De Ulisses, Sereias e o canto hipnotizador dos doces

A mitologia grega nos conta em uma de suas histórias a do mortífero canto das Sereias. Vivendo em uma ilha no Golfo de Nápoles (Itália), as Sereias eram ninfas cantoras que enfeitiçavam os marinheiros pelo canto, atraindo-os para a morte. Ulisses não foi o primeiro a sobreviver ao estratagema delas, porém foi o primeiro que para passar por elas adotou uma atitude diferente.

Ulisses amarrou-se ao mastro do seu navio e obrigou sua tripulação a todos taparem seus ouvidos com cera. As sereias ficaram tão aflitas com o estratagema de Ulisses que se jogaram no mar e se afogaram (*na antiguidade as sereias eram representadas como aves, com a parte superior do corpo de mulher).

Uma coisa que todo mundo parece saber bem é o que atrapalha DE FATO nossa dieta e silhueta (**ainda que o contrário não seja bem verdadeiro, ou seja, temos como falsos-amigos alimentos que por anos de marketing benfeito ou pesquisa malfeita atribui a alimentos como aveia, pão integral, soja ou biscoitos integrais, qualidades que sabemos hoje que eles não têm). Então como dizer não a uma torta de morango depois do almoço quando temos enorme dificuldade em pensar em nós mesmos em um futuro distante, quando comer alguma guloseima dá um prazer imediato, ainda que a um alto preço (“a minute on the lips, a lifetime on the hips“)?

Todo adulto responsável tem que manter em dia suas obrigações: trabalhar, pagar contas, escovar os dentes, usar cinto de segurança. Sempre – eu digo SEMPRE – que ele tem que cumprir uma “obrigação” ele o faz sem pensar. Você acorda para trabalhar quando o despertador chama, você não se pergunta se neste dia específico você quer (ou precisa) trabalhar. Você levanta e vai. Quando o boleto vai vencer, você não se pergunta se são justas as taxas, você paga (até porque sabe que os juros e as consequências serão ainda maiores no futuro). Quando senta no carro, você não pergunta se a viagem é longa, você afivela o cinto de segurança. Você, ao menos esperamos, tem o hábito de escovar os dentes e lavar as mãos como rotina. Você não se pergunta, você age.

Um jeito fácil de driblar a tentação de colocar à prova nossa força de vontade é mudar o padrão para “fazer” sempre e não fazer em casos específicos, especiais, MUITO pontuais.

Por algum motivo – não me pergunte qual, pois não sei – com nutrição e dieta fazemos diferentes. Acabamos tomando diversas vezes ao dia a decisão se merecemos ou não comer doces, sobremesas ou qualquer outra coisa que atrapalhe a dieta (alimentos ricos em amido, por exemplo).

Eu gosto de sobremesas tanto qualquer um de vocês. Mas eu tenho minhas regras. Estou proibido de comê-las no almoço. Está fora de questão. O mesmo vale para Coca-Cola Zero (meu vício). Sendo assim, eu não tenho que tomar a decisão de comer ou não quando vejo uma. Comer sobremesa no almoço é como sair dirigindo sem usar o cinto de segurança, ou dormir até as 11 da manhã em plena 3a feira. Está fora de questão. Até porque a imaginação humana é muito criativa e você sempre – reforço novamente: SEMPRE – terá um motivo para “merecer” uma sobremesa ou refrigerante (“meu chefe está enchendo o saco“, “treinei ontem“, “vou treinar hoje“, “está em promoção“, “está calor“, “está frio“, “está chovendo“…).

 

O que Ulisses fez para salvar a si mesmo e a todos os seus homens foi aceitar que o canto das sereias era um canto tão doce quanto um mousse de chocolate. Ele não estava aberto a negociações achando que ele poderia raciocinar. Colocar cera no próprio ouvido foi o “criar uma regra” pessoal.

Eu não estou dizendo que a minha regra é a melhor (tenho outras ainda), mas acredito mesmo que devemos tê-las. Sim, devemos. A mente humana é maluca. É sempre mais fácil tornar o “não” como padrão do que tentar tomar racionalmente uma decisão de dizer “não” várias vezes ao dia. Fazemos isso, como disse, naturalmente com outras obrigações envolvendo compromissos profissionais, por exemplo. Mas somos otimistas, achamos que a decisão de não escapar da dieta é como se fosse possível não escutar o canto da sereia apenas fazendo força para sermos momentaneamente surdos.

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Visita à Praça de Alimentação

Dias atrás fui à Praça de Alimentação de um shopping em SP. Na bandeja do buffet vinha um folheto com recomendações nutricionais. Eu infelizmente tenho a mania de ler esse tipo de coisa já sabendo que não vou encontrar muita informação boa. Quando a lista falava sobre proteínas (imagem) ela lista supostas 4 fontes ricas em proteínas. Antes que algum apressado desinformado venha supor algo, eu não tenho nada contra vegetarianos ou veganos. Dá para ter uma dieta muito boa sendo vegetariano, anda que dê mais trabalho. Porém, quando você faz uma lista dessas e não cita carne, há algo de errado. Neste momento a ciência virou ideologia. Um nutricionista assim é um inútil e/ou incompetente.

Para piorar as coisas há ali má instrução ao informar que feijão (ou lentilha) são ricas em proteína. Não, não são. São ricas em amido (carboidrato). Você como vegetariano pode recorrer às leguminosas como fonte proteica, mas isso não muda uma característica intrínseca deste alimento.

