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A Nutrição Esportiva é míope

Dos maiores males da sociedade é a busca por conforto. Modernidade, progresso e tecnologia tornaram tangível conforto entorpecente a preço módico. Era de se esperar que um dos males do corredor moderno fosse a busca por conforto. As perguntas mais recorrentes são sobre o que tomar durante e após treinos. Corredores querem nadar sem se molhar, correr sem se cansar.

Que os bons nutricionistas (vários!) me perdoem, mas buscar nutricionista esportivo é um fracasso em seu fim, só faz sentido a quem estiver acima do peso. Isso porque lhes faltam um entendimento BÁSICO, MÍNIMO, ELEMENTAR de treinamento. O papo é sempre o mesmo: pré treino, suplemento durante e pós-treino. Isso é um ATESTADO de que não compreenderam absolutamente NADA do esporte. Sabe por quê?

Porque a busca pelo conforto é CONTRAPRODUCENTE. Vai na CONTRAMÃO do esporte. À medida que treinamos mais, nosso condicionamento aumenta porque é ISTO que queremos. A meta NÃO é bem-estar ou conforto, mas desempenho, o fim maior. Porém, fadiga/cansaço/desconforto TAMBÉM aumenta nesses períodos de treino intenso. Digo mais: eles PRECISAM aumentar. No Esporte DESCONHECEMOS atletas que ganharam desempenho SEM desconforto.

Após um período de treino, de grande desconforto, você NÃO vê muito progresso, melhoria. E É ISTO que Nutricionistas não são capazes de enxergar porque não ENTENDEM do esporte! Sabe por que progresso não vem DURANTE o treino? Justamente porque só quando as cargas de treinamento são REDUZIDAS (polimento!) e a fadiga DESAPARECE que um melhor condicionamento aparece.

É ao REDUZIRMOS a fadiga (e não evitá-la!) que VIVENCIAMOS ganho de desempenho. É NESTE momento que estamos fisicamente melhor.

Como disse Steve Magnessestar desconfortável é um sinal de que estamos em uma condição pra crescer. Adaptação e desenvolvimento NÃO acontecem quando estamos em conforto, mas sim quando estamos ultrapassando nossos limites.

E o que quer um nutricionista com seus lanchinhos? Que evitemos um estado SINE QUA NON para ganho de desempenho. NÃO TEM COMO DAR CERTO!

Aos meus orientados sou sucinto: NÃO vá ao Nutricionista. A menos que você não queira melhorar. Ou a menos que esteja bem acima do peso.

Sobre Dieta Low-carb em corredor amador

*texto originalmente publicado no Blog Recorrido.
É MUITO comum corredores me perguntarem: se a elite não faz low-carb por que um amador deveria fazer?
Ou ainda, dessa vez é a leitura míope de nutricionistas: a elite, para correr rápido, consome muito carboidrato, então você amador também deveria consumir.
Ambos raciocínios estão errados, ainda que façam algum sentido (do amador se perdoa o equívoco, de nutricionistas não! Mas como não sabem nada de esporte, é de certa forma compreensível). Cada esporte deveria ser visto em função de suas demandas que nem sempre são aquilo que nos aparece em um olhar mais apressado.
As pessoas acham que os jogadores de basquete são altos. São mais do que altos! Eles têm é uma ENVERGADURA enorme. O corredor de longa distância, quanto mais longa a especialidade, MENOR deve ser seu peso.
Não temos que olhar o esporte SOMENTE pelo que fazem a elite porque isso por si só NÃO explica serem fora da curva.
É legal ver que o baixinho gosta de jogar de basquete ou o cara lento insiste em correr provas de 800m. O filme da Disney e de Hollywood gostam de dizer que “tudo é possível“. Você até PODE escolher o seu esporte, mas é o ESPORTE quem escolhe quem fará sucesso nele. E na corrida ele escolhe pessoas rápidas E leves! Isso por uma questão mecânica!
E a elite do atletismo, igual o defensor da NBA tem envergadura MAIOR que a altura, acaba tendo enorme tolerância ao carboidrato. Tolerância essa que permita que ele se ENTUPA de carboidrato sem efeitos adversos (ganho de peso, hipertensão, resistência à insulina). Desses efeitos o peso é o que MAIS nos interessa (amadores). E sabemos que uma dieta de baixo carboidrato é a de mais fácil manutenção de um baixo peso.
SIM, uma dieta rica em carboidrato na elite permite maior POTÊNCIA aeróbia, capacidade determinante em provas de 5km e 10km. Então nada melhor do que eles comerem muito já que são tolerantes.
O amador não! Come muito, tem poucos benefícios com a potência aeróbia em provas de 10km em diante, engorda, fica lento… Ficou mais claro?
É sempre MUITO pertinente olhar o que faz a elite. Mas SEMPRE que o fizer saiba que aquilo ali não explica tudo afinal eles foram ESCOLHIDOS pelo esporte deles. Você não. Com você as regras podem ser diferentes.

