Sobre Dieta Personalizada e Equilíbrio

Uma pesquisa recente no PROTESTE fez um bom barulho. Basicamente sua conclusão era: dietas prescritas por nutricionistas podem não ser confiáveis. Antes de questionar os erros, entidades de classe como o CRN-3 ou o CFN fizeram o que se espera deles: atacaram sem reconhecer qualquer culpa própria. É só para isso mesmo que eles funcionam. Se engana quem pensa que eles têm alguma preocupação que seja com um paciente. *a pesquisa acabou em uma entrevista minha no jornal O Tempo que você pode ler aqui.

O irônico disso tudo é que parte da reclamação está no fato das dietas serem as mesmas a todos ainda que com problemas distintos. Como até relógio quebrado acerta duas vezes ao dia, o problema não é o remédio, mas quem o recebe.

O erro na Nutrição não está no discurso mentiroso e ignorante das entidades dizendo que a vantagem de um nutricionista é que ele irá prescrever um cardápio individualizado. Alguém com problema não quer solução única, que só ele tenha. Um doente quer antes de tudo um remédio, ainda que o mesmo funcione a todos!

Imagine a Medicina tendo que inventar um remédio exclusivo a cada doente! Imagine!

Imagine um treinador tendo que criar do zero treinamento a cada novo corredor. Imagine!

Isso não existe. A Nutrição dá o mesmo remédio que não funciona a (quase) ninguém, e é uma Ciência que está tão nas trevas porque entre outras coisas erra em não saber sequer identificar que seu problema não é o remédio ter que ser único, mas ele não funcionar! A abordagem de emagrecimento com redução calórica, quebrada em várias refeições ao dia (de 3 em 3 horas) e com baixa gordura é algo que estudo após estudo se mostra se basear na fé de quem se diz especialista, mas que se baseia na esperança e na boa vontade.

Não só o foco (individualização e não o remédio em si) está tão errado, como ele mesmo parece ser sobrevalorizado. Se ninguém espera que a Medicina (ou a Farmácia) invente um remédio diferente para cada doente por que a Nutrição e a Educação Física pensam serem capazes de fazer isso a cada novo cliente? Isso parece mais uma valorização de um serviço do que necessariamente buscar uma melhora dele. Novamente é a fé do discurso suplantando a prática.

Duas recomendações da Nutrição me tiram dos nervos: dieta equilibrada e individualizada.

 

DIETA EQUILIBRADA – um erro conceitual

Sobre equilíbrio, ele só existe no delírio do nutricionista, não na natureza, no mundo real. A dieta de todos os animais é baseada em extremos, no absoluto, são radicais. Mas o nutricionista acha que nós devemos comer com equilíbrio. O interessante é que isso equivale comer 33% de carboidrato, mas esse seria um equilíbrio do mal. Esse equilíbrio não pode, então não serve. É o mundo de sonho da categoria que enxerga um animal caçando carne e depois indo buscar folhas e grãos para montar a refeição.

Tem mais. Jantar de vez em quando mousse de chocolate é um equilíbrio, mas uma vez que você defende tamanha carga de açúcar, não precisamos pagar um profissional para orientar a fazer isso. Profissionais assim se tornam inúteis. Qualquer criança pode me orientar desse jeito, a comer um pouco de tudo, ainda que faça mal à minha saúde, sem me cobrar por essa sandice. Esse tipo de Nutricionista é aquele que sequer se posiciona. E quem não se posiciona não tem o que dizer. Se não tem o que dizer é no mínimo desnecessário.

O equilíbrio torna qualquer um nutricionista. O equilíbrio torna qualquer nutricionista totalmente dispensável.

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DIETA INDIVIDUALIZADA – um sonho

Você consegue imaginar você cuidando de 3 animais da mesma raça e para cada um deles dando um cardápio diferenciado que não seja na quantidade ditada pela fome DELES? Pois é. Tem muita gente da categoria que acha que sim. Que dá para ter 3 labradores e um só comer carneiro, outro carne e legumes e um outro ração.

