Arquivo da categoria: Diabetes

Como chegamos até aqui??

Nos últimos dias escrevi 10 dicas de alimentação. As pessoas sempre me perguntam como chegamos onde chegamos no assunto nutrição… como deixamos que as diretrizes tenham sido desenhadas de forma a ADOECER e a ENGORDAR a sociedade. Muita gente (não são poucas) acreditam e fazem teorias da conspiração. Eu não acredito! De verdade!

Um livro reconta muito bem o nó legal e tributário em que estamos. Em “Sal, açúcar, gordura” (Salt Sugar Fat) o vencedor do Pulitzer Michael Moss revela como podemos ser pessimista quanto ao futuro. Quem conhece a história por trás da teoria de que a gordura saturada faria mal se dá conta que Ancel Keys (um homem inteligentíssimo) fez o que qualquer acadêmico faria: distorceu o que tinha em mãos pra se provar certo.

Como TODA a categoria caiu na mentira, hoje não podem voltar atrás e admitir o equívoco. Eles não têm saída! Se admitirem que estavam SEMPRE errados, perdem crédito ($).

Eu não acredito em complô e lobbying da indústria alimentar e farmacêutica. Elas não precisam disso! Nutricionistas, Médicos e acadêmicos (professores principalmente) fazem isso de graça por elas. Minhas duas avós morreram analfabetas praticamente. Elas comiam banha. Meus professores? ELES quem me fizeram por anos consumir canola.

Eu NUNCA tive um treinador (todos eles formados e ex-atletas) que pedisse pré-treino ou lanche pós-treino. Foram meus professores (que nunca correram) que dizem que é preciso. Minhas avós sem irem à escola sabem mais sobre alimentação que 98% de meus professores. Elas nunca usariam redes sociais para defender um alimento industrializado, como os óleos vegetais industrializados. Quem faz isso é em sua maioria – sempre bom reforçar – gente titulada (Nutricionista, Médico, acadêmicos…).

COVID, obesidade, patrulha e o Elefante na sala

A pandemia trouxe tragédias irreparáveis, mas crises trazem também lições. Ainda temos mais dúvidas do que certezas sobre a doença que assola o planeta. Compreendemos pouco sua disseminação… Calor, densidade populacional, altitude… para cada exemplo indicando uma coisa chegam exemplos contradizendo.

Uma das primeiras tarefas dos profissionais de saúde é identificar quais grupos correm mais riscos. Olhar só a data no RG é simples. Tínhamos que ir mais fundo se quiséssemos mais. Aí foram aflorando… diabetes, hipertensão…

Há um padrão muito claro: acima dos 60 anos a pessoa tem chances MUITO maiores de morrer. POR ISSO mesmo, quando um jovem falecia vítima da doença a imprensa destacava: “jovem de 20 tantos anos é vítima de COVID”. E você abria a matéria e estava lá que “Fulano não pertencia ao grupo de riscos, era jovem, ativo e saudável”. E pesava 137kg.

No começo eu achava que era ignorância. Depois me dei conta: era patrulha. Vivemos em tempos nos quais dizer o óbvio é errado. Por ANOS os profissionais de saúde por ignorância criaram o mito do “gordinho saudável”. Peso de 3 dígitos, mas colesterol, um marcador HORRÍVEL, estava em dia. Porém, NADA bate mais forte que a realidade, NADA destrói mais nossas crenças do que os fatos.

A obesidade – goste ou não, admita ou não – cria um estado inflamatório crônico, PERMANENTE. Não há glorificação da obesidade que derrube isso. Peter Pan podia anular a lei da gravidade com pensamento. Mas o gordo/obeso não consegue com pensamento mágico, campanhas de valorização e afirmação vencer as leis biológicas. NÃO EXISTE OBESIDADE SAUDÁVEL.

Mas dizer que alguém é obeso nos tempos atuais virou uma ofensa de ordem moral, ainda que seja uma questão meramente física. E aí se resguardando de críticas, a imprensa propositadamente ignorava que a pessoa mal cabia na foto da reportagem enquanto a legenda dizia que ela era… saudável. Os profissionais de saúde falharam tecnicamente, a imprensa moralmente.

