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De Trump, Emagrecimento, Low-Carb e a bolha dos Especialistas.

As eleições que levaram Donald Trump ao posto de homem mais poderoso do mundo, assim como nossas próximas eleições em outubro me lembram muito o cenário da Nutrição atual. Há já 5 anos que a dieta low-carb supera a dieta low-fat nas buscas do Google, o principal portal de busca do mundo: a sociedade parece ter compreendido na prática que as pessoas fizeram e fazem muito mal ao seguir as recomendações dietéticas de nutricionistas e médicos que recomendam restrição no consumo de gordura e calorias.

MAS… E TRUMP?

Não é fruto de mero acaso que a profissão de Nutricionistas está ao lado da de políticos como uma das de menor credibilidade perante a sociedade. Cerca de 40 anos atrás, ainda na década de 70, Médicos e Nutricionistas pediram que mudássemos nossos hábitos à mesa. Obedecemos. O que ocorreu? A maior explosão de obesidade, diabetes, hipertensão e de síndrome metabólica que se tem conhecimento.

Qual seria a solução prática e imediata? Esquecer e ignorar tudo que eles pediram e nos pedem ainda hoje. Vou ser mais sucinto: você não deveria dar ouvidos ao que dizem as diretrizes das duas categorias quando o assunto é dieta, emagrecimento e saúde.

Vivemos um dilema, afinal, a sociedade ajudou a formar uma elite de profissionais que são em sua maioria (mas não em sua totalidade!) ineficientes em entender do assunto Nutrição. Sendo assim, ao encaminharmos a eles as pessoas doentes, a decisão é contraproducente. Porque há neles uma enorme incapacidade de entender o que fazer, como vimos nas últimas 4 décadas.

Uma metáfora recente e brilhante de Filipe G. Martins coloca “de um lado, um bando de ‘intelectuais mas idiotas’ (*a alcunha aqui é traduzida de IYI, criada por Nassim Taleb), que fingem dominar assuntos que não dominam, que não possuem nenhum contato efetivo com a realidade e que nunca arriscam a própria pele, mas que se veem como donos de uma sabedoria elevada e superior”.

Dias atrás, soubemos que a Rainha da Inglaterra restringiu o consumo de massa à nova “princesa” para ajudá-la a manter a silhueta. Vem ganhando destaque ainda a adesão de cada vez mais pessoas à dieta cetogênica, que é de extrema restrição de carboidrato, para desespero dos profissionais e acadêmicos de saúde tradicionais que quanto mais estudam, menos entendem. Temos aqui, mais uma vez citando Martins, o “homem comum, que se expressa como todo homem comum e que tem humildade e sinceridade o bastante para não finge saber o que não sabe. Há um abismo entre esses dois lados. Duas perspectivas. Dois imaginários. Duas formas de entender o mundo. Duas atitudes perante os problemas e os desafios da realidade”.

E ASSIM VOLTAMOS AO FALASTRÃO TRUMP…

Jornalistas analistas de TV e grandes portais, outra categoria que parece em sua esmagadora maioria formada por IYI, ainda tentam entender a vitória do Republicano. Vivendo em sua bolha, entre os seus, em completo desconexão coma realidade, não podiam entender como alguém como ele venceria. Acontece que ele falava o idioma da pessoa comum. Podemos fazer um paralelo com João Doria vencendo em SP (”como pode Fernando Haddad ter perdido em TODAS as zonas eleitorais se todos os meus amigos do Facebook votaram nele?!”), ou mesmo periga no futuro os mesmos analistas passarem anos tentando entender uma eventual vitória de Bolsonaro.

A vida real ao cidadão comum é simples demais. Ele quer comer de forma saudável e emagrecer. Basta comer o que sua avó chamava de comida de verdade quando ela era jovem. Não tem erro. Você não precisa nem de Médico nem de Nutricionista. É como saber se vai chover; ninguém precisa consultar um Meteorologista, você apenas olha para o céu.

Podemos dizer que o leigo tem skin in the game. Enquanto médicos e nutricionistas NÃO o têm, os acadêmicos, que orientam aqueles, não têm os mesmos interesses que nós. Em sua dinâmica de sobrevivência, o que lhes importa é apenas parecer interessante e inteligente frente aos demais acadêmicos, produzindo mais artigos que dizem as mesmas coisas, ainda que para isso em sua teimosia e arrogância tentem suplantar duas entidades insuperáveis: o tempo e a realidade.

E aqui reside seu erro.

“A PRÁTICA SUPLANTA A TEORIA. SEMPRE.”

Por não ter skin in the game, os acadêmicos e os profissionais AINDA alinhados com as atuais diretrizes nutricionais esquecem de algo essencial: olhar para o mundo encarando a realidade. Eles vivem em sua bolha, produzindo ao lado de colegas artigos de coisas que não funcionam na vida real. Isso “porque não há sustentação teórica que se sobreponha à realidade concreta. (…) O resumo de tudo é que não há significado FORA da realidade.”

Quando falamos de nutrição no emagrecimento, deveríamos olhar NECESSARIAMENTE ao passado, quando éramos magros, uma vez que o tempo é a variável mais robusta de segurança. E quando falamos de Nutrição na saúde, o futuro, temos que – além de relembrar que no passado, quando não sofríamos de diabetes nem hipertensão, que adquirimos como consequência da obesidade que ganhamos ao seguir as diretrizes nutricionais atuais – devemos olhar a quem tem skin in the game. Isso porque “a ideia de ter a ‘pele em jogo’ é a de que ninguém deveria causar danos a outros sem impunidade.” Acadêmicos e as atuais sociedades/associações, médicas e nutricionais, NÃO têm skin in the game. Mas seu maior pecado é ainda o fato dessa elite ser desconectada da realidade teimando em ignorar que não há mentira que se sobreponha à realidade.

“ORTODOXIA É NÃO PENSAR, NÃO PRECISAR PENSAR”

Low-carb já vem superando consistentemente as buscas por low-fat. A população já compreendeu que é o carboidrato o maior obstáculo no emagrecimento. O que dizem as diretrizes e acadêmicos? Que low-carb e cetogênica são ineficientes, não seguras. Um dos motivos pelos quais não deveriam haver diretrizes nutricionais oficiais é que o governo nunca irá assumir que estava errado. Os atuais acadêmicos vivem de nos convencer que estavam certos. Nem que para isso ignorem a realidade e tentem entortar, – de novo – a variável mais robusta: o tempo. No desespero de se provarem certos, eles preferem a ignorância, porque é mais fácil. E se desconectam com a realidade. Os leigos, com skin in the game, cada vez mais vão descobrindo e cada vez mais os deixam falando sozinhos.

