Arquivo do autor:Danilo Balu

E se a recomendação #1 da Nutrição for um erro?

Ou ainda: FUJA QUANDO LHE SUGERIREM “DIETA BALANCEADA”!

Conheço MUITO Nutricionista e MUITO Médico que entende MUITO do que fala quando o assunto é se alimentar bem. E eles diriam a mesma coisa: as diretrizes nutricionais vigentes são um completo engano, um enorme equívoco, uma máquina de criar obesos e doentes.

Porém, TODO E QUALQUER programa de TV quando vai dar dicas de Nutrição afirma: tenha uma dieta variada, equilibrada. Mas… e se isso for TUDO um ENORME erro?

Uma dieta balanceada é algo totalmente NÃO-natural. Mais. Não há NENHUMA evidência de que isso seja melhor, que dê suporte a essa recomendação nutricional.

Meus clientes meio que se assustam quando falo para eles que minhas refeições são sempre iguais. As mesmas carnes, os mesmos legumes, os mesmos ovos. O ser humano, como animal, SEMPRE se alimentou daquilo que a natureza próxima a ele lhe oferecia. A variedade de frutas e folhas, por exemplo, foi sempre ditado pela época do ano e pela geografia. Hoje em uma mesma refeição as diretrizes acham bonito você misturar abacate (México), com kiwi (Sudeste Asiático) com laranja (Oriente Médio) com jabuticaba (Brasil). Mais. Alguém do interior do Maranhão, o bolso deixando, consegue comer essas frutas o ano inteiro, algo IMPOSSÍVEL de se repetir na natureza, afinal, frutas são sazonais.

Quando olhamos à natureza temos que as diversas espécies comem do MESMO alimento seguidamente SEM prejuízo à sua saúde. Mesmo os chimpanzés têm acesso sazonal às frutas (silvestres, jamais uma manga do tamanho de uma bola de vôlei ou uma banana que sequer existe mais na natureza. Uma vez que comemos sua versão domesticada, retiramos dela até sua capacidade de se reproduzir, ou seja, elas não mais possuem sementes, foram por nós esterilizadas). E olha que interessante… justamente quando eles TÊM acesso às frutas, os chimpanzés engordam MAIS, isso porque a frutose, o açúcar da fruta, não dá ao símio a sensação de saciedade, o feedback, a retroalimentação de saciedade que a glicose dá em maior quantidade.

A meu ver, na enorme preguiça que as Ciências da Saúde têm em estudar e relevar a matemática, mora sua maior limitação. TODA a variedade que a Nutrição prega precisa ser atingida NÃO em UMA sentada à mesa (ou mesmo um dia), mas no longo prazo. Você NÃO precisa ter um prato colorido, mas você precisa que seu prato seja colorido no LONGO prazo (provavelmente um ano, o ciclo natural de quase tudo na natureza).

Você NÃO precisa que no seu prato haja porção “certa” de proteína, de gordura, de carboidrato… Você NÃO precisa que a cada dia os valores dos micronutrientes (vitaminas e minerais) sejam atingidos. Isso porque o equilíbrio na dieta precisa vir no LONGO prazo. SEMPRE foi assim.

Mais do que isso. Esse equilíbrio a cada dia, a cada prato, É NOCIVO. Porque os efeitos (ou consequências) do equilíbrio no longo prazo são DIFERENTES dele no curto prazo. O ser humano (como animal) foi feito para alcançá-lo no LONGO prazo. E quanto MAIS engordamos, MAIS as diretrizes falam para equilibrarmos mais.

NÃO.
FAZ.
NENHUM.
SENTIDO.

O Nutricionista que nega essa característica INTRÍNSECA da espécie, de uma dieta estável, radical e sazonal teria que aceitar que viver com uma sonda dando – sei lá – 50cal a cada 30 minutos, seria melhor do que o de fazer 2 refeições ao dia. Eles AINDA não sugerem isso (*mas ao pedir 6 refeições ao dia, eles até tentam!!).

A essa diferença de resultados de média (uma no curto prazo, a cada refeição, e outra atingida no longo prazo, digamos um ano) foi explicada brilhantemente pelo dinamarquês Johan Ludwig Jensen que ainda no século passado (1.906) deu origem ao teorema que ganha seu nome: “Desigualdade de Jensen”.