Dieta individualizada é aquela espuma que a gente coloca no café para poder cobrar mais. Se você faz isso, ok. Mas se você acredita nessa espuma, você é de certa forma perigoso. Um porque você acha que tem mais controle do que realmente tem. E esses são justamente os mais perigosos.

 

A VOX veio com um artigo recente falando sobre dietas personalizadas. Fala de iniciativas que prometem (e não entregam) aquilo que nutricionistas dizem fazer. De duas uma: em breve podemos trocar uma consulta por um aplicativo gratuito no Google Play ou Apple Store, e a categoria desanda, ou ninguém desses entrega o que promete. Eu acho que ninguém entrega, mas a categoria não precisa necessariamente desandar.

Se você juntar 1.000 caboclos, homens, caucasianos, fisicamente ativos, entre 20 e 30 anos, com 70kg (+/-15kg) querendo correr uma maratona podendo seguir UM treino único, com certa segurança podemos dizer que mais de 80% irá melhorar suas marcas. Ponto. Nenhum treinador de grupo vai negar isso, que sabemos uma recomendação populacional de atividade física que tenha resultado positivo na média de uma população. Aqui temos que o esporte SABE o que funciona para o TODO (população) e aprende o que NÃO funciona para o indivíduo. É MUITO mais fácil, assim, acertarmos a população que o indivíduo, por uma questão de individualidade biológica, por uma questão de eliminação já tentada ao longo da história!

O mesmo na Medicina. Mil doentes. Aplique UM remédio em dose igual, e você sabe que a a maioria irá se curar.

Já na Nutrição, a população atual vem SEGUINDO as recomendações de menos gordura, menos calorias, mais exercício, menos carne, menos gordura saturada, mais frutas… (*essa afirmação você encontra respaldo nos levantamentos populacionais mais sérios mundo afora). PORÉM, ainda que seguindo, estamos cada vez mais gordos. A Nutrição, que NÃO sabe orientar no TODO, acredita que saberá guiar no individual, que lembremos, é mais difícil.

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A Nutrição ganharia MUITO mais se parasse com a tese sem fundamento de que sabe o que é melhor para um indivíduo quando ela ainda não descobriu nem entendeu o que funciona para a população. Ela só conseguirá chegar mais perto daquela, na hora que tiver dominado esta.

Por isso que prometer dieta personalizada e dieta equilibrada diz muito sobre o que o seu nutricionista sabe sobre como funciona Nutrição.

O açúcar pode ser vilão, mas é a fala do médico brasileiro é que é sintomática!

O UOL está longe de ser uma fonte minha para informação quando o assunto é Nutrição. Mas a matéria que saiu dias atrás sobre colesterol, gordura e açúcar é um primor! Nela estão ao menos 2 nomes essenciais para entendermos melhor a questão (Robert Lustig e Ancel Keys) e ao menos 3 estudos fundamentais!

Basicamente a reportagem fala sobre a culpa precipitada que a gordura levou como responsável nas doenças cardíacas (falo melhor aqui). Resumidamente, houve uma conclusão baseada em achismo, ciência malfeita, ciência questionável (por parte de Ancel Keys) e sobreposição de lógica (“se a artéria entupida está bloqueada com gordura, comer gordura deve ser a causa”).

A ótima Zoe Harcombe diz uma recomendação da qual eu compartilho: se você não quer se preocupar com o colesterol, não o meça. Ele confunde e você não consegue analisar uma informação de forma dieta que hoje sabemos ser fundamental (o tipo do seu LDL). Podemos dizer que hoje o colesterol é superestimado em indivíduos normais ou não.

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Mas a comunidade médica e de nutricionistas é tão viciada, é tão fiel às suas crenças que não há pesquisa suficientemente benfeita ou em tamanho tal que os remova daquilo que eles tiveram nas aulas da faculdade sem questionar.