Igual o jornalista que ainda não entendeu como Trump é presidente, os nutricionistas tradicionais vão ignorar por muito tempo ainda o chamado da realidade que bate à porta das pessoas comuns. E ficarão falando sozinhos…

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A Sabedoria das Multidões

Tempo atrás pude ler um livro bem interessante. Em “The Wisdom of Crowds” (traduzido livremente para “A Sabedoria das Multidões”) James Surowiecki explora uma ideia um tanto quanto inesperada: grandes grupos de pessoas são mais inteligentes do que uma elite. Não importa o quão brilhante sejam os especialistas, as multidões chegam muitas vezes a decisões mais sábias nos mais diversos campos como Psicologia, Biologia, Economia, História e…

Bom, essa semana saiu a 13ª edição de uma importante pesquisa americana feita nos EUA. Os resultados da IFIC são sempre interessantes. Um deles me chamou a atenção. Mas antes, aos especialistas…

A obesidade é resultado de um desbalanço energético, ou seja, quando a quantidade de energia (calorias) ingerida através dos alimentos é maior do que aquela gasta pelo organismo”. Você encontrará essa definição nos portais da OMS e das sociedades e associações ~especialistas~. Mas… e se eles estiverem errados!?

Quando analisados os dados populacionais nos EUA, temos que a população de fato fez aquilo que lhe foi pedido. Mas ainda assim nunca estiveram tão obesos e tão doentes. Ou seja, a orientação não funcionou. Pela definição dos especialistas, todas as calorias são iguais. Mais: pela orientação dos mesmos especialistas, gordura engorda, carboidrato salva. Não sou eu que estou dizendo, basta olhar as diretrizes oficiais. E o que encontrou o IFIC?

  1. Que as calorias não são iguais. A população tem “skin in the game” (pele em jogo). Ela já descobriu na prática que as calorias não são iguais.

Se elas não são iguais, algumas devem engordar mais. Os especialistas, cujas recomendações tornaram a população obesa e doente, apostaram que era a gordura. Porém…

  1. Hoje mais da metade dos americanos já atribui ao açúcar e ao carboidrato o peso de nutriente mais engordativo.

Por que isso? Porque as pessoas têm skin in the game, os especialistas acadêmicos não. Ou ainda, como diria Nassim Taleb: “Para as pessoas reais, se algo funciona em teoria, mas não na prática, isso não funciona. Já para os acadêmicos, se algo funciona na prática, mas não na teoria, não existe.”

É por isso que não faltam ~especialistas~ indo à TV, rádio e suas redes sociais dizendo que ou low-carb não funciona ou que você só perde músculo e água. É o jeito deles negarem a realidade que até um leigo já enxerga, mas ele não.

É a sabedoria das multidões.

 

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Distância é diferente de Equilíbrio!

Na 3ª feira comprei sobremesa para comer no jantar com minha mulher. Era um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate de um café fantástico que tem do lado de casa. Fazia meses que não comia esse bolo! Pois bem, minha sobremesa no jantar (não as como no almoço, uma regra pessoal) é 90-95% dos dias uma laranja (uma de minhas frutas favoritas, não há nada de mágico nessa fruta!). Então era um dia “especial”. Isso foi 3ª feira.

Na 4ª feira eu voltava pra casa depois de um treino quando pensei: por que não comprar outro pedaço de bolo? Dessa vez mais simples, em um supermercado do lado de casa de onde eu nunca comprei bolo. A verdade é que eu queria muito um doce de sobremesa. Doce e açúcar são viciantes! Quem estudou história na escola sabe que boa parte da nossa história econômica foi centrada em… plantar e produzir açúcar! É o petróleo que a gente come, que move boa parte da sociedade moderna!

Tenho tremores quando vejo profissional da área da Saúde dizer que açúcar não vicia… eu só penso em bolo desde ontem! Tabaco, álcool, jogo de azar, açúcar, não estão na nossa sociedade há séculos por puro acaso. Você tem que fazer forca para acreditar nisso. Ou fazer malabarismo argumentativo, como faz o profissional que pede equilíbrio. Ele pede equilíbrio com tóxico? Ele pede é distância.

Distância é diferente de equilíbrio

Bom, hoje, 5a feira, é dia que eu dou “tiros” (de corrida). É uma regra antiga que tenho. Não-negociável. Ontem li uma frase no best-seller “12 Regras para a Vida“. Era algo mais ou menos assim (desculpe se ela é famosa e eu não a conhecia):

“(Em um mundo) Sem regras, rapidamente nos tornamos escravos de nossas paixões – e não há nada de libertador nisso.”

O pior profissional de Nutrição que existe é o incompetente que argumenta que a limitação do low-carb (ou da paleolítica) é o fato de ser restritiva. Tudo na Nutrição é restritivo na natureza. Absolutamente TUDO. Ele mesmo não come cogumelos selvagens ou grama (ou talvez até coma). Ele mesmo geralmente pede restrição no consumo de gordura saturada. Ele é desonesto intelectualmente, é ignorante.

Nossa relação com a comida ao longo dos séculos passou da escassez (do açúcar ruim, de beterraba, caro, que custava o salário de 1 mês), para um mundo onde até uma criança pode comprar bolo de cenoura a R$3 a qualquerhora do dia. Você não bebe uísque cowboy logo cedo, mas come tapioca com nutella. Você não faz reunião fumando um cubano, mas faz comendo pão doce e suco. Você não acorda 11h00 todos os dias, mas acha normal comer chocolate diariamente.

Em um mundo de abundância ao qual não estamos acostumados e nem preparados, ou criamos regras rígidas de consumo daquilo que vicia (SIM, açúcar vicia), ou vamos virar escravos da comida. Escravos gordos, hipertensos, diabéticos e doentes.

E não falta profissional de saúde que chame isso de liberdade de consumo.

*não comprei o bolo, saí do Carrefour com 2 laranjas.

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Hábito e Regras – Escassez em um mundo de abundância.

