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De Ulisses, Sereias e o canto hipnotizador dos doces

A mitologia grega nos conta em uma de suas histórias a do mortífero canto das Sereias. Vivendo em uma ilha no Golfo de Nápoles (Itália), as Sereias eram ninfas cantoras que enfeitiçavam os marinheiros pelo canto, atraindo-os para a morte. Ulisses não foi o primeiro a sobreviver ao estratagema delas, porém foi o primeiro que para passar por elas adotou uma atitude diferente.

Ulisses amarrou-se ao mastro do seu navio e obrigou sua tripulação a todos taparem seus ouvidos com cera. As sereias ficaram tão aflitas com o estratagema de Ulisses que se jogaram no mar e se afogaram (*na antiguidade as sereias eram representadas como aves, com a parte superior do corpo de mulher).

Uma coisa que todo mundo parece saber bem é o que atrapalha DE FATO nossa dieta e silhueta (**ainda que o contrário não seja bem verdadeiro, ou seja, temos como falsos-amigos alimentos que por anos de marketing benfeito ou pesquisa malfeita atribui a alimentos como aveia, pão integral, soja ou biscoitos integrais, qualidades que sabemos hoje que eles não têm). Então como dizer não a uma torta de morango depois do almoço quando temos enorme dificuldade em pensar em nós mesmos em um futuro distante, quando comer alguma guloseima dá um prazer imediato, ainda que a um alto preço (“a minute on the lips, a lifetime on the hips“)?

Todo adulto responsável tem que manter em dia suas obrigações: trabalhar, pagar contas, escovar os dentes, usar cinto de segurança. Sempre – eu digo SEMPRE – que ele tem que cumprir uma “obrigação” ele o faz sem pensar. Você acorda para trabalhar quando o despertador chama, você não se pergunta se neste dia específico você quer (ou precisa) trabalhar. Você levanta e vai. Quando o boleto vai vencer, você não se pergunta se são justas as taxas, você paga (até porque sabe que os juros e as consequências serão ainda maiores no futuro). Quando senta no carro, você não pergunta se a viagem é longa, você afivela o cinto de segurança. Você, ao menos esperamos, tem o hábito de escovar os dentes e lavar as mãos como rotina. Você não se pergunta, você age.

Um jeito fácil de driblar a tentação de colocar à prova nossa força de vontade é mudar o padrão para “fazer” sempre e não fazer em casos específicos, especiais, MUITO pontuais.

Por algum motivo – não me pergunte qual, pois não sei – com nutrição e dieta fazemos diferentes. Acabamos tomando diversas vezes ao dia a decisão se merecemos ou não comer doces, sobremesas ou qualquer outra coisa que atrapalhe a dieta (alimentos ricos em amido, por exemplo).

Eu gosto de sobremesas tanto qualquer um de vocês. Mas eu tenho minhas regras. Estou proibido de comê-las no almoço. Está fora de questão. O mesmo vale para Coca-Cola Zero (meu vício). Sendo assim, eu não tenho que tomar a decisão de comer ou não quando vejo uma. Comer sobremesa no almoço é como sair dirigindo sem usar o cinto de segurança, ou dormir até as 11 da manhã em plena 3a feira. Está fora de questão. Até porque a imaginação humana é muito criativa e você sempre – reforço novamente: SEMPRE – terá um motivo para “merecer” uma sobremesa ou refrigerante (“meu chefe está enchendo o saco“, “treinei ontem“, “vou treinar hoje“, “está em promoção“, “está calor“, “está frio“, “está chovendo“…).

 

O que Ulisses fez para salvar a si mesmo e a todos os seus homens foi aceitar que o canto das sereias era um canto tão doce quanto um mousse de chocolate. Ele não estava aberto a negociações achando que ele poderia raciocinar. Colocar cera no próprio ouvido foi o “criar uma regra” pessoal.

Eu não estou dizendo que a minha regra é a melhor (tenho outras ainda), mas acredito mesmo que devemos tê-las. Sim, devemos. A mente humana é maluca. É sempre mais fácil tornar o “não” como padrão do que tentar tomar racionalmente uma decisão de dizer “não” várias vezes ao dia. Fazemos isso, como disse, naturalmente com outras obrigações envolvendo compromissos profissionais, por exemplo. Mas somos otimistas, achamos que a decisão de não escapar da dieta é como se fosse possível não escutar o canto da sereia apenas fazendo força para sermos momentaneamente surdos.

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A Nutrição e a Via Negativa.

Ou ainda: fuja de quem te diga o que comer.
Ou ainda (2): é sobre comer menos carboidrato, não sobre comer mais gordura.

Quando você trabalha com emagrecimento a pergunta mais comum talvez seja: “o que faço pra emagrecer?”. O filósofo Homer Simpson, no alto de sua sabedoria socrática teria dito: “não fique gordo”. Tamanha obviedade não pode ser ignorada quando sabemos ser tão difícil emagrecer.

Praticamente todo estudo baseado em greve de médicos encontra o mesmo desfecho: o cancelamento do atendimento aos procedimentos simples reduz o número de mortes em hospitais. Afaste os cardiologistas e haverá menos intervenções/cirurgias e assim menos mortes. Corroborando a forte, porém correta tese do especialista em Risco Nassim Taleb: você na média diminui a sua expectativa de vida quanto mais visita um médico.

Por isso também que a minha resposta para como emagrecer se baseia sempre no que NÃO podemos fazer caso queiramos perder peso. Eu me baseio na VIA NEGATIVA porque ao menos na saúde é nela que toda a nutrição deveria se basear.

Via Negativa é sobre a eficácia da subtração sobre a adição, é sobre menos ser mais. Na prática é uma receita para o que se evitar, sobre o que NÃO fazer/comer. Isso porque sabemos o que está errado com muito mais certeza do que qualquer outra coisa. Ou ainda, usando outro conceito muito importante, o de que o conhecimento é subtrativo, não aditivo. É sobre o que nós rejeitamos, aquilo que não funciona, o que NÃO devemos fazer. Ideia diametralmente oposta à adição, que se faz hoje na Nutrição, sobre o que acrescentar ou o que deveríamos fazer.

