Módulo: Nutrição Moderna

Olá!

Se você aprecia as ideias que encontra aqui neste blog, em nossas fan-pages no Facebook, no Blog Recorrido ou nas ideias defendidas no livro O Nutricionista Clandestino, escrevo para informar que daqui menos de 15 dias, no sábado 30 de setembro no bairro de Moema em São Paulo (SP), irei ministrar um curso das 9h00 às 18h00 sobre Nutrição Moderna, abordando controle de peso, Emagrecimento, Prevenção e Controle do Diabetes (tipo 2).

Você sabe que não custo de dizer que a população vem seguindo à sua maneira tudo o que é pedido e defendido nas diretrizes oficiais nutricionais. Ainda assim, nunca tivemos uma sociedade tão obesa e doente. Será que a direção que é pedida não está errada?

Venha conosco conferir o que você não encontra hoje facilmente em lugar nenhum!

Para maiores informações, escreva para artedaforca1@gmail.com !

Obrigado!

Danilo Balu

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Sílvio Santos, Jejum e Nutrição.

É sintomático que dois memes de Nutrição tenham sido compartilhados na mesma semana. Já chego a eles.

No âmbito das relações humanas e profissionais, uma é defendida por quem detém via Estado o monopólio de um setor: o atendimento a quem quer emagrecer. Você nunca tem dificuldades para encontrar Nutricionista e Educador Físico dizendo que você deve ir a um deles caso queira cuidar da sua saúde e da dieta. Porém, há um aspecto crucial na área da saúde. É o que chamamos de Dissociação de Interesses. Um quer dinheiro, o outro quer saúde (*e NÃO há problema ALGUM nisso). Duvida? Eu poderia dar consultoria a alguém por 10 anos (como dou ao mesmo cliente há mais de 10 anos). Ele me paga mensalmente. Gratuitamente eu faria isso por talvez 10 semanas, não mais. Leve essa proposta ao profissional da saúde que lhe diz que a maior preocupação dele é com a sua saúde. Reforço: não há crime aqui!

Porém, no campo das ideias quem decide quem é e quem não é especialista é o TEMPO, não o Estado, não uma carteirinha de uma classe profissional que só serve para sugar o trabalho alheio sem precisar entregar NADA. Isso mesmo: CRN e qualquer outro “C” ganha dinheiro sem precisar fazer NADA. VOCÊ quem trabalha para sustentar vagabundo. *mas é divertido que você não tem nenhum trabalho para encontrar muita gente que ache normal. É até curioso que implicitamente fique aqui um reconhecimento de que essa pessoa não se sinta nem segura sem alguém o atestando que ele seja útil para algo.

Tempo atrás conheci o Efeito Lindy, que é uma das heurísticas mais robustas que existem. O efeito diz que a expectativa de vida de uma ideia é proporcional ao seu tempo de vida.


Aplicado aos tênis de corrida – prometo já chegar na Nutrição/Emagrecimento – os maiores atletas por bem mais da metade do século passado corriam com tênis sem suporte. Desde o final dos anos 70 a indústria tenta nos empurrar um novo conceito de tênis que não só não se mostra eficiente (como evidencia qualquer pesquisa preguiçosa que qualquer um pode fazer), como seus próprios tênis, de tão ruins que são como conceitos de calçados seguros, vão morrendo temporada após temporada.

Você pode enganar a todos, mas apenas não engana a duas entidades: a Lindy e ao Tempo.

Essa semana tem uma imagem rolando chamando Jejum de moda. Ele tem sido registrado como seguro por pelo menos milhares de anos. Outro sempre chamado de moda é o Low-Carb, só que eis que ele sempre foi a regra. Sempre. O Low-Fat é algo inventado SEM estudos apenas por volta dos anos 60 e 70.

Pois se vivemos uma época racional regida pela irracionalidade de falsos especialistas, talvez a ferramenta mais útil e mais segura seja recorrer justamente ao tempo! Jejum e Low-Carb sempre estiveram entre nós. Já a entrada das recomendações defendidas pelas associações de sempre, que só vivem e só querem seu dinheiro, ocorre justamente quando o planeta vive sua pior crise de obesidade e diabetes.

Assim chegamos ao grande Sílvio Santos. Ele não é profissional de Saúde, ele tem algo a perder: sua Saúde. O que ele mais quer é saúde. E ele tem o tempo ao seu lado: não há como uma dieta low-carb engordá-lo. Por mera sabedoria de observação (seja do tempo, seja do que está em volta dele), ele concluiu que a restrição de carboidrato refinado serve para emagrecer duas fãs obesas. Não sei a opinião de quem criou a imagem, mas sei que vc não terá dificuldade de ver gente que se acha inteligente, profissional de saúde, achando que ela está certa. Que há moda em algo de milhares de anos. Eles precisam ter aulas de raciocínio lógico com SS, que não sabe diferenciar mitocôndria de pâncreas, mas sabe que não tem como o delírio do Low-Fat contradizer milhares de anos.

É o tempo, estúpido.”

Danilo Balu
autor

*se você gostou da análise que leu aqui e quer saber coisas que nunca lhe disseram sobre Nutrição e Emagrecimento, o convido a ler meu livro O Nutricionista Clandestino (também na versão impressa aqui).

Sobre açúcar e vício

Domingo agora postei um texto de Gary Taubes que falava sobre a enorme dificuldade de você conseguir cortar carboidratos. Para colocar em perspectiva, Taubes é o pai do low-carb moderno e autor do livro mais importante escrito na Nutrição nos últimos 50 anos. Desconfie de quem diz trabalhar com emagrecimento e não tiver lido sequer o resumo do “Good Calories Bad Calories”, o “Por que Engordamos”.

Por não ser médico, nunca espere que ele encontre simpatia de gente da área da Nutrição. Ao recapitular pesquisas de mais de 100 anos, ele nos mostrou que absolutamente TUDO o que sabemos e aplicamos na área de emagrecimento, saúde do coração e controle de peso é um ENORME equívoco, uma grande mentira.

