O porquê nossas avós são BEM melhores que os Nutricionistas. OU AINDA: o tempo como senhor da Razão.

Um dos temas que mais aprecio, mas sobre o qual eu dificilmente decido escrever muito é a latente ineficiência dos atuais tênis de corrida na diminuição das lesões nesse esporte. Se eu precisasse resumir em poucas palavras o recente histórico seria: nos últimos 40 anos os tênis ficaram maiores, mais pesados e (muito) mais caros. Agora os modelos convencionais contam com “tecnologias” que prometem muito. Mas na realidade conseguiram oferecer com evidências apenas maior conforto. Ou seja, não há vantagem ou menor índice de lesões, porém dão uma falsa sensação de segurança que é muitas vezes contraproducente.

A QUEM OUVIR?? – O que é um especialista? O que é um falso especialista? Em quem acreditar?

Você não terá problemas em encontrar nutricionista dizendo que você deve ir apenas com quem tem CRN, o que é uma tremenda bobagem; discurso de quem se preocupa mais com o próprio bolso do que com aquele que deseja emagrecer. No campo das ideias quem decide quem é e quem não é especialista é o tempo. E existe uma regra para isso, o Efeito Lindy, uma das heurísticas mais robustas que existem. O efeito diz que a expectativa de vida de uma ideia é porporcional ao seu tempo de vida.

Aplicado aos tênis de corrida, os maiores atletas por bem mais da metade do século passado corriam com tênis sem suporte. Desde os anos 70 a indústria tenta nos empurrar um novo conceito de tênis que não só não se mostra eficiente (como evidencia qualquer pesquisa preguiçosa que qualquer um pode fazer), como seus próprios tênis, de tão ruins que são como conceitos de calçados seguros, vão morrendo temporada após temporada.

Você pode enganar um corredor (nem tão) iniciante com suas propagandas chamativas, pode convencer o jornalista que só lê release, pode convencer aquele médico que faz lista de “tênis bom para o joelho”. Você apenas não engana duas entidades: Lindy e o Tempo.

Por isso que quando olhamos no tempo vemos que a fragilidade dos falsos argumentos não sobrevive ao tempo, uma vez que um dos discursos dos fabricantes diz que “esta versão está ainda melhor que a anterior” ainda que ela não tenha se mostrado em NADA mais segura que um tênis de corrida de 1965! É como o Comunismo/Socialismo, nunca deu certo em lugar nenhum, mas deveríamos continuar tentando. Para estes todos é muito triste quando o seu “mundo dos sonhos possíveis” encontra a vida real.

Fosse um modelo de tênis convencional de hoje superior aos da década de 60, o conceito desses teria morrido, mas continua vivo ainda que sem a força da propaganda. Por quê?

“Insanidade em indivíduos é algo raro – mas em grupos, festas, nações e épocas, ela é uma regra”. (Friedrich Nietzsche)

Por que tantos de nós correm com tijolos aos pés que não os protegem? Por que comemos 60% das nossas calorias justamente do nutriente que é não-essencial à vida? Por quê?

Vivemos uma época racional regida pela irracionalidade de falsos especialistas. Muitos deles montam suas teorias na segurança de não ter que submeter alguém previamente ao que pregam. E é ai que nossas avós são melhores do que nossos nutricionistas. Se na saúde você tiver que seguir ao acaso uma recomendação nutricional, marque um encontro com sua avó JAMAIS consulta com um Nutricionista.

Sempre que alguém vem e me chama de polêmico (o que não é verdade), repare que provavelmente estou apenas a dar peso a pesquisas que com rigor contradizem o senso-comum, seja na Nutrição ou sobre com qual tipo de tênis que deveríamos correr. Afirmações essas que eu sei que acarretam danos à reputação dos falsos especialistas, os especialistas em release, ou os ignorantes por conveniência, estes os mais desonestos. As ideias desses não sobrevivem honestamente ao tempo. Veja: são 40 anos para provar que tecnologia ajuda. Sem provas. São 40 anos seguindo cada vez mais as diretrizes nutricionais: nunca tivemos um mundo tão obeso. Esses especialistas (nutricionistas e defensores da tecnologia em calçados) são vulneráveis à prova do tempo e esperam que a realidade mude seu funcionamento, não suas teorias absurdas.

AVÓS vs PESQUISADORES

Por isso insisto com uma heurística: quer ir ao Nutricionista? Converse com sua avó. Com enorme chance de certeza afirmo que 85% das vovós estarão certas. Menos de 15% dos nutricionistas têm essa taxa. Por quê? Porque elas, nossas avós, comiam alimentos que foram a base da nossa dieta por muitos séculos. O Nutricionista não, ele vive de um pensamento mágico de teorias de apenas 40 anos que jamais foram postas à prova. Ele não tinha muito a perder, nossas avós e antepassados tinham.

