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A dieta dos (corredores) etíopes

Até pela minha área de atuação, clientes ou não, uma das coisas que mais me perguntam é sobre a DIETA DOS ETÍOPES. Meio que fiquei de dar minhas observações.

Ano passado escrevi um texto rápido sobre minha primeira percepção ainda no aeroporto. Basicamente se você quiser comer “porcaria” no maior hub (centro de conexões) da África você tem apenas UMA opção. A primeira resposta mal educada (para não dizer burra) foi a de que etíopes são miseráveis que passam fome, por isso são magros. Basta uma visita a bolsões de miséria brasileiros para ver mães e crianças obesas e desnutridas (sim, isso pode acontecer). O peso para menos não é resultado apenas de baixa oferta calórica (voluntária ou não).

O prato da foto desse texto é o ENJERA, um prato típico etíope que você vendo sendo consumido em TODOS os lugares. Se come com as mãos de forma compartilhada com amigos e colegas. A enjera é uma massa e, como todas elas, feita de grãos e fermentação.

O etíope come porcentualmente muito carboidrato em sua dieta. Vale lembrar que é um país muito muito pobre e que carboidrato é DE LONGE a fonte energética mais barata (tenha isso sempre em mente quando vir uma barra de “proteína” por R$4… Isso não existe! Barra de proteína vai custar SEMPRE o preço de uma refeição PF, “prato feito”). Sendo assim é esperado que após os treinos, no almoço ou no jantar prevaleçam grãos e legumes. Carne e ovos, alimentos caros, são luxo.

Então o corredor amador deveria imitar a dieta etíope (ou queniana, também centrada em carboidrato)? 

Essa é uma pergunta engraçada… o amador não copia nada, absolutamente NADA do que fazem quenianos e etíopes no que diz respeito a calçados, equipamento, volume de treinamento, local de treinamento, mas acha que por algum motivo deveria copiar o que eles comem de porcentagem de macronutriente, nunca a fonte.

Um dia escrevo por que acredito que essa abordagem de uma maior restrição ao consumo de carne seja a melhor abordagem nutricional visando a saúde, mas o que mais tiro observando a dieta etíope mais uma vez não é o que eles FAZEM (na dieta) que os faz superiores, mas o que eles NÃO fazem (SEMPRE a via Negativa).

Os etíopes são magros NÃO porque correm (*a maioria dos etíopes NÃO corre e a absoluta maioria é magra!). Eles são magros NÃO porque necessariamente passam fome. Ao andar pela cidade você vê inúmeras vendas de frutas, pães e legumes, não vê pedintes esquálidos. Os etíopes são magros pelo que eles NÃO comem. Há sorvete? Há. Chocolate? Também. Mas são caros a um país pobre. São mais difíceis de encontrar. O consumo de alimentos processados e industrializados não são uma constante na vida deles como é na do britânico, americano, ou brasileiro, povos gordos, de maioria com sobrepeso.

A “vantagem” da dieta deles, novamente, não está no que comem (ninguém consegue afirmar que a enjera é melhor que a tapioca brasileira ou que o scone britânico), mas fazer regime para perder peso ou ter que tomar suplementos é algo necessário apenas para quem tem uma dieta ruim, sem relação com sedentarismo.

O segredo ou a diferença (seja na corrida seja na não-obesidade) não passa pelo que eles comem, mas pelo que eles NÃO comem.

**sim, gostei do enjera! Comi acho que TODOS os dias!

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Danilo Balu
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Não é que o açúcar faz mal…

A foto que segue é a dos sachês de açúcar no Sri Lanka que parece que agora vêm com o aviso que o produto (no caso o AÇÚCAR) é viciante e causa diabetes!

Certa vez um autointitulado especialista disse que eu estava falando bobagem. Ele, no caso, estava bem acima do peso, mas deixou claro que açúcar não vicia, que ele pararia de comer quando bem quisesse. No Brasil não faltam “especialistas” para dizer que açúcar não tem risco.

É um enorme erro conceitual dizer que algo faz mal. Água em excesso mata mais rápido que açúcar em excesso. O problema não é se o nutriente faz mal. Mas sim sua BIODISPONIBILIDADE.


O que o refino/processo/indústria faz é oferecer algo centenas, milhares de vezes o que você conseguiria naturalmente na natureza. É aí (e em todo o processo industrializado) que mora a razão pela qual você NUNCA deveria consumir óleos vegetais (mesmo o Canola). É aí também o problema do açúcar branco. Quantos pés de cana-de-açúcar você teria que mastigar pra consumir tanto açúcar? Não há mandíbula que resista!