Taubes fala aquilo que boa parte dos nutricionistas ignora: nosso peso não é resultado de menos calorias ou de maior força de vontade em gastá-las, mas de escolhas alimentares sobre O QUE comer. E temos um enorme problema quando o talvez o alimento mais engordativo que existe, o açúcar, impacta justamente nossa capacidade de escolher corretamente. Por quê? Porque ele é viciante como uma droga ilícita. Sim, você leu direito.

O debate é recente. Começou de vez apenas nos anos 70, uma vez que até então sempre foi considerado seguro. Basta lembrar que até 1985 a diretriz americana dizia ser OK comer até 25% das calorias diárias via açúcar. Sim, você leu direito (2). Para complicar ainda mais, as pesquisas na área são complicadas. Pois como viciar voluntariamente alguém? Tente você conseguir autorização para oferecer açúcar e cocaína a crianças em nome da ciência. Ou aplicar heroína, açúcar e morfina em adultos em nome da saúde. Tente. Difícil, não?

Porém, quando visto com calma, não é difícil aceitar que a cocaína do jeito proibido, ou seja, em pó e refinada, é muito mais perigosa (e viciante!) do que sua versão em folhas de coca, consumidas legalmente na Bolívia sem graves efeitos colaterais sociais, por exemplo. Raciocínio similar valeria para o açúcar? Ou seja, refinar carboidrato em açúcar o tornaria mais potente? Por que não?

Pois bem, pesquisas feitas com ratos observou que 92% deles deixam o vício da cocaína de lado EM APENAS 2 DIAS para trocar por água com açúcar! Aliás, essa troca só não ocorreu com heroína! Isso porque o consumo de açúcar (mesmo na forma de suco de laranja!) libera dopamina e seu consumo regular faz que você precise cada vez mais dele para gerar a mesma satisfação. É como qualquer outra droga ou vício (em jogo, sexo, pornografia, cafeína…). Ainda que com outro poder, é cíclico, é viciante, é mais forte que a força de vontade.

Obviamente que ainda assim a coisa não pode ser apenas na base do achismo. Pois Robert Lustig, autor do ótimo documentário “A Verdade Amarga” (aqui com legendas em português), explica em seu livro “The Fat Chance” (ignorado nas faculdades brasileiras!) que há 7 critérios (tolerância, abstinência, desejo, compulsão…) que para definir algo como viciante tem que dar positivo em 3 ou mais. E açúcar cumpre os requisitos tanto em ratos quanto em macacos. Reforçando que não podemos fazer pesquisas com crianças e temos limites éticos para aplicar em adultos.

Acontece que aceitamos que o refrigerante mais conhecido do mundo não tenha mais cocaína, porém, o que pouca gente sabe é que essa retirada não impactou suas vendas 100 anos atrás, uma vez que o açúcar fosse mantido! Você pode alegar que era uma questão de gosto. As pesquisas dizem que é algo mais. Não só ela, a própria indústria sabe disso. Empresas de cigarro na metade do século passado passaram a injetar com sucesso açúcar nos cigarros com explosão nas vendas. A história passa ainda pela criação da mais conhecida marca de cereais matinais. O seu braço que era contra açúcar no desjejum infantil, quebrou. Já aquele que desenvolveu a técnica pioneira de injetar açúcar neles, é a maior do mundo no setor até hoje. Isso funciona com tudo. Não pode ser apenas gosto. Tem que haver algo mais do que coincidência.

Veja bem, Taubes em seu texto fala sobre vício. Que temos uma droga lícita e social que te faz agir irracionalmente, uma vez que você ignora o mal que ela faz à sua saúde em troca do enorme prazer que dá. Você não vai conhecer ninguém viciado em rabanete ou escarola. Porque ali o que há é carboidrato mais complexo e com muita fibra. Mas uma bomba de chocolate macia tem muito açúcar e/ou carboidrato refinado (farinhas). E isso te faz agir de modo viciado.

Ignorar que há vício em um alimento gostoso é achar que o mundo inteiro passou a comer açúcar coincidentemente. É má fé, ignorância no assunto ou teimosia. Estou longe de sugerir que nunca mais coma açúcar. É praticamente impossível socialmente (enquanto escrevo, há faz 4 dias 3 chandelles na minha geladeira compradas provavelmente por um duende ou gnomo). Mas você PRECISA SABER DE SEU CUSTO fisiológico. Deve evitar, limitar seu acesso. Mais do que isso: respeitar. O açúcar é provavelmente mais forte que você. E mais nocivo do que imagina.

*uma das coisas que mais ouvi de um Nutricionista que achou que seu CRN era evidência, foi que açúcar não pode ser viciante já que nem todos se viciam nele, o que é uma verdade. Pois nem todo mundo se vicia em maconha, cocaína, heroína, cigarro, álcool… Não é preciso que todos se viciem para que algo tenha essa característica.

Sobre Corrida, Jejum, Ramadã e o delírio de não encarar a realidade

Faz questão de uns 4 anos que publicações de corrida voltaram a dar destaque a algo que se faz há décadas: correr (ou fazer qualquer exercício) em jejum. Há um motivo fundamental para isso: é que para se gerar conteúdo, esses canais fazem um loop infinito, tal qual as antigas revistas de adolescente, eles revisitam de tempos em tempos o mesmo tema, afinal, algo precisa ser postado e publicado sempre, não importa sua qualidade.

Impressiona o hábito e tamanha insistência equivocada dos veículos em chamar treinadores para falar de Nutrição. Há um detalhe aí: você não deveria tratar desse assunto com treinadores como consultores, uma categoria que não estudou isso de modo central em sua formação. É como convidar um médico para falar em revista de veterinária, ou ter um engenheiro civil falando de Física no portal. Eles até sabem um pouco, mas seu raciocínio é quase sempre por aproximação, incompleto, falho.

E aí os veículos completam ainda com outro problema: convidam nutricionistas que têm enorme talento para falar bobagens. Não vou citar, vocês sabem quem são eles. Eles têm colunas fixas, uma característica muito comum de quem sabemos não ser muito bom.