Uma prática que tenho certa dificuldade de explicar aos meus clientes é o fato de eu NÃO prescrever nunca um cardápio. (*nunca fiz um na minha vida que não tenha sido em sala de aula na graduação e pretendo seguir nunca fazendo). Seguindo o desenrolar lógico desse corolário, Taleb diz que a melhor maneira de se achar um charlatão é olhar entre aqueles que te aconselham o que deve ser feito em vez de aconselhar o que NÃO deve ser feito. Traduzindo à Nutrição: o charlatão dirá “Coma uma fatia de pão integral com queijo cottage” quando o correto seria “NÃO coma amido (ex: pão integral)” porque ele sabidamente engorda.

Basicamente a via negativa escolhe o que não se é e trabalha com processos de eliminação (aqui, ao NÃO comer arroz, quinoa ou arroz integral, aumenta-se a chance de essa pessoa comer carne ou ovos, alimentos não-engordativos e muito mais ricos nutricionalmente). Na área da saúde ela funciona pela remoção do artificial. Por isso mesmo que intervenção só vale à pena quando o retorno for muito grande (por exemplo: salvar a vida de um cliente doente) porque nesses casos você supera um sempre possível risco de dano potencial. *e aqui explica-se as mortes quando os médicos estão longe dos hospitais. A pessoa que NÃO está em estado grave morre por uma intervenção equivocada (erro médico, uma das 3 maiores causas de mortes no Brasil e nos EUA), como eles estão em greve, não podem matar aqueles que seriam salvos pela mãe natureza.

Porém, é na via POSITIVA que toda a área da Saúde faz o seu lucro, o seu dinheiro, a sua renda. Tem mais. Além de menos eficiente e mais perigosa, a Via Positiva vive de ter a propensão a querer sempre fazer algo (até porque o seu cliente quer e paga para que você intervenha), gerando problemas e dilemas (meus clientes querem cardápio, me pagam e eu não os dou). E mais perigosa porque a via positiva quase sempre recai naquilo que não é natural, aumentando a chance de eventos inesperados e de efeitos colaterais não-observados. A margarina e o comer de 3 em 3 horas talvez sejam os melhores exemplos na história da Nutrição. Dê tempo suficiente e a soja e o óleo de canola entrarão nesse clube. Não acredite em profissional que diz que esses 2 “alimentos” são bons. Isso porque o antinatural precisa provar seus benefícios, porém, em sistemas complexos somente o tempo (muito tempo) pode vir a ser uma evidência de segurança. Seu nutricionista já estará morto e mesmo que vivo, não poderá ser processado.*fique com a manteiga, banha e azeite.

O QUE FAZER?

O maior avanço da história recente da Medicina talvez tenha sido a orientação de não fumar (via negativa). Isso porque não há remédio (via positiva) capaz de compensar o hábito de fumar. As associações de Nutrição sabem dessa lógica, mas elas precisam, gostam de dinheiro. Não espere que essas associações peçam para que você pare de comer açúcar, como um médico pede que você não fume. Não há remédio (ou atividade física) no mundo capaz de compensar os malefícios do açúcar, mas sem remédios nem pedir que você consuma óleo de canola, as associações não ganham seu dinheiro (na forma de patrocínios das empresas farmacêuticas e das de alimento que TODAS elas possuem).

A associação dirá que tudo bem comer um pouco de açúcar (igual o nutricionista dirá que óleo de canola é um óleo bom). Isso porque o remédio “para o” açúcar banca financeiramente todas as associações que você conhece e ainda porque a prova de dano daquilo que não é natural, que é artificial (óleo de canola) está no futuro, e não em um passado que sequer existe.

Um Nutricionista não deveria JAMAIS dizer o que você deveria comer caso você queira perder peso, mas sim aquilo que você NÃO deveria comer porque sabemos já o que nos faz engordar (alimentos que contenham substancialmente ou sejam ricos em açúcar, amido ou carboidratos processados e refinados). Assim, é basicamente sobre o que não comer (Via Negativa) e não sobre o que comer (Via Positiva).

Resumo prático:

  1. Via Negativa: Não comer carboidrato. Emagrece.
  2. Via Positiva: Comer mais gordura. NÃO necessariamente emagrece.

O “2” só funciona se acontecer o “1” antes!

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Nutrição não é sobre equilíbrio.

Ou ainda:
NUM MUNDO DE EXTREMOS, FUJA DO NUTRICIONISTA QUE SUGERE “DIETA BALANCEADA”

Poucas coisas dizem mais da ignorância (ou inutilidade) de um nutricionista que seu discurso de “equilíbrio na dieta” ou ainda o “uma dieta deve ser balanceada”. Primeiro porque isso não existe, não sabemos ainda exatamente o que o ser humano necessita em termos de nutrientes. Não há como balancear aquilo que não se sabe. O que dizer então de calcular isso individualmente? E segundo porque nada é pior ao organismo do que o equilíbrio.

Para entendermos vamos ter que antes atropelar um pouco a ignorância técnica ou conceitual dos profissionais que alegam que o jejum seria nocivo e/ou perigoso. Temos assim que partir da premissa de que o ser humano é onívoro. Esta nossa particularidade, esta capacidade intrínseca de nos alimentarmos de tudo, tanto de vegetais como de animais, é resultado primeiramente e necessariamente de uma resposta às características dos mais variados ambientes. Esses ambientes, antes da invenção dos supermercados 24 horas, nos ofereciam, nos disponibilizavam alimentos de forma não planejada, casual. Ou seja, em série, porém, NÃO-linear.

Aqui vale saber ainda que a especialização é uma resposta a um ambiente, a um habitat muito estável, com poucas mudanças bruscas. Veja animais como os ursos pandas, com um tipo de alimento bem mais definido, por exemplo. Já a diversificação da alimentação nos onívoros decorre, tem que vir, como resposta à variedade.

