Arquivo da categoria: Emagrecimento

As armadilhas do supermercado – IOGURTES.

Os supermercados (ao lado dos restaurantes do tipo buffet) são os melhores laboratórios que existem quando o assunto é Nutrição. Por isso sempre vou com meus clientes lá!

Uma parte onde sempre paro é a de IOGURTES. Iogurte nada mais é que uma combinação de LEITE+FERMENTO+(ação do)TEMPO. Qualquer coisa (eu disse qualquer coisa!) agregada nesse trio, o aproxima mais a um Chandelle. (*sim, comprar “iogurte” proteico, a nova moda, é de um erro tremendo… caro, ruim e nutricionalmente pior porque tem 17 ingredientes)

A sacada mais genial da indústria alimentar foi transformar toda uma seção de sobremesas refrigeradas nomeando-a como “iogurtes”.

Veja um exemplo da Vigor (eu tenho absolutamente NADA contra a marca… Todas as marcas são iguais nesse critério)… Um iogurte natural REAL deles tem 10g de carboidrato. Mas ele é azedo, né? E se colocarmos ameixa. Ameixa é fruta, a diretriz nutricional diz que fruta é saudável, então o iogurte fica melhor, correto?

Pois agora o mesmo copo passa a ter 28g de carboidrato. Seria mais ou menos como pegar o copo original e colocar quatro sachês de açúcar. E o de sabor Cenoura/Mel/Laranja? Não menos pior… 26g…. o mesmo que 3 daqueles pacotes de açúcar…

E se optarmos pelo CHANDELLE? Bingo! 20g! Tem MENOS que o iogurte com FRUTA!

Quando optamos por iogurtes desnatados (que por isso têm MAIS carboidrato que os integrais) ou optamos por sobremesas disfarçadas de iogurte (como esses de frutas) acabamos levando algo de gosto PIOR achando que é mais saudável que aquele de gosto MELHOR.

Ah, mas e as calorias“…

É um ERRO CONCEITUAL achar que nosso corpo responde à aritmética e não à Biologia.

Fique esperto nas compras! 

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“Não são as calorias, estúpido!”*

Fiz propositadamente um trocadilho com uma frase célebre. Isso porque aos meus clientes eu SEMPRE falo: me importa MUITO pouco o quanto você come, mas O QUE você come!

Não trabalho com quantidades nem porções. Considero que acho inútil a contagem de calorias (com fórmulas feitas por uma especialidade que não trabalha nem tem apreço seja por matemática ou física). Aliás, se ter ciência do consumo calórico fosse MESMO importante, como a sociedade teria permanecido magra (ou longe da globesidade) por MILHARES de anos? Como teríamos feito isso se o conceito que temos de calorias é muito recente (além de extremamente falho)?

Exatamente quando escrevo este texto, ao acabar com outros colegas um experimento de ficarmos 28 dias na Dieta Paleo, vejo que divulgaram um estudo REVELADOR! Pela primeira vez se demonstrou de forma forte a relação de CAUSALIDADE entre alimentos processados e os não-processados, ou seja, aquilo que chamamos de “comida de verdade”, uma das bases da dieta paleolítica.

No estudo as pessoas comiam por 15 dias um dos grupos de alimentos ad libitum, ou seja, SEM controle das porções. O que aconteceu? Ao comerem “comida de verdade”, elas emagreceram 1kg. Reforço: sem controle calórico.

Já quando comeram por 15 dias alimentos processados elas ENGORDARAM 1kg.

Ao olhar o gráfico, os especialistas de sempre, que dizem que jejum perde músculo, que gordura mata do coração e que carboidrato é essencial, só enxergarão uma coisa: quem engordou também comeu mais calorias.

SIM!

LÓGICO!

Isso é física elementar! O ponto é: o que é causa? O que é consequência?

O ser humano foi moldado por milhões de anos comendo “comida de verdade”. Quando nos deparamos com um alimento que NUNCA existiu em nossa evolução, temos um organismo NÃO preparado a isso. Nós assim não sabemos lidar com ele, não há mecanismo apurado de saciedade. Ele se desregula!

Se ele não se sacia, é uma ESTUPIDEZ achar que fazer alguém comer poucas calorias de um alimento processado é uma boa ideia. Basta para isso dar ao indivíduo aquilo para o qual ele foi FEITO para comer: comida de verdade.