Mas nada supera a realidade.

Como mostra a foto do post, está cada vez mais difícil negar um fato: a obesidade DIMINUI a imunidade, DIMINUI a expectativa de vida de uma pessoa (com ou sem COVID) isso porque o conceito de gordinho saudável é um MITO que DEVE ser derrubado.

A igreja dos alimentos errados!

Quando falei de AVEIA dias atrás descobri toda uma religião por trás dela que a defenderá custe o que custar. Consumidores (já falo deles) eu entendo, já profissional da área dizendo que alimento rico em carboidrato reduz absorção de carboidrato me confunde a cabeça (mentira! Só me reforça a ideia que a Nutrição vive um delírio coletivo).

Resolvi então falar de SUCO. Um alimento, no delírio de diretrizes, tido como saudável. Descobri nos comentários que há até nutricionista que recomenda dar suco a crianças. É mole?!

SEMPRE que você fala de suco o consumidor, que não é bobo, virá defendê-lo. Custe o que custar! Até eu que sou mais bobo gosto de suco! Errado é quem não gosta de suco! Torta de maçã, que eu também gosto, não há quem a defenda. E por quê? Porque ele se esconde atrás do mito do “natural”.

Algumas palavras, como “natural”, “orgânico”, o mercado sabe bem: ajuda MUITO a vender. Mas urtiga também é natural e ninguém passa na cara. Grama é natural e ninguém faz suco. Faltam-lhes fiéis defensores, mas principalmente…AÇÚCAR.

No mundo paralelo do nutricionista que recomenda suco a uma criança ou aveia ao diabético, a enorme quantidade de amido e frutose deles se esvaem no ar como esperança, é uma FÉ de que aquilo ali será saudável ao corpo, mesmo contra toda lógica ou… EVIDÊNCIAS.

SUCO versus REFRIGERANTE

O argumento é SEMPRE o mesmo. “Suco é melhor que refrigerante”! Mascavo é melhor que açúcar refinado, NEM POR ISSO o faz livre ou bom ao consumo. Suco e Refrigerante compartilham da riqueza em frutose. O açúcar da Fanta não vem de Saturno!

A imagem do texto de hoje é de um refrigerante orgânico, sem elementos artificiais, produzido – ironia das ironias – pela Coca-Cola. Misturando fibra e um polivitamínico a um refrigerante desses faz dele melhor que um suco?

No fundo no fundo o consumidor já decidiu que vai tomar suco. Por quê? É doce, tem açúcar e é gostoso! Ele apenas PRECISA e está desenvolvendo um racional para fazê-lo aplacando a sua culpa. E para tal ele vai argumentar com o que for preciso. Ele PRECISA é acreditar… Ele irá se enganar se preciso for!

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Diabetes do tipo “Nutris Esportivos”

Veja a conclusão do seguinte estudo feito com atletas de ALTO nível, desses que vivem indo em “nutri esportivo”: “ao contrário das expectativas a glicemia alta parece ser uma preocupação MAIOR do que a baixa glicemia mesmo naqueles com MAIOR gasto de energia e consumindo ABAIXO da ingestão recomendada de carboidratos”. Do grupo estudado, 30% desses atletas (que treinam MUITO e competem BEM melhor que você) tinha PRÉ-diabetes!

“VOCÊ NÃO CONSEGUE PELO EXERCÍCIO SUPERAR UMA DIETA RUIM”

Lembre-se: tenha a sua volta profissionais que tenham skin in the game, pele em jogo! E quem manda você encher o rabo de carboidratos HOJE para correr 21km NÃO tem pele em jogo, afinal, as consequências do consumo crônico de carboidrato (especialmente aqueles na forma de LIXOS como os isotônicos e géis ou balinhas) se dará só quando já tiver passado sua consulta com ele.

A corrida (ou QUALQUER outra atividade física) NÃO te salvará do custo fisiológico do consumo crônico de carboidrato na forma de suplemento, suco e farinha.