Isto por si só mostraria ser ainda mais fundamental, quando falamos de melhor saúde, de remover aleatoriamente (voluntariamente) algumas refeições, replicando o que ocorria antes do advento do delivery 24h, quebrando a estabilidade da oferta e consumo de alimentos. E aqui um contrassenso na ortodoxia da Nutrição: eles condenam o jejum, pregam o nonsense das 6 refeições por dia (ou a cada 3 horas), mas sua ignorância é incapaz de enxergar que até nisso há uma espécie de irregularidade, mas que nem de longe mimetiza a irregularidade e a aleatoriedade da natureza.

E vamos entender o porquê agora.

Herbívoros são submetidos a muito menos aleatoriedade do que os animais estritamente carnívoros que devem caçar seu alimento (que vive a fugir, diferente dos arbustos que não fogem das girafas). Enquanto o herbívoro passa o dia comendo de forma uniforme, o carnívoro tem picos de acesso ao alimento (por sorte, acaso ou por competência). O cavalo tem acesso baixo e constante de carboidratos, o leopardo tem picos grandes de proteína e gordura.

Aqui temos a primeira diferença do que prega a Nutrição tradicional: pratos balanceados em macronutrientes não existem em outro lugar que não seja no delírio da cabeça desse nutricionista. Esse nutricionista acha que o mundo real é como sua teoria sem embasamento. Nós, pessoas normais, sabemos que a realidade é completamente diferente do que ele sonha. Um lobo (ou caso você prefira um chimpanzé, o animal biologicamente mais próximo a nós, proximidade maior que a dele com o gorila) não sai a caçar e depois recolher folhas, alguns legumes, um pouco de água e frutas de baixo açúcar de sobremesa. Não! Na natureza a alimentação é sempre de extremos.

*aqui talvez valha dizer que a medicina chinesa, que bem pouco conheço, prega que deve haver foco maior em um grupo de alimentos (macronutrientes) por refeição, o que faz todo sentido.

Pois agora, então, temos que nossas proteínas (e gordura) devem ser consumidas aleatoriamente no tempo. Por sua vez, o nutricionista prega que deve haver equilíbrio (nada mais errado), horários marcados, porcionados, porque não consegue compreender que este equilíbrio NÃO é preciso que seja em todas as refeições ou mesmo todos os dias, mas alcançado de forma gradual, em prazos muito maiores. Isso porque alcançar equilíbrio desta forma frequente, em todos os dias e todas refeições, é muito diferente do que alcançá-la em prazos mais longos (na verdade, veremos, é pior).

E para explicar isso, é necessário introduzir um matemático amador que nunca sequer ocupou qualquer posição acadêmica. O dinamarquês Johan Ludwig Jensen em 1906 provou um teorema que ganhou nome em sua homenagem. Na “Desigualdade de Jensen”, quando ela for aplicável, a irregularidade pode tornar-se a melhor solução. Isso porque ela se fundamenta no fato das consequências de a média serem muito diferentes da irregularidade.

Vale citar um exemplo prático: quando atravessamos a pé um rio não basta sabermos apenas a profundidade média deste rio. Há muita coisa mais importante que a média, que oferece resultados bem diferentes. A Desigualdade de Jensen estabelece que há uma relação NÃO-linear entre uma causa e efeito. É mais ou menos assim: se uma causa X gera efeito Y e uma causa A gera efeito B. Essa propriedade estabelece que o efeito resultante da causa de magnitude (X+A)/2 é diferente dos efeitos já observados, isto é, (Y+B)/2. É bem diferente você nadar em uma piscina a 28 graus, a nadar um dia a 0C, em outro a 56C. São efeitos diferentes, ainda que 56/2 seja 28!

Temos certa facilidade para aceitar essa ideia de não-linearidade quando falamos em Química, ou mesmo treinamento físico, mas a Nutrição simplesmente ignora sua validade em suas diretrizes. Ou seja, com ela temos que há uma enorme e considerável diferença entre consumir uma dieta (argh!) balanceada de uma em série, de forma aleatória. Somos onívoros, adaptados à variação, mas ela NÃO significa ser na mesma refeição.

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Em organismos vivos a privação é antes de tudo um agente estressor, e o estresse é fundamental em nossa adaptação quando oferecido depois um tempo de recuperação. Pense nisso colocando a atividade física como estressor. Não deixa de ser surreal que um nutricionista que diga para você comer a cada 3 horas um prato variado, apoie também que você faça exercício. O princípio estressor da fome, da ausência de alimentos (ou de um macronutriente), é o mesmo da atividade física!

O que a Desigualdade de Jensen vai estabelecer na Nutrição é que consumir proteína de modo estável 3 (ou 4 ou 6) vezes ao dia NÃO é o mesmo que consumir pontualmente. Isso porque nossas reações metabólicas não são jamais lineares. Basicamente, podemos dizer que se um organismo é antifrágil a uma determinada substância (o somos à proteína!), é melhor fazer com que ela seja distribuída aleatoriamente, em vez de ser fornecida de modo constante.

**já escrevi um texto falando que somos frágeis, isto é, o oposto a antifrágil, ao carboidrato.

Acredito que todo mundo com um pouco de interesse em nutrição já ouviu falar da Dieta Mediterrânea, que, além de ser um espantalho, um Frankstein, contém mais equívocos de interpretação (uma vez que ela na prática simplesmente NÃO existe e que na região os melhores benefícios foram encontrados entre aqueles que consumiam mais carne vermelha, mas a turma do low-fat vive escondendo e ignorando esse fato) que acertos. Um dos equívocos, um erro seletivo proposital de quem molda seu discurso com a liberdade artística como se fosse um poema, é o de ignorar que os analisados faziam jejum. Para ser mais preciso, a igreja ortodoxa grega defende quase 200 dias de jejum por ano, um período de 40 dias sem quase nenhum produto de origem animal, nem açúcar ou azeite. Quem diz gostar da Dieta Mediterrânea faz qualquer coisa próximo a isso? Improvável. Assim você nega boa parte, senão a maior parte de seu benéfico conteúdo. Como é difícil, ficamos apenas com a parte de besuntar a comida em azeite, um alimento que, ao contrário do estresse, não tem nada de essencial.