Negar a realidade é uma especialidade da Nutrição. Irão especular os motivos pelos quais engordaram mais. Dirão que é a falta de fibras (não é), excesso de sal (também não)… Isso muito POUCO IMPORTA! O que importa é o resultado: não são QUANTAS calorias, estúpido! Mas DE ONDE elas vêm!
 

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Quem vigia a Nutrição?

Quis custodiet ipsos custodes?

OU…

Quem vigia a Nutrição?

Tem uma cena em “Batman vs Superman” (sim, adoro frases de filmes de super-heróis) em que debatem a necessidade de supervisionarem o homem de aço, afinal, e se ele decidir exterminar a humanidade? Um dos motes do Batman no filme é justamente impedir alguém tão poderoso de decidir-se por si só.

Falo isso porque semanas atrás foi amplamente compartilhado um estudo que saiu no ECO 2019 (European Congress on Obesity). Do que falava ele? Que de 9 conselhos dados por influenciadores digitais 7 estariam errados.

Mas… QUEM VIGIA O VIGILANTE?

A internet é lugar de tudo. Desde maravilhas úteis da informação gratuita com qualidade até de “Terra-Planismo” ou tutorial de como se fazer bomba caseira. Mais do que isso ela mudou o modo como a sociedade se relaciona, ela mudou o fluxo de informações.

Uma das observações MUITO felizes de Nassim Taleb sobre redes sociais é que ela trouxe de volta a conversa bidirecional, enfraquecendo a forma “unidirecional” da imprensa, por exemplo. Por isso o jornalista atual sofre tanto… ele não estava acostumado a ser questionado. Ele achava que estava certo e hoje vemos como erram (intencionalmente e por MUITAS vezes por incompetência) em uma frequência estupenda.

Com outras classes não é nada diferente. O livre acesso à informação técnica na área de saúde (seja médica, nutrição ou de treinamento físico, por exemplo) em redes sociais é um dos únicos lugares de nosso contraponto à narrativa ou aos conselhos e diretrizes oficiais.

E informação boa e gratuita gera medo justamente de quem cobra ($) por informação! Não à toa vivem a tentar descreditar quem não assina a cartilha ou quem não paga pedágio aos conselhos e associações (CRN, CREF, ABESO, etc…).

Veja bem, entrei no Medscape para ver quais seriam essas recomendações erradas. Aliás, Quem julga o que é errado??

Bom, vamos a alguns dos “erros” que encontrei no resumo do tal estudo.

ERRO #1
Não havia NENHUMA relação com informação. O problema era que os influenciadores não eram associados da Association for Nutrition. Nessa caça a “blogueiros” de nutrição não há NENHUMA preocupação genuína com saúde de terceiros, apenas preocupação com monopólio de quem pode falar sobre o assunto… sobre quem pode ganhar dinheiro com isso. É a única preocupação.

ERRO #2
As receitas dos perfis não atendiam às diretrizes de macronutriente (gordura, proteína e carboidrato). Ou seja, a diretriz britânica que engordou aquela população nas últimas décadas é o certo. O que fazíamos antes da era da Globesidade e éramos magros e saudáveis é errado.

ERRO #3
As dietas sugeridas extrapolariam as calorias recomendadas. O ano é 2019, mas a Association for Nutrition AINDA acha que obesidade é uma questão calórica não fisiológica!

ERRO #4
Era um erro se o perfil NÃO sugerisse contar calorias.

Lembre-se sempre de duas coisas… uma delas não tem caráter opinativo, é puramente conceitual. Nenhum profissional tem licença para dizer às pessoas (e a você) a quem elas podem ou não buscar conselhos técnicos. Eu procuro quem EU quiser. De TODOS os bons livros que li sobre Nutrição apenas UM foi escrito por nutricionista (Obesity, HARCOMBE) e ela NÃO pode atuar fora do Reino Unido. Entende meu ponto?

O segundo ponto é: nas diretrizes da Nutrição que dizem respeito à emagrecimento e dieta saudável você tem a certeza que encontrará as orientações erradas (eles erram com sucesso há 50 anos). Já o mundo sem regra da internet ao menos te dá opção de quem sabe achar alguém que acerte.
 

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O Dilema da Ração – skin in the game.

