Arquivo mensal: dezembro 2018

GEL em prova de… 12km?!?

Coisa rápida…. Participei tempinho atrás de uma prova noturna em SP. Ela foi na distância de 6km e 12km. Já no quilômetro DOIS eles ofereciam – que rufem os tambores! – GEL de carboidrato!

E no quilômetro 5!? Isotônico! Daquele famoso, que criou sua fama com estudo malfeito, análise torta e pagando meio dúzia de professores que farejam dinheiro melhor do que qualquer pastor alemão de aeroporto é capaz. Alguns até foram professores meus (os picaretas! Não os cães!)! Quer nomes? Eles sempre assinam diretrizes dessas sociedades “idôneas”.

Água, já disse aqui, eu não bebo em prova nessa distância. Falo o mesmo para quem eu treino e corre mais ou menos na minha velocidade, independente do clima. Agora.. GEL…?!

Costumo dizer a quem oriento que sou portador também das notícias ruins, ainda que quem pague não queira sempre isso. Não sei qual seu ritmo, mas há uma regra praticamente universal: se você precisa de gel durante uma prova de 12km, tenho uma má notícia, você NÃO está pronto pra ela! Deixe-a de lado, treine mais. Você tem mais a ganhar treinando mais para encarar a distância no futuro e menos a perder ($). Talvez você até perca peso!

Se seu treinador pede que você use um gel nos 12km, troque de treinador!

Se seu nutricionista recomenda gel (ou isotônico), troque de nutricionista!

Se seu médico recomenda um dos 2, não precisa trocar! Minha dica é: não dê ouvidos apenas quando ele tocar no assunto esporte ou nutrição, igual os 2 de cima, ele muito provavelmente não sabe do tema!

E se trocar, procure um profissional que se perguntado se você precisa de gel/isotônico pra encarar 12km, ele(a) abra o jogo pra você explicando que você NÃO está pronto! Mesmo que você o faça com o olhar do Gato de Botas da foto…


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Coma MUITO neste Natal!

As colunas e portais sobre Nutrição são originais como uma revista para adolescentes. Na Páscoa o “brigadeiro de biomassa”. Na Festa Junina a “pamonha de painço”. E no Natal, a Ceia Fit. Que morte horrível e dolorosa! Ninguém merece isso! Coma! E coma muito! Sabe por quê?

Porque Nutrição é sobre extremos

Não existe o menor sentido em pegar leve no Natal! Na natureza os animais comem até não aguentar mais e, havendo disponibilidade, comem daquilo que há: as mesmas frutas, a mesma gramínea, a mesma carne de zebra, os mesmos ovos roubados. A tese de que devemos variar a nossa dieta no curto prazo não encontra nenhum suporte na ciência nem na realidade. A variação pode e deve vir no longo prazo justamente porque é isso que causa o extremo tão bem-vindo, tão necessário.

As sociedades convivem desde sempre com ciclos de abundância e escassez ou jejum (o causado pela falta de alimentos ou o voluntário religioso). O que as diretrizes nutricionais, que têm enorme talento em nos adoecer e nos engordar, sugerem é que não façamos jejum (porque em uma espécie de delírio coletivo dos “especialistas”, dizem que faz mal) e recomendam que não façamos banquetes exagerados (pedem “moderação”, justamente o que NÃO existe na natureza, no mundo real fora das universidades).

FAST & FEAST (Jejum e Esbórnia)

Em julho eu devo comer algo como um hectare inteiro de milho. Em abril uns 5kg de Colomba. No Natal uns 7 panetones e 2,7 porcos. Por quê? Porque eu fiz a lição de casa. Eu fiz o Fast, é hora de poder, de ter direito a fazer o Feast! Comer muito no Natal é o poder deitar no domingo sem precisar fazer atividade física nenhuma porque você treinou forte ao longo da semana.

Não é porque eu posso, é porque quando observamos a realidade, algo que a Nutrição NÃO faz, você descobre que é assim que a humanidade caminhou até aqui! Com períodos de escassez (low-carb, jejum, atividade física…) seguidos de abundância e fartura.

Se você fez um, faça o outro sem medo NENHUM! E seja feliz!

Se você ainda está em dúvida, consultoria inbox! Sempre!

