Comer como atleta vs Comer para ser atleta

Conheço o Ivan Razeira há um tempo, semanas atrás ele se saiu com uma frase incrível: “antes eu comia como um atleta, hoje eu come pra ser um atleta”.

Ele postou uma foto das duas épocas. O que pouca gente sabe é que a foto do “antes” é temporalmente mais próxima de sua fase como atleta profissional de triatlo disputando etapas do circuito mundial. Como isso é possível?

Um dos maiores e mais vergonhosos erros da Nutrição Esportiva é estruturar sua prática observando o que faz a elite para então aplicar em atletas amadores (que é onde está o dinheiro e o grosso do mercado). O atleta da elite é um ET, um fora da curva, um “outlier” com características bem particulares.

Uma delas, e a maioria dos profissionais da área parece não compreender, é que esses atletas possuem uma ENORME tolerância ao carboidrato, o nutriente que oferece a melhor relação energia por consumo de O2. Então não é que os grandes corredores (e triatletas) comem muito carboidrato e isso os faz ser da elite, mas é que eles PODEM, eles TOLERAM consumir tudo isso (assim como toleram cargas incríveis de treino) e POR ISSO podem ser da elite.

Quando o Ivan resolveu mudar radicalmente sua dieta após sua aposentadoria, reduzindo radicalmente os carboidratos, seu corpo mudou. Quando um organismo não mais tolera tanto carboidrato ele aumenta sua resistência à insulina, aumentando o peso, trazendo maior carga mecânica e assim pior desempenho.

Um corpo atlético na longa distância precisa ser ANTES DE TUDO leve. Mas a Nutrição Esportiva decidiu funcionar às avessas, decidiu tentar mudar a realidade que é sempre teimosa. Por isso ela não funciona. Ela decidiu primeiro que você deve encher o rabo de carboidrato (porque não compreende a dinâmica do esporte) e depois sugere saídas ineficientes para você se livrar de um peso que subiu ou que não baixa.

Faz sentido? É lógico que não! Mas com sua incompreensão da dinâmica ela culpa o cliente por estar acima do peso, não o seu não entendimento. A busca deve ser por uma dieta de um corpo magro, não a dieta dos corpos magros!

O que a quarentena nos ensina sobre Jejum

Uma enorme estupidez nessa quarentena tem sido gente que até parece inteligente dizer pra se evitar o jejum porque poderia fazer mal. Ou essa gente não estuda ou tem pavor mesmo de estudar. Uma busca preguiçosa nos estudos e você verá que o jejum faz o oposto: aumenta nossa imunidade. Sempre que alguém falar em cortisol e jejum, peça a ela voltar às aulas de fisiologia mais elementar. Exercício e Cortisol têm relação, exercício faz mal? Pois é.

É comum perguntarem: como o jejum faz bem, como ele funciona?

Não entendo muito bem esse interesse. Eu trabalho com corrida e NÃO consigo listar seus benefícios. Passei durante a quarentena a meditar. Quais os benefícios? Sei lá! Nem quero saber! Vem sendo praticada há séculos! Deve haver um sentido! Em vez de ir pesquisar prefiro investir o tempo em mais um episódio de Fauda.

Andar descalço, tomar sol 30 minutos ao dia sem protetor… não me pergunte efeitos, eu apenas faço.

CRONICIDADE & AGUDO

 A área da Saúde lida muito mal com conceitos matemáticos. Então só o mundo real os ensina. Meses atrás proliferaram vídeos com ambientes antes poluídos vendo uma invasão animal e vegetal (confesso que fui ao Ibirapuera no dia de reabertura pra ver isso!). Motivo: a quarentena reduziu drasticamente os níveis de poluição.

Três jejuns de 16 horas NÃO equivalem a dois de 24 horas ainda que ambos tenham 48 horas ao todo (3×16 = 2×24). Os efeitos são diferentes. Por isso também um jejum de dois dias (48h) é diferente dos outros dois!!

Os animais NÃO voltariam a essas cidades se a quarentena que já dura 100 dias fosse espaçada, quebrada em – sei lá – 500 dias. Essa despoluição e retomada verde só aconteceu porque foi feita em UM único estímulo seguido!

A autofagia (o corpo devorar as próprias células “defeituosas”) parece só ocorrer após 36 horas de jejum que parece ser o “turnover” proteico no ser humano (isso significa que precisamos comer proteína a cada 36 horas, esqueça a balela da janela metabólica).