Com tênis de corrida não é diferente. Por séculos os corredores, que dependiam do sucesso de sua corrida, usavam calçados com pouco suporte. Por que então dar ouvidos a jornalistas, fisioterapeutas e médicos que NÃO estudam DE VERDADE o assunto (pseudo-especialistas) e cuja parte de seu sucesso depende justamente do SEU fracasso (lesão) na corrida? Há uma enorme dissociação de interesses, como em quase todas as áreas da Saúde. A Nutrição não é em nada diferente.

Diabetes – cuidado com o que dizem as entidades “especialistas”.

Dias atrás a foto de um cartaz no refeitório de um Hospital Universitário me chamou atenção. Nele estava escrito que “o arroz auxilia no tratamento do diabetes”. Era um anúncio patrocinado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Duas são as coisas que mais me espantam no assunto diabetes:

O primeiro é a relação acintosa, promíscua, desavergonhada, condenável e vendida entre a comunidade médica (na forma de suas associações e sociedades como a ABESO e a Sociedade Brasileira de Diabetes) e quem lhes pagam dividendos financeiros. Eles não se preocupam sequer em esconder como funcionam, falam bem de quem pagar bem.

"A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca... ooops"

“A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca… ooops”

O segundo é como esse trabalho de defender patrocinadores foi de tal forma duradouro e bem feito que a lógica se inverteu. Essas entidades, encabeçadas por muitos profissionais de renome que também possuem relação suspeita com alguns laboratórios, inverteram na cabeça do leigo toda a lógica de como funciona uma doença que não chega a ser complexa.

A diabetes do tipo II, aquela popularmente conhecida por ser “adquirida” em adultos com o avançar da idade, nada mais é do que uma intolerância à glicose resultado, entre outras coisas, de uma enorme resistência à insulina. Como esse hormônio é liberado principalmente com o consumo do carboidrato, e este por sua vez é não-essencial ao ser humano, existem duas opções:

A primeira é você comer menos do nutriente não-essencial (no caso o carboidrato), uma vez que o diabético é intolerante a ele.

Outra opção é você reduzir essa resistência à insulina, e isso passa necessariamente por consumir menos (em quantidade e frequência) de alimentos ricos em carboidratos (e pobres em fibras), que estimulam a liberação do hormônio.

Os ~especialistas~ ignoram os estudos e a lógica da doença para pedir que o doente faça o contrário. Que ele coma mais carboidrato e consuma a insulina e os remédios que coincidentemente seus patrocinadores fabricam e vendem. É tudo muito nojento, dá ânsia, embrulha o estômago.

Arroz é amido “puro”, que por sua vez é glicose “pura”. Como pode ajudar no tratamento de um doente que não consegue metabolizar glicose? A IRGA querer vender essa ideia, dá para entender. Médicos aceitarem o dinheiro para convencer o doente é puramente antiético. Aos olhos desses médicos, pagando bem, que mal tem?

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Você não deveria ouvir o que dizem a SBD e seus diretores

A diabetes é hoje a 3ª causa de morte nos EUA (antes era a 7ª). Ainda assim, com a doença crescendo, as entidades como a brasileira SBD ou a associação americana de diabetes pedem que um doente intolerante à glicose coma dietas ricas em… glicose!

Você poderia achar que o público não ouve os especialistas. Porém, isso não é verdade. Quando você compara dados de 1970 a 2014 descobre que passamos a consumir 20% a mais de vegetais e 30% a mais de frutas. Ainda assim, as entidades dizem que consumimos muita carne e gordura saturada. O mesmo levantamento mostra que reduzimos em 79% o consumo de leite integral, em 17% a gordura animal e 28% menos carne vermelha. Mas essas entidades ainda acham que carne causa diabetes.

Duvida? Cheque você mesmo o que dizem algumas das diretrizes! Onde?

livro1São muitas as fontes e estudos mostrando como invertemos malucamente a compreensão dessa doença. Em O Nutricionista Clandestino (aqui em e-book e aqui na versão impressa) explico não só a lógica dela, mas cito as absurdas diretrizes atuais dessas entidades. Você pode ainda aproveitar a promoção com o combo de e-books com O Treinador Clandestino!

