Arquivo mensal: junho 2019

Quem vigia a Nutrição?

Quis custodiet ipsos custodes?

OU…

Quem vigia a Nutrição?

Tem uma cena em “Batman vs Superman” (sim, adoro frases de filmes de super-heróis) em que debatem a necessidade de supervisionarem o homem de aço, afinal, e se ele decidir exterminar a humanidade? Um dos motes do Batman no filme é justamente impedir alguém tão poderoso de decidir-se por si só.

Falo isso porque semanas atrás foi amplamente compartilhado um estudo que saiu no ECO 2019 (European Congress on Obesity). Do que falava ele? Que de 9 conselhos dados por influenciadores digitais 7 estariam errados.

Mas… QUEM VIGIA O VIGILANTE?

A internet é lugar de tudo. Desde maravilhas úteis da informação gratuita com qualidade até de “Terra-Planismo” ou tutorial de como se fazer bomba caseira. Mais do que isso ela mudou o modo como a sociedade se relaciona, ela mudou o fluxo de informações.

Uma das observações MUITO felizes de Nassim Taleb sobre redes sociais é que ela trouxe de volta a conversa bidirecional, enfraquecendo a forma “unidirecional” da imprensa, por exemplo. Por isso o jornalista atual sofre tanto… ele não estava acostumado a ser questionado. Ele achava que estava certo e hoje vemos como erram (intencionalmente e por MUITAS vezes por incompetência) em uma frequência estupenda.

Com outras classes não é nada diferente. O livre acesso à informação técnica na área de saúde (seja médica, nutrição ou de treinamento físico, por exemplo) em redes sociais é um dos únicos lugares de nosso contraponto à narrativa ou aos conselhos e diretrizes oficiais.

E informação boa e gratuita gera medo justamente de quem cobra ($) por informação! Não à toa vivem a tentar descreditar quem não assina a cartilha ou quem não paga pedágio aos conselhos e associações (CRN, CREF, ABESO, etc…).

Veja bem, entrei no Medscape para ver quais seriam essas recomendações erradas. Aliás, Quem julga o que é errado??

Bom, vamos a alguns dos “erros” que encontrei no resumo do tal estudo.

ERRO #1
Não havia NENHUMA relação com informação. O problema era que os influenciadores não eram associados da Association for Nutrition. Nessa caça a “blogueiros” de nutrição não há NENHUMA preocupação genuína com saúde de terceiros, apenas preocupação com monopólio de quem pode falar sobre o assunto… sobre quem pode ganhar dinheiro com isso. É a única preocupação.

ERRO #2
As receitas dos perfis não atendiam às diretrizes de macronutriente (gordura, proteína e carboidrato). Ou seja, a diretriz britânica que engordou aquela população nas últimas décadas é o certo. O que fazíamos antes da era da Globesidade e éramos magros e saudáveis é errado.

ERRO #3
As dietas sugeridas extrapolariam as calorias recomendadas. O ano é 2019, mas a Association for Nutrition AINDA acha que obesidade é uma questão calórica não fisiológica!

ERRO #4
Era um erro se o perfil NÃO sugerisse contar calorias.

Lembre-se sempre de duas coisas… uma delas não tem caráter opinativo, é puramente conceitual. Nenhum profissional tem licença para dizer às pessoas (e a você) a quem elas podem ou não buscar conselhos técnicos. Eu procuro quem EU quiser. De TODOS os bons livros que li sobre Nutrição apenas UM foi escrito por nutricionista (Obesity, HARCOMBE) e ela NÃO pode atuar fora do Reino Unido. Entende meu ponto?

O segundo ponto é: nas diretrizes da Nutrição que dizem respeito à emagrecimento e dieta saudável você tem a certeza que encontrará as orientações erradas (eles erram com sucesso há 50 anos). Já o mundo sem regra da internet ao menos te dá opção de quem sabe achar alguém que acerte.
 

