Arquivo mensal: novembro 2018

O que é mais saudável?

Uma noite no MasterChef ao oferecer um prato a uma chef, ela exclamou: “Nossa! Que prato saudável”! Era uma berinjela. Eu te pergunto: o que é mais saudável? Um grande pedaço de PORCO ou BERINJELA?

Talvez minha amostra seja viciada, mas arrisco a dizer que mesmo entre“especialistas” (sempre entre aspas) a berinjela (ou qualquer legume à sua escolha) ganharia.

Faço um exercício inverso. Aos que acham que a berinjela é mais saudável que carne proponho EU ficar sem comer berinjela daqui pro resto da vida. Experimente você ficar sem carne. O que mais faz falta? O que impacta mais sua dieta?

Um dia, não faz muito, na fila do açougue uma senhora bem obesa me viu com dois pacotes. Curiosa, ela me perguntou se eu gostava e como comia aqueles pés de galinha (R$3,99/kg). Eu expliquei que não era muito fã, mas aquilo era para a Eva e a Pepper, nossas cachorras. Ela continuou perguntado como eu preparava. Bom… alguns segundos no microondas, está morno e dou para elas.

Que nojento, moço”. Palavras dela.

Depois ela perguntou da fressura (que é um misto de pulmão, fígado, vísceras, coração… a R$2,99/kg para quem acha que ração é alternativa barata). Eu expliquei que também era para as cadelas. E que também apenas esquentava (compro tudo congelado) no microondas até ficar morno. E ela: “se eu fosse cachorro eu não ia querer você como meu dono, moço”.

Na hora de pagar a atendente fez a mesma pergunta sobre os pés. E completou dizendo que ela tinha um cachorro muito doente, mas seguiu as orientações de dar pés de galinha e ele melhorou muito. Sem saber da patologia eu expliquei que poderia ser o cálcio e fósforo dos ossos, ou o colágeno, ou a gordura animal, ou o hábito essencial de mastigar algo duro. Ou ainda que comer carne é NATURAL aos cães.

No nosso quintal há um pacote de ração há uns 3 anos abandonado. Elas não mexem. Eu não posso deixar carne congelada nem enterrada no canteiro. Por que será?

Em “O Veterinário Clandestino” faço questão de fechar o livro explicando que a humanização dos cães e também de sua dieta é o PIOR que podemos fazer. Sapatinhos, cerveja para cães, carregados em carrinhos de bebê, perfumes, chocolate canino e – talvez o pior de todos – rações (que podem ficar 3 anos largada no quintal ou 25 ANOS na prateleira que ainda são válidas. Você, tenho certeza, não comeria NADA 25 anos depois de produzido).

Afirmar que berinjela é mais saudável que carne mostraria não só como negamos a realidade, mas como sem saber nós escolhermos o NOSSO alimento, por que seríamos, como a senhora no açougue, dizer o que é o melhor a um cão?

Qualquer conselho nutricional que envolva a substituição de um instinto natural ou a substituição de um alimento ingerido por milênios por um produto industrial moderno está errado.” (P. D. Mangan)

Coma eventualmente carne, não coma NADA que sua bisavó não reconheceria como alimento.

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Danilo Balu
autor

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A Resistência à Insulina.

Não me importa em quem votou! Se for contra o regime do militar, seja a resistência! Mas não seja RESISTENTE À INSULINA!

O problema de enxergar o controle de peso (ou o emagrecimento) por um viés matemático, de mero controle calórico, erra em uma questão básica, fundamental: nosso peso é regido pela Biologia, não pela Matemática. É uma questão de Fisiologia, não de Física.

A RESISTÊNCIA À INSULINA

Nosso corpo responde a estímulos em função de basicamente duas variáveis: sua intensidade e sua frequência.

Quando os mineiros chilenos saíram da mina após mais de 2 meses soterrados, usavam óculos porque a AUSÊNCIA de luz nos torna sensíveis à luminosidade. O seu colega que mora ao lado do Rio Tietê não sente o cheiro fétido daquilo que já foi um rio ao cruzar SP, pois ele é diariamente exposto ao odor, assim como você não sente mais o perfume forte daquela colega de mesa do escritório.

Isso porque a SUBTRAÇÃO de um agente estressor aumenta nossa SENSIBILIDADE a ele. Já a crônica EXPOSIÇÃO a ele nos torna RESISTENTES.

Isso é muito claro no esporte e na vida real. Por que seria diferente na Nutrição?

