Arquivo mensal: março 2019

O AÇÚCAR nos faz agir como crackeiros.

Tempo atrás escrevi sobre um povo que vive na região do deserto de Kalahari, ao sul da África. Nele falei sobre como a escassez e a abundância moldaram e moldam nossa saúde ao longo de toda a evolução.

Sigo estudando esse povo e assim cheguei ao modo interessante como eles buscavam por mel. Até hoje eles não dominam o refino do açúcar. O ser humano tem uma atração e um prazer tão grande pelo sabor doce que isso nos faz capaz de ficarmos viciados pelo açúcar.

Sempre que vejo nutricionista dizendo para optarmos pelo açúcar mascavo eu enxergo um pneumologista dizendo para que a população opte pelo Marlboro Light, um cigarro mais saudável. Ou então que fume charuto cubano, um cigarro mais “natural”.

Não existe tal coisa!

Tempo atrás, quando escrevi sobre o vício que o açúcar proporciona, um nutricionista disse em tom bravo que açúcar não vicia. Ele mesmo, que estava com enorme sobrepeso, consumia apenas porque “ele queria”, que ele “poderia parar quando bem entendesse”, num típico argumento de viciado que não reconheceu ainda a doença.

E assim voltamos à tribo de Kalahari…

Não havendo docerias, ao avistarem uma abelha, o indivíduo esperava o trabalho da operária e SEGUIA o inseto o quanto fosse preciso até encontrar a colmeia! É ou não coisa de crackeiro?! E se ele a perdesse de vista ele voltava ao lugar, não importasse onde, para buscar mais pistas.

Essa tribo, que desconhece a obesidade e o câncer, não pratica a agricultura, ou seja, vive de caça e coleta. Ao contrário do que pregam alguns profissionais low-carbers mais radicais, eles consomem inclusive tubérculos, alimentos de alto amido (glicose) e baixos nutrientes. Porém, eles vivem muito é do resultado de sua caça.

E assim voltamos ao texto original: é sobre escassez e sobre não-linearidade!
Não há linearidade na dieta daquele povo, seja de calorias (aqui entra o jejum forçado), seja de alimentos vegetais (dependendo do acaso de encontrar ou não raízes), seja de alimentos de origem animal (ter sucesso ou não de caça).

E diferentemente de um brasileiro típico, por exemplo, uma tribo economicamente miserável varia mais seu cardápio do que nós que comemos apenas partes “nobres” (e nutricionalmente mais pobres) de 3 animais, enquanto eles os comem por inteiro, inclusive miúdos (as partes mais ricas), dos quais numa inversão ilógica e irracional fugimos.

SIM, o açúcar vicia. Mas mais do que isso: ele PRECISA ser muito restrito.

Dieta é sobre DESEQUILÍBRIO! Almejar por “equilíbrio”, seja de nutrientes (“recomendações nutricionais”, as DRIs) ou de qualquer alimento (ex: uma fruta ao dia) vai CONTRA o mais essencialnão foi assim que nos desenvolvemos como espécie.

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Obesidade e aposentadoria no Esporte.

Tempo atrás eu criticava o uso de esteiras no treinamento de corredores. Aí alguém disse que então eu precisava avisar a NFL, em uma clara alusão de que se os americanos fazem, só podem estar corretos e eu errado. A NFL é uma empresa fenomenal, mas quem entende MESMO de velocidade é o atletismo e seus velocistas, não a NFL. E você não tem velocistas americanos e jamaicanos treinando em esteira, então errado está a NFL. Eu só apontei o óbvio.

A NFL ainda faz vista grossa ao doping e ao número de concussões, ou seja, basta ligarmos os dois pontos… ela é uma empresa, os atletas são apenas um caminho. Tenha skin in the game sempre!

Estou falando isso porque li ontem uma matéria sobre a obesidade entre jogadores aposentados. Chegamos à Lua, mas ainda temos a ideia do balanço calórico como diretriz “oficial” no emagrecimento. Quando você vê um ex-atleta ficar obeso é MUITO tentador achar que é essa a culpa: comer demais, gastar de menos.

Um dia volto ao tema para explicar do motivo de isso ser pensamento por aproximação. O que quero é chamar a atenção a algo mais agonizante, desesperador.