GASTO ENERGÉTICO: uma entidade pouco compreendida

Fiz 3 anos de Engenharia Civil. Eu achava que seria engenheiro porque sempre gostei de contas. Tanto no colégio quanto no Laboratório de Física, já na POLI-USP, fazíamos experimentos de termodinâmica. Aquecíamos materiais isolados fazendo cálculos pra ver como se comportavam.

A Nutrição, em um reducionismo, num “pensamento por aproximação”, passou a tratar nosso organismo (biológico!) como uma lâmpada incandescente ou uma esteira ergométrica, ou seja, considera tudo pelo lado físico, matemático, ignorando inúmeras DEZENAS de hormônios que regulam nosso organismo, seu peso e funcionamento. Não tinha como dar certo, por isso é um fracasso no controle do peso!

Sábado fui treinar na volta da grade do Ibirapuera com um amigo de longa data. Pelo pensamento por aproximação e reducionista da nutrição, você poderia ADICIONAR o gasto do treino ao total energético de nosso dia. Na faculdade ensinam equações de gasto energético que funcionam PURAMENTE por FÉ. A base dessas equações NÃO passariam em “Laboratório de Física Elementar pra Iniciantes” se existisse. Por quê? Elas se baseiam em PURA e PORCA extrapolação.

Na POLI se você errasse UMA conta o professor de Resistência de Materiais dava zero e dizia “o caminhão derrubou a ponte” (aconteceu COMIGO!). Na Nutrição você faz a conta, a pessoa não emagrece e você dá zero é pra ele.

No mesmo sábado dormi de tarde. Foi a primeira vez em semanas! Motivo? Foi meu treino mais longo no período! Foi o jeito que meu corpo encontrou pra me trazer ao equilíbrio, de COMPENSAR um maior gasto energético matinal! Eu NÃO gastei mais energia no dia, eu CONCENTREI o gasto pela manhã! POR ISSO que aumento de volume de treino NÃO vem com gasto energético ou perda de peso equivalentes! Já disse antes: eu DORMIA TODO sábado (longos) em minhas últimas maratonas. Não CONSEGUIA ficar acordado.

O gráfico do post mostra um modelo compensatório de gasto energético porque ele parte da premissa de que nosso corpo NÃO funciona como uma máquina, mas como um organismo biológico, VIVO. A extrapolação de gasto calórico NÃO faz sentido porque o gasto NÃO é linear.

Meu experimento com a Coenzima Q10 (CoQ10)

Acabei recentemente outro experimento pessoal. Como sempre faço com essas papagaiadas que aparecem na corrida, terminei um período de 60 dias de suplementação com a CoQ10, a Coenzima Q10, uma das preferidas dos atuais “vendedores”.

Por que faço isso?