A Dieta nas Festas

A piada dia: “o problema não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, mas o que comemos entre o Ano Novo e o Natal”. Faz sentido? Há estudos que mostram haver muita verdade nesse raciocínio de que nosso exagero ao final do ano sabota nossa silhueta. Os americanos, por exemplo, ganhariam muito peso entre o Dia de Ação de Graças (a quarta 5a feira de novembro) até 01 de Janeiro. Ou seja, um período de 6 semanas de engorda. Veja abaixo que este é um padrão em outros países e suas celebrações de final de ano e/ou religiosas.

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É um efeito “universal”: Natal, reveillon, datas festivas, Páscoa… geram ganho de peso considerável na população. Cuidado!

Um levantamento americano, além de confirmar o ganho de peso entre essas datas, traz algo muito mais importante: entre o final das férias e o pré-festas do ano seguinte as pessoas NÃO se livraram do que ganharam em 6 semanas! Seria mais ou menos assim: a pessoa engorda no final de ano, porém bem menos do que se imagina. Mas essa pessoa NÃO perde o que ganhou e vai assim acumulando peso, ano após ano.

Especula-se que anualmente cerca de 60% de nosso ganho de peso seria assim resultado de um descuido que ocorre em períodos muito restritos! Obviamente há enormes limitações por ser um estudo observacional com uma população que está no inverno, enquanto nós estamos no verão, justamente quando mais expomos nossos corpos em praias e ruas, por exemplo.

E não é só isso, como era esperado, para combater os excessos as pessoas correm para as academias! Repare abaixo no comportamento das pessoas que nas festas exageram no fast-food e tentam compensar com atividade física. *do Ano-Novo até meio de Janeiro é o único momento no qual academia ultrapassa o fast food. **quem acompanha este espaço sabe que atividade física é uma péssima ferramenta para perda ou controle de peso!

Outra regra:  a pessoa se esbalda no final do ano e corre para academia tentar compensar!

Outra regra: a pessoa se esbalda no final do ano e corre para academia tentar compensar!

Então o que fazer nesses casos? *E isso serve também para Páscoa, festinhas de criança, casamentos

– Primeiramente, tenha juízo, pois isso nunca faz mal a ninguém. Coma como se HOUVESSE amanhã;

– (Esta dica vale também para os que não param de perguntar o que comer ANTES de fazer jejum intermitente) Talvez valha priorizar ovos e/ou proteína na refeição anterior. Veja abaixo que as pessoas que comeram ovos, comeram menos na refeição seguinte. ATENÇÃO: muito possivelmente não há nada mágico no ovo! O resultado foi PROVAVELMENTE uma questão de macronutrientes (mais de um e/ou menos de outro), não do alimento em si. Não sabemos ainda se foi comer mais proteína, se foi comer menos carboidrato ou se comer ovos. Não sabemos!

Quem comeu mais ovos (proteínas), na refeição seguinte estava mais saciado do que quem comeu mais carboidrato.

Quem comeu mais ovos (proteínas), na refeição seguinte estava mais saciado do que quem comeu mais carboidrato.

– Por fim, treinar pode não fazer perder muito peso, mas melhora a resistência à insulina. Ou seja, ajuda! Exercício quase nunca fará mal! Se quiser treinar antes, ótimo! Quer treinar (LEVE!) depois? Melhor ainda! Por que não andar um pouco em vez de deitar e dormir? Mas reforço: não há exercício no mundo que compense você comer um pernil e tomar um balde de sorvete.

Boas festas!

Feliz 2017!

Jejum Intermitente e Corrida

Jejum Intermitente. O que é? Para o que serve?

Esta semana foi ao ar (abaixo) um vídeo do Corrida no Ar (o maior canal de corrida em português no YouTube) no qual falo sobre o que é o “jejum intermitente”, para o que serve, como funciona e o que traz de benefícios ao corredor e praticante de atividade física.

Em meu novo livro O Treinador Clandestino há um capítulo inteiro sobre o tema! Assim como em O Nutricionista Clandestino explico sobre a queda da resistência à insulina, talvez o maior e melhor benefício dessa prática milenar.

Caso queira adquirir os 2 livros em um preço especial de R$59, clique aqui!

O MITO DA MODERAÇÃO – ou o quanto vale a sua tolerância?

