Arquivo mensal: fevereiro 2017

O porquê nossas avós são BEM melhores que os Nutricionistas. OU AINDA: o tempo como senhor da Razão.

Um dos temas que mais aprecio, mas sobre o qual eu dificilmente decido escrever muito é a latente ineficiência dos atuais tênis de corrida na diminuição das lesões nesse esporte. Se eu precisasse resumir em poucas palavras o recente histórico seria: nos últimos 40 anos os tênis ficaram maiores, mais pesados e (muito) mais caros. Agora os modelos convencionais contam com “tecnologias” que prometem muito. Mas na realidade conseguiram oferecer com evidências apenas maior conforto. Ou seja, não há vantagem ou menor índice de lesões, porém dão uma falsa sensação de segurança que é muitas vezes contraproducente.

A QUEM OUVIR?? – O que é um especialista? O que é um falso especialista? Em quem acreditar?

Você não terá problemas em encontrar nutricionista dizendo que você deve ir apenas com quem tem CRN, o que é uma tremenda bobagem; discurso de quem se preocupa mais com o próprio bolso do que com aquele que deseja emagrecer. No campo das ideias quem decide quem é e quem não é especialista é o tempo. E existe uma regra para isso, o Efeito Lindy, uma das heurísticas mais robustas que existem. O efeito diz que a expectativa de vida de uma ideia é porporcional ao seu tempo de vida.

Aplicado aos tênis de corrida, os maiores atletas por bem mais da metade do século passado corriam com tênis sem suporte. Desde os anos 70 a indústria tenta nos empurrar um novo conceito de tênis que não só não se mostra eficiente (como evidencia qualquer pesquisa preguiçosa que qualquer um pode fazer), como seus próprios tênis, de tão ruins que são como conceitos de calçados seguros, vão morrendo temporada após temporada.

Você pode enganar um corredor (nem tão) iniciante com suas propagandas chamativas, pode convencer o jornalista que só lê release, pode convencer aquele médico que faz lista de “tênis bom para o joelho”. Você apenas não engana duas entidades: Lindy e o Tempo.

Por isso que quando olhamos no tempo vemos que a fragilidade dos falsos argumentos não sobrevive ao tempo, uma vez que um dos discursos dos fabricantes diz que “esta versão está ainda melhor que a anterior” ainda que ela não tenha se mostrado em NADA mais segura que um tênis de corrida de 1965! É como o Comunismo/Socialismo, nunca deu certo em lugar nenhum, mas deveríamos continuar tentando. Para estes todos é muito triste quando o seu “mundo dos sonhos possíveis” encontra a vida real.

Fosse um modelo de tênis convencional de hoje superior aos da década de 60, o conceito desses teria morrido, mas continua vivo ainda que sem a força da propaganda. Por quê?

“Insanidade em indivíduos é algo raro – mas em grupos, festas, nações e épocas, ela é uma regra”. (Friedrich Nietzsche)

Por que tantos de nós correm com tijolos aos pés que não os protegem? Por que comemos 60% das nossas calorias justamente do nutriente que é não-essencial à vida? Por quê?

Vivemos uma época racional regida pela irracionalidade de falsos especialistas. Muitos deles montam suas teorias na segurança de não ter que submeter alguém previamente ao que pregam. E é ai que nossas avós são melhores do que nossos nutricionistas. Se na saúde você tiver que seguir ao acaso uma recomendação nutricional, marque um encontro com sua avó JAMAIS consulta com um Nutricionista.

Sempre que alguém vem e me chama de polêmico (o que não é verdade), repare que provavelmente estou apenas a dar peso a pesquisas que com rigor contradizem o senso-comum, seja na Nutrição ou sobre com qual tipo de tênis que deveríamos correr. Afirmações essas que eu sei que acarretam danos à reputação dos falsos especialistas, os especialistas em release, ou os ignorantes por conveniência, estes os mais desonestos. As ideias desses não sobrevivem honestamente ao tempo. Veja: são 40 anos para provar que tecnologia ajuda. Sem provas. São 40 anos seguindo cada vez mais as diretrizes nutricionais: nunca tivemos um mundo tão obeso. Esses especialistas (nutricionistas e defensores da tecnologia em calçados) são vulneráveis à prova do tempo e esperam que a realidade mude seu funcionamento, não suas teorias absurdas.

