Arquivo da categoria: Colesterol e Triglicerídeos

JAMAIS ouça o que o governo tem a dizer sobre Nutrição!

É um grave equívoco o governo se meter dando recomendações nutricionais. Primeiro porque ele não entende NADA do assunto. E segundo porque quando errar, não irá admitir que esteve sempre errado, então é um caminho sem volta.

Outro equívoco é conceitual. Dieta boa se faz não ao comer coisas boas, mas ao NÃO comer coisas “ruins”. Você não pede ao fumante para fazer mais exercícios ou comer legumes, você pede que ele NÃO fume (ou fume menos). Ao não comer ruim, sobra o bom. Diferença simples, mas CRUCIAL.

O governo não só pede mais do “bom”, como ERRA ao defini-lo. A população, olhando-se os dados disponíveis, fez o que lhe foi pedido. Menos carne vermelha, mais laticínios desnatados, mais grãos e mais frutas. O que aconteceu? Engordou como nunca e por isso adoeceu.

E o que nos pedem? Menos carnes! Faz sentido? NÃO.

Ao se pedir menos carnes ignoramos que a dieta americana padrão já é PELO MENOS 75% vegana! 99% das calorias de junk food são veganas!

Não é ruim comer vegetais! O problema NUNCA FOI comer abobrinha ou tomate, mas comer:

1. Alimentos processados e refinados: FARINHAS e AÇÚCAR;

2. Alimentos NÃO-naturais à espécie: GRÃOS e INDUSTRIALIZADOS;

3. Gorduras de adição: ÓLEOS VEGETAIS e MESMO os mais naturais (manteiga, azeite, banha…)

E ao NÃO comer calorias de alimentos “ruins” ou NÃO-naturais, nos sobra alimentos “bons” (ODEIO usar o termo “bom” porque induz o leigo a achar que comer mais pimentão compensa o milk-shake, o ideal seria dizer alimentos “naturais”).

As diretrizes atuais são um enorme equívoco porque pedem MAIS alimentos processados (óleos vegetais e laticínios desnatados), NÃO-naturais (grãos) e MENOS de alimentos nutricionalmente MUITO ricos (carnes).

Por fim, quando se quer ou precisa perder peso (gordura), colocar manteiga no café é estúpido! “Derramar” azeite na salada também! Ambos são REFINADOS. Uma pessoa para emagrecer precisa ser low-carb porque ela já é HIGH fat.

Banha é Lindy. Nutrição não!

“A NATUREZA NÃO FAZ NADA EM VÃO” (Aristóteles)

Vocês já devem ter se deparado aqui nas minhas redes referências ao “Efeito Lindy”. O conceito, popularizado por Nassim Taleb em Antifrágil, fala sobre a ação do tempo na expectativa de algo não-perecível.

Ou seja, o tempo de vida deste algo dita a segurança com que este algo estará entre nós no futuro. Se algo funciona, ele é Lindy! Usar Banha é Lindy, por exemplo. Voltaremos à ela!

Sempre falo aqui: o tempo é a maior e melhor variável de análise de risco e segurança de algo.

E aí voltamos a Aristóteles, que tem uma frase célebre no assunto: “Se há um jeito melhor do que o outro, você pode ter certeza que o melhor é o modo da natureza.”

Na melhor obra que existe sobre hidratação no esporte, Waterlogged, Tim Noakes faz referências dizendo que vendedores e falsos especialistas (nutricionistas e fisiologistas IPIs, “Intelectuais Porém Idiotas”) tentam nos convencer que o ser humano é o único animal do mundo que não sabe quando precisa se hidratar.

Em Endure (de Alex Hutchinson) um fisiologista IPI explica que Haile Gebrselassie poderia correr MUITO mais rápido se bebesse mais água. No “raciossímio” dele um Labrador idiota (e o fisiologista igualmente idiota) sabe quando se hidratar, mas Haile, um dos maiores atletas de todos os tempos não.

Voltemos à banha…

Quando falei que óleo vegetal é o PIOR alimento a se ter na cozinha (SIM, pior que açúcar) sabe quem veio defender essa substância comestível de 100 anos que NUNCA foi testada antes de ser recomendada? Analfabetos? Vendedores? Leigos?

NÃO! Nutricionistas! Não foi minha avó analfabeta (que usava banha!), mas professores de faculdade que me diziam que eu deveria deixar de usar banha (milhares de anos) para usar óleo de canola, algo 100% industrializado.

