Obesidade e aposentadoria no Esporte.

Tempo atrás eu criticava o uso de esteiras no treinamento de corredores. Aí alguém disse que então eu precisava avisar a NFL, em uma clara alusão de que se os americanos fazem, só podem estar corretos e eu errado. A NFL é uma empresa fenomenal, mas quem entende MESMO de velocidade é o atletismo e seus velocistas, não a NFL. E você não tem velocistas americanos e jamaicanos treinando em esteira, então errado está a NFL. Eu só apontei o óbvio.

A NFL ainda faz vista grossa ao doping e ao número de concussões, ou seja, basta ligarmos os dois pontos… ela é uma empresa, os atletas são apenas um caminho. Tenha skin in the game sempre!

Estou falando isso porque li ontem uma matéria sobre a obesidade entre jogadores aposentados. Chegamos à Lua, mas ainda temos a ideia do balanço calórico como diretriz “oficial” no emagrecimento. Quando você vê um ex-atleta ficar obeso é MUITO tentador achar que é essa a culpa: comer demais, gastar de menos.

Um dia volto ao tema para explicar do motivo de isso ser pensamento por aproximação. O que quero é chamar a atenção a algo mais agonizante, desesperador.

A parte mais dura frustrante e angustiante da minha rotina é ver gente (bem) acima do peso se dedicando, se esforçando, treinando arduamente porque acredita que o exercício é ferramenta essencial ao emagrecimento. NÃO É.

  1. Se você precisa treinar (ou fazer jejum) para manter o peso ou emagrecer é porque sua dieta é RUIM.
  2. Você deveria fazer atividade física por mil motivos, emagrecer NÃO é um deles!

No texto do New York Times estão as orientações de sempre aos ex-atletas. Entre elas algumas interessantes como a de abandonar o sedentarismo, consumir menos pães e açúcar, e comer menos vezes. Uma das estratégias para ganhar peso na fase profissional, aliás, era a de comer MAIS vezes ao dia, a MESMA estratégia sugerida na Nutrição para quem quer PERDER peso. Faz sentido?!

Óbvio que não! Entre a NFL e uma diretriz nutricional, eu fico SEMPRE com a NFL (skin in the game). Se a NFL diz que comer mais vezes engorda, eu acredito NELA, não nos meus ex-professores que NUNCA treinaram NINGUÉM porque a NFL depende de atletas mais pesados, uma vantagem competitiva. É a ideia de ter a pele em jogo!

Porém, entre as orientações para atletas aposentados perderem peso está o consumir menos carboidrato trocando por… aveia, um alimento que digo aos meus clientes ser “o açúcar não doce”. Eles ainda são orientados a tomar smoothies (um modo caro de vender algo ruim, o suco) e shakes proteicos, um alimento que fornece calorias e nada de saciedade.

Mais angustiante é ver atletas de mais de 150kg tendo que nadar e fazer elíptico por 1h00 por sessão. Você acha que eles emagrecem? Lógico que não! É só ir na largada das corridas… correr NÃO torna as pessoas magras. Os atletas nem sequer, como eles mesmo relatam no artigo, têm forças para irem treinar!

Isso porque é JUSTAMENTE quando temos uma grande fonte de energia endógena (gordura corporal) nosso cérebro avisa ao corpo de que não precisamos mais ser ativos para encontrar comida. Já disse antes aqui: é um ENORME erro interpretativo esperar que uma pessoa com sobrepeso seja MAIS ativa, mais disposta.

Esse indivíduo tem tamanho estoque energético endógeno que o corpo cronicamente pede, implora por sedentarismo, preguiça. E quando você oferece alimentos LIXOS como aveia, grãos, smoothies, você mantém alto os níveis de insulina, impedindo fisiologicamente o corpo de acionar os estoques de gordura corporal.

Não é que o sedentarismo leve ao sobrepeso, como a NFL e a nutrição pensam. É o sobrepeso desses caras que leva à preguiça e ao sedentarismo! Enquanto não entendermos isso, esses caras continuarão a agonizar com 200kg. Eles morrerão tentando em vão por culpa desses “especialistas”.

É desesperador! 