Talvez o cerne da questão é que quem deveria entender a teoria criando hipóteses observando o mundo real faz tudo no sentido contrário, ou seja, eles dão mostras de não entender absolutamente nada. Por décadas as pessoas fizeram (e fazem!) atividade física em jejum sem NENHUM grande problema. Alguém estabelecer uma diretriz nutricional diferente não transforma a realidade!

Indo muito mais longe temos que o homem pré-histórico tinha que ter PELO MENOS um desempenho MUITO BOM em jejum. Houvesse hipoglicemia, tontura, desmaio, fraqueza ou perda de massa muscular quando não comesse de 3 em 3 horas, o homem antes do advento da geladeira, do supermercado e do micro-ondas, teria desaparecido, não teria conseguido correr atrás de sua próxima refeição. Quando um predador corre perseguindo sua presa ele não alonga, nem come “uma porção de carboidrato e proteína magra” antes. Sua preparação é a necessidade e a vontade. Seu corpo foi construído para que ele possa fazê-lo, não importando a bobagem que diga o colunista especialista.

Porém, o profissional da Saúde atual parece viver em um mundo de fantasia. Delírio esse sabemos não ser exclusivo da categoria dos nutricionistas, uma visita breve a portais como o da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva prova meu ponto. Aquilo é uma sequência de bobagens feitas por iletrados no assunto Nutrição. *e aqui nem vou perguntar se aquilo é de graça ou entrega de alguma compra, não creditemos ao mau-caratismo o que pode ser apenas explicado pela incompetência mesmo.

Quando fui escrever o capítulo sobre jejum para meu livro O Treinador Clandestino, eu tinha dificuldades em encontrar estudos que explicassem a segurança e mesmo efeitos benéficos talvez exclusivos do jejum na corrida. Eu não precisei ir até a Pré-História nem ficar nesses textos de 2013 para cá. Aliás, usava esses textos apenas para saber o que era errado. Não falham nunca! E minhas buscas meio que por acaso caíram em um termo conhecido que me abriu um mundo. Não era ele fisiológico, era ele religioso. Mais precisamente o Ramadã.

Os muçulmanos fazem jejum religioso um mês por ano, comendo e se hidratando apenas entre o pôr e o nascer do sol. Este ano, como ele sempre muda, foi de 26 de Maio a 24 de Junho. Quando você observa o comportamento de atletas que fazem jejum (seja nos países islâmicos ou entre os religiosos espalhados pelo mundo) você observa que: não há queda de desempenho, não há redução nas sessões de treino, não há aumento do número de lesões nem aumento de ocorrências médicas entre praticantes.

E uma matéria recente da Dyestat me chamou atenção porque trata de algo que deveria já ter ser sido visitado por quem escreve no assunto: como é a rotina de alguns atletas muçulmanos durante o Ramadã. Ou seja, como é a realidade deles (e não o delírio dos especialistas) para lidar com seus treinos e competições sem poder comer nem beber absolutamente nada durante o dia claro?

Impressiona que mesmo entre atletas que precisam competir bem, ou seja, entre pessoas que não são meros participantes recreativos. Esses corredores ou competem em jejum ou quebram o jejum apenas em competições, não em treinos. E vale reforçar que o jejum religioso não possibilita sequer beber água. Já o jejum intermitente não-religioso é mais brando porque permite ao praticante se hidratar com água, chás e café (sem açúcar), e mesmo refrigerantes light/diet.

A alucinação coletiva de nutricionistas, médicos e treinadores que dizem que jejum compromete a massa muscular ou a segurança do atleta não sobrevive a uma pesquisa preguiçosa de estudos ou, reforço, do mundo real de décadas de atletismo ou de milhares de anos que não viram pessoas definhar sua massa muscular. Isso porque o jejum aumenta a liberação de adrenalina (maior atenção e maior queima de gordura) e aumenta ainda a liberação de GH (que promove a preservação de massa muscular, não à toa um hormônio muito utilizado nos anos 80 e 90 entre atletas que queriam se dopar).

Pois bem, essa questão de jejum é só mais um exemplo de como devemos primeiro olhar o que acontece, para só depois formarmos nossas hipóteses que expliquem a realidade. Gostem ou não, pratiquem ou não, acreditem ou não, o jejum (com ou sem atividade física) existe há milhares de anos. Estabelecer por diretriz que ele faz mal não o fará… nos fazer mal. Isso é apenas pensamento mágico! *para não dizer pensamento burro.

 

Lição de Casa

Você deveria treinar em jejum para correr melhor? Eu acredito que incluir algumas sessões leves em jejum pode ser muito beneficial, sim. Porém, é puro achismo. A minha aposta é porque jejum é uma quebra de homeostase, pivô no treinamento físico. Mas esse texto não é sobre DEVER, mas sobre PODER.

Então podemos treinar em jejum sem maiores prejuízos? A prática diz que não sendo sessões extenuantes em volume e/ou intensidade, que sim. E mesmo entre os habituados, até essas sessões podem ser feitas em jejum. Ou ainda, escrevendo em um modo um pouco mais mundano: não havendo fome, POR QUE DIABOS ter que comer antes de sair pra correr?!?

Mas nunca faltará “especialista” que em seu delírio ou ignorância no tema não vá tentar negar a realidade.

 

*como dito, no meu livro O Treinador Clandestino falo sobre corrida em jejum. Pouco falo disso no livro O Nutricionista Clandestino, mas eles estão sendo vendidos impressos em um combo com valor promocional, basta clicar aqui!

 

 

 

 

 

 

 

Precisamos falar de Jejum.

Venho do futuro, mais precisamente do ano de 2057 e lá você AINDA encontra profissional recomendando comer a cada 3 horas para perder peso. Duvida? Dias atrás foi matéria do jornal “O Globo”. As diretrizes nutricionais têm ineficiência de passado brilhante (sempre ineficazes), e de um futuro promissor, basta ver o caso do óleo de coco de dias atrás, com especialistas das sociedades de cardiologia endossando a barbeiragem. Ou ainda os atuais alunos da minha antiga faculdade (EEFE-USP), coitados, que têm toda uma equipe obstinada a perpetuar seus delírios.