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Os profissionais da saúde têm em suas diretrizes uma enorme dificuldade em lidar com a escassez em um mundo de excessos. Negam o jejum, subestimam e negam seus benefícios recomendando um bom café da manhã, algo sem evidência sólida. Não fomos “criados” ganhando alimentos sem gasto de energia. Na natureza não existe caça por prazer, mas por necessidade.

Mas antes que se apele às agruras de miseráveis e prisioneiros de guerra como contraponto ao jejum, talvez surpreenda saber que os prisioneiros dos campos de concentração ficavam menos doentes na primeira fase de restrição calórica para só então adoecerem. Reforçando: jejum é sobre retomar a não-linearidade ainda que de forma limitada, no consumo de alimentos, respeitando nossas propriedades biológicas mais fundamentais.

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Somos instruídos pelas diretrizes governamentais a ingerir determinadas quantidades de nutrientes diariamente em determinadas quantidades. Vamos por agora ignorar completamente a enorme falta de rigor empírico nesses valores determinados. A busca por essa regularidade vai de encontro à aleatoriedade de oferta proteica e de gordura animal à que fomos “construídos” (Desigualdade de Jensen) e fere ainda o princípio de extremos nas refeições (ou herbívoro ou carnívoro). As diretrizes em sua ignorância (por acharem que não existe aquilo que elas não veem) não entendem que a constância gera resultados muito diferentes (e piores) que a desigualdade ou a aleatoriedade.

Ao negarmos ausência de algumas refeições ou nutrientes, negamos a hormese. Hormese é sobre quando uma baixa dose de uma substância nociva ser de fato benéfica ao organismo quando em baixa quantidade. É quando o organismo se beneficia dos pequenos danos diretos a si mesmo. Não sendo em quantidade muito elevada, ela age assim para beneficiar o organismo e torná-lo melhor de maneira geral. Ou como diz Nassim Talebas máquinas são prejudicadas por agentes estressores de baixo impacto (fadiga do material), os organismos são prejudicados pela AUSÊNCIA de agentes estressores de baixo impacto (hormese).

Ou seja, podemos resumir dizendo que comer regularmente e de forma (argh!) balanceada é ruim e priva o nosso organismo desse agente estressor, podendo fazer vivermos menos que nosso real potencial completo. Basta lembrarmos que é mais do que provável não ser mera coincidência que a população americana nos últimos 40 anos dobrou seu número de refeições diárias enquanto engordou e adoeceu.

Dieta Balanceada? Equilíbrio? É tudo o que um Nutricionista jamais deveria pregar. A menos que ele faça alguma ideia daquilo que fala.
 
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Por que Low-Carb. Ou ainda: o ser humano é frágil ao Carboidrato

É uma vergonha que a Nutrição não enxergue o que vai abaixo.

*para este texto não ficar ainda mais longo, conto com a compreensão que para lê-lo você de cara assuma uma verdade que hoje é consenso na Nutrição: o Carboidrato é um nutriente NÃO-essencial ao ser humano. Ou seja, você pode viver sem consumir NADA dele. Característica essa que NÃO é compartilhada por proteína ou gordura, ambas essenciais.

Para começar, saiba que o ser humano, o homem, é frágil ao carboidrato. Pergunte isso a qualquer diabético ou a qualquer médico. Alguém é Frágil (a algo) quando “os impactos trazem danos maiores à medida que sua intensidade vai aumentando (até certo nível)”. Isso acontece quando fazemos consumo de cada vez mais carboidrato em duas frentes. Primeiro com o aumento da glicemia (açúcar no sangue) e o organismo tenta controlá-la abrindo mão da insulina e também pela concomitante redução do consumo de 2 nutrientes essenciais na dieta (proteína e gordura).

Duvida? Deixe de tratar um diabético, um indivíduo que não metaboliza bem carboidratos. Ele morre. Deixe de oferecer proteína e/ou gordura a uma pessoa. Ela morre.

Porém, o corpo NÃO é frágil a esses 2 nutrientes. Não existe consumo excessivo de proteína. Não existe. Não existe consumo excessivo de gordura. Simplesmente não existe. Isso porque ad libitum, ou seja, à vontade, esses 2 nutrientes não possuem mecanismos de retroalimentação do tipo supernormal, ou seja, você não fica viciado em carne ou barrigada. Você fica, sim, viciado em alimentos que tenham necessariamente um nutriente que o cause: o açúcar ou carboidrato processado.

Resolvi escrever esse texto porque recebi 2 posts de nutricionistas que até parecem inteligente, mas se fazem de burro para provar seu ponto. Um deles, tempo atrás disse haver uma margem saudável ou ótima de consumo de carboidrato. Isso simplesmente não existe. Precisamos ver o carboidrato (na verdade a frutose e os carboidratos processados, como farinhas e açúcar) como poluentes (o que é diferente de veneno).

Assim como na natureza, você pode ir poluindo um rio (ou uma cidade) e ainda assim utilizá-lo ao lazer ou mesmo fonte de água. Mas há um ponto em que ele morre. Com carboidrato é parecido. Você pode comer pão integral todo dia e ainda assim viver 85 anos. Eu consigo matar alguém dando carboidrato vendido no supermercado, eu NÃO consigo fazer isso com proteína/gordura (que não deve ser coincidência que sejam quase sempre encontradas juntas na natureza). **aqui ignorando fontes podres desses nutrientes como soja ou óleos vegetais, por exemplo.

Há aqui uma questão de não-linearidade na resposta. Ou seja, vou dando cada vez mais gordura/proteína a uma pessoa e não vejo mudanças drásticas. Porém, quando faço isso com carboidrato (frutose ou processado) e após algum momento aumentando seu consumo eu o mato. Isso de certa forma nos reforça: somos frágeis ao carboidrato, não o somos aos demais. PONTO.