A leitura não melhorava de qualidade quando corria o olhar agora nos carboidratos indicados. A lista argumenta que carboidrato bom é carboidrato absorvido lentamente (seriam os tais carboidratos complexos que não resistem à mais preguiçosa das análises em estudos). Dos listados (imagem), apenas a Quinoa tem Índice Glicêmico (IG) menor do que o AÇÚCAR. Aveia empata! *Café com açúcar ao menos tem sabor melhor que café com aveia

Do ponto de vista nutricional, poucos alimentos “naturais” (comida de verdade) são mais pobres que Arroz, Batata, Aveia. Esta é uma característica intrínseca dos grãos e dos tubérculos ricos em amido. Macarrão (integral ou o convencional) são tão pobres que você precisa enriquecê-lo artificialmente com vitaminas. Para piorar, a lista não possui nenhum legume de baixo amido, as fontes nutricionalmente mais ricas de carboidrato. Isso se chama “dissociação cognitiva”. A Nutrição até quer te ajudar, mas vive em um delírio e por isso não sabe nem consegue te ajudar de uma maneira eficiente. Para conseguir isso, você tem que recorrer aos profissionais que não aplicam o que é recomendado pelas diretrizes.

Quer outro exemplo? Na terceira imagem há uma comum recorrência ao equívoco (técnico e conceitual) da Nutrição em insistir que uma alimentação para ser saudável tem que ser “equilibrada”. É exatamente o oposto. Uma vez que não existe dieta equilibrada na natureza, nada é pior que esse tal equilíbrio quando falamos em alimentação. *expliquei melhor aqui, em meu texto “Nutrição não é sobre equilíbrio”.

Eu tenho comigo que um profissional que sugere isso é tão inútil quanto o Tony, o Tigre do Sucrilhos, como seu orientador. Isso porque todas as multinacionais alimentícias querem justamente que seu nutricionista acredite nessa bobagem porque elas assim fazem crer que obesidade é sobre se movimentar (fisicamente) de menos. A culpa seria SUA, não do LIXO nutricional que eles fabricam e vendem.

Duvida? Coca-Cola, McDonald´s, Pepsico, Unilever, Mars Nestlé… Todasessas em alguma campanha já fizeram uso de combinação das palavras “balanceado”, “(fisicamente) ativo” e “estilo de vida”. Entre o Tony, o Mc Donald´s, a Coca e o Nutricionista que prega “dieta balanceada” o discurso é exatamente igual! Faz sentido esse matrimônio do equívoco técnico com a inutilidade? Para que ouvi-lo se bastaria ler a folha da bandeja enquanto come um Big Mac?

Por exemplo, a europeia CIAA promove por lá uma “dieta balanceada e estilo de vida saudável” na base do EQUILÍBRIO. Quem banca financeiramente o projeto? As citadas, mais Danone, Cadbury, Kellogg´s, Kraft e outras. Já no Brasil, um texto INCRÍVEL vem revelar como um famoso vendedor disfarçado de pesquisador, há anos na TV e em projetos públicos defende ferrenhamente quem lhe paga: uma marca de refrigerante.

A certeza que eu tiro quando leio recomendações como essa é que isso é texto escrito por um Nutricionista. Com a mais absoluta certeza! Como eu sei?! Ninguém escreveria isso impune. Alguém tem que ter feito faculdade para ser capaz de escrever tamanha bobagem.
A área da Nutrição é um delírio!

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Corrida e Jejum

OU: A CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO NÃO SOBREVIVE À REALIDADE

Se não fossem leitores nem me lembraria mais… fui consultado para falar de Jejum e Corrida em uma matéria pro portal “Sua Corrida“. Resumidamente:

– “É mais eficiente para queimar gordura?
Não, mas em quem tem sobrepeso (maioria dos corredores amadores) ajuda e não é pouco.

– “Qualquer tipo de exercício pode ser feito em jejum?
Praticamente.

– “É perigoso para a saúde?
Não!

– “Vou eliminar massa magra?
NÃO!

– “Qualquer pessoa pode?
Praticamente!

Óbvio que estão na matéria medos, delírios e mitos mesmo de profissionais que apelam ao achismo ignorando evidências (“jejum engorda, queima massa magra…”). Mas o que MAIS me chamou atenção na matéria ficou nos comentários no post original no Facebook. Há dezenas de comentários de pessoas que correm sempre ou muitos quilômetros em jejum.

Sempre que vejo os ~especialistas~ de Nutrição falando acho que vivem em uma bolha, num mundo à parte. Jejum é moda? Faz mal? Profissional de Saúde que diz isso é descolado da realidade. Jejum se faz há milhares de anos e estudos não faltam! Pregam um mundo que eles sonham, não um que acontece na vida real.

Se diretriz nutricional diz que faz mal, é porque deve fazer bem… Se diz que faz bem, certifique-se… a profissão tem enorme talento pra errar sempre!

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Sobre “skin in the game”, Maratonas, Câncer, Bitcoins e a Dra. Lorca

OU AINDA: FAÇA O QUE PREGA

Mês passado, em mais um daqueles programas governamentais de conscientização da população, um médico do INCA (Instituto Nacional de Câncer) foi à TV para nos alertar sobre os riscos da doença. Ele falou obviedades como o peso do estilo de vida e da alimentação nas chances de incidência da doença. A coisa ficou mais interessante quando chegou a parte da nutrição: o que fazer para melhorar nossas chances, doutor?

O médico que deveria saber o que fala, não pensou duas vezes: consumir pouca carne e menos alimentos industrializados. Não fez nenhuma menção ao açúcar, nenhuma menção aos óleos vegetais, nenhuma menção ao álcool. Somente carnes e alimentos processados.