Fosse eu a defender comer a cada 3 horas baseado na fé, como eles, pediria ao jornal para omitir completamente meu nome na matéria. Mas essa turma não tem medo de passar vergonha! Contam com apoio das diretrizes oficiais, ainda que a ciência olhe feio, muito feio para eles, quase com pena.

Na última pesagem de um cliente eu disse para ele que era hora de tentarmos fazer jejum (*aqui um adendo: as pessoas sempre que me encontram pela primeira vez acham que eu já vou de cara recomendar jejum, quando na verdade essa é a última abordagem em um programa). Por que sugeri isso? Como era de se esperar, a velocidade de perda de peso dele vinha reduzindo. Essa redução por si só joga por terra a tola e equivocada ideia do controle do peso como primordialmente uma consequência do balanço calórico.

Ritmo esse que caía, era hora então de uma nova quebra de homeostase. E a ideia era que fosse com jejum. Programamos em nosso último encontro de fazer de 12 e 18 horas de jejum algumas vezes por semana (mentira, tentei que fizesse jejum de 24 horas, sem sucesso). Ele fez e voilá… o ritmo de perda de peso dele voltou a aumentar.

Jejum não é sobre perder peso. É sobre saúde! Qualquer nutricionista ou nutrólogo acha normal e saudável você quebrar a homeostase de alguém estressando de forma controlada indo à academia empurrar um monte de peso por 45 minutos ou correndo 8km no parque. Mas muito desses acham um absurdo você estressar o corpo de modo controlado sem comer por 16 horas. Os mais fracos quando vão à academia ficam mais fortes. Os mais gordos quando fazem jejum – olhe que coisa inesperada – emagrecem. Nem por isso você quando está forte ou magro deveria parar de fazer os 2 (treinar e fazer jejum). A história de dezenas de milhares de anos diz que é seguro. Mas as diretrizes de 1970 para cá dizem que é perigoso.

Em quem você acredita?

Como eu sou teimoso, acho que as diretrizes que coincidem com a explosão de obesidade e de diabetes estão erradas do começo ao fim e que o que sempre foi feito e nunca nos adoeceu é o certo a se fazer.

Infelizmente não são poucas as diretrizes que não fazem nenhum sentido. No livro O Nutricionista Clandestino (você o encontra na versão impressa aqui) falo de como interpretamos completamente errado os estudos que tentavam explicar o controle de peso, como evitar diabetes ou o controle do nosso risco cardíaco. Faço o convite para que conheça alguns dos estudos ignorados na primeira obra sobre o tema escrita originalmente em português.

A enorme, antiga e fiel folha de pagamento do Diabetes

O ano ainda não chegou à metade, mas um texto publicado na semana passada pelo pertinente Jason Fung já concorre a um dos imperdíveis de 2017. Acho que já compartilhei aqui que o Conselho Regional de Nutrição (CRN) me processa, que a ABESO me ameaçou de processo e que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) não compartilha de minhas ideias. E eu acho que sei bem o motivo.

Bom, em seu texto original em inglês, Fung explica a teoria do “follow the money” aplicando esse princípio de seguir o dinheiro, desta vez à Diabetes e Nutrição. A insulina é – e eu não sabia disso! – a droga mais vendida há UM SÉCULO! É uma gansa dos ovos de ouro maior que o controverso pato gigante da Fiesp!

Só que você não verá uma única empresa farmacêutica fazendo comercial direto a você. Isso porque eles têm quem faça isso por eles! Quem? Entre nas diretrizes sobre emagrecimento e controle de diabetes das entidades e associações de sempre (vocês sabem quais). Se você segui-las você terá NECESSARIAMENTE que consumir a droga de quem, coincidentemente, patrocina esses grupos! E a relação próxima das empresas com as entidades explica por que muitas das recomendações adoecem quem as segue.

Reforço: o texto de Fung é esclarecedor, é lúcido, é revelador. Mas ele era em inglês. Agora soube que o Paleodiario traduziu e publicou em português. É um texto obrigatório para quem ainda dá atenção às diretrizes de entidades de Nutrição.

Por fim, eu sou BEM pessimista, mas ainda acho que muita gente será chamada um dia para se explicar à sociedade. Leia o texto e português aqui.

No mais, no livro O Nutricionista Clandestino (na versão impressa aqui) explico com calma os sucessivos equívocos das diretrizes nutricionais perpetuadas por quem deveria ser um grupo de especialistas em Nutrição atendendo a você e não a quem patrocina.

Danilo Balu

3 textos, 1 sintoma

Em menos de 24 horas recebi 3 textos que são sintomáticos. No primeiro ficamos sabendo que um macaco morbidamente obeso será tratado por “especialistas” com aumento de atividade física. Os gênios devem achar que o macaco está assim porque anda muito de carro e fica sentado à frente do computador, não porque consome alimentos processados, grãos e muito açúcar, alimentos estranhos à história da espécie. A presidente da ABESO inclusive acha que ele come é muito sal. Ou é ignorância ou má-fé dessa gente.

O texto seguinte era do Drauzio Varella na Folha de São Paulo, que apesar de ele não entender a razão pela qual engordarmos, o médico sabe que é uma falácia completa a ideia do exercício como eficiente emagrecedor. Não estamos ficando cada vez mais gordos porque nos movimentaríamos de menos, mas porque estamos como NUNCA consumindo alimentos errados (processados, açúcares, óleos vegetais, sucos, refrigerantes…).

Você pode colocar o texto de Varella na entrada da faculdades e consultórios, ele ainda assim passaria despercebido. As pessoas não verão aquilo que elas não querem enxergar, seja por ignorância ou por conveniência interessante ($$) mesmo. Duvida?

Em O Globo um texto fala sobre a capacidade do exercício em combater a obesidade. A presidente da Regional RJ da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia faz aquilo que se espera dela e da entidade que representa. Como se eles não tivessem um polegar opositor que os diferenciaria do macaco obeso, ela e seus colegas da SBEM quando estão dentro de um buraco, em vez de parar e pensar no que há de errado em suas ideias que NUNCA, JAMAIS funcionaram, acham que o melhor mesmo a fazer é continuar cavando. Eles são capazes de morrer cavados em sua própria incompetência e inegável ignorância no tema.