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Leite, Leite de Caixinha, Leite em Pó…

Tempo atrás o leite estava no meio do debate político nacional por mudanças nas regras federais de tributação do leite importado. Deixemos economia de lado. Para mim, o mais chocante é ver como conseguimos deixar que leite em pó e leite em caixinha sejam tratados como… LEITE.

Leite em PÓ (Ninho) é tão leite quanto Tang ou Clight são sucos.
Leite de CAIXINHA é tão leite quanto uma salsicha é picanha.

São dois alimentos “mortos” que não podem estar na mesma categoria que os leite integrais, daqueles que devem ficar na geladeira no mercado. Ou seja, eles se parecem, mas são coisas COMPLETAMENTE distintas do ponto de vista nutricional.

Deveríamos consumir LEITE (e derivados)?

“O ser humano é o único animal que continua a consumir leite depois de adulto.”

Já vi acadêmico que até parece inteligente dizendo que esse argumento é inválido porque usamos celulares, andamos de carro e encaixotamos o leite a ser consumido. Porém, o fato de conseguir fazer/produzir algo NÃO torna essa ação apropriada à nossa saúde como espécie.

Isso porque a realidade é SOBERANA. E é ELA quem determina que nosso organismo como espécie é resultado de como ele foi criado e moldado ao longo de dezenas de milhares de anos, não de como ele é atualmente tratado (com litros de leite de caixinha, o Tang do bem).

Quando olhamos historicamente temos que cada vez mais consumimos leite (pior… o do tipo desnatado!) e queijos. E essa estatística é recente, coisa de meio século!

Os primeiros vestígios de consumo de leite datam de por volta de 6.000 anos atrás. Esse período é irrisório quando falamos de evolução ou mudança de uma espécie. Jogando para prazos mais realistas, basta apelarmos à memória para saber que:

  1. Nossos avós NÃO tinham geladeira, então ESQUEÇA a ideia de consumo de leite a qualquer momento naqueles tempos:
  2. A menos que a pessoa vivesse no campo, produzindo seu leite, iogurte e queijo, é MUITO provável que economicamente ela não tivesse nem de longe um consumo que mesmo as classes mais baixas hoje fazem.
  3. O leite morto de caixinha é invenção de meio século.

Apenas quando o Plano Real foi criado (1994) é que se “democratizou” no Brasil o consumo de iogurte, por exemplo. SIM, o consumo de laticínios não é recente, mas seu consumo elevado é coisa MUITO nova.

O QUE TIRAR DESSA LÓGICA?

Não é o bolso (preço), a disponibilidade ou o sabor de um alimento que deveriam determinar nosso consumo, mas a história desse consumo por milhares de anos pela nossa espécie. Por quê?

Porque como o tempo é a variável mais robusta de segurança alimentar, nós não sabemos ainda os efeitos do leite (e de todos os seus derivados) largamente consumidos.

LEITE? Consumo quase nada. Se o fizer, opte pelo tipo Fazenda (integral).
QUEIJO? O preço me/nos ajuda a manter seu consumo baixo.
CREME DE LEITE? É meu calcanhar de Aquiles. Tomaria banho com ele se pudesse.
NATA? Baixa vida útil e duro achar em SP (ufa!), baixo acesso.
MANTEIGA? Como não como pão, então uso pouco.
REQUEIJÃO? É a salsicha dos laticínios. Não é alimento, é substância comestível. Administre com cuidado as doses.

Minha recomendação para laticínios? Consumo baixo, bem baixo. O alimento mais anabólico que existe não deveria nem poderia ser consumido livremente por adultos.

p.s.: “Ah, mas e o Cálcio…?” Não deveria vir do leite… se sua dieta tem no leite a principal fonte de cálcio, sua dieta é MUITO ruim, simples assim.
 
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Danilo Balu
autor

Covas, “Leave the kids alone”!

Soubemos que Bruno Covas, o atual prefeito de SP (vice de João Dória, que assumiu o cargo de governador em janeiro) fez uma parceria com a apresentadora Bela Gil e a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Intuito? Instituir uma dieta vegetariana para as crianças das escolas municipais da cidade.

Foi mais do que um golpe baixo, porque foi sem debate prévio com pais, família e sociedade. Mas irresponsável porque retira de crianças ainda que uma ou outra vez na semana acesso a alimentos de origem animal.

