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As armadilhas do supermercado – IOGURTES.

Os supermercados (ao lado dos restaurantes do tipo buffet) são os melhores laboratórios que existem quando o assunto é Nutrição. Por isso sempre vou com meus clientes lá!

Uma parte onde sempre paro é a de IOGURTES. Iogurte nada mais é que uma combinação de LEITE+FERMENTO+(ação do)TEMPO. Qualquer coisa (eu disse qualquer coisa!) agregada nesse trio, o aproxima mais a um Chandelle. (*sim, comprar “iogurte” proteico, a nova moda, é de um erro tremendo… caro, ruim e nutricionalmente pior porque tem 17 ingredientes)

A sacada mais genial da indústria alimentar foi transformar toda uma seção de sobremesas refrigeradas nomeando-a como “iogurtes”.

Veja um exemplo da Vigor (eu tenho absolutamente NADA contra a marca… Todas as marcas são iguais nesse critério)… Um iogurte natural REAL deles tem 10g de carboidrato. Mas ele é azedo, né? E se colocarmos ameixa. Ameixa é fruta, a diretriz nutricional diz que fruta é saudável, então o iogurte fica melhor, correto?

Pois agora o mesmo copo passa a ter 28g de carboidrato. Seria mais ou menos como pegar o copo original e colocar quatro sachês de açúcar. E o de sabor Cenoura/Mel/Laranja? Não menos pior… 26g…. o mesmo que 3 daqueles pacotes de açúcar…

E se optarmos pelo CHANDELLE? Bingo! 20g! Tem MENOS que o iogurte com FRUTA!

Quando optamos por iogurtes desnatados (que por isso têm MAIS carboidrato que os integrais) ou optamos por sobremesas disfarçadas de iogurte (como esses de frutas) acabamos levando algo de gosto PIOR achando que é mais saudável que aquele de gosto MELHOR.

Ah, mas e as calorias“…

É um ERRO CONCEITUAL achar que nosso corpo responde à aritmética e não à Biologia.

Fique esperto nas compras! 

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“Não são as calorias, estúpido!”*

Fiz propositadamente um trocadilho com uma frase célebre. Isso porque aos meus clientes eu SEMPRE falo: me importa MUITO pouco o quanto você come, mas O QUE você come!

Não trabalho com quantidades nem porções. Considero que acho inútil a contagem de calorias (com fórmulas feitas por uma especialidade que não trabalha nem tem apreço seja por matemática ou física). Aliás, se ter ciência do consumo calórico fosse MESMO importante, como a sociedade teria permanecido magra (ou longe da globesidade) por MILHARES de anos? Como teríamos feito isso se o conceito que temos de calorias é muito recente (além de extremamente falho)?

Exatamente quando escrevo este texto, ao acabar com outros colegas um experimento de ficarmos 28 dias na Dieta Paleo, vejo que divulgaram um estudo REVELADOR! Pela primeira vez se demonstrou de forma forte a relação de CAUSALIDADE entre alimentos processados e os não-processados, ou seja, aquilo que chamamos de “comida de verdade”, uma das bases da dieta paleolítica.

No estudo as pessoas comiam por 15 dias um dos grupos de alimentos ad libitum, ou seja, SEM controle das porções. O que aconteceu? Ao comerem “comida de verdade”, elas emagreceram 1kg. Reforço: sem controle calórico.

Já quando comeram por 15 dias alimentos processados elas ENGORDARAM 1kg.

Ao olhar o gráfico, os especialistas de sempre, que dizem que jejum perde músculo, que gordura mata do coração e que carboidrato é essencial, só enxergarão uma coisa: quem engordou também comeu mais calorias.

SIM!

LÓGICO!

Isso é física elementar! O ponto é: o que é causa? O que é consequência?

O ser humano foi moldado por milhões de anos comendo “comida de verdade”. Quando nos deparamos com um alimento que NUNCA existiu em nossa evolução, temos um organismo NÃO preparado a isso. Nós assim não sabemos lidar com ele, não há mecanismo apurado de saciedade. Ele se desregula!

Se ele não se sacia, é uma ESTUPIDEZ achar que fazer alguém comer poucas calorias de um alimento processado é uma boa ideia. Basta para isso dar ao indivíduo aquilo para o qual ele foi FEITO para comer: comida de verdade.

