3 textos, 1 sintoma

Em menos de 24 horas recebi 3 textos que são sintomáticos. No primeiro ficamos sabendo que um macaco morbidamente obeso será tratado por “especialistas” com aumento de atividade física. Os gênios devem achar que o macaco está assim porque anda muito de carro e fica sentado à frente do computador, não porque consome alimentos processados, grãos e muito açúcar, alimentos estranhos à história da espécie. A presidente da ABESO inclusive acha que ele come é muito sal. Ou é ignorância ou má-fé dessa gente.

O texto seguinte era do Drauzio Varella na Folha de São Paulo, que apesar de ele não entender a razão pela qual engordarmos, o médico sabe que é uma falácia completa a ideia do exercício como eficiente emagrecedor. Não estamos ficando cada vez mais gordos porque nos movimentaríamos de menos, mas porque estamos como NUNCA consumindo alimentos errados (processados, açúcares, óleos vegetais, sucos, refrigerantes…).

Você pode colocar o texto de Varella na entrada da faculdades e consultórios, ele ainda assim passaria despercebido. As pessoas não verão aquilo que elas não querem enxergar, seja por ignorância ou por conveniência interessante ($$) mesmo. Duvida?

Em O Globo um texto fala sobre a capacidade do exercício em combater a obesidade. A presidente da Regional RJ da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia faz aquilo que se espera dela e da entidade que representa. Como se eles não tivessem um polegar opositor que os diferenciaria do macaco obeso, ela e seus colegas da SBEM quando estão dentro de um buraco, em vez de parar e pensar no que há de errado em suas ideias que NUNCA, JAMAIS funcionaram, acham que o melhor mesmo a fazer é continuar cavando. Eles são capazes de morrer cavados em sua própria incompetência e inegável ignorância no tema.

O modelo de tratamento da obesidade da ABESO e da SBEM. É melhor do que assumir que nunca souberam tratar adequadamente.

Para essa gente, não basta você coletar e mostrar dados de estudos que existem às DEZENAS mostrando que o exercício como emagrecedor é de uma limitação decepcionante. Eles não querem enxergar. A doutora e seus amigos não são pesquisadores, são torcedores, são fanáticos como extremistas religiosos que já decidiram a causa e a solução. Como o remédio deles NÃO funciona, eles tentam explicar o inexplicável. Como o tratamento é ineficiente, eles problematizam: “Nem sempre um exercício que é bom para seu vizinho é bom para você”.

O exercício é um dos melhores remédios jamais criados, mas NÃO serve para emagrecer. Como eles não conseguem acreditar nisso, eles acham que a dose é o problema. A culpa é sempre de outro, nunca da ignorância e incapacidade deles.

Não tente convencer alguém de uma ideia quando seu ganha-pão ($$) vem justamente da sua não compreensão…

Nutrição tem muito de Corrida: chegam a ser aborrecidas de tão simples.

OU AINDA

As pessoas que são recompensadas para oferecer opções complicadas, não têm incentivos para simplificar as soluções”.

Vira e mexe me perguntam por que não escrevo regularmente em algum espaço. Preguiça não é. Por sua simplicidade, você NÃO vai encontrar em NENHUMA coluna ou espaço fixo (seja revista, site, rádio, TV…) um profissional BOM E que tenha algo de pertinente a dizer sobre o assunto. Eu só toparia um espaço regular por duas razões: por ingenuidade (em achar que dá para mudar essa característica inerente da nutrição) ou por arrogância (em achar que eu conseguiria o que ninguém consegue).

Você não pode esquecer NUNCA que uma revista, por exemplo, tem 2 interesses ESSENCIAIS no assunto: vender suplementos e entreter. Informar NÃO é um objetivo fundamental. Como eu sei? Ela sobrevive sem informar, porém, morre sem aqueles 2 primeiros. Então quando ela precisa vender, ela chama aqueles profissionais que todos do mercado sabem por nome, sobrenome e preço, fizeram até carreira acadêmica em cima disso. E quando precisam entreter, elas chamam os malabaristas, os que oferecem opções complicadas, complexas, com vícios rebuscados meio pedantes como falar “ingesta” em vez de ingestão. Eles “não têm incentivos para simplificar”, afinal, vivem de convencer o leitor, que acha que está sendo informado, que sem ele adoecerá se não houver alguém ensinando e complicando o básico: comer.

Dá para afirmar com MUITA segurança: aquela coluna que você lê tentando aprender algo de nutrição, com certeza faz-lhe mais mal do que bem. Vai por mim. Como eu sei? Por uma outra heurística: não tenho mesmo como saber que não haja no mundo sequer um cara pertinente com espaço fixo e regular. Faço, pois, o raciocínio inverso (não 100% válido, é verdade) de que NENHUM dos bons tem espaço regular (convites obviamente não lhes faltam). Ou seja, parece justamente que para ser pertinente, a pessoa precisa em primeiro lugar entender que a nutrição é tão simples que não há como ser malabarista. O vender vira só questão de caráter mesmo.

Deixe isso para quem precisa falar “ingesta” para você.

Colesterol LDL e Risco Cardíaco: o que é fato, o que é delírio médico coletivo

São frequentes as dúvidas que chegam de pessoas sobre resultados de exames de sangue e indicadores como colesterol HDL e LDL. Todos querem saber se irão morrer nos próximos dias por causa de um LDL elevado. Eu tenho uma abordagem um tanto diferente sobre hemogramas: se você não quer se preocupar com seus valores de colesterol A MELHOR COISA que pode fazer é simplesmente NÃO medi-los.

Parece extremo? Minha argumentação se sustenta em basicamente 3 pontos. O primeiro é que é de pouca ajuda você fazer testes quando a absoluta MAIORIA de Médicos E Nutricionistas é atualmente INCAPAZ de tirar informação útil dos dados. É como você pedir ao mesmo médico que leia “Crime e Castigo” no idioma original de Fiodor Dostoievski. Ele não entende absolutamente nada do que vai ali escrito. Você ficaria surpreso se soubesse que mesmo entre especialistas os conceitos são ultrapassados e equivocados como mostram diversas pesquisas entre eles ou mesmo os portais de associações como SBEM e afins. Do que serve então você dar números para quem não sabe ler?

Meu segundo ponto é que aquilo que os exames atuais oferecem fazendo uso dos valores ideais de referência nos dão pouca informação de nosso verdadeiro risco cardíaco. Por quê?

E aí chegamos ao terceiro ponto que é o fato do cálculo do colesterol LDL ser indireto, ele é estimado, não calculado! Por fim, seus valores ótimos são meros chutes, sem maior embasamento!