Eu nunca teria esse doutor como meu médico! Não é nem o fato de ele não entender muita coisa sobre (prevenção de) Câncer ou Risco (o assunto do qual ele fala, então deve ser sua especialidade), mas é porque ele não tem “skin in the game”. A pele dele não está em jogo.

Falo isso porque o próprio site do INCA estabelece que para evitarmos câncer deveríamos comer menos de 300g de carne por semana. Eu devo comer isso por dia. Eu aposto com muita certeza que este médico também ultrapassa esse valor semanal. O doutor só não sabe do que fala, como também não segue o que recomenda. Então por que eu seguiria alguém que não segue o que prega?

BITCOINS – “Nunca embarque em um avião se o piloto não estiver a bordo.” (Fat Tony)

Eu não tenho criptomoedas, não tenho moral para recomendar que você ou qualquer um a compre. Vamos pensar diferente. Imagine que você contrata um consultor financeiro que lhe recomenda: aplique todo o dinheiro que tiver em criptomoedas, venda seu carro, venda sua casa, viva de aluguel e compre quantas bitcoins puder. No que você pergunta: “por curiosidade, quantas você tem?” No que ele responde: “nenhuma, acho isso muito arriscado”.

Seguindo uma lógica bem interessante defendida por Nassim Taleb, as pessoas que votam a favor da guerra precisam ter, pelo menos, um descendente (filho ou neto) em combate. Na antiga Roma os engenheiros precisavam passar algum tempo sob a ponte que eles haviam construído. Dizem que os ingleses foram ainda mais longe, obrigaram as famílias dos engenheiros a permanecer com eles sob a ponte construída.

MARATONAS – Se for amador, corra com quem já correu pra valer 42km.

Há uma discussão eterna “conhecimento vs prática” no esporte. É uma discussão tola, uma vez que se complementam e não se excluem. Eu treinaria (e já treinei!) com um não-formado, com alguém que não tem CREF (eu não tenho). Mas eu nunca, jamais treinaria para uma Maratona com um treinador que nunca correu para valer os 42km. Nunca. Assim como nunca iria para uma aula de natação com um treinador que não sabe nadar, ou nem aprenderia basquete com alguém que não gosta do jogo. É simples. Muito simples.

A pessoa precisa ter a pele em jogo. E antes que você pergunte se renomados treinadores como Renato Canova ou Steve Magness correm maratona, eu lhes digo que o salário deles, a renda deles, vem da porcentagem que seus atletas ganham se e somente se correrem muito bem. É uma relação de esporte profissional, não amadora. Canova e Magness têm a pele em jogo sem precisarem correr sequer 21km.

Dra Lorca, nutricionista personagem do programa humorístico Zorra Total.

DRA LORCA – Nutricionistas deveriam, sim, ser magros.

Anualmente quando chego ao meu dentista, o Ayman, eu falo a frase que Tony Stark disse ao Capitão América em “Guerra Civil”: “às vezes quero dar um soco nesses seus dentes perfeitos”. Eu nunca teria o Tião Macalé como meu dentista. Assim como nunca teria um treinador que nunca correu 42km, nem compraria bitcoins seguindo conselho de quem nunca comprou.

E eu nunca teria uma nutricionista obesa me orientando. Simples. É sabido que a dieta (aquilo que uma pessoa come ao longo do tempo) é a maior responsável pelo seu peso. Sim, estilo de vida, nível de atividade física têm seu peso, mas são bem menores, muito menores. Doenças e genética também. Mas sabemos que o peso tem a dieta de longe como seu maior componente.

Se a minha nutricionista é obesa, há de forma meio geral 3 opções: uma doença/condição (ex: hipotireoidismo ou depressão), que é de longe a menor das possibilidades. Há a chance ainda dela seguir o que fala e não dar certo. Ou de não seguir o que fala, o ponto central do texto. E isto, não seguir, não me serve (assim como uma dieta que não funciona também não me servirá).

Sendo assim, sim, é de muito bom tom que a/o nutricionista seja magro(a) ou em forma. Ele precisa ter e colocar “a pele em jogo”. Porque na eventualidade de danos causados pela confiança que se deposita na dieta desse profissional, ele precisa ter algo a perder com isso. Ou seja, se ele recomenda low-carb ou low-fat ele tem que seguir a dieta. E se seguir e continuar gordo, já saberemos que o que fala não presta.

Se você não segue o que prega (ou o que vende, treinador!), isso não é opinião. Falar sem fazer (ou ter feito, no caso dos 42km), sem se expor aos danos, sem colocar a própria pele em jogo, sem ter algo em risco, você fica com as vantagens, transferindo a seu cliente todo o risco e todo o prejuízo. É um alargamento na dissociação de interesses. Não me serve.

*sim, como corredor eu também JAMAIS me consultoria com um(a) nutricionista que nunca correu pra valer 42km. Quem corre sabe que a absoluta maioria das diretrizes e recomendações nutricionais não sobrevive à rigidez do mundo real.

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Entrevista ao Senhor Tanquinho!

Recebi um agradável convite de ser entrevistado pelo pessoal do Senhor Tanquinho. O Guilherme e o Roney, “donos” do site, fazem aquilo que todos deveríamos fazer quando o assunto é Nutrição: eles não acreditam em nada do que dizem nutricionistas e diretrizes de saúde. Por quê? Porque não existe ciência na nutrição convencional, ortodoxa, apenas boa-fé. E isso não basta! Então conversamos por pouco mais de meia hora falando sobre Nutrição simples e descomplicada. Acompanhe lá! Ouça aqui! *a quem não gosta de podcast, há transcrição de toda a conversa!

A Nutrição e a Via Negativa.