Fuja do açúcar branco, mas não consuma vegetais com medo. Não demonize a gordura vegetal se ela vem pela ingestão de legumes.

Mas, SIM, se você consome óleo vegetal, cápsulas de vitaminas, açúcar… eu pergunto: você acharia normal um dia comer um ovo e no dia seguinte passar a comer 100 diariamente? A lógica é essa! Seu organismo nunca foi exposto a isso. Não tem como dar certo!

Ou então traga UMA população que melhorou seus indicadores ao consumir mais e mais de óleos e açúcar. 

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Danilo Balu
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A Resistência à Insulina.

Não me importa em quem votou! Se for contra o regime do militar, seja a resistência! Mas não seja RESISTENTE À INSULINA!

O problema de enxergar o controle de peso (ou o emagrecimento) por um viés matemático, de mero controle calórico, erra em uma questão básica, fundamental: nosso peso é regido pela Biologia, não pela Matemática. É uma questão de Fisiologia, não de Física.

A RESISTÊNCIA À INSULINA

Nosso corpo responde a estímulos em função de basicamente duas variáveis: sua intensidade e sua frequência.

Quando os mineiros chilenos saíram da mina após mais de 2 meses soterrados, usavam óculos porque a AUSÊNCIA de luz nos torna sensíveis à luminosidade. O seu colega que mora ao lado do Rio Tietê não sente o cheiro fétido daquilo que já foi um rio ao cruzar SP, pois ele é diariamente exposto ao odor, assim como você não sente mais o perfume forte daquela colega de mesa do escritório.

Isso porque a SUBTRAÇÃO de um agente estressor aumenta nossa SENSIBILIDADE a ele. Já a crônica EXPOSIÇÃO a ele nos torna RESISTENTES.

Isso é muito claro no esporte e na vida real. Por que seria diferente na Nutrição?

Ser SENSÍVEL à insulina, ou seja, o OPOSTO de ser RESISTENTE à insulina é um EXCELENTE marcador de saúde. Quanto mais sensível, melhor o desfecho. Ponto. Mais. Pessoas resistentes à insulina, igual ao PM da foto, são MUITO mais propensas a estarem ou serem acima do peso. Há uma ENORME correlação positiva entre resistência à insulina e obesidade. Pessoas assim têm constantemente maiores níveis de insulina circulante, um hormônio que impede a queima de gordura e empurra glicose para dentro das células.

Isso dito e sabendo que o diabetes (do tipo 2, aquela “adquirida”) é um caso de extrema resistência à insulina, qual a abordagem mais eficaz, sabendo que nosso corpo fica sensível à subtração de agentes?? Sim, com certeza, a REDUÇÃO do consumo de carboidratos.

E se sabemos que uma pessoa com sobrepeso e/ou obesa tem GRANDES chances de ser resistente à insulina, qual seria a melhor abordagem? RETIRAR aquilo que a tornou resistente à insulina em primeiro lugar: a própria insulina. E o que gera aumento de insulina circulante? Consumo de carboidratos (seja em quantidade ou frequência), principalmente os mais refinados (farinhas), os simples (açúcar) e os de alta carga glicêmica (grãos). E na “ausência” do estressor (insulina), seu corpo fica mais sensível (saudável).

E o que pede a tese do balanço calórico?

Que ignoremos o mundo real e foquemos apenas em comer menos calorias.

Pois é… 

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Danilo Balu
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Sobre o Agudo vs Crônico, a Escassez e a Abundância.

Ou ainda, como diz, Mark Baker:
A domesticação em excesso nos adoece.”

Há como a falta de água matar um indivíduo. Mas… e sua disponibilidade? Pode ELA acabar com a saúde de todo um povo?

!Kung faz parte de San, um povo africano que em sua história sempre foi nômade vivendo em meio ao deserto de Kalahari, enfrentando acesso restrito à água e animais de caça. Na metade do século passado (1960) imigrantes resolveram presenteá-los com 5 poços de água subterrâneos. Não havia mais a necessidade de serem nômades. Logo os animais ao redor foram todos caçados, o povo começou a viver de alimentos ricos em amido (de muito baixa densidade nutricional como são por essência os grãos) e outro problema apareceu.