Costumo dizer que um dos maiores desafios do ser humano moderno no que diz respeito à saúde é, na Nutrição, aprender e conseguir viver em escassez em um mundo de abundância.

Já disse inúmeras vezes: é incompetente e ignorante o profissional que diz que na dieta deveria prevalecer o equilíbrio. Isso porque na natureza prevalecem sempre os extremos. Aqui entenda-se: número de refeições (baixo), jejuns intermitentes (com eventuais bem longos, de 48h ou mais) e consumo extremo de nutrientes (sim, baixo carboidrato e pouca atenção ou preocupação ao consumo diário e regular de alguns micronutrientes).

Nossa sociedade está doente porque encontra açúcar na forma mais barata e abundante como jamais obteve em toda nossa história. Somos programados biologicamente para obter enorme prazer nele. Veja o sorvete, por exemplo. É fonte de algo que você nunca encontra na natureza: uma combinação de açúcar e gordura!

Por isso você não consegue parar de tomar, quebrar esse estímulo supernormal. Por isso também temos que forçar voluntariamente que seu consumo seja apenas ocasionalmente.

Com atividade física é parecido (carros, elevadores, malas de rodinha…). O conforto do mundo moderno nos obriga a regularmente buscarmos desconforto físico fazendo alguma atividade física. Novamente aqui o extremo. Você perde tempo se vai à academia e faz qualquer coisa com mais de 15 repetições seguidas ou corre mais de 1h00 e não quer um recorde pessoal na Maratona. Quando falamos de saúde você tem que fazer força, Bastante. (ou se enganar, lógico, sempre há essa possibilidade)

Tempo atrás escrevi sobre “regras mentais” e o porquê acredito nelas. Existem diversas teorias sobre força de vontade, hábito, etc (sim, também como muitos de vocês, li o best-seller “O Poder do Hábito”). Algumas hipóteses dizem que nossa força de vontade é finita no ciclo de um dia. Não sei, pouco me importa. O que eu sei é que é muito mais fácil quando tiramos uma decisão de discussão, quando você torna algo inegociável. Por exemplo: usar cinto de segurança. Você não se pergunta se deve ou não usá-lo. Particularmente faço isso com correr, escovar os dentes, dirigir sóbrio… Eu nunca me pergunto se devo correr diariamente (eu corro), se devo escovar o dente (escovo) ou não dirigir depois de beber (não dirijo).

Oriento e sugiro alguns dos meus clientes da mesma forma. Eu não tomo Coca-Cola Zero nem sobremesa no almoço (sou viciado em Coca Zero). Está fora de questão. Não como tapioca quando não treino. Sorvete de flocos apenas na rua porque em casa não tenho maturidade para não matar os 2L em uma sentada. Aos finais de semana não faço duas refeições ruins seguidas. Porque sou bobo? (não responda!) Porque esse (não citei todas as regras) é meu jeito de viver em escassez em um mundo de abundância.

Acredito demais que estabelecer algumas regras que me empurrem para um hábito mais saudável ainda que tire parte de um prazer tão barato e alcançável é o jeito factível de não cair na armadilha de achar que vou conseguir dizer “não” a algo a que somos biologicamente programados a querer e buscar mais do que devíamos, já que tempo atrás a norma era viver em escassez em um mundo de… escassez.

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De Ulisses, Sereias e o canto hipnotizador dos doces

A mitologia grega nos conta em uma de suas histórias a do mortífero canto das Sereias. Vivendo em uma ilha no Golfo de Nápoles (Itália), as Sereias eram ninfas cantoras que enfeitiçavam os marinheiros pelo canto, atraindo-os para a morte. Ulisses não foi o primeiro a sobreviver ao estratagema delas, porém foi o primeiro que para passar por elas adotou uma atitude diferente.

Ulisses amarrou-se ao mastro do seu navio e obrigou sua tripulação a todos taparem seus ouvidos com cera. As sereias ficaram tão aflitas com o estratagema de Ulisses que se jogaram no mar e se afogaram (*na antiguidade as sereias eram representadas como aves, com a parte superior do corpo de mulher).

Uma coisa que todo mundo parece saber bem é o que atrapalha DE FATO nossa dieta e silhueta (**ainda que o contrário não seja bem verdadeiro, ou seja, temos como falsos-amigos alimentos que por anos de marketing benfeito ou pesquisa malfeita atribui a alimentos como aveia, pão integral, soja ou biscoitos integrais, qualidades que sabemos hoje que eles não têm). Então como dizer não a uma torta de morango depois do almoço quando temos enorme dificuldade em pensar em nós mesmos em um futuro distante, quando comer alguma guloseima dá um prazer imediato, ainda que a um alto preço (“a minute on the lips, a lifetime on the hips“)?

Todo adulto responsável tem que manter em dia suas obrigações: trabalhar, pagar contas, escovar os dentes, usar cinto de segurança. Sempre – eu digo SEMPRE – que ele tem que cumprir uma “obrigação” ele o faz sem pensar. Você acorda para trabalhar quando o despertador chama, você não se pergunta se neste dia específico você quer (ou precisa) trabalhar. Você levanta e vai. Quando o boleto vai vencer, você não se pergunta se são justas as taxas, você paga (até porque sabe que os juros e as consequências serão ainda maiores no futuro). Quando senta no carro, você não pergunta se a viagem é longa, você afivela o cinto de segurança. Você, ao menos esperamos, tem o hábito de escovar os dentes e lavar as mãos como rotina. Você não se pergunta, você age.

Um jeito fácil de driblar a tentação de colocar à prova nossa força de vontade é mudar o padrão para “fazer” sempre e não fazer em casos específicos, especiais, MUITO pontuais.

Por algum motivo – não me pergunte qual, pois não sei – com nutrição e dieta fazemos diferentes. Acabamos tomando diversas vezes ao dia a decisão se merecemos ou não comer doces, sobremesas ou qualquer outra coisa que atrapalhe a dieta (alimentos ricos em amido, por exemplo).

