Arquivo mensal: fevereiro 2019

O DESASTRADO parecer técnico sobre Jejum

Como já disse alguém: a Nutrição é uma zona livre de evidências! Como já disse outro alguém… “dica de nutrição: fuja do nutricionista”. Mesmo conhecendo MUITO nutricionista bom e MUITO médico bom trabalhando nessa área, sigo afirmando: fuja! O melhor da Nutrição ou está FORA dela ou está em profissionais que têm que NEGAR o que aprenderam (é o caso desses MUITO BONS profissionais que conheço que aplicam o OPOSTO do que é a ortodoxia). Bisonho.
 
Fomos brindados com um parecer técnico de mais uma dessa entidades. Pouca gente dá importância ao que diz a Asbran, a Associação Brasileira de Nutrição. Você não está perdendo nada não sabendo quem são. Mas acaba sendo útil porque se eles pouco agregam, ao menos podemos ver como pensam, como enxergam sua especialidade.
 
Resolveram dessa vez falar com algo do qual, mesmo se intitulando especialistas, demonstram não ter o MENOR conhecimento, no caso, Jejum Intermitente.
 
Há tantas colocações ilógicas que me pergunto como fazer com que todos dessem seu aval para assinar. Deve ter havido tortura! Alô você da diretoria da Asbran, faça um gesto com a cabeça se estiver sob ameaça!
 
Dizer que “os protocolos sugeridos de jejum podem favorecer comportamentos de compulsão alimentar” é mais ou menos como dizer que pedir que um fumante deixe de fumar causa distúrbio. Bom, não vai ter jeito… vamos ter que deixá-lo fumar!
 
O texto é por si só ASSUSTADOR! A entidade associa obesidade ao sedentarismo… imagine quando descobrirem que foi apenas na década de 70 que Jane Fonda fez sucesso com a onda fitness e que a Maratona de NY é da mesma época! Dão a entender ainda que uma abordagem de restrição calórica é a abordagem padrão. SIM! O homem chegará em Marte e AINDA dirão que é o déficit calórico a causa primária do sobrepeso/obesidade!
 
Como disse, o texto é ASSUSTADOR! Há toda uma junta de profissionais INCAPAZES de não só entender, mas como seguidamente NEGAM a realidade! A entidade afirma não haver “subsídios científicos suficientes para que não seja seguido um padrão alimentar baseado em alimentação diária, com refeições fracionadas em 5 ou 6 porções ao longo do dia”. COMO É QUE É?!? Eles AINDA estão nessa ideia de comer de 3 em 3 horas?!?
 
Não é que os defensores do jejum que têm que dizer que ele é melhor. Ele SEMPRE existiu (pela falta de oferta alimentar) e SEMPRE foi praticado. É a ASBRAN que tem que explicar que 5-6 refeições ao dia é que o ideal, que é melhor, que não é inferior! E foi JUSTAMENTE quando essa prática passou a ser adotada, quando os EUA passaram de 3 para 5 refeições ao dia, que a obesidade EXPLODIU naquele país!
 
Quando a entidade fala em “amostra reduzida” e “segurança dessa prática em seres humanos” eu falo duas coisas:
 
1. O jejum é praticado com segurança por BILHÕES de pessoas por MILHARES de anos.
 
2. O tempo é a variável mais robusta de análise de segurança.
 
A Asbran, que tem meio século de história, está dando seu parecer de que algumas das obras e práticas mais longevas da humanidade estão equivocadas e são perigosas. Que certo estão eles. Que precisamos é perguntar (e pagar $$$, lógico) a eles o que fazer.
 
Como eu disse, ninguém liga para o que a Asbran diz, mas muitos de lá são professores universitários e irão replicar essas sandices aos alunos. O talento da Nutrição em fazer TUDO errado tem passado glorioso, e futuro promissor.
 
FUJA!
 
p.s.: Se a turma da Asbran tivesse lido os textos de Jason Fung (público e em português), Nassim Taleb (Antifrágil) e o paper ESPETACULAR de Mark Baker (fasting) não estariam na internet passando essa vergonha!
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A Dieta Carnívora e o Experimento com N=1

Semana passada terminei pouco mais de 1 semana experimentando a Dieta Carnívora. Demorei para achar uma foto boa que a resuma bem, porque as pessoas pensam que é só comer picanha. Basicamente nela você come livremente CARNE (de qualquer tipo), OVOS & DERIVADOS DE LEITE (qualquer queijo, creme de leite, requeijão, chantilly e nata) conforme a fome o guia. Nada mais.

Funciona? Depende para quê…

Quer melhorar seus indicadores sanguíneos (glicemia, colesterol e TG)? Melhoram e não é pouco. Emagrecer? Sim, e não é pouco! Por quê?!

Basicamente porque dieta “boa” é mais sobre o que NÃO comer. A dieta carnívora, por experiência própria, ao contrário do que muita gente pensa, é difícil! Nela, não há NADA de açúcar, não há cerveja, não há farinha, não há pão… Quando você tira tudo isso, não “tem como” engordar, não “tem como” seus indicadores não melhorarem.