COLESTEROL LDL e RISCO CARDÍACO

O colesterol LDL é apenas um dos marcadores de risco. Não é o colesterol total alto, ou mais precisamente o colesterol LDL que prediz um maior risco cardíaco, mas alguns outros marcadores que são: baixo colesterol HDL, alta concentração de triglicerídeos (TG), alta glicemia e aumento das partículas pequenas e densas do colesterol LDL (já falaremos sobre isso!). Focar nos valores totais de colesterol e/ou apenas nos níveis de sua fração LDL tem sido um dos grandes erros da cardiologia há muito tempo. Hoje, por exemplo, sabemos que 2/3 das pessoas com entradas em hospitais sob suspeita de enfarte do miocárdio tem síndrome metabólica, mas 75% das pessoas apresentam colesterol em concentração dentro da normalidade. Não é só isso! O colesterol LDL por sua vez parece que visto isoladamente tampouco é um melhor marcador. Essa é a conclusão feita por um levantamento com 231.986 pacientes hospitalizados que possuíam níveis de LDL adequados. Hoje sabe-se que a maioria das pessoas que tem um ataque cardíaco NÃO tem altos níveis de colesterol LDL.

Chamar o colesterol LDL de “colesterol ruim” é um dos mais básicos sinais de que o profissional de saúde que assim o faz pouco conhece sobre o assunto. NÃO EXISTE COLESTEROL RUIM. Não faz sentido do ponto de vista evolutivo que um corpo produza e mantenha circulante em condições normais algo que seja uma espécie de veneno para sua própria sobrevivência. O leite materno possui muito colesterol e ninguém no uso de suas faculdades mentais sugere que a amamentação seria uma tentativa da mãe de envenenar um bebê ou que leite materno seja um mau alimento.

O modo como vilanizamos o colesterol é como culpar um bombeiro por um incêndio. Sempre que você chegar a um prédio em chamas, os bombeiros estarão lá trabalhando, mas ninguém em sã consciência irá sugerir que eles são os causadores, os agentes do fogo. Sempre que se chega a uma cena de assassinato, estarão lá policiais, mas isso não faz deles os suspeitos primários. Com o colesterol não deixa de ser parecido. Um colesterol LDL demasiadamente alto é um indicador de que algo está errado. Ele serve como sinal, não causa! Quando enxergamos à frente viaturas com giroflex ligado, nos afastamos porque aquilo é um sinal de que algo está errado, não que policiais estejam fazendo arrastões! Médicos e Nutricionistas que querem controlar consumo de colesterol acham que acabando com os bombeiros nunca mais teremos incêndios. Precisamos assim entender que o consumo de colesterol NÃO faz necessariamente mal, este é um mito criado nos anos 60 e 70 NUNCA, JAMAIS cientificamente provado.

O que chamamos de colesterol HDL ou LDL, os dois mais conhecidos, são na verdade duas lipoproteínas que carregam colesterol pela corrente sanguínea. É interessante imaginar, ainda que de forma meio simplista e reducionista, a fração LDL como sendo um táxi fazendo o trajeto do fígado ao restante do corpo carregando consigo colesterol. E pensemos na versão HDL fazendo o sentido inverso, trazendo o colesterol para o fígado metabolizá-lo.

Pense na hipótese desse “táxi” LDL ficar “preso no trânsito” com seu “passageiro” colesterol (*percebeu?! Você “come“ colesterol, mas não LDL). Esse tempo excedente no tráfego acaba por ultrapassar o tempo que o antioxidante que ele carrega junto consegue estabilizar o conjunto, seu passageiro. Uma vez que isso acontece, há oxidação (estou simplificando todo o processo para explicar o fenômeno) e nosso sistema imune começa a ver essa combinação de “táxi LDL ocupado e sem antioxidante” como um ser estranho, um invasor. Isso aumenta a chance de uma inflamação e uma série de outros riscos. Ou seja, muitos táxis LDL´s circulantes (altos níveis de colesterol LDL) são um risco porque em maior número, maior a chance de ultrapassar o tempo e assim se oxidar gerando inflamações, entre elas, nos vasos. Esse é o perigo de uma taxa alta da fração LDL. Mas vale reforçar que uma substância essencial à nossa vida não pode ser taxada de ruim. Reforço: este alto LDL é sinal de que algo está errado, não que seja a causa.

Não é só isso. A preferência dos profissionais de saúde pela busca de níveis baixos para o colesterol LDL sobre uma tentativa, por exemplo, de aumentar os níveis do colesterol HDL de um paciente, parece estar menos relacionada com evidências ou razões médicas e mais motivada por razões bem mais comerciais. Esse enfoque na fração LDL pode se explicar pelo fato da indústria farmacêutica ter já conseguido criar medicamentos que reduzam esse indicador, mas não tenha obtido sucesso no desenvolvimento de um medicamento que aumente a fração HDL sem incluir sacrifícios outros, como dieta, exercícios e hábitos mais saudáveis. *aqui fica aberto um convite, passeie nos sites das sociedades médicas das áreas relacionadas e veja quem são seus gordos parceiros comerciais…

Para piorar, há uma série de estudos mostrando que baixos níveis de colesterol estão ligados a uma maior mortalidade e indicando que alto colesterol parece não ser um problema. Ou seja, estamos falando de um cenário que é muito mais complexo do que o de apenas um ou dois indicadores ou frações vistas isoladamente. Outro ponto solenemente ignorado é que a fração LDL do colesterol, apesar de “ser uma só”, pode ter perfis diferentes. Tê-la em sua maioria nas versões pequenas e densas pode ser perigoso enquanto sua versão maior passa a ser interessante e benigno.

Algo que é muito importante é que desde mais ou menos 1988, através das pesquisas de Ronald Krauss, sabe-se que o LDL teria uma espécie de lado B. Essa sua versão B, vamos chamar assim, é pequena e densa, entrando nas paredes dos vasos criando os bloqueios perigosos. Porém, uma versão A do mesmo colesterol LDL, é uma partícula maior e é associada com um menor risco cardíaco. Esse é mais outro motivo por não haver razão alguma para se chamar a fração LDL de colesterol ruim, já que suas ações quando nocivas ao organismo não são consequências intrínsecas de uma característica, mas de uma concentração de uma versão em quantidades indesejadas. Uma vez que o LDL é essencial à vida, não podemos taxar de ruim como se zerar a sua quantidade significasse uma vitória da saúde.