Ou ainda: fuja de quem te diga o que comer.
Ou ainda (2): é sobre comer menos carboidrato, não sobre comer mais gordura.

Quando você trabalha com emagrecimento a pergunta mais comum talvez seja: “o que faço pra emagrecer?”. O filósofo Homer Simpson, no alto de sua sabedoria socrática teria dito: “não fique gordo”. Tamanha obviedade não pode ser ignorada quando sabemos ser tão difícil emagrecer.

Praticamente todo estudo baseado em greve de médicos encontra o mesmo desfecho: o cancelamento do atendimento aos procedimentos simples reduz o número de mortes em hospitais. Afaste os cardiologistas e haverá menos intervenções/cirurgias e assim menos mortes. Corroborando a forte, porém correta tese do especialista em Risco Nassim Taleb: você na média diminui a sua expectativa de vida quanto mais visita um médico.

Por isso também que a minha resposta para como emagrecer se baseia sempre no que NÃO podemos fazer caso queiramos perder peso. Eu me baseio na VIA NEGATIVA porque ao menos na saúde é nela que toda a nutrição deveria se basear.

Via Negativa é sobre a eficácia da subtração sobre a adição, é sobre menos ser mais. Na prática é uma receita para o que se evitar, sobre o que NÃO fazer/comer. Isso porque sabemos o que está errado com muito mais certeza do que qualquer outra coisa. Ou ainda, usando outro conceito muito importante, o de que o conhecimento é subtrativo, não aditivo. É sobre o que nós rejeitamos, aquilo que não funciona, o que NÃO devemos fazer. Ideia diametralmente oposta à adição, que se faz hoje na Nutrição, sobre o que acrescentar ou o que deveríamos fazer.

Uma prática que tenho certa dificuldade de explicar aos meus clientes é o fato de eu NÃO prescrever nunca um cardápio. (*nunca fiz um na minha vida que não tenha sido em sala de aula na graduação e pretendo seguir nunca fazendo). Seguindo o desenrolar lógico desse corolário, Taleb diz que a melhor maneira de se achar um charlatão é olhar entre aqueles que te aconselham o que deve ser feito em vez de aconselhar o que NÃO deve ser feito. Traduzindo à Nutrição: o charlatão dirá “Coma uma fatia de pão integral com queijo cottage” quando o correto seria “NÃO coma amido (ex: pão integral)” porque ele sabidamente engorda.

Basicamente a via negativa escolhe o que não se é e trabalha com processos de eliminação (aqui, ao NÃO comer arroz, quinoa ou arroz integral, aumenta-se a chance de essa pessoa comer carne ou ovos, alimentos não-engordativos e muito mais ricos nutricionalmente). Na área da saúde ela funciona pela remoção do artificial. Por isso mesmo que intervenção só vale à pena quando o retorno for muito grande (por exemplo: salvar a vida de um cliente doente) porque nesses casos você supera um sempre possível risco de dano potencial. *e aqui explica-se as mortes quando os médicos estão longe dos hospitais. A pessoa que NÃO está em estado grave morre por uma intervenção equivocada (erro médico, uma das 3 maiores causas de mortes no Brasil e nos EUA), como eles estão em greve, não podem matar aqueles que seriam salvos pela mãe natureza.

Porém, é na via POSITIVA que toda a área da Saúde faz o seu lucro, o seu dinheiro, a sua renda. Tem mais. Além de menos eficiente e mais perigosa, a Via Positiva vive de ter a propensão a querer sempre fazer algo (até porque o seu cliente quer e paga para que você intervenha), gerando problemas e dilemas (meus clientes querem cardápio, me pagam e eu não os dou). E mais perigosa porque a via positiva quase sempre recai naquilo que não é natural, aumentando a chance de eventos inesperados e de efeitos colaterais não-observados. A margarina e o comer de 3 em 3 horas talvez sejam os melhores exemplos na história da Nutrição. Dê tempo suficiente e a soja e o óleo de canola entrarão nesse clube. Não acredite em profissional que diz que esses 2 “alimentos” são bons. Isso porque o antinatural precisa provar seus benefícios, porém, em sistemas complexos somente o tempo (muito tempo) pode vir a ser uma evidência de segurança. Seu nutricionista já estará morto e mesmo que vivo, não poderá ser processado.*fique com a manteiga, banha e azeite.

O QUE FAZER?

O maior avanço da história recente da Medicina talvez tenha sido a orientação de não fumar (via negativa). Isso porque não há remédio (via positiva) capaz de compensar o hábito de fumar. As associações de Nutrição sabem dessa lógica, mas elas precisam, gostam de dinheiro. Não espere que essas associações peçam para que você pare de comer açúcar, como um médico pede que você não fume. Não há remédio (ou atividade física) no mundo capaz de compensar os malefícios do açúcar, mas sem remédios nem pedir que você consuma óleo de canola, as associações não ganham seu dinheiro (na forma de patrocínios das empresas farmacêuticas e das de alimento que TODAS elas possuem).

A associação dirá que tudo bem comer um pouco de açúcar (igual o nutricionista dirá que óleo de canola é um óleo bom). Isso porque o remédio “para o” açúcar banca financeiramente todas as associações que você conhece e ainda porque a prova de dano daquilo que não é natural, que é artificial (óleo de canola) está no futuro, e não em um passado que sequer existe.

Um Nutricionista não deveria JAMAIS dizer o que você deveria comer caso você queira perder peso, mas sim aquilo que você NÃO deveria comer porque sabemos já o que nos faz engordar (alimentos que contenham substancialmente ou sejam ricos em açúcar, amido ou carboidratos processados e refinados). Assim, é basicamente sobre o que não comer (Via Negativa) e não sobre o que comer (Via Positiva).