Talvez você conheça Steve Redgrave, o maior remador britânico, um dos maiores da história. Sua dieta foi “cientificamente” elaborada por “nutris esportivos”. Ele consumia gel, balinhas de carboidrato (jujubas), geleia e treinava feito um cavalo… Redgrave treinava em uma semana mais do que você treina por mês. Hoje ele tem diabetes. Duvido que algum desses “nutris esportivos” ainda estejam ao lado dele na doença.

 

Por que ele caiu nesse conto?

Porque TODOS (eu tive aula com encantadores de serpente também!) fomos educados pela “ciência” de que tinha que ser assim… Eles, ingênuos (ou nem tanto, pois acreditam nisso entre outras coisas porque ganham dinheiro vendendo suplemento), acharam que não havia consequências inesperadas.

A tese do consumo crônico de carboidrato refinado, ou seja, SEM fibras (suplementos, sucos, géis, açúcar, frutas anabolizadas…) NUNCA foi a norma na espécie. “Nutris esportivos” AINDA acham que é melhor. Porém, a oferta frequente de energia NÃO é o padrão na natureza, que moldou nosso organismo.

Talvez caiba falar ainda de Rob Gronkowski, ex-jogador do New England Patriots que se junta a Joe Thomas de quem falei tempo atrás. Gronkowski perdeu quase 25kg em 1 ano mesmo treinando MUITO menos. Como?! Apenas deixou de seguir a “ciência” dos “nutris esportivos”. Talvez justamente POR ISSO não vire um diabético obeso.

Pergunto: o “nutri esportivo” que hoje te vende palatinose e a ideia de lanche pós-treino estará ao seu lado quando você estiver obeso e diabético??

O mito do “carne demais pra um cão”…

Veja o que um leitor me mandou. Continuo na sequência:

“Minha cachorrinha de 12 anos foi diagnosticada com diabetes. A Veterinária me indicou uma ração caríssima (R$45/kg). Pois bem, o principal componente da ração, é cevada (73g de carboidratos a cada 100g). Questionei a grande quantidade de carboidratos (faço low-carb há 2 anos, perdi muitos quilos) se não afetaria na sua glicemia.

Ela respondeu que a ração é de “baixo IG”, balanceada, blablablá… e que o tratamento somente pode ser feito usando essa ração. Sugeri usar uma dieta low-carb, porém ela refutou na hora dizendo que o excesso de proteína iria acabar com os rins e com o fígado dela.

Fiz 5 medições de glicose (a pedido da veterinária), a alimentação dela já começou com a tal ração… como esperado, o glicemia dela subiu muito após as refeições…”

Voltei. Sei que corro o risco de soar repetitivo, mas as diretrizes nutricionais, seja em cães, seja em humanos, VIVEM de negar a realidade. Ao cão, um animal que na oferta da carne opta por ser carnívoro e que, quando é intolerante ao carboidrato (essa é a definição para diabetes), a ele recomendam que coma muito… carboidrato.

Faz sentido? Não, lógico que não! Isso é delírio de toda uma categoria que não precisa estudar nutrição na faculdade para cuidar de nossos animais.

Dizer que a proteína da carne irá “acabar com os rins e com o fígado” desse animal, é como achar que um coelho não pode comer muito mato. O rim e fígado desses animais são feitos para trabalhar com essas demandas. Ou então é como sugerir que fazer atividade física faz mal porque irá “acabar” com nosso coração. É um pensamento burro, raso.

Vamos aos fatos, ao que há de evidência sobre carne fazer mal aos órgãos dos cães?

Quando olhamos estudos controlados temos que não há efeitos deletérios aos rins como consequência de uma dieta rica em proteínas em cães saudáveis.

Este trata-se de um temor infundado e falso que faz muitos pensarem que a alta ingestão de proteína pode afetar a saúde renal. Não estamos aqui negando que uma maior ingestão proteica poder ser questionada em cachorros com problemas renais pré-existentes, forçando estes a realmentereduzir sua ingestão proteica pela sua dificuldade em excretar diversas substâncias.