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O mito do “carne demais pra um cão”…

Veja o que um leitor me mandou. Continuo na sequência:

“Minha cachorrinha de 12 anos foi diagnosticada com diabetes. A Veterinária me indicou uma ração caríssima (R$45/kg). Pois bem, o principal componente da ração, é cevada (73g de carboidratos a cada 100g). Questionei a grande quantidade de carboidratos (faço low-carb há 2 anos, perdi muitos quilos) se não afetaria na sua glicemia.

Ela respondeu que a ração é de “baixo IG”, balanceada, blablablá… e que o tratamento somente pode ser feito usando essa ração. Sugeri usar uma dieta low-carb, porém ela refutou na hora dizendo que o excesso de proteína iria acabar com os rins e com o fígado dela.

Fiz 5 medições de glicose (a pedido da veterinária), a alimentação dela já começou com a tal ração… como esperado, o glicemia dela subiu muito após as refeições…”

Voltei. Sei que corro o risco de soar repetitivo, mas as diretrizes nutricionais, seja em cães, seja em humanos, VIVEM de negar a realidade. Ao cão, um animal que na oferta da carne opta por ser carnívoro e que, quando é intolerante ao carboidrato (essa é a definição para diabetes), a ele recomendam que coma muito… carboidrato.

Faz sentido? Não, lógico que não! Isso é delírio de toda uma categoria que não precisa estudar nutrição na faculdade para cuidar de nossos animais.

Dizer que a proteína da carne irá “acabar com os rins e com o fígado” desse animal, é como achar que um coelho não pode comer muito mato. O rim e fígado desses animais são feitos para trabalhar com essas demandas. Ou então é como sugerir que fazer atividade física faz mal porque irá “acabar” com nosso coração. É um pensamento burro, raso.

Vamos aos fatos, ao que há de evidência sobre carne fazer mal aos órgãos dos cães?

Quando olhamos estudos controlados temos que não há efeitos deletérios aos rins como consequência de uma dieta rica em proteínas em cães saudáveis.

Este trata-se de um temor infundado e falso que faz muitos pensarem que a alta ingestão de proteína pode afetar a saúde renal. Não estamos aqui negando que uma maior ingestão proteica poder ser questionada em cachorros com problemas renais pré-existentes, forçando estes a realmentereduzir sua ingestão proteica pela sua dificuldade em excretar diversas substâncias.

Para explicar esta questão de a dieta em animais com patologias específicas determinar a segurança ou não de algo em um animal saudável, gosto de usar uma analogia. Quando você tem uma perna quebrada, você não deveria sair fazendo caminhada pelo parque, mas isso nem de longe significa que sair para andar no parque resulte em uma perna quebrada. Ou seja, é um enorme engano supor que um cão que tenha rins saudáveis irá adquirir problemas porque o organismo de um animal com insuficiência renal não pode lidar perfeitamente com a excreção de proteínas.

Há aqui outra questão de ordem semântica. Uma dieta que seria hiperproteica em um animal herbívoro, por exemplo, pode não ser a um animal carnívoro como um lobo, que tem demandas proporcionais muito maiores para esse macronutriente. Oferecer uma dieta hiperproteica, ou seja, com “grande quantidade de proteína” como determina a definição do dicionário, a um animal como um cão não pode ser considerado nocivo à priori quando esta é a norma na natureza.

Um temor inicial de estresse renal de um criador que desconhece a fundo estudos na área de dietas é até compreensível. Porém, um veterinário profissional sugerir ou insistir com essa argumentação diante de tantas evidências, é sinal de ignorância ou vontade e desejo pessoal de ignorar tais evidências.

Primeiro temos que ter sempre em mente que cães parecem não ter um limite superior de consumo de proteína e carnes que trariam prejuízos à sua saúde ou integridade renal, um mito que sobrevive entre nós humanos e que é sempre levantado quando alguém sugere oferecer carne a um cachorro. Estudos já foram feitos tentando derrubar essa ideia.