Eu gosto de sobremesas tanto qualquer um de vocês. Mas eu tenho minhas regras. Estou proibido de comê-las no almoço. Está fora de questão. O mesmo vale para Coca-Cola Zero (meu vício). Sendo assim, eu não tenho que tomar a decisão de comer ou não quando vejo uma. Comer sobremesa no almoço é como sair dirigindo sem usar o cinto de segurança, ou dormir até as 11 da manhã em plena 3a feira. Está fora de questão. Até porque a imaginação humana é muito criativa e você sempre – reforço novamente: SEMPRE – terá um motivo para “merecer” uma sobremesa ou refrigerante (“meu chefe está enchendo o saco“, “treinei ontem“, “vou treinar hoje“, “está em promoção“, “está calor“, “está frio“, “está chovendo“…).

 

O que Ulisses fez para salvar a si mesmo e a todos os seus homens foi aceitar que o canto das sereias era um canto tão doce quanto um mousse de chocolate. Ele não estava aberto a negociações achando que ele poderia raciocinar. Colocar cera no próprio ouvido foi o “criar uma regra” pessoal.

Eu não estou dizendo que a minha regra é a melhor (tenho outras ainda), mas acredito mesmo que devemos tê-las. Sim, devemos. A mente humana é maluca. É sempre mais fácil tornar o “não” como padrão do que tentar tomar racionalmente uma decisão de dizer “não” várias vezes ao dia. Fazemos isso, como disse, naturalmente com outras obrigações envolvendo compromissos profissionais, por exemplo. Mas somos otimistas, achamos que a decisão de não escapar da dieta é como se fosse possível não escutar o canto da sereia apenas fazendo força para sermos momentaneamente surdos.

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A Nutrição e a Via Negativa.

Ou ainda: fuja de quem te diga o que comer.
Ou ainda (2): é sobre comer menos carboidrato, não sobre comer mais gordura.

Quando você trabalha com emagrecimento a pergunta mais comum talvez seja: “o que faço pra emagrecer?”. O filósofo Homer Simpson, no alto de sua sabedoria socrática teria dito: “não fique gordo”. Tamanha obviedade não pode ser ignorada quando sabemos ser tão difícil emagrecer.

Praticamente todo estudo baseado em greve de médicos encontra o mesmo desfecho: o cancelamento do atendimento aos procedimentos simples reduz o número de mortes em hospitais. Afaste os cardiologistas e haverá menos intervenções/cirurgias e assim menos mortes. Corroborando a forte, porém correta tese do especialista em Risco Nassim Taleb: você na média diminui a sua expectativa de vida quanto mais visita um médico.

Por isso também que a minha resposta para como emagrecer se baseia sempre no que NÃO podemos fazer caso queiramos perder peso. Eu me baseio na VIA NEGATIVA porque ao menos na saúde é nela que toda a nutrição deveria se basear.

Via Negativa é sobre a eficácia da subtração sobre a adição, é sobre menos ser mais. Na prática é uma receita para o que se evitar, sobre o que NÃO fazer/comer. Isso porque sabemos o que está errado com muito mais certeza do que qualquer outra coisa. Ou ainda, usando outro conceito muito importante, o de que o conhecimento é subtrativo, não aditivo. É sobre o que nós rejeitamos, aquilo que não funciona, o que NÃO devemos fazer. Ideia diametralmente oposta à adição, que se faz hoje na Nutrição, sobre o que acrescentar ou o que deveríamos fazer.

Uma prática que tenho certa dificuldade de explicar aos meus clientes é o fato de eu NÃO prescrever nunca um cardápio. (*nunca fiz um na minha vida que não tenha sido em sala de aula na graduação e pretendo seguir nunca fazendo). Seguindo o desenrolar lógico desse corolário, Taleb diz que a melhor maneira de se achar um charlatão é olhar entre aqueles que te aconselham o que deve ser feito em vez de aconselhar o que NÃO deve ser feito. Traduzindo à Nutrição: o charlatão dirá “Coma uma fatia de pão integral com queijo cottage” quando o correto seria “NÃO coma amido (ex: pão integral)” porque ele sabidamente engorda.

Basicamente a via negativa escolhe o que não se é e trabalha com processos de eliminação (aqui, ao NÃO comer arroz, quinoa ou arroz integral, aumenta-se a chance de essa pessoa comer carne ou ovos, alimentos não-engordativos e muito mais ricos nutricionalmente). Na área da saúde ela funciona pela remoção do artificial. Por isso mesmo que intervenção só vale à pena quando o retorno for muito grande (por exemplo: salvar a vida de um cliente doente) porque nesses casos você supera um sempre possível risco de dano potencial. *e aqui explica-se as mortes quando os médicos estão longe dos hospitais. A pessoa que NÃO está em estado grave morre por uma intervenção equivocada (erro médico, uma das 3 maiores causas de mortes no Brasil e nos EUA), como eles estão em greve, não podem matar aqueles que seriam salvos pela mãe natureza.

Porém, é na via POSITIVA que toda a área da Saúde faz o seu lucro, o seu dinheiro, a sua renda. Tem mais. Além de menos eficiente e mais perigosa, a Via Positiva vive de ter a propensão a querer sempre fazer algo (até porque o seu cliente quer e paga para que você intervenha), gerando problemas e dilemas (meus clientes querem cardápio, me pagam e eu não os dou). E mais perigosa porque a via positiva quase sempre recai naquilo que não é natural, aumentando a chance de eventos inesperados e de efeitos colaterais não-observados. A margarina e o comer de 3 em 3 horas talvez sejam os melhores exemplos na história da Nutrição. Dê tempo suficiente e a soja e o óleo de canola entrarão nesse clube. Não acredite em profissional que diz que esses 2 “alimentos” são bons. Isso porque o antinatural precisa provar seus benefícios, porém, em sistemas complexos somente o tempo (muito tempo) pode vir a ser uma evidência de segurança. Seu nutricionista já estará morto e mesmo que vivo, não poderá ser processado.*fique com a manteiga, banha e azeite.

O QUE FAZER?

O maior avanço da história recente da Medicina talvez tenha sido a orientação de não fumar (via negativa). Isso porque não há remédio (via positiva) capaz de compensar o hábito de fumar. As associações de Nutrição sabem dessa lógica, mas elas precisam, gostam de dinheiro. Não espere que essas associações peçam para que você pare de comer açúcar, como um médico pede que você não fume. Não há remédio (ou atividade física) no mundo capaz de compensar os malefícios do açúcar, mas sem remédios nem pedir que você consuma óleo de canola, as associações não ganham seu dinheiro (na forma de patrocínios das empresas farmacêuticas e das de alimento que TODAS elas possuem).

