De Trump, Emagrecimento, Low-Carb e a bolha dos Especialistas.

As eleições que levaram Donald Trump ao posto de homem mais poderoso do mundo, assim como nossas próximas eleições em outubro me lembram muito o cenário da Nutrição atual. Há já 5 anos que a dieta low-carb supera a dieta low-fat nas buscas do Google, o principal portal de busca do mundo: a sociedade parece ter compreendido na prática que as pessoas fizeram e fazem muito mal ao seguir as recomendações dietéticas de nutricionistas e médicos que recomendam restrição no consumo de gordura e calorias.

MAS… E TRUMP?

Não é fruto de mero acaso que a profissão de Nutricionistas está ao lado da de políticos como uma das de menor credibilidade perante a sociedade. Cerca de 40 anos atrás, ainda na década de 70, Médicos e Nutricionistas pediram que mudássemos nossos hábitos à mesa. Obedecemos. O que ocorreu? A maior explosão de obesidade, diabetes, hipertensão e de síndrome metabólica que se tem conhecimento.

Qual seria a solução prática e imediata? Esquecer e ignorar tudo que eles pediram e nos pedem ainda hoje. Vou ser mais sucinto: você não deveria dar ouvidos ao que dizem as diretrizes das duas categorias quando o assunto é dieta, emagrecimento e saúde.

Vivemos um dilema, afinal, a sociedade ajudou a formar uma elite de profissionais que são em sua maioria (mas não em sua totalidade!) ineficientes em entender do assunto Nutrição. Sendo assim, ao encaminharmos a eles as pessoas doentes, a decisão é contraproducente. Porque há neles uma enorme incapacidade de entender o que fazer, como vimos nas últimas 4 décadas.

Uma metáfora recente e brilhante de Filipe G. Martins coloca “de um lado, um bando de ‘intelectuais mas idiotas’ (*a alcunha aqui é traduzida de IYI, criada por Nassim Taleb), que fingem dominar assuntos que não dominam, que não possuem nenhum contato efetivo com a realidade e que nunca arriscam a própria pele, mas que se veem como donos de uma sabedoria elevada e superior”.

Dias atrás, soubemos que a Rainha da Inglaterra restringiu o consumo de massa à nova “princesa” para ajudá-la a manter a silhueta. Vem ganhando destaque ainda a adesão de cada vez mais pessoas à dieta cetogênica, que é de extrema restrição de carboidrato, para desespero dos profissionais e acadêmicos de saúde tradicionais que quanto mais estudam, menos entendem. Temos aqui, mais uma vez citando Martins, o “homem comum, que se expressa como todo homem comum e que tem humildade e sinceridade o bastante para não finge saber o que não sabe. Há um abismo entre esses dois lados. Duas perspectivas. Dois imaginários. Duas formas de entender o mundo. Duas atitudes perante os problemas e os desafios da realidade”.

E ASSIM VOLTAMOS AO FALASTRÃO TRUMP…

Jornalistas analistas de TV e grandes portais, outra categoria que parece em sua esmagadora maioria formada por IYI, ainda tentam entender a vitória do Republicano. Vivendo em sua bolha, entre os seus, em completo desconexão coma realidade, não podiam entender como alguém como ele venceria. Acontece que ele falava o idioma da pessoa comum. Podemos fazer um paralelo com João Doria vencendo em SP (”como pode Fernando Haddad ter perdido em TODAS as zonas eleitorais se todos os meus amigos do Facebook votaram nele?!”), ou mesmo periga no futuro os mesmos analistas passarem anos tentando entender uma eventual vitória de Bolsonaro.

A vida real ao cidadão comum é simples demais. Ele quer comer de forma saudável e emagrecer. Basta comer o que sua avó chamava de comida de verdade quando ela era jovem. Não tem erro. Você não precisa nem de Médico nem de Nutricionista. É como saber se vai chover; ninguém precisa consultar um Meteorologista, você apenas olha para o céu.

