Arquivo mensal: fevereiro 2020

A Nutrição Esportiva é míope

Dos maiores males da sociedade é a busca por conforto. Modernidade, progresso e tecnologia tornaram tangível conforto entorpecente a preço módico. Era de se esperar que um dos males do corredor moderno fosse a busca por conforto. As perguntas mais recorrentes são sobre o que tomar durante e após treinos. Corredores querem nadar sem se molhar, correr sem se cansar.

Que os bons nutricionistas (vários!) me perdoem, mas buscar nutricionista esportivo é um fracasso em seu fim, só faz sentido a quem estiver acima do peso. Isso porque lhes faltam um entendimento BÁSICO, MÍNIMO, ELEMENTAR de treinamento. O papo é sempre o mesmo: pré treino, suplemento durante e pós-treino. Isso é um ATESTADO de que não compreenderam absolutamente NADA do esporte. Sabe por quê?

Porque a busca pelo conforto é CONTRAPRODUCENTE. Vai na CONTRAMÃO do esporte. À medida que treinamos mais, nosso condicionamento aumenta porque é ISTO que queremos. A meta NÃO é bem-estar ou conforto, mas desempenho, o fim maior. Porém, fadiga/cansaço/desconforto TAMBÉM aumenta nesses períodos de treino intenso. Digo mais: eles PRECISAM aumentar. No Esporte DESCONHECEMOS atletas que ganharam desempenho SEM desconforto.

Após um período de treino, de grande desconforto, você NÃO vê muito progresso, melhoria. E É ISTO que Nutricionistas não são capazes de enxergar porque não ENTENDEM do esporte! Sabe por que progresso não vem DURANTE o treino? Justamente porque só quando as cargas de treinamento são REDUZIDAS (polimento!) e a fadiga DESAPARECE que um melhor condicionamento aparece.

É ao REDUZIRMOS a fadiga (e não evitá-la!) que VIVENCIAMOS ganho de desempenho. É NESTE momento que estamos fisicamente melhor.

Como disse Steve Magnessestar desconfortável é um sinal de que estamos em uma condição pra crescer. Adaptação e desenvolvimento NÃO acontecem quando estamos em conforto, mas sim quando estamos ultrapassando nossos limites.

E o que quer um nutricionista com seus lanchinhos? Que evitemos um estado SINE QUA NON para ganho de desempenho. NÃO TEM COMO DAR CERTO!

Aos meus orientados sou sucinto: NÃO vá ao Nutricionista. A menos que você não queira melhorar. Ou a menos que esteja bem acima do peso.

O Sal não é um vilão… É um marcador!

Dias atrás postei aqui sobre não termos medo do SAL… Você pode salgar sua comida o quanto quiser, isso porque:

1. Você tem o sabor como medidor dizendo a hora de parar;
2. Porque um organismo saudável sabe lidar muito bem com seu excesso.

E sabemos que um corpo NÃO SABE lidar bem com sua restrição. É mais fácil matar alguém NÃO dando chance de ela ter sal do que salgando sua comida.

Em um dos comentários sobre meu post sobre sal apareceu mais um inteligentizinho querendo dar aula. Querendo que eu desse referências. Eu não dou! Não de graça!

O consumo de sal ao longo da história vem CAINDO e a incidência de hipertensão vem SUBINDO. O que você deduz? Que o sal NÃO pode “per se” causar hipertensão. O que dizem as diretrizes? Exatamente o OPOSTO. É ou não caso de internação?

O sal é um estabilizante para comidas processadas e ultraprocessadas. Ele é um MARCADOR de que o que você come NÃO é Comida de Verdade.

A imagem que vai acima é uma piada retirada do Twitter. Mas um comediante que não sabe diferenciar um abacate de um salame sabe o básico, que comida lixo leva um monte de LIXO e Sal.

E o que dizem médicos e nutricionistas? Que o problema não é comer um CD e uma camiseta, mas comer sal.

Não é pra internar?!?

A humanização de nossos cachorros.

Acredito que nosso maior desafio individual é como aprender a viver em escassez em um mundo de abundância. Quem é o vilão da humanidade? O açúcar? O óleo vegetal? Não acredito que seja exatamente isso. O que irá nos salvar? Meia hora de caminhada? Jejum de 12 horas?