Nada (nada!) é mais sintomático do que uma jornalista enfileirar o raciocínio fundamentando com argumentos usando um dos profissionais mais pertinentes da atualidade (Lustig) e ter que ouvir o contraponto de um médico brasileiro. As falas de Lustig ainda que contendo opinião são sempre feitas com suporte de análise. Mas isso fere a fé do médico brasileiro. Então a fala dele vem com um “não concordo”. Por quê? Porque sim. As conclusões dos interessantes estudos nos quais Lustig fundamenta sua fala não estavam nos livros do tal médico brasileiro. Então ele não pode acreditar, nem concordar.

É esse o nível do nosso debate.

O patrocínio de profissionais de Saúde

Há 2 jeitos de você comprar a opinião de uma pessoa a patrocinando. O jeito mais caro é você pagar para ela falar aquilo que você quer ouvir. O outro é você pagar para que ela NÃO fale aquilo que você não quer ouvir. É assim em nossas relações do dia a dia. Seu chefe “paga seu salário” para você falar aquilo que ele quer ouvir e você se calar para aquilo que ele não gosta. Não brigue comigo, culpe o jogo.

No mundo dos patrocínios é assim também. Você paga, e tem alguém vendendo seu produto por você na forma de propaganda. Na corrida funciona da seguinte maneira: você paga um treinador e, ou ele finge que não sabe que tênis não serve para muita coisa, ou ele veste a camisa da empresa e o atribui capacidades incríveis. Depende do preço, lógico. Sempre. Nunca é de graça. Nunca.

Na Nutrição funciona de outra forma.

Atualmente há um grande debate porque vieram novamente à tona patrocínios de grandes fabricantes de refrigerantes que patrocinavam instituições de saúde e de diabetes! Isso mesmo! De entidades que deveria defender o interesse de doentes daquela enfermidade que não permite que você beba bebidas açucaradas!

Porém, você deve estar se perguntando se os patrocinados não são mais fiéis à ciência do que ao patrocinador. Não, não são. Assim como já dei muita risada de piada sem graça de ex-chefe, sempre há um jeito de sermos mais fieis ao nosso bolso. A Observer em 2015 fez uma matéria MUITO pertinente mostrando como esses patrocínios de fato são eficientes! Os profissionais de saúde patrocinados recomendando seguidamente exercício e refrigerante!

E tem quem se venda por muito pouco, pouco mesmo. Abaixo veja como o simples ato de você pagar um almoço faz um médico receitar o remédio de quem pagou o almoço dele!

A cada almoço pago a um médico, aumenta a porcentagem de um determinado remédio receitado!

A cada almoço pago a um médico, aumenta a porcentagem de um determinado remédio receitado!

As pessoas fazem qualquer coisa por bem menos do que você imagina! Um par de tênis ao treinador e aumentam as chances da próxima maratona dos alunos dele ser com o tênis de quem banca a brincadeira!

Mas… e no Brasil?!

O CELAFISCS foi um dos institutos que apareceram na lista de parceiros de um fabricante de refrigerante. BINGO! Quando você recorre a eles para saber qual a solução para obesidade infantil, uma vez que ele é pago para NÃO falar a resposta que desagrade quem lhe paga, ele dá a mais conveniente: exercício. Ele terceiriza a culpa, ele dá risada da piada sem graça do chefe deles, como você pode atestar aqui ou na matéria abaixo.

Ele não é único, lógico. Ainda assim, quando o CELAFISCS fala algo sobre obesidade, acredite em mim, eles não valem nada!

Outro exemplo é a Sociedade Brasileira e Diabetes (SBD) que para mim é a maior patrocinadora pró-diabetes do país. Ninguém atua com mais dedicação em favor dessa doença, para azar das pessoas físicas que lhe pagam seus salários e ficarão doentes até o fim (antecipado) de suas vidas. Mas isso porque a equipe da SBD se mantem fiel às PJs que bancam seus simpósios. Eles são cuidadosos, não deixam muito à vista, mas use o Google Imagens e verá quem os patrocina. É sintomático. Cada fala de seu presidente, para mim, é um exemplo de fidelidade com fervor. Fidelidade a quem patrocina seu cuidadoso discurso que terceiriza a culpa, dá risada de piada sem graça, mas garante a venda dos fabricantes de remédios e alimentos inadequados aos enfermos.

