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Cru vs Cozido vs Ração

4ª feira cheguei tarde e cansado do treino, não havia legumes, querendo descansar não pensei duas vezes: vou dar carne e ovo cru para as cachorras. E só!

SEMPRE que comento que dou comida crua me questionam se eles não trariam riscos de contaminação aos meus animais. Qualquer dono de cachorro sabe bem onde seu animal coloca o focinho e sua boca o dia todo.

Será que um animal que tem um estômago com um pH por volta de 1.5, mais ácido do que o nosso, seria tão sensível à contaminação alimentar? Será que essa acidez estomacal não serve evolutivamente JUSTAMENTE para lidar melhor com alimentos e ambientes não-esterilizados?

Porém, por mais que pareça seguro e vantajoso do ponto de vista evolutivo, as poderosas associações American College of Veterinary Nutrition (ACVN), American Veterinary Medical Association (AVMA) e a American Animal Hospital Association (AAHA) não compartilham dessa ideia.

A ração canina como a conhecemos hoje é algo inventado há cerca de meio século, não é o alimento cru quem tem que se provar superior, e sim o contrário. Cabem às associações trazer evidências que mostrem que as rações secas, as mais consumidas, são superiores. Trouxeram?

NUNCA.

JAMAIS.

A ACVN, AVMA e AAHA não devem fazer isso de graça ($$), lógico! Até porque recomendam isso sem citar vantagens da ração sobre dieta crua. Sabe por quê? Porque não TEM COMO elas serem inferiores! Cães evoluíram por milhares de anos comendo alimentos crus OU cozidos, não ração!

Um estudo recente (ALGYA et al, 2017) mostra ainda que sem querer o nível de delírio e dissonância cognitiva dos autores. No texto está que as dietas cozidas e cruas acabaram sendo mais digeríveis do que a ração como resultaram em níveis mais baixos de triglicerídeos no sangue (algo bom!) do que a dieta de ração, embora fossem mais gordurosos (o que é bom também, pois aumenta a palatabilidade!). Aí completa dizendo haver um benefício potencial das dietas não tradicionais.

Como assim não-tradicionais?!?

Por 15.000 anos cães comeram alimento cru, há 50 comem ração e o não-tradicional é o natural?! Faz sentido!

NUNCA.

JAMAIS.

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“É normal não sentir fome nessa dieta…?”

Eu poderia pagar um mordomo teclando por mim se ganhasse R$5 por cada pessoa orientada que me faz essa pergunta depois de eu sugerir mudanças simples em seus hábitos alimentares.

Uma das maiores armadilhas na história foi quando meio século atrás um renomado profissional estabeleceu uma relação de consumo calórico com obesidade. Veja bem, ele disse que havia relação, mas concluiu equivocadamente que era de CAUSA.

Sim, “equivocadamente”. A ideia de que comer (de)mais é o que engorda está tão arraigada que mesmo sendo SEM EVIDÊNCIAS ou mesmo sem FUNDAMENTO, segue sendo ensinada àqueles que irão cuidar (bem mal) de nossa silhueta: Nutricionistas, Educadores Físicos e até Médicos.

Lembro que no final de um curso fiz um trabalho apenas explicando a falta de embasamento desta afirmação (“obesidade é consequência de um desbalanço calórico”). A professora disse que foi o melhor texto que leu, pena que eu estaria equivocado, afinal, “obesidade é consequência de um desbalanço calórico”.

Ela falou que eu precisava me embasar em estudos (que dei às dezenas) e para me rebater ela não foi capaz de listar um sequer. Se uma professora que só trabalha com isso e já comprou uma ideia sem embasamento apenas porque é bonita e porque sua professora assim ensinou, bobagem eu querer tentar convencê-la. Ela vive errada, mas não pode estar errada frente aos clientes, por isso os profissionais de Nutrição NUNCA admitirão que por décadas orientam de forma completamente equivocada.

Essa frase que ouço sempre (“é normal não sentir fome nessa dieta?”) é só um achado incrível de Gary Taubes em ação. Ele cunhou uma frase que abriu os olhos de MUITOS profissionais mundo afora: não engordamos porque comemos demais, mas comemos demais porque estamos engordando. Isso como consequência de um desbalanço hormonal na maioria das vezes (??) gerado pela insulina.