Você dar ou oferecer pouco carboidrato a alguém, sem o matar, não tira o prejuízo. E nesta categoria, ainda que em outra magnitude, entra por exemplo, o cigarro. Um nutricionista que diz que “tudo bem” comer um pouco de açúcar equivale ao pneumologista que diz “tudo bem fumar 3 Belmont”. Ambos (nicotina e frutose/glicose) têm seus mecanismos de retroalimentação. Não matam, mas podem criar o ciclo de consumo supernormal que faz seu consumo virar rotina. Se não há consumo mínimo de NADA a que somos frágeis, por que deve haver com carboidrato? ***não pergunte a mim, pergunte ao gênio que pede que você coma grão de bico ou torrada.

A recomendação que já vi algumas vezes de muita gente que se parece inteligente de comer X de carboidrato é, desculpe o termo, tão IDIOTA, tão burra, que não sei como passa despercebido. Não existe consumo seguro de cigarro, assim como NÃO existe consumo seguro de açúcar. Assim como não existe consumo seguro de frutose, a menos que ela venha acompanhada de muita fibra, a ponto de virar um limão ou maracujá.

Mas voltando à recomendação IDIOTA de consumo de X% de carboidrato… ela é tão irracional porque hoje sabemos que podemos viver com ZERO dele. Por outro lado, SABEMOS que PRECISAMOS consumir proteína E gordura e que SABEMOS que quanto mais carboidrato (desacompanhado de muita fibra) pior é o desfecho à saúde, pois como existiria assim um valor médio??

Ele existe?
É óbvio que não! Não, ele não existe. É a ignorância de uma área que se orgulha de não estudar matemática que arrisca dizer que ele existe. É como eu pedir que alguém que não sabe nadar pode atravessar andando um rio de profundidade média de 1,60m. Essa pessoa é frágil a rios fundos! Eu tenho que dizer que ele só pode atravessar rios com a menor profundidade possível! Eu TENHO que dizer que ele deve fugir da frutose como foge da nicotina ou de algum outro agente menos viciante, porque não ser veneno (e não é mesmo) não tira sua característica de ser poluente. Ainda que você consiga viver em uma cidade poluída. Uma média de consumo de carboidrato (um desses falsos-inteligentes arrisca até uma porcentagem) não tem sentido porque somos frágeis ao carboidrato! Ainda que eles neguem. E negam porque em sua ignorância confundem incompreensível com inexistente.

****na imagem o consumo em azul de carboidrato vai aumentando até “dar ruim”. O consumo de proteína/gordura (lilás ou roxo, sou homem) por não ser frágil não tem um evento inesperado.

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Correndo e comendo com os Etíopes

*texto originalmente postado no Blog Recorrido sobre minha experiência treinando com os corredores etíopes.

Logo que cheguei à Etiópia, ainda no aeroporto, algumas coisas me chamaram a atenção. Uma delas era pessoas em forma, nada de obesos, saudavelmente magros. Além disso, não havia restaurantes fast food no local. Soube ainda depois que o Mc Donald´s não desembarcou no país. Quando fiz uma associação dessa ausência com o baixo índice de obesidade, um desses comentaristas que escrevem em 4 apoios disse:

“Energúmeno, qual a renda média? Os caras não comem, não comem nem calorias nem proteínas. São magros por desnutrição.”

Pois o mais legal de jogar com números, algo que eu adoro, é você poder colocar em teste alguns dos conceitos que temos bem arraigados. Um deles é antigo e não sobrevive nem a uma pesquisa preguiçosa. Por exemplo, quando cruzamos a lista de dados dos países organizados pelo ranking de IMC (um índice comparativo este que é pouco confiável quando olhado individualmente, mas que ajuda demais quando trabalhamos com populações heterogêneas) é que colocado lado a lado com o ranking de ingestão calórica você observa que não há um padrão claro. Ou seja, que consumir mais calorias não tem uma correlação positiva com mais obesidade. Ou ainda nas palavras de Nate Silver em sua obra mais famosa, O Sinal e o Ruído: “parece haver indícios restritos para uma associação entre obesidade e consumo calórico; pelos testes padrões, tal relação não seria qualificada como “estatisticamente significativa“.

O que isto quer dizer? Que a magreza etíope não se explica somente pelo baixo consumo calórico (o que é um fato), uma vez que há países que comem menos calorias e têm IMC maior e países bem obesos que consomem menos calorias que outros países magros.

Seria o baixo consumo proteico etíope, então? Hoje há uma espécie de cruzada entre os que acreditam na nunca testada e provada tese da gordura (ou das calorias) como engordativa quando é o carboidrato quem impacta o metabolismo de gordura. Como muita gente que se diz especialista no assunto não aceita quebra de paradigmas, abrem mão até de um dos nutrientes pouco lembrados na questão, a proteína. E, novamente, está acessível para quem gosta do tema: quando colocamos prevalência de obesidade com consumo proteico, voilà, aparecem paradoxos. Paradoxo nada mais é que um jeito chique de você não aceitar algo que vai contra sua teoria. Apesar do baixo IMC da Etiópia, você encontra vários países que consomem muito menos proteína que esses africanos.

Uma passagem muito bem descrita de uma pesquisa americana relatada em “Por que Engordamos“, livro ignorado por quem finge estudar o assunto, fala do trabalho de um pesquisador que ficava perplexo de como havia crianças desnutridas sendo carregadas por mães brasileiras claramente obesas que TAMBÉM não tinham muito o que comer nas favelas.

Obesidade (ou magreza) não se explica por quantas calorias comemos, que é o que diz esses rankings da ONU, mas QUAIS comemos. As mães faveladas brasileiras da pesquisa comiam pouco, mas consumiam muito açúcar. Suas crianças, comiam poucas calorias, pouca proteína e também pouco açúcar.

Cada um acredita no que quiser, até que controle de peso é sobre calorias, não sobre O QUE se come. Porém, para isso deverá ser feito um malabarismo lógico e argumentativo uma vez que dietas hipocalóricas têm um rico histórico de ineficiência.

Propositadamente, ignorei aqui o argumento da questão da (baixa) renda, até porque dentro da mesma sociedade desde sempre é sabido que os mais ricos são mais… magros! Desconsiderados os bolsões de miséria, renda não deveria ser questão central nesse debate.