Por fim, semana passada pude voltar à minha faculdade resolver umas pendências bobas. Nunca vi tanto curso extracurricular pago. Acho que quase todos ligando de alguma forma exercício com emagrecimento. A pessoa precisa saber SEMPRE de onde vem o dinheiro de que discursa. Isso explica muita coisa. Não espere nem mesmo de um Laboratório de Nutrição Esportiva, que deveria primar pela ciência, que ele abra mão de uma renda (os cursos são pagos, lembre-se!) que é o de transformar o exercício em emagrecedor.

Porém neste caso o modelo é o inverso, é o discurso de um instituto que patrocina toda uma categoria.

A Eva foi a um Veterinário Clandestino

20161016_182608-1A cachorra da esquerda com cara de tonta é a Eva. No meio do ano passado ela decidiu tirar um ano sabático em uma chácara em Lavras (MG). Desolados, eu e a Maíra decidimos nos isolar em Dublin para lidar com tamanha perda. Voltamos esse ano decididos a convencê-la a mudar de ideia e de casa. Fomos até lá e a jogamos no porta-malas do carro porque manda quem pode, obedece quem tem focinho. Chegando em SP achávamos que ela ia perder um pouco dos muitos quilos que ganhou. Passaram-se semanas e nada. Foi aí que eu tive uma ideia maligna, sagaz, audaz: vou fazer essa cachorra emagrecer.

Lendo conselhos profissionais dão a ideia de uma academia para cachorros e dieta. Segurei o riso sobre a tal academia. Primeira providência mesmo foi limitar o acesso dela ao pote de ração. Há 5 animais que praticamente somente ganham peso com várias refeições ao dia: gado, galinhas, porcos, ovinos e humanos enganados por nutricionistas que prescrevem lanches a cada 3h. A 2a providência era mexer na dieta. Novamente um profissional sugeriu uma ração especial. Qual a diferença, perguntei: “a ração emagrecedora tem menos gordura”. Tenho 3 certezas sobre um veterinário que me recomenda isso: uma é que ele não sabe muito de fisiologia da insulina, outra é que ele acredita que quando um fabricante retira gordura do alimento, para compensar a massa perdida em seu lugar ele coloca esperança, fé e luz. E por fim, esse profissional, igual a Eva, quando pensa, o faz em 4 apoios. Saí de lá me fingindo de surdo.

Fui ao mercado e comprei barrigada suína por R$6/kg (a ração custa R$9/kg, o que só a torna ainda mais cara caso normatizada por R$/caloria). Praticamente zerei a oferta de ração pela manhã e comecei a dar apenas barrigada de noite. A Eva decidiu ela abandonar a ração. E ela não tem fome, já que na base da chinelad….-APAGAR – da educação e de muito carinho, ela foi ensinada pela Maíra a dar a pata para pedir comida. É sério. Ela não pede, espera o jantar. E come a carne. Nada mais. Resultado. Emagreceu. Voltou a ser a cachorra mais esbelta da Chácara Santo Antônio e a correr tiros a 4´00/km comigo na praça (ela pediu para eu enfatizar que ela é sempre sub-5).

A Eva pediu também para reforçar o que qualquer estudante de Nutrição deveria saber: estava sedentária porque gorda, não gorda porque sedentária. Muita gente não sabe disso, mas a Eva sabe.

A tonta do lado direito é a Pepper, recém-chegada e a maior fã da Eva que por ciúmes nutre ZERO sentimentos por ela. A mais nova está felizona porque também só janta carne agora (barrigada, moela, língua bovina… tudo mais barato que ração que tem batata, milho, soja, QUINOArgh…) e de manhã um pouco de ração com banha derretida.