Não foi só a dieta que empobreceu, se antes a natureza fazia o trabalho de reciclar as sobras, agora não mais perambulando o lixo se acumulava e as doenças típicas dizimavam o povo. Era o limiar da sede (ou o pouco e difícil acesso à água) que fazia a população de !Kung San viver com saúde. O fato de não saberem lidar com água abundante os fez doentes, famintos e miseráveis.

O mundo muda em uma velocidade a qual nossos genes não estão aptos. Dividimos com Hipócrates, o pai da Medicina, a mesma programação genética, mas vivemos em uma realidade em que nada se parece com a dele. Por isso tenho calafrios quando vejo profissional da saúde falar em “moderação”. Claramente essa pessoa nunca teve que lidar com viciados. NINGUÉM sugere moderação no uso de drogas. O mundo é sobre extremos, não equilíbrio!

Não, heroína e açúcar NÃO causam o mesmo estrago em uma dose. Mas para AMBOS temos uma programação genética que nos dá um comando do tipo “MAIS E MAIS”, que nos faz ir atrás de consumir cada vez mais dos dois.

Certa vez um grande amigo, usuário de cocaína me disse: ”Balu, NUNCA use porque é bom demais”. Não precisa ser toxicologista ou viciado para saber que a sensação deve ser mesmo. Quem conviveu com dependente químico sabe que não é uma questão de inteligência ou de fraqueza, mas de uma retroalimentação que substâncias como o açúcar causa que supera nossa força de vontade.

Quando falamos em saúde, o desafio de cada um em uma sociedade “domesticada” é reproduzir em parte o ambiente selvagem que moldou nossa genética por centenas de milhares de anos. A área da Educação Física faz isso muitíssimo bem recomendando que reproduzamos gestos físicos que a modernidade e a tecnologia não mais nos exige no dia-a-dia. Eu, Bacharel em Esporte, como ser humano que sou em primeiro lugar, digo que meus dias mais prazerosos são justamente aqueles em que eu NÃO treino (domingo, VIVA!). Em cada passo que dou correndo meu corpo e cérebro gritam para que eu pare, mas eu continuo, tentando para meu próprio bem reproduzir aquele ambiente ancestral e selvagem de movimento.

Nutricionistas que advogam contra o jejum e a restrição de carboidrato (grãos, farinhas e açúcar), mais do que ignorarem por completo o que mostram estudos MUITO bem controlados, ignoram algo essencial nessa estratégia. Que ela NÃO é sobre melhorar o mundo atual, mas tentar REPRODUZIR uma situação que a modernidade nos privou. E para a qual nossos genes não estão preparados. E, mais importante, é essencial a uma saúde plena. 

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Danilo Balu
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O açúcar e o low-carb aos olhos de 1825…

Era esperado que após as duas maiores emissoras do país apresentarem novamente matérias dizendo que “dietas low-carb” não funcionam ou fazem mal, as dúvidas de sempre se repetissem. Eu poderia de cara dizer que pelo “tamanho” da especialista consultada eu NUNCA daria bola para o que ela fala (é minha recomendação, já disse, por não terem “skin in the game” (pele em jogo), não deveríamos ouvir NADA sobre saúde e emagrecimento vindo de nutricionistas fora de forma).
Estou atualmente lendo um clássico de 1825. O “The Physiology of Taste” deveria ser obrigatório nos cursos de Nutrição. Ele, disponível gratuito, NUNCA me foi apresentado em 5 anos quando fiz Nutrição na USP, mas uma chefe de departamento, fã da farsa que é a pirâmide alimentar, à época nos fazia comprar os livros dela. Bom, em determinado momento, o autor Jean Brillat-Savarin cita que um senhor “estava reclamando do elevado preço do açúcar” e que este senhor “não beberia nada além de água com açúcar se o preço do açúcar assim permitisse”. Isto 200 anos atrás, uma outra realidade.

O preço do açúcar caiu de tal maneira que em um dia do século 20 (ou seja, após a passagem do Sr. Delacroix por este mundo) a humanidade era capaz de produzir o açúcar de TODO o século anterior. Jogando para o campo pessoal, minha avó, falecida em 1992, muito pobre que era, só veio a consumir açúcar refinado nos anos finais de sua vida. Ela tinha que conviver consumindo apenas o do tipo cristal.
Se você olhar o gráfico abaixo verá que a participação da gordura e da proteína como fonte energética, em movimento inverso ao da obesidade, CAI ao longo das décadas. E ainda assim NUNCA estivemos tão gordos e doentes. E o que nos sugere que essa e tantas outras nutricionistas que também não sabem como manter a própria forma? Que comamos ainda MENOS gordura e MAIS carboidrato. Resumindo: o remédio dela não vem funcionando, porém ela pede que aumentemos a dose.