Uma coisa que donos de cães e gatos devem ter SEMPRE em mente é que o comprometimento ÚNICO e MAIOR de uma fabricante de ração para animais está EXCLUSIVAMENTE com a saúde financeira da própria EMPRESA. Ela NÃO tem comprometimento NENHUM com a saúde de seus animais de estimação. Esta é uma responsabilidade 100% SUA, intransferível.

Há aqui nessa relação indústria-tutores uma assimetria de interesse, pois o mercado quer acima de tudo vender mais. Então ele quer ganhar a preferência pelo sabor e fazer o animal comer mais do seu produto. Isso acontece enquanto o outro lado da negociação quer acima de tudo saúde e praticidade. Pois 2 estudos recentes da USP vieram jogar mais luz nesse assunto.

As embalagens de ração (para cães e gatos) normalmente exibem a imagem de alimentos que seriam grande parte da composição do produto em questão. Pois pergunto: você já viu alguma com foto de milho ou de (farinha de) vísceras de frango? Não, certo? Pois estes 2 são os ingredientes que os animais de estimação do Brasil mais consomem!

Um dos trabalhos analisou 25 marcas de ração para cães e encontrou que em média os produtos têm 60% de nutrientes de origem animal e 40% de vegetais. Quase tudo se reduzindo a milho e frango. Lobos, que são MUITO mais próximos dos cães do que nós somos de qualquer primata, NÃO consomem grãos. Mas os fabricantes de rações ideias acham essa composição uma boa ideia.

Quando vamos para a área dos felinos temos que a composição de 28 marcas de comida pra gato foi parecida. Em somente um em cada 5 produtos havia menos do que 10% de conteúdo de origem vegetal. Porém, mais importante que aos cães, gatos são animais carnívoro estritos! Ignorar isso é tão doente quanto querer alimentar coelhos ou vacas com carne, leões com alface!

PAGAR MAIS RESOLVE?

Antes fosse… As rações classificadas como premium, mais caras e que teoricamente seriam de melhor qualidade são TAMBÉM compostas fundamentalmente de frango e milho.

As fórmulas de ração para animais de estimação podem variar em proporções de ingredientes, mas os ingredientes básicos são os mesmos. Pode-se afirmar como disse a renomada pesquisadora Marion Nestlé, que o conteúdo de ração para animais de estimação é muito parecido e a diferença mais importante entre uma marca e outra não é o aspecto nutricional, é o preço.

O QUE FAZEM É CRIME?

NÃO. O que a indústria faz ao te enganar tem respaldo da lei.

Nos EUA, uma espécie de norte da nossa regulamentação desse mercado, um alimento que possui na embalagem a palavra “dinner”, “nugget” ou “formula”, precisa conter apenas 25% do alimento anunciado, neste caso a carne. Já se o produto (ração) vem com a palavra “contém”, ele precisa por lei ter apenas 3% do alimento em questão!

Para ser ainda mais preciso, nesta “regra dos 25%” e na “regra dos 3%” o fabricante tem o direito resguardado de nomear seu produto, por exemplo, dizendo que ele é feito com arroz e frango no título. Porém, na realidade, esses dois ingredientes precisam corresponder a apenas 25% da ração (excluindo a água necessária para formulá-la). Mas mais do que isso, como são dois ingredientes nomeando o produto, eles precisam ter ao menos 3% de um deles (e ao menos 22% do outro), surgindo assim a possibilidade bem recorrente de uma ração intitulada como de frango e arroz ter 22% (ou mais) de arroz e somente 3% de subprodutos da ave. Você leu certo.

É um direito do setor, não há infração legal aqui! E já quando falamos de saboro assunto piora. Um produto pode carregar a expressão “Sabor Contrafilé” já que a lei dá direito ao fabricante de nem precisar sequer colocar nada de contrafilé que não apenas seu sabor artificialmente.

Você não vai NUNCA ver entidades falando sobre este problema, mas se você ou mesmo um veterinário (!) sugerir dar carne a um cão ou gato, ambos terão problema.

Surreal, não?
 

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Obesidade e aposentadoria no Esporte – parte 2

Joe Thomas é um ex-jogador da NFL com 10 participações no Pro-Bowl, o All Star do futebol americano, sua modalidade. Ele é lembrado como um dos maiores da história em sua posição. Recém-aposentado, ele queria se livrar do excesso de peso que traz vantagem competitiva na NFL. Para isso ele perdeu 34kg de 148kg!