No começo, em meus tempos mais ingênuos, eu fazia porque acreditava. Foi ainda em 1997 que usei um tempo BCAA. Ex-professores, que não correm, não dão treino nem trabalham com corrida, apenas vendem para corredores, falavam de seus (supostos) benefícios. Então comprei (por isso ninguém tem que ter vergonha quando for enganado. Você só precisa rever por que você QUER SER enganado).

Eles ainda vivem de vender essas coisas. Deve ser duro 20 anos buscando evidências sem sucesso que não seja comissão…

Pra quem já usou palmilha de silicone, multivitamínico e até recovery pós-treino, 60 dias de Q-10 era fácil. Então comprei.

Comprei porque é mais honesto. 2 ou 3 telefonemas e teria amostras em casa (vez ou outra um desavisado me oferece “parceria” de suplemento… Ninguém elogia isso em rede social de graça!).

Primeiro efeito colateral: estou R$75 mais pobre. Único benefício observado: estou livre da ideia de que CoQ10 sirva pra algo na corrida.

Tem gente muito boa que acompanho que usa esse suplemento. Pedem que seus clientes (NÃO-corredores!) usem algumas semanas quando estão em transição de uma dieta “junk” para uma dieta low-carb.

Alguma intenção de desempenho? Não! Para evitar fadiga mitocondrial, buscando melhora de disposição e cognição nessa mudança de dieta.

Não há lógica para o desempenho. Dá um alívio ouvir isso dos 2!

De Influenciadores, “Skin in the Game” & Expertise

EXPERTISE: palavra de origem francesa que significa experiência, especialização, perícia. Conjunto de conhecimentos de alguém”.

Não é saber o que importa, mas saber aquilo que NÃO importa.” Novamente é a superioridade da Via Negativa, pois sabemos mais aquilo que NÃO é. O conhecimento é, pois, SUBTRATIVO.

Dias atrás com o Silas Rodrigues e o Leo Moratta o tema treinamento veio à tona. Acho que o Silas quem disse: sabe como sei que Bosu, prancha, fitball e esses malabarismos NÃO funcionam (pra ganho de força)? Porque quem orienta NÃO usa isso em SEU próprio treino pessoal. Elas mandam os OUTROS usarem. Eles não usam!

Uns leitores se assustaram qdo eu disse que NÃO leio artigos e que pra algumas coisas você NÃO precisa ler absolutamente NADA. O meio FILTRA a você o que REALMENTE importa.

Veio à tona uma denúncia GRAVE. 3 famosos influenciadores britânicos foram gravados aceitando ($$) promover uma bebida pra perda de peso. Só que eles NUNCA tinham experimentado e o produto tinha propositadamente um ingrediente LETAL ao ser humano.

Voltamos ao “faça o que eu faço” DESDE QUE de graça! Eu NUNCA vi alguém que recomendasse BCAA, Coenzima Q10 ou Palatinose que USE isso e que não tenha benefício ($) por usar. Temos que: ou a pessoa NÃO usa porque sabe que NÃO funciona, ou SÓ usa porque isto lhe é conveniente ($)! Expertise é sem precisar ler NADA saber que esse consumo NÃO é bom!

A teoria do Silas me fez lembrar de um episódio de anos atrás. Eu me reunia com mais 5 treinadores, todos experientes, conhecidos e ainda hoje no mercado. Corríamos 12km juntos 2 vezes na semana. Zero educativos, sem alongar (antes ou depois), sem hidratação a cada 15 minutos, sem FC, sem tênis pra “nossa pisada” (ganhávamos tênis), sem análise biomecânica. Por quê? Porque SABEMOS o que importa. Ignoramos o que não importa. É nosso EXPERTISE.

 *****

p.s.: tempo atrás postei agradecimento a uma marca por me enviar um tênis que escolhi. Um influencer que gosto muito mandou mensagem dizendo que me igualei aos que critico. Ele disse pra NÃO agradecer, ou agradecer postando link de venda comissionada. O meu ponto é: eu NÃO posso ter NENHUM benefício ($).