Para explicar esta questão de a dieta em animais com patologias específicas determinar a segurança ou não de algo em um animal saudável, gosto de usar uma analogia. Quando você tem uma perna quebrada, você não deveria sair fazendo caminhada pelo parque, mas isso nem de longe significa que sair para andar no parque resulte em uma perna quebrada. Ou seja, é um enorme engano supor que um cão que tenha rins saudáveis irá adquirir problemas porque o organismo de um animal com insuficiência renal não pode lidar perfeitamente com a excreção de proteínas.

Há aqui outra questão de ordem semântica. Uma dieta que seria hiperproteica em um animal herbívoro, por exemplo, pode não ser a um animal carnívoro como um lobo, que tem demandas proporcionais muito maiores para esse macronutriente. Oferecer uma dieta hiperproteica, ou seja, com “grande quantidade de proteína” como determina a definição do dicionário, a um animal como um cão não pode ser considerado nocivo à priori quando esta é a norma na natureza.

Um temor inicial de estresse renal de um criador que desconhece a fundo estudos na área de dietas é até compreensível. Porém, um veterinário profissional sugerir ou insistir com essa argumentação diante de tantas evidências, é sinal de ignorância ou vontade e desejo pessoal de ignorar tais evidências.

Primeiro temos que ter sempre em mente que cães parecem não ter um limite superior de consumo de proteína e carnes que trariam prejuízos à sua saúde ou integridade renal, um mito que sobrevive entre nós humanos e que é sempre levantado quando alguém sugere oferecer carne a um cachorro. Estudos já foram feitos tentando derrubar essa ideia.

Cães estão mais do que aptos a lidarem com enormes quantidades diárias de carne sem prejuízo à sua saúde. Um estudo, por exemplo, não encontrou correlação entre consumo proteico e comprometimento na saúde renal. Os cães tiveram 75% da massa dos rins retirada e foram alimentados com mais de 55% de suas calorias advindas das proteínas e ainda assim após quatro anos nada foi observado.

Os resultados de mais de 10 estudos experimentais com cães não encontraram evidências dos benefícios da redução de ingestão proteica nesses animais em diminuir também problemas renais.

Como dito, esta é uma preocupação recorrente seja em humanos ou em animais. Porém, ainda em 2005 um estudo concluía que uma dieta rica em proteínas (hiperproteica) não contribui com a falência renal. Por isso este é um temor que você não deveria ter.

Se diante evidências seu veterinário insiste nisso, você sabe o que eu penso…
 

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O que Dostoievsky nos ensina sobre Nutrição…

CARBOIDRATO É NÃO-ESSENCIAL. Ou ainda:

“ACIMA DE TUDO, NÃO NEGUE A REALIDADE”

Tenho um grandessíssimo amigo que sempre usa uma frase de Dostoevsky (em “Irmãos Karamazov“): “Acima de tudo, não minta para si mesmo”.

Não negar a realidade tem sido o meu motto este ano. Soubemos agora que a poderosa ADA (Associação Americana de Diabetes), que sempre pareceu mais lutar em prol da doença que dos doentes, que sempre gostou mais do dinheiro que do diabético, FINALMENTE reconheceu que nosso corpo NÃO tem uma necessidade mínima deste macronutriente.

Um dos capítulos de meu livro “O Nutricionista Clandestino” é JUSTAMENTE sobra a NÃO-essencialidade do carboidrato. O que isto quer dizer? Que este é um nutriente que TOLERAMOS, que NÃO HÁ necessidade mínima diária de consumo dele. Que na ausência dele a saúde PODE ser mantida SEM prejuízos.

O que faz a Nutrição tradicional? Nega a realidade. Ela usa um nutriente NÃO-essencial, DISPENSÁVEL à “manutenção” da saúde, como BASE de nossa alimentação. Isso é delírio coletivo. Isso é alucinação de toda uma categoria que se julga especialista.

O mais perturbador disso tudo é que esta é uma informação que sabemos em um estudo clássico de 1967 e que TODAS as entidades, sociedades e associações de saúde decidiram TODAS ignorar. Sabe por quê?

Porque para negar a realidade elas decidiram, “acima de tudo”, mentir para elas mesmas.

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A Resistência à Insulina.

Não me importa em quem votou! Se for contra o regime do militar, seja a resistência! Mas não seja RESISTENTE À INSULINA!