Negar a realidade é uma especialidade da Nutrição. Irão especular os motivos pelos quais engordaram mais. Dirão que é a falta de fibras (não é), excesso de sal (também não)… Isso muito POUCO IMPORTA! O que importa é o resultado: não são QUANTAS calorias, estúpido! Mas DE ONDE elas vêm!
 

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Sobre o vício do açúcar.

Uma das coisas mais interessantes que aprendi quando pesquisava para escrever meu livro “O Veterinário Clandestino” é sobre o impacto que o açúcar tem no nosso consumo alimentar. Estudos feitos com ratos colocam em xeque a ideia do balanço calórico como regulador de saciedade. A coisa é MUITO mais complexa.

Em ratos que recebiam água com açúcar o consumo calórico aumentava. Ou seja, eles NÃO deixavam de comer um pouco da ração diária… PIOR, na verdade os ratos bebiam a água com açúcar e comiam MAIS da ração. Era assim, ratos à base de ração comiam X, mas quando recebiam também água com açúcar comiam X mais Y (além das calorias da bebida adocicada).

E o mesmo já foi feito com outros animais. O efeito do açúcar é mais do que apenas adoçar um alimento, ele nos faz comer mais dos dois! Ele DESREGULA nosso consumo energético.

Qualquer pessoa da indústria alimentar sabe disso. Não à toa eles colocam açúcar em praticamente TUDO. Objetivo? Nos fazer consumir mais do seu produto. E esta é uma prática recente sabe por quê? Porque somente agora açúcar se tornou barato.

Uma das coisas que mais ouço nos meus atendimentos é “sou formiga”, “gosto de doce”, “não vivo sem açúcar”. Há duas observações aqui. A primeira é que de certa forma é bom que você goste de doce, é um sinal de que você é normal. O ser humano foi feito para gostar de doce, de açúcar.

A segunda, um pouco mais séria, é que isto não te dá liberdade de satisfazer essa vontade sempre. Senão poderíamos fazer tudo conforme nossos desejos, mas a vida não pode ser assim.

Quando comecei a ideia dos 28 dias na Dieta Paleolítica, que não permite nem açúcar nem doces processados, uma das desculpas mais ouvidas dadas a mim por quem queria um motivo pra não participar foi: não aguento ficar sem doce.

Um conceito pouco compreendido é que essa vontade de consumo de doce não diminui quando consumimos algum doce no curto prazo, mas quando passamos a consumir MENOS dele no longo prazo. Para alguém reduzir esse vício, você não oferece mais da substância em questão, mas MENOS.

Isso entre outras coisas porque o excesso de açúcar TIRA a nossa sensibilidade ao sabor doce… É na AUSÊNCIA dele que os sentidos são regulados. Para melhorarmos nosso paladar doce precisamos é justamente comer MENOS dele.

Eu não sou daqueles que acha que o açúcar é um veneno. NADA na Nutrição deveria ser olhado que não seja aos olhos das doses e frequências de consumo.

Então, se você acha que “não vive sem açúcar” há grandes 2 equívocos. Sim, você vive sem, ainda que não tenha razões para fazê-lo. E segundo, justamente por achar que não vive sem, você deveria consumir MENOS. Até porque seu consumo nos faz comer mais, pior e vicia.

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O que Dostoievsky nos ensina sobre Nutrição…

CARBOIDRATO É NÃO-ESSENCIAL. Ou ainda:

“ACIMA DE TUDO, NÃO NEGUE A REALIDADE”

Tenho um grandessíssimo amigo que sempre usa uma frase de Dostoevsky (em “Irmãos Karamazov“): “Acima de tudo, não minta para si mesmo”.

Não negar a realidade tem sido o meu motto este ano. Soubemos agora que a poderosa ADA (Associação Americana de Diabetes), que sempre pareceu mais lutar em prol da doença que dos doentes, que sempre gostou mais do dinheiro que do diabético, FINALMENTE reconheceu que nosso corpo NÃO tem uma necessidade mínima deste macronutriente.

Um dos capítulos de meu livro “O Nutricionista Clandestino” é JUSTAMENTE sobra a NÃO-essencialidade do carboidrato. O que isto quer dizer? Que este é um nutriente que TOLERAMOS, que NÃO HÁ necessidade mínima diária de consumo dele. Que na ausência dele a saúde PODE ser manida SEM prejuízos.