Estudos ainda apontam que o consumo de gordura saturada (presente em alimentos como ovos, manteiga, carne vermelha e laticínios integrais) pode mesmo aumentar os níveis de colesterol LDL, porém ele muda o perfil, aumentando os níveis da fração LDL do tipo A, que reduz o risco cardíaco. Isso além de aumentar ainda os níveis do colesterol HDL, outro protetor cardíaco. Já o consumo de carboidratos refinados, aumenta os níveis da fração LDL do tipo B, ou seja, pioram o perfil do colesterol LDL circulante e ainda diminui a quantidade da fração HDL, diminuindo essa proteção cardíaca natural do organismo.

Se você nunca tinha ouvido falar das versões A e B do LDL, não se preocupe! Há enorme chance que seu médico também não. Por outro lado, pouco adianta você querer um exame que mostre o seu perfil lipídico do LDL (se A ou B). Relembro: não somos com os exames comerciais convencionais capazes sequer de medir o LDL diretamente (ele é estimado), muito menos seus 2 perfis (A e B). A falta de exames acessíveis hoje explica parte do porquê hoje compreendemos tão mal os hemogramas. No final dos anos 50, por exemplo, o nível de TG era um marcador muito mais difícil de se conseguir do que o do colesterol, poucos laboratórios conseguiam realizar a tarefa. E antes de ser possível mensurar as diversas frações do colesterol (LDL, HDL, VLDL…), tomou-se as partes pelo todo, levou-se assim muito tempo para entendermos as diferenças fundamentais no risco cardíaco que desempenham os diferentes números de HDL e LDL. Com o triglicerídeo parece ter acontecido um pouco disso e ele “chegou depois” do colesterol total já ter ganho toda sua fama e sua condição de protagonista nas doenças cardíacas já estava montada. Por isso ainda vai também levar muito tempo até começarmos a usar as versões do LDL.

Agora sim… TG e RISCO CARDÍACO.

O valor de TG elevado é um marcador de maior risco cardíaco. Quando o valor do TG sobe acima dos 100mg, por exemplo, seu risco de sofrer um ataque cardíaco sobe linearmente. Quando está em 150, por exemplo, você recebe um alerta do seu médico cardiologista. Em 175 o risco é “grande”. Um nível de TG elevado é quase um indicador da viscosidade do sangue. Quando ele sobe, o colesterol HDL, um protetor cardíaco, tende a cair.

Por isso, um indicador que é MUITO importante e constantemente ignorado é a relação dos valores TG e HDL. Se dividindo o TG pelo HDL esse valor estiver menor que 1, isso representa um baixo risco cardíaco (ex: 80:80= 1). Em um exemplo de 160:40 teríamos uma relação igual a 4, significando um alto risco.

Apesar de ser uma relação ignorada por muitos profissionais (médicos e nutricionistas), essa relação TG:HDL é apoiada por 5 estudos de 1977 do NIH que observou que, quando um sobe, o outro desce e vice-versa. Gary Taubes em seu Good Calories Bad Calories fala que a relação de comportamento invertido é observada nos 5 estudos em todas as faixas etárias de 45 anos a octogenários, homens e mulheres, sem distinção nas etnias representadas nos estudos.

Há muito tempo que vozes importantes insistiam que “quanto maior o valor (do TG), maiores os riscos de um ataque cardíaco”. Mas focamos toda a atenção (e verbas de pesquisa e propaganda) nos valores de colesterol e suas frações. Foi incrível nossa incapacidade de articular o conhecimento gerado. Ainda em 1937 os bioquímicos David Rittenberg e Rudolph Schoenheimer demonstraram que o colesterol dietético tem pouco efeito no colesterol sanguíneo. Nunca refutando essa demonstração, a U.S. Dietary Guidelines até pouco tempo atrás recomendava um limite de ingestão de colesterol dietético de 300mg por dia, o equivalente a menos de dois ovos. Depois deles, em 1950, o pesquisador John Gofman descobre várias substâncias circulantes no sangue, entre elas o colesterol LDL e quase 70 anos atrás ele já afirmava que “o colesterol total sanguíneo é um perigosamente pobre preditor de doenças cardíacas”.

Esta nossa obsessão com o colesterol é uma insistência em um erro que prega que o maior consumo de gordura saturada estaria correlacionado com maior risco cardíaco. O delírio da comunidade é tão gigantesco que ao se olhar atentamente e com maior rigor ao estudo não-conclusivo dos anos 60 que deu origem a esse temor, temos que um menor consumo de colesterol prova justamente que o LDL NÃO tem correlação com risco cardíaco!

Nossa teimosia (não intencional ou a patrocinada) diante de tantas evidências garante com certa segurança que nosso temor com o LDL, que teve um passado brilhante, ainda tem um futuro muito promissor.

Infelizmente.

A Nutrição, assim como a vida, é feita de escolhas

Um estudo publicado recentemente no Journal of the American College of Cardiology veio corroborar o encontrado em tantos outros levantamentos. Feito com mais de 900 pessoas acima do peso, basicamente dividiu-se os indivíduos em 3 grupos. Para um deles eles davam orientação (aconselhamento) e um guia alimentar (Health Canada Food Guide). Um segundo grupo não recebeu nenhuma orientação, porém, recebia semanalmente uma cesta com os alimentos recomendados no guia alimentar em questão. Por fim, um terceiro grupo recebia ambos: orientação (com guia alimentar) e a cesta semanal com os alimentos dito saudáveis.

Deixemos um pouco de lado que as atuais recomendações nutricionais oficiais no emagrecimento se baseiam em fé, não em ciência ou evidências. O que vale destacar é que depois de 6 meses houve nenhuma ou pouca diferença no peso, na cintura e na pressão arterial entre os 3 grupos. Para ser mais preciso, a perda média de peso foi de somente 1kg em 6 meses! Isso derruba MUITO do que se prega atualmente na Saúde Pública: especialistas defendem que devemos educar a população e que devemos aumentar o acesso a alimentos ditos saudáveis. Sim, é difícil discordar dessa política, mas agora podemos desconfiar que isto teria impacto irrisório, praticamente nulo na saúde da população. A Nutrição mais uma vez é pega na desilusão de viver em seu mundo de esperança que não funciona na vida real…

Mas… Por que educação e acesso a alimentos saudáveis pouco ajudam?

A explicação não é fácil, é baseado mais em conceitos do que em evidências. Gosto muito de duas ideias: a do conhecimento ser subtrativo e também o da via negativa. Resumindo e adaptando os 2 de modo quase perigoso temos que é bem mais fácil sabermos com segurança o que nos faz mal do que descobrirmos o que faz bem. E é bem mais fácil, usando a via negativa, saber aquilo que gera estresse ao organismo. Sabemos que açúcar (e farináceos, e doces, e refrigerantes…) fazem mal, mas é muito difícil saber se agrião ou beterraba, por exemplo, fazem bem.