Quando se muda a dieta da pessoa de forma mais simples do que se imagina, ela passa a emagrecer e – olha que bonito! – sem fome porque o corpo passa a usar sua energia de sobra (gordura corporal) como fonte.

Não é que a pessoa está emagrecendo porque não sente fome, ela não sente fome porque está emagrecendo!

Obrigado, Taubes!

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Sobre oferta, Saúde, Cronicidade & Obesidade

OU AINDA: o que a Nutrição aprende com o Esporte

No mundo do Esporte a coisa é bem simples: você observa o que fazem/fizeram os melhores e copia. Dando certo, você replica (*seu treinador de corrida dirá a você que o seu treino é individual). Dando “não tão certo” você ajusta. Dando errado você esquece.

A diferença básica entre Esporte e Nutrição é que no primeiro o profissional é avaliado pelos resultados, no segundo pelas intenções.

Nosso corpo ao longo dos milhares de anos de sua evolução foi moldado pela natureza para saber lidar, saber gerenciar picos. Já disse o poeta que “a dose faz o veneno”!

Picos eventuais (de glicemia, de consumo de álcool, de frequência cardíaca, na expressão da força…) não só NÃO fazem mal, como fazem BEM.

O Esporte entendeu isso MUITO bem. Qualquer treinador meia-boca sabe que para ficar forte, é preciso levantar muito peso (picos). E para correr uma Maratona é necessário vez ou outra correr muitos quilômetros. A Nutrição quando fala em “equilíbrio” na dieta dá a entender que entendeu tudo pelo avesso. Ou não entendeu NADA.

Um relatório do NCHS (EUA) revelou que em 24 horas 40% dos americanos terão feito AO MENOS UMA refeição em um fast-food. NÃO É coincidência que um dos países mais obesos e doentes do mundo tenha tamanha presença crônica em um fast-food.

Essa semana conversava com um cliente que se culpa por beber cerveja aos finais de semana.  Final do ano passado alguns “especialistas” que não sabem matemática disseram que não havia dose mínima saudável para o consumo de álcool. Aí quando você olha os números você descobre que aqueles que bebiam UM POUCO de álcool tinham resultados MELHORES que os abstêmios.

O álcool é um agressor ao corpo. Assim como e o jejum e o exercício. Sem jejum, dá ruim. Sem exercício, dá ruim também. Sem álcool… entendeu? O mesmo vale para o café/cafeína, para a sujeira e tantos outros.

O que a modernidade/tecnologia fez foi aumentar a oferta daquilo que antes era raro e caro (ex: açúcar, farináceos, álcool, fast-food, que oferece tudo isso…). Hoje tudo é barato e acessível.

Quando um profissional vem e fala para você REDUZIR o consumo de carboidrato (low-carb), ou o de alimentos industrializados/ultraprocessados (paleo), ou sugerir o jejum, ele está apenas fazendo o MESMO que faz um treinador bom. Ele está pedindo que você REPLIQUE o ambiente em que seu corpo foi criado.

Healthy food

Um “especialista” que fala que low-carb ou jejum fazem mal não entendeu ainda absolutamente NADA. E aquele que fala que paleo não faz sentido, bom… deixa pra lá.

*O que muitos adeptos da dieta carnívora AINDA não entenderam é que deve haver um consumo superior de carne. Assim como os extremistas “low-carbers” TAMBÉM não entenderam é que eventuais picos de glicemia TAMBÉM devem fazer bem. Mas viver em sociedade torna praticamente IMPOSSÍVEL que isto vez ou outra não aconteça. 

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De Emagrecimento, Apostas e Diretrizes

Veja o gráfico abaixo desse post. Ele representa 4 amigos que fizeram uma aposta ($) de quem conseguiria perder mais peso em 1 ano. Um deles pediu minha orientação. Quem você acha dos 4 que estava sob minha orientação? OK, apelei nas cores, eu sei!

O legal depois de um ano foi ouvir dele que ele segue bebendo vinho, teve zero restrição com carne, conseguiu voltar a correr (sedentarismo é consequência, não causa do sobrepeso), e ainda influenciou – segundo ele – ao menos 20 pessoas falando das ideias.