O corredor tem facilidade em entender que cinco treinos de 10km são diferentes de um de 50km. Por que trata o jejum de forma diferente??

Sua salada tenta te matar. E não há mal nisso! Pelo contrário!

Dias desses reparei uma coisa: desde o início da quarentena por mais de 3 meses que eu NÃO comi folhas. Venho comendo brócolis diariamente, mas “salada”? Nada. Zero. Comi um pouco de couve em 3 ou 4 feijoadas e foi só. Acho que NUNCA tinha ficado tanto tempo sem salada, nem mesmo antes de cursar Nutrição.

Uma verdade inconveniente: folhas são dispensáveis à saúde. Até porque não há NADA ali de essencial que você não encontre nos alimentos de origem animal.

Dias atrás respondi nos stories sobre 2 livros marcantes. Antifrágil e “Good Calories Bad Calories”. Minha compreensão sobre Nutrição é uma antes e depois deles. Mas antes deles certa vez li um artigo marcante que explicava uma teoria de contracorrente. No longo texto o autor explica que as folhas e plantas nos fazem bem JUSTAMENTE porque elas querem na verdade nos fazer mal.

Funciona assim. Quando você come a planta ela tenta te matar para sobreviver. Como? Nos envenenando. Como ela NÃO consegue ela nos torna mais fortes. É um princípio básico de um organismo que reage se adaptando a um estresse. Veja bem, podemos comer 99% dos animais, mas não podemos comer talvez nem 1% das plantas. A ideia de que seríamos herbívoros não sobrevive à lógica mais elementar. Nós é TOLERAMOS alguns vegetais.

Se isole em uma ilha desconhecida e deserta e você se alimentará sem medo dos animais, mas só poderá pouco a pouco comer as plantas caso não queira morrer. Herbívoros verdadeiros não precisam disso!

O homem se alimenta de vegetais que foram DOMESTICADOS, e que POR ISSO são POUCO prejudiciais. POR ISSO que crianças não gostam do sabor amargo das plantas, seu instinto SABE que a planta quer matá-lo. Você ENSINA a criança a comer folhas. Nossa salada é feita com vegetais que foram “amenizados”. (*já frutos são doces para que você o coma! É uma vantagem ao organismo!)

Esse texto não é para falar mal de uma salada. Pelo contrário! É para explicar o seu provável mecanismo de benefício! Lembre-se: TUDO na Nutrição deveria ser visto sempre sobre dose e frequência!

Lindy e o comer de 3 em 3 horas

Eu costumo usar aqui em minhas respostas a ideia do efeito Lindy que é um conceito que tenta de certa forma explicar a superioridade de algo não-perecível (ou seja, tecnologias e ideias) em função de sua sobrevivência ao tempo, nossa melhor ferramenta de análise de risco.

Segundo o critério Lindy, se algo tem 1000 anos de idade, por exemplo, ele tem altas chances de estar presente em nossa sociedade daqui mil anos. Apliquemos isso à Nutrição: faz 50 anos que a Nutrição decidiu que a banha, presente na dieta humana há centenas de milhares de anos, passou do dia para noite a fazer mal ao homem. Sim, não faz sentido algum, eu sei! Somente acadêmicos, nutricionistas e cardiologistas para achar que isso faça algum sentido!

Qual a alternativa dada? Que passemos a usar óleo vegetal (Canola, milho, soja e girassol), um produto 100% industrializado que NUNCA foi devidamente testado e que hoje JÁ SABEMOS fazer mal ao ser humano.

POR ISSO eu também NÃO uso Óleo de Coco que tem cerca de 150 anos AINDA que pareça ser MUITO superior aos óleos vegetais. Mas uso Manteiga, que não é natural à dieta, pois é um laticínio, mas está ASSIM COMO o Azeite há milhares de anos na sociedade sem riscos aparentes!

COMER DE 3 EM 3 HORAS

Só pela defesa do comer em 3 em 3 horas todas as faculdades de Nutrição existentes já deveriam estar fechadas. É como em um curso de formação de bombeiros ensinar recrutas a apagar incêndio com álcool.

O hábito de várias refeições é bem datado! Faz menos de MEIO SÉCULO e COINCIDIU com a maior crise de obesidade já vista. SIM, associação não é causa, mas comer poucas vezes é LINDY! Entendeu??