Não é que à Nutrição falte aulas de lógica elementar, de risco, de matemática… falta também filosofia. Pois NUNCA em sã consciência alguém iria sugerir deixar de usar banha, “o modo da natureza”. É uma ideia tão estúpida que só podia vir de acadêmicos.

Como chegamos até aqui??

Nos últimos dias escrevi 10 dicas de alimentação. As pessoas sempre me perguntam como chegamos onde chegamos no assunto nutrição… como deixamos que as diretrizes tenham sido desenhadas de forma a ADOECER e a ENGORDAR a sociedade. Muita gente (não são poucas) acreditam e fazem teorias da conspiração. Eu não acredito! De verdade!

Um livro reconta muito bem o nó legal e tributário em que estamos. Em “Sal, açúcar, gordura” (Salt Sugar Fat) o vencedor do Pulitzer Michael Moss revela como podemos ser pessimista quanto ao futuro. Quem conhece a história por trás da teoria de que a gordura saturada faria mal se dá conta que Ancel Keys (um homem inteligentíssimo) fez o que qualquer acadêmico faria: distorceu o que tinha em mãos pra se provar certo.

Como TODA a categoria caiu na mentira, hoje não podem voltar atrás e admitir o equívoco. Eles não têm saída! Se admitirem que estavam SEMPRE errados, perdem crédito ($).

Eu não acredito em complô e lobbying da indústria alimentar e farmacêutica. Elas não precisam disso! Nutricionistas, Médicos e acadêmicos (professores principalmente) fazem isso de graça por elas. Minhas duas avós morreram analfabetas praticamente. Elas comiam banha. Meus professores? ELES quem me fizeram por anos consumir canola.

Eu NUNCA tive um treinador (todos eles formados e ex-atletas) que pedisse pré-treino ou lanche pós-treino. Foram meus professores (que nunca correram) que dizem que é preciso. Minhas avós sem irem à escola sabem mais sobre alimentação que 98% de meus professores. Elas nunca usariam redes sociais para defender um alimento industrializado, como os óleos vegetais industrializados. Quem faz isso é em sua maioria – sempre bom reforçar – gente titulada (Nutricionista, Médico, acadêmicos…).

Sobre Ovos…

Parece que saiu mais um daquele estudos associativos que são inconclusivos e LONGE do definitivo, quase inúteis, quando falamos de definição de diretrizes ou recomendações.

Vou colocar uma parte que falo de OVOS no meu livro “O Nutricionista Clandestino”…

 

Os ovos, por exemplo, talvez sejam o melhor exemplo de alimento saudável e seguro que sofre de tempos em tempos alguma restrição e são condenados. O ovo é um alimento TÃO nutritivo a ponto de permitir que uma célula fecundada possa dar origem a um filhote de galinha.

O ovo é um dos alimentos mais demonizados na atual cultura de combate ao colesterol na dieta porque ele é rico nesse nutriente. Porém, seu consumo não aumenta os valores do colesterol LDL. A questão é que o colesterol na dieta NÃO necessariamente implica em elevação da colesterolemia e o ovo nunca teve seu consumo provado como perigoso.

Além disso, o ovo é um alimento de alto valor nutricional, possuidor de vitaminas, minerais e antioxidantes. Ele acaba por MELHORAR o perfil lipídico aumentando os valores do colesterol HDL. Outros estudos mostram que o consumo de ovos NÃO está relacionado com aumento do nosso risco cardíaco. Como está na gema a maior parte dos nutrientes, a recomendação facilmente encontrada para que se descarte a gema comendo apenas a clara, poderia ser descrita como uma das mais ESTÚPIDAS recomendações nutricionais de toda a história da Nutrição.

O colesterol LDL por sua vez parece que visto isoladamente tampouco é um ótimo marcador. Essa é a conclusão feita por um levantamento com 231.986 pacientes hospitalizados que possuíam níveis de LDL adequados.

Fim da citação.

Coma seu ovo tranquilamente! Há milhares de anos são consumidos de forma SEGURA. É ÚTIL saber que profissional reforçou o coro de que ovo nos mata do coração… isso facilita a NOSSA vida pra identificar quem ainda não entendeu NADA de Nutrição.

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A Dieta Carnívora e o Experimento com N=1

Semana passada terminei pouco mais de uma semana experimentando a Dieta Carnívora. Demorei para achar uma foto boa que a resuma bem, porque as pessoas pensam que é só comer picanha. Basicamente nela você come livremente CARNE (de qualquer tipo), OVOS & DERIVADOS DE LEITE (qualquer queijo, creme de leite, chantilly e nata) conforme a fome o guia. Nada mais.

