Arquivo mensal: dezembro 2016

Jejum Intermitente e Corrida

Jejum Intermitente. O que é? Para o que serve?

Esta semana foi ao ar (abaixo) um vídeo do Corrida no Ar (o maior canal de corrida em português no YouTube) no qual falo sobre o que é o “jejum intermitente”, para o que serve, como funciona e o que traz de benefícios ao corredor e praticante de atividade física.

Em meu novo livro O Treinador Clandestino há um capítulo inteiro sobre o tema! Assim como em O Nutricionista Clandestino explico sobre a queda da resistência à insulina, talvez o maior e melhor benefício dessa prática milenar.

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O MITO DA MODERAÇÃO – ou o quanto vale a sua tolerância?

Um princípio fundamental é que o conhecimento é subtrativo, ou seja, com pesquisas, por estudos e descobertas vamos aprendendo aquilo que NÃO funciona, aquilo que NÃO é verdade. A Nutrição está longe de ser uma ciência quando vista pelas suas práticas ao determinar as diretrizes porque, sem pesquisar, suas recomendações vão sendo feitas sem muito suporte. Dessa maneira, a Nutrição deveria ser muito mais sobre o que NÃO devemos comer do que aquilo que deveríamos comer.

ncs_modified20130820100557maxw640imageversiondefaultar-303049938Se você recorrer a associações ou entidades irá encontrar em seus portais facilmente a orientação que um pouco de açúcar ou doce não faz mal. Isso é assim mesmo entre instituições ou grupos que orientam diabéticos, indivíduos que são intolerantes à glicose. Isso equivale, de certa forma, como a dizer ao alcoólatra que ele pode beber um pouco, que “ele é um indivíduo como outro qualquer”, tal qual essas associações dizem da relação entre diabéticos e doces. Ou então é como dizer que tudo bem comer camarão se você tem muita alergia, desde que tome remédios depois. Não faz muito sentido.

QUANDO TUDO É PERMITIDO, NADA É PROIBIDO

Porém, os mesmos veículos que dizem que podemos comer “um pouco de doce”, dizem que não podemos comer nada de gordura trans, ou ainda, que devemos comer ovos e gordura animal (saturada) com moderação. A trans já sabemos não ser essencial e ser nociva. Ovos e gordura saturada sabemos ser essenciais e não-nocivos. O discurso esquizofrênico deles, porém, persiste.

Veja bem: não conseguimos mostrar que estes fazem mal, mas já decidimos que há um limite máximo (superior) de consumo. Do açúcar sabemos ser nocivo e não-essencial, mas dizemos que pode ser consumido todos os dias “com moderação”.

Alonguemos a situação ao cigarro. Um estudo recente veio mostrar os problemas de saúde que o consumo de apenas UM cigarro ao dia causaria, antecipando a morte dos indivíduos. Pois nos próximos dias será a estreia de um dos livros mais aguardados na Nutrição: The Case Against Sugar de Gary Taubes, o pai do low-carb moderno. Taubes é mais do que pertinente, ele é necessário até em seus erros. O maior deles? Talvez tenha sido uma janela em sua teoria em sua principal obra, Good Calories, Bad Calories, explicando a crise de obesidade em função dos carboidratos, limitando-se à insulina, não incluindo a Resistência à Insulina. Não importa, ainda sem ler seu novo livro e conhecendo suas ideias dá para anteciparmos o veredito sobre o açúcar: ele é nocivo, não importa a quantidade, se açúcar branco, mascavo ou xarope de milho. Mais do que nocivo, ele é tão perigoso que mesmo o consumo de baixas quantidades traria consequências à saúde.

sugar-toxicAs mesmas instituições (SBD, Asbran, CFN…) são cautelosas na certeza que acharão algum dia provas contra ovos e gordura saturada, porém são tolerantes com o açúcar, quando já temos evidências sólidas de suas consequências. Não pode fumar, mas doce diariamente pode.

Quando alguém diz que podemos e devemos comer um pouco de tudo, essa pessoa é inútil. Quem não se posiciona, não diz nada. Quem molda o discurso, quer apenas agradar, quer apenas demarcar território, não quer dizer a verdade. Obviamente não é só uma questão de tomar partido, mas de entender do assunto. Se essa mesma pessoa não diria que fumar um cigarro vez ou outra faz bem, por que dizer que doce de vez em quando faz?

No mundo atual, na nossa realidade, obviamente que não comer nunca doce ou açúcar é uma meta social praticamente impossível, mas isso por sua vez NÃO transforma o doce em um componente indiferente da dieta. Se esses órgãos não conseguem entender isso (ou têm motivo$ para fazerem isso), eles são inúteis, já que bom senso podemos esperar de um adulto.

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Aumento do consumo per capita de açúcar de 1700 a 2013…

Os benefícios inusitados e inesperados da Homeopatia

Agora é lei: nos EUA os remédios homeopáticos vendidos sem necessidade de prescrição terão que conter um aviso dizendo que são baseados em teorias antiquadas “não aceitas pela maior parte dos médicos” e que “não existe evidência científica de que o produto funcione”. Não deixa de ser uma lei honesta, afinal, juntar algo em milhões de partes de água e torcer para que dê certo não é algo antiquado, é pensamento mágico em sua pura essência mesmo.

Porém, a homeopatia não deveria ser inibida se queremos ter menos mortes. Mas… como?!?

img_7105Que homeopatia não funciona é largamente sabido com estudos replicáveis e replicados que demonstram sempre não haver qualquer vantagem sobre placebo. Só que os boletos de contas a pagar continuam chegando, então haverá sempre alguém disposto a vender quando há tantos dispostos a comprar.