Podemos dizer que o leigo tem skin in the game. Enquanto médicos e nutricionistas NÃO o têm, os acadêmicos, que orientam aqueles, não têm os mesmos interesses que nós. Em sua dinâmica de sobrevivência, o que lhes importa é apenas parecer interessante e inteligente frente aos demais acadêmicos, produzindo mais artigos que dizem as mesmas coisas, ainda que para isso em sua teimosia e arrogância tentem suplantar duas entidades insuperáveis: o tempo e a realidade.

E aqui reside seu erro.

“A PRÁTICA SUPLANTA A TEORIA. SEMPRE.”

Por não ter skin in the game, os acadêmicos e os profissionais AINDA alinhados com as atuais diretrizes nutricionais esquecem de algo essencial: olhar para o mundo encarando a realidade. Eles vivem em sua bolha, produzindo ao lado de colegas artigos de coisas que não funcionam na vida real. Isso “porque não há sustentação teórica que se sobreponha à realidade concreta. (…) O resumo de tudo é que não há significado FORA da realidade.”

Quando falamos de nutrição no emagrecimento, deveríamos olhar NECESSARIAMENTE ao passado, quando éramos magros, uma vez que o tempo é a variável mais robusta de segurança. E quando falamos de Nutrição na saúde, o futuro, temos que – além de relembrar que no passado, quando não sofríamos de diabetes nem hipertensão, que adquirimos como consequência da obesidade que ganhamos ao seguir as diretrizes nutricionais atuais – devemos olhar a quem tem skin in the game. Isso porque “a ideia de ter a ‘pele em jogo’ é a de que ninguém deveria causar danos a outros sem impunidade.” Acadêmicos e as atuais sociedades/associações, médicas e nutricionais, NÃO têm skin in the game. Mas seu maior pecado é ainda o fato dessa elite ser desconectada da realidade teimando em ignorar que não há mentira que se sobreponha à realidade.

“ORTODOXIA É NÃO PENSAR, NÃO PRECISAR PENSAR”

Low-carb já vem superando consistentemente as buscas por low-fat. A população já compreendeu que é o carboidrato o maior obstáculo no emagrecimento. O que dizem as diretrizes e acadêmicos? Que low-carb e cetogênica são ineficientes, não seguras. Um dos motivos pelos quais não deveriam haver diretrizes nutricionais oficiais é que o governo nunca irá assumir que estava errado. Os atuais acadêmicos vivem de nos convencer que estavam certos. Nem que para isso ignorem a realidade e tentem entortar, – de novo – a variável mais robusta: o tempo. No desespero de se provarem certos, eles preferem a ignorância, porque é mais fácil. E se desconectam com a realidade. Os leigos, com skin in the game, cada vez mais vão descobrindo e cada vez mais os deixam falando sozinhos.

Igual o jornalista que ainda não entendeu como Trump é presidente, os nutricionistas tradicionais vão ignorar por muito tempo ainda o chamado da realidade que bate à porta das pessoas comuns. E ficarão falando sozinhos…

*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no livro O Nutricionista Clandestino! (a versão impressa você acha aqui!)

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3 ideias sobre “De Trump, Emagrecimento, Low-Carb e a bolha dos Especialistas.

  1. Pingback: Leituras de 6a Feira | Blog Recorrido

  2. Andre Berlesi

    Temos que co nsiderar a infinita oferta de comida de hoje em dia. Os snacks. Nao só as diretrizes estão um tanto quanto distorcidas mas acho que não é justo culpar somente os nutricionistas e profissionais da área pela epidemia de obesidade. A liberdade total de marketing e etc’ concessões e mais concessões de benefícios a mega empresas que produzem lixo comestível ao meu ver podem ser consideradas condições efetivas de causa. O bombardeio de informações do tipo “vc precisa consumir isso ou aquilo, o novo biscoito integral contém grãos assim ou assado, etc. Isso precisa cessar. A informação deve ser acessível mas algo precisa ser feito para que esse incentivo ao consumo acabe.

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