É ou não é esquizofrenia!? Bom, pode ser apenas ignorância desses especialistas.
O ser humano foi moldado, evoluiu, com acesso MUITO restrito ao açúcar e farinha refinada. A segunda foto que acompanha o post é a produção de macarrão na Itália em 1897. A mesa à frente da nutricionista na TV (cheia de macarrão, bolachas e pães) seria algo impensável 100 anos atrás MESMO em uma família riquíssima. E hoje a modernidade permite que mesmo famílias MUITO pobres comam o que um nobre italiano não comia. MINHA pobre avó comia um alimento (açúcar) que a elite não comia séculos atrás. Será que é por isso que ela faleceu obesa e diabética (do tipo 2 tardiamente adquirida)?

Entendem onde quero chegar?
Não é nem o fato de que você deveria PARAR de dar ouvidos a profissionais sem skin in the game (nutricionista fora de forma, a menos que seja doente, não têm “skin in the game“). A questão é que TEMOS que aprender a viver em escassez em um mundo de abundância. Açúcar e Farinha devem ser restringidos voluntariamente ao MÁXIMO para reproduzirmos assim uma época em que não adoecíamos.
E por fim, deixe de ser SAFADO. Não pergunte sobre diferentes tipos de açúcar. Veja o que fala Brillat-Savarin 200 anos atrás: “Açúcares obtidos de várias plantas, diz um célebre químico, são na verdade da mesma natureza, e não têm diferença intrínseca quando são igualmente puros.” Ou seja, se seu nutricionista passa pano para açúcar demerara, de coco ou orgânico, você não tem que trocar de açúcar, mas de profissional. Sabemos que açúcar é açúcar desde 1825.

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Danilo Balu
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Sobre Macacos, Zoológicos e o pensamento evolutivo.

Ou ainda: SIM, FRUTAS ENGORDAM

Dias atrás li uma entrevista incrível com uma especialista em Nutrição Animal do zoológico Paignton, na Inglaterra. Nela a Dra. Amy Plowman mostra enxergar mais nos animais do que a categoria vê em humanos. Ela explicava os motivos de agora estarem restringindo a oferta de banana aos macacos do parque para ajudar na manutenção de um peso saudável nesses animais.

A banana (e muitas das demais frutas modernas, domesticadas pelo homem) compartilha algumas características com qualquer doce que conhecemos. Uma delas é sua baixa quantidade de fibra. As frutas mais doces (ex: manga, uva ou a própria banana), assim como um bom chocolate, são pobres em fibra. Para afirmar que frutas são fonte de fibra você tem que atropelar duas coisas: o raciocínio lógico e o matemático. E aqui reside o primeiro problema. A saciedade no ser humano tem forte relação com 4 características dos alimentos: sua SOLIDEZ (por isso beber refrigerante ou mesmo uma sopa nunca dará saciedade prolongada) e sua quantidade de: FIBRA, PROTEÍNA e GORDURA.

Outra característica que uma Manga compartilha com um sorvete, por exemplo, é seu alto teor de açúcar. Basicamente o que a agricultura fez ao longo dos séculos foi aumentar o açúcar e reduzir o teor de fibra de uma fruta. Por quê? Primeiro porque o desígnio do feirante nunca foi o de fazer você viver mais ou ser saudável, mas você comprar mais dele. E segundo porque o sabor doce é extremamente prazeroso ao ser humano. Entre uma uva doce e sem caroço ou um limão azedo o produtor sabe qual dos 2 você opta por consumir mais: a opção com mais açúcar e menos fibra.

Veja que forte sua afirmação: “as pessoas geralmente tentam melhorar sua dieta comendo mais frutas, mas as frutas cultivadas para humanos são muito mais altas em açúcar e muito mais baixas em fibras que a maioria das frutas silvestres. Nós gostamos que nossa fruta seja doce e suculenta. Dando esta fruta aos animais é equivalente a dar-lhes bolo e chocolate.”