Um princípio fundamental é que o conhecimento é subtrativo, ou seja, com pesquisas, por estudos e descobertas vamos aprendendo aquilo que NÃO funciona, aquilo que NÃO é verdade. A Nutrição está longe de ser uma ciência quando vista pelas suas práticas ao determinar as diretrizes porque, sem pesquisar, suas recomendações vão sendo feitas sem muito suporte. Dessa maneira, a Nutrição deveria ser muito mais sobre o que NÃO devemos comer do que aquilo que deveríamos comer.

ncs_modified20130820100557maxw640imageversiondefaultar-303049938Se você recorrer a associações ou entidades irá encontrar em seus portais facilmente a orientação que um pouco de açúcar ou doce não faz mal. Isso é assim mesmo entre instituições ou grupos que orientam diabéticos, indivíduos que são intolerantes à glicose. Isso equivale, de certa forma, como a dizer ao alcoólatra que ele pode beber um pouco, que “ele é um indivíduo como outro qualquer”, tal qual essas associações dizem da relação entre diabéticos e doces. Ou então é como dizer que tudo bem comer camarão se você tem muita alergia, desde que tome remédios depois. Não faz muito sentido.

QUANDO TUDO É PERMITIDO, NADA É PROIBIDO

Porém, os mesmos veículos que dizem que podemos comer “um pouco de doce”, dizem que não podemos comer nada de gordura trans, ou ainda, que devemos comer ovos e gordura animal (saturada) com moderação. A trans já sabemos não ser essencial e ser nociva. Ovos e gordura saturada sabemos ser essenciais e não-nocivos. O discurso esquizofrênico deles, porém, persiste.

Veja bem: não conseguimos mostrar que estes fazem mal, mas já decidimos que há um limite máximo (superior) de consumo. Do açúcar sabemos ser nocivo e não-essencial, mas dizemos que pode ser consumido todos os dias “com moderação”.

Alonguemos a situação ao cigarro. Um estudo recente veio mostrar os problemas de saúde que o consumo de apenas UM cigarro ao dia causaria, antecipando a morte dos indivíduos. Pois nos próximos dias será a estreia de um dos livros mais aguardados na Nutrição: The Case Against Sugar de Gary Taubes, o pai do low-carb moderno. Taubes é mais do que pertinente, ele é necessário até em seus erros. O maior deles? Talvez tenha sido uma janela em sua teoria em sua principal obra, Good Calories, Bad Calories, explicando a crise de obesidade em função dos carboidratos, limitando-se à insulina, não incluindo a Resistência à Insulina. Não importa, ainda sem ler seu novo livro e conhecendo suas ideias dá para anteciparmos o veredito sobre o açúcar: ele é nocivo, não importa a quantidade, se açúcar branco, mascavo ou xarope de milho. Mais do que nocivo, ele é tão perigoso que mesmo o consumo de baixas quantidades traria consequências à saúde.

sugar-toxicAs mesmas instituições (SBD, Asbran, CFN…) são cautelosas na certeza que acharão algum dia provas contra ovos e gordura saturada, porém são tolerantes com o açúcar, quando já temos evidências sólidas de suas consequências. Não pode fumar, mas doce diariamente pode.

Quando alguém diz que podemos e devemos comer um pouco de tudo, essa pessoa é inútil. Quem não se posiciona, não diz nada. Quem molda o discurso, quer apenas agradar, quer apenas demarcar território, não quer dizer a verdade. Obviamente não é só uma questão de tomar partido, mas de entender do assunto. Se essa mesma pessoa não diria que fumar um cigarro vez ou outra faz bem, por que dizer que doce de vez em quando faz?

No mundo atual, na nossa realidade, obviamente que não comer nunca doce ou açúcar é uma meta social praticamente impossível, mas isso por sua vez NÃO transforma o doce em um componente indiferente da dieta. Se esses órgãos não conseguem entender isso (ou têm motivo$ para fazerem isso), eles são inúteis, já que bom senso podemos esperar de um adulto.

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Aumento do consumo per capita de açúcar de 1700 a 2013…

Os benefícios inusitados e inesperados da Homeopatia

Agora é lei: nos EUA os remédios homeopáticos vendidos sem necessidade de prescrição terão que conter um aviso dizendo que são baseados em teorias antiquadas “não aceitas pela maior parte dos médicos” e que “não existe evidência científica de que o produto funcione”. Não deixa de ser uma lei honesta, afinal, juntar algo em milhões de partes de água e torcer para que dê certo não é algo antiquado, é pensamento mágico em sua pura essência mesmo.

Porém, a homeopatia não deveria ser inibida se queremos ter menos mortes. Mas… como?!?

img_7105Que homeopatia não funciona é largamente sabido com estudos replicáveis e replicados que demonstram sempre não haver qualquer vantagem sobre placebo. Só que os boletos de contas a pagar continuam chegando, então haverá sempre alguém disposto a vender quando há tantos dispostos a comprar.

Dias atrás saiu no UOL uma matéria bem interessante nos lembrando que erros médicos já são a maior causa de mortes no Brasil. Nos EUA não é muito diferente. Por lá erros já matam mais do que qualquer câncer! Aí é que entra onde a homeopatia funcionaria para algo que não apenas a que a vende, mas também a quem a consome.