O modelo de tratamento da obesidade da ABESO e da SBEM. É melhor do que assumir que nunca souberam tratar adequadamente.

Para essa gente, não basta você coletar e mostrar dados de estudos que existem às DEZENAS mostrando que o exercício como emagrecedor é de uma limitação decepcionante. Eles não querem enxergar. A doutora e seus amigos não são pesquisadores, são torcedores, são fanáticos como extremistas religiosos que já decidiram a causa e a solução. Como o remédio deles NÃO funciona, eles tentam explicar o inexplicável. Como o tratamento é ineficiente, eles problematizam: “Nem sempre um exercício que é bom para seu vizinho é bom para você”.

O exercício é um dos melhores remédios jamais criados, mas NÃO serve para emagrecer. Como eles não conseguem acreditar nisso, eles acham que a dose é o problema. A culpa é sempre de outro, nunca da ignorância e incapacidade deles.

Não tente convencer alguém de uma ideia quando seu ganha-pão ($$) vem justamente da sua não compreensão…

Nutrição tem muito de Corrida: chegam a ser aborrecidas de tão simples.

OU AINDA

As pessoas que são recompensadas para oferecer opções complicadas, não têm incentivos para simplificar as soluções”.

Vira e mexe me perguntam por que não escrevo regularmente em algum espaço. Preguiça não é. Por sua simplicidade, você NÃO vai encontrar em NENHUMA coluna ou espaço fixo (seja revista, site, rádio, TV…) um profissional BOM E que tenha algo de pertinente a dizer sobre o assunto. Eu só toparia um espaço regular por duas razões: por ingenuidade (em achar que dá para mudar essa característica inerente da nutrição) ou por arrogância (em achar que eu conseguiria o que ninguém consegue).

Você não pode esquecer NUNCA que uma revista, por exemplo, tem 2 interesses ESSENCIAIS no assunto: vender suplementos e entreter. Informar NÃO é um objetivo fundamental. Como eu sei? Ela sobrevive sem informar, porém, morre sem aqueles 2 primeiros. Então quando ela precisa vender, ela chama aqueles profissionais que todos do mercado sabem por nome, sobrenome e preço, fizeram até carreira acadêmica em cima disso. E quando precisam entreter, elas chamam os malabaristas, os que oferecem opções complicadas, complexas, com vícios rebuscados meio pedantes como falar “ingesta” em vez de ingestão. Eles “não têm incentivos para simplificar”, afinal, vivem de convencer o leitor, que acha que está sendo informado, que sem ele adoecerá se não houver alguém ensinando e complicando o básico: comer.

Dá para afirmar com MUITA segurança: aquela coluna que você lê tentando aprender algo de nutrição, com certeza faz-lhe mais mal do que bem. Vai por mim. Como eu sei? Por uma outra heurística: não tenho mesmo como saber que não haja no mundo sequer um cara pertinente com espaço fixo e regular. Faço, pois, o raciocínio inverso (não 100% válido, é verdade) de que NENHUM dos bons tem espaço regular (convites obviamente não lhes faltam). Ou seja, parece justamente que para ser pertinente, a pessoa precisa em primeiro lugar entender que a nutrição é tão simples que não há como ser malabarista. O vender vira só questão de caráter mesmo.

Deixe isso para quem precisa falar “ingesta” para você.

Colesterol LDL e Risco Cardíaco: o que é fato, o que é delírio médico coletivo

São frequentes as dúvidas que chegam de pessoas sobre resultados de exames de sangue e indicadores como colesterol HDL e LDL. Todos querem saber se irão morrer nos próximos dias por causa de um LDL elevado. Eu tenho uma abordagem um tanto diferente sobre hemogramas: se você não quer se preocupar com seus valores de colesterol A MELHOR COISA que pode fazer é simplesmente NÃO medi-los.

Parece extremo? Minha argumentação se sustenta em basicamente 3 pontos. O primeiro é que é de pouca ajuda você fazer testes quando a absoluta MAIORIA de Médicos E Nutricionistas é atualmente INCAPAZ de tirar informação útil dos dados. É como você pedir ao mesmo médico que leia “Crime e Castigo” no idioma original de Fiodor Dostoievski. Ele não entende absolutamente nada do que vai ali escrito. Você ficaria surpreso se soubesse que mesmo entre especialistas os conceitos são ultrapassados e equivocados como mostram diversas pesquisas entre eles ou mesmo os portais de associações como SBEM e afins. Do que serve então você dar números para quem não sabe ler?

Meu segundo ponto é que aquilo que os exames atuais oferecem fazendo uso dos valores ideais de referência nos dão pouca informação de nosso verdadeiro risco cardíaco. Por quê?

E aí chegamos ao terceiro ponto que é o fato do cálculo do colesterol LDL ser indireto, ele é estimado, não calculado! Por fim, seus valores ótimos são meros chutes, sem maior embasamento!

COLESTEROL LDL e RISCO CARDÍACO

O colesterol LDL é apenas um dos marcadores de risco. Não é o colesterol total alto, ou mais precisamente o colesterol LDL que prediz um maior risco cardíaco, mas alguns outros marcadores que são: baixo colesterol HDL, alta concentração de triglicerídeos (TG), alta glicemia e aumento das partículas pequenas e densas do colesterol LDL (já falaremos sobre isso!). Focar nos valores totais de colesterol e/ou apenas nos níveis de sua fração LDL tem sido um dos grandes erros da cardiologia há muito tempo. Hoje, por exemplo, sabemos que 2/3 das pessoas com entradas em hospitais sob suspeita de enfarte do miocárdio tem síndrome metabólica, mas 75% das pessoas apresentam colesterol em concentração dentro da normalidade. Não é só isso! O colesterol LDL por sua vez parece que visto isoladamente tampouco é um melhor marcador. Essa é a conclusão feita por um levantamento com 231.986 pacientes hospitalizados que possuíam níveis de LDL adequados. Hoje sabe-se que a maioria das pessoas que tem um ataque cardíaco NÃO tem altos níveis de colesterol LDL.