Se há UMA coisa que sempre falo aos meus clientes é: Nutrição NÃO é sobre equilíbrio. Isso historicamente e evolutivamente NUNCA deu certo. A Natureza é feita, como sabemos, de extremos.

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Danilo Balu
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Sobre Obesidade, Sedentarismo e Equilíbrio.

Talvez a busca pelo “equilíbrio e moderação” seja o maior e mais grave equívoco na Nutrição. Maior até do que a pirâmide alimentar que nunca funcionou, o medo da gordura saturada ou a tese do balanço calórico como controlador do nosso peso.

É até engraçado quando alguém diz que “o nutricionista recomendou 3 castanhas depois do almoço”. O ser humano foi feito para comer ou zero ou 38 castanhas, jamais 3. O profissional que tenta “melhorar” o ser humano é um profissional que não sabe lidar com a realidade.

Sentar-se à mesa e se entupir de comida, como fazemos no Natal, por exemplo, é algo COMPLETAMENTE NATURAL. Não é só normal, é saudável! Sim, acredite! Comer dessa forma é completamente esperado. Não é questão de gula ou baixa força de vontade! O que NÃO é natural é JUSTAMENTE não comer demasiado!

Quando olhamos a natureza, temos que animais herbívoros têm linearidade na oferta de alimento. Mas observe os onívoros (como nós) ou os carnívoros. Na oferta de alimento, eles se acabam de comer. Foi a natureza quem tornou a esbórnia alimentar algo intermitente, irregular. Se o cenário fosse de estabilidade (como é com uma zebra ou com um boi, por exemplo), a natureza nos teria dado o MESMO mecanismo de controle do que seria excessivo. (*e aqui um porém, o pecuarista, que sabe de engorda mais do que um nutricionista sabe de emagrecimento, a oferta de grãos/amido cria uma condição ótima que DESREGULA um mecanismo que a natureza criou. E, ainda assim, a diretrizes nutricionais acham uma boa ideia comer grãos no emagrecimento).

Comer muito SEMPRE foi exceção (essa é a ideia por trás de banquetes das datas especiais). É a modernidade quem permite que eu possa todos os dias comer, pães, um frango inteiro a R$3/kg, tudo isso bebendo 2L de refrigerante, uma dieta que nem os mais ricos do planeta poderiam sonhar algumas décadas atrás. Resultado? Explosão de obesidade.

E por fim, e acho o mais importante, é que a segunda orientação mais dada, a de se movimentar mais, NÃO ENCONTRA SUPORTE na realidade.

Sempre foi a NORMA comer demasiado quando possível. E isso gera letargia. Quem já teve cachorro, já viu uma cobra ou já comeu feijoada sabe do que estou falando. E aqui algo que parece estranho: é JUSTAMENTE quando temos uma grande fonte de energia (exógena) é que ficamos mais lentos (queda endógena)! Isso é o cérebro avisando ao corpo que não precisamos mais ser ativos para encontrar comida.

Por isso é um ENORME erro INTERPRETATIVO querer que uma pessoa com sobrepeso seja MAIS ativa. Esse indivíduo tem tamanho estoque energético (endógeno) que o corpo cronicamente pede, implora por sedentarismo.

Não é que o sedentarismo leve ao sobrepeso. É o sobrepeso quem leva ao sedentarismo! Enquanto não entendermos o BÁSICO, não poderemos seguir adiante.

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Danilo Balu
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Sobre o Agudo vs Crônico, a Escassez e a Abundância.

Ou ainda, como diz, Mark Baker:
A domesticação em excesso nos adoece.”

Há como a falta de água matar um indivíduo. Mas… e sua disponibilidade? Pode ELA acabar com a saúde de todo um povo?

!Kung faz parte de San, um povo africano que em sua história sempre foi nômade vivendo em meio ao deserto de Kalahari, enfrentando acesso restrito à água e animais de caça. Na metade do século passado (1960) imigrantes resolveram presenteá-los com 5 poços de água subterrâneos. Não havia mais a necessidade de serem nômades. Logo os animais ao redor foram todos caçados, o povo começou a viver de alimentos ricos em amido (de muito baixa densidade nutricional como são por essência os grãos) e outro problema apareceu.