O que faz a Nutrição tradicional? Nega a realidade. Ela usa um nutriente NÃO-essencial, DISPENSÁVEL à “manutenção” da saúde, como BASE de nossa alimentação. Isso é delírio coletivo. Isso é alucinação de toda uma categoria que se julga especialista.

O mais perturbador disso tudo é que esta é uma informação que sabemos em um estudo clássico de 1967 e que TODAS as entidades, sociedades e associações de saúde decidiram TODAS ignorar. Sabe por quê?

Porque para negar a realidade elas decidiram, “acima de tudo”, mentir para elas mesmas.

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Mel é saudável?

O SABOR DOCE ESCONDE O FERRÃO DO CONSUMO CRÔNICO

Melhor ainda… pergunto: Mel é bom pra saúde?

Complicado. Sempre que atribuímos o caráter de BOM para algo na Nutrição caímos em uma armadilha. Isso dá a entender que mais desse elemento (no caso mel) seria sempre melhor à saúde. Mas NÃO é verdade!

Temos que ter em mente que nosso corpo não lê rótulos. Ele não sabe se o açúcar que você consumiu vem do mel, do mel industrial ou da Coca-Cola. Ele sabe SIM que vai ter que lidar (o fígado na verdade) com aquela frutose toda consumida de algum jeito.

Mas o especialista disse que “faz bem” e que por isso é “saudável”. Bom, operadores de raio-X, isoladas todas as variáveis, tendem a viver mais do que a população média porque estão expostos à uma radiação que em excesso mata a nós humanos.

O QUE NÃO MATA, NOS FORTALECE

A gordura vegetal (chamemos de ômega-6) NÃO é RUIM! Os óleos vegetais industrializados (canola, girassol, milho, soja e margarina) são RUINS porque são industriais, mas porque PRINCIPALMENTE nos oferecem um consumo em escala NÃO-normal.

O MEL na natureza é raro, escasso, sazonal. Sendo assim ele só PODERIA ser consumido assim para ser saudável… de tempos em tempos, sazonalmente e de forma rara, bem eventual.

Não faz sentido ALGUM dizermos que alguns microelementos (seja frutose do mel ou não, radiação, álcool ou outro qualquer que venha do vinho, por exemplo) são bons ou ruins. É a FREQUÊNCIA de sua exposição que dirá se fará bem ou mal ao organismo.

MODERAÇÃO É A CHAVE?

NÃO. Moderação é um dos MAIORES erros da Nutrição. Um dia falo melhor a respeito. Mas comer 1kg de mel numa sentada provavelmente é MUITO melhor do que comermos 50g de mel por 20 dias. (*vocês entenderam bem a ideia nesses números arbitrários)

 

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O AÇÚCAR nos faz agir como crackeiros.

Tempo atrás escrevi sobre um povo que vive na região do deserto de Kalahari, ao sul da África. Nele falei sobre como a escassez e a abundância moldaram e moldam nossa saúde ao longo de toda a evolução.

Sigo estudando esse povo e assim cheguei ao modo interessante como eles buscavam por mel. Até hoje eles não dominam o refino do açúcar. O ser humano tem uma atração e um prazer tão grande pelo sabor doce que isso nos faz capaz de ficarmos viciados pelo açúcar.

Sempre que vejo nutricionista dizendo para optarmos pelo açúcar mascavo eu enxergo um pneumologista dizendo para que a população opte pelo Marlboro Light, um cigarro mais saudável. Ou então que fume charuto cubano, um cigarro mais “natural”.

Não existe tal coisa!

Tempo atrás, quando escrevi sobre o vício que o açúcar proporciona, um nutricionista disse em tom bravo que açúcar não vicia. Ele mesmo, que estava com enorme sobrepeso, consumia apenas porque “ele queria”, que ele “poderia parar quando bem entendesse”, num típico argumento de viciado que não reconheceu ainda a doença.

E assim voltamos à tribo de Kalahari…

Não havendo docerias, ao avistarem uma abelha, o indivíduo esperava o trabalho da operária e SEGUIA o inseto o quanto fosse preciso até encontrar a colmeia! É ou não coisa de crackeiro?! E se ele a perdesse de vista ele voltava ao lugar, não importasse onde, para buscar mais pistas.