Ser SENSÍVEL à insulina, ou seja, o OPOSTO de ser RESISTENTE à insulina é um EXCELENTE marcador de saúde. Quanto mais sensível, melhor o desfecho. Ponto. Mais. Pessoas resistentes à insulina, igual ao PM da foto, são MUITO mais propensas a estarem ou serem acima do peso. Há uma ENORME correlação positiva entre resistência à insulina e obesidade. Pessoas assim têm constantemente maiores níveis de insulina circulante, um hormônio que impede a queima de gordura e empurra glicose para dentro das células.

Isso dito e sabendo que o diabetes (do tipo 2, aquela “adquirida”) é um caso de extrema resistência à insulina, qual a abordagem mais eficaz, sabendo que nosso corpo fica sensível à subtração de agentes?? Sim, com certeza, a REDUÇÃO do consumo de carboidratos.

E se sabemos que uma pessoa com sobrepeso e/ou obesa tem GRANDES chances de ser resistente à insulina, qual seria a melhor abordagem? RETIRAR aquilo que a tornou resistente à insulina em primeiro lugar: a própria insulina. E o que gera aumento de insulina circulante? Consumo de carboidratos (seja em quantidade ou frequência), principalmente os mais refinados (farinhas), os simples (açúcar) e os de alta carga glicêmica (grãos). E na “ausência” do estressor (insulina), seu corpo fica mais sensível (saudável).

E o que pede a tese do balanço calórico?

Que ignoremos o mundo real e foquemos apenas em comer menos calorias.

Pois é… 

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Danilo Balu
autor

E se a recomendação #1 da Nutrição for um erro?

Ou ainda: FUJA QUANDO LHE SUGERIREM “DIETA BALANCEADA”!

Conheço MUITO Nutricionista e MUITO Médico que entende MUITO do que fala quando o assunto é se alimentar bem. E eles diriam a mesma coisa: as diretrizes nutricionais vigentes são um completo engano, um enorme equívoco, uma máquina de criar obesos e doentes.

Porém, TODO E QUALQUER programa de TV quando vai dar dicas de Nutrição afirma: tenha uma dieta variada, equilibrada. Mas… e se isso for TUDO um ENORME erro?

Uma dieta balanceada é algo totalmente NÃO-natural. Mais. Não há NENHUMA evidência de que isso seja melhor, que dê suporte a essa recomendação nutricional.

Meus clientes meio que se assustam quando falo para eles que minhas refeições são sempre iguais. As mesmas carnes, os mesmos legumes, os mesmos ovos. O ser humano, como animal, SEMPRE se alimentou daquilo que a natureza próxima a ele lhe oferecia. A variedade de frutas e folhas, por exemplo, foi sempre ditado pela época do ano e pela geografia. Hoje em uma mesma refeição as diretrizes acham bonito você misturar abacate (México), com kiwi (Sudeste Asiático) com laranja (Oriente Médio) com jabuticaba (Brasil). Mais. Alguém do interior do Maranhão, o bolso deixando, consegue comer essas frutas o ano inteiro, algo IMPOSSÍVEL de se repetir na natureza, afinal, frutas são sazonais.

Quando olhamos à natureza temos que as diversas espécies comem do MESMO alimento seguidamente SEM prejuízo à sua saúde. Mesmo os chimpanzés têm acesso sazonal às frutas (silvestres, jamais uma manga do tamanho de uma bola de vôlei ou uma banana que sequer existe mais na natureza. Uma vez que comemos sua versão domesticada, retiramos dela até sua capacidade de se reproduzir, ou seja, elas não mais possuem sementes, foram por nós esterilizadas). E olha que interessante… justamente quando eles TÊM acesso às frutas, os chimpanzés engordam MAIS, isso porque a frutose, o açúcar da fruta, não dá ao símio a sensação de saciedade, o feedback, a retroalimentação de saciedade que a glicose dá em maior quantidade.

A meu ver, na enorme preguiça que as Ciências da Saúde têm em estudar e relevar a matemática, mora sua maior limitação. TODA a variedade que a Nutrição prega precisa ser atingida NÃO em UMA sentada à mesa (ou mesmo um dia), mas no longo prazo. Você NÃO precisa ter um prato colorido, mas você precisa que seu prato seja colorido no LONGO prazo (provavelmente um ano, o ciclo natural de quase tudo na natureza).

Você NÃO precisa que no seu prato haja porção “certa” de proteína, de gordura, de carboidrato… Você NÃO precisa que a cada dia os valores dos micronutrientes (vitaminas e minerais) sejam atingidos. Isso porque o equilíbrio na dieta precisa vir no LONGO prazo. SEMPRE foi assim.