Pois bem, a foto abaixo que ilustra esse texto é de uma banana selvagem, que era fibrosa, pouco doce e continha sementes. Mexemos tanto nela selecionando os cruzamentos que hoje uma unidade grande pode conter o equivalente a 5 sachês de açúcar (!!), daqueles de mesa de bar e café. Não há NADA de natural em uma fruta na feira. Ela é resultado de domesticação e alteração da agricultura e pecuária, que são muito mais eficientes que a Nutrição naquilo que todos eles se propõem. A Nutrição NÃO sabe como nos emagrecer. A pecuária SABE como engordar o gado.

O “problema” das frutas é que o que comemos hoje nem de longe se assemelha ao que nossa espécie aprendeu a consumir. Veja bem, as frutas séculos (ou mesmo décadas) atrás eram menores, menos doces, sazonais, de vida curta e locais (meu primeiro kiwi, uma fruta do sudeste asiático, eu devo ter experimentado somente no final da adolescência). Isso fazia delas mais raras e de muito MENOR densidade energética. Além de MAIOR densidade nutricional.

Ao contrário do que imagina o senso comum, NÃO há uma correlação clara entre maior consumo de frutas e melhor saúde. Simplesmente NÃO há. Com suco é ainda pior: maior consumo, pior o desfecho. Pois, o que o zoológico vem fazendo é reduzir o consumo de frutas e trocar por legumes e folhas, esses SIM, alimentos de consumo “livre”, liberado, relacionados com uma melhor saúde.

É tentador achar que fruta é sinônimo incontestável de saúde. Frutas como as conhecemos hoje são sinônimo de competência do setor agroindustrial. ninguém fica doente comendo fruta! Mas pode ser que uma pessoa doente (alguém com sobrepeso e/ou síndrome metabólica, por exemplo) faça muito bem por restringir seu consumo.

No meu dia a dia e dos meus clientes eu sempre falo: como bem menos fruta do que eu gostaria, você deveria fazer o mesmo.

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De Trump, Emagrecimento, Low-Carb e a bolha dos Especialistas.

As eleições que levaram Donald Trump ao posto de homem mais poderoso do mundo, assim como nossas próximas eleições em outubro me lembram muito o cenário da Nutrição atual. Há já 5 anos que a dieta low-carb supera a dieta low-fat nas buscas do Google, o principal portal de busca do mundo: a sociedade parece ter compreendido na prática que as pessoas fizeram e fazem muito mal ao seguir as recomendações dietéticas de nutricionistas e médicos que recomendam restrição no consumo de gordura e calorias.

MAS… E TRUMP?

Não é fruto de mero acaso que a profissão de Nutricionistas está ao lado da de políticos como uma das de menor credibilidade perante a sociedade. Cerca de 40 anos atrás, ainda na década de 70, Médicos e Nutricionistas pediram que mudássemos nossos hábitos à mesa. Obedecemos. O que ocorreu? A maior explosão de obesidade, diabetes, hipertensão e de síndrome metabólica que se tem conhecimento.

Qual seria a solução prática e imediata? Esquecer e ignorar tudo que eles pediram e nos pedem ainda hoje. Vou ser mais sucinto: você não deveria dar ouvidos ao que dizem as diretrizes das duas categorias quando o assunto é dieta, emagrecimento e saúde.

Vivemos um dilema, afinal, a sociedade ajudou a formar uma elite de profissionais que são em sua maioria (mas não em sua totalidade!) ineficientes em entender do assunto Nutrição. Sendo assim, ao encaminharmos a eles as pessoas doentes, a decisão é contraproducente. Porque há neles uma enorme incapacidade de entender o que fazer, como vimos nas últimas 4 décadas.

Uma metáfora recente e brilhante de Filipe G. Martins coloca “de um lado, um bando de ‘intelectuais mas idiotas’ (*a alcunha aqui é traduzida de IYI, criada por Nassim Taleb), que fingem dominar assuntos que não dominam, que não possuem nenhum contato efetivo com a realidade e que nunca arriscam a própria pele, mas que se veem como donos de uma sabedoria elevada e superior”.

Dias atrás, soubemos que a Rainha da Inglaterra restringiu o consumo de massa à nova “princesa” para ajudá-la a manter a silhueta. Vem ganhando destaque ainda a adesão de cada vez mais pessoas à dieta cetogênica, que é de extrema restrição de carboidrato, para desespero dos profissionais e acadêmicos de saúde tradicionais que quanto mais estudam, menos entendem. Temos aqui, mais uma vez citando Martins, o “homem comum, que se expressa como todo homem comum e que tem humildade e sinceridade o bastante para não finge saber o que não sabe. Há um abismo entre esses dois lados. Duas perspectivas. Dois imaginários. Duas formas de entender o mundo. Duas atitudes perante os problemas e os desafios da realidade”.