Resumo prático:

  1. Via Negativa: Não comer carboidrato. Emagrece.
  2. Via Positiva: Comer mais gordura. NÃO necessariamente emagrece.

O “2” só funciona se acontecer o “1” antes!

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Nutrição não é sobre equilíbrio.

Ou ainda:
NUM MUNDO DE EXTREMOS, FUJA DO NUTRICIONISTA QUE SUGERE “DIETA BALANCEADA”

Poucas coisas dizem mais da ignorância (ou inutilidade) de um nutricionista que seu discurso de “equilíbrio na dieta” ou ainda o “uma dieta deve ser balanceada”. Primeiro porque isso não existe, não sabemos ainda exatamente o que o ser humano necessita em termos de nutrientes. Não há como balancear aquilo que não se sabe. O que dizer então de calcular isso individualmente? E segundo porque nada é pior ao organismo do que o equilíbrio.

Para entendermos vamos ter que antes atropelar um pouco a ignorância técnica ou conceitual dos profissionais que alegam que o jejum seria nocivo e/ou perigoso. Temos assim que partir da premissa de que o ser humano é onívoro. Esta nossa particularidade, esta capacidade intrínseca de nos alimentarmos de tudo, tanto de vegetais como de animais, é resultado primeiramente e necessariamente de uma resposta às características dos mais variados ambientes. Esses ambientes, antes da invenção dos supermercados 24 horas, nos ofereciam, nos disponibilizavam alimentos de forma não planejada, casual. Ou seja, em série, porém, NÃO-linear.

Aqui vale saber ainda que a especialização é uma resposta a um ambiente, a um habitat muito estável, com poucas mudanças bruscas. Veja animais como os ursos pandas, com um tipo de alimento bem mais definido, por exemplo. Já a diversificação da alimentação nos onívoros decorre, tem que vir, como resposta à variedade.

Isto por si só mostraria ser ainda mais fundamental, quando falamos de melhor saúde, de remover aleatoriamente (voluntariamente) algumas refeições, replicando o que ocorria antes do advento do delivery 24h, quebrando a estabilidade da oferta e consumo de alimentos. E aqui um contrassenso na ortodoxia da Nutrição: eles condenam o jejum, pregam o nonsense das 6 refeições por dia (ou a cada 3 horas), mas sua ignorância é incapaz de enxergar que até nisso há uma espécie de irregularidade, mas que nem de longe mimetiza a irregularidade e a aleatoriedade da natureza.

E vamos entender o porquê agora.

Herbívoros são submetidos a muito menos aleatoriedade do que os animais estritamente carnívoros que devem caçar seu alimento (que vive a fugir, diferente dos arbustos que não fogem das girafas). Enquanto o herbívoro passa o dia comendo de forma uniforme, o carnívoro tem picos de acesso ao alimento (por sorte, acaso ou por competência). O cavalo tem acesso baixo e constante de carboidratos, o leopardo tem picos grandes de proteína e gordura.

Aqui temos a primeira diferença do que prega a Nutrição tradicional: pratos balanceados em macronutrientes não existem em outro lugar que não seja no delírio da cabeça desse nutricionista. Esse nutricionista acha que o mundo real é como sua teoria sem embasamento. Nós, pessoas normais, sabemos que a realidade é completamente diferente do que ele sonha. Um lobo (ou caso você prefira um chimpanzé, o animal biologicamente mais próximo a nós, proximidade maior que a dele com o gorila) não sai a caçar e depois recolher folhas, alguns legumes, um pouco de água e frutas de baixo açúcar de sobremesa. Não! Na natureza a alimentação é sempre de extremos.

*aqui talvez valha dizer que a medicina chinesa, que bem pouco conheço, prega que deve haver foco maior em um grupo de alimentos (macronutrientes) por refeição, o que faz todo sentido.

Pois agora, então, temos que nossas proteínas (e gordura) devem ser consumidas aleatoriamente no tempo. Por sua vez, o nutricionista prega que deve haver equilíbrio (nada mais errado), horários marcados, porcionados, porque não consegue compreender que este equilíbrio NÃO é preciso que seja em todas as refeições ou mesmo todos os dias, mas alcançado de forma gradual, em prazos muito maiores. Isso porque alcançar equilíbrio desta forma frequente, em todos os dias e todas refeições, é muito diferente do que alcançá-la em prazos mais longos (na verdade, veremos, é pior).

E para explicar isso, é necessário introduzir um matemático amador que nunca sequer ocupou qualquer posição acadêmica. O dinamarquês Johan Ludwig Jensen em 1906 provou um teorema que ganhou nome em sua homenagem. Na “Desigualdade de Jensen”, quando ela for aplicável, a irregularidade pode tornar-se a melhor solução. Isso porque ela se fundamenta no fato das consequências de a média serem muito diferentes da irregularidade.

Vale citar um exemplo prático: quando atravessamos a pé um rio não basta sabermos apenas a profundidade média deste rio. Há muita coisa mais importante que a média, que oferece resultados bem diferentes. A Desigualdade de Jensen estabelece que há uma relação NÃO-linear entre uma causa e efeito. É mais ou menos assim: se uma causa X gera efeito Y e uma causa A gera efeito B. Essa propriedade estabelece que o efeito resultante da causa de magnitude (X+A)/2 é diferente dos efeitos já observados, isto é, (Y+B)/2. É bem diferente você nadar em uma piscina a 28 graus, a nadar um dia a 0C, em outro a 56C. São efeitos diferentes, ainda que 56/2 seja 28!