Cães estão mais do que aptos a lidarem com enormes quantidades diárias de carne sem prejuízo à sua saúde. Um estudo, por exemplo, não encontrou correlação entre consumo proteico e comprometimento na saúde renal. Os cães tiveram 75% da massa dos rins retirada e foram alimentados com mais de 55% de suas calorias advindas das proteínas e ainda assim após quatro anos nada foi observado.

Os resultados de mais de 10 estudos experimentais com cães não encontraram evidências dos benefícios da redução de ingestão proteica nesses animais em diminuir também problemas renais.

Como dito, esta é uma preocupação recorrente seja em humanos ou em animais. Porém, ainda em 2005 um estudo concluía que uma dieta rica em proteínas (hiperproteica) não contribui com a falência renal. Por isso este é um temor que você não deveria ter.

Se diante evidências seu veterinário insiste nisso, você sabe o que eu penso…
 

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É sobre OFERTA, senhores…

Nada, absolutamente NADA na Nutrição deveria ser avaliado que não fosse à luz da oferta, da disponibilidade de seu consumo.

Mel é saudável? Já vi gente MUITO boa dizer que não. O que não falta é MUITO especialista dizer que é saudável. Então pergunto: ÁGUA é saudável?

Morrem mais corredores por excesso do que por FALTA de água. Exercício e Jejum são estresses. O que define se Água, Exercício, Mel ou Jejum são “bons”, fazem bem, é a magnitude e frequência deles.

Eu comprei côco pra comer, uma fruta de baixo açúcar. Dias antes disso uma pessoa insistia comigo que água de côco é “permitida” na dieta paleolítica (não é) argumentando que é um alimento pré Revolução Agrícola. Será?!

Veja o qto havia de água no meu coco. É a modernidade que faz o homem beber 1L dessa bebida sem comer uma lasca da fruta.

Quer beber água de côco na Paleo? Pode, beba seus 100ml, mas coma a fruta toda antes de poder beber mais.

Nosso corpo foi moldado com proporções e ofertas MUITO distintas dos dias atuais. É simulando isso que se acaba com os males modernos (Obesidade, Hipertensão e Diabetes).

“Equilíbrio” existe apenas na cabeça de especialistas que não entenderam que é o desequilíbrio que deveríamos buscar… 

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O que Dostoievsky nos ensina sobre Nutrição…

CARBOIDRATO É NÃO-ESSENCIAL. Ou ainda:

“ACIMA DE TUDO, NÃO NEGUE A REALIDADE”

Tenho um grandessíssimo amigo que sempre usa uma frase de Dostoevsky (em “Irmãos Karamazov“): “Acima de tudo, não minta para si mesmo”.

Não negar a realidade tem sido o meu motto este ano. Soubemos agora que a poderosa ADA (Associação Americana de Diabetes), que sempre pareceu mais lutar em prol da doença que dos doentes, que sempre gostou mais do dinheiro que do diabético, FINALMENTE reconheceu que nosso corpo NÃO tem uma necessidade mínima deste macronutriente.

Um dos capítulos de meu livro “O Nutricionista Clandestino” é JUSTAMENTE sobra a NÃO-essencialidade do carboidrato. O que isto quer dizer? Que este é um nutriente que TOLERAMOS, que NÃO HÁ necessidade mínima diária de consumo dele. Que na ausência dele a saúde PODE ser mantida SEM prejuízos.

O que faz a Nutrição tradicional? Nega a realidade. Ela usa um nutriente NÃO-essencial, DISPENSÁVEL à “manutenção” da saúde, como BASE de nossa alimentação. Isso é delírio coletivo. Isso é alucinação de toda uma categoria que se julga especialista.

O mais perturbador disso tudo é que esta é uma informação que sabemos em um estudo clássico de 1967 e que TODAS as entidades, sociedades e associações de saúde decidiram TODAS ignorar. Sabe por quê?

Porque para negar a realidade elas decidiram, “acima de tudo”, mentir para elas mesmas.

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