A questão da alimentação tem uma particularidade fundamental que os profissionais de saúde parecem ignorar: é uma questão somatória. Você pode ficar sem correr, ou seja, para estudar o impacto da corrida na saúde, você pode deixar um indivíduo sem correr. Mas não há como deixar alguém sem comer. Uma vez que essa pessoa vai necessariamente comer algo, entra outra variável importantíssima: a pessoa ficou com sua saúde melhor (ou pior) porque ela comeu mais verduras ou porque ela deixou de comer fast-food? É muito mais fácil entender e descobrir qual seria o vilão em um fast-food (bastaria para isso analisar indivíduos que comem somente partes componentes de um sanduíche), mas é muito mais difícil descobrir os diferentes papéis quando há trocas, ou seja, parei de comer X-Salada com refrigerante e passei a ser vegetariano. Era o milk-shake que me fazia mal ou os legumes e folhas que fazem bem?? Sabemos que o primeiro é verdadeiro, mas ainda NÃO sabemos se o segundo o é!

Dividimos alimentos em mocinhos e bandidos. Mas fazemos isso muito mal.

Hoje não surpreenderia ninguém que a resposta dos profissionais da área à pergunta acima seria que ambos: um faz mal e o outro faz bem. Mas… será mesmo?!

Eu tenho enorme dificuldade em acreditar em super-alimentos (*OK, acredito que fígado bovino, cogumelos, brócolis e ovos são quase 4 super-alimentos). Mais do que isso, tenho enorme resistência em falar que alimentos como óleo de côco ou bebidas da moda como kefir ou bulletproof coffee são bons. Porque o erro daí em diante é generalizado. Quando eu era adolescente, eu chegava a comer – sem exagero – uma dúzia de laranjas quando estava doente, pois na minha cabeça quanto mais melhor, afinal, fruta é bom, não?! Mais de uma vez atendi pessoas que consumiam colheres de óleo de côco porque “é um alimento bom”, que só tomavam cafés especiais com manteiga. Pode parecer lógico, mas há uma enorme diferença entre um alimento fazer mal e outro alimento fazer bem! E uma vez que haja alimentos que façam bem, é muito diferente achar que mais dele signifique melhor.

Já sabemos que há alimentos que mesmo em quantidades muito pequenas são ruins, mas ainda NÃO sabemos se existem muitos alimentos que sejam por essência bons. E já sabemos que mesmo esses alimentos em grande quantidade NÃO fazem “mais bem”!

A pessoa precisa saber que quando ela come 3kg de brócolis com 1kg de amora por dia, ela não terá muitas condições de comer comida sabidamente ruim (doces, refrigerantes, fast-food, alimentos processados e industrializados…) ou, na pior das hipóteses, comerá necessariamente bem MENOS de alimentos SABIDAMENTE ruins. Uma pesquisa que estudasse uma população assim, inevitavelmente concluiria que brócolis e amoras são alimentos mágicos sem perceber que é a via negativa, ou seja, é a AUSÊNCIA desses estressores em questão que nos faz bem!

Isso mais confunde do que ajuda porque sabemos que algo ruim NÃO está sendo consumido, mas identificamos como algo que não é necessariamente BOM como tal.

Atualmente acreditamos equivocadamente que alguns grupos de alimentos (principalmente frutas, legumes e grãos) são tão bons, tão saudáveis, que seriam capazes até mesmo de reverter problemas de uma má alimentação. Eu penso BEM diferente. Não só acredito que esses alimentos nem sejam assim tão bons (seriam em sua maioria no máximo neutros) como – e isso a ciência está do meu lado – eles NÃO têm a capacidade de reverter os problemas que comer mesmo quantidade pequena de açúcar e gordura trans, por exemplo, nos traz.

Hoje encaramos a Nutrição como se, por exemplo, comer quinoa (ou qualquer alimento da moda) pudesse reverter os males de fumar. Não, não consegue! Assim como o cigarro faz mal INDEPENDENTEMENTE daquilo que você consuma, temos que lembrar que NÃO HÁ COMPENSAÇÃO na Nutrição. Ou você come mal ou você come bem por não comer o mal. Não existe comer uma somatória de forma a se neutralizar.

Quando analisamos dados populacionais, podemos observar que a população obedece a recomendação de comer mais frutas e legumes. Qualquer levantamento confirma isso. Mas a população não deixou de comer também os alimentos “maus”. Como não há fruta que compense fast-food, a população adoece. Hoje consumimos suplementos de ômega-3 achando que ele fará bem (não fará). A doença está que hoje, pelo consumo dos óleos industrializados (de soja, milho, girassol ou canola) consumimos muito ômega-6. Não é a falta do 3 que faz mal, é o excesso do 6! Na Europa alguns levantamentos interessantes mostram que passaram a comer mais frutas, SEM deixar de comer comida processada. Resultado? Uma Europa obesa e doente como nunca antes. Resumo: fruta pode ser chamada de alimento bom, mas NÃO faz diretamente NADA para ajudar quando temos uma má alimentação

Podemos fazer um paralelo assim: a área da Nutrição tenta tratar uma pessoa que tem muita dor quando corre recomendando muita fisioterapia, pedindo tênis caros, tratamentos inócuos, kinesio tape e muita fé tentando descobrir a solução do problema. Um jeito BEM mais fácil de tratar essa dor é pedir que essa pessoa simplesmente não corra, que faça N outras atividades que NÃO a corrida. Se ela quiser correr, terá dor, se ela quiser seguir comendo X-Salada e bebendo cerveja diariamente, ela VAI continuar goda. É simples assim. Não importa o quanto de quinoa ou almeirão ela coma. Esses e outros alimentos não fazem necessariamente bem, mas podem evitar que você consuma (ainda mais) dos que te fazem mal.

Sabe os 900 do estudo do início do texto? Eles comeram mais comidas saudáveis, mas não deixaram de comer as porcarias. O custo fisiológico do alimento processado é maior do que qualquer quantidade de beterraba que você coma.

TIRE o agente estressor que não haverá estresse.

Não procure alimentos mágicos, eles ou não existem ou ainda não sabemos quais são.

NOTA DE RETRATAÇÃO.

Prezado(a) leitor(a),

Em conformidade e atendendo a uma notificação extrajudicial a mim enviada dias atrás pelos procuradores da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA, a ABESO, escrevo abaixo uma mensagem de retratação por alegações que, segundo eles, eram “inverídicas” e buscavam a “atingir a honra, retirar a credibilidade e prestígio da ABESO”.