O problema de enxergar o controle de peso (ou o emagrecimento) por um viés matemático, de mero controle calórico, erra em uma questão básica, fundamental: nosso peso é regido pela Biologia, não pela Matemática. É uma questão de Fisiologia, não de Física.

A RESISTÊNCIA À INSULINA

Nosso corpo responde a estímulos em função de basicamente duas variáveis: sua intensidade e sua frequência.

Quando os mineiros chilenos saíram da mina após mais de 2 meses soterrados, usavam óculos porque a AUSÊNCIA de luz nos torna sensíveis à luminosidade. O seu colega que mora ao lado do Rio Tietê não sente o cheiro fétido daquilo que já foi um rio ao cruzar SP, pois ele é diariamente exposto ao odor, assim como você não sente mais o perfume forte daquela colega de mesa do escritório.

Isso porque a SUBTRAÇÃO de um agente estressor aumenta nossa SENSIBILIDADE a ele. Já a crônica EXPOSIÇÃO a ele nos torna RESISTENTES.

Isso é muito claro no esporte e na vida real. Por que seria diferente na Nutrição?

Ser SENSÍVEL à insulina, ou seja, o OPOSTO de ser RESISTENTE à insulina é um EXCELENTE marcador de saúde. Quanto mais sensível, melhor o desfecho. Ponto. Mais. Pessoas resistentes à insulina, igual ao PM da foto, são MUITO mais propensas a estarem ou serem acima do peso. Há uma ENORME correlação positiva entre resistência à insulina e obesidade. Pessoas assim têm constantemente maiores níveis de insulina circulante, um hormônio que impede a queima de gordura e empurra glicose para dentro das células.

Isso dito e sabendo que o diabetes (do tipo 2, aquela “adquirida”) é um caso de extrema resistência à insulina, qual a abordagem mais eficaz, sabendo que nosso corpo fica sensível à subtração de agentes?? Sim, com certeza, a REDUÇÃO do consumo de carboidratos.

E se sabemos que uma pessoa com sobrepeso e/ou obesa tem GRANDES chances de ser resistente à insulina, qual seria a melhor abordagem? RETIRAR aquilo que a tornou resistente à insulina em primeiro lugar: a própria insulina. E o que gera aumento de insulina circulante? Consumo de carboidratos (seja em quantidade ou frequência), principalmente os mais refinados (farinhas), os simples (açúcar) e os de alta carga glicêmica (grãos). E na “ausência” do estressor (insulina), seu corpo fica mais sensível (saudável).

E o que pede a tese do balanço calórico?

Que ignoremos o mundo real e foquemos apenas em comer menos calorias.

Pois é… 

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Danilo Balu
autor

Por que Low-Carb. Ou ainda: o ser humano é frágil ao Carboidrato

É uma vergonha que a Nutrição não enxergue o que vai abaixo.

*para este texto não ficar ainda mais longo, conto com a compreensão que para lê-lo você de cara assuma uma verdade que hoje é consenso na Nutrição: o Carboidrato é um nutriente NÃO-essencial ao ser humano. Ou seja, você pode viver sem consumir NADA dele. Característica essa que NÃO é compartilhada por proteína ou gordura, ambas essenciais.

Para começar, saiba que o ser humano, o homem, é frágil ao carboidrato. Pergunte isso a qualquer diabético ou a qualquer médico. Alguém é Frágil (a algo) quando “os impactos trazem danos maiores à medida que sua intensidade vai aumentando (até certo nível)”. Isso acontece quando fazemos consumo de cada vez mais carboidrato em duas frentes. Primeiro com o aumento da glicemia (açúcar no sangue) e o organismo tenta controlá-la abrindo mão da insulina e também pela concomitante redução do consumo de 2 nutrientes essenciais na dieta (proteína e gordura).

Duvida? Deixe de tratar um diabético, um indivíduo que não metaboliza bem carboidratos. Ele morre. Deixe de oferecer proteína e/ou gordura a uma pessoa. Ela morre.