Não foi só a dieta que empobreceu, se antes a natureza fazia o trabalho de reciclar as sobras, agora não mais perambulando o lixo se acumulava e as doenças típicas dizimavam o povo. Era o limiar da sede (ou o pouco e difícil acesso à água) que fazia a população de !Kung San viver com saúde. O fato de não saberem lidar com água abundante os fez doentes, famintos e miseráveis.

O mundo muda em uma velocidade a qual nossos genes não estão aptos. Dividimos com Hipócrates, o pai da Medicina, a mesma programação genética, mas vivemos em uma realidade em que nada se parece com a dele. Por isso tenho calafrios quando vejo profissional da saúde falar em “moderação”. Claramente essa pessoa nunca teve que lidar com viciados. NINGUÉM sugere moderação no uso de drogas. O mundo é sobre extremos, não equilíbrio!

Não, heroína e açúcar NÃO causam o mesmo estrago em uma dose. Mas para AMBOS temos uma programação genética que nos dá um comando do tipo “MAIS E MAIS”, que nos faz ir atrás de consumir cada vez mais dos dois.

Certa vez um grande amigo, usuário de cocaína me disse: ”Balu, NUNCA use porque é bom demais”. Não precisa ser toxicologista ou viciado para saber que a sensação deve ser mesmo. Quem conviveu com dependente químico sabe que não é uma questão de inteligência ou de fraqueza, mas de uma retroalimentação que substâncias como o açúcar causa que supera nossa força de vontade.

Quando falamos em saúde, o desafio de cada um em uma sociedade “domesticada” é reproduzir em parte o ambiente selvagem que moldou nossa genética por centenas de milhares de anos. A área da Educação Física faz isso muitíssimo bem recomendando que reproduzamos gestos físicos que a modernidade e a tecnologia não mais nos exige no dia-a-dia. Eu, Bacharel em Esporte, como ser humano que sou em primeiro lugar, digo que meus dias mais prazerosos são justamente aqueles em que eu NÃO treino (domingo, VIVA!). Em cada passo que dou correndo meu corpo e cérebro gritam para que eu pare, mas eu continuo, tentando para meu próprio bem reproduzir aquele ambiente ancestral e selvagem de movimento.

Nutricionistas que advogam contra o jejum e a restrição de carboidrato (grãos, farinhas e açúcar), mais do que ignorarem por completo o que mostram estudos MUITO bem controlados, ignoram algo essencial nessa estratégia. Que ela NÃO é sobre melhorar o mundo atual, mas tentar REPRODUZIR uma situação que a modernidade nos privou. E para a qual nossos genes não estão preparados. E, mais importante, é essencial a uma saúde plena. 

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Danilo Balu
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Sobre Exercício, Disciplina e Obesidade.

Tenho um interesse pela 2ª Guerra Mundial que se aproxima da obsessão. Já perdi a conta de quantos livros, visitas, viagens e documentários. Uma coisa interessante da época foi como os EUA passavam a recrutar seus soldados. Até os cachorros pagaram o preço pelos esforços de guerra. As rações não podiam mais ser enlatadas (tudo virava munição) e a carne (para humanos e animais) era direcionada aos militares em combate.

Assim como nosso Congresso que amamos odiar, os nossos militares também são uma amostra de nossa sociedade. Nossos deputados não são marcianos. Nossos soldados não são de Saturno. Se a população engorda, isso tem consequências…

No esporte há expressões para dizer que um treino é no esquema militar (todo o conceito de “circuit training”, aliás, tem fonte no militarismo, mas aí é tema de outra conversa). Na nutrição se fala em regime espartano (um povo guerreiro, militarizado). Pois bem, uma pesquisa do Departamento de Defesa dos EUA sobre assuntos do comportamento de saúde (HRBS) encontrou que dentre 18.000 militares analisados 69% está obeso ou acima peso.

Até filmes de super-herói mostram como os menos aptos fisicamente (baixos e/ou fracos) eram preteridos. Os EUA mandaram assim à Europa e ao Japão aqueles que eram fisicamente seus melhores jovens. Hoje a realidade é outra, 1/3 dos jovens americano é gordo demais para poder se alistar.

Escrevi tudo isso porque está mais do que arraigada em nossa cabeça a ideia equivocada de que o exercício é um grande emagrecedor por si só. A atividade física bem realizada é um dos melhores hábitos existentes, mas ela está LONGE de ser uma emagrecedora eficiente.