A parte mais dura frustrante e angustiante da minha rotina é ver gente (bem) acima do peso se dedicando, se esforçando, treinando arduamente porque acredita que o exercício é ferramenta essencial ao emagrecimento. NÃO É.

  1. Se você precisa treinar (ou fazer jejum) para manter o peso ou emagrecer é porque sua dieta é RUIM.
  2. Você deveria fazer atividade física por mil motivos, emagrecer NÃO é um deles!

No texto do New York Times estão as orientações de sempre aos ex-atletas. Entre elas algumas interessantes como a de abandonar o sedentarismo, consumir menos pães e açúcar, e comer menos vezes. Uma das estratégias para ganhar peso na fase profissional, aliás, era a de comer MAIS vezes ao dia, a MESMA estratégia sugerida na Nutrição para quem quer PERDER peso. Faz sentido?!

Óbvio que não! Entre a NFL e uma diretriz nutricional, eu fico SEMPRE com a NFL (skin in the game). Se a NFL diz que comer mais vezes engorda, eu acredito NELA, não nos meus ex-professores que NUNCA treinaram NINGUÉM porque a NFL depende de atletas mais pesados, uma vantagem competitiva. É a ideia de ter a pele em jogo!

Porém, entre as orientações para atletas aposentados perderem peso está o consumir menos carboidrato trocando por… aveia, um alimento que digo aos meus clientes ser “o açúcar não doce”. Eles ainda são orientados a tomar smoothies (um modo caro de vender algo ruim, o suco) e shakes proteicos, um alimento que fornece calorias e nada de saciedade.

Mais angustiante é ver atletas de mais de 150kg tendo que nadar e fazer elíptico por 1h00 por sessão. Você acha que eles emagrecem? Lógico que não! É só ir na largada das corridas… correr NÃO torna as pessoas magras. Os atletas nem sequer, como eles mesmo relatam no artigo, têm forças para irem treinar!

Isso porque é JUSTAMENTE quando temos uma grande fonte de energia endógena (gordura corporal) nosso cérebro avisa ao corpo de que não precisamos mais ser ativos para encontrar comida. Já disse antes aqui: é um ENORME erro interpretativo esperar que uma pessoa com sobrepeso seja MAIS ativa, mais disposta.

Esse indivíduo tem tamanho estoque energético endógeno que o corpo cronicamente pede, implora por sedentarismo, preguiça. E quando você oferece alimentos LIXOS como aveia, grãos, smoothies, você mantém alto os níveis de insulina, impedindo fisiologicamente o corpo de acionar os estoques de gordura corporal.

Não é que o sedentarismo leve ao sobrepeso, como a NFL e a nutrição pensam. É o sobrepeso desses caras que leva à preguiça e ao sedentarismo! Enquanto não entendermos isso, esses caras continuarão a agonizar com 200kg. Eles morrerão tentando em vão por culpa desses “especialistas”.

É desesperador! 

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Leite, Leite de Caixinha, Leite em Pó…

Tempo atrás o leite estava no meio do debate político nacional por mudanças nas regras federais de tributação do leite importado. Deixemos economia de lado. Para mim, o mais chocante é ver como conseguimos deixar que leite em pó e leite em caixinha sejam tratados como… LEITE.

Leite em PÓ (Ninho) é tão leite quanto Tang ou Clight são sucos.
Leite de CAIXINHA é tão leite quanto uma salsicha é picanha.

São dois alimentos “mortos” que não podem estar na mesma categoria que os leite integrais, daqueles que devem ficar na geladeira no mercado. Ou seja, eles se parecem, mas são coisas COMPLETAMENTE distintas do ponto de vista nutricional.

Deveríamos consumir LEITE (e derivados)?

“O ser humano é o único animal que continua a consumir leite depois de adulto.”

Já vi acadêmico que até parece inteligente dizendo que esse argumento é inválido porque usamos celulares, andamos de carro e encaixotamos o leite a ser consumido. Porém, o fato de conseguir fazer/produzir algo NÃO torna essa ação apropriada à nossa saúde como espécie.

Isso porque a realidade é SOBERANA. E é ELA quem determina que nosso organismo como espécie é resultado de como ele foi criado e moldado ao longo de dezenas de milhares de anos, não de como ele é atualmente tratado (com litros de leite de caixinha, o Tang do bem).

Quando olhamos historicamente temos que cada vez mais consumimos leite (pior… o do tipo desnatado!) e queijos. E essa estatística é recente, coisa de meio século!