O argumento é pueril, apelaram à sustentabilidade. Uma vez que o critério que norteia a dieta é sustentabilidade, e não a qualidade, podemos num próximo momento mudar o cardápio em função do preço. Aliás, deixar as crianças em casa, sem escolas, é mais sustentável, porque elas não precisam se locomover! Brilhante, não?

Mas o prefeito achou prudente fazer uma parceria com uma entidade que tem bem clara uma agenda. Será que em 2020 ele fará outras com pecuaristas, outra com a indústria do açúcar, depois com a de brinquedos eletrônicos… será?

Mais: eu gostaria de ver o Bruno Covas daqui até o final do seu mandato viver em dieta vegetariana! É fácil pedir que os DEMAIS comam bife de abobrinha enquanto ele, com salário de R$18.000, pode comer o que e quando bem quiser. Parte dos alunos das escolas encontram na merenda um valor biológico que suas famílias não podem arcar ($), mas o prefeito prefere retirar também isso deles. No fundo, a jogada traz economia ao município. Ele não citou essa consequência porque sabe que não cairia bem.

A pessoa pode ser vegetariana se quiser! Empurrar isso às crianças, ou às crianças dos outros é golpe baixo! É sujo! Típico de político sem “skin in the game”!

*E só não me venham dizer que a dieta é mais saudável! Carne não é veneno! NUNCA vai ser uma opção saudável optar pela proteína de SOJA em detrimento de um alimento que esteve SEMPRE presente na dieta de crianças!

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O DESASTRADO parecer técnico sobre Jejum

Como já disse alguém: a Nutrição é uma zona livre de evidências! Como já disse outro alguém… “dica de nutrição: fuja do nutricionista”. Mesmo conhecendo MUITO nutricionista bom e MUITO médico bom trabalhando nessa área, sigo afirmando: fuja! O melhor da Nutrição ou está FORA dela ou está em profissionais que têm que NEGAR o que aprenderam (é o caso desses MUITO BONS profissionais que conheço que aplicam o OPOSTO do que é a ortodoxia). Bisonho.
 
Fomos brindados com um parecer técnico de mais uma dessa entidades. Pouca gente dá importância ao que diz a Asbran, a Associação Brasileira de Nutrição. Você não está perdendo nada não sabendo quem são. Mas acaba sendo útil porque se eles pouco agregam, ao menos podemos ver como pensam, como enxergam sua especialidade.
 
Resolveram dessa vez falar com algo do qual, mesmo se intitulando especialistas, demonstram não ter o MENOR conhecimento, no caso, Jejum Intermitente.
 
Há tantas colocações ilógicas que me pergunto como fazer com que todos dessem seu aval para assinar. Deve ter havido tortura! Alô você da diretoria da Asbran, faça um gesto com a cabeça se estiver sob ameaça!
 
Dizer que “os protocolos sugeridos de jejum podem favorecer comportamentos de compulsão alimentar” é mais ou menos como dizer que pedir que um fumante deixe de fumar causa distúrbio. Bom, não vai ter jeito… vamos ter que deixá-lo fumar!
 
O texto é por si só ASSUSTADOR! A entidade associa obesidade ao sedentarismo… imagine quando descobrirem que foi apenas na década de 70 que Jane Fonda fez sucesso com a onda fitness e que a Maratona de NY é da mesma época! Dão a entender ainda que uma abordagem de restrição calórica é a abordagem padrão. SIM! O homem chegará em Marte e AINDA dirão que é o déficit calórico a causa primária do sobrepeso/obesidade!
 
Como disse, o texto é ASSUSTADOR! Há toda uma junta de profissionais INCAPAZES de não só entender, mas como seguidamente NEGAM a realidade! A entidade afirma não haver “subsídios científicos suficientes para que não seja seguido um padrão alimentar baseado em alimentação diária, com refeições fracionadas em 5 ou 6 porções ao longo do dia”. COMO É QUE É?!? Eles AINDA estão nessa ideia de comer de 3 em 3 horas?!?
 