Chamar o colesterol LDL de “colesterol ruim” é um dos mais básicos sinais de que o profissional de saúde que assim o faz pouco conhece sobre o assunto. NÃO EXISTE COLESTEROL RUIM. Não faz sentido do ponto de vista evolutivo que um corpo produza e mantenha circulante em condições normais algo que seja uma espécie de veneno para sua própria sobrevivência. O leite materno possui muito colesterol e ninguém no uso de suas faculdades mentais sugere que a amamentação seria uma tentativa da mãe de envenenar um bebê ou que leite materno seja um mau alimento.

O modo como vilanizamos o colesterol é como culpar um bombeiro por um incêndio. Sempre que você chegar a um prédio em chamas, os bombeiros estarão lá trabalhando, mas ninguém em sã consciência irá sugerir que eles são os causadores, os agentes do fogo. Sempre que se chega a uma cena de assassinato, estarão lá policiais, mas isso não faz deles os suspeitos primários. Com o colesterol não deixa de ser parecido. Um colesterol LDL demasiadamente alto é um indicador de que algo está errado. Ele serve como sinal, não causa! Quando enxergamos à frente viaturas com giroflex ligado, nos afastamos porque aquilo é um sinal de que algo está errado, não que policiais estejam fazendo arrastões! Médicos e Nutricionistas que querem controlar consumo de colesterol acham que acabando com os bombeiros nunca mais teremos incêndios. Precisamos assim entender que o consumo de colesterol NÃO faz necessariamente mal, este é um mito criado nos anos 60 e 70 NUNCA, JAMAIS cientificamente provado.

O que chamamos de colesterol HDL ou LDL, os dois mais conhecidos, são na verdade duas lipoproteínas que carregam colesterol pela corrente sanguínea. É interessante imaginar, ainda que de forma meio simplista e reducionista, a fração LDL como sendo um táxi fazendo o trajeto do fígado ao restante do corpo carregando consigo colesterol. E pensemos na versão HDL fazendo o sentido inverso, trazendo o colesterol para o fígado metabolizá-lo.

Pense na hipótese desse “táxi” LDL ficar “preso no trânsito” com seu “passageiro” colesterol (*percebeu?! Você “come“ colesterol, mas não LDL). Esse tempo excedente no tráfego acaba por ultrapassar o tempo que o antioxidante que ele carrega junto consegue estabilizar o conjunto, seu passageiro. Uma vez que isso acontece, há oxidação (estou simplificando todo o processo para explicar o fenômeno) e nosso sistema imune começa a ver essa combinação de “táxi LDL ocupado e sem antioxidante” como um ser estranho, um invasor. Isso aumenta a chance de uma inflamação e uma série de outros riscos. Ou seja, muitos táxis LDL´s circulantes (altos níveis de colesterol LDL) são um risco porque em maior número, maior a chance de ultrapassar o tempo e assim se oxidar gerando inflamações, entre elas, nos vasos. Esse é o perigo de uma taxa alta da fração LDL. Mas vale reforçar que uma substância essencial à nossa vida não pode ser taxada de ruim. Reforço: este alto LDL é sinal de que algo está errado, não que seja a causa.

Não é só isso. A preferência dos profissionais de saúde pela busca de níveis baixos para o colesterol LDL sobre uma tentativa, por exemplo, de aumentar os níveis do colesterol HDL de um paciente, parece estar menos relacionada com evidências ou razões médicas e mais motivada por razões bem mais comerciais. Esse enfoque na fração LDL pode se explicar pelo fato da indústria farmacêutica ter já conseguido criar medicamentos que reduzam esse indicador, mas não tenha obtido sucesso no desenvolvimento de um medicamento que aumente a fração HDL sem incluir sacrifícios outros, como dieta, exercícios e hábitos mais saudáveis. *aqui fica aberto um convite, passeie nos sites das sociedades médicas das áreas relacionadas e veja quem são seus gordos parceiros comerciais…

Para piorar, há uma série de estudos mostrando que baixos níveis de colesterol estão ligados a uma maior mortalidade e indicando que alto colesterol parece não ser um problema. Ou seja, estamos falando de um cenário que é muito mais complexo do que o de apenas um ou dois indicadores ou frações vistas isoladamente. Outro ponto solenemente ignorado é que a fração LDL do colesterol, apesar de “ser uma só”, pode ter perfis diferentes. Tê-la em sua maioria nas versões pequenas e densas pode ser perigoso enquanto sua versão maior passa a ser interessante e benigno.

Algo que é muito importante é que desde mais ou menos 1988, através das pesquisas de Ronald Krauss, sabe-se que o LDL teria uma espécie de lado B. Essa sua versão B, vamos chamar assim, é pequena e densa, entrando nas paredes dos vasos criando os bloqueios perigosos. Porém, uma versão A do mesmo colesterol LDL, é uma partícula maior e é associada com um menor risco cardíaco. Esse é mais outro motivo por não haver razão alguma para se chamar a fração LDL de colesterol ruim, já que suas ações quando nocivas ao organismo não são consequências intrínsecas de uma característica, mas de uma concentração de uma versão em quantidades indesejadas. Uma vez que o LDL é essencial à vida, não podemos taxar de ruim como se zerar a sua quantidade significasse uma vitória da saúde.

Estudos ainda apontam que o consumo de gordura saturada (presente em alimentos como ovos, manteiga, carne vermelha e laticínios integrais) pode mesmo aumentar os níveis de colesterol LDL, porém ele muda o perfil, aumentando os níveis da fração LDL do tipo A, que reduz o risco cardíaco. Isso além de aumentar ainda os níveis do colesterol HDL, outro protetor cardíaco. Já o consumo de carboidratos refinados, aumenta os níveis da fração LDL do tipo B, ou seja, pioram o perfil do colesterol LDL circulante e ainda diminui a quantidade da fração HDL, diminuindo essa proteção cardíaca natural do organismo.