Funciona? Depende para quê…

Quer melhorar seus indicadores sanguíneos (glicemia, colesterol e Triglicerídeos)? Melhoram e não é pouco. Emagrecer? Sim, e não é pouco! Por quê?!

Basicamente porque dieta “boa” é mais sobre o que NÃO comer. A dieta carnívora, por experiência própria, ao contrário do que muita gente pensa, é difícil! Nela, não há NADA de açúcar, não há cerveja, não há farinha, não há pão… Quando você tira tudo isso, não “tem como” engordar, não “tem como” seus indicadores não melhorarem.

Não falta teórico que diga que exercício exige carboidrato. Com zero dele segui treinando normalmente duas vezes ao dia, bati meu recorde no TGU (Turkish Get Up) e no Double Clean, trabalhei, fiz tudo. Só um acadêmico que tenha lido muito para afirmar essa bobagem de que exercício exige carboidrato. Um prático vai lá, ignora e faz.

Mas… a Carnívora é a ideal??

Nem de longe acho isso! Fiz por puro experimento. Tenho convicção de que ela vai CONTRA a nossa natureza e nossa evolução (assim como o vegetarianismo, o que dizer então do veganismo). Mas ela atende uma premissa da qual sou fiel e enorme seguidor: não-linearidade da dieta.

Dieta e exercício são sobre extremos. Por isso cálculo de nutrientes diários é de uma tolice sem tamanho (*aqui novamente somente acadêmicos muito estudados para poder defender tamanha besteira). A carnívora atende ao nosso lado onívoro e nos “protege” de vegetais que oferecem em escala gigante alguns micronutrientes dos quais, SIM, algumas vezes deveríamos evitar (alguns mais, outros menos). E seguindo esse raciocínio, o vegetarianismo temporário também seria MUITO bem-vindo (pretendo fazer esse ano!).

Se você é diabético, EXPERIMENTE! Está num platô de emagrecimento? Experimente! Está com alguma intolerância/alergia sem saber de onde vem? Experimente! Mas se acha uma boa ideia levá-la ao longo prazo, saiba que não faz sentido! Tem que distorcer DEMAIS a lógica para dizer que os dois extremos (carnívora e vegetarianismo) estão algo próximos do ideal.

*perdi peso mesmo comendo muita carne (acém moído, sobrecoxa e barrigada) com queijo e uns 4-5 ovos também com queijo ao dia. Isso sacia assustadoramente. Fiz jejum sem me programar uns dias porque a noite caiu e a fome não deu as caras.

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Cru vs Cozido vs Ração

4ª feira cheguei tarde e cansado do treino, não havia legumes, querendo descansar não pensei duas vezes: vou dar carne e ovo cru para as cachorras. E só!

SEMPRE que comento que dou comida crua me questionam se eles não trariam riscos de contaminação aos meus animais. Qualquer dono de cachorro sabe bem onde seu animal coloca o focinho e sua boca o dia todo.

Será que um animal que tem um estômago com um pH por volta de 1.5, mais ácido do que o nosso, seria tão sensível à contaminação alimentar? Será que essa acidez estomacal não serve evolutivamente JUSTAMENTE para lidar melhor com alimentos e ambientes não-esterilizados?

Porém, por mais que pareça seguro e vantajoso do ponto de vista evolutivo, as poderosas associações American College of Veterinary Nutrition (ACVN), American Veterinary Medical Association (AVMA) e a American Animal Hospital Association (AAHA) não compartilham dessa ideia.

A ração canina como a conhecemos hoje é algo inventado há cerca de meio século, não é o alimento cru quem tem que se provar superior, e sim o contrário. Cabem às associações trazer evidências que mostrem que as rações secas, as mais consumidas, são superiores. Trouxeram?

NUNCA.

JAMAIS.

A ACVN, AVMA e AAHA não devem fazer isso de graça ($$), lógico! Até porque recomendam isso sem citar vantagens da ração sobre dieta crua. Sabe por quê? Porque não TEM COMO elas serem inferiores! Cães evoluíram por milhares de anos comendo alimentos crus OU cozidos, não ração!