Outra coisa legal é saber que dos outros, dois também tiveram abordagens “paleo/low-carb” com os profissionais procurados! Por quê? Porque FUNCIONA! Só as faculdades, repletas de professores fora de forma e/ou que não atendem que ignoram!

Apenas acadêmico ou “especialista“ distante da prática e negando a realidade, semskin in the game”, dirá que low-carb é curto prazo ou perigoso ou o que seja!

Depois que escrevi do Guia Alimentar Australiano, feito pelos mesmos “especialistas” de sempre, perguntaram sobre o modelo brasileiro. Não vou entrar no mérito que o acho apenas OK. Mais que isso!

Governos NÃO deveriam se meter em diretriz nutricional. Sabe por quê? Porque eles NUNCA vão voltar atrás e NUNCA vão admitir que há cinquenta anos estão 100% errados!

Vejamos agora o Canadá. Não tão grave quanto os australianos, os canadenses estão cada vez mais gordos. O que fizeram no novo guia? Eles extinguiram os grupos carne e laticínios. Qual a razão alegada?

A maioria dos canadenses não come bastante vegetais, frutas e grãos integrais. O que é necessário é uma mudança em direção a uma alta proporção de alimentos à base de plantas“.

Os “especialistas” retiram a carne, um dos alimentos nutricionalmente mais ricos que existem e recomendam mais soja, grãos e bananas. Eles ainda não entenderam NADA. São os maiores culpados pela crise de globesidade e pedem para que aumentemos a dose de um remédio que NUNCA funcionou.

Em 2019 você vai com quem? Com quem te engorda há meio século??

Como ter saúde?!? Fugindo dos “especialistas”!

Albert Einstein certa vez teria dito que “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Vejamos então para onde a insanidade das orientações nutricionais nos levaram. Abaixo listo o que seria uma dieta DIÁRIA recomendada pelos “especialistas” (sempre em aspas) que montaram o Guia Alimentar Australiano, válido entre 2003 e 2013.

– 24 fatias de pão
– 5 porções de vegetais (*eles incluem grãos como sendo vegetais!)
– 2 frutas
– 2 porções de laticínios
– 1 (UM!) pedaço de carne magra (!!).
– 1 pedaço de bolo médio (!!!).
– Uma lata de refrigerante (!!!!)
– 2 bolas de sorvete.

SIM, foram especialistas que montaram essa dieta DIÁRIA! Acredite!

Eu costumo dizer que a Nutrição – digamos – ortodoxa é a arte de negar a realidade e cobrar ($) por isso.

O que aconteceu? Os australianos confiaram no que diziam os “especialistas” oficiais e a obesidade explodiu no país. Mais de 63% estão atualmente acima do peso! Quando você olha as estatísticas ao redor do mundo descobre que a população sempre segue o que lhe é pedido. E o que acontece? Ano após ano ela apenas engorda e adoece!

A foto abaixo que ilustra esse post é daquilo que nos disseram por DÉCADAS ser um café da manhã saudável. Ainda na graduação (acho que já contei isso) uma professora, dessas que montam pirâmides, não gostou que pra um trabalho de sua matéria eu montasse um cardápio diário de uma adolescente feita 100% no Mc Donald’s. Para azar dela a dieta INTEIRA no fast food cumpria 100% com as recomendações nutricionais que ela pedia! Sim! Juro! Ela queria me dar zero, mas teve que me dar 5.0, afinal, eu atingi TODAS as metas.

Quer mudar em 2019? PARE de ouvir o que essa gente recomenda! NÃO funciona! NUNCA funcionou! E eles NUNCA irão confessar que estiveram 100% do tempo equivocados desde o início!

Sabe o que mais Einstein disse?
No meio da dificuldade reside oportunidade.”

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O que comem os cães?

Um dos conceitos que norteiam meus conceitos sobre nutrição diz o seguinte:

Qualquer conselho nutricional que envolva a substituição de um instinto natural ou a substituição de um alimento ingerido por milênios por um produto industrial moderno está errado.” (P. D. Mangan)

Os cães surgiram a partir dos lobos coisa de 15 mil anos atrás. Ao contrário do que muita gente pensa, cachorros não são estritamente carnívoros, como os gatos, por exemplo. Podemos chamar os cães de carnívoros de oportunidade ou por conveniência. O que isso quer dizer?