Workshop – Jejum e Corrida

Vocês sabem o quanto nos últimos tempos tenho defendido o hábito do jejum. Essa prática, mais do que natural e antiga, é segura e muito bem-vinda quando o assunto é saúde. Ela voltou a ganhar destaque no vácuo de releituras feitas por grandes profissionais munidos de estudos bem conduzidos que quebram inúmeros dos boatos e interpretações equivocadas sobre seus resultados em nossa saúde.

Em meio a um mundo trancafiado ouvindo recomendações sem evidências e embasamento sobre imunidade trago uma oportunidade única que você não pode deixar passar sem aproveitar! Juntei-me à Paula Narvaez, uma corredora experiente, para orientarmos os interessados e entusiastas resolvendo na base da via negativa inúmeros problemas. Quando? Agora!

Venha com a gente! Ontem em uma live em nossos Instagram lançamos a primeira turma desse novo workshop Jejum & Corrida!

Essa é uma prática realizada por bilhões de pessoas (não é força de expressão!), porém, ainda assim incompreendida! Vamos tirar todas as suas dúvidas! Funcionou por milhares de anos, vai funcionar com você! Vamos te dar a receita e o passo-a-passo!

Para isso separei aos fieis leitores do meu blog um desconto exclusivo de 25% que se encerra hoje! Aproveite!

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Obesidade e Aposentadoria no esporte – parte 4

Já escrevi algumas vezes sobre esporte e aposentadoria aqui nas minhas redes (aqui e aqui e aqui). Atletas vivem de seus corpos, dependem de muito músculo e boa forma. Venho, porém, trazendo exemplos que contradizem TUDO o que as diretrizes nutricionais pregam em sinal claro que elas não fazem IDEIA do que vem nos recomendando.

Kyle Long se aposentou da NFL, a principal liga de futebol americano, e apareceu praticando atividade física 30kg mais magro do que quando era profissional. O que pedem nutricionistas a quem quer emagrecer? Gaste mais energia do que consome (come).

Como um aposentado pode gastar mais energia que um dos atletas mais bem pagos do mundo? Difícil, não? Se o corpo de Long obedecesse ao pensamento mágico da Nutrição (balanço calórico como causa) ele estaria com o peso de antes ou passando fome, certo?

Pois é, mas quando perguntado o que ele fez para derreter 30kg de gordura em pouco tempo sabe o que Long respondeu? Vou dar alternativas. A primeira parte:

A. Mudou seus Treinos;

B. Mudou sua Dieta;

 

B, sabe por quê? Porque a Nutrição é que cuida da gordura (o que ele queria perder). Esporte cuida é dos músculos! Segunda parte:

X. Ele mudou O QUE come;

Y. Ele mudou QUANTO come;

 

Sabe qual a resposta dele? Mudou O QUE come. E dos 3 macronutrientes eu deixo pra VOCÊ responder o que ELE disse que cortou:

1. CARBOIDRATO

2. Gordura

3. Proteína

E aí?! O que você acha? SEMPRE digo aqui, esporte tem skin in the game e é pura prática, Nutrição tem ZERO ski on the game e é pura teoria e pensamento mágico.

Via Negativa vs Via Positiva

Nas minhas respostas recorrentemente cito o conceito da Via Negativa, que é – imaginam – o oposto da Via Positiva no tratamento de várias questões (problemas). A via NEGATIVA parece sempre se mostrar uma melhor opção que a Positiva porque o conhecimento seria subtrativo. Ao contrário do que a suposição de que ele seria aditivo. Isso porque o conhecimento vai nos mostrando aquilo que NÃO funciona… ele vai SUBTRAINDO opções erradas.

O mundo da pesquisa científica, por premiar “acertos” ou confirmações de teses e teorias concebidas pelo pesquisador, resulta em cientistas fazendo experimentos para PROVAR seu ponto. Porém, nós somente PROGREDIMOS quando nos provamos ERRADOS. O pesquisador fica reunindo cisnes brancos quando sabemos que ele bastaria encontrar UM ÚNICO exemplar negro pra derrubar a tese (SUBTRAINDO) de que todos são brancos. Mas – reforço – ele ganha (dinheiro e reputação) amontoando aves brancas para mostrar em congressos e simpósios que reúnem somente seus pares.