Os modelos ocidentais de Saúde atuais incentivam mais intervenção, mais procedimentos, mais remédios. O médico lucra com mais intervenções, o paciente por sua vez valoriza mais e avalia melhor o trabalho e o profissional que remedia e faz mais procedimentos. Tão importante quanto curar é ele demonstrar ao paciente que está tentando fazer algo, ainda que isso nos faça mal. E é justamente em ambientes assim que erros médicos se multiplicam e acontecem porque há sabidamente um exagero de intervenções desnecessárias, e mesmo as necessárias já carregam em si um pequeno risco natural de dar errado.

A homeopatia por ser inócua é justamente uma especialidade que, se não oferece diretamente a cura, por outro lado não traz em si o erro por seu caráter de não ter nenhuma intervenção factual. É como tomar uma pílula com água. É como seu irmão mais novo, de 7 anos, que é o café-com-leite no pega-pega. Ele não te faz mal nenhum, mas fará bem ao parar de chorar. Nessa realidade, a entrada da homeopatia apazigua o desejo do paciente de querer fazer algo em casos simples ao mesmo tempo que impede que haja erro médico por um sistema que incentiva o médico a fazer algo que seja.

Alguém seriamente doente ou em profunda dor não irá apelar à homeopatia porque no fundo no fundo essa pessoa já sabe que homeopatia não funciona para nada importante, e que algo que não é sério o corpo cuida sem maiores transtornos.

preparandohomeopatia1-1024x683Se visto friamente, sem suas consequências, essa lei americana é teoricamente boa, honesta. Mas na prática ela é ruim porque ela “dificulta que fujamos”, mesmo que inconscientemente, dos inúmeros erros médicos que hoje tanto matam. O maior benefício da homeopatia é, pois, justamente ela NÃO funcionar. É seu caráter inócuo que nos protege das barbeiragens evitáveis.

*no fundo no fundo esse é também o maior motivo pelo qual ir ao Nutricionista na Saúde não funciona. Ele pouco ajuda ao seguir as diretrizes atuais e o que aprendeu na faculdade. Mas ele pode muito te atrapalhar, fazendo você comer pior, te engordando, te deixando doente. Na Saúde deveríamos buscar SEMPRE conselhos e consultas nutricionais com um homeopata.

*Se você gostou do que leu aqui, aproveite para ler mais em O Nutricionista Clandestino sobre como as diretrizes atuais de Nutrição deixou o mundo equivocadamente obeso. Você pode adquiri-lo aqui em e-book por R$39! Ou aqui na versão impressa!

Sobre Jejum Intermitente

Dias atrás foi a vez do UOL em uma bela reportagem dar enorme destaque a um costume milenar que vem ganhando força entre alguns dos nomes mais pertinentes da Nutrição: o Jejum Intermitente, ou apenas Jejum. O Jejum é a abstenção voluntária de alimento por um determinado tempo. Nesta prática está liberada o consumo de água, café e infusões como chá, desde que não contenham açúcar ou adoçantes artificiais.

Os benefícios do jejum são inúmeros. Um deles é a diminuição da Resistência à Insulina, o que auxiliaria indiretamente no emagrecimento (e controle da glicemia em diabéticos ou pré-diabéticos). Ele ainda pode promover o aumento da expectativa de vida já que essa abstenção programada e controlada de alimentos ativaria mecanismos de autodefesa das células, garantindo a elas uma maior longevidade.

O cientiso-nutricionista-clandestino_capata Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de Medicina deste ano, tem parte de sua pesquisa tentando entender como o jejum e a restrição do consumo de alimentos estimula e induz a uma autofagia celular, regulando e reciclando organelas velhas ou malformadas. Para entendermos melhor, a redução da autofagia levaria ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte de células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, o jejum ocasional ajudaria a manter esse mecanismo de autofagia ativo.

Poucos sabemos ainda qual seria o tempo de jejum que garantiria os maiores benefícios. Mas o maior recado que fica é sobre a frágil tese de que precisaríamos comer a cada 3 horas, por exemplo, como pregado por muitas associações de Nutrição. Ou ainda, que o jejum é perigoso ou nos levaria a problemas como tonturas, desmaios ou a uma menor capacidade cognitiva momentânea, por uma suposta incapacidade do cérebro em trabalhar sem fornecimento constante e periódico de glicose.