Temos certa facilidade para aceitar essa ideia de não-linearidade quando falamos em Química, ou mesmo treinamento físico, mas a Nutrição simplesmente ignora sua validade em suas diretrizes. Ou seja, com ela temos que há uma enorme e considerável diferença entre consumir uma dieta (argh!) balanceada de uma em série, de forma aleatória. Somos onívoros, adaptados à variação, mas ela NÃO significa ser na mesma refeição.

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Em organismos vivos a privação é antes de tudo um agente estressor, e o estresse é fundamental em nossa adaptação quando oferecido depois um tempo de recuperação. Pense nisso colocando a atividade física como estressor. Não deixa de ser surreal que um nutricionista que diga para você comer a cada 3 horas um prato variado, apoie também que você faça exercício. O princípio estressor da fome, da ausência de alimentos (ou de um macronutriente), é o mesmo da atividade física!

O que a Desigualdade de Jensen vai estabelecer na Nutrição é que consumir proteína de modo estável 3 (ou 4 ou 6) vezes ao dia NÃO é o mesmo que consumir pontualmente. Isso porque nossas reações metabólicas não são jamais lineares. Basicamente, podemos dizer que se um organismo é antifrágil a uma determinada substância (o somos à proteína!), é melhor fazer com que ela seja distribuída aleatoriamente, em vez de ser fornecida de modo constante.

**já escrevi um texto falando que somos frágeis, isto é, o oposto a antifrágil, ao carboidrato.

Acredito que todo mundo com um pouco de interesse em nutrição já ouviu falar da Dieta Mediterrânea, que, além de ser um espantalho, um Frankstein, contém mais equívocos de interpretação (uma vez que ela na prática simplesmente NÃO existe e que na região os melhores benefícios foram encontrados entre aqueles que consumiam mais carne vermelha, mas a turma do low-fat vive escondendo e ignorando esse fato) que acertos. Um dos equívocos, um erro seletivo proposital de quem molda seu discurso com a liberdade artística como se fosse um poema, é o de ignorar que os analisados faziam jejum. Para ser mais preciso, a igreja ortodoxa grega defende quase 200 dias de jejum por ano, um período de 40 dias sem quase nenhum produto de origem animal, nem açúcar ou azeite. Quem diz gostar da Dieta Mediterrânea faz qualquer coisa próximo a isso? Improvável. Assim você nega boa parte, senão a maior parte de seu benéfico conteúdo. Como é difícil, ficamos apenas com a parte de besuntar a comida em azeite, um alimento que, ao contrário do estresse, não tem nada de essencial.

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Os profissionais da saúde têm em suas diretrizes uma enorme dificuldade em lidar com a escassez em um mundo de excessos. Negam o jejum, subestimam e negam seus benefícios recomendando um bom café da manhã, algo sem evidência sólida. Não fomos “criados” ganhando alimentos sem gasto de energia. Na natureza não existe caça por prazer, mas por necessidade.

Mas antes que se apele às agruras de miseráveis e prisioneiros de guerra como contraponto ao jejum, talvez surpreenda saber que os prisioneiros dos campos de concentração ficavam menos doentes na primeira fase de restrição calórica para só então adoecerem. Reforçando: jejum é sobre retomar a não-linearidade ainda que de forma limitada, no consumo de alimentos, respeitando nossas propriedades biológicas mais fundamentais.

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Somos instruídos pelas diretrizes governamentais a ingerir determinadas quantidades de nutrientes diariamente em determinadas quantidades. Vamos por agora ignorar completamente a enorme falta de rigor empírico nesses valores determinados. A busca por essa regularidade vai de encontro à aleatoriedade de oferta proteica e de gordura animal à que fomos “construídos” (Desigualdade de Jensen) e fere ainda o princípio de extremos nas refeições (ou herbívoro ou carnívoro). As diretrizes em sua ignorância (por acharem que não existe aquilo que elas não veem) não entendem que a constância gera resultados muito diferentes (e piores) que a desigualdade ou a aleatoriedade.

Ao negarmos ausência de algumas refeições ou nutrientes, negamos a hormese. Hormese é sobre quando uma baixa dose de uma substância nociva ser de fato benéfica ao organismo quando em baixa quantidade. É quando o organismo se beneficia dos pequenos danos diretos a si mesmo. Não sendo em quantidade muito elevada, ela age assim para beneficiar o organismo e torná-lo melhor de maneira geral. Ou como diz Nassim Talebas máquinas são prejudicadas por agentes estressores de baixo impacto (fadiga do material), os organismos são prejudicados pela AUSÊNCIA de agentes estressores de baixo impacto (hormese).

Ou seja, podemos resumir dizendo que comer regularmente e de forma (argh!) balanceada é ruim e priva o nosso organismo desse agente estressor, podendo fazer vivermos menos que nosso real potencial completo. Basta lembrarmos que é mais do que provável não ser mera coincidência que a população americana nos últimos 40 anos dobrou seu número de refeições diárias enquanto engordou e adoeceu.

Dieta Balanceada? Equilíbrio? É tudo o que um Nutricionista jamais deveria pregar. A menos que ele faça alguma ideia daquilo que fala.
 
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Por que Low-Carb. Ou ainda: o ser humano é frágil ao Carboidrato

É uma vergonha que a Nutrição não enxergue o que vai abaixo.

*para este texto não ficar ainda mais longo, conto com a compreensão que para lê-lo você de cara assuma uma verdade que hoje é consenso na Nutrição: o Carboidrato é um nutriente NÃO-essencial ao ser humano. Ou seja, você pode viver sem consumir NADA dele. Característica essa que NÃO é compartilhada por proteína ou gordura, ambas essenciais.