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A dieta dos (corredores) etíopes

Até pela minha área de atuação, clientes ou não, uma das coisas que mais me perguntam é sobre a DIETA DOS ETÍOPES. Meio que fiquei de dar minhas observações.

Ano passado escrevi um texto rápido sobre minha primeira percepção ainda no aeroporto. Basicamente se você quiser comer “porcaria” no maior hub (centro de conexões) da África você tem apenas UMA opção. A primeira resposta mal educada (para não dizer burra) foi a de que etíopes são miseráveis que passam fome, por isso são magros. Basta uma visita a bolsões de miséria brasileiros para ver mães e crianças obesas e desnutridas (sim, isso pode acontecer). O peso para menos não é resultado apenas de baixa oferta calórica (voluntária ou não).

O prato da foto desse texto é o ENJERA, um prato típico etíope que você vendo sendo consumido em TODOS os lugares. Se come com as mãos de forma compartilhada com amigos e colegas. A enjera é uma massa e, como todas elas, feita de grãos e fermentação.

O etíope come porcentualmente muito carboidrato em sua dieta. Vale lembrar que é um país muito muito pobre e que carboidrato é DE LONGE a fonte energética mais barata (tenha isso sempre em mente quando vir uma barra de “proteína” por R$4… Isso não existe! Barra de proteína vai custar SEMPRE o preço de uma refeição PF, “prato feito”). Sendo assim é esperado que após os treinos, no almoço ou no jantar prevaleçam grãos e legumes. Carne e ovos, alimentos caros, são luxo.

Então o corredor amador deveria imitar a dieta etíope (ou queniana, também centrada em carboidrato)? 

Essa é uma pergunta engraçada… o amador não copia nada, absolutamente NADA do que fazem quenianos e etíopes no que diz respeito a calçados, equipamento, volume de treinamento, local de treinamento, mas acha que por algum motivo deveria copiar o que eles comem de porcentagem de macronutriente, nunca a fonte.

Um dia escrevo por que acredito que essa abordagem de uma maior restrição ao consumo de carne seja a melhor abordagem nutricional visando a saúde, mas o que mais tiro observando a dieta etíope mais uma vez não é o que eles FAZEM (na dieta) que os faz superiores, mas o que eles NÃO fazem (SEMPRE a via Negativa).

Os etíopes são magros NÃO porque correm (*a maioria dos etíopes NÃO corre e a absoluta maioria é magra!). Eles são magros NÃO porque necessariamente passam fome. Ao andar pela cidade você vê inúmeras vendas de frutas, pães e legumes, não vê pedintes esquálidos. Os etíopes são magros pelo que eles NÃO comem. Há sorvete? Há. Chocolate? Também. Mas são caros a um país pobre. São mais difíceis de encontrar. O consumo de alimentos processados e industrializados não são uma constante na vida deles como é na do britânico, americano, ou brasileiro, povos gordos, de maioria com sobrepeso.

A “vantagem” da dieta deles, novamente, não está no que comem (ninguém consegue afirmar que a enjera é melhor que a tapioca brasileira ou que o scone britânico), mas fazer regime para perder peso ou ter que tomar suplementos é algo necessário apenas para quem tem uma dieta ruim, sem relação com sedentarismo.

O segredo ou a diferença (seja na corrida seja na não-obesidade) não passa pelo que eles comem, mas pelo que eles NÃO comem.

**sim, gostei do enjera! Comi acho que TODOS os dias!

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Danilo Balu
autor

Nutrição não diz respeito somente ao que você come

Dieta é tudo aquilo que você come. Ela pode ser low-carb, vegana, paleo, low-fat… não importa! O problema é que o resultado disso na sua saúde importa talvez mais não do que você come, mas daquilo que você NÃO come.

Parece lógico que deveríamos observar o que fazemos. Mas a via NEGATIVA parece sempre funcionar melhor. Em saúde, retirar funciona sempre melhor que adicionar. Deixar de fumar funciona melhor que qualquer remédio. Deixar de comer açúcar funciona melhor do que injetar insulina. NÃO HÁ remédio sem efeitos colaterais. Não entre os mais de 120.000 existentes!

Você come brócolis? Legal. Mas isso não compensa o cereal matinal. Você come ovos? Muito bom! Porém, isso NÃO compensa a ingestão de alimentos não-naturais como óleo de Canola, ou Soja, ou Margarina, ou Leite Desnatado (ou mesmo leite integral, uma versão “melhor”, se é que dá para chamar assim).