Não é que os defensores do jejum que têm que dizer que ele é melhor. Ele SEMPRE existiu (pela falta de oferta alimentar) e SEMPRE foi praticado. É a ASBRAN que tem que explicar que 5-6 refeições ao dia é que o ideal, que é melhor, que não é inferior! E foi JUSTAMENTE quando essa prática passou a ser adotada, quando os EUA passaram de 3 para 5 refeições ao dia, que a obesidade EXPLODIU naquele país!
 
Quando a entidade fala em “amostra reduzida” e “segurança dessa prática em seres humanos” eu falo duas coisas:
 
1. O jejum é praticado com segurança por BILHÕES de pessoas por MILHARES de anos.
 
2. O tempo é a variável mais robusta de análise de segurança.
 
A Asbran, que tem meio século de história, está dando seu parecer de que algumas das obras e práticas mais longevas da humanidade estão equivocadas e são perigosas. Que certo estão eles. Que precisamos é perguntar (e pagar $$$, lógico) a eles o que fazer.
 
Como eu disse, ninguém liga para o que a Asbran diz, mas muitos de lá são professores universitários e irão replicar essas sandices aos alunos. O talento da Nutrição em fazer TUDO errado tem passado glorioso, e futuro promissor.
 
FUJA!
 
p.s.: Se a turma da Asbran tivesse lido os textos de Jason Fung (público e em português), Nassim Taleb (Antifrágil) e o paper ESPETACULAR de Mark Baker (fasting) não estariam na internet passando essa vergonha!

A Dieta Carnívora e o Experimento com N=1

Semana passada terminei pouco mais de 1 semana experimentando a Dieta Carnívora. Demorei para achar uma foto boa que a resuma bem, porque as pessoas pensam que é só comer picanha. Basicamente nela você come livremente CARNE (de qualquer tipo), OVOS & DERIVADOS DE LEITE (qualquer queijo, creme de leite, requeijão, chantilly e nata) conforme a fome o guia. Nada mais.

Funciona? Depende para quê…

Quer melhorar seus indicadores sanguíneos (glicemia, colesterol e TG)? Melhoram e não é pouco. Emagrecer? Sim, e não é pouco! Por quê?!

Basicamente porque dieta “boa” é mais sobre o que NÃO comer. A dieta carnívora, por experiência própria, ao contrário do que muita gente pensa, é difícil! Nela, não há NADA de açúcar, não há cerveja, não há farinha, não há pão… Quando você tira tudo isso, não “tem como” engordar, não “tem como” seus indicadores não melhorarem.

Não falta teórico que diga que exercício exige carboidrato. Com zero dele segui treinando normalmente 2x ao dia, bati meu recorde no TGU (Turkish Get Up) e no Double Clean, trabalhei, fiz tudo. Só um acadêmico que tenha lido muito para afirmar essa bobagem de que exercício exige carboidrato. Um prático vai lá, ignora e faz.

Mas… a Carnívora é a ideal??

Nem de longe acho isso! Fiz por puro experimento. A acho incompleta, tenho convicção de que ela vai CONTRA a nossa natureza e nossa evolução (assim como o vegetarianismo, o que dizer do veganismo). Mas ela atende uma premissa da qual sou fiel e enorme seguidor: não-linearidade da dieta.

Dieta e exercício são sobre extremos. Por isso cálculo de nutrientes diários é de uma tolice sem tamanho (*aqui novamente somente acadêmicos muito estudados para poder defender tamanha besteira). A carnívora atende a um lado de nosso onivorismo e nos “protege” de vegetais que oferecem em escala gigante alguns micronutrientes dos quais, SIM, algumas vezes deveríamos evitar (alguns mais, outros menos). E seguindo esse raciocínio o vegetarianismo temporário também seria MUITO bem-vindo (farei esse ano!).

Se você é diabético, EXPERIMENTE! Está num platô de emagrecimento? Experimente! Está com alguma intolerância/alergia sem saber de onde vem? Experimente! Mas se acha uma boa ideia levá-la ao longo prazo, saiba que não faz sentido! Tem que distorcer DEMAIS a lógica para dizer que os 2 extremos (carnívora e vegetarianismo) estão algo próximos do ideal.

*perdi peso mesmo comendo muita carne (acem moído, sobrecoxa e barrigada) com queijo e uns 4-5 ovos também com queijo ao dia. Isso sacia assustadoramente. Fiz jejum sem me programar uns dias porque a noite caiu e a fome não deu as caras.