Essa tribo, que desconhece a obesidade e o câncer, não pratica a agricultura, ou seja, vive de caça e coleta. Ao contrário do que pregam alguns profissionais low-carbers mais radicais, eles consomem inclusive tubérculos, alimentos de alto amido (glicose) e baixos nutrientes. Porém, eles vivem muito é do resultado de sua caça.

E assim voltamos ao texto original: é sobre escassez e sobre não-linearidade!
Não há linearidade na dieta daquele povo, seja de calorias (aqui entra o jejum forçado), seja de alimentos vegetais (dependendo do acaso de encontrar ou não raízes), seja de alimentos de origem animal (ter sucesso ou não de caça).

E diferentemente de um brasileiro típico, por exemplo, uma tribo economicamente miserável varia mais seu cardápio do que nós que comemos apenas partes “nobres” (e nutricionalmente mais pobres) de 3 animais, enquanto eles os comem por inteiro, inclusive miúdos (as partes mais ricas), dos quais numa inversão ilógica e irracional fugimos.

SIM, o açúcar vicia. Mas mais do que isso: ele PRECISA ser muito restrito.

Dieta é sobre DESEQUILÍBRIO! Almejar por “equilíbrio”, seja de nutrientes (“recomendações nutricionais”, as DRIs) ou de qualquer alimento (ex: uma fruta ao dia) vai CONTRA o mais essencialnão foi assim que nos desenvolvemos como espécie.

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A Dieta Carnívora e o Experimento com N=1

Semana passada terminei pouco mais de 1 semana experimentando a Dieta Carnívora. Demorei para achar uma foto boa que a resuma bem, porque as pessoas pensam que é só comer picanha. Basicamente nela você come livremente CARNE (de qualquer tipo), OVOS & DERIVADOS DE LEITE (qualquer queijo, creme de leite, requeijão, chantilly e nata) conforme a fome o guia. Nada mais.

Funciona? Depende para quê…

Quer melhorar seus indicadores sanguíneos (glicemia, colesterol e TG)? Melhoram e não é pouco. Emagrecer? Sim, e não é pouco! Por quê?!

Basicamente porque dieta “boa” é mais sobre o que NÃO comer. A dieta carnívora, por experiência própria, ao contrário do que muita gente pensa, é difícil! Nela, não há NADA de açúcar, não há cerveja, não há farinha, não há pão… Quando você tira tudo isso, não “tem como” engordar, não “tem como” seus indicadores não melhorarem.

Não falta teórico que diga que exercício exige carboidrato. Com zero dele segui treinando normalmente 2x ao dia, bati meu recorde no TGU (Turkish Get Up) e no Double Clean, trabalhei, fiz tudo. Só um acadêmico que tenha lido muito para afirmar essa bobagem de que exercício exige carboidrato. Um prático vai lá, ignora e faz.

Mas… a Carnívora é a ideal??

Nem de longe acho isso! Fiz por puro experimento. A acho incompleta, tenho convicção de que ela vai CONTRA a nossa natureza e nossa evolução (assim como o vegetarianismo, o que dizer do veganismo). Mas ela atende uma premissa da qual sou fiel e enorme seguidor: não-linearidade da dieta.

Dieta e exercício são sobre extremos. Por isso cálculo de nutrientes diários é de uma tolice sem tamanho (*aqui novamente somente acadêmicos muito estudados para poder defender tamanha besteira). A carnívora atende a um lado de nosso onivorismo e nos “protege” de vegetais que oferecem em escala gigante alguns micronutrientes dos quais, SIM, algumas vezes deveríamos evitar (alguns mais, outros menos). E seguindo esse raciocínio o vegetarianismo temporário também seria MUITO bem-vindo (farei esse ano!).

Se você é diabético, EXPERIMENTE! Está num platô de emagrecimento? Experimente! Está com alguma intolerância/alergia sem saber de onde vem? Experimente! Mas se acha uma boa ideia levá-la ao longo prazo, saiba que não faz sentido! Tem que distorcer DEMAIS a lógica para dizer que os 2 extremos (carnívora e vegetarianismo) estão algo próximos do ideal.

*perdi peso mesmo comendo muita carne (acem moído, sobrecoxa e barrigada) com queijo e uns 4-5 ovos também com queijo ao dia. Isso sacia assustadoramente. Fiz jejum sem me programar uns dias porque a noite caiu e a fome não deu as caras.