E aqui reside a falha dos que advogam pelo Veganismo ou o seu extremo oposto, a Dieta Carnívora, que ganha adeptos. As duas podem ser “benfeitas” ainda que podemos com segurança afirmar que as duas não serão nunca ótimas, uma vez que o homem é por natureza onívoro.

O Veganismo dá certo não por comermos vegetais, mas porque quando bem feito, abre-se mão de alimentos processados/industrializados. Quem não faz isso, invariavelmente engorda e adoece. Quem não conhece veganos/vegetarianos que só “cresceram”? O mesmo na Carnívora, quem só come carne e ovos não come alimentos processados e industrializados, a maior fonte de doenças existentes!

Resumindo: NÃO HÁ COMO adoecer comendo bicho, planta (folhas e legumes) e bebendo água. Um não come planta, por isso dá certo (ainda que não 100%, já que planta é medicina). O outro não come bicho, e se limitar-se a comer planta e beber água, também dará certo (ainda que também não 100% porque terá uma oferta energética mais linear, o oposto do que deve acontecer em onívoros)! Mas ainda assim eles podem retirar a MAIOR fonte de doenças: os alimentos processados/industrializados e ainda os não-naturais.

NÃO É SÓ O QUE NÃO SE COME

Não comer errado é a lição #1, mas está LONGE de ser a única. O ser humano foi feito para comer de dia (“no claro”). Ou seja, ele foi feito para comer em uma janela restrita alimentar. O que isso quer dizer? Que deveríamos comer com o sol posto e parar de comer quando ele se põe. E aí a Nutrição tradicional assim advoga CONTRA a nossa saúde em 2 pontos:

1. Fazer várias refeições ao dia DIMINUI nossa janela alimentar, lembrando que quanto menor, melhor (o cálculo é simples, tempo entre sua primeira e a última refeição. Ex: seu café foi às 9h00 e o jantar/ceia às 21h00, sua janela é de 12h. o ideal, suspeitamos, deveria estar abaixo de 10-12h, provavelmente por volta de 8h);

2. E fazer várias refeições implica linearidade e equilíbrio na oferta energética, algo NÃO-natural em onívoros, uma vez que este tipo de animal “flutua” entre a linearidade (fonte vegetal) e a intermitente (fonte animal). *e aqui reside a importância de se fazer jejum periodicamente.

Quando falamos de Nutrição ou Dieta, mais do que saber o que você COME, precisamos saber o que você NÃO come. E mais ainda: QUANDO (horário) e QUANTAS VEZES você come.

Fique de olho!

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Não é que o açúcar faz mal…

A foto que segue é a dos sachês de açúcar no Sri Lanka que parece que agora vêm com o aviso que o produto (no caso o AÇÚCAR) é viciante e causa diabetes!

Certa vez um autointitulado especialista disse que eu estava falando bobagem. Ele, no caso, estava bem acima do peso, mas deixou claro que açúcar não vicia, que ele pararia de comer quando bem quisesse. No Brasil não faltam “especialistas” para dizer que açúcar não tem risco.

É um enorme erro conceitual dizer que algo faz mal. Água em excesso mata mais rápido que açúcar em excesso. O problema não é se o nutriente faz mal. Mas sim sua BIODISPONIBILIDADE.


O que o refino/processo/indústria faz é oferecer algo centenas, milhares de vezes o que você conseguiria naturalmente na natureza. É aí (e em todo o processo industrializado) que mora a razão pela qual você NUNCA deveria consumir óleos vegetais (mesmo o Canola). É aí também o problema do açúcar branco. Quantos pés de cana-de-açúcar você teria que mastigar pra consumir tanto açúcar? Não há mandíbula que resista!

Fuja do açúcar branco, mas não consuma vegetais com medo. Não demonize a gordura vegetal se ela vem pela ingestão de legumes.

Mas, SIM, se você consome óleo vegetal, cápsulas de vitaminas, açúcar… eu pergunto: você acharia normal um dia comer um ovo e no dia seguinte passar a comer 100 diariamente? A lógica é essa! Seu organismo nunca foi exposto a isso. Não tem como dar certo!

Ou então traga UMA população que melhorou seus indicadores ao consumir mais e mais de óleos e açúcar. 

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Danilo Balu
autor