Não falta teórico que diga que exercício exige carboidrato. Com zero dele segui treinando normalmente 2x ao dia, bati meu recorde no TGU (Turkish Get Up) e no Double Clean, trabalhei, fiz tudo. Só um acadêmico que tenha lido muito para afirmar essa bobagem de que exercício exige carboidrato. Um prático vai lá, ignora e faz.

Mas… a Carnívora é a ideal??

Nem de longe acho isso! Fiz por puro experimento. A acho incompleta, tenho convicção de que ela vai CONTRA a nossa natureza e nossa evolução (assim como o vegetarianismo, o que dizer do veganismo). Mas ela atende uma premissa da qual sou fiel e enorme seguidor: não-linearidade da dieta.

Dieta e exercício são sobre extremos. Por isso cálculo de nutrientes diários é de uma tolice sem tamanho (*aqui novamente somente acadêmicos muito estudados para poder defender tamanha besteira). A carnívora atende a um lado de nosso onivorismo e nos “protege” de vegetais que oferecem em escala gigante alguns micronutrientes dos quais, SIM, algumas vezes deveríamos evitar (alguns mais, outros menos). E seguindo esse raciocínio o vegetarianismo temporário também seria MUITO bem-vindo (farei esse ano!).

Se você é diabético, EXPERIMENTE! Está num platô de emagrecimento? Experimente! Está com alguma intolerância/alergia sem saber de onde vem? Experimente! Mas se acha uma boa ideia levá-la ao longo prazo, saiba que não faz sentido! Tem que distorcer DEMAIS a lógica para dizer que os 2 extremos (carnívora e vegetarianismo) estão algo próximos do ideal.

*perdi peso mesmo comendo muita carne (acem moído, sobrecoxa e barrigada) com queijo e uns 4-5 ovos também com queijo ao dia. Isso sacia assustadoramente. Fiz jejum sem me programar uns dias porque a noite caiu e a fome não deu as caras.

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A pobre e mal compreendida Caloria*…

Vez ou outra ainda meio que se espantam quando digo que não faço cálculo calórico de gasto nem de consumo de meus clientes. Pra quê faria isso? A vida é curta pra gastar tempo com coisa sem muita utilidade. Eu não calculo nem o volume dos maratonistas que dou treino. E olha que a correlação “volume x desempenho” na corrida existe e é MUITO forte! Já na Nutrição a correlação “calorias x peso” não existe! Então pra que fazer isso?

Esporte vive de resultado, Nutrição de intenção. Só isso explica eficiências tão discrepantes. NÃO se mede a eficiência de um treino de maratona pelos quilômetros. NÃO se mede a eficiência de um treino de força pela tonelagem (carga do exercício multiplicada pelo número de séries e repetições do treino todo). NÃO se mede a competência do funcionário pelas horas trabalhadas.

Pra que diabos calcular calorias, então?? Nós nem sequer SABEMOS nem CONSEGUIMOS calculá-las! TUDO é mera extrapolação. Aproximação MUITO porca! Calcular “g” (gravidade) como sendo 10 (versus 9,80665 ao nível do mar) e Pi sendo 3 (e não 3,14159265359…) só dá certo em prova do ensino médio. No mundo real a ponte cai!

Admitisse que não entende de Matemática, Física nem da Lógica mais elementar, a Nutrição aceitaria a ideia de que o controle de peso é algo BIOLÓGICO, não aritmético! O provavelmente mais incrível e mais fascinante estudo já realizado nesse tema, o “Minnesota Starvation Experiment” (1950) encontrou JUSTAMENTE que a restrição calórica como causa NÃO explica a perda de peso. Por quê? Porque ela é BIOLÓGICA e não aritmética!

SETE DÉCADAS depois e essa abordagem CONTINUA sendo a usada (nas universidades e no mundo real) para emagrecimento com um histórico SECULAR de fracasso. Respondesse pelos resultados, como o Esporte, e não pelas intenções, estaria TODO MUNDO no olho da rua! As faculdades já teriam sido fechadas! Por isso que NUNCA devemos dar ouvido ao que dizem as diretrizes nutricionais!

Calcular gasto e consumo calórico é brincar de Deus, achar que controlamos algo sem nem sequer saber princípios básicos da Biologia, o QUE DIZER de Física e Matemática?!?

PERDER (ou manter) peso é sobre O QUE se come! DANE-SE as calorias! Ela é secundária, terciária, um coadjuvante! Eu NUNCA calculei. SIGO sem fazer isso. Por quê? Porque eu sei que NÃO CONSIGO fazer esse cálculo sem fazer a ponte cair.

