Por que Low-Carb. Ou ainda: o ser humano é frágil ao Carboidrato

É uma vergonha que a Nutrição não enxergue o que vai abaixo.

*para este texto não ficar ainda mais longo, conto com a compreensão que para lê-lo você de cara assuma uma verdade que hoje é consenso na Nutrição: o Carboidrato é um nutriente NÃO-essencial ao ser humano. Ou seja, você pode viver sem consumir NADA dele. Característica essa que NÃO é compartilhada por proteína ou gordura, ambas essenciais.

Para começar, saiba que o ser humano, o homem, é frágil ao carboidrato. Pergunte isso a qualquer diabético ou a qualquer médico. Alguém é Frágil (a algo) quando “os impactos trazem danos maiores à medida que sua intensidade vai aumentando (até certo nível)”. Isso acontece quando fazemos consumo de cada vez mais carboidrato em duas frentes. Primeiro com o aumento da glicemia (açúcar no sangue) e o organismo tenta controlá-la abrindo mão da insulina e também pela concomitante redução do consumo de 2 nutrientes essenciais na dieta (proteína e gordura).

Duvida? Deixe de tratar um diabético, um indivíduo que não metaboliza bem carboidratos. Ele morre. Deixe de oferecer proteína e/ou gordura a uma pessoa. Ela morre.

Porém, o corpo NÃO é frágil a esses 2 nutrientes. Não existe consumo excessivo de proteína. Não existe. Não existe consumo excessivo de gordura. Simplesmente não existe. Isso porque ad libitum, ou seja, à vontade, esses 2 nutrientes não possuem mecanismos de retroalimentação do tipo supernormal, ou seja, você não fica viciado em carne ou barrigada. Você fica, sim, viciado em alimentos que tenham necessariamente um nutriente que o cause: o açúcar ou carboidrato processado.

Resolvi escrever esse texto porque recebi 2 posts de nutricionistas que até parecem inteligente, mas se fazem de burro para provar seu ponto. Um deles, tempo atrás disse haver uma margem saudável ou ótima de consumo de carboidrato. Isso simplesmente não existe. Precisamos ver o carboidrato (na verdade a frutose e os carboidratos processados, como farinhas e açúcar) como poluentes (o que é diferente de veneno).

Assim como na natureza, você pode ir poluindo um rio (ou uma cidade) e ainda assim utilizá-lo ao lazer ou mesmo fonte de água. Mas há um ponto em que ele morre. Com carboidrato é parecido. Você pode comer pão integral todo dia e ainda assim viver 85 anos. Eu consigo matar alguém dando carboidrato vendido no supermercado, eu NÃO consigo fazer isso com proteína/gordura (que não deve ser coincidência que sejam quase sempre encontradas juntas na natureza). **aqui ignorando fontes podres desses nutrientes como soja ou óleos vegetais, por exemplo.

Há aqui uma questão de não-linearidade na resposta. Ou seja, vou dando cada vez mais gordura/proteína a uma pessoa e não vejo mudanças drásticas. Porém, quando faço isso com carboidrato (frutose ou processado) e após algum momento aumentando seu consumo eu o mato. Isso de certa forma nos reforça: somos frágeis ao carboidrato, não o somos aos demais. PONTO.

Você dar ou oferecer pouco carboidrato a alguém, sem o matar, não tira o prejuízo. E nesta categoria, ainda que em outra magnitude, entra por exemplo, o cigarro. Um nutricionista que diz que “tudo bem” comer um pouco de açúcar equivale ao pneumologista que diz “tudo bem fumar 3 Belmont”. Ambos (nicotina e frutose/glicose) têm seus mecanismos de retroalimentação. Não matam, mas podem criar o ciclo de consumo supernormal que faz seu consumo virar rotina. Se não há consumo mínimo de NADA a que somos frágeis, por que deve haver com carboidrato? ***não pergunte a mim, pergunte ao gênio que pede que você coma grão de bico ou torrada.

A recomendação que já vi algumas vezes de muita gente que se parece inteligente de comer X de carboidrato é, desculpe o termo, tão IDIOTA, tão burra, que não sei como passa despercebido. Não existe consumo seguro de cigarro, assim como NÃO existe consumo seguro de açúcar. Assim como não existe consumo seguro de frutose, a menos que ela venha acompanhada de muita fibra, a ponto de virar um limão ou maracujá.

Mas voltando à recomendação IDIOTA de consumo de X% de carboidrato… ela é tão irracional porque hoje sabemos que podemos viver com ZERO dele. Por outro lado, SABEMOS que PRECISAMOS consumir proteína E gordura e que SABEMOS que quanto mais carboidrato (desacompanhado de muita fibra) pior é o desfecho à saúde, pois como existiria assim um valor médio??

Ele existe?
É óbvio que não! Não, ele não existe. É a ignorância de uma área que se orgulha de não estudar matemática que arrisca dizer que ele existe. É como eu pedir que alguém que não sabe nadar pode atravessar andando um rio de profundidade média de 1,60m. Essa pessoa é frágil a rios fundos! Eu tenho que dizer que ele só pode atravessar rios com a menor profundidade possível! Eu TENHO que dizer que ele deve fugir da frutose como foge da nicotina ou de algum outro agente menos viciante, porque não ser veneno (e não é mesmo) não tira sua característica de ser poluente. Ainda que você consiga viver em uma cidade poluída. Uma média de consumo de carboidrato (um desses falsos-inteligentes arrisca até uma porcentagem) não tem sentido porque somos frágeis ao carboidrato! Ainda que eles neguem. E negam porque em sua ignorância confundem incompreensível com inexistente.

****na imagem o consumo em azul de carboidrato vai aumentando até “dar ruim”. O consumo de proteína/gordura (lilás ou roxo, sou homem) por não ser frágil não tem um evento inesperado.

*****Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Nutricionista Clandestino! (você encontra a versão impressa aqui)

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