E ASSIM VOLTAMOS AO FALASTRÃO TRUMP…

Jornalistas analistas de TV e grandes portais, outra categoria que parece em sua esmagadora maioria formada por IYI, ainda tentam entender a vitória do Republicano. Vivendo em sua bolha, entre os seus, em completo desconexão coma realidade, não podiam entender como alguém como ele venceria. Acontece que ele falava o idioma da pessoa comum. Podemos fazer um paralelo com João Doria vencendo em SP (”como pode Fernando Haddad ter perdido em TODAS as zonas eleitorais se todos os meus amigos do Facebook votaram nele?!”), ou mesmo periga no futuro os mesmos analistas passarem anos tentando entender uma eventual vitória de Bolsonaro.

A vida real ao cidadão comum é simples demais. Ele quer comer de forma saudável e emagrecer. Basta comer o que sua avó chamava de comida de verdade quando ela era jovem. Não tem erro. Você não precisa nem de Médico nem de Nutricionista. É como saber se vai chover; ninguém precisa consultar um Meteorologista, você apenas olha para o céu.

Podemos dizer que o leigo tem skin in the game. Enquanto médicos e nutricionistas NÃO o têm, os acadêmicos, que orientam aqueles, não têm os mesmos interesses que nós. Em sua dinâmica de sobrevivência, o que lhes importa é apenas parecer interessante e inteligente frente aos demais acadêmicos, produzindo mais artigos que dizem as mesmas coisas, ainda que para isso em sua teimosia e arrogância tentem suplantar duas entidades insuperáveis: o tempo e a realidade.

E aqui reside seu erro.

“A PRÁTICA SUPLANTA A TEORIA. SEMPRE.”

Por não ter skin in the game, os acadêmicos e os profissionais AINDA alinhados com as atuais diretrizes nutricionais esquecem de algo essencial: olhar para o mundo encarando a realidade. Eles vivem em sua bolha, produzindo ao lado de colegas artigos de coisas que não funcionam na vida real. Isso “porque não há sustentação teórica que se sobreponha à realidade concreta. (…) O resumo de tudo é que não há significado FORA da realidade.”

Quando falamos de nutrição no emagrecimento, deveríamos olhar NECESSARIAMENTE ao passado, quando éramos magros, uma vez que o tempo é a variável mais robusta de segurança. E quando falamos de Nutrição na saúde, o futuro, temos que – além de relembrar que no passado, quando não sofríamos de diabetes nem hipertensão, que adquirimos como consequência da obesidade que ganhamos ao seguir as diretrizes nutricionais atuais – devemos olhar a quem tem skin in the game. Isso porque “a ideia de ter a ‘pele em jogo’ é a de que ninguém deveria causar danos a outros sem impunidade.” Acadêmicos e as atuais sociedades/associações, médicas e nutricionais, NÃO têm skin in the game. Mas seu maior pecado é ainda o fato dessa elite ser desconectada da realidade teimando em ignorar que não há mentira que se sobreponha à realidade.

“ORTODOXIA É NÃO PENSAR, NÃO PRECISAR PENSAR”

Low-carb já vem superando consistentemente as buscas por low-fat. A população já compreendeu que é o carboidrato o maior obstáculo no emagrecimento. O que dizem as diretrizes e acadêmicos? Que low-carb e cetogênica são ineficientes, não seguras. Um dos motivos pelos quais não deveriam haver diretrizes nutricionais oficiais é que o governo nunca irá assumir que estava errado. Os atuais acadêmicos vivem de nos convencer que estavam certos. Nem que para isso ignorem a realidade e tentem entortar, – de novo – a variável mais robusta: o tempo. No desespero de se provarem certos, eles preferem a ignorância, porque é mais fácil. E se desconectam com a realidade. Os leigos, com skin in the game, cada vez mais vão descobrindo e cada vez mais os deixam falando sozinhos.