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A pobre e mal compreendida Caloria*…

Vez ou outra ainda meio que se espantam quando digo que não faço cálculo calórico de gasto nem de consumo de meus clientes. Pra quê faria isso? A vida é curta pra gastar tempo com coisa sem muita utilidade. Eu não calculo nem o volume dos maratonistas que dou treino. E olha que a correlação “volume x desempenho” na corrida existe e é MUITO forte! Já na Nutrição a correlação “calorias x peso” não existe! Então pra que fazer isso?

Esporte vive de resultado, Nutrição de intenção. Só isso explica eficiências tão discrepantes. NÃO se mede a eficiência de um treino de maratona pelos quilômetros. NÃO se mede a eficiência de um treino de força pela tonelagem (carga do exercício multiplicada pelo número de séries e repetições do treino todo). NÃO se mede a competência do funcionário pelas horas trabalhadas.

Pra que diabos calcular calorias, então?? Nós nem sequer SABEMOS nem CONSEGUIMOS calculá-las! TUDO é mera extrapolação. Aproximação MUITO porca! Calcular “g” (gravidade) como sendo 10 (versus 9,80665 ao nível do mar) e Pi sendo 3 (e não 3,14159265359…) só dá certo em prova do ensino médio. No mundo real a ponte cai!

Admitisse que não entende de Matemática, Física nem da Lógica mais elementar, a Nutrição aceitaria a ideia de que o controle de peso é algo BIOLÓGICO, não aritmético! O provavelmente mais incrível e mais fascinante estudo já realizado nesse tema, o “Minnesota Starvation Experiment” (1950) encontrou JUSTAMENTE que a restrição calórica como causa NÃO explica a perda de peso. Por quê? Porque ela é BIOLÓGICA e não aritmética!

SETE DÉCADAS depois e essa abordagem CONTINUA sendo a usada (nas universidades e no mundo real) para emagrecimento com um histórico SECULAR de fracasso. Respondesse pelos resultados, como o Esporte, e não pelas intenções, estaria TODO MUNDO no olho da rua! As faculdades já teriam sido fechadas! Por isso que NUNCA devemos dar ouvido ao que dizem as diretrizes nutricionais!

Calcular gasto e consumo calórico é brincar de Deus, achar que controlamos algo sem nem sequer saber princípios básicos da Biologia, o QUE DIZER de Física e Matemática?!?

PERDER (ou manter) peso é sobre O QUE se come! DANE-SE as calorias! Ela é secundária, terciária, um coadjuvante! Eu NUNCA calculei. SIGO sem fazer isso. Por quê? Porque eu sei que NÃO CONSIGO fazer esse cálculo sem fazer a ponte cair.

Enfim, se o profissional ou professor que você tem nunca leu nada da obra de 1950, desconfie dele. Mas se ele ainda mesmo lendo NÃO entendeu a obra e nega a realidade, FUJA dele! Vai por mim…

*o titulo deste texto é uma homenagem ao belo livro de Bill Lagakos. Ambos, autor e obra, deveriam ser obrigatórios, porém, seguem ignorados pela academia brasileira, a mesma que ainda ensina essas equações toscas de cálculo calórico sem sequer entender Física ou Matemática

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Palestra dia 23 de Fevereiro (em SP)!

Em parceria com o canal Corrida no Ar (o maior do YouTube) farei sábado dia 23/2 em São Paulo (SP) uma palestra sobre Nutrição na Corrida.

Sabe as recomendações que SEMPRE ouviram sobre hidratação, suplementação, carboidratos, janela metabólica, etc? Estarão lá, mas de um jeito completamente diferente de TUDO o que levaram vocês a crer esses anos todos!

Eu tenho certeza que você sairá repensando TUDO o que (acha que) sabe sobre Nutrição nesse esporte! É a minha meta!

E tudo por um valor que não paga o ônibus de 1 mês que eu pagava pra ir para a faculdade ouvir as baboseiras que tive que ouvir… e que repetem até hoje, acreditem!