Porém, o corpo NÃO é frágil a esses 2 nutrientes. Não existe consumo excessivo de proteína. Não existe. Não existe consumo excessivo de gordura. Simplesmente não existe. Isso porque ad libitum, ou seja, à vontade, esses 2 nutrientes não possuem mecanismos de retroalimentação do tipo supernormal, ou seja, você não fica viciado em carne ou barrigada. Você fica, sim, viciado em alimentos que tenham necessariamente um nutriente que o cause: o açúcar ou carboidrato processado.

Resolvi escrever esse texto porque recebi 2 posts de nutricionistas que até parecem inteligente, mas se fazem de burro para provar seu ponto. Um deles, tempo atrás disse haver uma margem saudável ou ótima de consumo de carboidrato. Isso simplesmente não existe. Precisamos ver o carboidrato (na verdade a frutose e os carboidratos processados, como farinhas e açúcar) como poluentes (o que é diferente de veneno).

Assim como na natureza, você pode ir poluindo um rio (ou uma cidade) e ainda assim utilizá-lo ao lazer ou mesmo fonte de água. Mas há um ponto em que ele morre. Com carboidrato é parecido. Você pode comer pão integral todo dia e ainda assim viver 85 anos. Eu consigo matar alguém dando carboidrato vendido no supermercado, eu NÃO consigo fazer isso com proteína/gordura (que não deve ser coincidência que sejam quase sempre encontradas juntas na natureza). **aqui ignorando fontes podres desses nutrientes como soja ou óleos vegetais, por exemplo.

Há aqui uma questão de não-linearidade na resposta. Ou seja, vou dando cada vez mais gordura/proteína a uma pessoa e não vejo mudanças drásticas. Porém, quando faço isso com carboidrato (frutose ou processado) e após algum momento aumentando seu consumo eu o mato. Isso de certa forma nos reforça: somos frágeis ao carboidrato, não o somos aos demais. PONTO.

Você dar ou oferecer pouco carboidrato a alguém, sem o matar, não tira o prejuízo. E nesta categoria, ainda que em outra magnitude, entra por exemplo, o cigarro. Um nutricionista que diz que “tudo bem” comer um pouco de açúcar equivale ao pneumologista que diz “tudo bem fumar 3 Belmont”. Ambos (nicotina e frutose/glicose) têm seus mecanismos de retroalimentação. Não matam, mas podem criar o ciclo de consumo supernormal que faz seu consumo virar rotina. Se não há consumo mínimo de NADA a que somos frágeis, por que deve haver com carboidrato? ***não pergunte a mim, pergunte ao gênio que pede que você coma grão de bico ou torrada.

A recomendação que já vi algumas vezes de muita gente que se parece inteligente de comer X de carboidrato é, desculpe o termo, tão IDIOTA, tão burra, que não sei como passa despercebido. Não existe consumo seguro de cigarro, assim como NÃO existe consumo seguro de açúcar. Assim como não existe consumo seguro de frutose, a menos que ela venha acompanhada de muita fibra, a ponto de virar um limão ou maracujá.

Mas voltando à recomendação IDIOTA de consumo de X% de carboidrato… ela é tão irracional porque hoje sabemos que podemos viver com ZERO dele. Por outro lado, SABEMOS que PRECISAMOS consumir proteína E gordura e que SABEMOS que quanto mais carboidrato (desacompanhado de muita fibra) pior é o desfecho à saúde, pois como existiria assim um valor médio??

Ele existe?
É óbvio que não! Não, ele não existe. É a ignorância de uma área que se orgulha de não estudar matemática que arrisca dizer que ele existe. É como eu pedir que alguém que não sabe nadar pode atravessar andando um rio de profundidade média de 1,60m. Essa pessoa é frágil a rios fundos! Eu tenho que dizer que ele só pode atravessar rios com a menor profundidade possível! Eu TENHO que dizer que ele deve fugir da frutose como foge da nicotina ou de algum outro agente menos viciante, porque não ser veneno (e não é mesmo) não tira sua característica de ser poluente. Ainda que você consiga viver em uma cidade poluída. Uma média de consumo de carboidrato (um desses falsos-inteligentes arrisca até uma porcentagem) não tem sentido porque somos frágeis ao carboidrato! Ainda que eles neguem. E negam porque em sua ignorância confundem incompreensível com inexistente.