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O bom zoológico é aquele que mantem obesos apenas fora das jaulas

Vocês sabem da importância que dou ao aspecto evolutivo. Para mim, basta olhar ao mundo a sua volta, sem tentar negar a realidade, como faz Nutrição, ou para trás no tempo, como manda a lógica mais elementar. Fazendo assim a maioria das respostas aparece sem muito esforço.

Foi basicamente assim que escrevi meu livro mais recente (“O Veterinário Clandestino”). Por que animais similares aos domésticos NÃO engordam na Natureza? Não existe obesidade entre Lobos. Mais da metade dos cães o são. Entre os felinos igual: zero obesidade na natureza, porém, mais da metade dos gatos sofrem por serem gordos quando possuem donos.

O ser humano é o mais inteligente animal na natureza, mas é também o ÚNICO que produz o alimento para SE ADOECER. E ele é tão eficiente nisso que ele adoece QUALQUER animal que se alimente disso.

Por exemplo, babuínos quando expostos a sobras de alimentos humanos ficam marcadamente obesos. Não é somente isso. Seus marcadores sanguíneos como insulina e glicemia ficam piores. Este achado não é isolado.

 

Outro estudo, também com babuínos, encontrou que os selvagens sem acesso a sobras de alimentos dos humanos tinham 2% de gordura corporal, já os que tinham uma dieta similar à nossa alcançavam em média 23%. E uma meta-análise com uma amostragem de 20.000 mamíferos de diferentes espécies, como primatas e roedores, encontrou que o peso médio desses animais vivendo próximos a humanos e se alimentando em parte de nossas sobras fez subir sua gordura corporal média.

O que faz humanos engordar (açúcar, carboidratos refinados e processados, grãos, fast food…), parece TAMBÉM fazer engordar a outros animais selvagens. Por que não engordariam você? Por que não engordariam seu animal?

Talvez seja por isso que até hoje a indústria de ração se negue na justiça a fornecer essas informações de carboidrato e açúcar ao consumidor. Quer dizer, ao dono, que oferece isso ao seu animal tão querido.

E aqui há ainda um paradoxo. O zoológico de San Diego, por exemplo, famoso e premiado mundialmente, cultiva 67 tipos de bambus para alimentar diferentes animais. As diversas aves recebem dietas bem específicas e diferentes. Há lá uma ideia de RECRIAR um ambiente natural. É a questão evolutiva da qual falava, é olhar ao mundo à nossa volta.

E se olharmos em quem VISITA o zoológico? MUITO mais da metade estará acima do peso. Ou seja, quando a direção do zoológico dá aquilo que os animais comem eles mantêm a forma, os visitantes, comendo comida feita por humanos engordam e adoecem.

É por isso que é proibido alimentar os animais lá porque se você for aos quiosques comprar comida e der aos animais, eles ficarão como nossos cães e gatos domésticos: morbidamente obesos. Isso porque a melhor coisa que sabemos fazer é comida para engordar, para matar precocemente.

Por isso que quando um profissional de saúde vem e diz que grãos não engordam, que açúcar não adoece, que farinhas não são problemas, ele não é só incompetente. Mais do que isso, ele ignora a questão evolutiva, que tem no tempo a variável mais robusta de segurança que existe. Ele faz pior que isso. Ele se recusa a olhar o mundo à sua volta, ele nega a realidade.

Fuja desse tipo!

Para o seu bem!

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A dieta dos (corredores) etíopes

Até pela minha área de atuação, clientes ou não, uma das coisas que mais me perguntam é sobre a DIETA DOS ETÍOPES. Meio que fiquei de dar minhas observações.

Ano passado escrevi um texto rápido sobre minha primeira percepção ainda no aeroporto. Basicamente se você quiser comer “porcaria” no maior hub (centro de conexões) da África você tem apenas UMA opção. A primeira resposta mal educada (para não dizer burra) foi a de que etíopes são miseráveis que passam fome, por isso são magros. Basta uma visita a bolsões de miséria brasileiros para ver mães e crianças obesas e desnutridas (sim, isso pode acontecer). O peso para menos não é resultado apenas de baixa oferta calórica (voluntária ou não).