Para começar, saiba que o ser humano, o homem, é frágil ao carboidrato. Pergunte isso a qualquer diabético ou a qualquer médico. Alguém é Frágil (a algo) quando “os impactos trazem danos maiores à medida que sua intensidade vai aumentando (até certo nível)”. Isso acontece quando fazemos consumo de cada vez mais carboidrato em duas frentes. Primeiro com o aumento da glicemia (açúcar no sangue) e o organismo tenta controlá-la abrindo mão da insulina e também pela concomitante redução do consumo de 2 nutrientes essenciais na dieta (proteína e gordura).

Duvida? Deixe de tratar um diabético, um indivíduo que não metaboliza bem carboidratos. Ele morre. Deixe de oferecer proteína e/ou gordura a uma pessoa. Ela morre.

Porém, o corpo NÃO é frágil a esses 2 nutrientes. Não existe consumo excessivo de proteína. Não existe. Não existe consumo excessivo de gordura. Simplesmente não existe. Isso porque ad libitum, ou seja, à vontade, esses 2 nutrientes não possuem mecanismos de retroalimentação do tipo supernormal, ou seja, você não fica viciado em carne ou barrigada. Você fica, sim, viciado em alimentos que tenham necessariamente um nutriente que o cause: o açúcar ou carboidrato processado.

Resolvi escrever esse texto porque recebi 2 posts de nutricionistas que até parecem inteligente, mas se fazem de burro para provar seu ponto. Um deles, tempo atrás disse haver uma margem saudável ou ótima de consumo de carboidrato. Isso simplesmente não existe. Precisamos ver o carboidrato (na verdade a frutose e os carboidratos processados, como farinhas e açúcar) como poluentes (o que é diferente de veneno).

Assim como na natureza, você pode ir poluindo um rio (ou uma cidade) e ainda assim utilizá-lo ao lazer ou mesmo fonte de água. Mas há um ponto em que ele morre. Com carboidrato é parecido. Você pode comer pão integral todo dia e ainda assim viver 85 anos. Eu consigo matar alguém dando carboidrato vendido no supermercado, eu NÃO consigo fazer isso com proteína/gordura (que não deve ser coincidência que sejam quase sempre encontradas juntas na natureza). **aqui ignorando fontes podres desses nutrientes como soja ou óleos vegetais, por exemplo.

Há aqui uma questão de não-linearidade na resposta. Ou seja, vou dando cada vez mais gordura/proteína a uma pessoa e não vejo mudanças drásticas. Porém, quando faço isso com carboidrato (frutose ou processado) e após algum momento aumentando seu consumo eu o mato. Isso de certa forma nos reforça: somos frágeis ao carboidrato, não o somos aos demais. PONTO.

Você dar ou oferecer pouco carboidrato a alguém, sem o matar, não tira o prejuízo. E nesta categoria, ainda que em outra magnitude, entra por exemplo, o cigarro. Um nutricionista que diz que “tudo bem” comer um pouco de açúcar equivale ao pneumologista que diz “tudo bem fumar 3 Belmont”. Ambos (nicotina e frutose/glicose) têm seus mecanismos de retroalimentação. Não matam, mas podem criar o ciclo de consumo supernormal que faz seu consumo virar rotina. Se não há consumo mínimo de NADA a que somos frágeis, por que deve haver com carboidrato? ***não pergunte a mim, pergunte ao gênio que pede que você coma grão de bico ou torrada.

A recomendação que já vi algumas vezes de muita gente que se parece inteligente de comer X de carboidrato é, desculpe o termo, tão IDIOTA, tão burra, que não sei como passa despercebido. Não existe consumo seguro de cigarro, assim como NÃO existe consumo seguro de açúcar. Assim como não existe consumo seguro de frutose, a menos que ela venha acompanhada de muita fibra, a ponto de virar um limão ou maracujá.

Mas voltando à recomendação IDIOTA de consumo de X% de carboidrato… ela é tão irracional porque hoje sabemos que podemos viver com ZERO dele. Por outro lado, SABEMOS que PRECISAMOS consumir proteína E gordura e que SABEMOS que quanto mais carboidrato (desacompanhado de muita fibra) pior é o desfecho à saúde, pois como existiria assim um valor médio??

Ele existe?
É óbvio que não! Não, ele não existe. É a ignorância de uma área que se orgulha de não estudar matemática que arrisca dizer que ele existe. É como eu pedir que alguém que não sabe nadar pode atravessar andando um rio de profundidade média de 1,60m. Essa pessoa é frágil a rios fundos! Eu tenho que dizer que ele só pode atravessar rios com a menor profundidade possível! Eu TENHO que dizer que ele deve fugir da frutose como foge da nicotina ou de algum outro agente menos viciante, porque não ser veneno (e não é mesmo) não tira sua característica de ser poluente. Ainda que você consiga viver em uma cidade poluída. Uma média de consumo de carboidrato (um desses falsos-inteligentes arrisca até uma porcentagem) não tem sentido porque somos frágeis ao carboidrato! Ainda que eles neguem. E negam porque em sua ignorância confundem incompreensível com inexistente.

****na imagem o consumo em azul de carboidrato vai aumentando até “dar ruim”. O consumo de proteína/gordura (lilás ou roxo, sou homem) por não ser frágil não tem um evento inesperado.

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De sanduíche natural, tapioca, arroz integral…

Um texto incrível do The Guardian joga muita luz explicando a obesidade naquele que é hoje talvez o país mais gordo da Europa: o Reino Unido. As diretrizes tortas jamais testadas da Nutrição recomendam que para emagrecer (ou não engordar) deveríamos equilibrar as calorias (o que ingerimos com o que gastamos).