A verdade é que o jejum está presente há milhares de anos em povos e culturas. Chega a ser decepcionante o nível do debate entre nutricionistas quando defendem uma dieta baseada em altos valores de carboidrato para suprir uma necessidade exagerada de glicose ao cérebro. No capítulo 2 de O Treinador Clandestino relato a fraquíssima premissa de onde saíram os valores recomendados de glicose e como o jejum não impede sequer que corramos sem maiores riscos. E em O Nutricionista Clandestino explico como deixamos o carboidrato passar a ser recomendado como base da nossa alimentação ainda que sendo um nutriente não-essencial ao ser humano.

capa_treinador-clandestino_altaJejuar periodicamente em protocolos que variam de 12 a 24 horas uma vez por semana tem se mostrado e provado como uma prática saudável e segura, que deveria ser incluída em nossa rotina, como fazemos hoje ao recomendar a prática regular de atividade física. Mas para isso temos que quebrar antigos conceitos que equivocadamente nos ensinaram por décadas.

Convido você leitor a entrar nessa jornada comigo! Caso você não tenha ainda adquirido o seu livro, aqui você tem um combo especial com preço promocional dos 2 e-books por apenas R$59. Clique aqui e garanta o seu!

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Sobre Dieta Personalizada e Equilíbrio

Uma pesquisa recente no PROTESTE fez um bom barulho. Basicamente sua conclusão era: dietas prescritas por nutricionistas podem não ser confiáveis. Antes de questionar os erros, entidades de classe como o CRN-3 ou o CFN fizeram o que se espera deles: atacaram sem reconhecer qualquer culpa própria. É só para isso mesmo que eles funcionam. Se engana quem pensa que eles têm alguma preocupação que seja com um paciente. *a pesquisa acabou em uma entrevista minha no jornal O Tempo que você pode ler aqui.

O irônico disso tudo é que parte da reclamação está no fato das dietas serem as mesmas a todos ainda que com problemas distintos. Como até relógio quebrado acerta duas vezes ao dia, o problema não é o remédio, mas quem o recebe.

O erro na Nutrição não está no discurso mentiroso e ignorante das entidades dizendo que a vantagem de um nutricionista é que ele irá prescrever um cardápio individualizado. Alguém com problema não quer solução única, que só ele tenha. Um doente quer antes de tudo um remédio, ainda que o mesmo funcione a todos!

Imagine a Medicina tendo que inventar um remédio exclusivo a cada doente! Imagine!

Imagine um treinador tendo que criar do zero treinamento a cada novo corredor. Imagine!

Isso não existe. A Nutrição dá o mesmo remédio que não funciona a (quase) ninguém, e é uma Ciência que está tão nas trevas porque entre outras coisas erra em não saber sequer identificar que seu problema não é o remédio ter que ser único, mas ele não funcionar! A abordagem de emagrecimento com redução calórica, quebrada em várias refeições ao dia (de 3 em 3 horas) e com baixa gordura é algo que estudo após estudo se mostra se basear na fé de quem se diz especialista, mas que se baseia na esperança e na boa vontade.

Não só o foco (individualização e não o remédio em si) está tão errado, como ele mesmo parece ser sobrevalorizado. Se ninguém espera que a Medicina (ou a Farmácia) invente um remédio diferente para cada doente por que a Nutrição e a Educação Física pensam serem capazes de fazer isso a cada novo cliente? Isso parece mais uma valorização de um serviço do que necessariamente buscar uma melhora dele. Novamente é a fé do discurso suplantando a prática.

Duas recomendações da Nutrição me tiram dos nervos: dieta equilibrada e individualizada.

 

DIETA EQUILIBRADA – um erro conceitual

Sobre equilíbrio, ele só existe no delírio do nutricionista, não na natureza, no mundo real. A dieta de todos os animais é baseada em extremos, no absoluto, são radicais. Mas o nutricionista acha que nós devemos comer com equilíbrio. O interessante é que isso equivale comer 33% de carboidrato, mas esse seria um equilíbrio do mal. Esse equilíbrio não pode, então não serve. É o mundo de sonho da categoria que enxerga um animal caçando carne e depois indo buscar folhas e grãos para montar a refeição.

Tem mais. Jantar de vez em quando mousse de chocolate é um equilíbrio, mas uma vez que você defende tamanha carga de açúcar, não precisamos pagar um profissional para orientar a fazer isso. Profissionais assim se tornam inúteis. Qualquer criança pode me orientar desse jeito, a comer um pouco de tudo, ainda que faça mal à minha saúde, sem me cobrar por essa sandice. Esse tipo de Nutricionista é aquele que sequer se posiciona. E quem não se posiciona não tem o que dizer. Se não tem o que dizer é no mínimo desnecessário.

O equilíbrio torna qualquer um nutricionista. O equilíbrio torna qualquer nutricionista totalmente dispensável.