Acabo de me encontrar pela primeira vez com uma cliente que treina em “regime militar” e não emagrece. Você já foi algum dia em uma largada de uma maratona? Já viu quantos ali estão (bem) acima do peso? Pois então, se você tem que 69% dos militares do melhor exército do planeta que treina religiosamente e literalmente com um rifle apontado à cabeça estão acima do peso, por que você acha que terá mais dedicação e disciplina que eles com exercício??

Você pode argumentar que é dedicado, que vai treinar como um famoso Marine. Ok! 61% deles estão acima do peso! Acha que uma assessoria ou uma academia te farão treinar melhor? Eu duvido…

É melhor então você observar com MUITA atenção aquilo que você come…

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Danilo Balu

O açúcar e o low-carb aos olhos de 1825…

Era esperado que após as duas maiores emissoras do país apresentarem novamente matérias dizendo que “dietas low-carb” não funcionam ou fazem mal, as dúvidas de sempre se repetissem. Eu poderia de cara dizer que pelo “tamanho” da especialista consultada eu NUNCA daria bola para o que ela fala (é minha recomendação, já disse, por não terem “skin in the game” (pele em jogo), não deveríamos ouvir NADA sobre saúde e emagrecimento vindo de nutricionistas fora de forma).
Estou atualmente lendo um clássico de 1825. O “The Physiology of Taste” deveria ser obrigatório nos cursos de Nutrição. Ele, disponível gratuito, NUNCA me foi apresentado em 5 anos quando fiz Nutrição na USP, mas uma chefe de departamento, fã da farsa que é a pirâmide alimentar, à época nos fazia comprar os livros dela. Bom, em determinado momento, o autor Jean Brillat-Savarin cita que um senhor “estava reclamando do elevado preço do açúcar” e que este senhor “não beberia nada além de água com açúcar se o preço do açúcar assim permitisse”. Isto 200 anos atrás, uma outra realidade.

O preço do açúcar caiu de tal maneira que em um dia do século 20 (ou seja, após a passagem do Sr. Delacroix por este mundo) a humanidade era capaz de produzir o açúcar de TODO o século anterior. Jogando para o campo pessoal, minha avó, falecida em 1992, muito pobre que era, só veio a consumir açúcar refinado nos anos finais de sua vida. Ela tinha que conviver consumindo apenas o do tipo cristal.
Se você olhar o gráfico abaixo verá que a participação da gordura e da proteína como fonte energética, em movimento inverso ao da obesidade, CAI ao longo das décadas. E ainda assim NUNCA estivemos tão gordos e doentes. E o que nos sugere que essa e tantas outras nutricionistas que também não sabem como manter a própria forma? Que comamos ainda MENOS gordura e MAIS carboidrato. Resumindo: o remédio dela não vem funcionando, porém ela pede que aumentemos a dose.


É ou não é esquizofrenia!? Bom, pode ser apenas ignorância desses especialistas.
O ser humano foi moldado, evoluiu, com acesso MUITO restrito ao açúcar e farinha refinada. A segunda foto que acompanha o post é a produção de macarrão na Itália em 1897. A mesa à frente da nutricionista na TV (cheia de macarrão, bolachas e pães) seria algo impensável 100 anos atrás MESMO em uma família riquíssima. E hoje a modernidade permite que mesmo famílias MUITO pobres comam o que um nobre italiano não comia. MINHA pobre avó comia um alimento (açúcar) que a elite não comia séculos atrás. Será que é por isso que ela faleceu obesa e diabética (do tipo 2 tardiamente adquirida)?

Entendem onde quero chegar?
Não é nem o fato de que você deveria PARAR de dar ouvidos a profissionais sem skin in the game (nutricionista fora de forma, a menos que seja doente, não têm “skin in the game“). A questão é que TEMOS que aprender a viver em escassez em um mundo de abundância. Açúcar e Farinha devem ser restringidos voluntariamente ao MÁXIMO para reproduzirmos assim uma época em que não adoecíamos.
E por fim, deixe de ser SAFADO. Não pergunte sobre diferentes tipos de açúcar. Veja o que fala Brillat-Savarin 200 anos atrás: “Açúcares obtidos de várias plantas, diz um célebre químico, são na verdade da mesma natureza, e não têm diferença intrínseca quando são igualmente puros.” Ou seja, se seu nutricionista passa pano para açúcar demerara, de coco ou orgânico, você não tem que trocar de açúcar, mas de profissional. Sabemos que açúcar é açúcar desde 1825.

