalmente com um rifle apontado à cabeça estão acima do peso, por que você acha que terá mais dedicação e disciplina que eles com exercício??

Você pode argumentar que é dedicado, que vai treinar como um famoso Marine. Ok! 61% deles estão acima do peso! Acha que uma assessoria ou uma academia te farão treinar melhor? Eu duvido…

É melhor então você observar com MUITA atenção aquilo que você come…

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Danilo Balu

O açúcar e o low-carb aos olhos de 1825…

Era esperado que após as duas maiores emissoras do país apresentarem novamente matérias dizendo que “dietas low-carb” não funcionam ou fazem mal, as dúvidas de sempre se repetissem. Eu poderia de cara dizer que pelo “tamanho” da especialista consultada eu NUNCA daria bola para o que ela fala (é minha recomendação, já disse, por não terem “skin in the game” (pele em jogo), não deveríamos ouvir NADA sobre saúde e emagrecimento vindo de nutricionistas fora de forma).
Estou atualmente lendo um clássico de 1825. O “The Physiology of Taste” deveria ser obrigatório nos cursos de Nutrição. Ele, disponível gratuito, NUNCA me foi apresentado em 5 anos quando fiz Nutrição na USP, mas uma chefe de departamento, fã da farsa que é a pirâmide alimentar, à época nos fazia comprar os livros dela. Bom, em determinado momento, o autor Jean Brillat-Savarin cita que um senhor “estava reclamando do elevado preço do açúcar” e que este senhor “não beberia nada além de água com açúcar se o preço do açúcar assim permitisse”. Isto 200 anos atrás, uma outra realidade.

O preço do açúcar caiu de tal maneira que em um dia do século 20 (ou seja, após a passagem do Sr. Delacroix por este mundo) a humanidade era capaz de produzir o açúcar de TODO o século anterior. Jogando para o campo pessoal, minha avó, falecida em 1992, muito pobre que era, só veio a consumir açúcar refinado nos anos finais de sua vida. Ela tinha que conviver consumindo apenas o do tipo cristal.
Se você olhar o gráfico abaixo verá que a participação da gordura e da proteína como fonte energética, em movimento inverso ao da obesidade, CAI ao longo das décadas. E ainda assim NUNCA estivemos tão gordos e doentes. E o que nos sugere que essa e tantas outras nutricionistas que também não sabem como manter a própria forma? Que comamos ainda MENOS gordura e MAIS carboidrato. Resumindo: o remédio dela não vem funcionando, porém ela pede que aumentemos a dose.


É ou não é esquizofrenia!? Bom, pode ser apenas ignorância desses especialistas.
O ser humano foi moldado, evoluiu, com acesso MUITO restrito ao açúcar e farinha refinada. A segunda foto que acompanha o post é a produção de macarrão na Itália em 1897. A mesa à frente da nutricionista na TV (cheia de macarrão, bolachas e pães) seria algo impensável 100 anos atrás MESMO em uma família riquíssima. E hoje a modernidade permite que mesmo famílias MUITO pobres comam o que um nobre italiano não comia. MINHA pobre avó comia um alimento (açúcar) que a elite não comia séculos atrás. Será que é por isso que ela faleceu obesa e diabética (do tipo 2 tardiamente adquirida)?

Entendem onde quero chegar?
Não é nem o fato de que você deveria PARAR de dar ouvidos a profissionais sem skin in the game (nutricionista fora de forma, a menos que seja doente, não têm “skin in the game“). A questão é que TEMOS que aprender a viver em escassez em um mundo de abundância. Açúcar e Farinha devem ser restringidos voluntariamente ao MÁXIMO para reproduzirmos assim uma época em que não adoecíamos.
E por fim, deixe de ser SAFADO. Não pergunte sobre diferentes tipos de açúcar. Veja o que fala Brillat-Savarin 200 anos atrás: “Açúcares obtidos de várias plantas, diz um célebre químico, são na verdade da mesma natureza, e não têm diferença intrínseca quando são igualmente puros.” Ou seja, se seu nutricionista passa pano para açúcar demerara, de coco ou orgânico, você não tem que trocar de açúcar, mas de profissional. Sabemos que açúcar é açúcar desde 1825.

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Danilo Balu
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