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DIETA INDIVIDUALIZADA – um sonho

Você consegue imaginar você cuidando de 3 animais da mesma raça e para cada um deles dando um cardápio diferenciado que não seja na quantidade ditada pela fome DELES? Pois é. Tem muita gente da categoria que acha que sim. Que dá para ter 3 labradores e um só comer carneiro, outro carne e legumes e um outro ração.

Dieta individualizada é aquela espuma que a gente coloca no café para poder cobrar mais. Se você faz isso, ok. Mas se você acredita nessa espuma, você é de certa forma perigoso. Um porque você acha que tem mais controle do que realmente tem. E esses são justamente os mais perigosos.

 

A VOX veio com um artigo recente falando sobre dietas personalizadas. Fala de iniciativas que prometem (e não entregam) aquilo que nutricionistas dizem fazer. De duas uma: em breve podemos trocar uma consulta por um aplicativo gratuito no Google Play ou Apple Store, e a categoria desanda, ou ninguém desses entrega o que promete. Eu acho que ninguém entrega, mas a categoria não precisa necessariamente desandar.

Se você juntar 1.000 caboclos, homens, caucasianos, fisicamente ativos, entre 20 e 30 anos, com 70kg (+/-15kg) querendo correr uma maratona podendo seguir UM treino único, com certa segurança podemos dizer que mais de 80% irá melhorar suas marcas. Ponto. Nenhum treinador de grupo vai negar isso, que sabemos uma recomendação populacional de atividade física que tenha resultado positivo na média de uma população. Aqui temos que o esporte SABE o que funciona para o TODO (população) e aprende o que NÃO funciona para o indivíduo. É MUITO mais fácil, assim, acertarmos a população que o indivíduo, por uma questão de individualidade biológica, por uma questão de eliminação já tentada ao longo da história!

O mesmo na Medicina. Mil doentes. Aplique UM remédio em dose igual, e você sabe que a a maioria irá se curar.

Já na Nutrição, a população atual vem SEGUINDO as recomendações de menos gordura, menos calorias, mais exercício, menos carne, menos gordura saturada, mais frutas… (*essa afirmação você encontra respaldo nos levantamentos populacionais mais sérios mundo afora). PORÉM, ainda que seguindo, estamos cada vez mais gordos. A Nutrição, que NÃO sabe orientar no TODO, acredita que saberá guiar no individual, que lembremos, é mais difícil.

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A Nutrição ganharia MUITO mais se parasse com a tese sem fundamento de que sabe o que é melhor para um indivíduo quando ela ainda não descobriu nem entendeu o que funciona para a população. Ela só conseguirá chegar mais perto daquela, na hora que tiver dominado esta.

Por isso que prometer dieta personalizada e dieta equilibrada diz muito sobre o que o seu nutricionista sabe sobre como funciona Nutrição.

O açúcar pode ser vilão, mas é a fala do médico brasileiro é que é sintomática!

O UOL está longe de ser uma fonte minha para informação quando o assunto é Nutrição. Mas a matéria que saiu dias atrás sobre colesterol, gordura e açúcar é um primor! Nela estão ao menos 2 nomes essenciais para entendermos melhor a questão (Robert Lustig e Ancel Keys) e ao menos 3 estudos fundamentais!

Basicamente a reportagem fala sobre a culpa precipitada que a gordura levou como responsável nas doenças cardíacas (falo melhor aqui). Resumidamente, houve uma conclusão baseada em achismo, ciência malfeita, ciência questionável (por parte de Ancel Keys) e sobreposição de lógica (“se a artéria entupida está bloqueada com gordura, comer gordura deve ser a causa”).

A ótima Zoe Harcombe diz uma recomendação da qual eu compartilho: se você não quer se preocupar com o colesterol, não o meça. Ele confunde e você não consegue analisar uma informação de forma dieta que hoje sabemos ser fundamental (o tipo do seu LDL). Podemos dizer que hoje o colesterol é superestimado em indivíduos normais ou não.

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Mas a comunidade médica e de nutricionistas é tão viciada, é tão fiel às suas crenças que não há pesquisa suficientemente benfeita ou em tamanho tal que os remova daquilo que eles tiveram nas aulas da faculdade sem questionar.

Nada (nada!) é mais sintomático do que uma jornalista enfileirar o raciocínio fundamentando com argumentos usando um dos profissionais mais pertinentes da atualidade (Lustig) e ter que ouvir o contraponto de um médico brasileiro. As falas de Lustig ainda que contendo opinião são sempre feitas com suporte de análise. Mas isso fere a fé do médico brasileiro. Então a fala dele vem com um “não concordo”. Por quê? Porque sim. As conclusões dos interessantes estudos nos quais Lustig fundamenta sua fala não estavam nos livros do tal médico brasileiro. Então ele não pode acreditar, nem concordar.