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Danilo Balu
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O que comer antes, durante e depois de provas de até 10km?

Essa semana uma amiga nutricionista que trabalha com emagrecimento e reeducação alimentar no interior de SP me escreveu. Basicamente, uma emissora local a chamou para falar sobre alimentação e corrida. Eles querem um profissional que fale sobre o que comer antes, durante e depois dos treinos e provas. Como ela foi indicada e não é “da área” ficou meio receosa de aceitar o convite. Entendi perfeitamente. Ela que – reforço – não é da área, resumiu em uma mensagem pra mim: corrida de rua (até 1h00) é só hidratação mesmo, né?

Sabe, tempo atrás, quando eu era bem mais ingênuo e acreditava que o intuito dessas reportagens era o de informar, tinha meio que a ambição de um dia ser consultado para esse tipo de coisa. Hoje eu faço diferente. É preciso eu escrever apenas uma vez a um veículo para que nunca mais seja consultado.

O motivo de você buscar “especialistas” é puramente encher linguiça, “gerar conteúdo” (expressão moderna). Informação passa longe. Tem outra heurística bem válida: não há ninguém no clube dos que eu mais admire que seja consultado regularmente. Por que eu ia querer, então?

O pessoal da TV queria dela quais alimentos são benéficos para a atividade física. É como se existisse um alimento para correr e outro para nadar e outro para dançar zumba. É como se acerola fosse bom para corredores, almeirão a quem toca saxofone e queijo branco ao pessoal do cross-fit. Faz sentido? Alimento benéfico para atividade física é aquele que é benéfico ao ser humano. O contrário é verdadeiro. Um alimento NÃO TEM COMO ser bom ao corredor e ser nocivo ao ser humano.

Existem alimentos que são NATURAIS à nossa espécie (e por isso mesmo são bons, apenas um acadêmico com vários títulos consegue acreditar que a gordura saturada da carne faça mal, porque uma pessoa normal que tenha mais o que fazer nunca pensaria isso). Por outro lado, existem alimentos NÃO-naturais à espécie, que não deveriam ser consumidos. Só muita propaganda para convencer impunemente populações inteiras a comer margarina e óleo de canola, por exemplo.

Uma vez que corredores – até onde sei – são da mesma espécie dos demais humanos, a dieta compartilha dos mesmos “alimentos benéficos”.

Mas você poderia argumentar que comer um bife antes de correr não é a melhor prática. Bom, vários pontos. Aqui é uma questão de prática. Você não deveria comer meio porco antes de correr. Ou nem antes de nadar. Bom, uma pessoa só comete esse erro uma vez na vida, não é preciso alguém com PhD falando a respeito. É puro bom senso. Mas aqui entra outra heurística pessoal. Quando um nutricionista tem toda uma abordagem do que comer antes, durante e após correr eu tenho duas suspeitas:

1. Ele(a) é gordo;
2. Ele(a) nunca correu.

Pode reparar! Essa regra não falha!

Vamos, então, entrar na parte técnica (que alguns estão esperando que eu entre). Nosso corpo foi feito para (treinado) poder correr sem nenhuma grande “prévia preparação” por cerca de 1h00 (um pouco mais ou um pouco menos em função do grau de treino). Vou de cara descartar a questão do comer durante. Em quase 30 anos de corrida eu só precisei comer durante UMA única vez na vida, e foi em uma prova de 90km. 21km os mais lentos podem precisar. Mas a prova da TV é de 10km.

Então agora o PÓS…

O que você come após a corrida é a dieta que você comeria no domingo, numa 3ª feira, em um dia de descanso, numa tarde de outono ou em uma manhã de fevereiro. Não há ABSOLUTAMENTE nada que justifique uma refeição “especial” pós-corrida que seja…
1. Diferente do que é sua dieta habitual. (*ou seja, se você terminar de correr antes do almoço, almoce normalmente. Se acabou a prova antes do jantar, jante o que sempre jantou);

2. Ou feita sem fome. Acabou de comer e está com fome? Coma! Está sem fome? Não coma! O quê você vai comer? Leia o #1. Ainda virão DÉCADAS até os “especialistas” entenderem que a janela fisiológica de oportunidade é um espectro que não existe em 99% dos casos.
Agora, por fim, o começo. O que comer ANTES?