Dieta Low-carb, dieta Paleolítica, Atividade Física regular e Jejum servem para mimetizar um ambiente que moldou nossos organismos por milhões de anos. O que a ortodoxia da Saúde não consegue compreender é que suas diretrizes serão SEMPRE ineficientes se não enfrentarmos DE FRENTE o conforto! E o que eles nos pedem? Que nos entupamos de amido e comamos a cada 3 horas. É um delírio coletivo de especialistas. São os “intelectuais, porém idiotas”, abundantes como professores nas faculdades de Saúde. Não entendem as causas, nos dão soluções esdrúxulas, contraproducentes.

Dia desses saía na rua e vi um casal trazendo consigo 2 bulldogues franceses, a raça da moda. Ambos carregavam seus animais no colo! Uma visita à qualquer loja de animais (as pet shops) e você se vê apresentado a rações veganas, biscoitos com farinha, panetones e bolos para cães. As pessoas se recusam a dar carne (mais barata que qualquer desses lanchinhos!) a um animal que, dada a opção, é carnívoro!

Nossos cães NUNCA estiveram tão obesos porque passamos a alimentá-los com as mesmas coisas que nos engordou (o amido da ração e o açúcar que vai nos aperitivos). Carregamos eles no colo achando que ajudamos, mas que os adoece, assim como as diretrizes nutricionais.

Quando escrevi o livro O Veterinário Clandestino caí em um mundo que literalmente me assombrou. Me incomodava. Os donos (ou tutores) agora humanizam seus cães. O resultado? Obesos e doentes. Quando falo que dou carne sem picotar as pessoas se espantam! Sugerir carne dessa maneira no livro é um dos modos que encontrei para mimetizar a realidade canina e promover saúde. Quando você o carrega e coloca sapatinhos você gera conforto, o adoece. E ninguém faz isso melhor do que nós e nossas diretrizes oficiais!

É assim com humanos, é assim com os cães!

*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Veterinário Clandestino! Se preferir a versão impressa, compre aqui!

Sobre Dieta Low-carb em corredor amador

*texto originalmente publicado no Blog Recorrido.
É MUITO comum corredores me perguntarem: se a elite não faz low-carb por que um amador deveria fazer?
Ou ainda, dessa vez é a leitura míope de nutricionistas: a elite, para correr rápido, consome muito carboidrato, então você amador também deveria consumir.
Ambos raciocínios estão errados, ainda que façam algum sentido (do amador se perdoa o equívoco, de nutricionistas não! Mas como não sabem nada de esporte, é de certa forma compreensível). Cada esporte deveria ser visto em função de suas demandas que nem sempre são aquilo que nos aparece em um olhar mais apressado.
As pessoas acham que os jogadores de basquete são altos. São mais do que altos! Eles têm é uma ENVERGADURA enorme. O corredor de longa distância, quanto mais longa a especialidade, MENOR deve ser seu peso.
Não temos que olhar o esporte SOMENTE pelo que fazem a elite porque isso por si só NÃO explica serem fora da curva.
É legal ver que o baixinho gosta de jogar de basquete ou o cara lento insiste em correr provas de 800m. O filme da Disney e de Hollywood gostam de dizer que “tudo é possível“. Você até PODE escolher o seu esporte, mas é o ESPORTE quem escolhe quem fará sucesso nele. E na corrida ele escolhe pessoas rápidas E leves! Isso por uma questão mecânica!
E a elite do atletismo, igual o defensor da NBA tem envergadura MAIOR que a altura, acaba tendo enorme tolerância ao carboidrato. Tolerância essa que permita que ele se ENTUPA de carboidrato sem efeitos adversos (ganho de peso, hipertensão, resistência à insulina). Desses efeitos o peso é o que MAIS nos interessa (amadores). E sabemos que uma dieta de baixo carboidrato é a de mais fácil manutenção de um baixo peso.
SIM, uma dieta rica em carboidrato na elite permite maior POTÊNCIA aeróbia, capacidade determinante em provas de 5km e 10km. Então nada melhor do que eles comerem muito já que são tolerantes.
O amador não! Come muito, tem poucos benefícios com a potência aeróbia em provas de 10km em diante, engorda, fica lento… Ficou mais claro?
É sempre MUITO pertinente olhar o que faz a elite. Mas SEMPRE que o fizer saiba que aquilo ali não explica tudo afinal eles foram ESCOLHIDOS pelo esporte deles. Você não. Com você as regras podem ser diferentes.