Arquivo mensal: setembro 2019

O que come seu gato??

Eventualmente recebo mensagens perguntando se os conceitos tratados em meu livro O Veterinário Clandestino, que trata sobre causas e possíveis soluções para a obesidade canina, servem também para gatos. Apesar do conteúdo não perder significado quando trocamos a palavra “cachorro” por “gato” em uns 70% do livro, temos que considerar que cães e gatos são animais MUITO distintos. Cães são onívoros com predileção carnívora, enquanto gatos são estritamente carnívoros.

A ideia de que um gato é vegano carrega o mesmo conceito se dissermos que meu tatataravô era escravo no canavial. Nenhum dos dois o fez por opção. O senhor dos escravos e a lei da época fizeram de meu tatataravô escravo, a ideologia e a insensatez do(a) dono(a) do gato o fez vegano.

Vira e mexe recebo comentários de que eu devia deixar a dieta de cães e gatos com veterinários, como se esses estudassem o tema em sua formação (acreditem, não estudam!). Eu tenho skin in the game. Eu e a Maíra que mandamos na dieta de nossos cães e gatos.

O motivo discuto em meu livro: há ENORME assimetria de interesses quando o assunto é ração. As empresas querem vender o produto ao DONO, a saúde do animal fica em 4o ou 5o plano, afinal, uma das maiores estratégias é fazer o gato e cachorro comerem MAIS, não melhor!

E AQUI ENTRA CREME PUFF

Creme Puff é a gata mais longeva que se tem notícia. Ela viveu por 38 anos, bem mais do que o dobro da média dos gatos domésticos. O mais lógico seria estudar o que ela comia. E quando mergulhamos nos seus hábitos temos que seu dono Jake Perry tinha ainda outro gato um tanto longevo, Grandpa. Este viveu por incríveis 34 anos. Bom, você poderia dizer que temos que ser cautelosos, pois o segredo poderia estar nos genes dessa família de gatos. Aqui a surpresa: os gatos NÃO eram da mesma “família”.

E o que Perry dava aos gatos? Bacon, ovos (de peru), aspargos, brócolis e café com creme de leite. Explique isso a um veterinário! Ele dirá que está errado. Que certo é darmos ração, que tem grãos, um alimento não-natural à espécie, MUITO mais carboidrato e 4 vezes mais ferro que o adequado, deixando gatos obesos e insuficientes renais.

Esse assunto de alimentação animal sempre me parece esquizofrênico. É REGRA no mercado os ~especialistas~ dizendo que o certo não é você dar alimento natural à espécie, mas uma massaroca ultra-processada. A coisa é tão surreal que um estudo (TOWNSEND et al, 2019, The Condor) ofereceu cheeseburguer a corvos. Até aí ok, mas a conclusão é SURREAL ao sugerir que pode haver benefícios com a consequente elevação dos níveis de colesterol.

Se há dificuldade de se entender que cheeseburguer não é comida para corvo, quanto tempo acha até que entendam que ração não é o ideal a um gato? Pois é…

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Por que não consumo Xilitol

Nem Eritritol, nem Maltitol.

Em casa temos apenas um adoçante: stevia. Tento usar o mínimo possível. Acho sucralose o de melhor sabor dentre todos, mas como acredito que acessibilidade é uma questão CRUCIAL a uma boa dieta, justamente POR ISSO não o tenho em casa.

Qual o problema da sucralose? Há apenas UM problema na sucralose: nós não sabemos seus efeitos. Há 30 anos fazemos uso mais massificado deste adoçante sem encontrar problemas graves em seu consumo. Você pode munido de evidências razoáveis argumentar que ele agride a flora intestinal e que pode ter impacto negativo no controle de peso e mesmo na saúde. Nada muito além disso.

Câncer? Mortes? Eu jamais iria tão longe, nem com ele nem com outros adoçantes que parecem menos seguros, como o aspartame ou a sacarina.

Num cenário assim, de temor e incertezas sobre a segurança dos atuais adoçantes comercializados, o xilitol, que é um poliálcool, ganha popularidade. Sabor doce, de comércio liberado e baixas calorias ele parece bom demais para ser verdade. E é aí que mora o perigo…

TODA AÇÃO GERA REAÇÃO

Um dos meus melhores professores na faculdades de Nutrição em sua primeira aula na disciplina Biologia I me abriu os olhos a um conceito básico dos adoçantes. Ele nos disse o que já sabíamos décadas atrás e que seguimos (sem) saber: as consequências de seu consumo. Por literalmente milhões de anos ensinamos nosso organismo que após o consumo de algo doce, haveria energia disponível. E de repente, do dia pra noite, podemos ingerir litros e quilos de alimentos doces sem NADA de energia. O corpo entra em pane. Ele NUNCA teve que lidar com isso. Ele vai reagir. Como? Não sabemos. Ninguém sabe! Ainda não houve sequer UMA geração que o consumiu do nascimento até a 3a idade.

“NÃO HÁ ALMOÇO GRÁTIS”

Atualmente proliferam receitas e recomendações para usarmos o xilitol. O que recomenda a prudência? FUJA. Com quais argumentos? A Nutrição tem um histórico MISERAVELMENTE incompetente ao tentar nos oferecer alternativas “melhores”. Ela pediu que trocássemos gordura saturada por óleos vegetais. Errou. Que trocássemos manteiga por margarina. Que substituíssemos o jejum por refeições frequentes. Errou. Leite e laticínios integrais pelos desnatados. Errou.

Parece não ter havido UMA VEZ sequer na HISTÓRIA um acerto das diretrizes nutricionais em suas alternativas sugeridas!

Sucralose PARECE ter um custo relativamente baixo à saúde. Porém, quando sinalizamos de que há uma alternativa segura ao açúcar (xilitol) isso é a promessa de almoço grátis, de que você vai ter o sabor doce sem o preço dele. Essa é a ingenuidade dos especialistas ao adotar um hábito como seguro por causa de suas consequências opacas no atual momento.

Por fim, tenho duas cachorras. Cães parecem trituradores, comem o que acham… lixo, fraldas, grama, terra… mas xilitol? Elas NÃO podem comer. Pode ser FATAL em cães! Semanas atrás, na última vez que compramos xilitol, ao cair na mesa percebemos que as formigas desviavam dele. Aquilo me deu medo. De lá pra cá NUNCA mais.

Devemos regular nossa exposição ao sabor doce. Fim de papo. Não há alternativa segura. Aceite pagar o preço ao aplacar esse desejo. Quando quero doce, vou no açúcar. Tento o mínimo possível. Você deveria fazer o mesmo. Entre ele, adoçantes e xilitol, NADA parece ser mais seguro que o velho, engordativo e viciante pó branco. Ao menos dele sabemos o preço que nos cobra.

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