Pelo que pude ver em minha experiência em Adis Abeba, os corredores sabem de duas coisas que deveriam ser sempre bem lógicas: comer de modo saudável é o mínimo que você deveria fazer se deseja correr bem. Mais: corrida é sobre coRRer, não sobre comer. Não há debate sobre o que comer ou beber. Não havia suplementos, não há BCAA, não havia gel nem isotônico! Isso é coisa de atleta que corre de menos e de nutricionista que sabe de menos. Após nossas sessões de treino, quem tinha mais fome comia alguma banana, bebia algo e era isso! Os que estavam se sentindo bem, iam embora sem a tarefa de comer na “janela de oportunidade”, falácia essa que deveria já ter morrido na década passada, mas que ainda sobrevive entre alguns “especialistas”.

Enfim, corrida é o esporte mais simples que existe. Para correr bem você precisa rodar muito (volume), estar magro (em forma) e ter paciência. Os etíopes fazem tudo isso. Eles comem de modo saudável que os deixa magros. Quem quer achar algum atalho que não existe cai no golpe da dieta personalizada, equilibrada, BCAA, Glutamina, etc. Não aprendem nunca.

*durante meu período lá, não vi nem comi açúcar branco (refinado), no máximo vi o do tipo cristal. Não vi fast food, não vi sorvete, não lembro de ter visto muito chocolate. Apesar da fama ofensiva a eles de que passam fome, vi mais banana, laranja, tomates, avocados e iogurtes do que já vi no Brasil. É difícil você engordar quando você não consome justamente aquilo que te faz engordar: açúcar e alimentos processados e/ou ricos em amido.

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Dia do Lixo: pode ou não?

Em apenas uma semana falando com uns 3 clientes recebi exatamente o mesmo retorno: “Balu, minha perda de peso estacionou”. Ignoremos por enquanto que nosso peso é tudo, menos linear, que tal qual nossa temperatura varia ao longo do dia (mesmo sem esporte nem tomar banho de sol), que nosso peso está longe de ser uma coisa fixa. Minha primeira reação foi ficar um pouco chateado. Comigo mesmo. Como não quero terceirizar a culpa, prefiro acreditar sempre primeiro que o problema foi a minha intervenção.

Deve haver alguma coisa errada no que EU orientei a fazer… Então pedi: “Me mande absolutamente TUDO o que vc fez e/ou comeu”.

Nesse meio tempo batia papo com outro cliente, que virou amigo. Ele vinha perdendo peso, consistente, bonito de ver… uma vez por ano todos nós fazemos aniversário. Ele foi celebrar o dele. Em menos de 4 dias ele ganhou 4kg.

4kg.
Em 4 dias.

Se eu convencesse você que tenho a fórmula para emagrecer 4kg em 4 dias, além de estar mentindo, eu ficaria rico. Pois, então. A capacidade que temos de fazer bobagem à mesa é enorme. Lembre-se daquele rodízio de pizza que você foi tempo atrás, aquela ida ao Outback, aquele churrasco “do mal”… Lembrou? Agora multiplique isso por 3 ou 4 vezes em um período de 16 horas. Esse é o tamanho do Dia do Lixo.

O nosso peso é muito resultado da nossa regra, não de nossa exceção. 1 dia a cada 6 não é exceção, é regra!

Sabe… eu tive sorte que essa pessoa se pesou depois das comemorações de aniversário. Não serviu pra mim… serviu para que ELE soubesse o peso das escolhas.

Aí voltamos aos mesmos que me disseram que “estacionaram”… Quando começaram a me passar aquilo que comeram, 100%, sem nenhuma omissão você descobre que tem uma barra de proteína com 5g de açúcar (que só você e seu nutricionista podem achar saudável) aqui, um chá de latinha com tanto açúcar quato qualquer refrigerante ali, uma pizza inocente no happy hour do trabalho, só um pão de batata no dia que saiu tarde de casa… é quase como deixar de fumar, só que dando “só” uns 2 tragos por dia. Não dá pra saber os efeitos do abandono quando não há abandono.

Não há fórmula que funcione 100%. Mas há fórmula que funcione praticamente 100% para engordar. E quem engorda, obviamente não emagrece. Achar que a cada 6 dias você tem um para fazer o dia do lixo é de um otimismo que eu não consigo compartilhar…

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De chocolate, leite achocolatado e pós-treino.

Tempo atrás falei rapidamente como em questão de 10 anos fabricantes de chocolate convenceram centenas de veículos, uma infinidade de profissionais de saúde e milhões de consumidores a achar que comer chocolate 70% é saudável (resumo: não, não é nada saudável). Tenhamos sempre em mente algo que funciona na vida que também SEMPRE funciona na Nutrição: nada nunca é de graça.

Em 2015 houve um episódio que mostrou a fragilidade e a baixa confiabilidade das recomendações nutricionais quando feitas em veículos impressos, TVs ou portais. Para demonstrar esse ponto, o jornalista John Bohannon divulgou propositadamente um estudo falso que dizia que “chocolate acelera o emagrecimento”. Sua Fake News foi publicada em TVs, revistas, em mais de 20 países, em mais de uma dúzia de idiomas, no maior jornal europeu e em outros diários internacionalmente famosos.

Então se chocolate não emagrece (e não é saudável)… POR QUE HÁ QUEM ACHE ACHOCOLATADO UM BOM LANCHE??

Bem antes da pegadinha de Bohannon, ainda em 2006 uma orquestragem da indústria nos enganou de outra forma. Fomos levados a acreditar que leite achocolatado (iguais aqueles que vêm em caixinha com canudinho) seriam bom repositores pós-treino. Um estudo (JOHNSTON et al) propositadamente mal desenhado foi financiado pela “Dairy and Nutrition Council” de um jeito a dar a entender que beber uma ou duas caixinhas após treinar forte era a melhor e mais barata alternativa de reposição alimentar. O resultado? Não deve haver UM veículo que cubra corrida que não tenha sugerido achocolatado como boa alternativa. Mas…

ELE NÃO É BOM. E EXPLICO OS MOTIVOS.