Um estudo recente (ALGYA et al, 2017) mostra ainda que sem querer o nível de delírio e dissonância cognitiva dos autores. No texto está que as dietas cozidas e cruas acabaram sendo mais digeríveis do que a ração como resultaram em níveis mais baixos de triglicerídeos no sangue (algo bom!) do que a dieta de ração, embora fossem mais gordurosos (o que é bom também, pois aumenta a palatabilidade!). Aí completa dizendo haver um benefício potencial das dietas não tradicionais.

Como assim não-tradicionais?!?

Por 15.000 anos cães comeram alimento cru, há 50 comem ração e o não-tradicional é o natural?! Faz sentido!

NUNCA.

JAMAIS.

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Colesterol LDL e Risco Cardíaco: o que é fato, o que é delírio médico coletivo

São frequentes as dúvidas que chegam de pessoas sobre resultados de exames de sangue e indicadores como colesterol HDL e LDL. Todos querem saber se irão morrer nos próximos dias por causa de um LDL elevado. Eu tenho uma abordagem um tanto diferente sobre hemogramas: se você não quer se preocupar com seus valores de colesterol A MELHOR COISA que pode fazer é simplesmente NÃO medi-los.

Parece extremo? Minha argumentação se sustenta em basicamente 3 pontos. O primeiro é que é de pouca ajuda você fazer testes quando a absoluta MAIORIA de Médicos E Nutricionistas é atualmente INCAPAZ de tirar informação útil dos dados. É como você pedir ao mesmo médico que leia “Crime e Castigo” no idioma original de Fiodor Dostoievski. Ele não entende absolutamente nada do que vai ali escrito. Você ficaria surpreso se soubesse que mesmo entre especialistas os conceitos são ultrapassados e equivocados como mostram diversas pesquisas entre eles ou mesmo os portais de associações como SBEM e afins. Do que serve então você dar números para quem não sabe ler?

Meu segundo ponto é que aquilo que os exames atuais oferecem fazendo uso dos valores ideais de referência nos dão pouca informação de nosso verdadeiro risco cardíaco. Por quê?

E aí chegamos ao terceiro ponto que é o fato do cálculo do colesterol LDL ser indireto, ele é estimado, não calculado! Por fim, seus valores ótimos são meros chutes, sem maior embasamento!

COLESTEROL LDL e RISCO CARDÍACO

O colesterol LDL é apenas um dos marcadores de risco. Não é o colesterol total alto, ou mais precisamente o colesterol LDL que prediz um maior risco cardíaco, mas alguns outros marcadores que são: baixo colesterol HDL, alta concentração de triglicerídeos (TG), alta glicemia e aumento das partículas pequenas e densas do colesterol LDL (já falaremos sobre isso!). Focar nos valores totais de colesterol e/ou apenas nos níveis de sua fração LDL tem sido um dos grandes erros da cardiologia há muito tempo. Hoje, por exemplo, sabemos que 2/3 das pessoas com entradas em hospitais sob suspeita de enfarte do miocárdio tem síndrome metabólica, mas 75% das pessoas apresentam colesterol em concentração dentro da normalidade. Não é só isso! O colesterol LDL por sua vez parece que visto isoladamente tampouco é um melhor marcador. Essa é a conclusão feita por um levantamento com 231.986 pacientes hospitalizados que possuíam níveis de LDL adequados. Hoje sabe-se que a maioria das pessoas que tem um ataque cardíaco NÃO tem altos níveis de colesterol LDL.

Chamar o colesterol LDL de “colesterol ruim” é um dos mais básicos sinais de que o profissional de saúde que assim o faz pouco conhece sobre o assunto. NÃO EXISTE COLESTEROL RUIM. Não faz sentido do ponto de vista evolutivo que um corpo produza e mantenha circulante em condições normais algo que seja uma espécie de veneno para sua própria sobrevivência. O leite materno possui muito colesterol e ninguém no uso de suas faculdades mentais sugere que a amamentação seria uma tentativa da mãe de envenenar um bebê ou que leite materno seja um mau alimento.

O modo como vilanizamos o colesterol é como culpar um bombeiro por um incêndio. Sempre que você chegar a um prédio em chamas, os bombeiros estarão lá trabalhando, mas ninguém em sã consciência irá sugerir que eles são os causadores, os agentes do fogo. Sempre que se chega a uma cena de assassinato, estarão lá policiais, mas isso não faz deles os suspeitos primários. Com o colesterol não deixa de ser parecido. Um colesterol LDL demasiadamente alto é um indicador de que algo está errado. Ele serve como sinal, não causa! Quando enxergamos à frente viaturas com giroflex ligado, nos afastamos porque aquilo é um sinal de que algo está errado, não que policiais estejam fazendo arrastões! Médicos e Nutricionistas que querem controlar consumo de colesterol acham que acabando com os bombeiros nunca mais teremos incêndios. Precisamos assim entender que o consumo de colesterol NÃO faz necessariamente mal, este é um mito criado nos anos 60 e 70 NUNCA, JAMAIS cientificamente provado.