A associação dirá que tudo bem comer um pouco de açúcar (igual o nutricionista dirá que óleo de canola é um óleo bom). Isso porque o remédio “para o” açúcar banca financeiramente todas as associações que você conhece e ainda porque a prova de dano daquilo que não é natural, que é artificial (óleo de canola) está no futuro, e não em um passado que sequer existe.

Um Nutricionista não deveria JAMAIS dizer o que você deveria comer caso você queira perder peso, mas sim aquilo que você NÃO deveria comer porque sabemos já o que nos faz engordar (alimentos que contenham substancialmente ou sejam ricos em açúcar, amido ou carboidratos processados e refinados). Assim, é basicamente sobre o que não comer (Via Negativa) e não sobre o que comer (Via Positiva).

Resumo prático:

  1. Via Negativa: Não comer carboidrato. Emagrece.
  2. Via Positiva: Comer mais gordura. NÃO necessariamente emagrece.

O “2” só funciona se acontecer o “1” antes!

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Nutrição não é sobre equilíbrio.

Ou ainda:
NUM MUNDO DE EXTREMOS, FUJA DO NUTRICIONISTA QUE SUGERE “DIETA BALANCEADA”

Poucas coisas dizem mais da ignorância (ou inutilidade) de um nutricionista que seu discurso de “equilíbrio na dieta” ou ainda o “uma dieta deve ser balanceada”. Primeiro porque isso não existe, não sabemos ainda exatamente o que o ser humano necessita em termos de nutrientes. Não há como balancear aquilo que não se sabe. O que dizer então de calcular isso individualmente? E segundo porque nada é pior ao organismo do que o equilíbrio.

Para entendermos vamos ter que antes atropelar um pouco a ignorância técnica ou conceitual dos profissionais que alegam que o jejum seria nocivo e/ou perigoso. Temos assim que partir da premissa de que o ser humano é onívoro. Esta nossa particularidade, esta capacidade intrínseca de nos alimentarmos de tudo, tanto de vegetais como de animais, é resultado primeiramente e necessariamente de uma resposta às características dos mais variados ambientes. Esses ambientes, antes da invenção dos supermercados 24 horas, nos ofereciam, nos disponibilizavam alimentos de forma não planejada, casual. Ou seja, em série, porém, NÃO-linear.

Aqui vale saber ainda que a especialização é uma resposta a um ambiente, a um habitat muito estável, com poucas mudanças bruscas. Veja animais como os ursos pandas, com um tipo de alimento bem mais definido, por exemplo. Já a diversificação da alimentação nos onívoros decorre, tem que vir, como resposta à variedade.

Isto por si só mostraria ser ainda mais fundamental, quando falamos de melhor saúde, de remover aleatoriamente (voluntariamente) algumas refeições, replicando o que ocorria antes do advento do delivery 24h, quebrando a estabilidade da oferta e consumo de alimentos. E aqui um contrassenso na ortodoxia da Nutrição: eles condenam o jejum, pregam o nonsense das 6 refeições por dia (ou a cada 3 horas), mas sua ignorância é incapaz de enxergar que até nisso há uma espécie de irregularidade, mas que nem de longe mimetiza a irregularidade e a aleatoriedade da natureza.

E vamos entender o porquê agora.

Herbívoros são submetidos a muito menos aleatoriedade do que os animais estritamente carnívoros que devem caçar seu alimento (que vive a fugir, diferente dos arbustos que não fogem das girafas). Enquanto o herbívoro passa o dia comendo de forma uniforme, o carnívoro tem picos de acesso ao alimento (por sorte, acaso ou por competência). O cavalo tem acesso baixo e constante de carboidratos, o leopardo tem picos grandes de proteína e gordura.

Aqui temos a primeira diferença do que prega a Nutrição tradicional: pratos balanceados em macronutrientes não existem em outro lugar que não seja no delírio da cabeça desse nutricionista. Esse nutricionista acha que o mundo real é como sua teoria sem embasamento. Nós, pessoas normais, sabemos que a realidade é completamente diferente do que ele sonha. Um lobo (ou caso você prefira um chimpanzé, o animal biologicamente mais próximo a nós, proximidade maior que a dele com o gorila) não sai a caçar e depois recolher folhas, alguns legumes, um pouco de água e frutas de baixo açúcar de sobremesa. Não! Na natureza a alimentação é sempre de extremos.

*aqui talvez valha dizer que a medicina chinesa, que bem pouco conheço, prega que deve haver foco maior em um grupo de alimentos (macronutrientes) por refeição, o que faz todo sentido.

Pois agora, então, temos que nossas proteínas (e gordura) devem ser consumidas aleatoriamente no tempo. Por sua vez, o nutricionista prega que deve haver equilíbrio (nada mais errado), horários marcados, porcionados, porque não consegue compreender que este equilíbrio NÃO é preciso que seja em todas as refeições ou mesmo todos os dias, mas alcançado de forma gradual, em prazos muito maiores. Isso porque alcançar equilíbrio desta forma frequente, em todos os dias e todas refeições, é muito diferente do que alcançá-la em prazos mais longos (na verdade, veremos, é pior).

E para explicar isso, é necessário introduzir um matemático amador que nunca sequer ocupou qualquer posição acadêmica. O dinamarquês Johan Ludwig Jensen em 1906 provou um teorema que ganhou nome em sua homenagem. Na “Desigualdade de Jensen”, quando ela for aplicável, a irregularidade pode tornar-se a melhor solução. Isso porque ela se fundamenta no fato das consequências de a média serem muito diferentes da irregularidade.

Vale citar um exemplo prático: quando atravessamos a pé um rio não basta sabermos apenas a profundidade média deste rio. Há muita coisa mais importante que a média, que oferece resultados bem diferentes. A Desigualdade de Jensen estabelece que há uma relação NÃO-linear entre uma causa e efeito. É mais ou menos assim: se uma causa X gera efeito Y e uma causa A gera efeito B. Essa propriedade estabelece que o efeito resultante da causa de magnitude (X+A)/2 é diferente dos efeitos já observados, isto é, (Y+B)/2. É bem diferente você nadar em uma piscina a 28 graus, a nadar um dia a 0C, em outro a 56C. São efeitos diferentes, ainda que 56/2 seja 28!