Fui pego de surpresa. Vocês sabem que não ligo a mínima para o que a ABESO diz sobre o assunto Nutrição. Acredito que a entidade tem enorme talento e competência de errar por completo no tema, do início ao fim, quando fala sobre recomendações no emagrecimento, diabetes e controle de peso. Não acho também que eles liguem muito para o que eu falo. Afinal, somos tão antagônicos, com interesses tão distantes na matéria, que nunca um diálogo seria formado espontaneamente. Porém, isso não os tira o direito legítimo de exigir o que exigem quando estão certos.

Incomodou à ABESO que em meu texto em questão eu dizia que eles possuíam um comportamento e “relação acintosa, promíscua, desavergonhada, condenável e vendida”. E em parte eles estão corretos, com a razão: eu ultrapassei o limite do razoável e do justo para com a entidade.

Recorrendo ao dicionário temos:

Acintoso: adj. Apoquentador; que provoca aborrecimento; que contraria e aborrece. Provocador;

No dia que escrevo isso, assisti no Jornal Hoje matéria explicando que o Brasil atualmente tem em sua população cerca de 60% de pessoas com sobrepeso e 20-25% de pessoas obesas. A entidade publica em seu site a 4a edição das Diretrizes Brasileiras de Obesidade (2016). A parte referente ao tratamento dietético é um equívoco científico de seu início ao fim.

A ABESO se orgulha de ser uma entidade com 500 associados (de diversas profissões) espalhados por todo o país. Fico eu imaginando a quantos obesos e doentes seu discurso não chega. A obesidade, não é preciso dizer, é um gravíssimo problema brasileiro e global. Pois as diretrizes de uma entidade que carrega em seu nome a palavra estudo, parece feito sem ele. Ou eles não estudam ou a cada linha que leem, entendem tudo pelo avesso. A obra parece feita por um estudante que em seu trabalho “enche linguiça” sem relacionar diretamente as referências do que vai dito, porque sabe que um professor mal pago e demasiado atarefado não se dará ao trabalho de verificar tudo.

Conseguiram. O que vai na parte em questão é tão pobre do ponto de vista de evidências e rigor científico, que eu prefiro acreditar que a disposição das referências, na verdade falta delas, é para deixar claro que no assunto eles se baseiam em fé, esperança, hipóteses e ciência sem rigor e muito mal feita. Se você tentar verificar o que é dito, se verá de mãos atadas. Sem poder recorrer às bases de tal pensamento retrógrado, tal como eles, vai ter que aplicar a fé. Tudo isso em u problema seríssimo.

Mesmo dentro da diretoria da entidade, reduzir obesidade a uma questão matemática é um método, não a exceção. Um dos seus diretores disse que (por ter 4 calorias por grama, igual o açúcar) “exagerar no consumo de proteína – em forma de whey protein, por exemplo – engorda”. Essa fala, vindo de alguém importante lá dentro mostra o nível raso do debate do tratamento da obesidade.

Ainda segundo o dicionário, temos:

Promíscuo: (…) Que abarca elementos desonestos; que contém imoralidade ou degradação moral.

Desavergonhadamente: De modo sem-vergonha; de maneira a não sentir arrependimento ou constrangimento por seus atos condenáveis: mentia desavergonhadamente. Descaradamente; de modo descarado; em que há atrevimento: comportava-se desavergonhadamente.

Condenável: adj. Que se consegue condenar; que merece ser condenado; suscetível ou digno de censura; que pode ou deve receber críticas; censurável ou repreensível.

No mercado do emagrecimento, no farmacêutico e dos suplementos nutricionais é mais do que comum a pressão do mercado, de grandes empresas que tentam empurrar a comercialização de remédios e suplementos nutricionais. Há uma relação antiga e viciada de aproximação de empresas que pagam bônus, vantagens, prêmios a quem mais vender seus produtos, precise o paciente/cliente ou não. O que mais importa, é a venda.

É o Nutricionista que vende BCAA e suplemento, é o endocrinologista que prescreve remédio em farmácia de manipulação sempre ganhando sua comissão, é o médico que tem relação próxima às empresas que pedem que ele prescreva sua marca, não a da concorrência. O profissional só tem a ganhar quando entra no jogo. Você pode acreditar que não há problema algum nisso, que a boa-fé é suficiente. Mas você tem também o direito de achar que há unicórnios e gnomos escondidos pela mata.

Sabendo e reconhecendo um problema, a pessoa (ou entidade) teria que buscar fugir dessas armadilhas. A entidade não parece não muito preocupada com isso. Pelo contrário. O difícil é encontrar uma entidade que seja tão fiel aos seus parceiros comerciais.

Em sua mensagem a mim, eles deixam claro que são sem fins lucrativos. Eu gosto de dinheiro. Tenho mais do que certeza que eles também gostam muito. Não há problemas, é uma questão individual, de cada um. Agora o COMO você ganha, isso já nos importa um pouco mais.

A ABESO conta constantemente com gordos patrocinadores da indústria farmacêutica. Há erro legal nisso? Não mesmo! É correto? Aí já não podemos dizer com essa segurança. Mas se eles não vendem remédio, estaria OK, certo? Pois é, eles não vendem, muitos de seus associados indiretamente sim. Trabalhei por muitos anos com patrocínios de eventos e atletas, o que você mais busca é um patrocinado como a ABESO, defenda seu discurso, sua marca, seus produtos, sua onipresença. Será que colocando tanto dinheiro na entidade o patrocinado consiga aquilo que quer? Pois pode estar certo, a ABESO é preocupantemente fiel aos seus parceiros comerciais.

“(…) não dá para imaginar o tratamento da obesidade sem os medicamentos que agem no Sistema Nervoso Central em decorrência da fisiopatologia da obesidade” (diretora da entidade)

Quando a Anvisa proibiu a venda de anfetaminas, uma classe de inibidores de apetite, “diferentes entidades” participaram de audiências públicas e encontros para sensibilizar parlamentares a defender o uso desses remédios, você a esta altura já deve imaginar qual foi uma das mais ativas… é a tal da fidelidade a quem te apoia financeiramente. O alívio de outra diretora era tão grande que ela disse: “A gente fica na torcida”.

Como não ficar?

É uma defesa sistemática. Outra diretora em entrevista, quando perguntada sobre tratamento da diabetes foi taxativa: medicamentos e insulina. Veja bem, sobre uma doença de intolerância a um nutriente NÃO essencial ela NÃO citou a mais básica e fundamental das abordagens, a dieta restritiva.

Outros 2 diretores seguem o discurso, ou defendendo amplamente os medicamentos ou dando curso (sobre medicamentos, dieta parece ser tolice).