Tal qual isotônicos, achocolatados contêm água e energia. Mas contêm além disso proteína, cálcio e vitamina D. Porém, nutricionalmente falando, achocolatado é basicamente açúcar líquido disfarçado. MUITO açúcar. MAIS do que refrigerante.

Deixemos de lado a questão se leite pasteurizado é bom ou não (é ruim, mas fica para outra oportunidade). Esqueça que achocolatado engorda ou sabota sua dieta. Ignore que ele é feito basicamente com ingredientes artificiais ou que ele rouba o lugar de alimentos de verdade que você deveria estar consumindo. O que podemos com segurança afirmar é que achocolatado como lanche ou opção é UMA DAS PIORES alternativas que alguém pode escolher após o treino. Dizer que é melhor que isotônico não só não é verdade (o estudo não chegou a esse veredito) como não deixa de ser uma comparação esdrúxula, afinal, compara dois lixos nutricionais. Não deve haver profissional de saúde minimamente competente que sugira isotônico que não seja apenas DURANTE a corrida (ou qualquer outra atividade).

A estratégia de marketing feita com o chocolate 70% e com o achocolatado nos reforça de 2 pontos: um é que assim como qualquer outro doce, esses 2 produtos devem ser encarados como sobremesa, doce, indulgência. O segundo e mais importante é que quem mais se beneficia de chocolate 70% como saudável ou de achocolatado como pós-treino é a indústria que vende, não você que compra ou consome.

*Prefiro não entrar na questão de mães que colocam achocolatado na lancheira de seus filhos

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Frutas são tão naturais quanto um requeijão. OU AINDA: o sabor doce não é natural.

Frutas são saudáveis? Sem dúvida!
São alimentos “bons”? Eu não iria tão longe.

Quando falamos em Emagrecimento ou de “Saúde”, podemos falar com certa segurança que existem os alimentos que atrapalham e os que não fazem nada. Nem mesmo carnes ou verduras (folhas & legumes) são essenciais. Porém, fazem nossa vida muito mais fácil quando queremos ter Saúde. As frutas nem sequer entram nesse grupo.

As frutas ao longo de nossa história evolutiva nunca foram tão doces como são hoje. Frutas como conhecemos hoje são puro resultado da agricultura, de sucessivos cruzamentos que resultaram em aumentos progressivos de tamanho e, mais importante, do sabor doce, da doçura (maior concentração de Frutose e redução da quantidade total das fibras). Lição para a vida:  a Dissociação de Interesse… o feirante e o agricultor querem te vender frutas, não aumentar sua expectativa de vida.

Melancias em pintura antiga…

Porém, o sabor doce é viciante. Fomos programados por milhares de anos a ter uma atração supernormal por ele. Não é mera coincidência que mousse de chocolate gere mais prazer e atração que um rabanete.

Costumo dizer aos clientes que atendo que hoje alguém no interior do Maranhão pode comer 2 ou 3 kiwis por dia, fruta do sudeste asiático. O primeiro kiwi que eu vi foi na adolescência. A maior manga que vi no pé que havia na casa da minha avó é menor do que a menor manga dos supermercados. Uma manga não é uma fruta. É um produto que equivale a pelo menos 2.5x do que era uma fruta de apenas 20 anos atrás.

As frutas, e isso é fascinante, na antiguidade não eram doces. Em um estímulo quase supernormal fomos com a agricultura deixando-as cada vez mais doces.

E O QUE ISSO NOS ENSINA…

Inúmeros levantamentos NÃO-conclusivos mostram que populações que comem frutas seriam mais saudáveis. Porém, atenção: isso apenas é verdade em um número muito pequeno de frutas. Mais importante ainda é que os levantamentos mais conclusivos mostram que comer a mais não é melhor.

Mais. O Reino Unido é o país que mais prega aumentar o consumo de frutas. E é também senão o mais obeso da Europa. A solução dos especialistas? Comer ainda mais frutas. Faz sentido? Lógico que não.

O QUE FAZER?

Além de fugir de especialistas assim, seguir a lógica evolutiva ajuda. Eu como frutas, poucas, as de menor açúcar. Tenho o mesmo prazer que você, só por isso as como. Mas estou longe de achar que elas sejam essenciais ou sequer importantes. Como frutas na mesma frequência que como requeijão, por exemplo. Por quê? Porque fruta é tudo, menos “natural”.

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O que NUNCA te contaram sobre Ácido Úrico

Gota acomete 6% dos homens adultos americanos. Mas olhe que interessante: sua incidência dobrou entre os anos 60 e 90! Você acha que o consumo proteico (carnes, por exemplo) aumentou nesse período por lá? Não. Sabe qual nutriente “coincidentemente” aumentou nesse tempo? Açúcares.

O mecanismo da Gota foi descoberto na metade do século 19 por um médico britânico que percebeu que havia acúmulo de ácido úrico no sangue desses doentes. O ácido acumulado se cristaliza e faz pequenos cristais pontudos que inflamam o local, incham as extremidades (dedão o exemplo mais comum) e… AI! Dor!

O ácido úrico é resultado da quebra de um subproduto proteico chamado “purina”. Onde há MUITA purina? Na carne. Hmmm Solução? Cortar o consumo de carne, certo? Calma… vamos ver?

O que acontece quando a pessoa vira vegetariana (e ela passa a comer mais carboidrato, mas vamos deixar isso para depois)? Ela melhora? Não. Uma dieta sem purina não é efetiva (FOX, 1984). Se uma com ZERO carne não funciona, por que uma com menos/pouco funcionaria?

Olhe que interessante… a gota em vegetarianos é em incidência ACIMA do que se espera. Na Índia, o país mais vegetariano do mundo, por exemplo, a incidência é de 7% (americanos adultos 6%). Agora vem a parte interessante… quando analisadas populações primitivas em diversas partes da África ou mesmo na Nova Zelândia, a incidência era de menos de 1 em 1.000 em casos. Mas a partir de 1970, com a industrialização de alguns desses povos, a incidência aumentou (junto com a obesidade, hipertensão, problemas no coração…).