Como eu disse, nosso corpo vai bem sem prévia ingestão em esforços não muito longos (1h00). Para se preocupar TANTO em comer algo, estamos falando de alguém que teria que fazer uma prova por cerca de 1h30 ou mais. Mas olha que interessante… A média do corredor amador corre 1h30 por semana. Mais. A média do corredor amador está ACIMA do peso. Sendo um menor peso talvez uma das melhores variáveis de MELHORA de desempenho, tudo o que eu MAIS quero é que esse indivíduo coma MENOS e não mais!

A população só vai emagrecer quando comer MENOS vezes. Mas os especialistas em nutrição (que não correm nada!) continuam a ignorar a realidade e pedir que se coma antes, durante e depois. Se você tem um amador que corre 10km em mais de 1h00 ele não tem que necessariamente comer pré ou pós evento… ele precisa ter uma dieta MELHOR, que possibilite perder peso que assim ele correrá mais rápido! TUDO o que alguém que corra nesse ritmo precisa NÃO virá da nutrição no DIA do evento! E sim FORA desse dia!

FIM.

*estou em uma fase muito “skin in the game” (pele em jogo), eu sei… se eu juntar os 10 ou 20 melhores amadores com quem já treinei e competi bastante na vida, uns 98 a 99% deles não tinham NENHUM “protocolo” de alimentação pré ou pós. E se você falasse em “comer durante” para eles, eles riem na sua cara. 

**Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Treinador Clandestino!

Danilo Balu

Sobre Macacos, Zoológicos e o pensamento evolutivo.

Ou ainda: SIM, FRUTAS ENGORDAM

Dias atrás li uma entrevista incrível com uma especialista em Nutrição Animal do zoológico Paignton, na Inglaterra. Nela a Dra. Amy Plowman mostra enxergar mais nos animais do que a categoria vê em humanos. Ela explicava os motivos de agora estarem restringindo a oferta de banana aos macacos do parque para ajudar na manutenção de um peso saudável nesses animais.

A banana (e muitas das demais frutas modernas, domesticadas pelo homem) compartilha algumas características com qualquer doce que conhecemos. Uma delas é sua baixa quantidade de fibra. As frutas mais doces (ex: manga, uva ou a própria banana), assim como um bom chocolate, são pobres em fibra. Para afirmar que frutas são fonte de fibra você tem que atropelar duas coisas: o raciocínio lógico e o matemático. E aqui reside o primeiro problema. A saciedade no ser humano tem forte relação com 4 características dos alimentos: sua SOLIDEZ (por isso beber refrigerante ou mesmo uma sopa nunca dará saciedade prolongada) e sua quantidade de: FIBRA, PROTEÍNA e GORDURA.

Outra característica que uma Manga compartilha com um sorvete, por exemplo, é seu alto teor de açúcar. Basicamente o que a agricultura fez ao longo dos séculos foi aumentar o açúcar e reduzir o teor de fibra de uma fruta. Por quê? Primeiro porque o desígnio do feirante nunca foi o de fazer você viver mais ou ser saudável, mas você comprar mais dele. E segundo porque o sabor doce é extremamente prazeroso ao ser humano. Entre uma uva doce e sem caroço ou um limão azedo o produtor sabe qual dos 2 você opta por consumir mais: a opção com mais açúcar e menos fibra.

Veja que forte sua afirmação: “as pessoas geralmente tentam melhorar sua dieta comendo mais frutas, mas as frutas cultivadas para humanos são muito mais altas em açúcar e muito mais baixas em fibras que a maioria das frutas silvestres. Nós gostamos que nossa fruta seja doce e suculenta. Dando esta fruta aos animais é equivalente a dar-lhes bolo e chocolate.”

Pois bem, a foto abaixo que ilustra esse texto é de uma banana selvagem, que era fibrosa, pouco doce e continha sementes. Mexemos tanto nela selecionando os cruzamentos que hoje uma unidade grande pode conter o equivalente a 5 sachês de açúcar (!!), daqueles de mesa de bar e café. Não há NADA de natural em uma fruta na feira. Ela é resultado de domesticação e alteração da agricultura e pecuária, que são muito mais eficientes que a Nutrição naquilo que todos eles se propõem. A Nutrição NÃO sabe como nos emagrecer. A pecuária SABE como engordar o gado.