AVÓS vs PESQUISADORES

Por isso insisto com uma heurística: quer ir ao Nutricionista? Converse com sua avó. Com enorme chance de certeza afirmo que 85% das vovós estarão certas. Menos de 15% dos nutricionistas têm essa taxa. Por quê? Porque elas, nossas avós, comiam alimentos que foram a base da nossa dieta por muitos séculos. O Nutricionista não, ele vive de um pensamento mágico de teorias de apenas 40 anos que jamais foram postas à prova. Ele não tinha muito a perder, nossas avós e antepassados tinham.

Com tênis de corrida não é diferente. Por séculos os corredores, que dependiam do sucesso de sua corrida, usavam calçados com pouco suporte. Por que então dar ouvidos a jornalistas, fisioterapeutas e médicos que NÃO estudam DE VERDADE o assunto (pseudo-especialistas) e cuja parte de seu sucesso depende justamente do SEU fracasso (lesão) na corrida? Há uma enorme dissociação de interesses, como em quase todas as áreas da Saúde. A Nutrição não é em nada diferente.

Anúncios

Diabetes – cuidado com o que dizem as entidades “especialistas”.

Dias atrás a foto de um cartaz no refeitório de um Hospital Universitário me chamou atenção. Nele estava escrito que “o arroz auxilia no tratamento do diabetes”. Era um anúncio patrocinado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Duas são as coisas que mais me espantam no assunto diabetes:

O primeiro é a relação acintosa, promíscua, desavergonhada e condenável entre a comunidade médica (na forma de algumas associações e sociedades) e quem lhes pagam dividendos financeiros. Eles não se preocupam sequer em esconder como funcionam, falam bem de quem pagar bem.

"A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca... ooops"

“A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca… ooops”

O segundo é como esse trabalho de defender patrocinadores foi de tal forma duradouro e bem feito que a lógica se inverteu. Essas entidades, encabeçadas por muitos profissionais de renome que também possuem relação suspeita com alguns laboratórios, inverteram na cabeça do leigo toda a lógica de como funciona uma doença que não chega a ser complexa.

A diabetes do tipo II, aquela popularmente conhecida por ser “adquirida” em adultos com o avançar da idade, nada mais é do que uma intolerância à glicose resultado, entre outras coisas, de uma enorme resistência à insulina. Como esse hormônio é liberado principalmente com o consumo do carboidrato, e este por sua vez é não-essencial ao ser humano, existem duas opções:

A primeira é você comer menos do nutriente não-essencial (no caso o carboidrato), uma vez que o diabético é intolerante a ele.

Outra opção é você reduzir essa resistência à insulina, e isso passa necessariamente por consumir menos (em quantidade e frequência) de alimentos ricos em carboidratos (e pobres em fibras), que estimulam a liberação do hormônio.

Os ~especialistas~ ignoram os estudos e a lógica da doença para pedir que o doente faça o contrário. Que ele coma mais carboidrato e consuma a insulina e os remédios que coincidentemente seus patrocinadores fabricam e vendem. É tudo muito nojento, dá ânsia, embrulha o estômago.

Arroz é amido “puro”, que por sua vez é glicose “pura”. Como pode ajudar no tratamento de um doente que não consegue metabolizar glicose? A IRGA querer vender essa ideia, dá para entender. Médicos aceitarem o dinheiro para convencer o doente é puramente antiético. Aos olhos desses médicos, pagando bem, que mal tem?

dm2

Você não deveria ouvir o que dizem a SBD e seus diretores

A diabetes é hoje a 3ª causa de morte nos EUA (antes era a 7ª). Ainda assim, com a doença crescendo, as entidades como a brasileira SBD ou a associação americana de diabetes pedem que um doente intolerante à glicose coma dietas ricas em… glicose!

Você poderia achar que o público não ouve os especialistas. Porém, isso não é verdade. Quando você compara dados de 1970 a 2014 descobre que passamos a consumir 20% a mais de vegetais e 30% a mais de frutas. Ainda assim, as entidades dizem que consumimos muita carne e gordura saturada. O mesmo levantamento mostra que reduzimos em 79% o consumo de leite integral, em 17% a gordura animal e 28% menos carne vermelha. Mas essas entidades ainda acham que carne causa diabetes.

Duvida? Cheque você mesmo o que dizem algumas das diretrizes! Onde?

livro1São muitas as fontes e estudos mostrando como invertemos malucamente a compreensão dessa doença. Em O Nutricionista Clandestino (aqui em e-book e aqui na versão impressa) explico não só a lógica dela, mas cito as absurdas diretrizes atuais dessas entidades. Você pode ainda aproveitar a promoção com o combo de e-books com O Treinador Clandestino!