É esse o nível do nosso debate.

O patrocínio de profissionais de Saúde

Há 2 jeitos de você comprar a opinião de uma pessoa a patrocinando. O jeito mais caro é você pagar para ela falar aquilo que você quer ouvir. O outro é você pagar para que ela NÃO fale aquilo que você não quer ouvir. É assim em nossas relações do dia a dia. Seu chefe “paga seu salário” para você falar aquilo que ele quer ouvir e você se calar para aquilo que ele não gosta. Não brigue comigo, culpe o jogo.

No mundo dos patrocínios é assim também. Você paga, e tem alguém vendendo seu produto por você na forma de propaganda. Na corrida funciona da seguinte maneira: você paga um treinador e, ou ele finge que não sabe que tênis não serve para muita coisa, ou ele veste a camisa da empresa e o atribui capacidades incríveis. Depende do preço, lógico. Sempre. Nunca é de graça. Nunca.

Na Nutrição funciona de outra forma.

Atualmente há um grande debate porque vieram novamente à tona patrocínios de grandes fabricantes de refrigerantes que patrocinavam instituições de saúde e de diabetes! Isso mesmo! De entidades que deveria defender o interesse de doentes daquela enfermidade que não permite que você beba bebidas açucaradas!

Porém, você deve estar se perguntando se os patrocinados não são mais fiéis à ciência do que ao patrocinador. Não, não são. Assim como já dei muita risada de piada sem graça de ex-chefe, sempre há um jeito de sermos mais fieis ao nosso bolso. A Observer em 2015 fez uma matéria MUITO pertinente mostrando como esses patrocínios de fato são eficientes! Os profissionais de saúde patrocinados recomendando seguidamente exercício e refrigerante!

E tem quem se venda por muito pouco, pouco mesmo. Abaixo veja como o simples ato de você pagar um almoço faz um médico receitar o remédio de quem pagou o almoço dele!

A cada almoço pago a um médico, aumenta a porcentagem de um determinado remédio receitado!

A cada almoço pago a um médico, aumenta a porcentagem de um determinado remédio receitado!

As pessoas fazem qualquer coisa por bem menos do que você imagina! Um par de tênis ao treinador e aumentam as chances da próxima maratona dos alunos dele ser com o tênis de quem banca a brincadeira!

Mas… e no Brasil?!

O CELAFISCS foi um dos institutos que apareceram na lista de parceiros de um fabricante de refrigerante. BINGO! Quando você recorre a eles para saber qual a solução para obesidade infantil, uma vez que ele é pago para NÃO falar a resposta que desagrade quem lhe paga, ele dá a mais conveniente: exercício. Ele terceiriza a culpa, ele dá risada da piada sem graça do chefe deles, como você pode atestar aqui ou na matéria abaixo.

Ele não é único, lógico. Ainda assim, quando o CELAFISCS fala algo sobre obesidade, acredite em mim, eles não valem nada!

Outro exemplo é a Sociedade Brasileira e Diabetes (SBD) que para mim é a maior patrocinadora pró-diabetes do país. Ninguém atua com mais dedicação em favor dessa doença, para azar das pessoas físicas que lhe pagam seus salários e ficarão doentes até o fim (antecipado) de suas vidas. Mas isso porque a equipe da SBD se mantem fiel às PJs que bancam seus simpósios. Eles são cuidadosos, não deixam muito à vista, mas use o Google Imagens e verá quem os patrocina. É sintomático. Cada fala de seu presidente, para mim, é um exemplo de fidelidade com fervor. Fidelidade a quem patrocina seu cuidadoso discurso que terceiriza a culpa, dá risada de piada sem graça, mas garante a venda dos fabricantes de remédios e alimentos inadequados aos enfermos.

Por fim, semana passada pude voltar à minha faculdade resolver umas pendências bobas. Nunca vi tanto curso extracurricular pago. Acho que quase todos ligando de alguma forma exercício com emagrecimento. A pessoa precisa saber SEMPRE de onde vem o dinheiro de que discursa. Isso explica muita coisa. Não espere nem mesmo de um Laboratório de Nutrição Esportiva, que deveria primar pela ciência, que ele abra mão de uma renda (os cursos são pagos, lembre-se!) que é o de transformar o exercício em emagrecedor.

Porém neste caso o modelo é o inverso, é o discurso de um instituto que patrocina toda uma categoria.