Dias atrás saiu no UOL uma matéria bem interessante nos lembrando que erros médicos já são a maior causa de mortes no Brasil. Nos EUA não é muito diferente. Por lá erros já matam mais do que qualquer câncer! Aí é que entra onde a homeopatia funcionaria para algo que não apenas a que a vende, mas também a quem a consome.

Os modelos ocidentais de Saúde atuais incentivam mais intervenção, mais procedimentos, mais remédios. O médico lucra com mais intervenções, o paciente por sua vez valoriza mais e avalia melhor o trabalho e o profissional que remedia e faz mais procedimentos. Tão importante quanto curar é ele demonstrar ao paciente que está tentando fazer algo, ainda que isso nos faça mal. E é justamente em ambientes assim que erros médicos se multiplicam e acontecem porque há sabidamente um exagero de intervenções desnecessárias, e mesmo as necessárias já carregam em si um pequeno risco natural de dar errado.

A homeopatia por ser inócua é justamente uma especialidade que, se não oferece diretamente a cura, por outro lado não traz em si o erro por seu caráter de não ter nenhuma intervenção factual. É como tomar uma pílula com água. É como seu irmão mais novo, de 7 anos, que é o café-com-leite no pega-pega. Ele não te faz mal nenhum, mas fará bem ao parar de chorar. Nessa realidade, a entrada da homeopatia apazigua o desejo do paciente de querer fazer algo em casos simples ao mesmo tempo que impede que haja erro médico por um sistema que incentiva o médico a fazer algo que seja.

Alguém seriamente doente ou em profunda dor não irá apelar à homeopatia porque no fundo no fundo essa pessoa já sabe que homeopatia não funciona para nada importante, e que algo que não é sério o corpo cuida sem maiores transtornos.

preparandohomeopatia1-1024x683Se visto friamente, sem suas consequências, essa lei americana é teoricamente boa, honesta. Mas na prática ela é ruim porque ela “dificulta que fujamos”, mesmo que inconscientemente, dos inúmeros erros médicos que hoje tanto matam. O maior benefício da homeopatia é, pois, justamente ela NÃO funcionar. É seu caráter inócuo que nos protege das barbeiragens evitáveis.

*no fundo no fundo esse é também o maior motivo pelo qual ir ao Nutricionista na Saúde não funciona. Ele pouco ajuda ao seguir as diretrizes atuais e o que aprendeu na faculdade. Mas ele pode muito te atrapalhar, fazendo você comer pior, te engordando, te deixando doente. Na Saúde deveríamos buscar SEMPRE conselhos e consultas nutricionais com um homeopata.

*Se você gostou do que leu aqui, aproveite para ler mais em O Nutricionista Clandestino sobre como as diretrizes atuais de Nutrição deixou o mundo equivocadamente obeso. Você pode adquiri-lo aqui em e-book por R$39! Ou aqui na versão impressa!

Sobre Jejum Intermitente

Dias atrás foi a vez do UOL em uma bela reportagem dar enorme destaque a um costume milenar que vem ganhando força entre alguns dos nomes mais pertinentes da Nutrição: o Jejum Intermitente, ou apenas Jejum. O Jejum é a abstenção voluntária de alimento por um determinado tempo. Nesta prática está liberada o consumo de água, café e infusões como chá, desde que não contenham açúcar ou adoçantes artificiais.

Os benefícios do jejum são inúmeros. Um deles é a diminuição da Resistência à Insulina, o que auxiliaria indiretamente no emagrecimento (e controle da glicemia em diabéticos ou pré-diabéticos). Ele ainda pode promover o aumento da expectativa de vida já que essa abstenção programada e controlada de alimentos ativaria mecanismos de autodefesa das células, garantindo a elas uma maior longevidade.

O cientiso-nutricionista-clandestino_capata Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de Medicina deste ano, tem parte de sua pesquisa tentando entender como o jejum e a restrição do consumo de alimentos estimula e induz a uma autofagia celular, regulando e reciclando organelas velhas ou malformadas. Para entendermos melhor, a redução da autofagia levaria ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte de células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, o jejum ocasional ajudaria a manter esse mecanismo de autofagia ativo.

Poucos sabemos ainda qual seria o tempo de jejum que garantiria os maiores benefícios. Mas o maior recado que fica é sobre a frágil tese de que precisaríamos comer a cada 3 horas, por exemplo, como pregado por muitas associações de Nutrição. Ou ainda, que o jejum é perigoso ou nos levaria a problemas como tonturas, desmaios ou a uma menor capacidade cognitiva momentânea, por uma suposta incapacidade do cérebro em trabalhar sem fornecimento constante e periódico de glicose.

A verdade é que o jejum está presente há milhares de anos em povos e culturas. Chega a ser decepcionante o nível do debate entre nutricionistas quando defendem uma dieta baseada em altos valores de carboidrato para suprir uma necessidade exagerada de glicose ao cérebro. No capítulo 2 de O Treinador Clandestino relato a fraquíssima premissa de onde saíram os valores recomendados de glicose e como o jejum não impede sequer que corramos sem maiores riscos. E em O Nutricionista Clandestino explico como deixamos o carboidrato passar a ser recomendado como base da nossa alimentação ainda que sendo um nutriente não-essencial ao ser humano.

capa_treinador-clandestino_altaJejuar periodicamente em protocolos que variam de 12 a 24 horas uma vez por semana tem se mostrado e provado como uma prática saudável e segura, que deveria ser incluída em nossa rotina, como fazemos hoje ao recomendar a prática regular de atividade física. Mas para isso temos que quebrar antigos conceitos que equivocadamente nos ensinaram por décadas.

Convido você leitor a entrar nessa jornada comigo! Caso você não tenha ainda adquirido o seu livro, aqui você tem um combo especial com preço promocional dos 2 e-books por apenas R$59. Clique aqui e garanta o seu!

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