O padrão às vezes não é sobre produtos farmacêuticos, mas sobre patrocinador. Veja a fala abaixo de outro diretor falando sobre o refrigerante mais famoso do mundo, que possui uma parceria comercial com a entidade:

“Estamos muito felizes em nome da ABESO, pela iniciativa de uma empresa que tem oferecido cada vez mais bebidas de baixas calorias para aqueles que precisam aderir a uma dieta, o que facilita a mudança no estilo de vida”

Mais um dígito no contrato e acho que consigo imaginar o abraço fraterno do diretor agradecendo efusivamente pelos refrigerantes existirem, caso contrário emagrecer seria algo muito difícil, quiçá inviável.

Veja, bem… não há em NENHUM desses casos ABSOLUTAMENTE NADA que infrinja a lei. Não há crimes, não há ilegalidade, não há sequer abusos puníveis. Nem sempre o legal é o certo a se fazer, nem sempre o ilegal é o errado. Há 2 jeitos de você tratar alguém, como um adulto entendedor de como as coisas funcionam na vida real ou como pessoas ingênuas, inocentes, quase burras. Se a pessoa não vê problemas nesses discursos que listei aqui, tudo bem. Está no seu direito.

Para mim a questão é o eterno e enorme problema da dissociação de interesses na saúde. Sabemos quem ganha quando produz e vende mais produtos, sabemos também quem ganha o bônus por vender mais aos pacientes. Mas sabemos muito bem quem exclusivamente perde (em dinheiro e saúde) por consumir remédio a mais.

O que ganha a ABESO aproximando remédios de seu público? Por que em seu principal simpósio de obesidade ela traz representantes das patrocinadoras a falar diretamente aos profissionais? Quem ganha? Quem perde?

Eu sei quem ganha e quem perde. A entidade finge parecer não saber. Mas o comportamento dela defendendo os interesses dos parceiros comerciais é de uma fidelidade arrebatadora. O problema é quem paga por isso…

Seria interessante, pois, ver o que a entidade tem a dizer sobre esse tipo de relação que, se não ilegal, cora de vergonha o rosto dos mais corretos.

Ainda que sem infringir a lei, suas diretrizes nutricionais citadas amparadas em fé e estudos sem rigor, feita em uma entidade que diz estudar o assunto; as repetidas e algumas graves (do ponto de vista de saúde) declarações feitas por diretores da ABESO, sua aproximação vantajosa com entidades que lucram quando um terceiro consome seus produtos indicados por profissionais de saúde me fizeram dizer que seu comportamento é acintoso (por provocar aborrecimento), é promíscuo (por conter imoralidade ou degradação moral), é desavergonhada (de maneira a não sentir arrependimento ou constrangimento por seus atos condenáveis) e é condenável.

Ainda que seja tudo isso a ABESO NÃO é VENDIDA! *e por respeito à entidade esta é a última vez que uso aqui a palavra em questão

Também por trabalhar com palavras, é com certa vergonha que admito que fui precipitado, equivocado, impulsivo no manejo das palavras a serem usadas na ocasião.

Por isso venho aqui humildemente, encarecidamente e atenciosamente pedir retratação por uso de tal palavra, que já foi devidamente retirada do texto original. As demais ficam.

Ainda que seja minha opinião, ela não deveria JAMAIS ter saído do campo pessoal para um texto aberto. Eu não tinha o direito de acusar assim, e por isso me retrato. Não importa qual o comportamento da ABESO, isso nunca, JAMAIS me deu motivo para insinuar ou afirmar que tenham tido tal repreensível atitude.

Peço sinceras desculpas. Estou, acreditem, arrependido de seu uso.

E para terminar, peço algo.

Em sua nota inicial a entidade disse que se não me retratasse, “isso implicaria a adoção de medidas administrativas, cíveis e criminais cabíveis visando a recomposição dos danos materiais e morais impostos”.

Então peço que nossa conversa e desavenças permaneçam no campo das ideias. Eu não sei de vocês (e vocês de mim) se respeitam idosos, se pagam imposto ou reciclam lixo. Isso não me importa. Minha diferença com vocês é enorme, quase completa, mas fica no campo das ideias. Vocês não gostam do que eu falo. Eu ignoro o que recomendam na Nutrição. Mas que, de novo, fique no campo das ideias. A gente sempre acaba descobrindo pelo comportamento do outro aquilo que ele mais quer, o que mais deseja. Neste momento estou há quase 2 anos em uma pendenga judicial com o CRN e o Sindicato que me pedem R$500.000. Sem jamais debaterem ideias, a sanha deles por esse dinheiro (e das anuidades) deixa-me claro o que eles mais querem. É sempre assim. Que com vocês a conversa seja diferente. É o que eu peço. Nem peço que gostem de mim, porque se uma entidade qualquer de Nutrição gostasse, é porque eu estaria fazendo muita coisa errada mesmo.

Era isso!

Mais uma vez, desculpe-me pela tal palavra já devidamente retirada.

 

Quando Esquimós dão bola à Nutrição…

É sempre importante, diria eu fundamental, estudar Nutrição sem NUNCA tirar o pé da questão evolutiva, histórica. No e-bookO Nutricionista Clandestino” (e na versão impressa aqui) listo alguns casos de povos que se alimentavam de extremos, sem NENHUMA consequência negativa à saúde. E por que seria importante estudar ou saber isso? Pois temos na história povos que comiam enormes quantidades de gorda carne vermelha sem sofrer problemas cardíacos.

E todo nosso medo de carne vermelha (na verdade por falta de provas esse medo passou a ser gordura, depois gordura saturada e depois colesterol) vem de associações pobres, frágeis que não encontram nenhum suporte em uma análise bem-feita. Será no futuro reconhecidamente como uma das maiores vergonhas da Nutrição, uma área que se considera ciência, mas que é hoje em grande parte de suas diretrizes, apenas algo livre de evidências, é assim apenas uma crença sem um Deus a louvar.

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Na verdade louvam. A Nutrição tem seu demônio (a gordura saturada) e tem no carboidrato, um nutriente não-essencial à vida humana, o seu improvável herói.

Pois agora pelas mãos de pesquisadores russos nos chega que 2 povos na Sibéria, que por séculos se alimentavam basicamente de carne gorda e de peixe, fizeram involuntariamente mudanças em suas dietas. Qualquer diretriz nutricional diria para os Nenets e Khanty consumirem menos gordura saturada, menos colesterol e mais carboidratos.

Agora eles passaram a comer mais carboidrato. Resultado?

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Eis que aparecem os primeiros problemas de obesidade nesse povo Ártico!

Já expliquei como nossas avós são melhores que os Nutricionistas. O tempo sempre nos mostra o que é melhor: uma dieta de séculos ou teorias de 40 anos JAMAIS provadas, NUNCA antes testadas?