Enfim, se o profissional ou professor que você tem nunca leu nada da obra de 1950, desconfie dele. Mas se ele ainda mesmo lendo NÃO entendeu a obra e nega a realidade, FUJA dele! Vai por mim…

*o titulo deste texto é uma homenagem ao belo livro de Bill Lagakos. Ambos, autor e obra, deveriam ser obrigatórios, porém, seguem ignorados pela academia brasileira, a mesma que ainda ensina essas equações toscas de cálculo calórico sem sequer entender Física ou Matemática

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Palestra dia 23 de Fevereiro (em SP)!

Em parceria com o canal Corrida no Ar (o maior do YouTube) farei sábado dia 23/2 em São Paulo (SP) uma palestra sobre Nutrição na Corrida.

Sabe as recomendações que SEMPRE ouviram sobre hidratação, suplementação, carboidratos, janela metabólica, etc? Estarão lá, mas de um jeito completamente diferente de TUDO o que levaram vocês a crer esses anos todos!

Eu tenho certeza que você sairá repensando TUDO o que (acha que) sabe sobre Nutrição nesse esporte! É a minha meta!

E tudo por um valor que não paga o ônibus de 1 mês que eu pagava pra ir para a faculdade ouvir as baboseiras que tive que ouvir… e que repetem até hoje, acreditem!

Eu ouvi muitas bobagens naquele tempo! Na minha época eu tive que depender de informação vindo assim! Hoje você tem opção! Quero que com você seja diferente! Te faço um convite!

Para isso, inscreva-se clicando aqui!
QUANDO? Sábado dia 23/2, das 9h30 às 11h.
ONDE: Velocità Moema (SP).

Veja ainda este vídeo abaixo muito legal que o Sérgio Rocha fez explicando o evento!
Te espero lá!

O bom zoológico é aquele que mantem obesos apenas fora das jaulas

Vocês sabem da importância que dou ao aspecto evolutivo. Para mim, basta olhar ao mundo a sua volta, sem tentar negar a realidade, como faz Nutrição, ou para trás no tempo, como manda a lógica mais elementar. Fazendo assim a maioria das respostas aparece sem muito esforço.

Foi basicamente assim que escrevi meu livro mais recente (“O Veterinário Clandestino”). Por que animais similares aos domésticos NÃO engordam na Natureza? Não existe obesidade entre Lobos. Mais da metade dos cães o são. Entre os felinos igual: zero obesidade na natureza, porém, mais da metade dos gatos sofrem por serem gordos quando possuem donos.

O ser humano é o mais inteligente animal na natureza, mas é também o ÚNICO que produz o alimento para SE ADOECER. E ele é tão eficiente nisso que ele adoece QUALQUER animal que se alimente disso.

Por exemplo, babuínos quando expostos a sobras de alimentos humanos ficam marcadamente obesos. Não é somente isso. Seus marcadores sanguíneos como insulina e glicemia ficam piores. Este achado não é isolado.

 

Outro estudo, também com babuínos, encontrou que os selvagens sem acesso a sobras de alimentos dos humanos tinham 2% de gordura corporal, já os que tinham uma dieta similar à nossa alcançavam em média 23%. E uma meta-análise com uma amostragem de 20.000 mamíferos de diferentes espécies, como primatas e roedores, encontrou que o peso médio desses animais vivendo próximos a humanos e se alimentando em parte de nossas sobras fez subir sua gordura corporal média.

O que faz humanos engordar (açúcar, carboidratos refinados e processados, grãos, fast food…), parece TAMBÉM fazer engordar a outros animais selvagens. Por que não engordariam você? Por que não engordariam seu animal?

Talvez seja por isso que até hoje a indústria de ração se negue na justiça a fornecer essas informações de carboidrato e açúcar ao consumidor. Quer dizer, ao dono, que oferece isso ao seu animal tão querido.

E aqui há ainda um paradoxo. O zoológico de San Diego, por exemplo, famoso e premiado mundialmente, cultiva 67 tipos de bambus para alimentar diferentes animais. As diversas aves recebem dietas bem específicas e diferentes. Há lá uma ideia de RECRIAR um ambiente natural. É a questão evolutiva da qual falava, é olhar ao mundo à nossa volta.

E se olharmos em quem VISITA o zoológico? MUITO mais da metade estará acima do peso. Ou seja, quando a direção do zoológico dá aquilo que os animais comem eles mantêm a forma, os visitantes, comendo comida feita por humanos engordam e adoecem.

É por isso que é proibido alimentar os animais lá porque se você for aos quiosques comprar comida e der aos animais, eles ficarão como nossos cães e gatos domésticos: morbidamente obesos. Isso porque a melhor coisa que sabemos fazer é comida para engordar, para matar precocemente.

Por isso que quando um profissional de saúde vem e diz que grãos não engordam, que açúcar não adoece, que farinhas não são problemas, ele não é só incompetente. Mais do que isso, ele ignora a questão evolutiva, que tem no tempo a variável mais robusta de segurança que existe. Ele faz pior que isso. Ele se recusa a olhar o mundo à sua volta, ele nega a realidade.

Fuja desse tipo!

Para o seu bem!

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