Recentemente Thomas deu uma entrevista e explicou não como emagreceu, mas como ele fazia para engordar, ficar “grande”. Ele disse que ele era considerado “pequeno” (undersize). Sabe como ele fazia? Nas palavras DELE:

  1. Ele comia a cada 2 horas;
  2. Ele consumia açúcar, carboidrato e massa (pasta);
  3. Ele não podia pular refeições “para não emagrecer”;

O Esporte e a Pecuária sabem como engordar MUITO melhor do que a Nutrição sabe emagrecer. Por quê? Porque esporte e pecuária vivem de resultados, a nutrição vive de intenções. Os primeiros têm skin in the game, pele em jogo, a nutrição não. Isso explica quase tudo.

Thomas é hoje um aposentado, treina BEM menos e pesa BEM menos. Ele é mais magro do que quando era um dos melhores e mais bem pagos atletas do mundo em uma das ligas mais excruciantes do planeta. Como isso é possível?

Semanas atrás eu falava sobre o drama que companheiros de liga dele vivem ao engordarem quando param de jogar. O que recomendam os “especialistas” de sempre? O OPOSTO do que Thomas fez para emagrecer! Recomendam o OPOSTO do que a Pecuária faz para engordar grandes mamíferos.

  1. Pedem para comermos regularmente, a cada 3 horas para acelerar o metabolismo. Um sinal CLARO de que não têm IDEIA do que estão falando.
  2. Pedem para cortar gorduras, aumentando assim o consumo de carboidrato, macronutriente usado para engordar Thomas e os rebanhos.
  3. Condenam o jejum, deixando o corpo em constante estado anabólico.

Faz sentido para você? Lógico que não faz!

Entre a prática eficiente e o sonho de quem nega a realidade, vocês sabem com quem eu fico!

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O Esporte tem “Skin in the game” (pele em jogo). A Nutrição NÃO.

Dias atrás postei no meu instagram (@DaniloBalu) minha lista de melhores livros de corrida/atletismo. Essa semana irei atualizar a lista. Nela agora irá “Tigerbelle”, a biografia da ESPETACULAR Wyomia Tyus, primeira pessoa (homem ou mulher) a ser bicampeã olímpica dos 100m (1964 & 68). Era uma mácula que eu carregava.

Leia abaixo o trecho que separei e traduzi:

Você está muito grande! Você nunca foi tão grande! E você está perto da prova mais importante da sua vida. Nós vamos ter que fazer algo. Você precisa se afastar da mesa. Você precisa se afastar das batatas, precisa se afastar do arroz e precisa se afastar do pão.”

 

A frase foi dita por Ed Temple, primeiro americano a ir duas vezes seguidas a Jogos Olímpicos como treinador de atletismo, algo que era proibido. Isso dá um indício de como ele era especial.

Mr. Temple, como era chamado, sem saber a diferença entre insulina e glucagon tinha apele em jogo. Pedia à sua melhor velocista para perder peso. Como? Jejum e evitando arroz, massa e pão. Resultado? Ouro e recorde mundial!

Aí vem nutricionista e pede o quê ao amador? Comer de 3 em 3h e ênfase onde? Carboidrato! Minha bronca é ENORME quando vejo nutricionista falando em “peso ideal” ou em empurrar carboidrato goela abaixo de atleta amador é porque para mim fica CLARO justamente que eles NÃO entenderam NADA ainda desse esporte!

Temple entendia como o peso é CRUCIAL. Por isso que em 2008 o americano Chris Solinsky assombrou o mundo do atletismo. Não era só um recorde. Ele era o primeiro atleta na história com mais de 70kg a entrar no clube dos sub-27minutos nos 10.000m!

Entre os maratonistas o clube sub-2h06 tem uma MINORIA de atletas com mais de 60kg. Por quê? Porque peso (baixo) importa MUITO! Por isso que algumas atletas japonesas APANHAM de seus treinadores quando ganham peso.

A imagem abaixo que ilustra esse texto e é uma plotagem do peso dos fundistas nos Jogos Olímpicos do Rio/2016. Este é um padrão que se reproduz, não importando a edição olímpica!