Quer engordar? Quer adoecer? Fácil! Ouça e siga com atenção o que um Nutricionista tradicional (o que segue as diretrizes) tem a dizer!

O porquê nossas avós são BEM melhores que os Nutricionistas. OU AINDA: o tempo como senhor da Razão.

Um dos temas que mais aprecio, mas sobre o qual eu dificilmente decido escrever muito é a latente ineficiência dos atuais tênis de corrida na diminuição das lesões nesse esporte. Se eu precisasse resumir em poucas palavras o recente histórico seria: nos últimos 40 anos os tênis ficaram maiores, mais pesados e (muito) mais caros. Agora os modelos convencionais contam com “tecnologias” que prometem muito. Mas na realidade conseguiram oferecer com evidências apenas maior conforto. Ou seja, não há vantagem ou menor índice de lesões, porém dão uma falsa sensação de segurança que é muitas vezes contraproducente.

A QUEM OUVIR?? – O que é um especialista? O que é um falso especialista? Em quem acreditar?

Você não terá problemas em encontrar nutricionista dizendo que você deve ir apenas com quem tem CRN, o que é uma tremenda bobagem; discurso de quem se preocupa mais com o próprio bolso do que com aquele que deseja emagrecer. No campo das ideias quem decide quem é e quem não é especialista é o tempo. E existe uma regra para isso, o Efeito Lindy, uma das heurísticas mais robustas que existem. O efeito diz que a expectativa de vida de uma ideia é porporcional ao seu tempo de vida.

Aplicado aos tênis de corrida, os maiores atletas por bem mais da metade do século passado corriam com tênis sem suporte. Desde os anos 70 a indústria tenta nos empurrar um novo conceito de tênis que não só não se mostra eficiente (como evidencia qualquer pesquisa preguiçosa que qualquer um pode fazer), como seus próprios tênis, de tão ruins que são como conceitos de calçados seguros, vão morrendo temporada após temporada.

Você pode enganar um corredor (nem tão) iniciante com suas propagandas chamativas, pode convencer o jornalista que só lê release, pode convencer aquele médico que faz lista de “tênis bom para o joelho”. Você apenas não engana duas entidades: Lindy e o Tempo.

Por isso que quando olhamos no tempo vemos que a fragilidade dos falsos argumentos não sobrevive ao tempo, uma vez que um dos discursos dos fabricantes diz que “esta versão está ainda melhor que a anterior” ainda que ela não tenha se mostrado em NADA mais segura que um tênis de corrida de 1965! É como o Comunismo/Socialismo, nunca deu certo em lugar nenhum, mas deveríamos continuar tentando. Para estes todos é muito triste quando o seu “mundo dos sonhos possíveis” encontra a vida real.

Fosse um modelo de tênis convencional de hoje superior aos da década de 60, o conceito desses teria morrido, mas continua vivo ainda que sem a força da propaganda. Por quê?

“Insanidade em indivíduos é algo raro – mas em grupos, festas, nações e épocas, ela é uma regra”. (Friedrich Nietzsche)

Por que tantos de nós correm com tijolos aos pés que não os protegem? Por que comemos 60% das nossas calorias justamente do nutriente que é não-essencial à vida? Por quê?

Vivemos uma época racional regida pela irracionalidade de falsos especialistas. Muitos deles montam suas teorias na segurança de não ter que submeter alguém previamente ao que pregam. E é ai que nossas avós são melhores do que nossos nutricionistas. Se na saúde você tiver que seguir ao acaso uma recomendação nutricional, marque um encontro com sua avó JAMAIS consulta com um Nutricionista.

Sempre que alguém vem e me chama de polêmico (o que não é verdade), repare que provavelmente estou apenas a dar peso a pesquisas que com rigor contradizem o senso-comum, seja na Nutrição ou sobre com qual tipo de tênis que deveríamos correr. Afirmações essas que eu sei que acarretam danos à reputação dos falsos especialistas, os especialistas em release, ou os ignorantes por conveniência, estes os mais desonestos. As ideias desses não sobrevivem honestamente ao tempo. Veja: são 40 anos para provar que tecnologia ajuda. Sem provas. São 40 anos seguindo cada vez mais as diretrizes nutricionais: nunca tivemos um mundo tão obeso. Esses especialistas (nutricionistas e defensores da tecnologia em calçados) são vulneráveis à prova do tempo e esperam que a realidade mude seu funcionamento, não suas teorias absurdas.

AVÓS vs PESQUISADORES

Por isso insisto com uma heurística: quer ir ao Nutricionista? Converse com sua avó. Com enorme chance de certeza afirmo que 85% das vovós estarão certas. Menos de 15% dos nutricionistas têm essa taxa. Por quê? Porque elas, nossas avós, comiam alimentos que foram a base da nossa dieta por muitos séculos. O Nutricionista não, ele vive de um pensamento mágico de teorias de apenas 40 anos que jamais foram postas à prova. Ele não tinha muito a perder, nossas avós e antepassados tinham.

Com tênis de corrida não é diferente. Por séculos os corredores, que dependiam do sucesso de sua corrida, usavam calçados com pouco suporte. Por que então dar ouvidos a jornalistas, fisioterapeutas e médicos que NÃO estudam DE VERDADE o assunto (pseudo-especialistas) e cuja parte de seu sucesso depende justamente do SEU fracasso (lesão) na corrida? Há uma enorme dissociação de interesses, como em quase todas as áreas da Saúde. A Nutrição não é em nada diferente.

Diabetes – cuidado com o que dizem as entidades “especialistas”.

Dias atrás a foto de um cartaz no refeitório de um Hospital Universitário me chamou atenção. Nele estava escrito que “o arroz auxilia no tratamento do diabetes”. Era um anúncio patrocinado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Duas são as coisas que mais me espantam no assunto diabetes:

O primeiro é a relação acintosa, promíscua, desavergonhada e condenável entre a comunidade médica (na forma de algumas associações e sociedades) e quem lhes pagam dividendos financeiros. Eles não se preocupam sequer em esconder como funcionam, falam bem de quem pagar bem.

"A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca... ooops"

“A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca… ooops”

O segundo é como esse trabalho de defender patrocinadores foi de tal forma duradouro e bem feito que a lógica se inverteu. Essas entidades, encabeçadas por muitos profissionais de renome que também possuem relação suspeita com alguns laboratórios, inverteram na cabeça do leigo toda a lógica de como funciona uma doença que não chega a ser complexa.