Temos certa facilidade para aceitar essa ideia de não-linearidade quando falamos em Química, ou mesmo treinamento físico, mas a Nutrição simplesmente ignora sua validade em suas diretrizes. Ou seja, com ela temos que há uma enorme e considerável diferença entre consumir uma dieta (argh!) balanceada de uma em série, de forma aleatória. Somos onívoros, adaptados à variação, mas ela NÃO significa ser na mesma refeição.

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Em organismos vivos a privação é antes de tudo um agente estressor, e o estresse é fundamental em nossa adaptação quando oferecido depois um tempo de recuperação. Pense nisso colocando a atividade física como estressor. Não deixa de ser surreal que um nutricionista que diga para você comer a cada 3 horas um prato variado, apoie também que você faça exercício. O princípio estressor da fome, da ausência de alimentos (ou de um macronutriente), é o mesmo da atividade física!

O que a Desigualdade de Jensen vai estabelecer na Nutrição é que consumir proteína de modo estável 3 (ou 4 ou 6) vezes ao dia NÃO é o mesmo que consumir pontualmente. Isso porque nossas reações metabólicas não são jamais lineares. Basicamente, podemos dizer que se um organismo é antifrágil a uma determinada substância (o somos à proteína!), é melhor fazer com que ela seja distribuída aleatoriamente, em vez de ser fornecida de modo constante.

**já escrevi um texto falando que somos frágeis, isto é, o oposto a antifrágil, ao carboidrato.

Acredito que todo mundo com um pouco de interesse em nutrição já ouviu falar da Dieta Mediterrânea, que, além de ser um espantalho, um Frankstein, contém mais equívocos de interpretação (uma vez que ela na prática simplesmente NÃO existe e que na região os melhores benefícios foram encontrados entre aqueles que consumiam mais carne vermelha, mas a turma do low-fat vive escondendo e ignorando esse fato) que acertos. Um dos equívocos, um erro seletivo proposital de quem molda seu discurso com a liberdade artística como se fosse um poema, é o de ignorar que os analisados faziam jejum. Para ser mais preciso, a igreja ortodoxa grega defende quase 200 dias de jejum por ano, um período de 40 dias sem quase nenhum produto de origem animal, nem açúcar ou azeite. Quem diz gostar da Dieta Mediterrânea faz qualquer coisa próximo a isso? Improvável. Assim você nega boa parte, senão a maior parte de seu benéfico conteúdo. Como é difícil, ficamos apenas com a parte de besuntar a comida em azeite, um alimento que, ao contrário do estresse, não tem nada de essencial.

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Os profissionais da saúde têm em suas diretrizes uma enorme dificuldade em lidar com a escassez em um mundo de excessos. Negam o jejum, subestimam e negam seus benefícios recomendando um bom café da manhã, algo sem evidência sólida. Não fomos “criados” ganhando alimentos sem gasto de energia. Na natureza não existe caça por prazer, mas por necessidade.

Mas antes que se apele às agruras de miseráveis e prisioneiros de guerra como contraponto ao jejum, talvez surpreenda saber que os prisioneiros dos campos de concentração ficavam menos doentes na primeira fase de restrição calórica para só então adoecerem. Reforçando: jejum é sobre retomar a não-linearidade ainda que de forma limitada, no consumo de alimentos, respeitando nossas propriedades biológicas mais fundamentais.

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Somos instruídos pelas diretrizes governamentais a ingerir determinadas quantidades de nutrientes diariamente em determinadas quantidades. Vamos por agora ignorar completamente a enorme falta de rigor empírico nesses valores determinados. A busca por essa regularidade vai de encontro à aleatoriedade de oferta proteica e de gordura animal à que fomos “construídos” (Desigualdade de Jensen) e fere ainda o princípio de extremos nas refeições (ou herbívoro ou carnívoro). As diretrizes em sua ignorância (por acharem que não existe aquilo que elas não veem) não entendem que a constância gera resultados muito diferentes (e piores) que a desigualdade ou a aleatoriedade.

Ao negarmos ausência de algumas refeições ou nutrientes, negamos a hormese. Hormese é sobre quando uma baixa dose de uma substância nociva ser de fato benéfica ao organismo quando em baixa quantidade. É quando o organismo se beneficia dos pequenos danos diretos a si mesmo. Não sendo em quantidade muito elevada, ela age assim para beneficiar o organismo e torná-lo melhor de maneira geral. Ou como diz Nassim Talebas máquinas são prejudicadas por agentes estressores de baixo impacto (fadiga do material), os organismos são prejudicados pela AUSÊNCIA de agentes estressores de baixo impacto (hormese).

Ou seja, podemos resumir dizendo que comer regularmente e de forma (argh!) balanceada é ruim e priva o nosso organismo desse agente estressor, podendo fazer vivermos menos que nosso real potencial completo. Basta lembrarmos que é mais do que provável não ser mera coincidência que a população americana nos últimos 40 anos dobrou seu número de refeições diárias enquanto engordou e adoeceu.

Dieta Balanceada? Equilíbrio? É tudo o que um Nutricionista jamais deveria pregar. A menos que ele faça alguma ideia daquilo que fala.
 
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Por que Low-Carb. Ou ainda: o ser humano é frágil ao Carboidrato

É uma vergonha que a Nutrição não enxergue o que vai abaixo.

*para este texto não ficar ainda mais longo, conto com a compreensão que para lê-lo você de cara assuma uma verdade que hoje é consenso na Nutrição: o Carboidrato é um nutriente NÃO-essencial ao ser humano. Ou seja, você pode viver sem consumir NADA dele. Característica essa que NÃO é compartilhada por proteína ou gordura, ambas essenciais.

Para começar, saiba que o ser humano, o homem, é frágil ao carboidrato. Pergunte isso a qualquer diabético ou a qualquer médico. Alguém é Frágil (a algo) quando “os impactos trazem danos maiores à medida que sua intensidade vai aumentando (até certo nível)”. Isso acontece quando fazemos consumo de cada vez mais carboidrato em duas frentes. Primeiro com o aumento da glicemia (açúcar no sangue) e o organismo tenta controlá-la abrindo mão da insulina e também pela concomitante redução do consumo de 2 nutrientes essenciais na dieta (proteína e gordura).