O “problema” das frutas é que o que comemos hoje nem de longe se assemelha ao que nossa espécie aprendeu a consumir. Veja bem, as frutas séculos (ou mesmo décadas) atrás eram menores, menos doces, sazonais, de vida curta e locais (meu primeiro kiwi, uma fruta do sudeste asiático, eu devo ter experimentado somente no final da adolescência). Isso fazia delas mais raras e de muito MENOR densidade energética. Além de MAIOR densidade nutricional.

Ao contrário do que imagina o senso comum, NÃO há uma correlação clara entre maior consumo de frutas e melhor saúde. Simplesmente NÃO há. Com suco é ainda pior: maior consumo, pior o desfecho. Pois, o que o zoológico vem fazendo é reduzir o consumo de frutas e trocar por legumes e folhas, esses SIM, alimentos de consumo “livre”, liberado, relacionados com uma melhor saúde.

É tentador achar que fruta é sinônimo incontestável de saúde. Frutas como as conhecemos hoje são sinônimo de competência do setor agroindustrial. ninguém fica doente comendo fruta! Mas pode ser que uma pessoa doente (alguém com sobrepeso e/ou síndrome metabólica, por exemplo) faça muito bem por restringir seu consumo.

No meu dia a dia e dos meus clientes eu sempre falo: como bem menos fruta do que eu gostaria, você deveria fazer o mesmo.

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Livro novo na área: O Veterinário Clandestino!

É com enorme satisfação e alegria que venho até você, que compartilha muitas das minhas ideias, dizer que minha nova obra finalmente ganhou vida! Sou dono (ou como gostam de dizer, tutor) de duas cadelas.

Uma delas ficou obesa enquanto eu morava no exterior. Isso resultou em questionamentos, uma pós-graduação em Nutrição Animal e um livro que questiona tudo – absolutamente TUDO! – o que os especialistas acham que sabem sobre a silenciosa epidemia recente de obesidade em nossos amigos de 4 patas.

Em O Veterinário Clandestino faco questão de trazer estudos esquecidos, alguns escondidos, outros ignorados sobre como combater esse problema tão grave. Você irá se surpreender, eu te GARANTO!

Caso você queira saber mais, basta clicar e entrar no site do livro (e-book)!

http://www.oclandestino.com.br/veterinario

Muito obrigado!

Fast Food vs Supermercado

Questão de duas semanas atrás eu estava no supermercado com um cliente (sim, vou com eles ao supermercado) e enquanto falava e explicava, tive um estalo. Bem ali, eu me dava conta: de todos os corredores pelos quais passamos (desconsidere os produtos de limpeza) percebi e concluí comigo, sem falar a ele, que não compro por volta de 70 ou 80% do que há em um supermercado comum.

Questão de um mês atrás postei uma foto no Instagram da sessão de “saudáveis” (é esse o nome) do Carrefour perto de casa. Eu te garanto: não tenho coragem de comer 1/3 do que vai nela. Não tenho coragem de dar 10% do que vai ali para meus sobrinhos ou às minhas cachorras.

Costumo dizer aos clientes que é fácil saber o que comer. Basta imaginar uma feira “comum” e eliminar seus extremos, onde ficam (ao menos em SP) as barracas de pastel e de caldo de cana. É difícil você ter uma dieta ruim consumindo o que vai no “miolo” de uma feira (a maioria delas, para minha sorte, nem grãos vende). Você tem folhas, frutas, legumes, tubérculos, carnes, ovos e temperos secos. Tente engordar comendo isso! E se estiver muito acima do peso, emagreça para só então reintroduzir os tubérculos.

Sucos, barras integrais e leite de soja… junk food envelopada como saudável.

Quem já estudou idioma conhece os “falsos amigos”, aquelas palavras que te enganam. Eventually (inglês) não é eventualmente, assim como allora (italiano) não é agora. O que a indústria faz é envelopar comida lixo como se fosse saudável. E aí temos uma armadilha! Porque a pessoa que quer perder peso ela evita o McDonald’s, por exemplo. Mas ai ela corre para o supermercado (que como disse, não consigo consumir nem metade dos alimentos vendidos).