Igual o jornalista que ainda não entendeu como Trump é presidente, os nutricionistas tradicionais vão ignorar por muito tempo ainda o chamado da realidade que bate à porta das pessoas comuns. E ficarão falando sozinhos…

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A Sabedoria das Multidões

Tempo atrás pude ler um livro bem interessante. Em “The Wisdom of Crowds” (traduzido livremente para “A Sabedoria das Multidões”) James Surowiecki explora uma ideia um tanto quanto inesperada: grandes grupos de pessoas são mais inteligentes do que uma elite. Não importa o quão brilhante sejam os especialistas, as multidões chegam muitas vezes a decisões mais sábias nos mais diversos campos como Psicologia, Biologia, Economia, História e…

Bom, essa semana saiu a 13ª edição de uma importante pesquisa americana feita nos EUA. Os resultados da IFIC são sempre interessantes. Um deles me chamou a atenção. Mas antes, aos especialistas…

A obesidade é resultado de um desbalanço energético, ou seja, quando a quantidade de energia (calorias) ingerida através dos alimentos é maior do que aquela gasta pelo organismo”. Você encontrará essa definição nos portais da OMS e das sociedades e associações ~especialistas~. Mas… e se eles estiverem errados!?

Quando analisados os dados populacionais nos EUA, temos que a população de fato fez aquilo que lhe foi pedido. Mas ainda assim nunca estiveram tão obesos e tão doentes. Ou seja, a orientação não funcionou. Pela definição dos especialistas, todas as calorias são iguais. Mais: pela orientação dos mesmos especialistas, gordura engorda, carboidrato salva. Não sou eu que estou dizendo, basta olhar as diretrizes oficiais. E o que encontrou o IFIC?

  1. Que as calorias não são iguais. A população tem “skin in the game” (pele em jogo). Ela já descobriu na prática que as calorias não são iguais.

Se elas não são iguais, algumas devem engordar mais. Os especialistas, cujas recomendações tornaram a população obesa e doente, apostaram que era a gordura. Porém…

  1. Hoje mais da metade dos americanos já atribui ao açúcar e ao carboidrato o peso de nutriente mais engordativo.

Por que isso? Porque as pessoas têm skin in the game, os especialistas acadêmicos não. Ou ainda, como diria Nassim Taleb: “Para as pessoas reais, se algo funciona em teoria, mas não na prática, isso não funciona. Já para os acadêmicos, se algo funciona na prática, mas não na teoria, não existe.”

É por isso que não faltam ~especialistas~ indo à TV, rádio e suas redes sociais dizendo que ou low-carb não funciona ou que você só perde músculo e água. É o jeito deles negarem a realidade que até um leigo já enxerga, mas ele não.

É a sabedoria das multidões.

 

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Distância é diferente de Equilíbrio!

Na 3ª feira comprei sobremesa para comer no jantar com minha mulher. Era um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate de um café fantástico que tem do lado de casa. Fazia meses que não comia esse bolo! Pois bem, minha sobremesa no jantar (não as como no almoço, uma regra pessoal) é 90-95% dos dias uma laranja (uma de minhas frutas favoritas, não há nada de mágico nessa fruta!). Então era um dia “especial”. Isso foi 3ª feira.

Na 4ª feira eu voltava pra casa depois de um treino quando pensei: por que não comprar outro pedaço de bolo? Dessa vez mais simples, em um supermercado do lado de casa de onde eu nunca comprei bolo. A verdade é que eu queria muito um doce de sobremesa. Doce e açúcar são viciantes! Quem estudou história na escola sabe que boa parte da nossa história econômica foi centrada em… plantar e produzir açúcar! É o petróleo que a gente come, que move boa parte da sociedade moderna!

Tenho tremores quando vejo profissional da área da Saúde dizer que açúcar não vicia… eu só penso em bolo desde ontem! Tabaco, álcool, jogo de azar, açúcar, não estão na nossa sociedade há séculos por puro acaso. Você tem que fazer forca para acreditar nisso. Ou fazer malabarismo argumentativo, como faz o profissional que pede equilíbrio. Ele pede equilíbrio com tóxico? Ele pede é distância.

Distância é diferente de equilíbrio

Bom, hoje, 5a feira, é dia que eu dou “tiros” (de corrida). É uma regra antiga que tenho. Não-negociável. Ontem li uma frase no best-seller “12 Regras para a Vida“. Era algo mais ou menos assim (desculpe se ela é famosa e eu não a conhecia):

“(Em um mundo) Sem regras, rapidamente nos tornamos escravos de nossas paixões – e não há nada de libertador nisso.”

O pior profissional de Nutrição que existe é o incompetente que argumenta que a limitação do low-carb (ou da paleolítica) é o fato de ser restritiva. Tudo na Nutrição é restritivo na natureza. Absolutamente TUDO. Ele mesmo não come cogumelos selvagens ou grama (ou talvez até coma). Ele mesmo geralmente pede restrição no consumo de gordura saturada. Ele é desonesto intelectualmente, é ignorante.