Antes que alguém do CRMVSP venha me encher o saco, não perca seu tempo, vocês são SAFADOS como qualquer um do CRN, CFN, CREF, SBD, ASBRAN… Me diga qual seu preço que eu pago pra você não deixar comentário. Eu sei que é assim que funciona, eu sei que é isso o que você mais quer.

E quem for falar em insuficiência renal ou colesterol, deixo meu recado: não o faça em público… vai ficar claro para todo mundo que você não sabe da questão associativa e não causal disso…

Correr pode não engordar. Mas também pouco emagrece

New York Post fez a seguinte matéria com o depoimento de corredoras: “treinar para maratona me deixou gorda”. Basicamente o texto fala de uma armadilha muito comum, que é pessoas que decidem encarar o desafio de 42km não emagrecerem nem de longe o tanto que queriam. No caso das personagens do texto, elas ganharam bastante peso (e não é de músculo!) mesmo em um regime de exercício para correr a mais longa das distâncias olímpicas!

image005Isso está longe de ser exceção ou algo raro. Um estudo com pesquisadores feito com centenas de mulheres com sobrepeso, as submeteu a uma rotina de exercícios físicos por um período de 6 meses. Um grupo delas treinava 72 minutos por semana, outro 136 , outro 194 e um quarto grupo era o controle, sem treino. Contra todas as expectativas, não houve diferença de peso entre os grupos que treinavam e as sedentárias. Algumas, como as maratonistas, ganharam peso.

Talvez o melhor estudo já feito sobre maratona e peso é um estudo de 1989 com corredores treinando por 18 meses para correr 42km. Ao final do treinamento eles correram abaixo de 4 horas, um tempo melhor que a média dos corredores brasileiros e americanos, por exemplo. No período eles perderam pouco mais de 2kg, mas o mais desolador é saber que apenas metade disso foi gordura.

Resumidamente: por 18 meses correndo média de 9km/dia e os indivíduos emagreceram pouco mais de 1kg de gordura. É muito pouco! Corrida sem intervenção na dieta definitivamente está longe de ser uma grande emagrecedora.

No estudo, correr e treinar para maratona não emagreceu porque as pessoas ao final do treinamento comiam 400kcal a mais. Isso porque o corpo quando estamos treinando se ajusta com maior fome quase que instantaneamente, automaticamente e sem nutricionista nenhum precisando nos avisar disso. É por isso e entre outras coisas (das quais falo melhor aqui) que o exercício é ineficiente para o emagrecimento e não deveria ser JAMAIS a primeira abordagem na perda de peso. Não sou eu quem falo, são os inúmeros estudos.

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É impossível sair dessa encruzilhada quando a pessoa cai na armadilha de encarar o peso como uma questão de balanço calórico, ideia na qual MUITOS especialistas AINDA acreditam, por mais que evidências apontem a falha imensa do modelo. E infelizmente eles não são poucos. Duvida?

Pois o fechamento da matéria em questão é sintomático. A “expert” consultada recomenda que você TEM que comer algo antes do treino, durante o treino, e ainda comer “um monte de carboidrato” (pode até ser uma barra de energia!) até 45 minutos depois do treino. Ela está querendo dizer que para emagrecer você tem que se encher de comida várias vezes ao dia.

Faz sentido comer muito mais para conseguir emagrecer? Ela acha que faz.

Juro que não entendo…

Gordurafobia e o medo do Low-Carb.

"A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca... ooops"

“A dieta de pouca gordura que te dou há 20 anos te deu diabetes, pressão alta e doença cardíaca… ooops”

Pouco mais de 3 semanas atrás um texto incrível do The New York Times (aqui traduzido ao português) ganhou destaque pelo número de compartilhamentos e porque Gary Taubes, pai do low-carb moderno, profetizou que ele poderia ser o ponto de virada para que finalmente os profissionais de saúde aceitem sem medo a dieta de baixo carboidrato (low-carb). 2 dias depois o mesmo veículo publicava outro texto incrível explicando como a indústria do açúcar transformou a gordura em vilã na Nutrição (aqui traduzido por Erik Neves).