Eu ouvi muitas bobagens naquele tempo! Na minha época eu tive que depender de informação vindo assim! Hoje você tem opção! Quero que com você seja diferente! Te faço um convite!

Para isso, inscreva-se clicando aqui!
QUANDO? Sábado dia 23/2, das 9h30 às 11h.
ONDE: Velocità Moema (SP).

Veja ainda este vídeo abaixo muito legal que o Sérgio Rocha fez explicando o evento!
Te espero lá!

O bom zoológico é aquele que mantem obesos apenas fora das jaulas

Vocês sabem da importância que dou ao aspecto evolutivo. Para mim, basta olhar ao mundo a sua volta, sem tentar negar a realidade, como faz Nutrição, ou para trás no tempo, como manda a lógica mais elementar. Fazendo assim a maioria das respostas aparece sem muito esforço.

Foi basicamente assim que escrevi meu livro mais recente (“O Veterinário Clandestino”). Por que animais similares aos domésticos NÃO engordam na Natureza? Não existe obesidade entre Lobos. Mais da metade dos cães o são. Entre os felinos igual: zero obesidade na natureza, porém, mais da metade dos gatos sofrem por serem gordos quando possuem donos.

O ser humano é o mais inteligente animal na natureza, mas é também o ÚNICO que produz o alimento para SE ADOECER. E ele é tão eficiente nisso que ele adoece QUALQUER animal que se alimente disso.

Por exemplo, babuínos quando expostos a sobras de alimentos humanos ficam marcadamente obesos. Não é somente isso. Seus marcadores sanguíneos como insulina e glicemia ficam piores. Este achado não é isolado.

 

Outro estudo, também com babuínos, encontrou que os selvagens sem acesso a sobras de alimentos dos humanos tinham 2% de gordura corporal, já os que tinham uma dieta similar à nossa alcançavam em média 23%. E uma meta-análise com uma amostragem de 20.000 mamíferos de diferentes espécies, como primatas e roedores, encontrou que o peso médio desses animais vivendo próximos a humanos e se alimentando em parte de nossas sobras fez subir sua gordura corporal média.

O que faz humanos engordar (açúcar, carboidratos refinados e processados, grãos, fast food…), parece TAMBÉM fazer engordar a outros animais selvagens. Por que não engordariam você? Por que não engordariam seu animal?

Talvez seja por isso que até hoje a indústria de ração se negue na justiça a fornecer essas informações de carboidrato e açúcar ao consumidor. Quer dizer, ao dono, que oferece isso ao seu animal tão querido.

E aqui há ainda um paradoxo. O zoológico de San Diego, por exemplo, famoso e premiado mundialmente, cultiva 67 tipos de bambus para alimentar diferentes animais. As diversas aves recebem dietas bem específicas e diferentes. Há lá uma ideia de RECRIAR um ambiente natural. É a questão evolutiva da qual falava, é olhar ao mundo à nossa volta.

E se olharmos em quem VISITA o zoológico? MUITO mais da metade estará acima do peso. Ou seja, quando a direção do zoológico dá aquilo que os animais comem eles mantêm a forma, os visitantes, comendo comida feita por humanos engordam e adoecem.

É por isso que é proibido alimentar os animais lá porque se você for aos quiosques comprar comida e der aos animais, eles ficarão como nossos cães e gatos domésticos: morbidamente obesos. Isso porque a melhor coisa que sabemos fazer é comida para engordar, para matar precocemente.

Por isso que quando um profissional de saúde vem e diz que grãos não engordam, que açúcar não adoece, que farinhas não são problemas, ele não é só incompetente. Mais do que isso, ele ignora a questão evolutiva, que tem no tempo a variável mais robusta de segurança que existe. Ele faz pior que isso. Ele se recusa a olhar o mundo à sua volta, ele nega a realidade.

Fuja desse tipo!

Para o seu bem!

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Cru vs Cozido vs Ração

4ª feira cheguei tarde e cansado do treino, não havia legumes, querendo descansar não pensei duas vezes: vou dar carne e ovo cru para as cachorras. E só!

SEMPRE que comento que dou comida crua me questionam se eles não trariam riscos de contaminação aos meus animais. Qualquer dono de cachorro sabe bem onde seu animal coloca o focinho e sua boca o dia todo.