Duvida? Deixe de tratar um diabético, um indivíduo que não metaboliza bem carboidratos. Ele morre. Deixe de oferecer proteína e/ou gordura a uma pessoa. Ela morre.

Porém, o corpo NÃO é frágil a esses 2 nutrientes. Não existe consumo excessivo de proteína. Não existe. Não existe consumo excessivo de gordura. Simplesmente não existe. Isso porque ad libitum, ou seja, à vontade, esses 2 nutrientes não possuem mecanismos de retroalimentação do tipo supernormal, ou seja, você não fica viciado em carne ou barrigada. Você fica, sim, viciado em alimentos que tenham necessariamente um nutriente que o cause: o açúcar ou carboidrato processado.

Resolvi escrever esse texto porque recebi 2 posts de nutricionistas que até parecem inteligente, mas se fazem de burro para provar seu ponto. Um deles, tempo atrás disse haver uma margem saudável ou ótima de consumo de carboidrato. Isso simplesmente não existe. Precisamos ver o carboidrato (na verdade a frutose e os carboidratos processados, como farinhas e açúcar) como poluentes (o que é diferente de veneno).

Assim como na natureza, você pode ir poluindo um rio (ou uma cidade) e ainda assim utilizá-lo ao lazer ou mesmo fonte de água. Mas há um ponto em que ele morre. Com carboidrato é parecido. Você pode comer pão integral todo dia e ainda assim viver 85 anos. Eu consigo matar alguém dando carboidrato vendido no supermercado, eu NÃO consigo fazer isso com proteína/gordura (que não deve ser coincidência que sejam quase sempre encontradas juntas na natureza). **aqui ignorando fontes podres desses nutrientes como soja ou óleos vegetais, por exemplo.

Há aqui uma questão de não-linearidade na resposta. Ou seja, vou dando cada vez mais gordura/proteína a uma pessoa e não vejo mudanças drásticas. Porém, quando faço isso com carboidrato (frutose ou processado) e após algum momento aumentando seu consumo eu o mato. Isso de certa forma nos reforça: somos frágeis ao carboidrato, não o somos aos demais. PONTO.

Você dar ou oferecer pouco carboidrato a alguém, sem o matar, não tira o prejuízo. E nesta categoria, ainda que em outra magnitude, entra por exemplo, o cigarro. Um nutricionista que diz que “tudo bem” comer um pouco de açúcar equivale ao pneumologista que diz “tudo bem fumar 3 Belmont”. Ambos (nicotina e frutose/glicose) têm seus mecanismos de retroalimentação. Não matam, mas podem criar o ciclo de consumo supernormal que faz seu consumo virar rotina. Se não há consumo mínimo de NADA a que somos frágeis, por que deve haver com carboidrato? ***não pergunte a mim, pergunte ao gênio que pede que você coma grão de bico ou torrada.

A recomendação que já vi algumas vezes de muita gente que se parece inteligente de comer X de carboidrato é, desculpe o termo, tão IDIOTA, tão burra, que não sei como passa despercebido. Não existe consumo seguro de cigarro, assim como NÃO existe consumo seguro de açúcar. Assim como não existe consumo seguro de frutose, a menos que ela venha acompanhada de muita fibra, a ponto de virar um limão ou maracujá.

Mas voltando à recomendação IDIOTA de consumo de X% de carboidrato… ela é tão irracional porque hoje sabemos que podemos viver com ZERO dele. Por outro lado, SABEMOS que PRECISAMOS consumir proteína E gordura e que SABEMOS que quanto mais carboidrato (desacompanhado de muita fibra) pior é o desfecho à saúde, pois como existiria assim um valor médio??

Ele existe?
É óbvio que não! Não, ele não existe. É a ignorância de uma área que se orgulha de não estudar matemática que arrisca dizer que ele existe. É como eu pedir que alguém que não sabe nadar pode atravessar andando um rio de profundidade média de 1,60m. Essa pessoa é frágil a rios fundos! Eu tenho que dizer que ele só pode atravessar rios com a menor profundidade possível! Eu TENHO que dizer que ele deve fugir da frutose como foge da nicotina ou de algum outro agente menos viciante, porque não ser veneno (e não é mesmo) não tira sua característica de ser poluente. Ainda que você consiga viver em uma cidade poluída. Uma média de consumo de carboidrato (um desses falsos-inteligentes arrisca até uma porcentagem) não tem sentido porque somos frágeis ao carboidrato! Ainda que eles neguem. E negam porque em sua ignorância confundem incompreensível com inexistente.

****na imagem o consumo em azul de carboidrato vai aumentando até “dar ruim”. O consumo de proteína/gordura (lilás ou roxo, sou homem) por não ser frágil não tem um evento inesperado.

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Correndo e comendo com os Etíopes

*texto originalmente postado no Blog Recorrido sobre minha experiência treinando com os corredores etíopes.

Logo que cheguei à Etiópia, ainda no aeroporto, algumas coisas me chamaram a atenção. Uma delas era pessoas em forma, nada de obesos, saudavelmente magros. Além disso, não havia restaurantes fast food no local. Soube ainda depois que o Mc Donald´s não desembarcou no país. Quando fiz uma associação dessa ausência com o baixo índice de obesidade, um desses comentaristas que escrevem em 4 apoios disse:

“Energúmeno, qual a renda média? Os caras não comem, não comem nem calorias nem proteínas. São magros por desnutrição.”

Pois o mais legal de jogar com números, algo que eu adoro, é você poder colocar em teste alguns dos conceitos que temos bem arraigados. Um deles é antigo e não sobrevive nem a uma pesquisa preguiçosa. Por exemplo, quando cruzamos a lista de dados dos países organizados pelo ranking de IMC (um índice comparativo este que é pouco confiável quando olhado individualmente, mas que ajuda demais quando trabalhamos com populações heterogêneas) é que colocado lado a lado com o ranking de ingestão calórica você observa que não há um padrão claro. Ou seja, que consumir mais calorias não tem uma correlação positiva com mais obesidade. Ou ainda nas palavras de Nate Silver em sua obra mais famosa, O Sinal e o Ruído: “parece haver indícios restritos para uma associação entre obesidade e consumo calórico; pelos testes padrões, tal relação não seria qualificada como “estatisticamente significativa“.