O que chamamos de colesterol HDL ou LDL, os dois mais conhecidos, são na verdade duas lipoproteínas que carregam colesterol pela corrente sanguínea. É interessante imaginar, ainda que de forma meio simplista e reducionista, a fração LDL como sendo um táxi fazendo o trajeto do fígado ao restante do corpo carregando consigo colesterol. E pensemos na versão HDL fazendo o sentido inverso, trazendo o colesterol para o fígado metabolizá-lo.

Pense na hipótese desse “táxi” LDL ficar “preso no trânsito” com seu “passageiro” colesterol (*percebeu?! Você “come“ colesterol, mas não LDL). Esse tempo excedente no tráfego acaba por ultrapassar o tempo que o antioxidante que ele carrega junto consegue estabilizar o conjunto, seu passageiro. Uma vez que isso acontece, há oxidação (estou simplificando todo o processo para explicar o fenômeno) e nosso sistema imune começa a ver essa combinação de “táxi LDL ocupado e sem antioxidante” como um ser estranho, um invasor. Isso aumenta a chance de uma inflamação e uma série de outros riscos. Ou seja, muitos táxis LDL´s circulantes (altos níveis de colesterol LDL) são um risco porque em maior número, maior a chance de ultrapassar o tempo e assim se oxidar gerando inflamações, entre elas, nos vasos. Esse é o perigo de uma taxa alta da fração LDL. Mas vale reforçar que uma substância essencial à nossa vida não pode ser taxada de ruim. Reforço: este alto LDL é sinal de que algo está errado, não que seja a causa.

Não é só isso. A preferência dos profissionais de saúde pela busca de níveis baixos para o colesterol LDL sobre uma tentativa, por exemplo, de aumentar os níveis do colesterol HDL de um paciente, parece estar menos relacionada com evidências ou razões médicas e mais motivada por razões bem mais comerciais. Esse enfoque na fração LDL pode se explicar pelo fato da indústria farmacêutica ter já conseguido criar medicamentos que reduzam esse indicador, mas não tenha obtido sucesso no desenvolvimento de um medicamento que aumente a fração HDL sem incluir sacrifícios outros, como dieta, exercícios e hábitos mais saudáveis. *aqui fica aberto um convite, passeie nos sites das sociedades médicas das áreas relacionadas e veja quem são seus gordos parceiros comerciais…

Para piorar, há uma série de estudos mostrando que baixos níveis de colesterol estão ligados a uma maior mortalidade e indicando que alto colesterol parece não ser um problema. Ou seja, estamos falando de um cenário que é muito mais complexo do que o de apenas um ou dois indicadores ou frações vistas isoladamente. Outro ponto solenemente ignorado é que a fração LDL do colesterol, apesar de “ser uma só”, pode ter perfis diferentes. Tê-la em sua maioria nas versões pequenas e densas pode ser perigoso enquanto sua versão maior passa a ser interessante e benigno.

Algo que é muito importante é que desde mais ou menos 1988, através das pesquisas de Ronald Krauss, sabe-se que o LDL teria uma espécie de lado B. Essa sua versão B, vamos chamar assim, é pequena e densa, entrando nas paredes dos vasos criando os bloqueios perigosos. Porém, uma versão A do mesmo colesterol LDL, é uma partícula maior e é associada com um menor risco cardíaco. Esse é mais outro motivo por não haver razão alguma para se chamar a fração LDL de colesterol ruim, já que suas ações quando nocivas ao organismo não são consequências intrínsecas de uma característica, mas de uma concentração de uma versão em quantidades indesejadas. Uma vez que o LDL é essencial à vida, não podemos taxar de ruim como se zerar a sua quantidade significasse uma vitória da saúde.

Estudos ainda apontam que o consumo de gordura saturada (presente em alimentos como ovos, manteiga, carne vermelha e laticínios integrais) pode mesmo aumentar os níveis de colesterol LDL, porém ele muda o perfil, aumentando os níveis da fração LDL do tipo A, que reduz o risco cardíaco. Isso além de aumentar ainda os níveis do colesterol HDL, outro protetor cardíaco. Já o consumo de carboidratos refinados, aumenta os níveis da fração LDL do tipo B, ou seja, pioram o perfil do colesterol LDL circulante e ainda diminui a quantidade da fração HDL, diminuindo essa proteção cardíaca natural do organismo.