****na imagem o consumo em azul de carboidrato vai aumentando até “dar ruim”. O consumo de proteína/gordura (lilás ou roxo, sou homem) por não ser frágil não tem um evento inesperado.

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De chocolate, leite achocolatado e pós-treino.

Tempo atrás falei rapidamente como em questão de 10 anos fabricantes de chocolate convenceram centenas de veículos, uma infinidade de profissionais de saúde e milhões de consumidores a achar que comer chocolate 70% é saudável (resumo: não, não é nada saudável). Tenhamos sempre em mente algo que funciona na vida que também SEMPRE funciona na Nutrição: nada nunca é de graça.

Em 2015 houve um episódio que mostrou a fragilidade e a baixa confiabilidade das recomendações nutricionais quando feitas em veículos impressos, TVs ou portais. Para demonstrar esse ponto, o jornalista John Bohannon divulgou propositadamente um estudo falso que dizia que “chocolate acelera o emagrecimento”. Sua Fake News foi publicada em TVs, revistas, em mais de 20 países, em mais de uma dúzia de idiomas, no maior jornal europeu e em outros diários internacionalmente famosos.

Então se chocolate não emagrece (e não é saudável)… POR QUE HÁ QUEM ACHE ACHOCOLATADO UM BOM LANCHE??

Bem antes da pegadinha de Bohannon, ainda em 2006 uma orquestragem da indústria nos enganou de outra forma. Fomos levados a acreditar que leite achocolatado (iguais aqueles que vêm em caixinha com canudinho) seriam bom repositores pós-treino. Um estudo (JOHNSTON et al) propositadamente mal desenhado foi financiado pela “Dairy and Nutrition Council” de um jeito a dar a entender que beber uma ou duas caixinhas após treinar forte era a melhor e mais barata alternativa de reposição alimentar. O resultado? Não deve haver UM veículo que cubra corrida que não tenha sugerido achocolatado como boa alternativa. Mas…

ELE NÃO É BOM. E EXPLICO OS MOTIVOS.

Tal qual isotônicos, achocolatados contêm água e energia. Mas contêm além disso proteína, cálcio e vitamina D. Porém, nutricionalmente falando, achocolatado é basicamente açúcar líquido disfarçado. MUITO açúcar. MAIS do que refrigerante.

Deixemos de lado a questão se leite pasteurizado é bom ou não (é ruim, mas fica para outra oportunidade). Esqueça que achocolatado engorda ou sabota sua dieta. Ignore que ele é feito basicamente com ingredientes artificiais ou que ele rouba o lugar de alimentos de verdade que você deveria estar consumindo. O que podemos com segurança afirmar é que achocolatado como lanche ou opção é UMA DAS PIORES alternativas que alguém pode escolher após o treino. Dizer que é melhor que isotônico não só não é verdade (o estudo não chegou a esse veredito) como não deixa de ser uma comparação esdrúxula, afinal, compara dois lixos nutricionais. Não deve haver profissional de saúde minimamente competente que sugira isotônico que não seja apenas DURANTE a corrida (ou qualquer outra atividade).

A estratégia de marketing feita com o chocolate 70% e com o achocolatado nos reforça de 2 pontos: um é que assim como qualquer outro doce, esses 2 produtos devem ser encarados como sobremesa, doce, indulgência. O segundo e mais importante é que quem mais se beneficia de chocolate 70% como saudável ou de achocolatado como pós-treino é a indústria que vende, não você que compra ou consome.

*Prefiro não entrar na questão de mães que colocam achocolatado na lancheira de seus filhos

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De Foie Gras, Terremotos, Sucos e Nutricionistas – Parte 2.

Um nutricionista que sugere suco de fruta como algo saudável ou seguro é amoral, inútil e antes de tudo um incompetente. É uma questão lógica, de risco. Mas é também uma questão de fisiologia.

Foie Gras é uma iguaria culinária feita com fígado de gansos. Para ela ser melhor, o fígado da ave tem que estar patologicamente gordo, doença essa que em humanos chamamos de Esteatose Hepática, um acúmulo de gordura nas células do fígado. Ela pode ser dividida em doença gordurosa alcoólica do fígado (quando há abuso de bebida alcoólica) ou doença gordurosa não-alcoólica do fígado, quando não existe histórico de ingestão de álcool significativa.