Quando um nutricionista oferece carboidrato a um atleta acima do peso, ele dificulta que ele PERCA peso, um ENORME limitante de desempenho. Sabemos que low-carb é a estratégia nutricional que MELHOR traz perda de peso e que torna mais FÁCIL a manutenção de um baixo peso.

NÃO há correlação de (maior) consumo de carboidrato com desempenho. Mas HÁ uma relação de (menor) peso com melhor desempenho. Entendeu, nutricionista? Se você empurra carboidrato a um atleta eu SEI que você ainda NÃO entendeu esse esporte. Controle do peso vem À FRENTE de qual macronutriente consumir quando falamos em desempenho!

Simples assim.

 

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Por que insistimos TANTO com vegetais?

Por que insistimos TANTO dizendo que vegetais deveriam ser a base da dieta? Deixando de lado a questão de sustentabilidade, para mim a razão é puramente ideológica, não fisiológica.

Não precisa ser especialista para deduzir que vegetais têm por peso menos calorias que alimentos de origem animal. Pois a ideia de que uma dieta hipocalórica (restrição energética) deveria ser a primeira abordagem no combate da obesidade (seja em cães ou humanos) tem um histórico TÃO longo e deprimente de INEFICIÊNCIA que somente acadêmicos e especialistas (veterinários e nutricionistas) podem ainda defendê-lo.

Dias atrás recebi inbox o post de uma veterinária especialista em Nutrição. Ela está claramente acima do peso (e antes de me chamar de gordofóbico, isso só parece um artifício “ad-hominem”), mas tenta passar a impressão de que entende de como fazer um cão, gato ou pessoa emagrecerem. O texto não é pra explicar por que NÃO deveríamos procurar especialistas em Nutrição que estejam fora de forma (*por “skin in the game”, por pele em jogo, não deveríamos contratar alguém que não faz aquilo que prega, no caso, emagrecer, porque a estratégia ou não é feita ou não funciona, excetuando-se aqui graves sérios de doença).

Em um dos posts dela um cão para emagrecer recebe uma refeição que – acredite! – é um refogado de legumes e verduras (!!) e “um pedacinho de carne”. Eu não sei de onde alguém pode tirar que um cão poderia ou deveria ter na dieta “abobrinha, cenoura, chuchu, folhas ou grãos”.

É a tara pelos vegetais! Você olha na natureza e os carnívoros estritos (felinos) ou predominantes (lobos) são magros. Já os herbívoros, muitas vezes gordos. Qual a sugestão dela (e de MUITOS “especialistas”), então? Tirar a carne (que oferece muita energia/nutrientes e que SEMPRE os manteve magros) para dar vegetal, que NUNCA foi consumido naturalmente e que atualmente JÁ É a base das rações engordativas.

A mesma profissional aparece tomando açaí com granola e deixando o gato lamber. Ela NÃO sabe ainda que esse combo a ENGORDA, NÃO é saudável e que NUNCA foi consumido por felinos. 

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O AÇÚCAR nos faz agir como crackeiros.

Tempo atrás escrevi sobre um povo que vive na região do deserto de Kalahari, ao sul da África. Nele falei sobre como a escassez e a abundância moldaram e moldam nossa saúde ao longo de toda a evolução.

Sigo estudando esse povo e assim cheguei ao modo interessante como eles buscavam por mel. Até hoje eles não dominam o refino do açúcar. O ser humano tem uma atração e um prazer tão grande pelo sabor doce que isso nos faz capaz de ficarmos viciados pelo açúcar.

Sempre que vejo nutricionista dizendo para optarmos pelo açúcar mascavo eu enxergo um pneumologista dizendo para que a população opte pelo Marlboro Light, um cigarro mais saudável. Ou então que fume charuto cubano, um cigarro mais “natural”.

Não existe tal coisa!

Tempo atrás, quando escrevi sobre o vício que o açúcar proporciona, um nutricionista disse em tom bravo que açúcar não vicia. Ele mesmo, que estava com enorme sobrepeso, consumia apenas porque “ele queria”, que ele “poderia parar quando bem entendesse”, num típico argumento de viciado que não reconheceu ainda a doença.

E assim voltamos à tribo de Kalahari…

Não havendo docerias, ao avistarem uma abelha, o indivíduo esperava o trabalho da operária e SEGUIA o inseto o quanto fosse preciso até encontrar a colmeia! É ou não coisa de crackeiro?! E se ele a perdesse de vista ele voltava ao lugar, não importasse onde, para buscar mais pistas.