Nossa relação com a comida ao longo dos séculos passou da escassez (do açúcar ruim, de beterraba, caro, que custava o salário de 1 mês), para um mundo onde até uma criança pode comprar bolo de cenoura a R$3 a qualquerhora do dia. Você não bebe uísque cowboy logo cedo, mas come tapioca com nutella. Você não faz reunião fumando um cubano, mas faz comendo pão doce e suco. Você não acorda 11h00 todos os dias, mas acha normal comer chocolate diariamente.

Em um mundo de abundância ao qual não estamos acostumados e nem preparados, ou criamos regras rígidas de consumo daquilo que vicia (SIM, açúcar vicia), ou vamos virar escravos da comida. Escravos gordos, hipertensos, diabéticos e doentes.

E não falta profissional de saúde que chame isso de liberdade de consumo.

*não comprei o bolo, saí do Carrefour com 2 laranjas.

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Hábito e Regras – Escassez em um mundo de abundância.

Costumo dizer que um dos maiores desafios do ser humano moderno no que diz respeito à saúde é, na Nutrição, aprender e conseguir viver em escassez em um mundo de abundância.

Já disse inúmeras vezes: é incompetente e ignorante o profissional que diz que na dieta deveria prevalecer o equilíbrio. Isso porque na natureza prevalecem sempre os extremos. Aqui entenda-se: número de refeições (baixo), jejuns intermitentes (com eventuais bem longos, de 48h ou mais) e consumo extremo de nutrientes (sim, baixo carboidrato e pouca atenção ou preocupação ao consumo diário e regular de alguns micronutrientes).

Nossa sociedade está doente porque encontra açúcar na forma mais barata e abundante como jamais obteve em toda nossa história. Somos programados biologicamente para obter enorme prazer nele. Veja o sorvete, por exemplo. É fonte de algo que você nunca encontra na natureza: uma combinação de açúcar e gordura!

Por isso você não consegue parar de tomar, quebrar esse estímulo supernormal. Por isso também temos que forçar voluntariamente que seu consumo seja apenas ocasionalmente.

Com atividade física é parecido (carros, elevadores, malas de rodinha…). O conforto do mundo moderno nos obriga a regularmente buscarmos desconforto físico fazendo alguma atividade física. Novamente aqui o extremo. Você perde tempo se vai à academia e faz qualquer coisa com mais de 15 repetições seguidas ou corre mais de 1h00 e não quer um recorde pessoal na Maratona. Quando falamos de saúde você tem que fazer força, Bastante. (ou se enganar, lógico, sempre há essa possibilidade)

Tempo atrás escrevi sobre “regras mentais” e o porquê acredito nelas. Existem diversas teorias sobre força de vontade, hábito, etc (sim, também como muitos de vocês, li o best-seller “O Poder do Hábito”). Algumas hipóteses dizem que nossa força de vontade é finita no ciclo de um dia. Não sei, pouco me importa. O que eu sei é que é muito mais fácil quando tiramos uma decisão de discussão, quando você torna algo inegociável. Por exemplo: usar cinto de segurança. Você não se pergunta se deve ou não usá-lo. Particularmente faço isso com correr, escovar os dentes, dirigir sóbrio… Eu nunca me pergunto se devo correr diariamente (eu corro), se devo escovar o dente (escovo) ou não dirigir depois de beber (não dirijo).

Oriento e sugiro alguns dos meus clientes da mesma forma. Eu não tomo Coca-Cola Zero nem sobremesa no almoço (sou viciado em Coca Zero). Está fora de questão. Não como tapioca quando não treino. Sorvete de flocos apenas na rua porque em casa não tenho maturidade para não matar os 2L em uma sentada. Aos finais de semana não faço duas refeições ruins seguidas. Porque sou bobo? (não responda!) Porque esse (não citei todas as regras) é meu jeito de viver em escassez em um mundo de abundância.

Acredito demais que estabelecer algumas regras que me empurrem para um hábito mais saudável ainda que tire parte de um prazer tão barato e alcançável é o jeito factível de não cair na armadilha de achar que vou conseguir dizer “não” a algo a que somos biologicamente programados a querer e buscar mais do que devíamos, já que tempo atrás a norma era viver em escassez em um mundo de… escassez.

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