A diabetes do tipo II, aquela popularmente conhecida por ser “adquirida” em adultos com o avançar da idade, nada mais é do que uma intolerância à glicose resultado, entre outras coisas, de uma enorme resistência à insulina. Como esse hormônio é liberado principalmente com o consumo do carboidrato, e este por sua vez é não-essencial ao ser humano, existem duas opções:

A primeira é você comer menos do nutriente não-essencial (no caso o carboidrato), uma vez que o diabético é intolerante a ele.

Outra opção é você reduzir essa resistência à insulina, e isso passa necessariamente por consumir menos (em quantidade e frequência) de alimentos ricos em carboidratos (e pobres em fibras), que estimulam a liberação do hormônio.

Os ~especialistas~ ignoram os estudos e a lógica da doença para pedir que o doente faça o contrário. Que ele coma mais carboidrato e consuma a insulina e os remédios que coincidentemente seus patrocinadores fabricam e vendem. É tudo muito nojento, dá ânsia, embrulha o estômago.

Arroz é amido “puro”, que por sua vez é glicose “pura”. Como pode ajudar no tratamento de um doente que não consegue metabolizar glicose? A IRGA querer vender essa ideia, dá para entender. Médicos aceitarem o dinheiro para convencer o doente é puramente antiético. Aos olhos desses médicos, pagando bem, que mal tem?

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Você não deveria ouvir o que dizem a SBD e seus diretores

A diabetes é hoje a 3ª causa de morte nos EUA (antes era a 7ª). Ainda assim, com a doença crescendo, as entidades como a brasileira SBD ou a associação americana de diabetes pedem que um doente intolerante à glicose coma dietas ricas em… glicose!

Você poderia achar que o público não ouve os especialistas. Porém, isso não é verdade. Quando você compara dados de 1970 a 2014 descobre que passamos a consumir 20% a mais de vegetais e 30% a mais de frutas. Ainda assim, as entidades dizem que consumimos muita carne e gordura saturada. O mesmo levantamento mostra que reduzimos em 79% o consumo de leite integral, em 17% a gordura animal e 28% menos carne vermelha. Mas essas entidades ainda acham que carne causa diabetes.

Duvida? Cheque você mesmo o que dizem algumas das diretrizes! Onde?

livro1São muitas as fontes e estudos mostrando como invertemos malucamente a compreensão dessa doença. Em O Nutricionista Clandestino (aqui em e-book e aqui na versão impressa) explico não só a lógica dela, mas cito as absurdas diretrizes atuais dessas entidades. Você pode ainda aproveitar a promoção com o combo de e-books com O Treinador Clandestino!

A Dieta nas Festas

A piada dia: “o problema não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, mas o que comemos entre o Ano Novo e o Natal”. Faz sentido? Há estudos que mostram haver muita verdade nesse raciocínio de que nosso exagero ao final do ano sabota nossa silhueta. Os americanos, por exemplo, ganhariam muito peso entre o Dia de Ação de Graças (a quarta 5a feira de novembro) até 01 de Janeiro. Ou seja, um período de 6 semanas de engorda. Veja abaixo que este é um padrão em outros países e suas celebrações de final de ano e/ou religiosas.

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É um efeito “universal”: Natal, reveillon, datas festivas, Páscoa… geram ganho de peso considerável na população. Cuidado!

Um levantamento americano, além de confirmar o ganho de peso entre essas datas, traz algo muito mais importante: entre o final das férias e o pré-festas do ano seguinte as pessoas NÃO se livraram do que ganharam em 6 semanas! Seria mais ou menos assim: a pessoa engorda no final de ano, porém bem menos do que se imagina. Mas essa pessoa NÃO perde o que ganhou e vai assim acumulando peso, ano após ano.

Especula-se que anualmente cerca de 60% de nosso ganho de peso seria assim resultado de um descuido que ocorre em períodos muito restritos! Obviamente há enormes limitações por ser um estudo observacional com uma população que está no inverno, enquanto nós estamos no verão, justamente quando mais expomos nossos corpos em praias e ruas, por exemplo.

E não é só isso, como era esperado, para combater os excessos as pessoas correm para as academias! Repare abaixo no comportamento das pessoas que nas festas exageram no fast-food e tentam compensar com atividade física. *do Ano-Novo até meio de Janeiro é o único momento no qual academia ultrapassa o fast food. **quem acompanha este espaço sabe que atividade física é uma péssima ferramenta para perda ou controle de peso!

Outra regra:  a pessoa se esbalda no final do ano e corre para academia tentar compensar!

Outra regra: a pessoa se esbalda no final do ano e corre para academia tentar compensar!

Então o que fazer nesses casos? *E isso serve também para Páscoa, festinhas de criança, casamentos

– Primeiramente, tenha juízo, pois isso nunca faz mal a ninguém. Coma como se HOUVESSE amanhã;

– (Esta dica vale também para os que não param de perguntar o que comer ANTES de fazer jejum intermitente) Talvez valha priorizar ovos e/ou proteína na refeição anterior. Veja abaixo que as pessoas que comeram ovos, comeram menos na refeição seguinte. ATENÇÃO: muito possivelmente não há nada mágico no ovo! O resultado foi PROVAVELMENTE uma questão de macronutrientes (mais de um e/ou menos de outro), não do alimento em si. Não sabemos ainda se foi comer mais proteína, se foi comer menos carboidrato ou se comer ovos. Não sabemos!

Quem comeu mais ovos (proteínas), na refeição seguinte estava mais saciado do que quem comeu mais carboidrato.

Quem comeu mais ovos (proteínas), na refeição seguinte estava mais saciado do que quem comeu mais carboidrato.

– Por fim, treinar pode não fazer perder muito peso, mas melhora a resistência à insulina. Ou seja, ajuda! Exercício quase nunca fará mal! Se quiser treinar antes, ótimo! Quer treinar (LEVE!) depois? Melhor ainda! Por que não andar um pouco em vez de deitar e dormir? Mas reforço: não há exercício no mundo que compense você comer um pernil e tomar um balde de sorvete.

Boas festas!

Feliz 2017!

Jejum Intermitente e Corrida

Jejum Intermitente. O que é? Para o que serve?

Esta semana foi ao ar (abaixo) um vídeo do Corrida no Ar (o maior canal de corrida em português no YouTube) no qual falo sobre o que é o “jejum intermitente”, para o que serve, como funciona e o que traz de benefícios ao corredor e praticante de atividade física.

Em meu novo livro O Treinador Clandestino há um capítulo inteiro sobre o tema! Assim como em O Nutricionista Clandestino explico sobre a queda da resistência à insulina, talvez o maior e melhor benefício dessa prática milenar.

Caso queira adquirir os 2 livros em um preço especial de R$59, clique aqui!