Essa tribo, que desconhece a obesidade e o câncer, não pratica a agricultura, ou seja, vive de caça e coleta. Ao contrário do que pregam alguns profissionais low-carbers mais radicais, eles consomem inclusive tubérculos, alimentos de alto amido (glicose) e baixos nutrientes. Porém, eles vivem muito é do resultado de sua caça.

E assim voltamos ao texto original: é sobre escassez e sobre não-linearidade!
Não há linearidade na dieta daquele povo, seja de calorias (aqui entra o jejum forçado), seja de alimentos vegetais (dependendo do acaso de encontrar ou não raízes), seja de alimentos de origem animal (ter sucesso ou não de caça).

E diferentemente de um brasileiro típico, por exemplo, uma tribo economicamente miserável varia mais seu cardápio do que nós que comemos apenas partes “nobres” (e nutricionalmente mais pobres) de 3 animais, enquanto eles os comem por inteiro, inclusive miúdos (as partes mais ricas), dos quais numa inversão ilógica e irracional fugimos.

SIM, o açúcar vicia. Mas mais do que isso: ele PRECISA ser muito restrito.

Dieta é sobre DESEQUILÍBRIO! Almejar por “equilíbrio”, seja de nutrientes (“recomendações nutricionais”, as DRIs) ou de qualquer alimento (ex: uma fruta ao dia) vai CONTRA o mais essencialnão foi assim que nos desenvolvemos como espécie.

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Obesidade e aposentadoria no Esporte.

Tempo atrás eu criticava o uso de esteiras no treinamento de corredores. Aí alguém disse que então eu precisava avisar a NFL, em uma clara alusão de que se os americanos fazem, só podem estar corretos e eu errado. A NFL é uma empresa fenomenal, mas quem entende MESMO de velocidade é o atletismo e seus velocistas, não a NFL. E você não tem velocistas americanos e jamaicanos treinando em esteira, então errado está a NFL. Eu só apontei o óbvio.

A NFL ainda faz vista grossa ao doping e ao número de concussões, ou seja, basta ligarmos os dois pontos… ela é uma empresa, os atletas são apenas um caminho. Tenha skin in the game sempre!

Estou falando isso porque li ontem uma matéria sobre a obesidade entre jogadores aposentados. Chegamos à Lua, mas ainda temos a ideia do balanço calórico como diretriz “oficial” no emagrecimento. Quando você vê um ex-atleta ficar obeso é MUITO tentador achar que é essa a culpa: comer demais, gastar de menos.

Um dia volto ao tema para explicar do motivo de isso ser pensamento por aproximação. O que quero é chamar a atenção a algo mais agonizante, desesperador.

A parte mais dura frustrante e angustiante da minha rotina é ver gente (bem) acima do peso se dedicando, se esforçando, treinando arduamente porque acredita que o exercício é ferramenta essencial ao emagrecimento. NÃO É.

  1. Se você precisa treinar (ou fazer jejum) para manter o peso ou emagrecer é porque sua dieta é RUIM.
  2. Você deveria fazer atividade física por mil motivos, emagrecer NÃO é um deles!

No texto do New York Times estão as orientações de sempre aos ex-atletas. Entre elas algumas interessantes como a de abandonar o sedentarismo, consumir menos pães e açúcar, e comer menos vezes. Uma das estratégias para ganhar peso na fase profissional, aliás, era a de comer MAIS vezes ao dia, a MESMA estratégia sugerida na Nutrição para quem quer PERDER peso. Faz sentido?!

Óbvio que não! Entre a NFL e uma diretriz nutricional, eu fico SEMPRE com a NFL (skin in the game). Se a NFL diz que comer mais vezes engorda, eu acredito NELA, não nos meus ex-professores que NUNCA treinaram NINGUÉM porque a NFL depende de atletas mais pesados, uma vantagem competitiva. É a ideia de ter a pele em jogo!

Porém, entre as orientações para atletas aposentados perderem peso está o consumir menos carboidrato trocando por… aveia, um alimento que digo aos meus clientes ser “o açúcar não doce”. Eles ainda são orientados a tomar smoothies (um modo caro de vender algo ruim, o suco) e shakes proteicos, um alimento que fornece calorias e nada de saciedade.