Se você nunca tinha ouvido falar das versões A e B do LDL, não se preocupe! Há enorme chance que seu médico também não. Por outro lado, pouco adianta você querer um exame que mostre o seu perfil lipídico do LDL (se A ou B). Relembro: não somos com os exames comerciais convencionais capazes sequer de medir o LDL diretamente (ele é estimado), muito menos seus 2 perfis (A e B). A falta de exames acessíveis hoje explica parte do porquê hoje compreendemos tão mal os hemogramas. No final dos anos 50, por exemplo, o nível de TG era um marcador muito mais difícil de se conseguir do que o do colesterol, poucos laboratórios conseguiam realizar a tarefa. E antes de ser possível mensurar as diversas frações do colesterol (LDL, HDL, VLDL…), tomou-se as partes pelo todo, levou-se assim muito tempo para entendermos as diferenças fundamentais no risco cardíaco que desempenham os diferentes números de HDL e LDL. Com o triglicerídeo parece ter acontecido um pouco disso e ele “chegou depois” do colesterol total já ter ganho toda sua fama e sua condição de protagonista nas doenças cardíacas já estava montada. Por isso ainda vai também levar muito tempo até começarmos a usar as versões do LDL.

Agora sim… TG e RISCO CARDÍACO.

O valor de TG elevado é um marcador de maior risco cardíaco. Quando o valor do TG sobe acima dos 100mg, por exemplo, seu risco de sofrer um ataque cardíaco sobe linearmente. Quando está em 150, por exemplo, você recebe um alerta do seu médico cardiologista. Em 175 o risco é “grande”. Um nível de TG elevado é quase um indicador da viscosidade do sangue. Quando ele sobe, o colesterol HDL, um protetor cardíaco, tende a cair.

Por isso, um indicador que é MUITO importante e constantemente ignorado é a relação dos valores TG e HDL. Se dividindo o TG pelo HDL esse valor estiver menor que 1, isso representa um baixo risco cardíaco (ex: 80:80= 1). Em um exemplo de 160:40 teríamos uma relação igual a 4, significando um alto risco.

Apesar de ser uma relação ignorada por muitos profissionais (médicos e nutricionistas), essa relação TG:HDL é apoiada por 5 estudos de 1977 do NIH que observou que, quando um sobe, o outro desce e vice-versa. Gary Taubes em seu Good Calories Bad Calories fala que a relação de comportamento invertido é observada nos 5 estudos em todas as faixas etárias de 45 anos a octogenários, homens e mulheres, sem distinção nas etnias representadas nos estudos.

Há muito tempo que vozes importantes insistiam que “quanto maior o valor (do TG), maiores os riscos de um ataque cardíaco”. Mas focamos toda a atenção (e verbas de pesquisa e propaganda) nos valores de colesterol e suas frações. Foi incrível nossa incapacidade de articular o conhecimento gerado. Ainda em 1937 os bioquímicos David Rittenberg e Rudolph Schoenheimer demonstraram que o colesterol dietético tem pouco efeito no colesterol sanguíneo. Nunca refutando essa demonstração, a U.S. Dietary Guidelines até pouco tempo atrás recomendava um limite de ingestão de colesterol dietético de 300mg por dia, o equivalente a menos de dois ovos. Depois deles, em 1950, o pesquisador John Gofman descobre várias substâncias circulantes no sangue, entre elas o colesterol LDL e quase 70 anos atrás ele já afirmava que “o colesterol total sanguíneo é um perigosamente pobre preditor de doenças cardíacas”.

Esta nossa obsessão com o colesterol é uma insistência em um erro que prega que o maior consumo de gordura saturada estaria correlacionado com maior risco cardíaco. O delírio da comunidade é tão gigantesco que ao se olhar atentamente e com maior rigor ao estudo não-conclusivo dos anos 60 que deu origem a esse temor, temos que um menor consumo de colesterol prova justamente que o LDL NÃO tem correlação com risco cardíaco!

Nossa teimosia (não intencional ou a patrocinada) diante de tantas evidências garante com certa segurança que nosso temor com o LDL, que teve um passado brilhante, ainda tem um futuro muito promissor.

Infelizmente.

A Nutrição, assim como a vida, é feita de escolhas

Um estudo publicado recentemente no Journal of the American College of Cardiology veio corroborar o encontrado em tantos outros levantamentos. Feito com mais de 900 pessoas acima do peso, basicamente dividiu-se os indivíduos em 3 grupos. Para um deles eles davam orientação (aconselhamento) e um guia alimentar (Health Canada Food Guide). Um segundo grupo não recebeu nenhuma orientação, porém, recebia semanalmente uma cesta com os alimentos recomendados no guia alimentar em questão. Por fim, um terceiro grupo recebia ambos: orientação (com guia alimentar) e a cesta semanal com os alimentos dito saudáveis.

Deixemos um pouco de lado que as atuais recomendações nutricionais oficiais no emagrecimento se baseiam em fé, não em ciência ou evidências. O que vale destacar é que depois de 6 meses houve nenhuma ou pouca diferença no peso, na cintura e na pressão arterial entre os 3 grupos. Para ser mais preciso, a perda média de peso foi de somente 1kg em 6 meses! Isso derruba MUITO do que se prega atualmente na Saúde Pública: especialistas defendem que devemos educar a população e que devemos aumentar o acesso a alimentos ditos saudáveis. Sim, é difícil discordar dessa política, mas agora podemos desconfiar que isto teria impacto irrisório, praticamente nulo na saúde da população. A Nutrição mais uma vez é pega na desilusão de viver em seu mundo de esperança que não funciona na vida real…

Mas… Por que educação e acesso a alimentos saudáveis pouco ajudam?

A explicação não é fácil, é baseado mais em conceitos do que em evidências. Gosto muito de duas ideias: a do conhecimento ser subtrativo e também o da via negativa. Resumindo e adaptando os 2 de modo quase perigoso temos que é bem mais fácil sabermos com segurança o que nos faz mal do que descobrirmos o que faz bem. E é bem mais fácil, usando a via negativa, saber aquilo que gera estresse ao organismo. Sabemos que açúcar (e farináceos, e doces, e refrigerantes…) fazem mal, mas é muito difícil saber se agrião ou beterraba, por exemplo, fazem bem.