Que se você for milionário, pode alimentar um cão somente com bife ancho e ele fará cara feia quando oferecer um morango, por exemplo. Mas, no mundo real, não tendo carne em todas as suas refeições, ele consumirá frutas, por exemplo.

Uma vez argumentaram que oferecer banana às minhas cachorras, por exemplo, era um erro conceitual porque cães não tiveram na evolução contato com essa fruta. É verdade, mas lobos consomem frutas silvestres como apontam estudos bem interessantes e muito bem controlados na Mammalian Biology, por exemplo.

E na ausência de dinheiro para oferecer frutas silvestres ou bife ancho, banana e carne barata é uma excelente opção!

Perguntavam ainda sobre dar peixes. Um achado recente da Voyageurs Wolf Project(Minnesota/EUA) obteve imagens dos lobos… pescando! SIM! Lobos pescam! Ou seja, esse animal, ascendente do cachorro é um onívoro que consome peixe!

Outra observação foi que a dieta desses lobos é incrivelmente variada em função da estação do ano. Por isso que chego a dar risada quando vejo profissional da área dizendo que faz cálculos de dieta e nutrientes. Penso sempre duas coisas:

  1.  Ou esse profissional ignora a realidade (nunca deve ter tido ou passeado com um cão na vida);
  2. Ou ele não entende a realidade!

Sabe uma coisa que esses estudos e grupos de estudo NUNCA encontraram? Lobos ou cães selvagens que na natureza se alimentavam de… ração!

O que você está esperando para tirar da cabeça a ideia que um animal tão querido vive bem comendo ração como principal parte da dieta??

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GEL em prova de… 12km?!?

Coisa rápida…. Participei tempinho atrás de uma prova noturna em SP. Ela foi na distância de 6km e 12km. Já no quilômetro DOIS eles ofereciam – que rufem os tambores! – GEL de carboidrato!

E no quilômetro 5!? Isotônico! Daquele famoso, que criou sua fama com estudo malfeito, análise torta e pagando meio dúzia de professores que farejam dinheiro melhor do que qualquer pastor alemão de aeroporto é capaz. Alguns até foram professores meus (os picaretas! Não os cães!)! Quer nomes? Eles sempre assinam diretrizes dessas sociedades “idôneas”.

Água, já disse aqui, eu não bebo em prova nessa distância. Falo o mesmo para quem eu treino e corre mais ou menos na minha velocidade, independente do clima. Agora.. GEL…?!

Costumo dizer a quem oriento que sou portador também das notícias ruins, ainda que quem pague não queira sempre isso. Não sei qual seu ritmo, mas há uma regra praticamente universal: se você precisa de gel durante uma prova de 12km, tenho uma má notícia, você NÃO está pronto pra ela! Deixe-a de lado, treine mais. Você tem mais a ganhar treinando mais para encarar a distância no futuro e menos a perder ($). Talvez você até perca peso!

Se seu treinador pede que você use um gel nos 12km, troque de treinador!

Se seu nutricionista recomenda gel (ou isotônico), troque de nutricionista!

Se seu médico recomenda um dos 2, não precisa trocar! Minha dica é: não dê ouvidos apenas quando ele tocar no assunto esporte ou nutrição, igual os 2 de cima, ele muito provavelmente não sabe do tema!

E se trocar, procure um profissional que se perguntado se você precisa de gel/isotônico pra encarar 12km, ele(a) abra o jogo pra você explicando que você NÃO está pronto! Mesmo que você o faça com o olhar do Gato de Botas da foto…


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Coma MUITO neste Natal!

As colunas e portais sobre Nutrição são originais como uma revista para adolescentes. Na Páscoa o “brigadeiro de biomassa”. Na Festa Junina a “pamonha de painço”. E no Natal, a Ceia Fit. Que morte horrível e dolorosa! Ninguém merece isso! Coma! E coma muito! Sabe por quê?

Porque Nutrição é sobre extremos

Não existe o menor sentido em pegar leve no Natal! Na natureza os animais comem até não aguentar mais e, havendo disponibilidade, comem daquilo que há: as mesmas frutas, a mesma gramínea, a mesma carne de zebra, os mesmos ovos roubados. A tese de que devemos variar a nossa dieta no curto prazo não encontra nenhum suporte na ciência nem na realidade. A variação pode e deve vir no longo prazo justamente porque é isso que causa o extremo tão bem-vindo, tão necessário.