ESPORTE & NUTRIÇÃO: que sejam vistos SEMPRE aos olhos do natural

Porque a realidade é soberana“…

É comum aqui a pessoa que discorda vir com o discurso do “mostre estudos“. Isso é ignorância lógica, burrice metodológica. É como se EU precisasse mostrar que palatinose NÃO funciona quando na verdade cai sobre “ela” o ônus da prova, de que é melhor.

Eu NÃO preciso de estudos quando basta olharmos à realidade, que é sempre soberana.

NA NATUREZA NÃO EXISTE RECOMPENSA ANTES DO ESFORÇO

O argumento de que nosso desempenho físico precisa de alimento prévio NÃO se sustenta porque nosso máximo desempenho e eficiência se faz necessário JUSTAMENTE na ausência de comida, quando precisamos encontrá-la usando nosso físico!

Não comemos para fazer exercício. Fazemos é exercício para comermos! Só um acadêmico ou nutricionista pra ser míope o suficiente pra pensar o contrário!

Tem mais! Dizer que pós-treino é essencial IGNORA a realidade de que MUITAS vezes o indivíduo FALHA na obtenção do alimento. Ou seja…

PRÉ-TREINO e PÓS-TREINO (esse após todas as sessões) são ECOLOGICAMENTE NÃO-naturais!

Escrevo isso no dia que vejo o post de um ultramaratonista profissional que diz esticar o desconforto mesmo APÓS o fim do treino como que estendendo a sessão. Não poderia concordar mais! Fazia isso “escondido” há tempos. Pra mim NUNCA fez sentido a história do comer pós-treino quando sem fome!

A Nutrição Esportiva DELIRA ao criar a diretriz de comer após o treino baseando a lógica do profissional no amador. Isso não faz o MENOR sentido!

Como a nutrição esportiva, ao contrário do esporte, NÃO se baseia na prática, mas em FÉ, ela deve ser SEMPRE QUE POSSÍVEL evitada.

PALATINOSE – 3 funções essenciais

Pro leitor entender, palatinose é basicamente um açúcar caro. Pro leigo saber, tudo que termina em “ose” na nutrição possui grandes chances de ser açúcar (glicose, frutose, dextrose… palatinOSE). A dificuldade que profissional de saúde tem com carboidrato é de não entender que ele vai virar açúcar no organismo (e isso NÃO É necessariamente ruim!!!)… É a FÉ que rege basicamente todas as diretrizes da área.

Não me pergunte pra quê ingerir palatinose antes ou durante a corrida… Eu não sei a razão… O que eu sei é que em um mundo com tamanho fluxo de informação aprendi que ela serve pelo menos pra 3 coisas. E a última dela é ESSENCIAL.

1. ELA ATRAPALHA. Skin in the game.

Esporte é a prática mostrando sua superioridade funcional sobre a teoria. Em TUDO no esporte você antes observa a prática e só então CRIA a teoria, a explicação. NÃO o inverso. Se os melhores do mundo não ficam carregando palatinose antes dos treinos, quem a consome gera um ritual que tira o foco daquilo que REALMENTE importa. Mantra: faça aquilo que os melhores da prática fazem, não o que teóricos pregam!

2. ILUDE.

São conhecidos os efeitos do placebo. A pessoa que acha que palatinose funciona pra algo só nos reforça o poder do placebo. A energia que ela oferece é tão irrisória, é tão sem fundamento, que somente um nutricionista ou um acadêmico ou um vendedor são capazes de defender vantagens de seu consumo. Então, e aqui não há nenhum problema, é preciso admitir que seu efeito é TÃO SOMENTE como placebo. É como uma confissão: sua eficiência se baseia num conhecido NÃO-funcionamento. Ela te ilude ou ainda: você PRECISA ser iludido.