Mais do que isso. Esse equilíbrio a cada dia, a cada prato, É NOCIVO. Porque os efeitos (ou consequências) do equilíbrio no longo prazo são DIFERENTES dele no curto prazo. O ser humano (como animal) foi feito para alcançá-lo no LONGO prazo. E quanto MAIS engordamos, MAIS as diretrizes falam para equilibrarmos mais.

NÃO.
FAZ.
NENHUM.
SENTIDO.

O Nutricionista que nega essa característica INTRÍNSECA da espécie, de uma dieta estável, radical e sazonal teria que aceitar que viver com uma sonda dando – sei lá – 50cal a cada 30 minutos, seria melhor do que o de fazer 2 refeições ao dia. Eles AINDA não sugerem isso (*mas ao pedir 6 refeições ao dia, eles até tentam!!).

A essa diferença de resultados de média (uma no curto prazo, a cada refeição, e outra atingida no longo prazo, digamos um ano) foi explicada brilhantemente pelo dinamarquês Johan Ludwig Jensen que ainda no século passado (1.906) deu origem ao teorema que ganha seu nome: “Desigualdade de Jensen”.

Se há UMA coisa que sempre falo aos meus clientes é: Nutrição NÃO é sobre equilíbrio. Isso historicamente e evolutivamente NUNCA deu certo. A Natureza é feita, como sabemos, de extremos.

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Danilo Balu
autor

Sobre Obesidade, Sedentarismo e Equilíbrio.

Talvez a busca pelo “equilíbrio e moderação” seja o maior e mais grave equívoco na Nutrição. Maior até do que a pirâmide alimentar que nunca funcionou, o medo da gordura saturada ou a tese do balanço calórico como controlador do nosso peso.

É até engraçado quando alguém diz que “o nutricionista recomendou 3 castanhas depois do almoço”. O ser humano foi feito para comer ou zero ou 38 castanhas, jamais 3. O profissional que tenta “melhorar” o ser humano é um profissional que não sabe lidar com a realidade.

Sentar-se à mesa e se entupir de comida, como fazemos no Natal, por exemplo, é algo COMPLETAMENTE NATURAL. Não é só normal, é saudável! Sim, acredite! Comer dessa forma é completamente esperado. Não é questão de gula ou baixa força de vontade! O que NÃO é natural é JUSTAMENTE não comer demasiado!

Quando olhamos a natureza, temos que animais herbívoros têm linearidade na oferta de alimento. Mas observe os onívoros (como nós) ou os carnívoros. Na oferta de alimento, eles se acabam de comer. Foi a natureza quem tornou a esbórnia alimentar algo intermitente, irregular. Se o cenário fosse de estabilidade (como é com uma zebra ou com um boi, por exemplo), a natureza nos teria dado o MESMO mecanismo de controle do que seria excessivo. (*e aqui um porém, o pecuarista, que sabe de engorda mais do que um nutricionista sabe de emagrecimento, a oferta de grãos/amido cria uma condição ótima que DESREGULA um mecanismo que a natureza criou. E, ainda assim, a diretrizes nutricionais acham uma boa ideia comer grãos no emagrecimento).

Comer muito SEMPRE foi exceção (essa é a ideia por trás de banquetes das datas especiais). É a modernidade quem permite que eu possa todos os dias comer, pães, um frango inteiro a R$3/kg, tudo isso bebendo 2L de refrigerante, uma dieta que nem os mais ricos do planeta poderiam sonhar algumas décadas atrás. Resultado? Explosão de obesidade.

E por fim, e acho o mais importante, é que a segunda orientação mais dada, a de se movimentar mais, NÃO ENCONTRA SUPORTE na realidade.

Sempre foi a NORMA comer demasiado quando possível. E isso gera letargia. Quem já teve cachorro, já viu uma cobra ou já comeu feijoada sabe do que estou falando. E aqui algo que parece estranho: é JUSTAMENTE quando temos uma grande fonte de energia (exógena) é que ficamos mais lentos (queda endógena)! Isso é o cérebro avisando ao corpo que não precisamos mais ser ativos para encontrar comida.

Por isso é um ENORME erro INTERPRETATIVO querer que uma pessoa com sobrepeso seja MAIS ativa. Esse indivíduo tem tamanho estoque energético (endógeno) que o corpo cronicamente pede, implora por sedentarismo.

Não é que o sedentarismo leve ao sobrepeso. É o sobrepeso quem leva ao sedentarismo! Enquanto não entendermos o BÁSICO, não poderemos seguir adiante.

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Danilo Balu
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