As sociedades convivem desde sempre com ciclos de abundância e escassez ou jejum (o causado pela falta de alimentos ou o voluntário religioso). O que as diretrizes nutricionais, que têm enorme talento em nos adoecer e nos engordar, sugerem é que não façamos jejum (porque em uma espécie de delírio coletivo dos “especialistas”, dizem que faz mal) e recomendam que não façamos banquetes exagerados (pedem “moderação”, justamente o que NÃO existe na natureza, no mundo real fora das universidades).

FAST & FEAST (Jejum e Esbórnia)

Em julho eu devo comer algo como um hectare inteiro de milho. Em abril uns 5kg de Colomba. No Natal uns 7 panetones e 2,7 porcos. Por quê? Porque eu fiz a lição de casa. Eu fiz o Fast, é hora de poder, de ter direito a fazer o Feast! Comer muito no Natal é o poder deitar no domingo sem precisar fazer atividade física nenhuma porque você treinou forte ao longo da semana.

Não é porque eu posso, é porque quando observamos a realidade, algo que a Nutrição NÃO faz, você descobre que é assim que a humanidade caminhou até aqui! Com períodos de escassez (low-carb, jejum, atividade física…) seguidos de abundância e fartura.

Se você fez um, faça o outro sem medo NENHUM! E seja feliz!

Se você ainda está em dúvida, consultoria inbox! Sempre!

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A dieta dos (corredores) etíopes

Até pela minha área de atuação, clientes ou não, uma das coisas que mais me perguntam é sobre a DIETA DOS ETÍOPES. Meio que fiquei de dar minhas observações.

Ano passado escrevi um texto rápido sobre minha primeira percepção ainda no aeroporto. Basicamente se você quiser comer “porcaria” no maior hub (centro de conexões) da África você tem apenas UMA opção. A primeira resposta mal educada (para não dizer burra) foi a de que etíopes são miseráveis que passam fome, por isso são magros. Basta uma visita a bolsões de miséria brasileiros para ver mães e crianças obesas e desnutridas (sim, isso pode acontecer). O peso para menos não é resultado apenas de baixa oferta calórica (voluntária ou não).

O prato da foto desse texto é o ENJERA, um prato típico etíope que você vendo sendo consumido em TODOS os lugares. Se come com as mãos de forma compartilhada com amigos e colegas. A enjera é uma massa e, como todas elas, feita de grãos e fermentação.

O etíope come porcentualmente muito carboidrato em sua dieta. Vale lembrar que é um país muito muito pobre e que carboidrato é DE LONGE a fonte energética mais barata (tenha isso sempre em mente quando vir uma barra de “proteína” por R$4… Isso não existe! Barra de proteína vai custar SEMPRE o preço de uma refeição PF, “prato feito”). Sendo assim é esperado que após os treinos, no almoço ou no jantar prevaleçam grãos e legumes. Carne e ovos, alimentos caros, são luxo.

Então o corredor amador deveria imitar a dieta etíope (ou queniana, também centrada em carboidrato)? 

Essa é uma pergunta engraçada… o amador não copia nada, absolutamente NADA do que fazem quenianos e etíopes no que diz respeito a calçados, equipamento, volume de treinamento, local de treinamento, mas acha que por algum motivo deveria copiar o que eles comem de porcentagem de macronutriente, nunca a fonte.

Um dia escrevo por que acredito que essa abordagem de uma maior restrição ao consumo de carne seja a melhor abordagem nutricional visando a saúde, mas o que mais tiro observando a dieta etíope mais uma vez não é o que eles FAZEM (na dieta) que os faz superiores, mas o que eles NÃO fazem (SEMPRE a via Negativa).

Os etíopes são magros NÃO porque correm (*a maioria dos etíopes NÃO corre e a absoluta maioria é magra!). Eles são magros NÃO porque necessariamente passam fome. Ao andar pela cidade você vê inúmeras vendas de frutas, pães e legumes, não vê pedintes esquálidos. Os etíopes são magros pelo que eles NÃO comem. Há sorvete? Há. Chocolate? Também. Mas são caros a um país pobre. São mais difíceis de encontrar. O consumo de alimentos processados e industrializados não são uma constante na vida deles como é na do britânico, americano, ou brasileiro, povos gordos, de maioria com sobrepeso.