Entre 1960 e 1990 uma série de estudos começou a relacionar a concentração do ácido não com consumo de carne, mas com outra coisa, de nome difícil: hiperinsulinemia. Traduzindo: elevação dos níveis de insulina na pessoa (fora das refeições). E a gente já sabe bem o que faz alguém ter elevação da insulina: consumo de açúcar, farináceos, amido (integral ou não).

A hiperinsulinemia “se resolve” com: muito exercício, jejum intermitente e dieta de BAIXO carboidrato. E quando a pessoa não come carne (ou a evita) ela passa necessariamente a comer mais carboidrato, o que eleva mais a insulina. É um ciclo sem fim.

Por fim, se há 2 nutrientes que alguém com gota ou alto ácido úrico deveria evitar seriam:

1. Álcool;
2. Frutose. Onde há muita frutose (em quantidade)? Açúcar de mesa, refrigerantes, sucos de fruta (natural ou não), xarope de milho (que adoça os alimentos industrializados) e doces.

E observemos outra “coincidência”: o xarope de milho que adoça praticamente todos os alimentos industrializados, foi inventado na década de 70, quando dobrou o número de incidência de gota. E o açúcar de mesa refinado explodiu também na segunda metade do século passado…

E aí? A gota explodiu, o consumo de açúcar também e o homem comia carne há milhares de anos sem sofrer gota. Quem você acha que é o culpado? Seu médico tem um palpite, o problema é que a lógica tem outro…

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De Foie Gras, Terremotos, Sucos e Nutricionistas – Parte 2.

Um nutricionista que sugere suco de fruta como algo saudável ou seguro é amoral, inútil e antes de tudo um incompetente. É uma questão lógica, de risco. Mas é também uma questão de fisiologia.

Foie Gras é uma iguaria culinária feita com fígado de gansos. Para ela ser melhor, o fígado da ave tem que estar patologicamente gordo, doença essa que em humanos chamamos de Esteatose Hepática, um acúmulo de gordura nas células do fígado. Ela pode ser dividida em doença gordurosa alcoólica do fígado (quando há abuso de bebida alcoólica) ou doença gordurosa não-alcoólica do fígado, quando não existe histórico de ingestão de álcool significativa.

Como o próprio nome diz, ocorre por acúmulo de gordura no fígado. Você não tem dificuldade de encontrar ~especialista~ que diga que a primeira abordagem seria retirar/diminuir a ingestão de gordura na dieta. Não duvido que esse profissional ache que se você comer ervilha, você ficará verde.

O fígado tem algumas particularidades. É ele quem metaboliza “todo” o álcool que ingerimos (isso já é sabedoria popular). O que muita gente não sabe é ele também quem metaboliza “toda” a frutose que consumimos.

Como adoecemos os gansos os engordando? Dando uma quantidade estúpida de glicose na forma de milho forçadamente goela abaixo dos animais, com mangueiras, diretamente em seu estômago. Milho é um grão, tal qual arroz, um alimento rico em amido. O que é amido? Um polímero de glicose, ou seja, centenas de moléculas de glicose ligadas uma a uma que em sua boca e seu estômago viram… “pura” glicose. E atualmente sabemos que a esteatose hepática é muito comum em outras condições que não as relacionadas ao abuso da ingestão crônica de álcool (“doença gordurosa não alcoólica do fígado”).

O QUE OS GANSOS DOENTES NOS ENSINAM?

Suco de laranja, o mais consumido, tem em sua composição cerca de 28g a cada 250ml de suco. Uma lata de Coca-Cola (350ml) tem 37g. Vc pode dizer que um é industrializado o outro é natural. Duas observações: a Coca-Cola é feita com açúcar de milho, tão natural quanto uma laranja, em uma composição de aproximadamente 55% de frutose e 42% de glicose, composição mto parecida com o açúcar branco de mesa (50-50%). E o suco de laranja? Formado por frutose E glicose, tal qual… refrigerantes!

Lembra da história do fígado? É ele e só ele quem metaboliza a frutose que ingerimos. Só que ele tem um “teto” de armazenamento que é de cerca de 100-120g (*precisamos assumir que esse tanque não se esvazia completamente). O que ele faz com o excesso? O transforma no melhor jeito de depositar energia em nosso corpo: gordura.

Suco de laranja é a história do evento de cauda… em uma sentada eu consigo tomar 500ml (56g de açúcar), 1L… isso sem contar o que eu vou ingerir de glicose e frutose além do suco. Porém, suco e refrigerante são bebidas “universalizadas” apenas recentemente. Vamos olhar o histórico?

Um sinal indicativo do futuro sombrio que nos aguarda é saber que a presença dessa doença era praticamente desconhecida em crianças até 15 anos atrás. Agora estima-se que 1 em cada 10 delas tenha esteatose hepática (sempre do tipo não alcoólico). Mas se você olhar apenas aos garotos mexicanos e americanos obesos, essa chance passa a ser de 50%! Mais! Em 2001 de cada 100 transplantes de fígado nos EUA, um era em razão da doença. Em 2010 esse valor já estava em 10%.

O especialista em diabetes Gerald Reaven (Stanford University), por exemplo, diz que para induzir ratos a adquirir esse problema, basta aumentar a frutose da dieta. Como o açúcar frutose (de refrigerantes E sucos) é metabolizado no fígado, seu excesso geraria esse acúmulo adiposo no órgão.

Um estudo oferecendo 480ml de suco de uva por 3 meses causou resistência à insulina em mulheres, doença atrelada à doença do fígado (HOLLIS et al, 2009). Se seu nutricionista topar tomar o dobro disso (1L por 6 meses), aí ele pode usar o raciocínio torto dele para dizer que suco é uma bebida saudável e segura.

Será que ele topa? Ou ele vai usar um dos discursos mais estúpidos da Nutrição, o da “moderação e equilíbrio”?

*fruta pode dar o mesmo problema? Um copo de suco usa cerca de 3,5 laranjas. Você consegue beber 1, 2 copos. Eu nunca vi alguém comendo isso na minha frente. “É o Risco, estúpido”. 

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