Mais angustiante é ver atletas de mais de 150kg tendo que nadar e fazer elíptico por 1h00 por sessão. Você acha que eles emagrecem? Lógico que não! É só ir na largada das corridas… correr NÃO torna as pessoas magras. Os atletas nem sequer, como eles mesmo relatam no artigo, têm forças para irem treinar!

Isso porque é JUSTAMENTE quando temos uma grande fonte de energia endógena (gordura corporal) nosso cérebro avisa ao corpo de que não precisamos mais ser ativos para encontrar comida. Já disse antes aqui: é um ENORME erro interpretativo esperar que uma pessoa com sobrepeso seja MAIS ativa, mais disposta.

Esse indivíduo tem tamanho estoque energético endógeno que o corpo cronicamente pede, implora por sedentarismo, preguiça. E quando você oferece alimentos LIXOS como aveia, grãos, smoothies, você mantém alto os níveis de insulina, impedindo fisiologicamente o corpo de acionar os estoques de gordura corporal.

Não é que o sedentarismo leve ao sobrepeso, como a NFL e a nutrição pensam. É o sobrepeso desses caras que leva à preguiça e ao sedentarismo! Enquanto não entendermos isso, esses caras continuarão a agonizar com 200kg. Eles morrerão tentando em vão por culpa desses “especialistas”.

É desesperador! 

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A Dieta Carnívora e o Experimento com N=1

Semana passada terminei pouco mais de 1 semana experimentando a Dieta Carnívora. Demorei para achar uma foto boa que a resuma bem, porque as pessoas pensam que é só comer picanha. Basicamente nela você come livremente CARNE (de qualquer tipo), OVOS & DERIVADOS DE LEITE (qualquer queijo, creme de leite, requeijão, chantilly e nata) conforme a fome o guia. Nada mais.

Funciona? Depende para quê…

Quer melhorar seus indicadores sanguíneos (glicemia, colesterol e TG)? Melhoram e não é pouco. Emagrecer? Sim, e não é pouco! Por quê?!

Basicamente porque dieta “boa” é mais sobre o que NÃO comer. A dieta carnívora, por experiência própria, ao contrário do que muita gente pensa, é difícil! Nela, não há NADA de açúcar, não há cerveja, não há farinha, não há pão… Quando você tira tudo isso, não “tem como” engordar, não “tem como” seus indicadores não melhorarem.

Não falta teórico que diga que exercício exige carboidrato. Com zero dele segui treinando normalmente 2x ao dia, bati meu recorde no TGU (Turkish Get Up) e no Double Clean, trabalhei, fiz tudo. Só um acadêmico que tenha lido muito para afirmar essa bobagem de que exercício exige carboidrato. Um prático vai lá, ignora e faz.

Mas… a Carnívora é a ideal??

Nem de longe acho isso! Fiz por puro experimento. A acho incompleta, tenho convicção de que ela vai CONTRA a nossa natureza e nossa evolução (assim como o vegetarianismo, o que dizer do veganismo). Mas ela atende uma premissa da qual sou fiel e enorme seguidor: não-linearidade da dieta.

Dieta e exercício são sobre extremos. Por isso cálculo de nutrientes diários é de uma tolice sem tamanho (*aqui novamente somente acadêmicos muito estudados para poder defender tamanha besteira). A carnívora atende a um lado de nosso onivorismo e nos “protege” de vegetais que oferecem em escala gigante alguns micronutrientes dos quais, SIM, algumas vezes deveríamos evitar (alguns mais, outros menos). E seguindo esse raciocínio o vegetarianismo temporário também seria MUITO bem-vindo (farei esse ano!).

Se você é diabético, EXPERIMENTE! Está num platô de emagrecimento? Experimente! Está com alguma intolerância/alergia sem saber de onde vem? Experimente! Mas se acha uma boa ideia levá-la ao longo prazo, saiba que não faz sentido! Tem que distorcer DEMAIS a lógica para dizer que os 2 extremos (carnívora e vegetarianismo) estão algo próximos do ideal.

*perdi peso mesmo comendo muita carne (acem moído, sobrecoxa e barrigada) com queijo e uns 4-5 ovos também com queijo ao dia. Isso sacia assustadoramente. Fiz jejum sem me programar uns dias porque a noite caiu e a fome não deu as caras.

**Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (a versão impressa você acha aqui!)