A “vantagem” da dieta deles, novamente, não está no que comem (ninguém consegue afirmar que a enjera é melhor que a tapioca brasileira ou que o scone britânico), mas fazer regime para perder peso ou ter que tomar suplementos é algo necessário apenas para quem tem uma dieta ruim, sem relação com sedentarismo.

O segredo ou a diferença (seja na corrida seja na não-obesidade) não passa pelo que eles comem, mas pelo que eles NÃO comem.

**sim, gostei do enjera! Comi acho que TODOS os dias!

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Danilo Balu
autor

Nutrição não diz respeito somente ao que você come

Dieta é tudo aquilo que você come. Ela pode ser low-carb, vegana, paleo, low-fat… não importa! O problema é que o resultado disso na sua saúde importa talvez mais não do que você come, mas daquilo que você NÃO come.

Parece lógico que deveríamos observar o que fazemos. Mas a via NEGATIVA parece sempre funcionar melhor. Em saúde, retirar funciona sempre melhor que adicionar. Deixar de fumar funciona melhor que qualquer remédio. Deixar de comer açúcar funciona melhor do que injetar insulina. NÃO HÁ remédio sem efeitos colaterais. Não entre os mais de 120.000 existentes!

Você come brócolis? Legal. Mas isso não compensa o cereal matinal. Você come ovos? Muito bom! Porém, isso NÃO compensa a ingestão de alimentos não-naturais como óleo de Canola, ou Soja, ou Margarina, ou Leite Desnatado (ou mesmo leite integral, uma versão “melhor”, se é que dá para chamar assim).

E aqui reside a falha dos que advogam pelo Veganismo ou o seu extremo oposto, a Dieta Carnívora, que ganha adeptos. As duas podem ser “benfeitas” ainda que podemos com segurança afirmar que as duas não serão nunca ótimas, uma vez que o homem é por natureza onívoro.

O Veganismo dá certo não por comermos vegetais, mas porque quando bem feito, abre-se mão de alimentos processados/industrializados. Quem não faz isso, invariavelmente engorda e adoece. Quem não conhece veganos/vegetarianos que só “cresceram”? O mesmo na Carnívora, quem só come carne e ovos não come alimentos processados e industrializados, a maior fonte de doenças existentes!

Resumindo: NÃO HÁ COMO adoecer comendo bicho, planta (folhas e legumes) e bebendo água. Um não come planta, por isso dá certo (ainda que não 100%, já que planta é medicina). O outro não come bicho, e se limitar-se a comer planta e beber água, também dará certo (ainda que também não 100% porque terá uma oferta energética mais linear, o oposto do que deve acontecer em onívoros)! Mas ainda assim eles podem retirar a MAIOR fonte de doenças: os alimentos processados/industrializados e ainda os não-naturais.

NÃO É SÓ O QUE NÃO SE COME

Não comer errado é a lição #1, mas está LONGE de ser a única. O ser humano foi feito para comer de dia (“no claro”). Ou seja, ele foi feito para comer em uma janela restrita alimentar. O que isso quer dizer? Que deveríamos comer com o sol posto e parar de comer quando ele se põe. E aí a Nutrição tradicional assim advoga CONTRA a nossa saúde em 2 pontos:

1. Fazer várias refeições ao dia DIMINUI nossa janela alimentar, lembrando que quanto menor, melhor (o cálculo é simples, tempo entre sua primeira e a última refeição. Ex: seu café foi às 9h00 e o jantar/ceia às 21h00, sua janela é de 12h. o ideal, suspeitamos, deveria estar abaixo de 10-12h, provavelmente por volta de 8h);

2. E fazer várias refeições implica linearidade e equilíbrio na oferta energética, algo NÃO-natural em onívoros, uma vez que este tipo de animal “flutua” entre a linearidade (fonte vegetal) e a intermitente (fonte animal). *e aqui reside a importância de se fazer jejum periodicamente.

Quando falamos de Nutrição ou Dieta, mais do que saber o que você COME, precisamos saber o que você NÃO come. E mais ainda: QUANDO (horário) e QUANTAS VEZES você come.

Fique de olho!

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