E como explicar assim a obesidade que explodiu na terra da rainha? Em uma das melhores passagens de A Hora do Rush 3, o detetive vivido pelo comediante Chris Tucker, ao abordar uma motorista obesa, ela fala que tem problemas de tireoide no que ele imediatamente responde: “então pare de comer tireoides!”. Não deixa de ser engraçado que você encontre muito especialista culpando os carros, o controle remoto, o vidro elétrico, os elevadores e os celulares pelo aumento do peso na população. Falo por mim: não janto celulares nem almoço meu controle remoto da TV. Essa gente parece saber menos de sua profissão que um comediante!

Não é sobre a quantidade de calorias, mas sobre quais!

O que a matéria do The Guardian nos revela é a brutal mudança de comportamento à mesa dos britânicos. E aqui voltamos ao cinema. Em um dos melhores filmes do diretor M. Night Shyamalan o vilão vivido por Samuel Jackson em um diálogo fala de sua teoria sobre heróis e vilões. Segundo seu personagem Elijah Price em Corpo Fechado, “nos quadrinhos você sabe quem é o vilão porque ele é exatamente o oposto do herói. E, na maioria das vezes são amigos”. A nutrição, queira ou não, simplifica tudo como um quadrinho simplifica o mundo uma criança. E logicamente que erra.

Na Nutrição para cada vilão, você tem o herói. Para o arroz? O arroz integral. Para o pão/glúten, a tapioca. Para o refrigerante, o suco de fruta. Nenhum desses alimentos te ajuda a emagrecer. Todos te ajudam muito facilmente a engordar. O que a nutrição fez foi nos dar heróis fajutos, que não funcionam. E um país inteiro caiu miseravelmente nessa recomendação.

O herói que nos salvaria do fast food (X-Salada, X-Burguer, pra não mencionar a rede mais famosa) se chama sanduíche natural. Os britânicos acreditaram nessa mentira. Hoje 1/3 deles almoça sanduíches naturais. Em menos de 1 dia consomem mais sanduíches naturais do que consumiam em todo o ano de 1851. E comem muita fruta, ainda assim, NUNCA estiveram tão obesos. Há mais britânicos trabalhando montando sanduíches do que trabalhando em TODA a agricultura local. E agora eles estão passando a jantar também sanduíches naturais enquanto o governo estuda empurrar ainda mais frutas ao cidadão. Todo mundo sabe onde isso vai acabar.

Um dos maiores erros na Nutrição é achar que algo é bom, quando deveria somente e tão somente focar naquilo que já sabemos fazer mal. Não existe antídoto, não existe herói que combata o que é errado ou mal. Ou você pode continuar comendo sanduíche de peito de peru, bebendo suco e comendo tapioca, arroz integral, e sonhando que um dia vai emagrecer.

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Você e a Balança

As pessoas que eu atendo sempre me perguntam: você vai medir meu peso e minha porcentagem de gordura? Eu não! Não sei nem o meu peso! Por que acha que quero saber o seu?!

O que me importa é você emagrecer e comer melhor! Quer saber quanto pesa? Um Labrador bem treinado consegue sozinho. Basta você ir a uma farmácia. Sua porcentagem? Até gostaria de saber, mas acontece que ela é inútil. Aqueles aparelhos de bioimpedância até conquistam um cliente mais desavisado, tal qual um GPS novo encanta um corredor mais novo. Mas ambos são 100% dispensáveis, e imprecisos de doer.

Desde que passei na Matéria “Medidas e Avaliação” na EEFE-USP sem nunca fazer uma medida de dobra cutânea, nunca mais usei aquela bobagem. Não serve para nada. Todo mundo sabe disso, mas continuam usando. Eles que se expliquem.

Nossa relação com a balança, assim como livros de Nutrição, são explicados melhor quando vem de gente de FORA da Nutrição. É sempre assim. De todos os livros que li até hoje e acho incríveis, só um foi escrito por Nutricionista (The Obesity Epidemic, da Z. HARCOMBE). Isso porque a única coisa que você aprende estudando em uma Faculdade de Nutrição é como ser um MAU Nutricionista. Só isso. E não é exclusividade daqui, conversando com ela ano passado ela me confirmou que no Reino Unido é igual, para ser um bom Nutricionista você tem que NEGAR aquilo que lhe ensinaram, fazer quase o oposto sempre.

E é também de fora da área que vem como lidar melhor com a balança. Como disse, eu NUNCA peso nem peço que meus clientes se pesem. Eles que se pesem depois de um tempo que ELES estipulam. Por quê?

Primeiro porque o feedback na balança é demorado. Você muda a dieta agora e colhe resultados apenas em questão de semanas, não dias. A pessoa engorda 10kg em 5 anos e quer perdê-lo em 5 semanas. Ela precisa entender um pouco de Fisiologia, não de uma balança.

E segundo, como bem explicou recentemente Dan Ariely, um profissional da Economia Comportamental, usando estudos de 2 gênios da área, Daniel Kanehman e Amos Tversky, nós não lidamos igualmente com perdas e ganhos. Ganhar 3kg nos deixa (em magnitude) muito mais aborrecidos do que perder 3kg.

Porém, tal qual nossa temperatura corporal e mesmo altura variam ao longo do dia, uma flutuação de peso só serve para nos deixar ansiosos e insatisfeitos. Então quer saber seu peso? Se pese o menos possível, na mesma balança e no mesmo horário. O cinto da sua calça ou aquele vestido é o melhor feedback de curto prazo que você precisa ter.

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