3. ELA POUPA O MEU TEMPO (o meu mesmo!!)

Ela me ajuda porque de cara sei duas coisas. A primeira: eu sei que quem consome foi enganado (e aqui vale dizer: NÃO há NENHUM problema nisso! Eu mesmo fui enganado por anos nas faculdades… Seja por professores que nunca correram, seja por professores que invertiam a ordem essencial de prática e teoria, seja por professores que não sabiam o que estavam falando e ainda pelo pior tipo deles, professores que nos forçavam a comprar seus livros nas disciplinas que davam.

Além do uso da palatinose me mostrar quem foi iludido, enganado (reforço: não há NENHUM problema aqui!), em uma vida corrida ela me mostra ainda que o profissional que recomenda ou não tem IDEIA do que está falando (e é só burrinho, coitado). Ou está só nos vendendo mesmo. Aí é preciso de classificá-lo pelo que ele é: vendedor. E não há mal nisso. É só mais direto. E poupa meu tempo.

O delírio do pré-treino

Duas perguntas recebidas no Instagram me reforçam o delírio coletivo de toda uma sociedade (que os autores das perguntas não se ofendam, os exemplos são apenas sintomas sociais). Ei-las:

1. Quanto tempo após comer se pode correr sem perder rendimento?

2. O que comer antes de treinar?

Na minha experiência – vamos lá – eu NUNCA conheci um Nutricionista que entendesse de esporte. Eu não disse que eles não existem! Só disse que não conheço nenhum. NEM. UM.

Certa vez conversava com um cliente acima do peso e ele me dizia que queria perder peso correndo. Expliquei que ele, nordestino, poderia vir caminhando de sua cidade até SP e AINDA ASSIM lhe sobraria gordura corporal de sobra. Aqui 2 pontos:

– Corrida/caminhada gasta poucas calorias;

– O desafio não é gastar, é conseguir ACESSAR sua reserva energética.

Porém, e esses Nutri-Nesfit que recomendam suplemento e pré-treino JAMAIS entendem – até porque não sabem NADA de esporte – , você NÃO TEM acesso à sua reserva pré-alimentado! Por vários motivos. Um fisiológico é que comer eleva os níveis de insulina que INIBEM a queima de gordura. Isso está na aula 2 de Fisiologia (na primeira o professor se apresenta e fala as datas da prova). O nutricionista que prescreve pré-treino em amador deve ter faltado nessa aula.

O motivo conceitual é mais simples! Não faz sentido NENHUM comer antes de atividade física porque em nosso modelo evolutivo os ancestrais quando jejuavam por não TER comida estavam procurando por ela, eram fisicamente ATIVOS. Sendo assim, o padrão é fazer ATIVIDADE FÍSICA enquanto estiver em jejum! Nenhuma criatura selvagem adulta descansa quando não possui calorias!

Tem mais! É JUSTAMENTE quando temos grande fonte de energia endógena (gordura corporal) que nosso cérebro avisa ao corpo de que NÃO precisamos mais ser ativos pra encontrar comida. Já disse aqui: é um ENORME erro interpretativo esperar que alguém com sobrepeso seja MAIS ativo, mais disposto.

Energia endógena –> letargia e sedentarismo.

Energia exógena –> descanso.

A Nutrição como prática VIVE de negar a realidade. Por isso é um fracasso.

Emagrecedor: Xadrez vs Corrida

O ano é 1984, o Campeonato Mundial de Xadrez é temporariamente adiado porque o defensor do título, o russo Anatoly Karpov, havia perdido 10kg por causa das partidas.

Em outra edição, 20 anos depois, era a vez do campeão Rustam Kasimdzhanov sair 8kg mais magro.