O que isto quer dizer? Que a magreza etíope não se explica somente pelo baixo consumo calórico (o que é um fato), uma vez que há países que comem menos calorias e têm IMC maior e países bem obesos que consomem menos calorias que outros países magros.

Seria o baixo consumo proteico etíope, então? Hoje há uma espécie de cruzada entre os que acreditam na nunca testada e provada tese da gordura (ou das calorias) como engordativa quando é o carboidrato quem impacta o metabolismo de gordura. Como muita gente que se diz especialista no assunto não aceita quebra de paradigmas, abrem mão até de um dos nutrientes pouco lembrados na questão, a proteína. E, novamente, está acessível para quem gosta do tema: quando colocamos prevalência de obesidade com consumo proteico, voilà, aparecem paradoxos. Paradoxo nada mais é que um jeito chique de você não aceitar algo que vai contra sua teoria. Apesar do baixo IMC da Etiópia, você encontra vários países que consomem muito menos proteína que esses africanos.

Uma passagem muito bem descrita de uma pesquisa americana relatada em “Por que Engordamos“, livro ignorado por quem finge estudar o assunto, fala do trabalho de um pesquisador que ficava perplexo de como havia crianças desnutridas sendo carregadas por mães brasileiras claramente obesas que TAMBÉM não tinham muito o que comer nas favelas.

Obesidade (ou magreza) não se explica por quantas calorias comemos, que é o que diz esses rankings da ONU, mas QUAIS comemos. As mães faveladas brasileiras da pesquisa comiam pouco, mas consumiam muito açúcar. Suas crianças, comiam poucas calorias, pouca proteína e também pouco açúcar.

Cada um acredita no que quiser, até que controle de peso é sobre calorias, não sobre O QUE se come. Porém, para isso deverá ser feito um malabarismo lógico e argumentativo uma vez que dietas hipocalóricas têm um rico histórico de ineficiência.

Propositadamente, ignorei aqui o argumento da questão da (baixa) renda, até porque dentro da mesma sociedade desde sempre é sabido que os mais ricos são mais… magros! Desconsiderados os bolsões de miséria, renda não deveria ser questão central nesse debate.

Pelo que pude ver em minha experiência em Adis Abeba, os corredores sabem de duas coisas que deveriam ser sempre bem lógicas: comer de modo saudável é o mínimo que você deveria fazer se deseja correr bem. Mais: corrida é sobre coRRer, não sobre comer. Não há debate sobre o que comer ou beber. Não havia suplementos, não há BCAA, não havia gel nem isotônico! Isso é coisa de atleta que corre de menos e de nutricionista que sabe de menos. Após nossas sessões de treino, quem tinha mais fome comia alguma banana, bebia algo e era isso! Os que estavam se sentindo bem, iam embora sem a tarefa de comer na “janela de oportunidade”, falácia essa que deveria já ter morrido na década passada, mas que ainda sobrevive entre alguns “especialistas”.

Enfim, corrida é o esporte mais simples que existe. Para correr bem você precisa rodar muito (volume), estar magro (em forma) e ter paciência. Os etíopes fazem tudo isso. Eles comem de modo saudável que os deixa magros. Quem quer achar algum atalho que não existe cai no golpe da dieta personalizada, equilibrada, BCAA, Glutamina, etc. Não aprendem nunca.

*durante meu período lá, não vi nem comi açúcar branco (refinado), no máximo vi o do tipo cristal. Não vi fast food, não vi sorvete, não lembro de ter visto muito chocolate. Apesar da fama ofensiva a eles de que passam fome, vi mais banana, laranja, tomates, avocados e iogurtes do que já vi no Brasil. É difícil você engordar quando você não consome justamente aquilo que te faz engordar: açúcar e alimentos processados e/ou ricos em amido.

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Dia do Lixo: pode ou não?

Em apenas uma semana falando com uns 3 clientes recebi exatamente o mesmo retorno: “Balu, minha perda de peso estacionou”. Ignoremos por enquanto que nosso peso é tudo, menos linear, que tal qual nossa temperatura varia ao longo do dia (mesmo sem esporte nem tomar banho de sol), que nosso peso está longe de ser uma coisa fixa. Minha primeira reação foi ficar um pouco chateado. Comigo mesmo. Como não quero terceirizar a culpa, prefiro acreditar sempre primeiro que o problema foi a minha intervenção.

Deve haver alguma coisa errada no que EU orientei a fazer… Então pedi: “Me mande absolutamente TUDO o que vc fez e/ou comeu”.

Nesse meio tempo batia papo com outro cliente, que virou amigo. Ele vinha perdendo peso, consistente, bonito de ver… uma vez por ano todos nós fazemos aniversário. Ele foi celebrar o dele. Em menos de 4 dias ele ganhou 4kg.

4kg.
Em 4 dias.

Se eu convencesse você que tenho a fórmula para emagrecer 4kg em 4 dias, além de estar mentindo, eu ficaria rico. Pois, então. A capacidade que temos de fazer bobagem à mesa é enorme. Lembre-se daquele rodízio de pizza que você foi tempo atrás, aquela ida ao Outback, aquele churrasco “do mal”… Lembrou? Agora multiplique isso por 3 ou 4 vezes em um período de 16 horas. Esse é o tamanho do Dia do Lixo.

O nosso peso é muito resultado da nossa regra, não de nossa exceção. 1 dia a cada 6 não é exceção, é regra!

Sabe… eu tive sorte que essa pessoa se pesou depois das comemorações de aniversário. Não serviu pra mim… serviu para que ELE soubesse o peso das escolhas.

Aí voltamos aos mesmos que me disseram que “estacionaram”… Quando começaram a me passar aquilo que comeram, 100%, sem nenhuma omissão você descobre que tem uma barra de proteína com 5g de açúcar (que só você e seu nutricionista podem achar saudável) aqui, um chá de latinha com tanto açúcar quato qualquer refrigerante ali, uma pizza inocente no happy hour do trabalho, só um pão de batata no dia que saiu tarde de casa… é quase como deixar de fumar, só que dando “só” uns 2 tragos por dia. Não dá pra saber os efeitos do abandono quando não há abandono.

Não há fórmula que funcione 100%. Mas há fórmula que funcione praticamente 100% para engordar. E quem engorda, obviamente não emagrece. Achar que a cada 6 dias você tem um para fazer o dia do lixo é de um otimismo que eu não consigo compartilhar…

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