Como o próprio nome diz, ocorre por acúmulo de gordura no fígado. Você não tem dificuldade de encontrar ~especialista~ que diga que a primeira abordagem seria retirar/diminuir a ingestão de gordura na dieta. Não duvido que esse profissional ache que se você comer ervilha, você ficará verde.

O fígado tem algumas particularidades. É ele quem metaboliza “todo” o álcool que ingerimos (isso já é sabedoria popular). O que muita gente não sabe é ele também quem metaboliza “toda” a frutose que consumimos.

Como adoecemos os gansos os engordando? Dando uma quantidade estúpida de glicose na forma de milho forçadamente goela abaixo dos animais, com mangueiras, diretamente em seu estômago. Milho é um grão, tal qual arroz, um alimento rico em amido. O que é amido? Um polímero de glicose, ou seja, centenas de moléculas de glicose ligadas uma a uma que em sua boca e seu estômago viram… “pura” glicose. E atualmente sabemos que a esteatose hepática é muito comum em outras condições que não as relacionadas ao abuso da ingestão crônica de álcool (“doença gordurosa não alcoólica do fígado”).

O QUE OS GANSOS DOENTES NOS ENSINAM?

Suco de laranja, o mais consumido, tem em sua composição cerca de 28g a cada 250ml de suco. Uma lata de Coca-Cola (350ml) tem 37g. Vc pode dizer que um é industrializado o outro é natural. Duas observações: a Coca-Cola é feita com açúcar de milho, tão natural quanto uma laranja, em uma composição de aproximadamente 55% de frutose e 42% de glicose, composição mto parecida com o açúcar branco de mesa (50-50%). E o suco de laranja? Formado por frutose E glicose, tal qual… refrigerantes!

Lembra da história do fígado? É ele e só ele quem metaboliza a frutose que ingerimos. Só que ele tem um “teto” de armazenamento que é de cerca de 100-120g (*precisamos assumir que esse tanque não se esvazia completamente). O que ele faz com o excesso? O transforma no melhor jeito de depositar energia em nosso corpo: gordura.

Suco de laranja é a história do evento de cauda… em uma sentada eu consigo tomar 500ml (56g de açúcar), 1L… isso sem contar o que eu vou ingerir de glicose e frutose além do suco. Porém, suco e refrigerante são bebidas “universalizadas” apenas recentemente. Vamos olhar o histórico?

Um sinal indicativo do futuro sombrio que nos aguarda é saber que a presença dessa doença era praticamente desconhecida em crianças até 15 anos atrás. Agora estima-se que 1 em cada 10 delas tenha esteatose hepática (sempre do tipo não alcoólico). Mas se você olhar apenas aos garotos mexicanos e americanos obesos, essa chance passa a ser de 50%! Mais! Em 2001 de cada 100 transplantes de fígado nos EUA, um era em razão da doença. Em 2010 esse valor já estava em 10%.

O especialista em diabetes Gerald Reaven (Stanford University), por exemplo, diz que para induzir ratos a adquirir esse problema, basta aumentar a frutose da dieta. Como o açúcar frutose (de refrigerantes E sucos) é metabolizado no fígado, seu excesso geraria esse acúmulo adiposo no órgão.

Um estudo oferecendo 480ml de suco de uva por 3 meses causou resistência à insulina em mulheres, doença atrelada à doença do fígado (HOLLIS et al, 2009). Se seu nutricionista topar tomar o dobro disso (1L por 6 meses), aí ele pode usar o raciocínio torto dele para dizer que suco é uma bebida saudável e segura.

Será que ele topa? Ou ele vai usar um dos discursos mais estúpidos da Nutrição, o da “moderação e equilíbrio”?

*fruta pode dar o mesmo problema? Um copo de suco usa cerca de 3,5 laranjas. Você consegue beber 1, 2 copos. Eu nunca vi alguém comendo isso na minha frente. “É o Risco, estúpido”. 

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