Eu sempre falo que a ideia de que nosso peso (para mais ou para menos!) é resultado da teoria nunca antes DEVIDAMENTE testada do “balanço calórico” ainda permanece viva e forte é porque ela é apaixonante! (na verdade ela já foi N vezes refutada)

Ela é tão simples! É só jogar um conceito matemático em algo que SABEMOS ser biológico. Nela você ainda joga a culpa do sobrepeso em um fator meio puritano (a gula e preguiça do obeso!) e tira 100% das costas do especialista o caráter de incompetente por não compreender de conceitos básicos de sua área.

Se um profissional de saúde Marciano chegasse à Terra e fosse a um parque público sairia de lá com a teoria de que correr engorda, tamanha é a quantidade de pessoas acima do peso correndo.

Mentira!

Sabe por quê? Porque depois ele iria à África ver quenianos e etíopes magérrimos também correndo e concluiria que não é que corrida engorda ou emagrece.

É que africanos correm PORQUE são magros (e não para FICAR magros). E que os amadores acima do peso correm porque querem ser magros porque aqueles que são pagos para nos emagrecer ainda não entenderam que é uma questão de biologia… É sobre O QUE se come… E que não é matemático, sobre o QUANTO se come.

Diabetes do tipo “Nutris Esportivos”

Veja a conclusão do seguinte estudo feito com atletas de ALTO nível, desses que vivem indo em “nutri esportivo”: “ao contrário das expectativas a glicemia alta parece ser uma preocupação MAIOR do que a baixa glicemia mesmo naqueles com MAIOR gasto de energia e consumindo ABAIXO da ingestão recomendada de carboidratos”. Do grupo estudado, 30% desses atletas (que treinam MUITO e competem BEM melhor que você) tinha PRÉ-diabetes!

“VOCÊ NÃO CONSEGUE PELO EXERCÍCIO SUPERAR UMA DIETA RUIM”

Lembre-se: tenha a sua volta profissionais que tenham skin in the game, pele em jogo! E quem manda você encher o rabo de carboidratos HOJE para correr 21km NÃO tem pele em jogo, afinal, as consequências do consumo crônico de carboidrato (especialmente aqueles na forma de LIXOS como os isotônicos e géis ou balinhas) se dará só quando já tiver passado sua consulta com ele.

A corrida (ou QUALQUER outra atividade física) NÃO te salvará do custo fisiológico do consumo crônico de carboidrato na forma de suplemento, suco e farinha.

Talvez você conheça Steve Redgrave, o maior remador britânico, um dos maiores da história. Sua dieta foi “cientificamente” elaborada por “nutris esportivos”. Ele consumia gel, balinhas de carboidrato (jujubas), geleia e treinava feito um cavalo… Redgrave treinava em uma semana mais do que você treina por mês. Hoje ele tem diabetes. Duvido que algum desses “nutris esportivos” ainda estejam ao lado dele na doença.

 

Por que ele caiu nesse conto?

Porque TODOS (eu tive aula com encantadores de serpente também!) fomos educados pela “ciência” de que tinha que ser assim… Eles, ingênuos (ou nem tanto, pois acreditam nisso entre outras coisas porque ganham dinheiro vendendo suplemento), acharam que não havia consequências inesperadas.

A tese do consumo crônico de carboidrato refinado, ou seja, SEM fibras (suplementos, sucos, géis, açúcar, frutas anabolizadas…) NUNCA foi a norma na espécie. “Nutris esportivos” AINDA acham que é melhor. Porém, a oferta frequente de energia NÃO é o padrão na natureza, que moldou nosso organismo.

Talvez caiba falar ainda de Rob Gronkowski, ex-jogador do New England Patriots que se junta a Joe Thomas de quem falei tempo atrás. Gronkowski perdeu quase 25kg em 1 ano mesmo treinando MUITO menos. Como?! Apenas deixou de seguir a “ciência” dos “nutris esportivos”. Talvez justamente POR ISSO não vire um diabético obeso.

Pergunto: o “nutri esportivo” que hoje te vende palatinose e a ideia de lanche pós-treino estará ao seu lado quando você estiver obeso e diabético??