TODO meu trabalho com Nutrição é BASICAMENTE ficar TIRANDO o lixo da dieta dos clientes, ou seja, a via Negativa. Quando um fumante vai ao médico, o médico pede para ele parar de fumar (Negativa) porque tomar cápsulas de anti-oxidantes (Positiva) mantendo o hábito do fumo NÃO resolve o problema.

O que mais noto nas perguntas que me chegam é SEMPRE as pessoas querendo recorrer à Positiva porque a Negativa exige RENÚNCIA. Em um mundo de abundância por que abrir mão da cerveja, do bolo, do sorvete, do açúcar se pesquisadores que vivem ($$$) da via Positiva alegam que basta tomar suplementos que eles vendem?

O suco verde é isso… a opção integral dos pães também… trocar pão por tapioca…é sempre AGREGAR algo porque RENUNCIAR ao algo exige desconforto. E você SEMPRE terá diplomados dizendo que dá certo, afinal, são pagos pra isso!

Acho que a Psicologia talvez ofereça explicações melhores de por que vivemos uma época onde todos parecem querer comer omelete sem quebrar ovos, nadar sem se molhar. Onde o que NUNCA deu certo antes (recompensa sem sacrifício) venha na forma de pílulas e equipamentos. É a era do pensamento mágico da fé. E da obesidade. Talvez haja relação, não?

COVID, obesidade, patrulha e o Elefante na sala

A pandemia trouxe tragédias irreparáveis, mas crises trazem também lições. Ainda temos mais dúvidas do que certezas sobre a doença que assola o planeta. Compreendemos pouco sua disseminação… Calor, densidade populacional, altitude… para cada exemplo indicando uma coisa chegam exemplos contradizendo.

Uma das primeiras tarefas dos profissionais de saúde é identificar quais grupos correm mais riscos. Olhar só a data no RG é simples. Tínhamos que ir mais fundo se quiséssemos mais. Aí foram aflorando… diabetes, hipertensão…

Há um padrão muito claro: acima dos 60 anos a pessoa tem chances MUITO maiores de morrer. POR ISSO mesmo, quando um jovem falecia vítima da doença a imprensa destacava: “jovem de 20 tantos anos é vítima de COVID”. E você abria a matéria e estava lá que “Fulano não pertencia ao grupo de riscos, era jovem, ativo e saudável”. E pesava 137kg.

No começo eu achava que era ignorância. Depois me dei conta: era patrulha. Vivemos em tempos nos quais dizer o óbvio é errado. Por ANOS os profissionais de saúde por ignorância criaram o mito do “gordinho saudável”. Peso de 3 dígitos, mas colesterol, um marcador HORRÍVEL, estava em dia. Porém, NADA bate mais forte que a realidade, NADA destrói mais nossas crenças do que os fatos.

A obesidade – goste ou não, admita ou não – cria um estado inflamatório crônico, PERMANENTE. Não há glorificação da obesidade que derrube isso. Peter Pan podia anular a lei da gravidade com pensamento. Mas o gordo/obeso não consegue com pensamento mágico, campanhas de valorização e afirmação vencer as leis biológicas. NÃO EXISTE OBESIDADE SAUDÁVEL.

Mas dizer que alguém é obeso nos tempos atuais virou uma ofensa de ordem moral, ainda que seja uma questão meramente física. E aí se resguardando de críticas, a imprensa propositadamente ignorava que a pessoa mal cabia na foto da reportagem enquanto a legenda dizia que ela era… saudável. Os profissionais de saúde falharam tecnicamente, a imprensa moralmente.

Mas nada supera a realidade.

Como mostra a foto do post, está cada vez mais difícil negar um fato: a obesidade DIMINUI a imunidade, DIMINUI a expectativa de vida de uma pessoa (com ou sem COVID) isso porque o conceito de gordinho saudável é um MITO que DEVE ser derrubado.

Mensageiro das más notícias

Sempre falo aos meus clientes: eu não inventei as regras do jogo, eu apenas estou te explicando elas. Tem outra que sempre uso: no fundo no fundo nós NÃO sabemos o que faz o ser humano emagrecer. A gente sabe MUITO bem é o que engorda.