Se você nunca tinha ouvido falar das versões A e B do LDL, não se preocupe! Há enorme chance que seu médico também não. Por outro lado, pouco adianta você querer um exame que mostre o seu perfil lipídico do LDL (se A ou B). Relembro: não somos com os exames comerciais convencionais capazes sequer de medir o LDL diretamente (ele é estimado), muito menos seus 2 perfis (A e B). A falta de exames acessíveis hoje explica parte do porquê hoje compreendemos tão mal os hemogramas. No final dos anos 50, por exemplo, o nível de TG era um marcador muito mais difícil de se conseguir do que o do colesterol, poucos laboratórios conseguiam realizar a tarefa. E antes de ser possível mensurar as diversas frações do colesterol (LDL, HDL, VLDL…), tomou-se as partes pelo todo, levou-se assim muito tempo para entendermos as diferenças fundamentais no risco cardíaco que desempenham os diferentes números de HDL e LDL. Com o triglicerídeo parece ter acontecido um pouco disso e ele “chegou depois” do colesterol total já ter ganho toda sua fama e sua condição de protagonista nas doenças cardíacas já estava montada. Por isso ainda vai também levar muito tempo até começarmos a usar as versões do LDL.

Agora sim… TG e RISCO CARDÍACO.

O valor de TG elevado é um marcador de maior risco cardíaco. Quando o valor do TG sobe acima dos 100mg, por exemplo, seu risco de sofrer um ataque cardíaco sobe linearmente. Quando está em 150, por exemplo, você recebe um alerta do seu médico cardiologista. Em 175 o risco é “grande”. Um nível de TG elevado é quase um indicador da viscosidade do sangue. Quando ele sobe, o colesterol HDL, um protetor cardíaco, tende a cair.

Por isso, um indicador que é MUITO importante e constantemente ignorado é a relação dos valores TG e HDL. Se dividindo o TG pelo HDL esse valor estiver menor que 1, isso representa um baixo risco cardíaco (ex: 80:80= 1). Em um exemplo de 160:40 teríamos uma relação igual a 4, significando um alto risco.

Apesar de ser uma relação ignorada por muitos profissionais (médicos e nutricionistas), essa relação TG:HDL é apoiada por 5 estudos de 1977 do NIH que observou que, quando um sobe, o outro desce e vice-versa. Gary Taubes em seu Good Calories Bad Calories fala que a relação de comportamento invertido é observada nos 5 estudos em todas as faixas etárias de 45 anos a octogenários, homens e mulheres, sem distinção nas etnias representadas nos estudos.

Há muito tempo que vozes importantes insistiam que “quanto maior o valor (do TG), maiores os riscos de um ataque cardíaco”. Mas focamos toda a atenção (e verbas de pesquisa e propaganda) nos valores de colesterol e suas frações. Foi incrível nossa incapacidade de articular o conhecimento gerado. Ainda em 1937 os bioquímicos David Rittenberg e Rudolph Schoenheimer demonstraram que o colesterol dietético tem pouco efeito no colesterol sanguíneo. Nunca refutando essa demonstração, a U.S. Dietary Guidelines até pouco tempo atrás recomendava um limite de ingestão de colesterol dietético de 300mg por dia, o equivalente a menos de dois ovos. Depois deles, em 1950, o pesquisador John Gofman descobre várias substâncias circulantes no sangue, entre elas o colesterol LDL e quase 70 anos atrás ele já afirmava que “o colesterol total sanguíneo é um perigosamente pobre preditor de doenças cardíacas”.

Esta nossa obsessão com o colesterol é uma insistência em um erro que prega que o maior consumo de gordura saturada estaria correlacionado com maior risco cardíaco. O delírio da comunidade é tão gigantesco que ao se olhar atentamente e com maior rigor ao estudo não-conclusivo dos anos 60 que deu origem a esse temor, temos que um menor consumo de colesterol prova justamente que o LDL NÃO tem correlação com risco cardíaco!

Nossa teimosia (não intencional ou a patrocinada) diante de tantas evidências garante com certa segurança que nosso temor com o LDL, que teve um passado brilhante, ainda tem um futuro muito promissor.

Infelizmente.