Gordurafobia e o medo do Low-Carb.

"A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca... ooops"

“A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca… ooops”

Pouco mais de 3 semanas atrás um texto incrível do The New York Times (aqui traduzido ao português) ganhou destaque pelo número de compartilhamentos e porque Gary Taubes, pai do low-carb moderno, profetizou que ele poderia ser o ponto de virada para que finalmente os profissionais de saúde aceitem sem medo a dieta de baixo carboidrato (low-carb). 2 dias depois o mesmo veículo publicava outro texto incrível explicando como a indústria do açúcar transformou a gordura em vilã na Nutrição (aqui traduzido por Erik Neves).

O primeiro texto basicamente, mas muito bem fundamentado, argumenta de forma bem direta que antes de uma intervenção cirúrgica buscando emagrecimento, as pessoas deveriam tentar antes cortar o carboidrato da dieta porque ele é o macronutriente que de longe mais impacta os níveis de insulina no sangue. Este é o hormônio mais diretamente relacionado com o aumento dos estoques de gordura e que ao mesmo tempo impede que o corpo a utilize como energia.

Taubes em seu incrível livro Good Calories Bad Calories explica em uma pesquisa completa e minuciosa como que sem ciência definimos equivocadamente o controle de peso como sendo uma questão matemática, de déficit calórico, e não algo biológico e de disfunção hormonal; e Taubes ainda fala de como direcionamos todas as politicas de Saúde Pública em uma direção que causou a maior crise de obesidade da história ao promovermos exercício, dietas low-fat e dietas de baixa caloria como abordagens primárias no emagrecimento.

O que mais assusta na Nutrição não é o fato de muita coisa não possuir resposta. Isso é normal em inúmeros campos do conhecimento. O que mais preocupa quando o assunto é alimentação é que as diretrizes não são baseadas em estudos controlados nem em ciência, mas em desejo, boa vontade e torcida.

img-20150901-wa0015Enquanto escrevo isso, assisto ao Globo Repórter falando sobre hipertensão e diabetes. Quem sempre é procurada para falar é a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Ela mais parece a assessoria de imprensa da indústria farmacêutica e tem em seu presidente um torcedor que virou porta-voz deixando de lado seu diploma de médico e, mais importante, o seu juramento.

Eu falo isso porque eles têm o hábito de ignorar o que mostram os estudos controlados para continuar a medicamentar pessoas doentes. O texto do The New York Times cita 40 estudos falando sobre a segurança de se cortar carboidrato. Eles não são únicos. Aqui você tem mais 25 estudos comparando dieta low-carb com o que prega a SBD e colegas. E aqui você tem mais 54.

Você não precisa nunca acreditar em ninguém justamente porque os estudos estão disponíveis para quem quiser ver tirando o peso da torcida. A dieta low-carb se mostra segura, mais eficiente, logicamente mais sensata (já que reduz a liberação de insulina, o hormônio chave no processo de engorda) e NO MÍNIMO não inferior. Ou você pode fazer justamente o que muitos profissionais insistem em não fazer ao ignorar o que mostram os dados porque eles simplesmente não querem acreditar, e preferem ficar desatualizados.

Uma dieta low-carb está longe de ser infalível. Nosso corpo regula nosso peso por uma série de mecanismos que incluem ainda a quantidade de refeições, tempo de jejum, ciclo circadiano, estresse, sono… São justamente essas variáveis que impedem que a taxa de sucesso seja de 100%. Aliás, nunca será. Como disse aqui, não possuir todas as respostas é algo normal na ciência. O que não é normal é como quem vai falar sobre low-carb ignora o que já há produzido.

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3 ideias sobre “Gordurafobia e o medo do Low-Carb.

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