O prato da foto desse texto é o ENJERA, um prato típico etíope que você vendo sendo consumido em TODOS os lugares. Se come com as mãos de forma compartilhada com amigos e colegas. A enjera é uma massa e, como todas elas, feita de grãos e fermentação.

O etíope come porcentualmente muito carboidrato em sua dieta. Vale lembrar que é um país muito muito pobre e que carboidrato é DE LONGE a fonte energética mais barata (tenha isso sempre em mente quando vir uma barra de “proteína” por R$4… Isso não existe! Barra de proteína vai custar SEMPRE o preço de uma refeição PF, “prato feito”). Sendo assim é esperado que após os treinos, no almoço ou no jantar prevaleçam grãos e legumes. Carne e ovos, alimentos caros, são luxo.

Então o corredor amador deveria imitar a dieta etíope (ou queniana, também centrada em carboidrato)? 

Essa é uma pergunta engraçada… o amador não copia nada, absolutamente NADA do que fazem quenianos e etíopes no que diz respeito a calçados, equipamento, volume de treinamento, local de treinamento, mas acha que por algum motivo deveria copiar o que eles comem de porcentagem de macronutriente, nunca a fonte.

Um dia escrevo por que acredito que essa abordagem de uma maior restrição ao consumo de carne seja a melhor abordagem nutricional visando a saúde, mas o que mais tiro observando a dieta etíope mais uma vez não é o que eles FAZEM (na dieta) que os faz superiores, mas o que eles NÃO fazem (SEMPRE a via Negativa).

Os etíopes são magros NÃO porque correm (*a maioria dos etíopes NÃO corre e a absoluta maioria é magra!). Eles são magros NÃO porque necessariamente passam fome. Ao andar pela cidade você vê inúmeras vendas de frutas, pães e legumes, não vê pedintes esquálidos. Os etíopes são magros pelo que eles NÃO comem. Há sorvete? Há. Chocolate? Também. Mas são caros a um país pobre. São mais difíceis de encontrar. O consumo de alimentos processados e industrializados não são uma constante na vida deles como é na do britânico, americano, ou brasileiro, povos gordos, de maioria com sobrepeso.

A “vantagem” da dieta deles, novamente, não está no que comem (ninguém consegue afirmar que a enjera é melhor que a tapioca brasileira ou que o scone britânico), mas fazer regime para perder peso ou ter que tomar suplementos é algo necessário apenas para quem tem uma dieta ruim, sem relação com sedentarismo.

O segredo ou a diferença (seja na corrida seja na não-obesidade) não passa pelo que eles comem, mas pelo que eles NÃO comem.

**sim, gostei do enjera! Comi acho que TODOS os dias!

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Danilo Balu
autor

Não é que o açúcar faz mal…

A foto que segue é a dos sachês de açúcar no Sri Lanka que parece que agora vêm com o aviso que o produto (no caso o AÇÚCAR) é viciante e causa diabetes!

Certa vez um autointitulado especialista disse que eu estava falando bobagem. Ele, no caso, estava bem acima do peso, mas deixou claro que açúcar não vicia, que ele pararia de comer quando bem quisesse. No Brasil não faltam “especialistas” para dizer que açúcar não tem risco.

É um enorme erro conceitual dizer que algo faz mal. Água em excesso mata mais rápido que açúcar em excesso. O problema não é se o nutriente faz mal. Mas sim sua BIODISPONIBILIDADE.


O que o refino/processo/indústria faz é oferecer algo centenas, milhares de vezes o que você conseguiria naturalmente na natureza. É aí (e em todo o processo industrializado) que mora a razão pela qual você NUNCA deveria consumir óleos vegetais (mesmo o Canola). É aí também o problema do açúcar branco. Quantos pés de cana-de-açúcar você teria que mastigar pra consumir tanto açúcar? Não há mandíbula que resista!

Fuja do açúcar branco, mas não consuma vegetais com medo. Não demonize a gordura vegetal se ela vem pela ingestão de legumes.

Mas, SIM, se você consome óleo vegetal, cápsulas de vitaminas, açúcar… eu pergunto: você acharia normal um dia comer um ovo e no dia seguinte passar a comer 100 diariamente? A lógica é essa! Seu organismo nunca foi exposto a isso. Não tem como dar certo!

Ou então traga UMA população que melhorou seus indicadores ao consumir mais e mais de óleos e açúcar. 

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Danilo Balu
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