O patrocínio de profissionais de Saúde

Há 2 jeitos de você comprar a opinião de uma pessoa a patrocinando. O jeito mais caro é você pagar para ela falar aquilo que você quer ouvir. O outro é você pagar para que ela NÃO fale aquilo que você não quer ouvir. É assim em nossas relações do dia a dia. Seu chefe “paga seu salário” para você falar aquilo que ele quer ouvir e você se calar para aquilo que ele não gosta. Não brigue comigo, culpe o jogo.

No mundo dos patrocínios é assim também. Você paga, e tem alguém vendendo seu produto por você na forma de propaganda. Na corrida funciona da seguinte maneira: você paga um treinador e, ou ele finge que não sabe que tênis não serve para muita coisa, ou ele veste a camisa da empresa e o atribui capacidades incríveis. Depende do preço, lógico. Sempre. Nunca é de graça. Nunca.

Na Nutrição funciona de outra forma.

Atualmente há um grande debate porque vieram novamente à tona patrocínios de grandes fabricantes de refrigerantes que patrocinavam instituições de saúde e de diabetes! Isso mesmo! De entidades que deveria defender o interesse de doentes daquela enfermidade que não permite que você beba bebidas açucaradas!

Porém, você deve estar se perguntando se os patrocinados não são mais fiéis à ciência do que ao patrocinador. Não, não são. Assim como já dei muita risada de piada sem graça de ex-chefe, sempre há um jeito de sermos mais fieis ao nosso bolso. A Observer em 2015 fez uma matéria MUITO pertinente mostrando como esses patrocínios de fato são eficientes! Os profissionais de saúde patrocinados recomendando seguidamente exercício e refrigerante!

E tem quem se venda por muito pouco, pouco mesmo. Abaixo veja como o simples ato de você pagar um almoço faz um médico receitar o remédio de quem pagou o almoço dele!

A cada almoço pago a um médico, aumenta a porcentagem de um determinado remédio receitado!

A cada almoço pago a um médico, aumenta a porcentagem de um determinado remédio receitado!

As pessoas fazem qualquer coisa por bem menos do que você imagina! Um par de tênis ao treinador e aumentam as chances da próxima maratona dos alunos dele ser com o tênis de quem banca a brincadeira!

Mas… e no Brasil?!

O CELAFISCS foi um dos institutos que apareceram na lista de parceiros de um fabricante de refrigerante. BINGO! Quando você recorre a eles para saber qual a solução para obesidade infantil, uma vez que ele é pago para NÃO falar a resposta que desagrade quem lhe paga, ele dá a mais conveniente: exercício. Ele terceiriza a culpa, ele dá risada da piada sem graça do chefe deles, como você pode atestar aqui ou na matéria abaixo.

Ele não é único, lógico. Ainda assim, quando o CELAFISCS fala algo sobre obesidade, acredite em mim, eles não valem nada!

Outro exemplo é a Sociedade Brasileira e Diabetes (SBD) que para mim é a maior patrocinadora pró-diabetes do país. Ninguém atua com mais dedicação em favor dessa doença, para azar das pessoas físicas que lhe pagam seus salários e ficarão doentes até o fim (antecipado) de suas vidas. Mas isso porque a equipe da SBD se mantem fiel às PJs que bancam seus simpósios. Eles são cuidadosos, não deixam muito à vista, mas use o Google Imagens e verá quem os patrocina. É sintomático. Cada fala de seu presidente, para mim, é um exemplo de fidelidade com fervor. Fidelidade a quem patrocina seu cuidadoso discurso que terceiriza a culpa, dá risada de piada sem graça, mas garante a venda dos fabricantes de remédios e alimentos inadequados aos enfermos.

Por fim, semana passada pude voltar à minha faculdade resolver umas pendências bobas. Nunca vi tanto curso extracurricular pago. Acho que quase todos ligando de alguma forma exercício com emagrecimento. A pessoa precisa saber SEMPRE de onde vem o dinheiro de que discursa. Isso explica muita coisa. Não espere nem mesmo de um Laboratório de Nutrição Esportiva, que deveria primar pela ciência, que ele abra mão de uma renda (os cursos são pagos, lembre-se!) que é o de transformar o exercício em emagrecedor.

Porém neste caso o modelo é o inverso, é o discurso de um instituto que patrocina toda uma categoria.

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3 ideias sobre “O patrocínio de profissionais de Saúde

  1. Ana Minarelli

    Rapaz, é desanimador constatar essas relações enviesadas, o conflito de interesses na área da saúde… não consigo ver alguma luz no fim do túnel… e o pior, é que os feudos possuem acesso às revistas científicas e à mídia e consequentemente, a manipulação da opinião pública… dureza…

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  2. Pingback: Leituras de 3a Feira | Blog Recorrido

  3. Neilson

    Lembrei fo seu artigo quando li essa matéria sobre patrocínio a um evento de magistrados: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2016/11/04/carmen-lucia-cancela-ida-a-um-evento-patrocinado-por-empresa-condenada/ Interessante como a balela que o patrocínio não interfere na imparcialidade, por ser pequeno, quando comparado aos fundos investidos pela associação, também é usada aqui. Igual ao médico que só recebe um almoço e algumas amostras grátis, à revista de grande circulação cuja assinatura é feita para todas as repartições públicas de um grande estado e ao jornalista que come de graça nos restaurantes que indica, entre outros inúmeros exemplos.

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