Diabetes – cuidado com o que dizem as entidades “especialistas”.

Dias atrás a foto de um cartaz no refeitório de um Hospital Universitário me chamou atenção. Nele estava escrito que “o arroz auxilia no tratamento do diabetes”. Era um anúncio patrocinado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Duas são as coisas que mais me espantam no assunto diabetes:

O primeiro é a relação acintosa, promíscua, desavergonhada e condenável entre a comunidade médica (na forma de algumas associações e sociedades) e quem lhes pagam dividendos financeiros. Eles não se preocupam sequer em esconder como funcionam, falam bem de quem pagar bem.

"A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca... ooops"

“A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca… ooops”

O segundo é como esse trabalho de defender patrocinadores foi de tal forma duradouro e bem feito que a lógica se inverteu. Essas entidades, encabeçadas por muitos profissionais de renome que também possuem relação suspeita com alguns laboratórios, inverteram na cabeça do leigo toda a lógica de como funciona uma doença que não chega a ser complexa.

A diabetes do tipo II, aquela popularmente conhecida por ser “adquirida” em adultos com o avançar da idade, nada mais é do que uma intolerância à glicose resultado, entre outras coisas, de uma enorme resistência à insulina. Como esse hormônio é liberado principalmente com o consumo do carboidrato, e este por sua vez é não-essencial ao ser humano, existem duas opções:

A primeira é você comer menos do nutriente não-essencial (no caso o carboidrato), uma vez que o diabético é intolerante a ele.

Outra opção é você reduzir essa resistência à insulina, e isso passa necessariamente por consumir menos (em quantidade e frequência) de alimentos ricos em carboidratos (e pobres em fibras), que estimulam a liberação do hormônio.

Os ~especialistas~ ignoram os estudos e a lógica da doença para pedir que o doente faça o contrário. Que ele coma mais carboidrato e consuma a insulina e os remédios que coincidentemente seus patrocinadores fabricam e vendem. É tudo muito nojento, dá ânsia, embrulha o estômago.

Arroz é amido “puro”, que por sua vez é glicose “pura”. Como pode ajudar no tratamento de um doente que não consegue metabolizar glicose? A IRGA querer vender essa ideia, dá para entender. Médicos aceitarem o dinheiro para convencer o doente é puramente antiético. Aos olhos desses médicos, pagando bem, que mal tem?

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Você não deveria ouvir o que dizem a SBD e seus diretores

A diabetes é hoje a 3ª causa de morte nos EUA (antes era a 7ª). Ainda assim, com a doença crescendo, as entidades como a brasileira SBD ou a associação americana de diabetes pedem que um doente intolerante à glicose coma dietas ricas em… glicose!

Você poderia achar que o público não ouve os especialistas. Porém, isso não é verdade. Quando você compara dados de 1970 a 2014 descobre que passamos a consumir 20% a mais de vegetais e 30% a mais de frutas. Ainda assim, as entidades dizem que consumimos muita carne e gordura saturada. O mesmo levantamento mostra que reduzimos em 79% o consumo de leite integral, em 17% a gordura animal e 28% menos carne vermelha. Mas essas entidades ainda acham que carne causa diabetes.

Duvida? Cheque você mesmo o que dizem algumas das diretrizes! Onde?

livro1São muitas as fontes e estudos mostrando como invertemos malucamente a compreensão dessa doença. Em O Nutricionista Clandestino (aqui em e-book e aqui na versão impressa) explico não só a lógica dela, mas cito as absurdas diretrizes atuais dessas entidades. Você pode ainda aproveitar a promoção com o combo de e-books com O Treinador Clandestino!

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3 ideias sobre “Diabetes – cuidado com o que dizem as entidades “especialistas”.

  1. Pingback: Leituras de 2a Feira | Blog Recorrido

  2. Adolfo Neto

    Lendo o livro do Taubes a gente fica muito triste em saber que essa relação escusa de médicos e pesquisadores com a indústria é antiga. Até gente de Harvard recebia jabá da indústria.

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    Resposta
  3. Pingback: NOTA DE RETRATAÇÃO. | O Nutricionista Clandestino

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