Será que um animal que tem um estômago com um pH por volta de 1.5, mais ácido do que o nosso, seria tão sensível à contaminação alimentar? Será que essa acidez estomacal não serve evolutivamente JUSTAMENTE para lidar melhor com alimentos e ambientes não-esterilizados?

Porém, por mais que pareça seguro e vantajoso do ponto de vista evolutivo, as poderosas associações American College of Veterinary Nutrition (ACVN), American Veterinary Medical Association (AVMA) e a American Animal Hospital Association (AAHA) não compartilham dessa ideia.

A ração canina como a conhecemos hoje é algo inventado há cerca de meio século, não é o alimento cru quem tem que se provar superior, e sim o contrário. Cabem às associações trazer evidências que mostrem que as rações secas, as mais consumidas, são superiores. Trouxeram?

NUNCA.

JAMAIS.

A ACVN, AVMA e AAHA não devem fazer isso de graça ($$), lógico! Até porque recomendam isso sem citar vantagens da ração sobre dieta crua. Sabe por quê? Porque não TEM COMO elas serem inferiores! Cães evoluíram por milhares de anos comendo alimentos crus OU cozidos, não ração!

Um estudo recente (ALGYA et al, 2017) mostra ainda que sem querer o nível de delírio e dissonância cognitiva dos autores. No texto está que as dietas cozidas e cruas acabaram sendo mais digeríveis do que a ração como resultaram em níveis mais baixos de triglicerídeos no sangue (algo bom!) do que a dieta de ração, embora fossem mais gordurosos (o que é bom também, pois aumenta a palatabilidade!). Aí completa dizendo haver um benefício potencial das dietas não tradicionais.

Como assim não-tradicionais?!?

Por 15.000 anos cães comeram alimento cru, há 50 comem ração e o não-tradicional é o natural?! Faz sentido!

NUNCA.

JAMAIS.

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“É normal não sentir fome nessa dieta…?”

Eu poderia pagar um mordomo teclando por mim se ganhasse R$5 por cada pessoa orientada que me faz essa pergunta depois de eu sugerir mudanças simples em seus hábitos alimentares.

Uma das maiores armadilhas na história foi quando meio século atrás um renomado profissional estabeleceu uma relação de consumo calórico com obesidade. Veja bem, ele disse que havia relação, mas concluiu equivocadamente que era de CAUSA.

Sim, “equivocadamente”. A ideia de que comer (de)mais é o que engorda está tão arraigada que mesmo sendo SEM EVIDÊNCIAS ou mesmo sem FUNDAMENTO, segue sendo ensinada àqueles que irão cuidar (bem mal) de nossa silhueta: Nutricionistas, Educadores Físicos e até Médicos.

Lembro que no final de um curso fiz um trabalho apenas explicando a falta de embasamento desta afirmação (“obesidade é consequência de um desbalanço calórico”). A professora disse que foi o melhor texto que leu, pena que eu estaria equivocado, afinal, “obesidade é consequência de um desbalanço calórico”.

Ela falou que eu precisava me embasar em estudos (que dei às dezenas) e para me rebater ela não foi capaz de listar um sequer. Se uma professora que só trabalha com isso e já comprou uma ideia sem embasamento apenas porque é bonita e porque sua professora assim ensinou, bobagem eu querer tentar convencê-la. Ela vive errada, mas não pode estar errada frente aos clientes, por isso os profissionais de Nutrição NUNCA admitirão que por décadas orientam de forma completamente equivocada.

Essa frase que ouço sempre (“é normal não sentir fome nessa dieta?”) é só um achado incrível de Gary Taubes em ação. Ele cunhou uma frase que abriu os olhos de MUITOS profissionais mundo afora: não engordamos porque comemos demais, mas comemos demais porque estamos engordando. Isso como consequência de um desbalanço hormonal na maioria das vezes (??) gerado pela insulina.

Quando se muda a dieta da pessoa de forma mais simples do que se imagina, ela passa a emagrecer e – olha que bonito! – sem fome porque o corpo passa a usar sua energia de sobra (gordura corporal) como fonte.

Não é que a pessoa está emagrecendo porque não sente fome, ela não sente fome porque está emagrecendo!

Obrigado, Taubes!

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