A questão da alimentação tem uma particularidade fundamental que os profissionais de saúde parecem ignorar: é uma questão somatória. Você pode ficar sem correr, ou seja, para estudar o impacto da corrida na saúde, você pode deixar um indivíduo sem correr. Mas não há como deixar alguém sem comer. Uma vez que essa pessoa vai necessariamente comer algo, entra outra variável importantíssima: a pessoa ficou com sua saúde melhor (ou pior) porque ela comeu mais verduras ou porque ela deixou de comer fast-food? É muito mais fácil entender e descobrir qual seria o vilão em um fast-food (bastaria para isso analisar indivíduos que comem somente partes componentes de um sanduíche), mas é muito mais difícil descobrir os diferentes papéis quando há trocas, ou seja, parei de comer X-Salada com refrigerante e passei a ser vegetariano. Era o milk-shake que me fazia mal ou os legumes e folhas que fazem bem?? Sabemos que o primeiro é verdadeiro, mas ainda NÃO sabemos se o segundo o é!

Dividimos alimentos em mocinhos e bandidos. Mas fazemos isso muito mal.

Hoje não surpreenderia ninguém que a resposta dos profissionais da área à pergunta acima seria que ambos: um faz mal e o outro faz bem. Mas… será mesmo?!

Eu tenho enorme dificuldade em acreditar em super-alimentos (*OK, acredito que fígado bovino, cogumelos, brócolis e ovos são quase 4 super-alimentos). Mais do que isso, tenho enorme resistência em falar que alimentos como óleo de côco ou bebidas da moda como kefir ou bulletproof coffee são bons. Porque o erro daí em diante é generalizado. Quando eu era adolescente, eu chegava a comer – sem exagero – uma dúzia de laranjas quando estava doente, pois na minha cabeça quanto mais melhor, afinal, fruta é bom, não?! Mais de uma vez atendi pessoas que consumiam colheres de óleo de côco porque “é um alimento bom”, que só tomavam cafés especiais com manteiga. Pode parecer lógico, mas há uma enorme diferença entre um alimento fazer mal e outro alimento fazer bem! E uma vez que haja alimentos que façam bem, é muito diferente achar que mais dele signifique melhor.

Já sabemos que há alimentos que mesmo em quantidades muito pequenas são ruins, mas ainda NÃO sabemos se existem muitos alimentos que sejam por essência bons. E já sabemos que mesmo esses alimentos em grande quantidade NÃO fazem “mais bem”!

A pessoa precisa saber que quando ela come 3kg de brócolis com 1kg de amora por dia, ela não terá muitas condições de comer comida sabidamente ruim (doces, refrigerantes, fast-food, alimentos processados e industrializados…) ou, na pior das hipóteses, comerá necessariamente bem MENOS de alimentos SABIDAMENTE ruins. Uma pesquisa que estudasse uma população assim, inevitavelmente concluiria que brócolis e amoras são alimentos mágicos sem perceber que é a via negativa, ou seja, é a AUSÊNCIA desses estressores em questão que nos faz bem!

Isso mais confunde do que ajuda porque sabemos que algo ruim NÃO está sendo consumido, mas identificamos como algo que não é necessariamente BOM como tal.

Atualmente acreditamos equivocadamente que alguns grupos de alimentos (principalmente frutas, legumes e grãos) são tão bons, tão saudáveis, que seriam capazes até mesmo de reverter problemas de uma má alimentação. Eu penso BEM diferente. Não só acredito que esses alimentos nem sejam assim tão bons (seriam em sua maioria no máximo neutros) como – e isso a ciência está do meu lado – eles NÃO têm a capacidade de reverter os problemas que comer mesmo quantidade pequena de açúcar e gordura trans, por exemplo, nos traz.

Hoje encaramos a Nutrição como se, por exemplo, comer quinoa (ou qualquer alimento da moda) pudesse reverter os males de fumar. Não, não consegue! Assim como o cigarro faz mal INDEPENDENTEMENTE daquilo que você consuma, temos que lembrar que NÃO HÁ COMPENSAÇÃO na Nutrição. Ou você come mal ou você come bem por não comer o mal. Não existe comer uma somatória de forma a se neutralizar.

Quando analisamos dados populacionais, podemos observar que a população obedece a recomendação de comer mais frutas e legumes. Qualquer levantamento confirma isso. Mas a população não deixou de comer também os alimentos “maus”. Como não há fruta que compense fast-food, a população adoece. Hoje consumimos suplementos de ômega-3 achando que ele fará bem (não fará). A doença está que hoje, pelo consumo dos óleos industrializados (de soja, milho, girassol ou canola) consumimos muito ômega-6. Não é a falta do 3 que faz mal, é o excesso do 6! Na Europa alguns levantamentos interessantes mostram que passaram a comer mais frutas, SEM deixar de comer comida processada. Resultado? Uma Europa obesa e doente como nunca antes. Resumo: fruta pode ser chamada de alimento bom, mas NÃO faz diretamente NADA para ajudar quando temos uma má alimentação

Podemos fazer um paralelo assim: a área da Nutrição tenta tratar uma pessoa que tem muita dor quando corre recomendando muita fisioterapia, pedindo tênis caros, tratamentos inócuos, kinesio tape e muita fé tentando descobrir a solução do problema. Um jeito BEM mais fácil de tratar essa dor é pedir que essa pessoa simplesmente não corra, que faça N outras atividades que NÃO a corrida. Se ela quiser correr, terá dor, se ela quiser seguir comendo X-Salada e bebendo cerveja diariamente, ela VAI continuar goda. É simples assim. Não importa o quanto de quinoa ou almeirão ela coma. Esses e outros alimentos não fazem necessariamente bem, mas podem evitar que você consuma (ainda mais) dos que te fazem mal.

Sabe os 900 do estudo do início do texto? Eles comeram mais comidas saudáveis, mas não deixaram de comer as porcarias. O custo fisiológico do alimento processado é maior do que qualquer quantidade de beterraba que você coma.

TIRE o agente estressor que não haverá estresse.

Não procure alimentos mágicos, eles ou não existem ou ainda não sabemos quais são.