No fundo, para mim, comer em um supermercado é similar a achar que dá para jantar de forma saudável em uma bomboniere. A diferença é que na bomboniere você sabe que não dá! Meu ponto é: no supermercado você já NÃO sabe mais o que te faz mal. Mas na lanchonete junk food você sabe!

Ou ainda, como disse meu colega Victor Miranda, médico: No supermercado você vai em busca do que te mata, sem saber. No fast food você vai em busca do que te mata com prazer.
 

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De Café, Placebo & “skin in the game”…

Já não acompanho mais matérias sobre café e cafeína na corrida. Não há como acompanhar esse tipo de abordagem no volume que são publicadas ou requentadas frequentemente (é isso que fazem portais e perfis de saúde, agem como revistas de adolescentes dos anos 90 que não existem mais, sinal claro de que não são terreno fértil para buscarmos informação com um mínimo de qualidade).

Primeiro porque estudos dos 2 lados não faltam, seja provando ou “desprovando” X ou Y, que consumir faz BEM ou faz MAL. Lembremos que você consegue achar pesquisas para tudo, por isso a maior parte delas é puro ruído, não sinal. Sinal você encontrará utilizando 2 recursos: o TEMPO e quando existe SKIN IN THE GAME “pele em jogo”).

Uma heurística (ou proxy ou regra) muito simples que uso com Esporte e Nutrição quando o assunto é suplementação passa por quem usa ou o recomenda. Se vem de acadêmicos, simplesmente não me importa nada. Por quê? Eles não têm “skin in the game”. No esporte o resultado é soberano. Já o sonho do acadêmico não sobrevive à realidade. Se o acadêmico vivesse fora do mundo de unicórnios, estaria no esporte. Acadêmico é aquela pessoa que sabe dar uma aula teórica sobre natação, mas que você jamais teria como salva-vidas da piscina da escola do seu filho. Isso é skin in the game.

E o que diz o mundo real sobre a cafeína?

Antes, vamos à minha sequência de proxy para suplementos:

1. Se o suplemento não foi banido, provavelmente não é efetivo;
2. Se o suplemento é efetivo, provavelmente já foi banido;
3. Há algumas exceções. Porém, não sabemos quais.

Duvida?

No caso da cafeína ela era anteriormente proibida pelo COI. Sabe o que aconteceu quando ela foi liberada? Seu consumo entre atletas CAIU. Por quê? Porque a liberação era um sinal claro de que ela NÃO melhorava tanto o desempenho. Lembrem-se: o acadêmico que fala que jejum não deveria ser feito entre atletas ou que tenta determinar protocolos de consumo de cafeína NÃO tem “skin in the game”, atletas SIM.

Voltando à cafeína. Ela é um estimulante. Porém, nosso organismo cria tolerância a algo em função de 2 variáveis: frequência e intensidade. Vejamos o caso da pimenta. Caso você se sente à mesa com um baiano (ou um tailandês ou um mexicano) verá que terá enorme dificuldade de acompanhar o consumo deles de pimenta (ou outros condimentos). Isso porque eles consomem em enorme frequência e/ou intensidade esse alimento.

Com a cafeína não deixa de ser parecido. Há pessoas mais sensíveis (como o há, por exemplo, com o consumo de sal) e menos sensíveis. Um consumo regular de cafeína (seja na forma de café, refrigerante cola ou energético) atinge pessoas de forma individual e pode gerar uma sensibilidade diferente com o tempo (em função da frequência e intensidade, lembra?).

Mas o mais importante é: SIM, a cafeína pode gerar estímulos (positivos) na prática da atividade física, mas eles são de forma individual (de acordo com nossa tolerância ou sensibilidade). E o mais importante: estão longe de serem garantidos OU do tipo “mais é melhor”, se fosse, os atletas continuariam a usar independentemente do que dizem os acadêmicos sem “skin in the game”.

Se você consome uma xícara de café e vai correr e se sente bem, siga o jogo! Quer experimentar duas? Tente, experimente! Agora se você acha que 18 xícaras te fará mais veloz ou segue recomendação de acadêmico sem “skin in the game” achando que pode ser melhor que a prática, eu tenho uma má notícia a te dar…

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Danilo Balu
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