Os primeiros vestígios de consumo de leite datam de por volta de 6.000 anos atrás. Esse período é irrisório quando falamos de evolução ou mudança de uma espécie. Jogando para prazos mais realistas, basta apelarmos à memória para saber que:

  1. Nossos avós NÃO tinham geladeira, então ESQUEÇA a ideia de consumo de leite a qualquer momento naqueles tempos:
  2. A menos que a pessoa vivesse no campo, produzindo seu leite, iogurte e queijo, é MUITO provável que economicamente ela não tivesse nem de longe um consumo que mesmo as classes mais baixas hoje fazem.
  3. O leite morto de caixinha é invenção de meio século.

Apenas quando o Plano Real foi criado (1994) é que se “democratizou” no Brasil o consumo de iogurte, por exemplo. SIM, o consumo de laticínios não é recente, mas seu consumo elevado é coisa MUITO nova.

O QUE TIRAR DESSA LÓGICA?

Não é o bolso (preço), a disponibilidade ou o sabor de um alimento que deveriam determinar nosso consumo, mas a história desse consumo por milhares de anos pela nossa espécie. Por quê?

Porque como o tempo é a variável mais robusta de segurança alimentar, nós não sabemos ainda os efeitos do leite (e de todos os seus derivados) largamente consumidos.

LEITE? Consumo quase nada. Se o fizer, opte pelo tipo Fazenda (integral).
QUEIJO? O preço me/nos ajuda a manter seu consumo baixo.
CREME DE LEITE? É meu calcanhar de Aquiles. Tomaria banho com ele se pudesse.
NATA? Baixa vida útil e duro achar em SP (ufa!), baixo acesso.
MANTEIGA? Como não como pão, então uso pouco.
REQUEIJÃO? É a salsicha dos laticínios. Não é alimento, é substância comestível. Administre com cuidado as doses.

Minha recomendação para laticínios? Consumo baixo, bem baixo. O alimento mais anabólico que existe não deveria nem poderia ser consumido livremente por adultos.

p.s.: “Ah, mas e o Cálcio…?” Não deveria vir do leite… se sua dieta tem no leite a principal fonte de cálcio, sua dieta é MUITO ruim, simples assim.
 
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Danilo Balu
autor

Covas, “Leave the kids alone”!

Soubemos que Bruno Covas, o atual prefeito de SP (vice de João Dória, que assumiu o cargo de governador em janeiro) fez uma parceria com a apresentadora Bela Gil e a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Intuito? Instituir uma dieta vegetariana para as crianças das escolas municipais da cidade.

Foi mais do que um golpe baixo, porque foi sem debate prévio com pais, família e sociedade. Mas irresponsável porque retira de crianças ainda que uma ou outra vez na semana acesso a alimentos de origem animal.

O argumento é pueril, apelaram à sustentabilidade. Uma vez que o critério que norteia a dieta é sustentabilidade, e não a qualidade, podemos num próximo momento mudar o cardápio em função do preço. Aliás, deixar as crianças em casa, sem escolas, é mais sustentável, porque elas não precisam se locomover! Brilhante, não?

Mas o prefeito achou prudente fazer uma parceria com uma entidade que tem bem clara uma agenda. Será que em 2020 ele fará outras com pecuaristas, outra com a indústria do açúcar, depois com a de brinquedos eletrônicos… será?

Mais: eu gostaria de ver o Bruno Covas daqui até o final do seu mandato viver em dieta vegetariana! É fácil pedir que os DEMAIS comam bife de abobrinha enquanto ele, com salário de R$18.000, pode comer o que e quando bem quiser. Parte dos alunos das escolas encontram na merenda um valor biológico que suas famílias não podem arcar ($), mas o prefeito prefere retirar também isso deles. No fundo, a jogada traz economia ao município. Ele não citou essa consequência porque sabe que não cairia bem.

A pessoa pode ser vegetariana se quiser! Empurrar isso às crianças, ou às crianças dos outros é golpe baixo! É sujo! Típico de político sem “skin in the game”!

*E só não me venham dizer que a dieta é mais saudável! Carne não é veneno! NUNCA vai ser uma opção saudável optar pela proteína de SOJA em detrimento de um alimento que esteve SEMPRE presente na dieta de crianças!

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