O delírio da Nutrição está em achar que o que nos engorda no mundo real, emagrece no mundo do sonho da profissão: comer de 3 em 3 horas, carboidratos complexos, ceia, alimentos de baixa gordura, óleo vegetal…

Tempo atrás um cliente de 100kg veio e falou que queria me contratar porque queria pesar 70kg. Eu recusei o trabalho. Por quê? Porque “no fundo no fundo nós NÃO sabemos o que emagrece. A gente sabe BEM é o que o engorda”. Eu NÃO posso vender um peso que não posso garantir entrega! Quem te promete um peso X (ou mesmo uma taxa Y de perda) está MENTINDO.

O que se faz é TIRAR o indivíduo de um estado de ”engorda” e deixar a natureza agir para (com sorte) emagrecer até estar satisfeito!

Um do caras mais incríveis, Ted Naiman, hoje escreveu algo sincero no ponto que te faz perder clientes, mas ao menos é honesto: “uma verdade inconveniente. Feche os olhos e imagine o peso que você deseja ter e manter. Agora abra novamente os olhos. Você pode chegar NA METADE. E é isso! Se você tem 100kg e deseja ter com 70kg, você pode chegar a 85kg”.

Duro, não?! São vários pontos além da sinceridade desconcertante. O mais importante eu já disse: nós NÃO SABEMOS o que emagrece o ser humano, Quem diz que sabe sem te jogar numa ilha deserta sem comida está MENTINDO.

O segundo é que as CONSEQUÊNCIAS do sobrepeso/obesidade têm um quê de tabagismo… você provavelmente NÃO reverte tudo. Você melhora, não compensa 100%. POR ISSO que é TRISTE DEMAIS ver crianças obesas (e é o que MAIS tem hoje). Isso porque a gente SABE que elas sofrerão no futuro. As células adiposas podem ser reduzidas, desaparecer, mas não todas!

E por isso que quem engordou 10kg em 1 mês tem MUITO mais facilidade do que quem está com 10kg de sobrepeso há 3 anos. O corpo adotou isso como o novo normal, a nova norma e fará de TUDO pra não se livrar desses 10kg. Segundo Naiman você ganha de 5kg dos 10kg.

A Nutrição e a Navalha de Ockham

A Navalha de Ockham é um princípio de investigação que ajuda na formação de hipóteses que expliquem fenômenos. Porcamente resumindo, o princípio postula que das múltiplas explicações adequadas que expliquem um fato, deve-se optar pela mais simples, aquela que contenha o menor número de variáveis. Ockham é o sobrenome do filósofo inglês que dá nome ao postulado.

Uma das passagens mais engraçadas das entrevistas dadas por Gary Taubes explicando sua teoria do por que engordamos foi feita na TV ao lado de uma personal trainer. Ela rebate Taubes de forma professoral tentando explicar a ele a Primeira Lei da Termodinâmica. É engraçado JUSTAMENTE porque Taubes então lhe revela que ele é Físico formado por Harvard.

Vocês não imaginam o quanto isso me acontece (fiz 3 anos de Engenharia Civil na POLI). Nutricionistas falando se eu conheço a lei… sendo que se tem duas coisas que você NÃO estuda numa faculdade de Nutrição, além de Esporte, é JUSTAMENTE Matemática e Física (*ainda que insistam que saibam calcular a quantidade de calorias até a casa das unidades. **não, não sabem).

A tese do balanço calórico como explicação do controle de peso é um equívoco JUSTAMENTE por tomá-la como causa e desconsiderar a chance de ser CONSEQUÊNCIA. Se você perguntar a um professor de Nutrição que ainda fala essas bobagens por que numa sala tem gente, ele dirá que é porque entrou mais gente na sala do que saiu. Porém, isso NÃO nos revela a CAUSA de alunos estarem lá (ganhar presença). Entrar mais aluno do que sair foi uma CONSEQUÊNCIA da real CAUSA (o aluno TER que estar lá pra ganhar presença).

A tese do déficit calórico é uma invenção JAMAIS colocada devidamente à prova. E quando estudada como no mais clássico estudo (o Experimento de Minnesota) ela não para em pé. Se você sugerir jejum para emagrecer (não é para isso!) o Nutricionista que defende o balanço calórico dirá que não funciona, que emagrecer/engordar é um processo complexo, indo na contramão JUSTAMENTE da Navalha de Ockham que explica a BASE da profissão! Por quê? Porque a Nutrição é antes de tudo e EM TODO SEU FUNDAMENTO um exercício da mais pura dissonância cognitiva.