O primeiro texto basicamente, mas muito bem fundamentado, argumenta de forma bem direta que antes de uma intervenção cirúrgica buscando emagrecimento, as pessoas deveriam tentar antes cortar o carboidrato da dieta porque ele é o macronutriente que de longe mais impacta os níveis de insulina no sangue. Este é o hormônio mais diretamente relacionado com o aumento dos estoques de gordura e que ao mesmo tempo impede que o corpo a utilize como energia.

Taubes em seu incrível livro Good Calories Bad Calories explica em uma pesquisa completa e minuciosa como que sem ciência definimos equivocadamente o controle de peso como sendo uma questão matemática, de déficit calórico, e não algo biológico e de disfunção hormonal; e Taubes ainda fala de como direcionamos todas as politicas de Saúde Pública em uma direção que causou a maior crise de obesidade da história ao promovermos exercício, dietas low-fat e dietas de baixa caloria como abordagens primárias no emagrecimento.

O que mais assusta na Nutrição não é o fato de muita coisa não possuir resposta. Isso é normal em inúmeros campos do conhecimento. O que mais preocupa quando o assunto é alimentação é que as diretrizes não são baseadas em estudos controlados nem em ciência, mas em desejo, boa vontade e torcida.

img-20150901-wa0015Enquanto escrevo isso, assisto ao Globo Repórter falando sobre hipertensão e diabetes. Quem sempre é procurada para falar é a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Ela mais parece a assessoria de imprensa da indústria farmacêutica e tem em seu presidente um torcedor que virou porta-voz deixando de lado seu diploma de médico e, mais importante, o seu juramento.

Eu falo isso porque eles têm o hábito de ignorar o que mostram os estudos controlados para continuar a medicamentar pessoas doentes. O texto do The New York Times cita 40 estudos falando sobre a segurança de se cortar carboidrato. Eles não são únicos. Aqui você tem mais 25 estudos comparando dieta low-carb com o que prega a SBD e colegas. E aqui você tem mais 54.

Você não precisa nunca acreditar em ninguém justamente porque os estudos estão disponíveis para quem quiser ver tirando o peso da torcida. A dieta low-carb se mostra segura, mais eficiente, logicamente mais sensata (já que reduz a liberação de insulina, o hormônio chave no processo de engorda) e NO MÍNIMO não inferior. Ou você pode fazer justamente o que muitos profissionais insistem em não fazer ao ignorar o que mostram os dados porque eles simplesmente não querem acreditar, e preferem ficar desatualizados.

Uma dieta low-carb está longe de ser infalível. Nosso corpo regula nosso peso por uma série de mecanismos que incluem ainda a quantidade de refeições, tempo de jejum, ciclo circadiano, estresse, sono… São justamente essas variáveis que impedem que a taxa de sucesso seja de 100%. Aliás, nunca será. Como disse aqui, não possuir todas as respostas é algo normal na ciência. O que não é normal é como quem vai falar sobre low-carb ignora o que já há produzido.

Seja bem-vindo! Começou!

livro1Seja bem vindo ao blog do livro” O Nutricionista Clandestino – as razões para a obesidade em um mundo cada vez mais gordo“! Semanalmente você encontrará aqui textos relacionados à saúde, emagrecimento, Nutrição, diabetes, low-carb/paleo e assuntos da área!

No livro que deu origem ao blog discuto como muitos mitos na Nutrição atrapalham nosso entendimento de um problema cada vez maior: a crise de obesidade no mundo.

Se você quer entender um pouco melhor minhas ideias, convido-o para ler os 2 textos na aba superior que falo sobre emagrecimento e exercício no combate ao sobrepeso.

Se você já os conhece, faço o convite para que mostre a algum colega que precisa rever muita coisa do assunto. No mais, fique de olho que semanalmente venho com novidades!

Até mais!